quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

China equipa Forças Armadas Revolucionárias do Povo da Guiné-Bissau

A República Popular da China oferece equipamentos militares às Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP) da Guiné-Bissau. O lote de materiais oferecidos ontem, 04 de Janeiro 2017, inclui meios de transportes e equipamentos do escritório estimados em mais de dois milhões de Euros (20 milhões de Yuans, moeda chinesa).

Equipamentos entregues por Embaixador da China na Guiné-Bissau, Wang Hua ao governo guineense através do titular da pasta da defesa nacional, General Dr. Eduardo Costa Sanhá, constam os seguintes materiais: dez (10) autocarros com capacidade de transportar cerca de trinta e cinco (35) pessoas cada e dez (10) viaturas [Jeep]. Ainda em quinze contentores instalados no quintal do antigo Quartel-general (QG), actual Estado-Maior do Exercito constam diversos materiais para equipar os escritórios das FARP, por exemplo: 200 computadores de mesa e 120 computadores portáteis, entre outros materiais.

Após a cerimónia da entrega dos materiais, o ministro da Defesa Nacional, General Dr. Eduardo Costa Sanhá disse na sua intervenção que os materiais ora recebidos são fruto do protocolo de acordo sobre o fornecimento gratuito de materiais militares à Guiné-Bissau pela China.

“É imperativo começarmos a dar bons exemplos em matéria de gestão, sobretudo dos recursos provenientes da nossa cooperação com os nossos parceiros bi e multilaterais de desenvolvimento, porque trata-se da contribuição do seu povo, e que lhes foi subtraído para apoiar-nos neste esforço de desenvolvimento”, advertiu o governante.

Sanhá diz reconhecer os esforços que o Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, General Biague Na N’Tan tem imprimido para minimizar as carências a nível das diferentes estruturas militares, razão pela qual promete interceder junto do Chefe do Governo para melhorar cada vez mais as condições dos militares.

“Se olharmos um pouco as estatísticas do nosso sector, com uma atenção especial ao domínio das infra-estruturas, concretamente a construção do bairro dos ex-combatentes, o Hospital Militar Principal, a reabilitação das residências no Ex-QG, não nos restam dúvidas sobre a dimensão e o impacto da cooperação chinesa no sector da defesa”, observou o titular da pasta da defesa nacional.

Por seu turno, o embaixador da China na Guiné-Bissau, Wang Hua descreve o ato como sinal de amizade do compromisso entre os povos da China e da Guiné-Bissau, das forças armadas chinesas e guineenses, assim como dos governos de Pequim e de Bissau. O diplomata lembrou que os laços entre os dois países vêm dos anos 60 do século passado, quando na capital chinesa Amílcar Lopes Cabral assinou com o governo da China um importante acordo para obter apoios militares.


“Os elementos das forças armadas da China e da Guiné-Bissau vêm das famílias camponesas, por isso, apesar de terem um uniforme militar, não lhes tira o estatuto de serem uma parte inseparável do povo ou da nossa comunidade social, ou seja, a classe castrense é um elemento importante de participação nas nossas sociedades, fato que nos une ainda mais nessa luta contra a fome”, vincou Wang Hua. Com Odemocrata

O poder na Guiné-Bissau, deve ser exercido com dignidade que merece a causa pública

Por, Fernando Casimiro

Tomando conhecimento das preocupantes declarações hoje proferidas, pelo novo Ministro da Economia e Finanças da Guiné-Bissau, que até à sua nomeação para o cargo era "apenas" o Director Nacional do Banco Central dos Estados da África Ocidental - BCEAO, apetece-me questionar o que é feito do Tribunal de Contas da Guiné-Bissau?

De recordar uma notícia de 28 de Março de 2015, que ajuda a perceber o papel fundamental do Tribunal de Contas no âmbito das suas funções de fiscalização sucessiva, mas que nos dá a perceber igualmente, as fragilidades das nossas instituições, neste caso concreto, de um órgão de soberania que são os Tribunais, através da sua jurisdição financeira atribuída ao Tribunal de Contas.

Cada um que entra faz questão de dizer que há um "buraco" financeiro, dívidas e mais dívidas.

