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sábado, 29 de abril de 2017

A Guiné-Bissau arrecadou três medalhas no Campeonato Africano de Luta Livre, a decorrer em Marraquexe, Marrocos

A Guiné-Bissau arrecadou três medalhas na categoria de cadetes no Campeonato Africano de Luta Livre, a decorrer em Marraquexe, Marrocos. Os adolescentes estreantes nessa competição africana conquistaram duas medalhas de prata e uma de bronze.

Atleta do cadete feminino Débora Valéria Turé, na categoria de 56 quilos, conquistou a medalha de prata, Caetano Sá do cadete masculino de 58 quilogramas é detentor de prata e Diamantino Fafé de 54 quilos conquistou a medalha de bronze para o país.

Leopoldina Ross Dayves treinadora nacional, momentos antes da comitiva deixar Bissau, afirmara que, apesar de ser pela primeira vez que o país participa com cadetes neste maior evento continental, estava confiante nos seus atletas em poder trazer uma medalha.

Entretanto, o presidente da Federação de Luta Livre da Guiné-Bissau, Francisco Muniro Conté foi eleito ontem, 27 de abril 2017, em Marrocos no congresso da entidade que rege a luta livre africana, para ocupar o cargo de presidente da Comissão Legislativa da Confederação Africana de Luta Livre da Zona-2.


A edição deste ano contou com grande ausência do tricampeão africano de luta livre na categoria de 74 quilos, Augusto Midana, devido a lesão contraída na clavícula antes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Brasil.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Dom José Camnate Na Bissing, bispo de Bissau apela aos cristãos a não perderem esperança na luta contra o mal

Páscoa da Ressurreição de Jesus Cristo. Páscoa de vida nova para a civilização do amor. Páscoa de renascimento para um homem renovado. Páscoa da alegria alicerçada na Boa Nova, de que jesus ressuscitou verdadeiramente. Páscoa para a libertação do homem escravizado por valores sem sentido. Páscoa para glória de Deus Pai!

O Bispo da Diocese de Bissau, Dom José Camnate Na Bissing apelou na noite de 15 de abril de 2017, os cristãos a inspirarem-se dos fundamentos da Páscoa para lutarem, com Fé, contra o mal que aflige a nossa sociedade e construir um mundo solidário e justo alicerçado na partilha, na comunhão e no amor.

Perante os fiéis reunidos na Sé Catedral de Bissau, o líder da Igreja Católica guineense que falava na Homilia na noite pascal de “Aleluia”, lembra aos presentes que a “Páscoa fundamenta a esperança dos cristãos num mundo melhor”.

Referindo-se a Ressurreição de Jesus Cristo depois da paixão e morte, segundo a Fé cristã, Dom Camnate assegurou que a “Páscoa cristã acontece sempre na luta permanente entre o bem e o mal, como também entre a morte e a vida”. Sublinhando que a referida luta não é exclusiva dos cristãos, mas, sim, de todos os homens de todas as raças, de todas as culturas e de todos os credos.

“Na luta que estamos a travar no nosso país, todos temos a sensação de que o mal e a morte estão a sair vitoriosos. Isto torna-se claro nas prisões de sofrimentos que suportamos, nas dificuldades da vida social, económica e política. Mas quero crer que a sexta-feira de paixão e sofrimentos que temos vindo a viver e parece nunca mais passar, vai dar lugar um feliz dia de Páscoa. A nossa sensação de mal-estar, desânimo e frustração é idêntica, a dos apóstolos, quando assistiam a morte de seu mestre e líder”, notou. Com Odemocrata

sábado, 15 de abril de 2017

O Calvário do mundo

Cronica de Anselmo Borges, no Diário de Notícias

1- Perante o horror todo do mundo, guerras e cidades a desmoronar-se, crianças a jorrar sangue e a gritar de dor ao colo de pais perdidos e a fugir não sabem para onde, violações, crucifixões, fome e mortes, terror e impotência, a palavra que sobe à mente: "Um calvário!" Às vezes, vêm ter comigo pessoas destroçadas e contam e contam e contam. destroçadas: "Sabe? A minha vida tem sido um calvário." E parte-se-me a alma.

2- Hoje, Sexta-Feira Santa, o que se lembra é o calvário de Cristo e, nele, os calvários todos da história. Perante o horror da morte a aproximar-se, diz o Evangelho que Jesus "começou a sentir-se apavorado e a angustiar-se" e rezava: "Meu Pai, tudo te é possível, afasta este cálice de mim. Mas faça-se não o que eu quero, mas sim o que Tu queres." E morreu, gritando esta oração: "Meu Deus, meu Deus, porque é que me abandonaste?"

3- Segundo a fé cristã, não faz sentido lembrar a Sexta-Feira Santa sem a esperança da Páscoa. Os discípulos viveram na perplexidade e angústia o calvário de Cristo. Foi lentamente que, reflectindo em tudo quanto tinham vivido com Jesus, e meditando sobre a sua vida, a sua mensagem, o modo como se dirigia Deus - Amor incondicional, Pai e Mãe -, o modo como se relacionou com todos, o modo como se dirigiu para a morte, fizeram a experiência de fé de que esse Jesus não morreu para o nada, mas para dentro da plenitude da vida em Deus. Deus não é um Deus de mortos, mas de vivos e da Vida. Essa experiência foi tão intensa e avassaladora que disso deram testemunho até à morte.

