terça-feira, 22 de novembro de 2016

As FARP's, realizaram marcha desportiva e cívica, alusivo ao dia da sua fundação

No âmbito das comemorações dos 52 Anos da criação das Forças Armadas Revolucionaria do Povo (FARP), a Divisão da Educação Cívica, Assuntos Sociais e Relações Públicas do Estado-Maior General organizou no dia 12 do corrente mês em Bissau, uma marcha desportiva na qual participaram todas as unidades da região militar de Bissau.

A marcha teve o seu início na rotunda do Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira e terminou no Estado-maior do Exército. Na ocasião, os participantes percorreram a Avenida Combatente da Liberdade da Pátria até Chapa de Bissau e depois dirigiram-se para o Estado-Maior do Exército (QG), onde foram recebidos pelo Chefe do Estado-Maior do mesmo, Major General Augusto Mário Có.

Durante a marcha, os militares exibiram dísticos com diferente dizeres, entre os quais: “Militares e Polícias querem a paz e estabilidade nesta nossa pátria que tanto amamos”; “Os dirigentes devem ter a consciência clara da situação do país em cada momento e assumir com coragem as suas responsabilidades”.

Estes dizeres interessaram as populações cuja cada uma delas ao longo da estrada onde passavam, quer ler as mensagens escritas nos dísticos. Pois, tanto aquelas que estavam de pé nos passeios, assim como os que se encontravam nos meios de transportes públicos ou privados alongavam cabeças para fora da viatura para poder ler as mensagens.

A maior parte dos militares estavam vestidos de camisolas brancas simbolizando assim a paz e calça farda camuflado com excepção a Marinha de Guerra Nacional e a Força Aérea Nacional que usaram fatos desportivos.

De salientar que também participaram na marcha os contingentes da ECOMIB incluindo o Comandante da Força, o Major Coronel, Gnibanga Barro. Alguns populares juntaram-se a marcha em gesto de solidariedade com os militares.

No final da marcha, o Chefe do Estado-Maior do Exército Major General, Augusto Mário Có agradeceu a presença de todos os participantes no acto tendo afirmado que a sua aposta está na juventude que segundo ele, estes são os substitutos e futuros quadros dirigentes das Forças Armadas.

Augusto Mário Có apelou o afastamento total dos militares dos políticos, porque segundo ele militares não são um para choque por isso, devem deixar os políticos fazerem a sua política, pois as suas missões são defender a integridade territorial do país.

O General parabenizou ainda as FARP pelo empenho e a maturidade demonstrado durante esta crise politica que assola o país há mais de um ano. Encorajou os jovens militares no sentido de irem a escola, porque só com a escola é que poderão ser dirigentes.

Finalmente, o Chefe do Estado-Maior do Exército garantiu ao povo que as FARP vão - lhe defender e continuarão a lhe defender porque os que hoje vestiram a farda vieram da população e que depois de serviço voltaram para o seio da população.

Para o Chefe da Divisão da Educação Cívica Assuntos Sociais e Relações públicas do Estado-Maior General, Brigadeiro General Albertinho António Cuma, a responsabilidade das FARP é de reconstruir o país e garantir o bem-estar da sua população. Nesta senda, elogiou o papel desempenhado pelos militares e a maturidade demonstrado por eles durante este período de crise institucional que se vive na Guiné-Bissau.


O Chefe da área social das Forças Armadas apelou o fim da instabilidade no país e que continuem afastadas dos políticos de forma a cumprir com rigor a sua missão que é de garantir a integridade deste país. Com as FARP

“A Guiné-Bissau é muito importante para o Brasil”, diz embaixador na ONU

Em entrevista exclusiva à Rádio ONU, Mauro Vieira reafirmou a solidez nas relações diplomáticas com o país africano; Brasil preside a CPLP e configuração de paz para a Guiné-Bissau da Comissão de Consolidação da Paz, PBC.

Para o Brasil, a Guiné-Bissau é um "país importante" e com o qual a nação sul-americana pretende actuar no contexto da Cooperação Sul-Sul e nos trabalhos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP.

A declaração foi dada à Rádio ONU pelo novo embaixador do Brasil nas Nações Unidas, Mauro Vieira.

Nesta entrevista, ele fala das sólidas relações diplomáticas com a Guiné-Bissau.

"Bom, a Guiné-Bissau, como país de língua portuguesa, país irmão da costa ocidental da África, muito próximo do Brasil, é muito importante para o Brasil e nós vemos com muito interesse todas as questões relativas à Guiné-Bissau. E nos interessamos muito e tentamos sempre ajudar e colaborar."