Quando sai, não presta contas, não é responsabilizado e o seu sucessor, apresta-se a dizer o mesmo que outros tinham dito: "buraco" financeiro; dívidas e mais dívidas, pois quando sair, a "música" será a mesma de um disco riscado de tanto ser repetido.

E o Ministério Público, o que tem a dizer, tendo em conta as suas competências: "A Lei nº 7/95, de 25 de Julho, aprova a lei Orgânica do Ministério Público. Daí que, não pode nem deve conceber-se o Ministério Público senão como um Órgão do poder do Estado mas liberto desse poder. O Ministério Público é autónomo e independente face ao Poder Político (entenda-se, Legislativo e Executivo). Hoje, o Ministério Público assume uma importância cada vez maior, designadamente no campo da actividade sociopolítica, de segurança e tranquilidade por parte dos cidadãos. Sendo o Órgão do Estado encarregado de, junto dos Tribunais, fiscalizar a legalidade, representar o interesse público e social e é o único titular da Acção Penal."


Positiva e construtivamente

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Estado da Guiné-Bissau tem-se endividado novamente -- João Aladje Mamadú Fadia


O Estado da Guiné-Bissau tem vindo a endividar-se novamente através de empréstimos e neste momento deve mais de 200 milhões de euros ao mercado financeiro de países da Africa Ocidental, revelou hoje o novo ministro da Economia e Finanças.

João Fadiá reuniu-se hoje com os operadores económicos para lhes transmitir as suas ideias para a nova política económica que pretende encetar na Guiné-Bissau para contrariar a falta de recursos públicos e o endividamento do Estado.

O ministro da Economia e Finanças guineense aproveitou a ocasião para criticar a opção tomada pelos governos nos últimos dois anos, nomeadamente por terem contrariado dívidas que disse terem sido utilizadas apenas no pagamento de bens de consumo de luxo e salários.

"Hoje as Finanças Públicas têm uma situação muito grave (...) o que não pode continuar", indicou João Fadiá, para sublinhar que a dívida do Estado para com a banca comercial e ao mercado financeiro da União Económica e Monetária Oeste Africana (UEMOA) "não trouxe melhorias para a população".

Disse que o dinheiro foi utilizado para o pagamento de despesas de consumo e luxo, nomeadamente compra de viaturas sem que se construísse nada que pudesse servir para a população.

João Fadiá quer mudar a tendência, propondo o aumento de arrecadação de receitas públicas, centralização das mesmas, contenção de despesas do Estado e do endividamento.
  
O ministro da Economia e Finanças, que até à sua entrada para o Governo, no passado mês de novembro, era diretor do Banco Central de Estados da Africa Ocidental (BCEAO) para a Guiné-Bissau, diz-se preocupado com o ritmo do endividamento do país após o perdão de dívida aos parceiros bilaterais e multilaterais em 2010.

A dívida externa da Guiné-Bissau ascendia a cerca 1,5 milhões de dólares e foi perdoada depois de o país cumprir com uma série de critérios no âmbito da iniciativa de apoio aos países altamente endividados (HIPC, na sigla inglesa).

Na altura, ficou acordado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) que o país devia "ter cuidado e critério" nos próximos endividamentos caso venha a ter necessidade disso.

Braima Camará, presidente da Camara do Comércio, Indústria, Agricultura e Serviços (CCIAS), que falava em nome dos empresários que atuam na Guiné-Bissau, enalteceu as medidas propostas pelo ministro da Economia e Finanças e disponibilizou total apoio do setor privado para acompanhar o novo Governo.

"Se as Finanças Públicas estão com problemas, o setor privado está ainda pior", enfatizou Camará, que apontou a persistência da crise política como estando a inibir o ambiente de negócios na Guiné-Bissau. Com a Lusa

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Primeiro-ministro, Umaro Sissoco, reuniu com as chefias das Forças Armadas Revolucionarias do Povo da Guiné-Bissau

No primeiro dia do 2017, o Primeiro-ministro Umaro Sissoco, reuniu com as chefias militares para inteirar das situações que estão a viver. Nomeadamente, dos quartéis, das casernas, da alimentar e entre outros assuntos ligados as Forças Armadas Revolucionarias do Povo da Guiné-Bissau.

