quinta-feira, 4 de abril de 2013

Os membros do Governo de transição não podem candidatar-se a deputados

Bissau (PNN, 3 de Abril de 2013)- Os membros o Governo de transição estão impedidos de concorrem aos cargos de deputados e a outras funções similares.
A informação foi avançada à PNN por uma fonte do Executivo de transição, que adiantou que a medida surgiu na sequência da carta de transição, assinada em 2012, aquando do golpe de Estado de 12 de Abril.
«Todos estão vedados pela força da carta de transição, de se candidatarem a qualquer cargo eleitoral, desde os ministros, secretários de Estado, secretários-gerais, assim como os directores-gerais», referiu a fonte, acrescentando que a medida era, inicialmente, destinada apenas ao Presidente de transição e ao Primeiro-ministro mas foi alargada a todos os membros do Executivo na sua primeira reunião de Conselho de Ministros, presidida na altura por Manuel Serifo Nhamadjo.
A medida vai pôr em causa grande parte de pessoas integrantes deste regime, tendo em conta que algumas formações políticas signatárias do pacto têm a maioria dos membros da sua direcção no Governo de transição.
Os partidos que protegem o Governo de transição da Guiné-Bissau consideraram irrealista, esta terça-feira, 2 de Abril, a realização de eleições gerais ainda este ano, como tem exigido a comunidade internacional.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A CPLP defende pacto de regime entre partidos antes de eleições

Cidade da Praia, 03 abr (Lusa) - O secretário executivo da CPLP mostrou-se hoje cauteloso sobre a possibilidade de as eleições gerais na Guiné-Bissau se realizarem apenas em 2014, defendendo que antes, os partidos políticos guineenses devem definir o que pretendem.
Murade Murargy, que falava aos jornalistas no final da palestra que proferiu na Cidade da Praia e subordinada ao tema "Repensar a CPLP", sublinhou que as forças políticas guineenses devem primeiro aprovar no Parlamento o Pacto de Regime e o roteiro e formar um Governo "inclusivo" que conduza o país durante a transição.
"Antes de falarmos em eleições é preciso primeiro que os partidos políticos guineenses se entendam, que encontrem uma plataforma comum e é nisso que estamos a trabalhar", salientou Murargy, que esteve na semana passada na Guiné-Bissau.
"É preciso que digam o que querem para nós (CPLP) podermos apoiar. Neste momento, estão a trabalhar para o Pacto de Regime e o Roteiro e, depois, para se formar um governo inclusivo, que vai conduzir o processo eleitoral, ou seja, o processo de transição, até às eleições", disse.
Para Murargy, só depois de o processo de transição "correr regularmente e bem" é que se poderá saber se será possível organizar eleições até ao final do ano.
"Mas são os guineenses que têm de tomar em mãos o seu destino. Não somos nós que o vamos impor", afirmou.
Murargy está em Cabo Verde desde sexta-feira passada, mas só segunda-feira é que iniciou a visita oficial de três dias a Cabo Verde, que hoje terminou com a palestra.
Quinta e sexta-feira, já fora da esfera oficial, Murargy participa, ainda na Cidade da Praia, na Conferência Luso-Francófona de Saúde (COLUFRAS), que congrega um crescente número de instituições, associações e profissionais da saúde dos países francófonos e lusófonos, principalmente do Brasil e do Canadá.