4- Segundo Ernst Bloch, o ateu religioso que tive o privilégio de conhecer em Tubinga, o cristianismo "venceu em grande parte graças à proclamação de Cristo: "Eu sou a Ressurreição e a Vida". Imperava então um desespero apaixonado, que hoje nos parece incompreensível e representa um acentuado contraste com a nossa indiferença. Mas nada impede que dentro de cinquenta ou cem anos (porque não cinco?) volte essa neurose ou psicose de angústia da morte, de tipo metafísico, com a pergunta radical: para quê o esforço da nossa existência, se morremos completamente, vamos para a cova e, em última instância, não nos resta nada?"

5- Pergunta inquietante e inelutável: porque temos de morrer? E, se é inevitável, que atitude tomar perante essa certeza da morte? Será que vivemos simplesmente para morrer e ficar mortos, definitivamente mortos para sempre? Aparentemente, é assim. Mas, depois, erguemo-nos desde o mais fundo de nós, protestando e com esperança. Lá está Unamuno agarrando-se à vida e a gritar: "O meu eu, o meu eu, ai que me arrebatam o meu eu!" J. A. Pagola lembra uma palavra sóbria e honrada do escultor Eduardo Chillida: "Quanto à morte, a razão diz-me que é definitiva. Quanto à razão, a razão diz-me que é limitada." E é legítimo esperar, tal é a força que impulsiona a viver e viver sempre. Ou será tudo contraditório e absurdo? Sim, na morte, a evidência é o cadáver, mas quem se contenta com o cadáver?, perguntava também Ernst Bloch.

6- Enquanto formos mortais, havemos de perguntar por Deus, concretamente ao pensar nas vítimas inocentes. Como escreveu o agnóstico M. Horkheimer, um dos fundadores da Escola Crítica de Frankfurt, "se tivesse de descrever a razão por que Kant se manteve na fé em Deus, não saberia encontrar melhor referência do que aquele passo de Victor Hugo: uma anciã caminha pela rua. Ela cuidou dos filhos, e colheu ingratidão; trabalhou, e vive na miséria; amou, e vive na solidão. E, no entanto, está longe de qualquer ódio e rancor, e ajuda onde pode... Alguém vê-a caminhar e diz: Ça doit avoir un lendemain!... Porque não foram capazes de pensar que a injustiça que atravessa a história seja definitiva, Voltaire e Kant postularam Deus - não para eles mesmos".

7- Eu tive uma aluna muito inteligente, que é ateia. Na sua abertura de espírito, convidou-me uma vez para ir dar uma aula à sua universidade sobre Deus, a religião, a esperança. Depois, fomos jantar e voltámos a falar sobre a morte e a esperança. E ela: morremos, como é natural, como um gato também morre. E eu relembrei-lhe a Escola Crítica de Frankfurt e as vítimas inocentes e todos aqueles que morreram sem viver, esmagados pela violência, pela fome, pela guerra; há uma dívida de justiça para com essas vítimas - quem pagará essa dívida? E continuámos a falar sobre tanta coisa... Já noite dentro, na despedida, ela atirou: sim, para esses, aqueles e aquelas de que falou, ao menos para esses deveria haver alguma coisa...
Uma exigência moral. Mas, afinal, "esses", de uma maneira ou outra, somos nós todos.

8- No meio da perplexidade, fico com Kant: "A balança do entendimento não é completamente imparcial, e um braço da mesma com o dístico "esperança do futuro" tem uma vantagem mecânica que faz que mesmo razões leves que caem no seu respectivo prato levantem o outro braço que contém especulações em si de maior peso. Esta é a única incorrecção que eu não posso eliminar e que eu na realidade não quero abandonar."

9- Perante "a dramática ponderação entre o sim e o não", um filósofo grande de base kantiana, o jesuíta José Gómez Caffarena, teve uma razão decisiva para inclinar a balança para o sim: Jesus de Nazaré. E, assim, deixou escrito, na sua obra monumental, O Enigma e o Mistério: "O cristianismo teve o imenso acerto de apresentar-se como a tradição de um ser humano que enfrentou o mal com enorme dor, mas com prevalente esperança." Recentemente, também Hans Küng, o teólogo rebelde e o mais crítico do século XX, já próximo do seu próprio fim, disse que, para ele, morrer é "descansar no Mistério da Misericórdia de Deus". Assim acredito eu também.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República Popular da China na Guiné-Bissau, prioriza cooperação nos sectores da agricultura e economia

O novo Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República Popular da China na Guiné-Bissau, Jin Hongjun disse hoje, 12 de abril 2017, que a prioridade do seu país na cooperação com o governo guineense são os sectores da agricultura e da economia.

O diplomata chinês falava à imprensa depois de uma audiência com o Chefe de Estado, José Mário Vaz, durante a qual apresentou a sua carta credencial.

“Sinto-me a grande responsabilidade porque o trabalho é muito. A Guiné-Bissau está no período importante de desenvolvimento e como um país amigo, estamos a tentar fazer o que podemos fazer como amigo”, notou.

Jin Hongjun reiterou a sua disponibilidade e vontade de envidar esforços no sentido de estreitar os laços de amizade existentes entre os dois países e dois povos.

Para além dos sectores agrícola e económico, Hongjun indicou que os investimentos chineses serão extensivos a outras áreas como a educação, a saúde, onde a china tem vindo fazer alguns trabalhos palpáveis.