O Brasil preside a configuração de paz para a Guiné-Bissau como parte da Comissão de Consolidação da Paz, PBC na sigla em inglês. O país também participa na formação de polícias guineenses e colaborou com a logística de realização das eleições no passado.

Mauro Vieira, que assumiu o posto no início de Novembro, contou que quer se envolver pessoalmente nos trabalhos da PBC para a Guiné-Bissau.

"É para o Brasil e para todos os representantes permanentes que antecederam uma função fundamental, primordial, a que nós damos muita importância, muito interesse e à qual eu vou me dedicar muito como presidente da configuração.

E justamente aproveitando o momento em que o Brasil preside também a CPLP, creio que são duas coincidências muito positivas e que podem produzir muito resultado."

A Guiné-Bissau atravessa um momento de impasse político após a demissão do governo do ex-primeiro-ministro Domingos Simões Pereira em agosto do ano passado.


Depois de um acordo apoiado por organizações regionais, o país africano decidiu promover um governo de consenso para eliminar o impasse, como pedido pelo Conselho de Segurança e outros atores internacionais. Com a ONU

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Guiné-Bissau Comemorou no passado dia 16 de Novembro, 52º aniversário das Forças Armadas Revolucionárias do Povo

As Forças Armadas Revolucionarias do Povo (FARP), criadas nas matas do sul do país, em 16 de Novembro de 1964, com os objectivos de libertar a Guiné e Cabo Verde do jugo colonial português comemoraram neste dia, o seu 52º aniversário de vida, marcada por avanços e recuos. Hoje as FARP que jamais querem envolver-se nos assuntos que não lhes dizem respeito e nem fazem parte das suas missões sagradas optaram uma nova filosofia que é construir a paz, estabilidade, segurança, respeitar os direitos humanos, de um lado e de outro, o desenvolvimento socioeconómico, a produção agrícola, sobretudo de cereais, tubérculos e legumes, para melhorar a dieta alimentar dos militares, a formação dos quadros, assim como a melhoria progressiva das condições sociais.

Este ano a comemoração desta data que teve lugar nas instalações do clube da Estrela Negra de Bissau, (QG) foi distinguida da s anteriores pelo lançamento do Guia Pratico dos Direitos Humanos para as Forças Armadas, um produto das Nações Unidas em colaboração com o Ministério da Defesa Nacional e dos Combatentes da Liberdade da Pátria, do Estado Maior General das FARP e do Tribunal Militar Superior.

Na ocasião, o ex-ministro da Defesa Nacional e dos Combatentes da Liberdade da Pátria, Major General Duardo, Costa Sanhá que presidiu a cerimónia na presença do Representante Especial do Secretario Geral das NU em Bissau, Modibo Touré, dos generais e corpo diplomáticos preferiu um discurso que publicamos na integra.

Permitam-me aqui em viva voz, agradecer o Departamento dos Direitos da UNIOGBIS, os seus técnicos, os técnicos do Tribunal Militar Superior, e todos aqueles que contribuíram na elaboração deste GUIA, não só porque é um instrumento importante para as Forças Armadas, mas porque a sua qualidade é inquestionável.

As Forças Armadas estão num processo de mudança irreversível visando não simplesmente o cumprimento da sua missão primária, mas contribuir junto das outras Forças vivas da nação, para o desenvolvimento deste país, que custou suor e sangue dos Combatentes da Liberdade da Pátria.

O funcionamento de qualquer estrutura deve basear-se no respeito pelos direitos humanos, pois ele é a condição básica e imprescindível de qualquer organização, sociedade ou Estado no cumprimento da sua missão. Este Guia Prático de Direitos Humanos para as Forças Armadas vem reforçar a capacidade técnica da classe castrense e constitui um instrumento orientador do homem militar no cumprimento cabal da sua missão republicana.

Os direitos humanos já vinham, sendo respeitado no seio das Forças Armadas não obstante subsistirem actos e comportamentos isolados que em certa medida, beliscam os esforços dos responsáveis das Forças Armadas. As estruturas competentes em matéria de fiscalização dos actos e comportamentos dos militares, nomeadamente o Tribunal Militar Superior, o Tribunal Militar Regional, a Promotoria Militar, continuam intransigentes no exercício das suas competências, contudo as suas condições do seu funcionamento prevalecem deficitárias, se não mesmo precárias.

