quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Clube da Estrela Negra de Bissau, tem o novo presidente

O novo presidente do Clube da Estrela Negra de Bissau foi empossado no passado dia 20 de Janeiro. O ato de empossamento decorreu nas instalações desportiva das FARP, Trata-se do empresário, Mamadú Djabi (vulgo Tá). A cerimónia foi presidida pelo Chefe do Gabinete do Chefe do Estado Maior General, Coronel Augusto Bicoda em representação do General Biaguê Na N´Tan.

Na ocasião, o Brigadeiro General Alberto António Cuma, Chefe da Divisão da Educação Cívica, dos Assuntos Sociais e Relações Públicas do EMGFA, disse que dentre das prioridades do Chefe do EMGFA, General Biagué Na Ntan, consta a melhoria das condições da equipa de Estrela Negra de Bissau, começando pela recuperação das infra-estruturas.

O Brigadeiro General encorajou a nova Direcção para agir sempre em colaboração com o Chefe do EMGFA, sendo ele uma pessoa de boa-fé que tem nas mangas projectos capaz de tirar o clube no estado em que se encontra actualmente.

Apelou ainda a todos os oficiais, sargentos e praças a continuarem a ser sempre pontuais e prontos a dar suas contribuições pagando regularmente as cotas que são o principal sustento financeiro de qualquer equipa ou organização.

O Chefe da Repartição do Ensino, Cultura e Desportos do Estado Maior General das Forças Armadas, Major Claudio Jesus F. Monteiro, assegurou que o clube da Estrela Negra de Bissau, foi fundado em 05 de Abril de 1975 na Marinha de Guerra Nacional, com o nome de Clube Desportivo Recreativo e Cultural das FARP.

O facto ocorreu através dum mini campeonato realizado entre militares e que permitiu depois seleccionar os melhores jogadores, capazes assim de formar uma equipa que começou a jogar no campeonato da reserva, visto que o seu plantel não atingiu a idade exigida pela federação de Futebol para jogar no campeonato nacional.

Ainda salientou que após as fortes profanações feitas pelos adversários e contestadores através de difamações e injurias contra a imagem das FARP, coisa que não abonava nada para a honra do nome das FARP enquanto defensores da pátria e garante da integridade territorial e da nossa soberania, baseando destes factos, nos anos de 1988-89 se decidiu mudar o nome de clube para Estrela Negra de Bissau. 

Por seu turno, o novo presidente Tá Djabi, agradeceu a todos e em especial ao EMGFA pela confiança depositada na sua pessoa para assumir a mais alta carga na Direcção deste Clube desportivo, tendo apelado o elenco da Direcção a trabalharem afincadamente e com toda lealdade para o desenvolvimento desta equipa dos defensores da pátria.

O recém-empossado O presidente, garantiu que a Direcção que lidera estará na altura de dar o máximo, fazendo a equipa, alcançar os resultados almejados que assentam em atingir o mais alto patamar do desporto nacional, tendo como plano de trabalho, a linhagem da equipa e a recuperação de todas as modalidades que compõe o clube da Estrela Negra de Bissau.

por seu lado, o presidente da Liga dos Clubes da Guiné-Bissau, Bubacar Conté, garantiu ao recém-empossado presidente um total apoio e colaboração da sua instituição sobre quaisquer solicitações feitas pelo clube da Estrela Negra de Bissau. .

Não esqueceu também de chamar a atenção ao presidente sobre o caracter primordial que qualquer dirigente desportivo deveria ter que é o espirito de paciência e de tolerância, isso porque o presidente de um clube desportivo é o primeiro promotor dos jogadores, dos quais pouco se espera em termos de recompensa e pago pelos esforços feitos. Por essa razão, é importante ter a coragem, uma vez que este é o destino e o trabalho que escolhemos. Com as FARP's

domingo, 22 de janeiro de 2017

Djurtus da Guiné-Bissau perdeu (0-2) com Burkina Faso e foi eliminada do CAN-2017

A Guiné-Bissau, estreante em fases finais do Campeonato Africano das Nações (CAN), foi derrotada, na noite deste domingo, pelo Burkina Faso, 0-2, no último jogo do grupo A da competição organizada pelo Gabão, e ficou de fora dos quartos-de-final.