Recorde-se que o novo Embaixador da china chegou ao país na noite de quinta-feira, o6 de abril de 2017, para substituir o Embaixador Wang Hua que terminou o seu mandato de três anos (2013/2016). Com Odemocrata

sábado, 8 de abril de 2017

Transhumanismo e pós-humanismo (4)

Crónica de Anselmo Borges, no Diáriode Notícias

1 Depois do êxito mundial de Sapiens, com mais de um milhão de exemplares vendidos, Yuval Noah Harari publicou em 2015 Homo Deus, que, depois de reflectir sobre as ameaças da biotecnologia e da inteligência artificial ao humanismo e que nova religião poderia substituí-lo, termina perguntando em que devemos centrar-nos se pensarmos em termos de meses ou de anos, respectivamente. Se adoptarmos uma visão realmente ampla da vida, "todos os outros problemas e questões são eclipsados por três processos interconectados: 1. A ciência converge num dogma universal, que afirma que os organismos são algoritmos e que a vida é processamento de dados. 2. A inteligência desconecta-se da consciência. 3. Algoritmos não conscientes mas inteligentíssimos rapidamente poderiam conhecer-nos melhor do que nós próprios". Estes processos levantam três perguntas-chave: "1. Os organismos são realmente só algoritmos e realmente a vida é só processamento de dados? 2. O que é mais valioso: a inteligência ou a consciência? 3. Que é que acontecerá à sociedade, à política e à vida quotidiana quando algoritmos não conscientes mas muito inteligentes nos conhecerem melhor do que nós próprios?"

2 Realizar-se-á o sonho do salto para máquinas inteligentes e autoconscientes, e a caminho da imortalidade?

Nem Luc Ferry, para quem, embora não se importasse de viver mais tempo, pelo contrário, a imortalidade neste mundo é um "fantasma", nem Jean Staune vêem como é que um computador poderia aceder ao estado de consciência ou sequer de simulá-lo. Também não vejo. Aliás, como é possível a emoção, sem uma base biológica? E a consciência, a consciência de si, continua um "milagre": essa luz que, auto-iluminada, ilumina tudo o que não é ela, e que faz de cada um uma intimidade única, de tal modo que eu não sei o que é ser outro. Essa consciência de si, no seu carácter intransferível, é avassaladora. Sobretudo: tenho um cérebro, mas sou eu. A ciência não explica.
E como produzir uma máquina verdadeiramente livre, se precisamente "programar" se contrapõe a ser livre, dispor de si em liberdade? A tese de máquinas conscientes parte do pressuposto da identidade entre cérebro e consciência. Ora, embora a consciência tenha emergido a partir das propriedades ontológicas da matéria, realmente a consciência não parece redutível ao cérebro. De facto, temos cérebros, mas somos eus. Como se passa da objectividade para a subjectividade, de processos da ordem da terceira pessoa para a vivência de si na primeira pessoa?

3 No entanto, o jesuíta Javier Monserrat, neurólogo, filósofo e teólogo, levanta algumas questões pertinentes. Segundo ele, este é o paradoxo: por um lado, "o modo de ser real próprio do homem não pode reduzir-se ao modo de ser real dos animais, e, muito menos, do mundo físico da pura matéria", mas, por outro, "não é menos verdade que a ciência nos impõe hoje aceitar que formamos parte de um processo evolutivo unitário que não tem alternativa".

A natureza humana, aberta, terá mudanças evolutivas, mas a pergunta é: "Produzir-se-á uma mudança qualitativa na natureza humana?" É evidente que as novas tecnologias abrem perspectivas impressionantes para promover o futuro da evolução e da natureza humana. Não se pode duvidar de que a espécie humana poderá dispor de cyborgs ao seu serviço e de que "a sua actividade intelectual e puramente orgânico-biológica poderá dispor do apoio de imensas redes externas de computação ao serviço do conhecimento, da saúde e controlo do próprio corpo e do domínio geral sobre a natureza". Instrumentos de uma capacidade superior àquela que até há pouco se poderia sequer imaginar. O mundo dos cyborgs e das redes de computação externa "será uma dimensão de realidade diferente, da qual o homem poderá fazer um uso instrumental, mas que, para responder à pergunta formulada acima, não será ontologicamente idêntica à ontologia humana e que, por conseguinte, nunca poderá ser integrada numa unidade ontológica nova que pudesse dar lugar a uma natureza humana qualitativamente diferente da que conhecemos até agora". Porquê? Há irredutibilidade entre a ontologia do mundo da computação e a ontologia do mundo animal-humano. A razão é clara: "tanto as máquinas humanóides ou cyborgs como as redes de computação externa, por exemplo, como as concebe Raymond Kurzweil, são sistemas seriais ou conexionistas (PDP) que funcionam de uma forma mecânica e cega, sem que haja a mínima semelhança ontológica com os sistemas biológicos associados evolutivamente à sensibilidade-percepção-consciência, à existência de sujeitos psíquicos conscientes e à mente animal e humana."

As coisas poderiam mudar?, pergunta. Responde afirmativamente. E a razão, hoje cientificamente estabelecida, é que "o mundo da sensibilidade-consciência emergiu das propriedades ontológicas da matéria. Portanto, se fôssemos capazes de construir uma engenharia apropriada para aproveitar a capacidade ontológica da matéria para produzir "sensibilidade", então poderíamos ir construindo máquinas que não fossem mecânicas e cegas, mas que funcionassem de um modo mais próximo do mundo biológico. No entanto, hoje as coisas não vão por aí (estamos a falar quase de ciência-ficção) e só se faz uma engenharia computacional mecânica e cega, como vemos em Kurzweil, que, além disso, se distancia explicitamente da incipiente neurologia quântica que, em princípio, poderia ser a única via para construir máquinas mais próximas da vida real".