Depois da reunião e em declarações a imprensa, o primeiroministro prometeu melhorar as condições da classe castrense guineense, assim, como deu garantias de reparar todos quartéis do país.

Umaro Sissoco afiançou que o encontro serviu de um esclarecimento cabal das situações real dos militares. E disse congratular com a iniciativa do cultivo que já está a ser levado a cabo pela classe castrense visando o autosustento alimentar, e ainda sublinhou que os militares vão continuar a dar os seus contributos para desenvolvimento da Guiné-Bissau.

Quanto a situação político-social, Sissoco referiu que a necessidade de instaurar um hábito diferente, no âmbito dos relacionamentos. E nisto afirmou que este ano 2017 é o ano de disciplinar as pessoas, porque a sociedade civil não deve ser refém dos políticos tal como tem sido até agora.


Umaro Sissoco terminou com garantias de tudo fazer para soerguer a imagem do país mediante reforços de cooperação com os países amigos da GuinéBissau 

SENTIDO ÉTNICO E ETIMOLÓGICO DO POVO BALANTA

PELAS FUTURAS GERAÇÕES

A NOSSA MENSAGEM

Pelas Futuras Gerações e pela nossa! Da profundeza dos Tempos, aportamos à nossa Época!
Trazemos a Sabedoria dos Antigos e do nosso Tempo! Não renegamos a nossa Cultura nem rejeitamos o contributo válido de qualquer outra! Compreendemos melhor o Passado e perspectivamos na medida justa o nosso Futuro Colectivo!

Com o presente Blogue, queremos dar o nosso contributo para uma reflexão isenta sobre o nosso País e a Sociedade que temos ou queremos ter. Não pretendemos ter o exclusivo da Verdade! Reflectimos sobre o que achamos de interesse comum, como contributo para o nosso Desenvolvimento Colectivo, para o qual você está convidado a ter Opinião!

Essa reflexão é necessária para a afirmação e definição de uma Cidadania responsável e para a melhoria da qualidade da nossa Sociedade, determinante para o sucesso ou insucesso de qualquer processo de Desenvolvimento Humano. Um Povo sem Regra de Vida (em Família, na Escola, na Economia, na Política, etc) torna-se um estropício para o resto da Humanidade, a começar por si próprio.

A Vida dos Povos é comparável à uma Corrida de Estafeta em que cada Nova Geração deve fazer a Melhor Corrida possível de modo a Transmitir à Geração Seguinte o Testemunho da sua Competência Global em condições de alcançar a Vitória Final.

Venha connosco! Para o Futuro! Pelas Futuras Gerações que, sem culpa, irão sofrer pelos Erros que a nossa Geração está cometendo contra si própria, tornando-se causa remota do seu possível fracasso ou desconforto, quando já cá não estivermos!

Nós estamos a bordo, buscando o rumo certo! Aceite o nosso convite!

O caminho é longo e movediço! Mas é o caminho! Somos os

INTELECTUAIS BALANTAS NA DIÁSPORA!



FREHU-N-FLIF Nº 34 - SENTIDO ÉTNICO E ETIMOLÓGICO DO POVO BALANTA

Braza, é uma das várias etnias da Guiné-Bissau, que compõem o povo guineense. Brazas significa os invictos. Mas os portugueses quando chegaram para explorar o território que é hoje designado a Republica da Guiné-Bissau, depararam com esta etnia valente, na tentativa de conhecer Braza, ouviram as mulheres a perguntar uns aos outros onde estão B'lantes, a partir daí passaram a tratar Braza por Balantas. A palavra B'lante, na língua balanta, que significa em português, por tradução directa, homens por excelências…não faça com os outros o que não gostaria que fizessem consigo.

Braza, mais conhecido por Balanta é um povo acolhedor, integrando no seu seio hoje na Guiné-Bissau, parte de todas as outras etnias do país. A sua humildade e bondade, caracterizada nas solidariedades sinceras, fizeram com que Braza (Balanta), ser o mais numeroso no tecido social do povo guineense.

Os nomes do Braza (Balanta) têm significado ligado a sua estrutura familiar e na sua forma única definida na cultura Balanta, como se pode ler [aqui]

Cultura e a Lígua

A sua cultura é de rigor, atenta a falsidade e que estas multifacetadas em etapas, definidas em faces etárias como se pode ler [aqui]

A Língua Balanta é uma língua falada pelo Povo Braza (Balanta).