Rudinilson Silva, aos 12 minutos, marcou na própria baliza. O público ainda voltava para perto das imagens, após o intervalo, quando a formação do Burkina Faso marcou o 2-0, que sentenciou o jogo, aos 57 minutos.

Mesmo assim, só o facto de ter chegado à fase final da prova - a primeira competição internacional para a qual a seleção conseguiu apurar-se - já foi um grande feito, pelo que o país "deve receber a equipa com pompa e circunstância", assinalou Aguinaldo Ampa, jornalista guineense.

Virgínia Delgado, uma das adeptas que seguiu o jogo decisivo quase colada ao ecrã, não conseguiu conter as lágrimas e chorou no final.

O resultado não foi o esperado, mas esta primeira presença na CAN não deixa de ser motivo de orgulho: "A seleção da Guiné-Bissau está de parabéns".

A Guiné-Bissau era o único representante lusófono na CAN2017. Com a Lusa

sábado, 21 de janeiro de 2017

CAN 2017: Com Djurtus, nada é impossível para guineenses, vamos jogar, vamos ganhar

O internacional guineense José Luís Mendes Lopes vulgarmente conhecido por Zezinho, utilizou a rede social Facebook onde a sua página oficial dirigiu uma mensagem de encorajamento e de confiança neste momento em que alguns guineenses estão desmoralizados e já não acreditam no apuramento dos Djurtus para os quartos de finais do Campeonato africano das Nações que decorre no Gabão.

Um dos Capitães da turma nacional e igualmente primeiro a envergar a braçadeira de capitão numa fase final do CAN devido a não utilização do primeiro Capitão Bocundji Cá, Zezinho deixou a seguinte mensagem na sua página oficial no Facebook: nada é impossível, vamos jogar, vamos ganhar, viva guiné-bissau, viva djurtus.

Um dos principais destaques da turma nacional nesta inédita participação, Zezinho foi eleito Homem do Jogo na partida inaugural frente a seleção Gabonesa, fez uma grande exibição frente a seleção Camaronesa e agora mostra-se confiante na vitória o último e derradeiro embate dos Djurtus nesta primeira fase, um jogo que poderá ser determinante no apuramento dos Djurtus para a próxima fase.

A seleção nacional joga amanha com a seleção Burkinabe em Franceville quando forem 20 horas locais. A turma nacional deixou a cidade de Libreville ontem e se encontra em Franceville onde já realizou o seu primeiro treino.

Lamtydam - Amílcar Cabral - o intelectual revolucionário!

O homem que ultrapassou a si próprio, surpreendendo tudo e todos, confiante nas ideias políticas, culturais e humanas, inspiradas no seu Povo, da Guiné-Bissau e Cabo-Verde!

O seu brilhantismo intelectual, destacou sua sensibilidade como pensador genial, perspicaz, persistente, de postura e carácter revolucionário, reconhecidos na época...

Um dos maiores políticos do Continente Africano, mas, um Homem simples, de inteligência rara como observador e analista politica, de trato fácil na relação humana, conversador hábil, mestre dos mestres, incansável lutador contra a ignorância, o medo, a repressão, a exploração do homem pelo homem, que cedo compreendeu, que o sucesso da luta de libertação, está na unidade dos dois Povos!

Abraçou a causa e partilhou tudo com os Camaradas do Partido PAIGC, que deram tudo, mas tudo mesmo, a própria vida, como verdadeiros revolucionários, sem poupar esforços, pagaram com o próprio sangue, esta Liberdade, a Independência e as nossas Nacionalidades: Guineense e Cabo-verdiano, hoje, somos dois Povos livres e independentes!

Amílcar Cabral acreditou convictamente na imortalidade desta iniciativa teórica e prática, a luta de libertação contra o colonialismo Português e, na verdade, o Povo não arredou pé, até ao içar da Bandeira Nacional da Guiné-Bissau e Cabo-Verde!