Os esforços levados a cabo pelos técnicos das instituições acima referenciadas, os sacrifícios que consentem dia e noite para que possam trazer com clareza os resultados dos trabalhos que desenvolvem em cada processo, merecem ser reconhecidos, pois só assim, terão a motivação de prosseguir nesta via. Nós reconhecemos como qualquer outro povo do mundo, o direito a liberdade de expressão, mas não pudemos de forma alguma, ignorar certos comportamentos, afirmações e atitudes que põem em causa a legalidade e a legitimidade das instituições judiciais militares.

A este respeito, queremos aqui enquanto responsável do Ministério, chamar a atenção a essas vozes que contestam e criticam sem conhecimento da causa e nem da realidade dos tribunais militares.

- Os Tribunais Militares da República da Guiné-Bissau, têm dignidade constitucional; - A Lei 2/78 vem reestruturar os tribunais militares passando a existir o Tribunal Militar Superior e o Tribunal Militar Regional; - Os tribunais militares são legais, isentos e imparciais nos seus processos.

As nossas forças armadas estão a provar de forma recorrente, que não obstante as dificuldades do Governo na satisfação das suas necessidades básicas, servem e vão continuar a servir este país com zelo, abnegação, determinação e sem qualquer condicionalismo, respeitando a Constituição e as demais leis da República.

Estamos consciente dos esforços que tens desenvolvido para corrigir os erros do passado e melhorar o desempenho dos seus homens no cumprimento da sua missão republicana tal como está estipulado na constituição da república e demais leis do nosso país.

A esse respeito, continuamos engajados na mobilização de meios materiais e técnicos que vos sirvam de suporte e meio de orientação no cumprimento da vossa missão, pois só assim, os resultados decorrentes do vosso trabalho, pode ser globalmente satisfatório. Este Guia que acabaste de receber, acrescida do Manual de Liderança Militar recebido a bem pouco tempo, prova de forma veemente, que o nosso engajamento neste processo de consolidação destas mudanças, permanece inalienável.

Tal como afirmamos sempre, reafirmo mais uma vez aqui neste acto, que com poucos recursos e grandes dificuldades que nos vimos confrontados diariamente, vamos continuar a trabalhar para que o vosso trabalho seja cada vez mais melhor e mais produtivo.

Se num passado mais recente prevalecesse duvidas relativamente ao comportamento das Forças Armadas e do seu envolvimento em actos que resultam na criação da instabilidade política e governativa e na violação dos direitos humanos, hoje, ficou claro e patente que a classe castrense só está empenhada em garantir a inviolabilidade do nosso território e promover a segurança nacional; as Forças Armadas estão simplesmente focadas no cumprimento das suas responsabilidades constitucionais.

Não pudemos refutar que, por desconhecimento ou qualquer outra razão, um ou outro militar possa violar ou desrespeitar o direito de qualquer outro cidadão, mas devemos trabalhar para que esses equívocos ou actos premeditados não se reproduzam, sem no entanto deixar de solicitar as instituições competentes em matéria judicial militar, faca o seu trabalho e que o infractor seja chamado a razão.

Hoje, graças ao apoio da UNIOGBIS e com a contribuição e colaboração dos nossos técnicos, temos mais um instrumento que nos orienta nas nossas actividades quotidianas, O GUIA PRATICO DE DIREITOS HUMANOS PARA AS FORÇAS ARMADAS. Este documento de 9 capítulos e 75 páginas, não é mais que um documento onde poderão encontrar muitas informações relevantes para o vosso dia-a-dia nas vossas diferentes estruturas e Unidades Militares; desde questões jurídico-constitucionais, a profissão militar, o poder político, os aspectos sociais, o direito humanitário internacional, entre outros.

Neste particular, rogo o vosso maior empenho para que possam interiorizar os ensinamentos nele constante, porque só assim, poderão pôr em prática esses ensinamentos em prol do cumprimento da vossa missão republicana.

Vivemos um momento particularmente sensível caracterizado pela demissão de Executivo de que sou membro. Independentemente de ser membro deste Executivo, neste caso Ministro da Defesa Nacional, sou cidadão guineense, combatente da liberdade da pátria, e defensor dos interesses nacionais.

Com isto, quero sublinhar aqui, o que deve ser o nosso comportamento enquanto militares, cumpridores das leis, respeitadores da cadeia de comando e defensores dos interesses supremos do país. Devemos zelar pelo cumprimento da nossa missão republicana em estreita observância da Constituição da República e das demais leis.

Deixemos os políticos ocuparem da política, e nós da defesa da integridade territorial da República da Guiné-Bissau.