O paradigma verbal do balanta apresenta os seguintes morfemas de tempo e de modalidade: {-Æ} presente, passado remoto e o futuro, mudança de estado, dêictico, concluso, e inconcluso. Os quatro últimos são usados para expressar a atitude do falante em relação ao conteúdo proposicional ou ao valor de verdade do enunciado, ou em relação ao ouvinte a quem o enunciado se destina. O morfema {-Æ} presente, de acordo com o paradigma verbal e o tipo de verbo, apresenta valores como presente e passado acabado; presente ou futuro inacabado; os morfemas de modalidade, de acordo com o paradigma verbal e o tipo de verbo, apresentam valores como mudança de estado e interrupção da acção, fechamento da acção no tempo e certeza ou não fechamento da acção e incerteza. Como se pode ler [no Dicionário da Língua Balanta]

Religião

O Braza (Balanta) é um povo animista, como muitos outros povos do mundo. FADN é o nome de um divindade do povo Braza ( “Balanta”).

FADN- são espíritos que segundo crenças do povo Braza (Balanta), Deus envia no nosso nascimento para nos proteger durante toda a vida terrena e de gerações em gerações.

Os Animistas acreditam que existem espíritos que vivem por toda parte, dão vida e protegem todas as coisas. Assim, segundo a mentalidade animista há espíritos nas rochas, nas árvores, nas sementes, na água, e nas pessoas estejam estas últimas vivas ou mortas. Eles acreditam que esses espíritos podem atrair tanto coisas ruins, como boas, assim os espíritos combatem as doenças e as secas, mas também castigam com enfermidades e tragédias.

Para que os espíritos desistam de causar danos, ou para obter algum benefício que se queira alcançar por meio dos espíritos, é preciso oferecer sacrifícios aos mesmos. Assim, por exemplo o sacrifício de uma galinha pode agradar os espíritos e se obter uma boa colheita, ou amarrar um laço de cabelo (simpatia) para que um coqueiro produza bons cocos, etc. O uso de amuletos (chamados fetiches), entre os animistas, é muito comum pois os animistas crêem que os amuletos possuem poderes mágicos para protegê-los do mal.

O Animismo, não é propriamente uma religião e sim um conjunto de crenças baseadas no culto dos espíritos e está presente em todo o mundo, especialmente naqueles países onde ainda não foi implantada uma religião institucional como o cristianismo. Podemos encontrar tradições animistas entre as tribos primitivas ou povos que ainda se mantém isoladas da civilização e conservam suas próprias tradições, por exemplo, entre as tribos aborígenes de países africanos e da Oceânia, na Ásia, entre os indígenas das três Américas, etc.

É possível, ainda, encontrar elementos de crenças animistas misturadas com as crenças de outras religiões como acontece dentro do hinduísmo, do budismo, do islamismo, e até mesmo no cristianismo, sobre tudo na religiosidade popular (prática da religião a partir do uso da sabedoria e da experiência popular) onde os cristãos não tiveram o suficiente ensino bíblico. A essa mistura, chamamos de sincretismo religioso.

No animismo os homens e as mulheres com conhecimento especial do mundo espiritual são chamados curandeiros, bruxas, xamãs ou feiticeiros. Os praticantes do animismo vão até essas pessoas para obter ajuda e protecção dos espíritos e através de rituais de magia e feitiçaria. A espiritualidade animista pode ser uma "faca de dois gumes", pois os animistas a usam tanto para praticar o bem, como agradecer por um benefício alcançado, como também para fazer o mal contra outras, sobre tudo se for inimiga.

A maioria dos animistas são cheios de temores e de superstições. Os animistas olham os lugares, árvores, rios, os estrangeiros, não da mesma forma como os não supersticiosos as olham. Como simples coisas ou objectos, os animistas estão sempre preocupados em agradar os espíritos e se alguma coisa acontece com alguém pode ser castigo ou presente destes, e ainda que a ciência atribua uma causa óbvia para determinado fenómeno, isso não entra na mentalidade animista que é uma forma de mentalidade ainda muito primitiva de ver e viver a vida.