Ele está no coração dos Povos Guineense e Cabo-verdiano



Lamtydam suma Amílcar Cabral - paz a sua alma, eterno descanso e glória... Djarama. Filomeno Pina.

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Donald Trump: "Faremos a América grande novamente"

Discurso na íntegra do Presidente americano, Donald Trump na sua posse nesta sexta-feira, 20, de Janeiro:

Nós, os cidadãos da América, estamos agora unidos num grande esforço nacional para reconstruir o nosso país e restaurar a promessa para todo o nosso povo. Juntos, determinaremos o curso da América e do mundo por muitos, muitos anos.

Enfrentaremos desafios. Enfrentaremos dificuldades. Mas vamos fazer o trabalho. A cada quatro anos, nos reunimos nestas escadas para levarmos a cabo a transferência ordeira e pacífica do poder.

E estamos gratos ao Presidente Obama e à primeira-dama Michelle Obama por sua ajuda graciosa durante toda a transição. Eles foram magníficos. Obrigado.

A cerimónia de hoje, no entanto, tem um significado muito especial. Porque hoje, não estamos apenas a transferir o poder de uma administração a outra ou de uma parte a outra.

Estamos a transferir o poder de Washington, D.C., para vocês, o povo.

Durante muito tempo, um pequeno grupo na capital da nossa nação tem colhido as recompensas do Governo enquanto o povo pagou os custos. Washington floresceu, mas o povo não compartilhou a sua riqueza. Os políticos prosperaram, mas os empregos desapareceram. E as fábricas fecharam.

O poder político protegeu-se, mas não os cidadãos do nosso país. As vitórias deles não foram as vossas vitórias. Os seus triunfos não foram os vossos triunfos. E enquanto comemoravam na capital da nossa nação, as famílias em dificuldades tinham pouco para comemorar. As mudanças começam aqui e agora. Porque este momento é o vosso momento. Pertence-vos.

Pertence a todos aqui reunidos aqui e aos que assistem por toda a América. Este é o vosso dia. Esta é a vossa celebração. Os Estados Unidos da América são o vosso país.

Servir os cidadãos

O que realmente importa não é qual partido que controla o Governo, mas sim se o Governo é controlado pelo povo. 20 de janeiro de 2017 será recordado como o dia em que as pessoas voltaram a ser os governantes desta nação.

Os homens e mulheres esquecidos do nosso país não serão mais esquecidos.

O mundo está a escutar-vos. Vieram às dezenas de milhares para se tornarem parte de um movimento histórico, como o mundo nunca vira antes.

No centro deste movimento está uma convicção crucial: de que existe uma nação para servir os cidadãos. Os americanos querem boas escolas para os seus filhos, bairros seguros para as suas famílias e bons empregos.

Estas são exigências justas e razoáveis de pessoas justas e um povo honrado. Mas para muitos dos nossos cidadãos, existe uma realidade diferente. Mães e crianças presas na pobreza das nossas cidades, fábricas enferrujadas espalhadas como lápides pela paisagem da nossa nação, um sistema educativo cheio de dinheiro, mas que deixa os nossos jovens alunos privados de todo o conhecimento. E o crime, os gangues e as drogas que roubaram muitas vidas e tanto potencial não realizado. Esta carnificina americana pára aqui e pára agora.

Somos uma nação e a vossa dor é a nossa dor. Os vossos sonhos são os nossos sonhos e o vosso sucesso será o nosso sucesso. Nós compartilhamos um coração, um lar e um destino glorioso.

América primeiro

O juramento de posse que hoje faço é um juramento de fidelidade a todos os americanos. Durante muitas décadas, enriquecemos a indústria estrangeira à custa da indústria americana, subsidiámos os exércitos de outros países, permitindo o lamentável enfraquecimento das nossas Forças Armadas.

Defendemos as fronteiras das outras nações ao mesmo tempo em que recusamos defender as nossas.

Gastámos trilhões e trilhões de dólares no exterior, enquanto as infraestruturas da América se arruinaram e decaíram.