Guiné-Bissau apresenta novos passaportes biométricos


Bissau - O Governo de transição da Guiné-Bissau apresentou hoje o novo passaporte biométrico, a ser produzido a partir de agora apenas no país e "com risco de falsificação mínimo", segundo os responsáveis.
A apresentação do novo passaporte, "biométrico e poli-carbonato", foi feita na sede da INACEP- Imprensa Nacional, a empresa pública que vai fazer os novos documentos, na presença de quase todo o Governo de transição, chefias militares e representantes da comunidade internacional.
O novo passaporte, nas palavras do primeiro-ministro de transição, Rui de
Barros, é uma forma de reafirmar a soberania do país e vai de encontro à política da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) de ter um passaporte comunitário.
O novo passaporte será também feito na Guiné-Bissau, pela Imprensa Nacional, salientou Rui de Barros, segundo o qual os antigos passaportes eram feitos no exterior e o país perdia o controlo da produção e da emissão.
Vítor Cassamá, diretor da INACEP, disse aos jornalistas que a Guiné-Bissau foi o sétimo país do mundo a adotar o novo sistema (biométrico e poli-carbonato) e que "o risco de falsificação é mínimo, quase impossível".
"Testámos e achamos que é uma tecnologia moderna e de ultra segurança", disse o responsável, segundo o qual a emissão de passaportes passa a ser centralizada em Bissau.
Vítor Cassamá explicou que as principais embaixadas terão um sistema de passaportes e que os dados serão enviados ao Ministério do Interior, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, para o caso dos passaportes comuns.
"Quando se trata de um passaporte diplomático os dados são enviados da embaixada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e este envia-os à INACEP, que depois entrega o documento ao Ministério. Nenhum passaporte é emitido lá fora", disse.
A Imprensa Nacional, segundo o diretor, está pronta para começar a emitir os novos passaportes a partir de hoje e pode fazer até 250 mil por ano. A emissão dos novos passaportes está em testes há cinco meses.
Não foi divulgado o preço dos novos passaportes.
A INACEP imprime todos os jornais da Guiné-Bissau, os boletins oficiais e também livros.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Partidos apoiantes do Governo de transição na Guiné-Bissau consideram irrealista eleições este ano

Bissau - Partidos que apoiam o Governo de transição da Guiné-Bissau consideram irrealista a realização de eleições gerais ainda este ano, como tem exigido a comunidade internacional.
Em conferência de imprensa, Afonso Té, líder do Partido Republicano da Independência e Desenvolvimento (PRID), falando em nome do Fórum dos Partidos signatários do Pacto de Transição, afirmou que, "tendo em conta os condicionalismos, seria irrealista pensar-se em eleições gerais para este ano".
"Essa é a opinião do Fórum. Não há condições para se realizar eleições este ano. Tem que ser sempre no próximo ano", defendeu Afonso Té no final de um encontro de urgência realizado entre 24 dos 28 partidos que compõem o Fórum de Partidos signatários do Pacto de transição, criado na sequência do golpe de Estado de abril de 2012.
O novo representante do secretário-geral das Nações Unidas na Guiné-Bissau, José Ramos-Horta, disse, na semana passada, que é possível realizar eleições gerais antes do fim deste ano, desde que haja vontade política
"Posso garantir que do lado da comunidade internacional haverá uma contribuição de todos, através de recursos financeiros e técnicos necessários para a realização das eleições. O maior problema tem a ver com os próprios guineenses ", disse o antigo Presidente de Timor-Leste e Nobel da paz.
"Isso é o que a comunidade internacional acha. A comunidade internacional pode achar uma coisa e a realidade ditar outra. Eu acho que não há condições para se realizar eleições este ano", considerou Afonso Té.
O responsável lembrou que a previsão inicial feita para durar o período de transição era de um ano, mas, destacou, durante seis meses o Parlamento do país (mantido mesmo com o golpe de Estado) não funcionou por desentendimentos entre os principais partidos quanto ao modelo da transição.
Afonso Té acusou "uma parte do PAIGC (Partido Africano de independência da Guiné e Cabo Verde) e o Parlamento" de se constituírem em obstáculos ao "curso normal" do período de transição que diz estar a decorrer "tranquilamente".
O responsável disse que as crises e as greves na Função Publica têm motivações políticas e que o PAIGC quer agora apoderar-se da transição e por isso está a usar a via parlamentar para concretizar os seus intentos.
"Isso compreende-se porque o PAIGC perdeu o poder (com o golpe de Estado) e quer voltar ao poder, por isso está muito feroz à procura do poder que perdeu", frisou o porta-voz do Fórum.
Sobre a formação de um novo Governo, Afonso Té afirmou que o Fórum está de acordo desde que seja "inclusivo de facto, sem ser como o PAIGC quer". Segundo Afonso Té, o PAIGC quer um novo Governo formado apenas por pessoas cujos partidos têm assento parlamentar e com um novo primeiro-ministro.
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Vontade e querer