4 Até onde iremos nas nossas capacidades, com as novas tecnologias? E o que é que verdadeiramente queremos? Como escreve Luc Ferry, "nunca a palavra regulação (ético-política) designou uma tarefa mais decisiva do que na situação inédita, e sem dúvida irreversível, que é agora a nossa".


Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

terça-feira, 28 de março de 2017

O Presidente da República, José Mário Vaz, lança pedra para construção de estrada que ligará Zona Libertada (Buba-Catió) ao resto do país

O Presidente da República, José Mário Vaz presidiu sábado o lançamento da pedra para o alargamento e alcatroamento da estrada que liga Buba, na região de Quinara à Catio, na de Tombali, numa extensão de 60 quilómetros.

A nova obra, financiada pelo Banco Oeste Africano de Desenvolvimento (BOAD) num montante de cerca de 25 mil milhões de Francos CFA, múltiplas vezes adiada pelos sucessivos governos, conta com o revestimento de uma camada de até cinco centímetros além de duas bermas com pelo menos dois metros de largura.

Os trabalhos, que vão durar 22 meses, estão sendo executados pela empresa argelina "Arezki SA", e vão contemplar ainda a criação de uma portagem em Batambali e melhoria das estradas urbanas das duas cidades.

Na cerimónia de lançamento da primeira pedra deste empreendimento, O presidente José Mário Vaz sublinhou que a nova infra-estrutura será uma nova oportunidade para a melhoria das vidas das populações locais e da economia das duas regiões.

"Mas só se efectivará- essa melhoria- quando houver outras acções que a capitalize", avisou o chefe de Estado referindo-se, nomeadamente, a criação de um processo de desenvolvimento integrado que passa pelo investimento produtivo capaz de criar riquezas para o povo do sul.

Lembrou que Catió esteve durante muitos anos isolada do resto do país por falta de acesso e, desta forma, excluída do seu desenvolvimento. Citou as várias tentativas efectuadas pelos sucessivos governos no sentido da construção daquela via que, no entanto, devido a várias razões, explicou José Mário Vaz, não resultaram.

"Enquanto Presidente da Republica, garanto-vos que tudo farei para que esta obra chegue ao fim e para que em Abril de 2019 voltemos a reencontrar aqui para a sua inauguração", declarou.

O chefe de estado exortou as populações das duas regiões a estarem vigilantes e denunciarem qualquer irregularidade que não esteja prevista no caderno de encargo do projecto.

A concluir, destacou ser seu desejo e obrigação devolver à zona sul a condição de maior celeiro do país e agradeceu a UEMOA e o BOAD pelo acompanhamento às autoridades guineenses "nesta caminhada" de redução da pobreza e promoção do bem-estar da população.

A cerimónia contou com presença de membros do governo, representantes do corpo diplomático, deputados eleitos nas duas regiões, antigos combatentes da liberdade da pátria e a população local que afluiu em massa.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Djurtus da Guiné-Bissau defrontam "Bafana Bafana de Africa do Sul"

Os Djurtus defrontam amanhã os "Bafana Bafana" num jogo amigável, em Durban. É o primeiro jogo da selecção guineense após o CAN.

Depois da qualificação histórica para o CAN, os jogadores guineenses voltam amanhã a vestir a camisola da selecção num jogo amigável contra a África do Sul, em Durban.

Deixando de fora dois capitães da selecção, Bocundji Cá e Jonas Mendes, há uma novidade na convocatória: Soriano Mané, jogador do Olhanense, de Portugal. Esta época, o avançado de 20 anos, conta com 26 jogos na equipa da 2° divisão portuguesa.

Guiné-Bissau com Moçambique no grupo de apuramento para o CAN

A Guiné-Bissau começa assim a preparação para os jogos de apuramento para o CAN 2019. No grupo, encontra-se a Zâmbia que, relembre-se, já estava no grupo de qualificação da Guiné para o CAN deste ano. Os Djurtus empataram no primeiro jogo e venceram no segundo.

A Guiné também terá pela frente Moçambique, no que será o primeiro embate oficial entre os dois países lusófonos. Além disso, o grupo contará com a Namíbia.

Cherif Djaló, representante da selecção guineense em Paris, considera que o embate de amanhã pode ajudar a equipa a manter a confiança depois da qualificação histórica para o Campeonato das Nações.

Confira aqui a lista de convocados para o jogo de amanhã:

Guarda-redes:
Rui Camara Dado (CD Cova de Piedade, Portugal)
Pape Masse Fal Mbaye (Agua Dulce, Espanha)

Defesas:
Tomás Dabo (SC Farense, Portugal)
Rudimilson Gomes Brito Silva (Utenis Football Club, Lituânia)
Juary Marinho Soares (CD Mafra, Portugal)l
Agostinho Soares (SC Covilhã, Portugal)
Mamadu Candé (sem clube)

Médios:
Nanisio Soares (FC Felgueiras, Portugal)
Zezinho (Levadiakos FC, Grécia)
Abdú (Clube O. Desportivo, Portugal)
Francisco Santos da Silva (Stromsgodset, Noruega)
Lassana Camará (Académico de Viseu, Portugal)

Avançados:
Jamari (CD Chaves, Portugal)
Piqueti (SC Braga, Portugal)
Toni Silva (Levadiakos, Grécia)
Aldair Baldé (SC Olhanense, Portugal)
Abel Camará (Belenenses, Portugal)