Tornámos outros países ricos enquanto a riqueza, a força e a confiança do nosso país se dissipavam no horizonte. Uma a uma, as fábricas fecharam e deixaram as nossas costas sem sequer pensarem nos milhões e milhões de trabalhadores americanos que deixavam atrás.

A riqueza da nossa classe média foi arrancada da suas casas e depois redistribuída em todo o mundo.

Mas isso é passado e agora olhamos apenas para o futuro.

Nós hoje aqui reunidos emitimos um novo decreto para ser ouvido em cada cidade, em cada capital estrangeira e em cada corredor de poder. A partir deste dia, uma nova visão governará o nosso país. A partir deste dia será sempre a América em primeiro lugar, a América em primeiro lugar.

Todas as decisões sobre o comércio, sobre impostos, sobre imigração, sobre assuntos externos serão tomadas para benefício dos trabalhadores americanos e das famílias americanas. Devemos proteger as nossas fronteiras das devastações de outros países que fabricam os nossos produtos, roubam as nossas empresas e destroem os nossos empregos.

Regresso da prosperidade

Proteção levará a grande prosperidade e força. Lutarei por vos com toda a minha energia. Nunca, nunca vos abandonarei.

América começará a ganhar novamente, vencendo como nunca antes.

Iremos trazer de volta os nossos postos de trabalho. Vamos trazer de volta as nossas fronteiras. Vamos trazer de volta a nossa riqueza e traremos de volta os nossos sonhos. Vamos construir novas estradas, pontes, aeroportos, túneis e ferrovias em toda a nossa maravilhosa nação. Vamos tirar o nosso povo da assistência social e colocá-lo a trabalhar na reconstrução do nosso país com mãos americanas e trabalho americano. Vamos seguir duas regras simples: comprar americano e contratar americano.

Procuraremos a amizade e a boa vontade com as nações do mundo no entendimento de que assiste a todas as nações o direito de colocar os seus próprios interesses em primeiro lugar. Não procuramos impor o nosso modo de vida a ninguém, mas sim deixá-lo brilhar para que seja um exemplo. Brilharemos para que todos nos sigam.

Vamos reforçar alianças antigas e construir novas. E unir o mundo civilizado contra o terrorismo radical islâmico, que vamos eliminar por completo da face da terra.

O alicerce da nossa política será a lealdade total aos Estados Unidos da América e através da nossa lealdade ao nosso país, vamos redescobrir a nossa lealdade uns para com aos outros. Quando se abre o coração ao patriotismo, não há espaço para o preconceito.

A Bíblia diz-nos quão bom e agradável é que o povo de Deus viva em união. Devemos manter as nossas mentes abertas e discutir honestamente quando discordamos, mas sempre na procura da solidariedade. Quando a América está unida, a América é imparável.

Não deve haver medo. Estamos protegidos e estaremos sempre protegidos. Estaremos protegidos pelos grandes homens e mulheres das nossas Forças Armadas e pelas forças da ordem. E o mais importante, estaremos protegidos por Deus.

Acção

Finalmente, devemos pensar grande e sonhar ainda maior. Na América, entendemos que uma nação só está viva enquanto estiver motivada. Não vamos aceitar políticos que são só conversa e nenhuma acção, sempre a reclamar, mas fazendo pouco sobre o que reclamam.

Chegou ao fim o tempo para conversas vazias. Chegou a hora de acção.

Não permitam que ninguém vos diga que algo não pode ser feito. Nenhum desafio pode parar a vontade, a luta e a espírito da América. Não vamos falhar. O nosso país vai florescer e prosperar novamente. Estamos no início de um novo milénio, prontos para desvendar os mistérios do espaço, para libertar a terra das misérias da doença e aproveitar as energias, indústrias e tecnologias do amanhã. Um novo orgulho nacional vai agitar-nos, dar-nos nova perspectiva e curar as nossas divisões. É hora de lembrar a velha sabedoria que os nossos soldados nunca esqueceram: sejamos negros, castanhos ou brancos, todos nós temos o mesmo sangue vermelho dos patriotas.

Todos nós desfrutamos das mesmas liberdades gloriosas e todos saudamos a mesma grande bandeira americana.