Os Animistas também cultuam os espíritos dos seus ancestrais, os membros da família das gerações anteriores, e os mortos. Eles acreditam que as pessoas que morrem tornam-se espíritos que são capazes tanto para ajudar como para ferir aqueles que ainda estão vivos. Os animistas, frequentemente, oferecem sacrifícios para esses espíritos, na esperança de ajudá-los a ter boas colheitas, obterem mais dinheiro ou mais filhos.

Os animistas, acreditam que os espíritos de seus antepassados podem curar doenças ou outros problemas na família. Se algum animista esquecer de cultuar os espíritos dos ancestrais ou deixar de oferecer sacrifícios aos seus antepassados as coisas poderão ir mal. Os animistas, acreditam que serão punidos por não oferendá-los. Mas, quando o sacrifício e culto animista, não dá certo, os animistas acreditam que outra pessoa de fora ou alguém da família deve ter pecado e provocou a ira dos ancestrais. Isso gera desconfiança, uns dos outros e é preciso descobrir o culpado para que este seja punido por ter atraído o mal e a ira dos espíritos. Isso é terrível, porque entre os animistas há sempre um clima de hostilidade e insegurança, pois tudo o que acontece de ruim pode ser por causa da presença de alguém que cometeu algum delito.

O animismo não possui livros sagrados, como o cristianismo, o judaísmo e o islamismo, as suas crenças e histórias são transmitidas de geração em geração, de pai para filhos e netos de forma oral em forma de contos ou de ensinamentos e também através de exemplos e das práticas ritualísticas tradicionais.

Braza, sendo um povo aberto, aderiu-se em massa no cristianismo e católico romano, e não só, tais como protestantes e a religião muçulmana. Como se pode ver [aqui]

(até próxima edição)

PARTICIPA COM A TUA OPINIÃO!

Conhecendo a realidade do País, você estará colaborando para a Paz e Estabilidade Política e Social da Guiné-Bissau, pela Verdade e Justiça! Por isso, leia o nosso próximo Tema, neste blogue.

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domingo, 1 de janeiro de 2017

Papa Francisco pede maior inclusão dos jovens para que tenham futuro digno

O papa fez ontem o balanço de 2016 numa cerimónia em que pediu que se incentive uma maior inclusão dos jovens para construir um futuro digno e se abandone a lógica do privilégio a favor da do encontro.

"Se queremos um futuro que seja digno para eles (os jovens), podemos consegui-lo apostando numa verdadeira inclusão: a que é dada pelo trabalho digno, livre, criativo, participativo e solidário", disse Francisco.

O papa falava durante a celebração das primeiras vésperas da Solenidade de Maria, uma cerimónia solene que decorreu na basílica de São Pedro e na qual se entoou o "Te Deum" de ação de graças pelo ano que termina.

Durante a homilia, Francisco assinalou que as sociedades atuais estão "em dívida" para com os jovens e apelou a que se favoreça a sua inclusão.

Segundo o papa, as sociedades "criaram uma cultura que, por um lado, idolatra a juventude querendo fazê-la eterna", mas ao mesmo tempo condena os jovens "a não terem um espaço de inserção real".

"Lentamente, temos vindo a marginalizá-los da vida pública, obrigando-os a emigrar ou a mendigar por empregos que não existem ou não lhes permitem projetar-se num amanhã", lamentou.

"Temos privilegiado a especulação em lugar de empregos dignos e genuínos que lhes permitam ser protagonistas ativos na vida da nossa sociedade. Esperamos e exigimos-lhes que sejam fermento do futuro, mas discriminamo-los e 'condenamo-los' a bater a portas que na sua grande maioria estão fechadas", adiantou.

Francisco pediu ainda que se rejeite a lógica centrada "no privilégio, nas concessões" e "no amiguismo", defendendo uma "lógica do encontro, da proximidade".

O papa agradeceu "todos os sinais de generosidade divina" e observou que o tempo que está a chegar "exige iniciativas ousadas e promissoras, bem como a renúncia a protagonismos vazios ou a lutas intermináveis para aparecer".