Soriano Mané (SC Olhanense, Portugal)

sábado, 18 de março de 2017

A água de Jesus sacia a nossa sede

Reflexão de Georgino Rocha

O encontro de Jesus com a samaritana contém uma riqueza admirável de ensinamentos. Pelo que mostra e pelo que simboliza. Para todos os tempos. Centrado nas sedes humanas, envolve outras dimensões pessoais e colectivas, conjugais e familiares, étnicas e religiosas, espirituais e transcendentes. Centrado em dois protagonistas – o judeu Jesus e a anónima samaritana – decorre em ambiente de diálogo pedagógico esclarecedor. Quem necessita passa a dar ajuda e quem dispõe de meios acolhe os que lhe são oferecidos. João, o evangelista encenador e narrador do episódio do poço de Jacob, em Sicar da Samaria, elabora uma excelente catequese que a Igreja integra na preparação dos candidatos ao baptismo, início da vida cristã. (Jn 4, 5-42).

Era cerca do meio-dia, hora avançada para quem madruga. Jesus anda em missão pelas terras áridas da Samaria. Sente-se cansado e aproxima-se de Sícar. Senta-se à beira do poço de Jacob. Fica só, pois os discípulos vão à procura de alimento à povoação. A paixão do anúncio da novidade de Deus “assalta-lhe” o coração. Ergue o olhar e vê uma mulher que vem com um cântaro vazio. O encontro pressentido e desejado vai acontecer, embora seja preciso cautela prudencial. “Dá-me de beber” é a saudação inicial que soa muito estranha ao ouvido daquela mulher. E a réplica tem algo de censura: Tu, judeu, atreves-te a fazer pedidos a uma samaritana? Jesus avança com uma proposta de sentido diferente e garante-lhe: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que que te diz: “Dá-me de beber, tu é que lhe pedirias e Ele te daria água viva”.

O diálogo prossegue e, de passo em passo, chega às sedes profundas da mulher samaritana, sedes de felicidade típicas de todo o ser humano. Sedes que vinham a ser saciadas em experiências várias. Aliciantes, mas passageiras e geradoras de um vazio amargo. A contra-luz, são denunciadas a superioridade do homem sobre a mulher, o apreço pela pureza étnica, a localização do culto religioso, a vida sexual instável, apesar de procurada com insistência. O diálogo faz-nos ver os cinco maridos, o monte de Garizim e o templo de Jerusalém, a rivalidade dos povos, as pautas sociais de comportamento de judeus e samaritanos. Tudo para visualizar uma mensagem com sentido mais profundo e horizontes mas amplos.

“O que em primeiro lugar fica claro neste relato, afirma J. M. Castillo, é o respeito, a aceitação e o acolhimento humano de Jesus a qualquer pessoa. Jesus encontra-se com uma estranha que, além disso, era desprezada por três razões: os homens desdenhavam como mulher; os judeus por ser samaritana; as outras mulheres pelo seu comportamento pouco exemplar. Pois bem, a esta mulher tão desconsiderada, Jesus garante que lhe vai dar uma água que sacia todas as suas carências e seus anelos”.

A relação com Jesus progride de forma clara, indiciada nos títulos com que ela o trata: judeu, senhor, profeta, messias. E faz ver que o cântaro vazio se converte em coração cheio; o cântaro abandonado junto ao velho poço dá lugar ao coração apaixonado e exultante de alegria que parte em “saída missionária”. De esmorecida e rotineira, a samaritana transforma-se em mensageira da novida encontrada, em testemunha qualificada e eficiente de Jesus junto dos seus conterrâneos. E destes recebe o maior elogio que o discípulo pode ouvir: “Sabemos que Ele é o Salvador do mundo”, não por causa das tuas palavras, mas “porque nós ouvimos”. A sede de Jesus ia-se saciando. A eficácia do encontro estava à vista. A água pedida transforma-se em oferta e quem a recebe converte-se em manancial de água viva que jorra abundantemente. Como em Sícar. Com a samaritana. Junto dos seus conterrâneos. E em tantas partes do mundo ao longo dos tempos, como, felizmente, a história honesta documenta.

Jesus é, agora, o novo templo onde se realiza o culto agradável a Deus, é a água viva que inunda e vitaliza todo o coração ressequido e esterilizado, é a palavra eficaz que desvenda a cada um/a a grandeza da sua dignidade, é o pão saboroso que alimenta e sacia as fomes de sentido e de esperança para o nosso peregrinar no tempo, rumo a um futuro feliz, definitivo, eterno.

“Quando ouvir alguém perguntar «onde estão os jovens?» diga-lhe que estamos aqui”, juntos, em Igreja, apesar de muitos. por razões várias, terem abandonado. “Hoje, acredito, afirma Sotelo Nicole, que muitos jovens católicos adultos estão a tentar, à sua pequena medida, fazer o que Jesus fez: ter a certeza de que o amor firma raízes e cresce nos nossos ensinamentos da Igreja, nas nossas políticas públicas. Talvez nunca antes na minha vida eu tenha sentido um desejo tão grande de permanecer unida ao legado de Cristo, trabalhando para uma sociedade e uma Igreja em que podemos acreditar”( National Catholic Register, SNPC 14.03.2017).


Belo testemunho que reforça a atitude da samaritana e atesta, a seu modo, que a água de Jesus sacia a nossa sede. Experimenta!

Transhumanismo e pós-humanismo (1)

Crónica de Anselmo Borges, no Diário de Notícias

"Não se pode compreender nada actualmente, passando ao lado das revoluções tecnológicas."