Para o Chefe de Estado-maior General das Forças Armadas, o Ministro da Defesa Nacional disse: Devemos continuar a trabalhar de forma conjunta e concertada, articular sempre que necessário, opinar quando as circunstâncias o justificam e colaborar, na medida do possível, porque é desta forma que pudemos melhorar o desempenho das Forças Armadas e capitalizar os ganhos dele decorrente.

Estou certo que o caminho que estamos a seguir é tortuoso, mas não deixa de ser o melhor, porque os resultados alcançados ao longo deste período, demonstram que houve mudanças positivas e que produziram impacto imediato a nível da sociedade, mas particularmente, a nível político. É importante que cada um de nós, a nível da instituição que dirige, trabalhar para que a Guiné-Bissau possa ser desenvolvida de forma sustentável e inclusiva em todos os seus domínios.

Gostaria antes de terminar esta intervenção, renovar os nossos agradecimentos a UNIOGBIS, os seus técnicos, os técnicos do Tribunal Militar Superior, e todos aqueles que contribuíram na elaboração deste GUIA, pelo árduo trabalho que fizeram.

Vamos continuar a envidar os nossos esforços para que este país, que aos olhos do nosso continente e do mundo em geral, conseguiu lutar e conquistar a sua independência, para que os seus filhos pudessem ter hoje esta identidade.

A construção deste Estado custou suor e sangue, por isso não deve haver nenhum limite de sacrifício para que os seus filhos possam viver na paz, na tranquilidade e na estabilidade, pois só assim poderemos alcançar o progresso que tanto almejamos.


Esta pátria é o nosso orgulho, por ela continuemos a lutar de forma unida. Com as FARP's

sábado, 19 de novembro de 2016

Cinco curiosidades sobre a vida de Michelle Obama

Por, Patrícia Sulbarán Lovera, na BBC Mundo

Michelle Obama foi revelada ao mundo na convenção democrata de 2008, quando seu marido foi nomeado como candidato pelo partido

Michelle LaVaughn Robinson Obama fez história nos Estados Unidos há oito anos, formando com Barack Obama o primeiro casal presidencial negro na história do país.

A primeira-dama, que recentemente foi alvo de racismo ao ser chamada de "macaca de salto alto" na internet por uma funcionária pública de uma pequeno condado americano, em um caso que teve grande repercussão no país e no mundo, é socióloga e jurista. Dedicou-se, durante os dois mandatos de seu marido, a combater a obesidade infantil e a defender questões como a importância do exercício físico, além de ter trabalhado na promoção dos direitos das mulheres em nível internacional.

Nos últimos meses, ela participou ativamente na campanha presidencial de Hillary Clinton, dando discursos emocionados - e que emocionaram milhões de pessoas - a favor da candidata democrata, que, no fim, perdeu a eleição para Donald Trump.

A poucas semanas do término do mandato de Obama, a primeira-dama tem um índice de popularidade de 64%, de acordo com o instituto de pesquisa Gallup, número maior do que o do atual presidente.

Alguns sugerem que a primeira-dama seria uma excelente candidata à Presidência, embora ela negue qualquer desejo de comandar os Estados Unidos.
Veja abaixo alguns detalhes que você talvez não conheça sobre a vida e a carreira de Michelle.

1. Pesquisa revelou parentesco com mulher escravizada

Um estudo da árvore genealógica de Michelle Obama encomendado em 2009 pelo jornal The New York Times revelou seu parentesco com uma descendente de africanos escravizados da Carolina do Sul.

Ela se chamava Melvinia e pertencia a um proprietário de terras no sul do Estado. Henry Wells Shields, segundo o New York Times, teria herdado de seu sogro a propriedade sobre a mulher escravizada em 1852.

Aos 52 anos, Michelle é a primeira mulher negra a se tornar primeira-dama dos Estados Unidos.

Cerca de dois anos antes da Guerra Civil Americana (1861-1865), Melvinia ficou grávida de um homem branco e deu à luz Dolphus T. Shields, de quem descende Michelle Obama.

Ainda segundo o New York Times, exames de DNA indicam que o pai de Dolphus era um dos filhos de Henry, Charles Marion Shields, que trabalhava como fazendeiro e professor. Melvinia e Charles seriam os tataravôs de Michelle. Um descendente da família Shields, Jarrod Shields, da mesma geração que Michelle, enviou ao New York Times uma foto antiga da família e disse sempre querer saber o destino dos afro-americanos escravizados por sua família. "Eu sempre quis pedir perdão", disse, acrescentando que gostaria que esses descendentes soubessem que ele fica feliz em saber que são partes da mesma família, apesar das circunstâncias em que isso ocorreu.