Intelectuais Balantas na Diáspora com Lusa

António Guterres pede para que Façamos de 2017 ano em que Paz seja nossa prioridade


«O ano que se agora inicia deve ser “o ano em que todos – cidadãos, governos, dirigentes – procurem superar as suas diferenças”, através do “diálogo e do respeito independentemente das divergências políticas”, “por via de um cessar-fogo num campo de batalha ou mediante entendimentos conseguidos à mesa de negociações para obter soluções políticas”, defende. E termina: “A dignidade e a esperança, o progresso e a prosperidade – enfim tudo o que valorizamos como família humana – depende da paz. Mas a paz depende de nós.”»

Na primeira mensagem como secretário-geral, português lembra que há "vastas regiões do planeta inteiramente desestabilizadas" e que "nestas guerras não há vencedores"

No mapa de conflitos da organização independente International Crisis Group, que trabalha para prevenir guerras e moldar políticas para construir um mundo mais pacífico, estão assinalados mais de 50 países. É com um mundo em guerra, com conflitos mais ou menos mediáticos e que envolvem desde grupos locais a grandes potências, fazendo lembrar os tempos da Guerra Fria, que António Guterres assume hoje o cargo de secretário-geral das Nações Unidas. E a sua primeira mensagem é precisamente um apelo à paz.

"Neste primeiro dia do ano, peço a todos que partilhem comigo um propósito de Ano Novo: façamos da Paz a nossa prioridade. Façamos de 2017 um ano em que todos - cidadãos, governos, dirigentes - procurem superar as suas diferenças", diz Guterres numa mensagem vídeo em português, gravada para ser divulgada à meia-noite em Nova Iorque e à qual o DN teve acesso prévio.

"Façamos de 2017 um ano em que todos - cidadãos, governos, dirigentes - procurem superar as suas diferenças"

"Neste primeiro dia como secretário-geral das Nações Unidas, há, sobretudo, uma pergunta que me assalta a consciência: como ajudar os milhões de seres humanos vítimas de conflitos e que sofrem enormemente em guerras que parecem não ter fim?", afirma o novo líder da ONU, que hoje sucede oficialmente ao sul-coreano Ban Ki-moon para um mandato de cinco anos. O antigo alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados lembra que populações civis em vários pontos do globo são destroçadas sob a mais letal violência, sendo obrigadas a abandonar os lares por causa dos conflitos, que não poupam também comboios humanitários ou hospitais.

"Nestas guerras não há vencedores", diz Guterres, deixando claro que "todos perdem". Mais: "Gastam-se biliões de dólares na destruição de sociedades e economias, alimentando ciclos de desconfiança e medo que podem perpetuar-se por gerações". O antigo primeiro-ministro português diz que "vastas regiões do planeta estão inteiramente desestabilizadas" e alerta para um novo fenómeno de terrorismo global. "Ameaça-nos a todos."

Daí o apelo de Guterres para que a paz seja a prioridade mundial em 2017, tendo no seu discurso de tomada de posse, a 12 de novembro, em Nova Iorque, dito que estava disponível para se envolver "pessoalmente na resolução de conflitos, onde isso trouxer um valor acrescentado", reconhecendo contudo o papel de liderança dos Estados membros. "A dignidade e a esperança, o progresso e a prosperidade - enfim tudo o que valorizamos como família humana - depende da Paz. Mas a Paz depende de nós", avisa.

Aos dirigentes políticos, Guterres deixa o desafio: "Seja através da solidariedade e da compaixão nas nossas vidas quotidianas, seja através do diálogo e do respeito independentemente das divergências políticas. Seja por via de um cessar-fogo num campo de batalha ou mediante entendimentos conseguidos à mesa de negociações para obter soluções políticas. A procura do bem supremo da Paz deve ser o nosso objetivo e o nosso princípio orientador", acrescenta.

Um mundo em guerra

As atenções mundiais estão viradas para a Síria e para o periclitante cessar-fogo (o terceiro no espaço de um ano) anunciado esta semana pela Rússia e pela Turquia. Depois da vitória das forças leais ao presidente Bashar al-Assad na reconquista de Aleppo (cerca de metade da segunda maior cidade síria estava controlada pelos rebeldes desde 2015), a aposta é nas negociações de paz que Moscovo está a patrocinar em Astana, a capital do Cazaquistão.Com o Diário de Noticias