Embora pouco debatido, está em marcha todo um projecto para modificar o homem, no limite, pensando até na imortalidade, e cientistas trabalham nele, com o apoio financeiro de grandes grupos, como o Google, que tem em Raymond Kurzweil, um génio informático, autor de The Singularity Is Near: When Humans Transcend Biology, o seu mais afirmado profeta. É, pois, relevante que o filósofo Luc Ferry, que já foi ministro da Educação em França, venha, numa obra exigente e pedagógica, La Révolution Transhumaniste, alertar para a urgência da reflexão sobre tão complexa temática: "Não se pode compreender nada actualmente, passando ao lado das revoluções tecnológicas."

1. O transhumanismo, explica Ferry, é um filho da terceira revolução industrial, a do digital e das NBIC: nanotecnologias, biotecnologias, informática, ciências cognitivas, isto é, ciências do cérebro e inteligência artificial. Tem três características fundamentais: a passagem de uma medicina terapêutica a uma medicina de "aumento", concretamente através da engenharia genética e da hibridação (um exemplo: mediante um implante, ficar com uma visão de águia); passagem do acaso à escolha, "from chance to choice", da lotaria genética a um eugenismo; o aumento da vida humana, lutando contra o envelhecimento e a morte (a Universidade de Rochester já aumentou em 30% a vida de ratos transgénicos). Numa palavra: avançar para "homens aumentados".

2. No cruzamento da "convergência NBIC", em simbiose e mútua fecundação exponencial, resultará um avanço prodigioso na investigação e na técnica, de consequências imprevisíveis. Assim, por exemplo, na sua obra brilhante e desafiadora De Animais a Deuses, agora best-seller mundial com o título Sapiens, com mais de um milhão de exemplares vendidos, o historiador Yuval Harari não hesita em dar como título ao último capítulo "O fim do Homo sapiens", escrevendo: "Os futuros senhores da Terra serão, provavelmente, mais diferentes de nós do que nós somos dos neandertalenses. Isto atendendo a que nós e os neandertalenses somos, pelo menos, humanos e os nossos herdeiros serão semelhantes a deuses."

E dá exemplos do que está e pode vir a acontecer. Os laboratórios começam a superar as leis da selecção natural, e aí está o caso de um coelho verde e fluorescente. Já mudamos o género de um ser humano através da cirurgia e de tratamentos hormonais. Com a engenharia genética, produziremos porcos com gorduras boas e poderemos pensar em "ressuscitar" criaturas extintas, incluindo um neandertalense, conseguindo talvez desse modo, comparando o seu cérebro com o nosso, "identificar que alteração biológica resultou na consciência". Com ela e outras formas de engenharia biológica pode pensar-se em realizar alterações profundas na nossa fisiologia, no sistema imunitário, na esperança média de vida, nas nossas capacidades intelectuais e emocionais. Se é possível criar ratos superinteligentes, "porque não seres humanos superinteligentes e que se mantenham fiéis aos seus parceiros?" E poder-se-á pensar na criação de "um tipo de consciência completamente novo e transformar o Homo sapiens em algo diferente", parecendo inclusivamente "não existir uma barreira técnica intransponível que nos impeça de criar super-humanos". Existe uma outra tecnologia que poderia alterar as leis da vida: a engenharia cyborg: "Os cyborgs são seres que conjugam componentes orgânicos e inorgânicos, como um humano com mãos biónicas" - pense-se no ouvido biónico, em braços biónicos, controlados pelo pensamento, ou em invisuais obtendo uma visão parcial. Talvez possamos um dia "ler a mente de outra pessoa". "O mais revolucionário é a tentativa de inventar uma interface de duas vias, directa do cérebro para o computador, que permita ao aparelho ler os sinais eléctricos do cérebro humano, transmitindo, por outro lado, sinais que o cérebro, por sua vez, também possa ler. E se essas interfaces forem usadas para ligar directamente um cérebro à internet ou ligar directamente vários cérebros uns aos outros, criando desse modo uma espécie de internet cerebral? O que poderia acontecer à memória, à consciência e à identidade humanas, se o cérebro tivesse acesso directo a um banco de memória colectiva?" E há programadores que "sonham criar um programa que possa aprender e evoluir de forma absolutamente independente do seu criador". "Suponha que podia fazer um backup do seu cérebro para um disco rígido portátil e, depois, fazê-lo correr num computador. Seria o seu computador capaz de pensar e sentir como um sapiens? Se pudesse, seria o leitor uma outra pessoa?" E, se os programadores informáticos pudessem "criar uma mente inteiramente nova, mas digital, criada por código informático, integral, com sentido de si própria, consciência e memória", estaríamos perante uma pessoa? O director do Blue Brain Project afirmou que numa ou duas décadas poderemos ter "um cérebro humano artificial, dentro de um computador, que poderá falar e comportar-se como um humano".

3. Que fazer? Perante tamanhos desafios, embora alguns, segundo parece, não vão além da ciência ficção, não se pode ficar indiferente. E lá está Luc Ferry, exigindo "uma regulação que deve ser política". E reflexão ética.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Guiné-Bissau e Senegal debatem a revisão do Acordo sobre a Zona Marítima de Exploração Conjunta.

A Guiné-Bissau tem um acordo com o Senegal no domínio das pescas e sobre o qual a partilha é de 50 por cento para cada parte.

Em relação ao rendimento da exploração de petróleo, o Acordo prevê neste momento 20 por cento para a Guiné-Bissau e 80 para o Senegal.