Embora a primeira-dama não tenha -se referido especificamente ao passado de sua família, a luta contra o racismo foi um dos pontos centrais de vários de seus discursos.

Durante sua fala na Convenção Democrata deste ano, Michelle causou comoção ao dizer que ela e suas filhas acordam todos os dias em "uma casa construída por escravos", referindo-se à Casa Branca.

2. Princeton, Harvard e racismo

Michelle tinha 17 anos quando se mudou de um apartamento em Chicago, onde vivia com seus pais, para o campus da Universidade de Princeton, em Nova Jersey.

Apesar de seus professores do ensino médio lhe dizerem que tinha "aspirações demais" por querer entrar na prestigiada instituição, a jovem desejava seguir os passos de seu irmão mais velho Craig, que se formou lá em 1983.

No entanto, os primeiros dias em Princeton não foram fáceis.

Escola de direito da universidade de Harvard. Michelle Obama, então Michelle LaVaughn Robinson, em 1988, quando estudava Direito na Universidade de Harvard

A mãe branca de sua companheira de quarto pediu, sem sucesso, que mudassem sua filha de lugar porque Michelle era negra, conforme relatado por Peter Slevin, autor da biografia Michelle Obama: A Life.

"As minhas experiências em Princeton me fizeram muito mais conscientes do fato de ser negra", escreveu na introdução de seu trabalho de conclusão.

"Não importa o quão liberal e aberto sejam os meus professores e colegas brancos nas suas relações comigo, às vezes, me sinto como uma visitante no campus."

Isso não impediu que se graduasse em Sociologia com especialização em estudos afro-americanos e, três anos mais tarde, em 1988, continuasse sua carreira acadêmica estudando Direito em Harvard.

3. Ela foi tutora de Barack Obama

Apesar de ser mais jovem do que ele, com 25 anos de idade, Michelle foi tutora de Barack Obama. Barack tinha 28 anos e fazia um estágio no escritório de advocacia de Chicago, onde ambos trabalhavam.

Obama ficaria lá apenas durante o verão e depois retornaria a Harvard, para continuar o curso de Direito.

Na metade do estágio, o futuro presidente dos Estados Unidos convidou Michelle para um encontro.

Michelle e Barack Obama juntos no Havaí quando ele ainda era senador do distrito 13 de Ilinois

"Foi fantástico (...) Ele foi definitivamente muito charmoso, e funcionou", disse a futura primeira-dama em uma entrevista em 2004.

O casal veio de tipos diferentes de família. Ele nasceu no Havaí, foi criado apenas pela mãe e viveu por um tempo na Indonésia, enquanto Michelle era nativa da parte sul de Chicago e tinha crescido com ambos os pais.

O que os dois tinham em comum era a ambição académica, que os levou a estudar nas universidades mais prestigiadas e caras do país antes de se casarem, em 1992.

Michelle e Barack Obama têm duas filhas, Sasha e Malia.

Os dois pediram empréstimos para pagar seus estudos e conseguiram quitá-los só uma década depois da graduação, disse o presidente em um discurso na Universidade da Carolina do Norte.

4. Foi contra a ideia do marido de concorrer à Presidência dos Estados Unidos

No começo, Michelle Obama se opôs a que seu marido se lançasse como candidato presidencial em 2008.

"A decisão foi repentina", disse à revista Vanity Fair em 2007.

"Eu disse você está brincando? Não vamos fazer isso agora (...) podemos levar as coisas com calma?'".

A futura primeira-dama justificou sua posição lembrando como havia sido difícil quando Barack Obama, como senador de Illinois, viajava constantemente de Chicago a Washington.

No começo, Michelle estava relutante sobre a candidatura presidencial do marido, mas depois o acompanhou na campanha.

"Minha pergunta a ele foi: 'vamos fazer algo difícil de novo, depois de ter feito algo muito duro?", contou à revista.

Apesar de sua recente nomeação como vice-presidente do Centro Médico da Universidade de Chicago, o anúncio de seu marido como candidato à Presidência em fevereiro de 2007 mudou o cenário para ela.

"Barack nunca me pediu para deixar meu trabalho (...), mas como posso ir trabalhar todos os dias se estamos tentando realizar algo em que acredito?", disse na época à revista.

5. Sua mãe também vive na Casa Branca

Marian Robinson, mãe de Michelle e secretária de banco aposentada, sempre manteve um perfil discreto e em raras ocasiões deu entrevistas.

Mas a avó de 79 anos é uma parte essencial da família presidencial norte-americana: ela também mora na Casa Branca.