É com a força do querer, aliado à determinação e à persistência, que o homem vence obstáculos, alcança os fins a que se propõe, faz as mudanças, vive o sucesso.
No meio do caminho tinha uma pedra/ Tinha uma pedra no meio do caminho...”(Drummond de Andrade). Olhei para ela e não se mexeu! Desejei um caminho sem a pedra, mas, como desejo, não passava de sonho, quiçá de imediatista fantasia. Explodi em vontade de a remover. E, por deliberante autoconciencia esclarecida pela logica e pela razão, conclui que a pedra continuaria no meio do caminho, apesar da intensidade da vontade sentida, não fosse um intencional agir pessoal, a assunção de atitude adequada á finalidade apontada pela vontade, um caminho feito com a força do meu querer, o fazer acontecer a remoção da pedra. Agir é, acima de tudo, querer agir, é querer que algo aconteça. Valorizei a representaçãodo objectivo a alcançar e assumi a responsabilidade por uma escolha livre fundada em exercicio de liberdade propria da vontade. Recorrendo aos meios propriados – talentos, experiencia e habilidades – removi a pedra. Finalmente, deixeide ter “esta” pedra no meio do caminho!...
Agir
Poderia ter escolhido não remover a pedra do caminho, não seguir a direção apontada pela vontade, previlegiar a abstrução à decisão de a remover, valorizar eventual risco fisico ou incómodas incompreensões de outrem, ceder à passividade em vez de seguir a explosão da vontade e transformar em querer incoercível – em dever. Mas segui o caminho da realização. Segui a liberdade da vontade no sentido dado por Kant, como << a faculdade de se determinar a si mesa a agir em conformidade com a representação de certas leis”. Fui pessoa, com racionalidade propria, a mesma que subjas à minha tomada de decisões fundada na educação de querer. Tomada de decisão que poderia se r igualmente tomada por outrem face às mesmas circunstacias, que seguiu regras genéticas e que correspondeu ao dever de fazer acontecer um ato de bondade para mim e para os que necessitam daquele caminho.
Senti que cumpri um dever, consciente de que um querer não exclui a surpresa. No cumprimento do dever, encontrei o conforto e alegria da recompensa associada a uma ação moralmente elevada e passivel de louvor pela comunidade. Tinha escolhido um caminho imparcial. Não sendo o querer axiologicamente neutro, este meu querer era do dominio do bem.
A força do querer
Por outro lado, confrontado com as minhas circunstacias, a resultante do meu juízo não permitia aconchegar o remorso que seria gerado pela indeferençia. A resultante era, antes, favorável ao comprimisso para a ação. Assim, quis mesmo querer! Quis um querer, gerado na minha interioridade, que foi ato consciente e fruto da razão, diferenciador da unicidade do homem e de todo o homem, na sua vivência como ser em relação.
É com a força do querer, aliado à determinação e a persistencia, que o homem vence o obstaculos, alcança os fins a que se propõe, faz as mudanças, vive o sucesso.
A vontade racional e o querer consciente do homem, no tempo presente, entroncam numa memoria do passado, pela cultura e pela esperança, gerando “saudade do futuro”. Por isso, os atos volitivos do homem prolongam um tempo já vivido e fazem ponte para um tempo a viver. Uma dimensão do querer do homem em cada geração é, assim, também sentido como dever de acrescentar algo ao patrimonio herdado – o dever de fazer cultura. Por outro lado, a consciencia desta perenidade dá sentido à ânsia do homem de agir pelo bem e para o bem, para que o contributo para memoria que o querer individual determina seja memoria amada e modelo lembrado no porvir.
No querer próprio, cada homem verte toda a sua densidade identitaria, toda a diferença que carreia para humanidade. Sendo verdadeiro, na perenidade da sua memória se espalhará a verdade do seu caráter. Sendo cultor da sua vontade, nunca se há de quixar da escuridão da noite, antes acenderá as velas que lhe iluminem o caminho e o sinalizem a futuros caminhos.
Não Ter
Quem não for capaz de construir o seu próprio querer, torna – se escravo do querer outrem. Hoje, num tempo em que reina um confrangerdor utilitarismo esclavagista da vontade humana e do livre – arbitrário, o homem vem sendo sujeito às formas mais despudoradas e violentas de “marketing” destinadas a neutralizar o querer próprio e a criar falsas necessidades geradoras de infelicidade com o não “ter”.
Hoje, escandalosamente incensado o “ter”, neutralizadas múltiplas dimensões da vontade e do querer, resta o homem o esforço do caráter e a revolta contra este colete de forças dominador. Para voltar a ser genuíno e a ter direito à sua diferença, para vencer a tragédia do não querer e saber que só consegue resistir aquele que quer resistir, para voltar a ser dono da sua vontade e do seu querer.
Homem que seja dono, enfim, como recomenda Agostinho da Silva, de “uma inteligencia, e não manhosa, altruísta, e não virada ao sujeito, pedagogica, e não sedenta de dominio”, e um querer que “tenha sua origem e seu apoio em coração aberto à nobreza, à beleza e à justiça”.