O Chefe da Delegação da Guiné-Bissau, Apolinário de Carvalho, sem precisar os pontos em discussão, disse a imprensa que as sessões de trabalhos estão a “decorrer normalmente”, contudo, admite não esperar um Acordo durante esta ronda negocial entre Bissau e Dacar.

Enquanto Embaixador de Senegal em Bissau defende que o seu país devia obter 85 por ceno dos rendimentos contra 15% para Guiné-Bissau na futura exploração do petróleo na zona marítima comum, “dado ao investimento feito pelo Senegal”.

Estas declarações foram feitas pelo Embaixador Cheikh Tidiane Thiam no intervalo dos trabalhos entre as Comissões dos dois países relativa a revisão do Acordo sobre a Zona Marítima de Exploração Conjunta.

“Se não fosse o investimento feito pelo Senegal na zona em questão, estaríamos perante um Acordo de partilha de rendimentos, completamente desequilibrado”, disse Tidiane Thiam.

Contudo, assegurou que as autoridades de Dacar estão abertas para se alcançar um acordo que satisfaça os dois Estados e os respectivos povos.

Hoje, sexta-feira, é o último dia desta ronda relativa a Zona Marítima de Exploração Conjunta entre os dois Estados.

 O Acordo de Cooperação e Gestão da Zona Marítima Comum entre as Repúblicas da Guiné-Bissau e do Senegal foi assinado pelos chefes de Estado dos dois países em 1993 e dois anos depois foi criada a Agência para a Gestão e Exploração de recursos haliêuticos e minerais. Com Agencia Noticiosa da Guiné-Bissau

quarta-feira, 15 de março de 2017

O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau,Jorge Malu, defende revisão do acordo com Senegal

O Ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu hoje a revisão do “Acordo de Gestão e Cooperação” da Zona Marítima Comum, entre Guiné-Bissau e Senegal, satisfazendo os interesses dos dois países.

 Jorge Malú proferiu estas declarações, na cerimónia de abertura dos trabalhos da Comissão guineense-senegalesa de Avaliação e Renegociação do Acordo de Gestão e Cooperação do espaço marítimo conjunto entre os dois países.

“Volvidos duas décadas de vigência deste Acordo, a parte guineense entende ter chegado o momento de revisitá-lo, no propósito de sua adaptação a realidade actual e de proceder a sua melhoria”, acrescenta o chefe da diplomacia guineense.

Por fim, pediu as delegações dos dois países a saberem interpretar os sentimentos dos seus povos e dos respectivos Presidentes da República.

Por sua vez, o Embaixador de Senegal de Senegal, em representação do seu governo, assegurou que o encontro visa, sobretudo fazer o balanço de duas décadas de cooperação e melhorar o conteúdo do Acordo em prol dos dois países.

Sheikh Tidiane Thiam realçou o facto de a Guiné-Bissau e Senegal “escolherem a cooperação na gestão dos recursos que têm em comum”.

De acordo com os especialistas, a referida zona é rica em recursos pesqueiros e petrolíferos.


 O Acordo de Cooperação e Gestão da Zona Marítima Comum entre as Repúblicas da Guiné-Bissau e do Senegal foi assinado pelos chefes de Estado dos dois países em 1993 e dois anos depois foi criada uma agência para a gestão e exploração de recursos haliêuticos e minerais. Com Agência de Notícias da Guiné-Bissau

sexta-feira, 10 de março de 2017

GUINÉ-BISSAU, RENÚNCIA QUARESMAL 2017

Carta dos bispos às Paróquias e Missões das Dioceses de Bissau e Bafatá

Assunto: Destinação da Renúncia quaresmal de 2017

“Estive doente e me visitastes” (Mt 25,36)

Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

Iniciamos hoje, Quarta-feira de Cinzas, o sagrado tempo da Quaresma, ouvindo o forte apelo de Cristo: “convertei-vos e crede no Evangelho”(Mc. 1,15). A Igreja exorta-nos a vivê-la como uma peregrinação rumo à Páscoa. Na Mensagem para a Quaresma 2017, o Papa Francisco disse: “A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola. Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo”.

Na Quaresma do ano passado, dentro do Ano da Misericórdia, a renúncia quaresmal das paróquias e missões de nossas duas dioceses foi destinada aos prisioneiros dos diferentes estabelecimentos prisionais do país. Este foi um gesto muito lindo para a vivência de uma obra de misericórdia corporal: “estive na prisão e viestes ver-me”(Mt 25,36). O resultado foi muito bom: FCFA 1.976.200. Que Deus seja louvado.

Na Carta Apostólica Misericordia et Misera, ao número 16, o Papa Francisco disse: “Termina o Jubileu e fecha-se a Porta Santa. Mas a porta da misericórdia do nosso coração permanece sempre aberta de par em par…A Porta Santa, que cruzamos neste Ano Jubilar, introduziu-nos no caminho da caridade, que somos chamados a percorrer todos os dias com fidelidade e alegria”.

Refletindo sobre o Ano da Misericórdia e sobre estas palavras do Papa na Misericordia et Misera, achamos por bem propor para a renúncia quaresmal 2017 mais uma obra de misericórdia corporal: “Estive doente e me visitastes” (Mt 25,36)

O resultado da renúncia quaresmal deste ano 2017 será destinado para o alívio da dor dos doentes. Que pela oração e pela caridade manifestemos toda a nossa proximidade para com estes nossos irmãos e irmãs que tanto precisam da nossa solidariedade.