Marian, cujo marido morreu de esclerose múltipla em 1991, se mudou para a residência oficial do presidente após Barack Obama ganhar a eleição em 2008.

Marian Robinson, mãe de Michelle Obama, vive na Casa Blanca desde 2009

O objetivo, disse Michelle em várias entrevistas, era que a mãe a apoiasse na criação de suas filhas, Sasha e Malia.

Quando as meninas eram menores, a avó era responsável por deixá-las e buscá-las na escola ao lado de agentes do Serviço Secreto.

A vantagem de Robinson, conforme relatado pelo jornal The Washington Post, é que pode mover-se com mais liberdade por Washington, sem o forte aparato de segurança.


Em uma entrevista em 2009, Barack Obama disse que ela "simplesmente sai pela porta da Casa Branca e vai até à farmácia para fazer suas compras".

Últimas Conversas. Testamento de Bento XVI. 1

Crónica de Anselmo Borges, no Diário deNotícias

Falei com ele uma vez, era ainda o cardeal Josef Ratzinger. A impressão que me ficou foi a de alguém muito afável, tímido e com um objectivo fundamental: conciliar a fé e a razão. Ao ler agora Letzte Gespräche (Últimas Conversas), e são mesmo as últimas, pois não pensa publicar mais nada e quer destruir notas dispersas, confirmei essa primeira impressão. Estas conversas do Papa emérito com Peter Seewald constituem uma espécie de balanço de uma vida e de um pontificado, sendo esta a primeira vez que um papa o faz. Impressiona a sua dignidade na humildade, reconhecendo os seus limites e fragilidades, procurando ser fiel à verdade, inevitavelmente na perspectiva dele, e sabendo que a última palavra pertence a Deus, de quem espera um juízo misericordioso e para o qual se prepara com serena confiança. Diz: "Crer não é senão, na noite do mundo, tocar a mão de Deus e assim - no silêncio - ouvir a Palavra, ver o Amor." Qual é "o verdadeiro problema deste nosso momento da história? Deus desaparece do horizonte dos homens e, com a extinção da luz que vem de Deus", a humanidade é apanhada pela falta de orientação, "cujos efeitos se manifestam cada vez mais".

Nasceu de uma família modesta, profundamente enraizada na fé da Igreja Católica. O pai era polícia, mas crítico e capaz de pensar pela sua própria cabeça, a mãe era muito cordial. Teve uma infância feliz, com muito afecto. "Para nós era claro que uma pessoa religiosa devia ser antinazi." Foi um miúdo vivaço e algo irrequieto e até "rebelde". O nazismo e a guerra complicaram tudo. Com o tempo, tornou-se "mais reflexivo e menos alegre". Manifestou desde sempre interesse pelas questões religiosas.

Aos 17 anos foi chamado para o serviço militar do Reich. Foi desertor e prisioneiro dos americanos. Essa experiência tê-lo-á marcado definitivamente. De facto, quando já Papa, visitou Auschwitz e fez um discurso deveras dramático e emocionante. "Tomar a palavra neste lugar de horror, de crimes contra Deus e contra o ser humano sem precedentes na história, é quase impossível, e é particularmente difícil e deprimente para um cristão, para um Papa que procede da Alemanha. Num lugar como este faltam as palavras; no fundo, só há espaço para um atónito silêncio, um silêncio que é um grito interior para Deus: porque te calaste? Porque quiseste tolerar tudo isto? Onde estava Deus nesses dias? Porque é que se calou? Não podemos perscrutar o segredo e o mistério de Deus, só fragmentos, e enganamo-nos quando queremos converter-nos em juízes de Deus e da história. O nosso grito dirigido a Deus tem de ser ao mesmo tempo um grito que penetra no nosso próprio coração para que desperte em nós a presença oculta de Deus, para que o poder que depositou nos nossos corações não fique coberto ou sufocado em nós pelo egoísmo, pelo medo dos homens, pela indiferença e pelo oportunismo." É necessário elevar esse grito até Deus particularmente no momento actual, "no qual parecem surgir novamente nos corações dos homens todas as forças obscuras: por um lado, o abuso do nome de Deus para justificar uma violência cega contra pessoas inocentes e, por outro, o cinismo que não reconhece Deus e que ridiculariza a fé nele. Gritamos a Deus para que leve os homens a arrepender-se e a reconhecer que a violência não cria paz, mas suscita mais violência, um círculo de destruição no qual, no final de contas, todos perdem".