por:Wilkinne

Ética e Medicina

A ética é uma área do saber que investiga sobre o que é bem no agir do homem, na busca do comportamento que conduza à plena realização da pessoa, no âmbito de uma solidariedade com os outros que seja globalmente justa.
Os problemas éticos são resolvidos tendo em consideração princípios éticos, mas também os standards da profissão, as expectativas da sociedade, os desejos individuais, os benefícios esperados, as diversas opções abertas, a disponibilidade de recursos, os valores do indivíduo e o contexto das relações.
Entre os aspectos essenciais para resolver dilemas em Medicina, encontram-se os princípios éticos básicos que sustentam a dignidade da pessoa: autonomia e vulnerabilidade, beneficência, não-maleficência, justiça e confidencialidade.
A este propósito tenha-se ainda presente que a ciência e os seus resultados não resolvem dilemas morais!
Autonomia e vulnerabilidade
A aplicação do conceito de autonomia a nível individual tem as suas origens no iluminismo do século XVIII. Com Kant, a autonomia é a competência da vontade humana para, com fundamento na razão prática, escolher em liberdade as suas leis morais. É também a base da responsabilidade individual.
A autonomia tem a ver com o indivíduo em si e não com qualquer forma de reconhecimento estranha a si. Pelo contrário, a competência ou incompetência de um indivíduo para o exercício da autonomia tem a ver com o reconhecimento para esse exercício, por terceira pessoa.
O exercício da autonomia implica esclarecimento adequado e completo, baseado na verdade e na fidelidade em referência ao estado da arte. Diz respeito à liberdade de decidir, como um direito do indivíduo, sem qualquer tipo de interferência ou coacção, seja de quem for. Pressupõe que as decisões do indivíduo não colidem com a vida e com o respeito que a esta é devido, nem com as finalidades da Medicina.
No âmbito da autonomia desenvolve-se o dilema assente no direito do indivíduo a saber/não saber. O direito a não saber pode ser contrariado, se os resultados de uma análise originarem um dever moral em relação a terceiros. Assim, se houver familiares com risco acrescido para uma doença e o seu tratamento ou prevenção depender da utilização do resultado de uma análise realizada em indivíduo que tenha decidido não querer saber, este resultado deve ser usado para orientar intervenções nos familiares em risco, ainda que esta utilização revele o que se passa com o indivíduo analisado.
Idêntico raciocínio se poderá aplicar aos casos em que um indivíduo conhecedor do resultado de uma análise que tenha realizado, não queira que o seu estatuto seja conhecido, ainda que essa opção prejudique terceiros.
Na verdade, a autonomia pessoal deve ser encarada olhando o indivíduo inserido numa família e na sociedade. O interesse do outro deve ser ponderado quando este puder beneficiar, muito significativamente, da informação recolhida num dos seus membros, evitando contudo, até onde for possível (não-maleficência), o prejuízo de quem acabou por contribuir com os resultados do seu estudo, nomeadamente se for um estudo genético, para o conhecimento de alterações presentes na família.
O princípio da autonomia é frequentemente invocado de forma desadequada. Como exemplo, refira-se a decisão de uma mãe que interrompe uma gravidez face a um teste predizente indicador de elevada probabilidade de o filho vir a ter uma doença grave em adulto. Se a autonomia deve ser modelada no respeito pelo outro, a decisão da mãe deve ponderar os interesses do outro que é o seu filho e não decidir apenas em função de si.
Em sentido contrário, não é infrequente caracterizar como irresponsável a decisão de um casal que, sendo conhecedor do resultado de um teste genético, decide implantar um embrião ou não interromper uma gravidez, estando presente uma anomalia genética que provoca doença grave do filho durante a gravidez, nos primeiros tempos após o nascimento, ou mesmo em idade mais avançada. Contudo, será esta decisão moralmente errada? Se o for para alguns, não o será para todos. Não parece razoável que o conhecimento dado por um teste predizente seja suficiente para transformar em irresponsável uma decisão que pondere em primeiro lugar o valor da vida, e só depois o sofrimento!
Por outro lado, o princípio da autonomia também é valido para o médico, também ele pessoa, cujos juízos, atitudes e comportamentos serão igualmente ditados por valores próprios. Em função dessa autonomia e face ao julgamento da capacidade do consulente para decidir, o médico poderá tomar duas atitudes:
a)- reconhecer a competência do consulente para decidir em liberdade após completo esclarecimento (consentimento informado) e actuar no respeito pleno por esse exercício de autonomia;