Se uma criança nasce na urbe de Detroit ou nas planícies de Nebraska, ela olha para o mesmo céu noturno, enche o seu coração com os mesmos sonhos que são impregnados com o sopro de vida pelo mesmo Criador Todo-poderoso.

Assim, para todos os americanos em todas as cidades próximas e distantes, pequenas e grandes, de montanha a montanha, de oceano a oceano, escutem estas palavras: não voltarão a ser ignorados.

As vossas vozes, as vossas esperanças eos vossos sonhos definirão o nosso destino americano. E a vossa coragem, bondade e amor sempre nos guiarão.

Juntos, faremos a América forte novamente.

Vamos fazer a América próspera novamente.

Faremos a América orgulhosa de novo.

Faremos a América segura de novo.

E juntos, faremos a América novamente grande.

Obrigado, Deus vos abençoe e Deus abençoe a América.


Obrigado. Deus abençoe a América.


Entre os gentios, Jesus inicia a sua missão

Não basta que a luz brilhe. É preciso abrir os olhos e remover os obstáculos

A opção de Jesus por fazer de Cafarnaúm local de residência e centro de irradiação missionária na Galileia parece estranha e indicia a novidade que vem anunciar: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino de Deus”. Pressionado pela urgência interior de ir ao encontro das pessoas e partilhar a grande notícia “Deus vem e já está connosco”, desloca-se para a terra dos gentios, junto ao lago de Tiberíades, tomando como indicador claro de ter chegado a hora para a sua decisão a prisão de João Baptista. Estranha opção para quem faz uma leitura superficial dos factos e não tem em conta o seu contexto histórico e cultural. Estranha opção para quem esquece a dimensão simbólica que frequentemente os acompanha e abre a um nova dimensão.

Mateus, o narrador evangelista, recorre ao profeta Isaías para apresentar alguns traços de Cafarnaúm e destacar que a nova situação de Jesus corresponde ao que estava anunciado. Traços centrados no povo que vivia nas trevas e viu uma grande luz, que jazia na região sombria da desesperança e levanta o ânimo, voltando a esperar. “A verdadeira realidade de Cafarnaúm - afirma Florentino Hernandez, autor do «Guia de Terra Santa: História-Arqueologia-Bíblia» é a de ter sido escolhida por Jesus de Nazaré como sua segunda pátria e de haver sido o centro do seu ministério apostólico na Galileia”. Gente pobre, não miserável, vivia do campo que cultivava entre pedras e na zona marítima, da pesca e do comércio de alguns produtos. Terra onde se cruzavam rotas de negociantes e peregrinos.

A Galileia dos gentios era uma região pobre, abandonada e com má fama. Chamar «galileu» a alguém constituía um insulto, Os seguidores de Jesus antes de serem designados por «cristãos» eram depreciativamente conhecidos por «galileus» (Actos dos Apóstolos 2, 7). Esta desconsideração provinha certamente da religião e da política. Religiosamente não observavam as obrigações do Templo, sendo ignorantes e pecadores. Politicamente, não aceitavam o jugo de Roma e revoltavam-se. A retaliação era de morte. Pilatos mandou executar um grupo quando oferecia sacrifícios religiosos ( Lc 13, 1).

Jesus inicia a sua missão entre os gentios, desconsiderados e indignados. Nas “periferias” existenciais como gosta de dizer e de fazer o Papa Francisco O jesuíta italiano Antonio Spadaro, diretor da revista ‘La Civiltà Cattolica’ e consultor do Conselho Pontifício para a Cultura (Santa Sé) a propósito da próxima visita de Francisco a Fátima afirma que “o Papa viaja às periferias, também da Europa. Se repararmos, as viagens europeias partiram de Lampedusa e seguiram pela Grécia, Turquia, Bósnia, Polónia, Suécia e depois a Portugal: está a circum-navegar a Europa”. E explicita o sentido desta opção: “As viagens do Papa servem para tocar lugares em que há efervescência, onde existem estímulos, que possam ajudar a compreender melhor o centro e também os lugares onde se vivem feridas abertas, que se tocam para serem curadas”,