Foi sempre excelente nos estudos e fez uma carreira académica brilhante, sendo reconhecido como um dos mais lúcidos intelectuais contemporâneos. Agostiniano na sua orientação teológica - Deus é "o Deus da fé, que toca o coração do homem, que me conhece e me ama, mas, de algum modo, Deus deve ser também acessível à razão" -, conservador, também quis, concretamente a seguir à guerra, renovar a Igreja: "Éramos progressistas. Queríamos renovar a teologia e com ela a Igreja, tornando-a mais viva. Queríamos que a Igreja progredisse e estávamos convencidos de que deste modo seria rejuvenescida." Não ousaria alguma vez apresentar-se como "reverendo". Nós, sacerdotes, "não somos patrões, mas servos". Em 1958, era capelão, escreveu um texto intitulado: "Os novos pagãos e a Igreja", em relação ao qual se chegou a dizer que "continha afirmações heréticas". Ajudou financeiramente estudantes. Foi "fã" de João XXIII. "Tínhamos uma certa reserva interior face à teologia de Roma." Participou com entusiasmo na renovação da Igreja com o Concílio Vaticano II, assessorando concretamente o cardeal Josef Frings, de Colónia, e dando contributos decisivos para o documento sobre a Revelação. Partidário de mais "colegialidade" no governo da Igreja, assinou um texto de Karl Rahner - é certo que "mais por amizade" -, para debater e até abolir a lei do celibato. Pôs reservas à encíclica Humanae Vitae: "O que dizia era válido na substância", mas "eu procurava uma aproximação antropológica mais ampla".

Como se deu a viragem? Temeu a fragmentação da Igreja, pois havia interpretações indevidas do Concílio, a liturgia parecia à deriva, as pessoas já não tinham uma orientação clara para a fé, estava a impor-se "a ditadura do relativismo". O Concílio terminou em 1965 e já em 1967, numa aula em Tubinga, chamou a atenção para que a fé cristã estava agora, "como nunca antes na história", circundada "pela névoa da incerteza". Por isso, eu penso que a zona mais negra ou, pelo menos, mais problemática da sua vida, que foi a da condenação de tantos teólogos durante o tempo da sua presidência da Congregação para a Doutrina da Fé, tem neste temor a sua explicação: "Vi que a teologia já não era a interpretação da fé da Igreja Católica." Exemplo típico de desvio teológico, segundo Ratzinger: Hans Küng, de quem foi amigo e colega e com quem não é meigo na crítica, embora "nunca tenha aconselhado tomar medidas contra ele".


Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, nomeou hoje Umaro Sissoco como novo primeiro-ministro do país.

O decreto presidencial foi lido na Rádio Difusão Nacional e, no preâmbulo, o chefe de Estado considera cumpridos os preceitos constitucionais, bem como os compromissos estabelecidos no Acordo de Conacri para que seja formado "um governo inclusivo" que permita "salvar a presente legislatura".

O Presidente guineense justifica a escolha com a necessidade de o novo executivo "ter apoio parlamentar ou pelo menos não ter a maioria contra ele".

Umaro Sissoco vai liderar o quinto governo da legislatura iniciada em 2014.

O nome tinha sido proposto por José Mário Vaz aos partidos políticos no âmbito das negociações mediadas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para resolver a crise política na Guiné-Bissau - que levaram à assinatura do Acordo de Conacri.

Umaro Sissoco é general na reserva

O novo primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco, 44 anos, é um general na reserva das Forças Armadas guineenses, de acordo com o currículo fornecido à agência Lusa.

No documento, apresenta-se como bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa.

A formação superior foi depois complementada com um mestrado pelo Instituto de Estudos Internacionais da Universidade Complutense de Madrid, bem como com outros estudos nas áreas militares e de defesa em Espanha, Bélgica e Israel.

Umaro El Mokhtar Sissoco Embalo nasceu em Bissau a 23 de setembro de 1972 e tem mantido residência em Dacar, capital do Senegal.

É conhecido pelas suas ligações a vários líderes africanos, nomeadamente chefes de Estado, e afirma-se também como a pessoa que trouxe o antigo líder líbio Muammar Kadhafi a Guiné-Bissau, durante algumas horas, em março de 2009.


O currículo sublinha as suas ligações como antigo conselheiro de Kadhafi e de Blaise Compaoré, militar e político que liderou o Burkina Faso. Com à agência Lusa.

Ladrão reconhece Jesus como Senhor

Reflexão de Georgino Rocha

A narração da morte de Jesus está recheada de elementos convergentes no diálogo do bom ladrão, nos sentimentos que expressa e na garantia que recebe. Alguns desses elementos, como bem descreve Lucas, o médico evangelista, dizem respeito a atitude do povo, dos chefes, dos soldados e do malfeitor injurioso. O povo observa, sente e cala. É quase sempre assim, infelizmente.