b)- perceber que o consulente é incompetente para o exercício do livre-arbítrio e assumir uma posição paternalista e decidir pelo confluente em função do que é considerado bom para o indivíduo (consentimento presumido). Esta ponderação poderá não coincidir com o que o indivíduo consideraria bom se estivesse no pleno uso das suas faculdades. Trata-se, neste caso, de uma atitude de natureza moral, que deve ter como referente a beneficência e o que é considerado socialmente como o bem comum. Sendo tomada sem o consentimento do consulente, deve o consentimento ser procurado, sempre que possível, junto do seu representante legal ou socialmente reconhecido.
Nos casos em que o médico assume uma posição paternalista, a reflexão ética deverá desenvolver-se no respeito pela vulnerabilidade, como princípio aplicável a pessoas incompetentes para decidirem de forma autónoma, como sejam as crianças, os portadores de atraso mental ou os doentes em coma.
Beneficência
Por este princípio, as intervenções médicas devem contribuir para o bem-estar e a dignidade pessoal, elegendo os actos entendidos como os melhores para o interesse do doente ou consulente.
No caso particular dos testes genéticos predizentes, a sua realização apenas deve ter lugar se for possível antecipar um benefício para o indivíduo em causa.
Não-maleficência
A não-maleficência retoma o princípio de Hipócrates primum non nocere. Tal significa que a intervenção médica não dê origem a dano no doente, de forma intencional ou por negligência.
Nos cuidados a ter para cumprir este princípio, inclui-se também o consentimento informado, no que respeita à garantia dos direitos individuais de não divulgação dos resultados, do direito a não saber e à explicação dos procedimentos, dos benefícios e dos eventuais malefícios pessoais.
Justiça
Considerando a saúde como um bem básico, todos os cidadãos devem estar no mesmo plano de igualdade, em termos de acesso aos benefícios proporcionados pelo sistema de saúde, para que se espelhe o princípio da justiça. Num Estado Social, a justiça implica discriminação positiva, com atribuição de custos de forma proporcional ao rendimento e não aos gastos pessoais com as necessidades em cuidados de saúde.
Noutra dimensão mais ampla, a justiça implicará que se combatam as assimetrias no acesso aos bens da saúde já disponíveis, quer se verifiquem dentro de um mesmo país ou entre países em estádios de desenvolvimento diversos.
O pensamento aristotélico ajudou a fundamentar o princípio da justiça ao defender que iguais devem ser tratados de forma igual e desiguais de forma desigual.
Confidencialidade
A confidencialidade sustenta a autonomia, a beneficência e a não-maleficência.
Quando a confidencialidade de determinadas análises médicas não é mantida, podem ocorrer problemas graves, como sejam o conhecimento da falsa paternidade de um filho do casal, até aí desconhecida, o conhecimento de alterações genéticas associadas a risco genético elevado para determinada doença pelo outro membro do casal ou por familiares contra a vontade expressa do portador da alteração, ou a divulgação e conhecimento de alterações de susceptibilidade para doenças do adulto por empregadores ou seguradoras.
Na opinião de alguns autores, o dever moral de avisar familiares de portadores de doenças graves ou de alterações genéticas associadas a doenças graves, e que daí podem tirar benefício, deve prevalecer sobre a confidencialidade, com base no paternalismo justificado. Algumas vantagens deste conhecimento podem passar, por exemplo, pelo diagnóstico precoce, tratamento e prevenção de doenças, pelo planeamento das opções reprodutivas tendentes a evitar a transmissão da forma alterada de um gene, ou pela escolha da ocupação profissional, de modo a evitar as consequências desfavoráveis da exposição a determinado poluente ambiental causador de doença na presença da susceptibilidade genética. Contudo, a divulgação dos resultados pode trazer algumas desvantagens para o indivíduo, como sejam a dificuldade de emprego ou a perda do emprego, a não aceitação de propostas de seguros ou o aumento do montante dos respectivos custos pelas seguradoras, bem como perturbações nas relações familiares, acasalamento não ao acaso, ou angústia a nível psicológico e na relação social.
A confidencialidade também pode acarretar penalizações para a sociedade. Assim, indivíduos que se saibam portadores de alterações genéticas que criam susceptibilidade para doenças graves ou mortais, poderão contratar elevadas indemnizações junto de companhias de seguros, a receber pelo próprio ou por familiares, a um custo calculado para a esperança média de vida da população a que pertence, e não para as suas condições particulares. A falta de honestidade de uns poucos, poder-se-á traduzir em aumento do custo dos seguros para todos, de forma a cobrir o excesso de perdas, ou na neutralização do direito à confidencialidade, pelo menos acima de determinados escalões de indemnização.
Por : Fernando J. Regateiro