A exemplo da renúncia quaresmal do ano passado, com seu bom êxito, e da solidariedade para com o povo italiano afetado pelo terremoto em agosto, também do ano passado, - em que o resultado da coleta feita nas paróquias e missões das duas dioceses foi de FCFA 2.057.250 -, abramos, generosamente, “a porta da misericórdia do nosso coração” aos nossos doentes, com a certeza de que estamos acolhendo o próprio Cristo.

A todos, um bom Tempo de Quaresma com votos de frutuosa preparação à Páscoa.

Dom José Câmnate na Bissig, Bispo de Bissau

Dom Pedro Carlos Zilli, Bispo de Bafatá

Escutar Jesus, o Filho amado de Deus Pai

Reflexão de Georgino Rocha

Há momentos na vida, que põem à prova decisões tomadas de modo definitivo. Certamente por motivos sérios. Talvez porque circunstâncias diferentes tentem impor-se ou os próprios amigos o aconselhem com insistência… E vozes interiores crescem de intensidade, instalam a dúvida e a pessoa sente-se abalada.

Jesus, segundo o relato de Mateus que narra o episódio da Transfiguração no Monte Tabor, faz preceder a descrição com o diálogo de Cesareia de Filipe, em que após a resposta acertada de Pedro à pergunta “E vós, quem dizeis que eu sou”, Jesus anuncia que tem que sofrer muito, ser rejeitado e crucificado, e, só depois, é que ressuscitará. O coração de Pedro sobrepõe-se à razão da inteligência e “dispara”: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!”. A resposta de Jesus é contundente e radical: “ Afasta-te de mim, Satanás. És uma pedra de tropeço para Mim, porque não pensas as coisas de Deus, mas as coisas dos homens”. Estão em contraste dois modos de realizar a missão: servir até à cruz por amor ou impor-se com gestos espectaculares, os das tentações diabólicas.

O evangelho da Transfiguração vem confirmar a opção de Jesus. Tudo converge nele e tudo brota dele, como de um abundante manancial de água fresca. Mateus, o narrador, reveste de grande solenidade o cenário do sucedido. Recorre a elementos gráficos que evocam Moisés e a entrega das Tábuas da Lei no monte Sinai.

A subida, o grupo escolhido, o rosto brilhante, a nuvem luminosa, a voz falante, o temor dos presentes constituem elementos de aproximação e apontam para a convergência em Jesus da nova manifestação de Deus e da sua vontade: “Este é o meu Filho. Escutai-O!”

Face ao ocorrido, os discípulos ficam assustados e caídos por terra. Jesus aproxima-se, toca-lhes e diz-lhes: “Levantai-vos. Não temais”. Eles erguem os olhos e vêem apenas Jesus. E com esta experiência marcante, descem para a planície da vida chã, do quotidiano, da família e de tantas outras realidades comuns. Subiram ao monte de Deus para com Ele descerem à humanidade, partilharem a sua sorte, viverem as suas alegrias e esperanças, os seus revezes e atropelos, reconstituirem os desfigurados na dignidade e no acesso aos bens de subsistência.

“Escutar Jesus” para melhor ouvir as vozes do mundo e interpretar as suas mensagens. São estas que nos fazem ver os traços do rosto de Jesus em tantos “lázaros” desfigurados, apontam os desejos mais profundos do coração e o seu melhor, reclamam a mediação indispensável para sentirem o pulsar da humanidade e sintonizar com os seus apelos. O Padre António Vieira, ilustre pregador de grandes sermões afirma que: “Para falar ao vento bastam palavras; para falar ao coração são necessárias obras”.

“Escutar Jesus” nas vibrações éticas da consciência, o santuário mais digno do ser humano, a “caixa-de-ressonância” de valores adquiridos e de insucessos ocorridos, instância moral sempre a precisar da luz da verdade para exercer a sua função de guia e conselheira. A nível pessoal em diálogo de reciprocidade com a cultura e o bom senso. “Em várias ocasiões, afirma D. Ximenes Belo, bispo emérito de Timor, ouvi este desabafo dos timorenses, sobretudo aos velhinhos das aldeias: somos pobres e analfabetos, podemos comer terra e pedra, mas não queremos que outros venham pisar a nossa cabeça”, afirmação feita na sessão de homenagem que lhe foi prestada na Universidade Católica Portuguesa.

“Escutar Jesus” na palavra escrita que narra as maravilhas da história da salvação que Deus decidiu levar a cabo com a indispensável cooperação humana; palavra situada no contexto histórico em que surgiu, lida com o propósito de buscar quem nela se esconde e de o aceitar como amigo com quem se quer falar. A sua leitura pode ser enriquecida pelos modos usados que despertam e alimentam as disposições indispensáveis a um bom “aproveitamento”. Assim na família, nos grupos apostólicos, na assembleia dominical, na celebração litúrgica.

O Papa, mestre na arte da comunicação e no recurso a metáforas familiares eloquentes, convidou-nos a ler as “mensagens de Deus contidas na Bíblia” como se lêem as SMS. "O que é que aconteceria se tratássemos a Bíblia como se fosse o nosso telemóvel? Pensem nisto, a Bíblia sempre connosco, ao nosso lado".


Escutar e ver Jesus vai moldando o coração do discípulo e configurando o seu agir; vai pautando o estilo de vida e despertando energias adormecidas indispensáveis à valorização da pessoa e da comunidade, vai fazendo surgir rostos irradiantes e felizes, autênticas testemunhas do Senhor transfigurado.