As autoridades zombam e provocam. Os soldados troçam e, fingindo piedade, têm gestos de compaixão. O malfeitor exasperado lança insultos e faz interpelações. Todos em coro, cada um com o seu tom, invocam a mesma razão: descer da cruz, ser o rei dos judeus, o messias salvador. E, então sim, acreditamos na sua palavra, reconhecemos a sua realeza, constatamos que é o eleito de Deus.

Mas Jesus não desce da cruz. Responde com o silêncio total. Não cede às provocações injuriosas, embora aliciantes. Mantém a verticalidade de toda a sua vida: por amor, servir o projecto de salvação com liberdade plena, arrostando com as consequências decorrentes. E elas estão à-vista. Não desce da cruz, como outrora não cede à tentação diabólica no deserto, nem à proposta acomodatícia de Pedro aquando da transfiguração ou à agonia profunda no Jardim das Oliveiras. Jesus percorre o caminho da Galileia para Jerusalém com o propósito declarado de chegar à cidade santa e dar o testemunho final: Sou rei, mas o meu reino não é deste mundo, diz a Pilatos, o inquiridor que sentencia a morte de cruz.

Os companheiros de crucificação são condenados por rebeldia política, acusados de subversão contra o poder romano. Só este tem autoridade para decretar a morte de cruz. Jesus, ao ser sentenciado por Pilatos, entra na lista dos revoltosos contra a ordem reinante em que sobressai o culto ao imperador. Mas os evangelhos não contam nada que permita tal decisão: Jesus não promoveu nenhum motim político, não falou contra Roma nem contra a ocupação romana ou a crueldade que exerciam os legionários contra a população, nem contra os abusos fiscais ou a repressão militar.

Por isso, há certamente outras razões para ser condenado como subversivo político. O título de Rei faz parte da inscrição posta na cruz e dá, segundo Pilatos, a razão principal da sentença de morte. Ele tinha pretensões de realeza. E, de facto, assim é. Simplesmente o seu reino pauta-se pela verdade nas relações humanos, pela justiça na atenção a todos, pela paz nas consciências e entre os povos, pelo cuidado responsável da “casa comum” – a criação e suas múltiplas manifestações -, pelo amor incondicional a todo o ser humano possuidor de uma dignidade inalienável, pela confiança inquebrantável na solidariedade, pela misericórdia solícita, sobretudo para com os “feridos” da vida. Reino visualizado no diálogo do bom ladrão com Jesus. Lucas, o evangelista médico, apresenta-o de forma emblemática.

A confiança entre as pessoas e as instituições constitui ~uma urgência do nosso tempo. Acontecimentos recentes atestam o alcance desta afirmação. Jorge Sampaio, ex-presidente da república portuguesa, em notável e recente artigo de opinião sobre a «questão europeia», afirma: “A mim, parece-me que a confiança hoje está abalada de forma sistémica e sistemática — e, no fundo, a questão que se coloca é se esta desconfiança está já demasiado cimentada para ser reversível e evitar o alastramento dos populismos de toda a sorte”. E prossegue chamando a atenção para a necessidade de “reconstruir a confiança (que) constitui, a meu ver, um desafio grande, moroso, complexo, mas incontornável. Não há economia nem mercado nem política nem democracia sem esse cimento de base, a confiança. Não há paz duradoura se a desconfiança minar as relações entre comunidades, povos e nações, se o pacto social for rompido”. E a partir do evangelho podemos dizer: nem manifestação do reino de Deus, da salvação prometida ao bom ladrão, da confiança filial de Jesus na sua oração derradeira: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”.


O diálogo, garante da salvação, constitui uma excelente referência para o Ano Jubilar da Misericórdia que, hoje, em Roma, se encerra. E o Papa Francisco, desde o início, quer ver alargado a todo o mundo esta força transformadora. Diz ele: “Confiaremos a vida da Igreja, a humanidade inteira e o universo imenso à Realeza de Cristo, para que derrame a sua misericórdia, como o orvalho da manhã, para a construção duma história fecunda com o compromisso de todos no futuro próximo. Quanto desejo que os anos futuros sejam permeados de misericórdia para ir ao encontro de todas as pessoas levando-lhes a bondade e a ternura de Deus! A todos, crentes e afastados, possa chegar o bálsamo da misericórdia como sinal do Reino de Deus já presente no meio de nós”.