O Presidente do Parlamento da
Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, reuniu- se nesta terça-feira com elementos da
comunidade internacional para se queixar de alegada falta de segurança no
edifício da Assembleia Nacional Popular (ANP), noticia a Lusa.
Segundo Ansumane Sanhá, director de
gabinete, a falta de condições de segurança terá a ver com o facto de o Governo
ter mandado substituir o corpo de vigilância do edifício do Parlamento
"sem o consentimento" de Cassamá, "como manda a lei".
Numa reunião de cerca de hora e meia em
casa de Cipriano Cassamá, onde está a exercer funções, o presidente da ANP
transmitiu a sua preocupação aos membros do grupo P5: representantes em Bissau
da Comunidade Económica de Estados de África Ocidental (CEDEAO), União
Africana, União Europeia, Comunidade de Países de Língua Portuguesa Comunidade
de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e Nações Unidas.
Ansumane Sanhá afirmou que a situação no
Parlamento continua "numa indefinição total" e que Cipriano Cassamá
quer que o P5 ajude na busca de uma solução que inclua a retirada do corpo de
segurança colocado no local pelo Governo.
O primeiro-ministro, Umaro Sissoco
Embaló, disse que compete ao ministro do Interior determinar a substituição do
corpo de segurança em qualquer órgão de soberania e que a mudança operada no
Parlamento obedeceu à lei.
Sissoco Embaló prometeu mesmo que irá
mandar reabrir as portas do Parlamento, que têm estado fechadas há mais de um
ano, devido às divergências entre o órgão legislativo e o Governo.
Cipriano Cassamá transmitiu também ao P5
a sua estranheza pelo facto de a CEDEAO ainda não ter disponibilizado soldados
para garantir segurança no Parlamento como tem feito com outros órgãos de
soberania.
O director do gabinete do líder do
Parlamento assegurou que o P5 prometeu uma resposta às preocupações de Cipriano
Cassamá.
Da parte da comunidade internacional
ninguém prestou declarações no final do encontro.
Por alegada falta de condições de
segurança no edifício do Parlamento, Cipriano Cassamá tem vindo a trabalhar na
sua residência há cerca de duas semanas, facto considerado por deputados que
apoiam o Governo de Sissoco Embaló como abandono de serviço.
Ansumane Sanhá refuta a acusação e
afirma que a lei guineense prevê que o órgão funcione fora do edifício físico.