Esta opção pode provocar estranheza, mas está em consonância com a de Jesus para anunciar e viver o Evangelho de Deus: A quem sofre e anda insatisfeito, a quem é vítima das trevas da ignorância religiosa e da opressão cultural e económica, a quem está despojado da dignidade humana e sujeito à violência “mental” que manipula as notícias e silencia a verdade, a quem pode despertar as energias adormecidas e reagir acolhendo a novidade de que “outro mundo é possível”, de que Deus está connosco e é nosso aliado incondicional. O garante desta convicção é o próprio Jesus, a luz verdadeira que vindo ao mundo ilumina todo o homem (Jo 1, 9) e dá sentido a toda a criação.

Não basta que a luz brilhe. É preciso abrir os olhos e remover os obstáculos. A luz vista de frente impede-nos de ver. Ela, como o sol que se projecta sobre a terra, ilumina o que está ao nosso alcance e deixa-nos o seu reflexo. Assim quer Jesus apresentar e realizar a novidade de que é portador: O Reino de Deus. Assim quer Jesus garantir que seja a missão da Igreja e, por isso, chama discípulos que constitui apóstolos. Assim quer Jesus abrir em nós espaços de liberdade criativa e de doação solidária e confiante.

Governo da Guiné-Bissau e a ONU preparam assistência aos refugiados da Gâmbia

No seguimento de um pedido do Governo da Guiné-Bissau ao sistema das Nações Unidas no país e aos principais parceiros internacionais, foi criada uma comissão multidisciplinar para preparar um plano de assistência aos milhares de refugiados gambianos que já entraram no país.

Segundo concluiu uma missão conjunta que se deslocou ao norte do país no dia 18 de Janeiro, já entraram na Guiné-Bissau, 4327 nacionais da Gâmbia. Desde o dia 15, o número de entradas registadas ronda as mil por dia.

A maioria são mulheres, adolescentes e crianças, vem sobretudo da região de Brikama, a sul de Banjul. Estão a ser acolhidas por familiares ou amigos sobretudo na região de Bissau, Bafatá, Cacheu e Oio. Os principais pontos de entrada oficial na Guiné-Bissau são Djegue, Farim, Cambadjo, Senabaca e Pirada. No entanto há também pessoas a cruzar a fronteira entre o Senegal e a Guiné-Bissau em Ingoré, Bigene e Varela.

A missão, liderada pelo Coordenador humanitário da ONU na Guine Bissau, Ayigan Kossi, facilitada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e pelo Comité Nacional para os refugiados, verificou que as pessoas se encontram em grande risco de segurança alimentar, uma vez que as famílias de acolhimento não poderão sustentá-las por muito tempo. O afluxo de pessoas pode trazer também uma sobrecarga aos serviços de saúde que desde já são insuficientes para a população normal.

Face a esta situação, o Governo da Guiné-Bissau, através do Ministério do Interior, que está a registar as pessoas, e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, prepararam um plano de contingência e solicitou ajuda aos parceiros.

No dia 19 de Janeiro foi criada uma comissão técnica multidisciplinar, composta, entre outros pelo ACNUR, Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Internacional para as Migrações (OIM), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Programa Alimentar Mundial (PAM), os dois ministérios acima citados, o Instituto Nacional de saúde (INASA).

A comissão irá desde já organizar a ajuda alimentar de emergência e preparar um plano de emergência, coordenando a ajuda de todos os parceiros, para assistir até 10 mil pessoas, durante 4 a seis semanas, assim como fazer a triagem e avaliação de necessidades e continuar a monitorizar a situação.

“Se a situação política se complicar é possível que o afluxo de pessoas aumente, mas esta previsão já nos permite ajudar estas pessoas durante 4 semanas, depois o plano pode ser revisto, no entanto não é necessário esperar pelo plano para fornecer desde já ajuda alimentar a estas pessoas”, explicou Ayigan Kossi.


“Precisamos da ajuda dos parceiros internacionais para aumentar a capacidade de resiliência das famílias que estão a receber os refugiados”, disse Tibna Sambé Na Wana do Ministério do Interior.