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Benfica faz prospeção de novos talentos na Guiné-Bissau

Bissau - O chefe do departamento de prospeção de jogadores do Benfica, Pedro Ferreira, está na Guiné-Bissau a procura de novos talentos na academia de futebol do empresário Vital Sawané que levou Zezinho (Sporting) para Portugal.
Acompanhado do seu adjunto, Flávio Costa, o responsável pela prospeção do Benfica tem assistido, desde sábado, a vários jogos, sobretudo de jovens jogadores, na esperança de referenciar novos talentos.
A agência Lusa conversou hoje com Pedro Ferreira no intervalo de mais uma partida de futebol entre miúdos da academia Vitalis (do empresário Vital Sawané) e uma de um bairro dos subúrbios de Bissau. Debaixo de um sol abrasador no estádio Lino Correia, Pedro Ferreira afirmou estar surpreendido com a qualidade do jogador guineense.
O responsável do clube da Luz diz que são as dificuldades inerentes à falta de condições que fazem com que o jogador guineense seja mais talentoso ainda.
"Acho que essas dificuldades acabam por ser boas para os atletas. Na Europa já não se consegue ver o futebol de rua, aqui vê-se, isso é muito bom, com todos a jogarem com camisolas diferentes e aí o jogador tem que ter boa capacidade para saber quem é o seu colega de equipa e quem é o adversário. Jogar nas pedras, sem regras, é muito bom", defendeu Pedro Ferreira.
O responsável do Benfica acredita até que a Guiné-Bissau pode "produzir" alguns craques de nível mundial: "Quem sabe se não sairá daqui o novo melhor jogador do mundo. Quem sabe. Acredito que sim. Nota-se que as Academias estão a investir, há mais organização".
Pedro Ferreira diz ainda que o interesse pelo jogador guineense é acentuado não só pelo facto de existirem vários jogadores oriundos da Guiné-Bissau nas seleções portuguesas, mas também porque estão a chegar às equipas principais.
"Os jogadores guineenses que estão em Portugal só agora estão a chegar as equipas principais dos seus clubes, então está-se a ver que afinal o jogador guineense tem mesmo qualidade. Por exemplo, no Benfica e no Sporting. Já dá para perceber que o jogador guineense não é só bom na formação mas também para equipa principal, isso está a abrir portas", sublinhou Pedro Ferreira.
Em relação ao Benfica, Ferreira admite que, por enquanto, não há um único jogador na equipa principal, mas realça que dentro de poucos anos essa situação irá alterar-se.
"Temos jogadores guineenses nas várias camadas de formação do Benfica e estamos contentes com eles. Portugal tem hoje vários jogadores nas suas seleções de origem guineense. Nós no Benfica também os temos e quase todos eles são referências nos seus escalões. Estão a crescer e podem ser o futuro do Benfica", destacou Pedro Ferreira.