segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Revolucionarias do Povo da Guiné-Bissau, visitou Marrocos

Uma importante delegação militar das Forças Armadas guineense dirigida pelo seu Chefe do Estado-maior General, Biaguê Na N´Tan encontrava-se desde 1 de Novembro do corrente em Marrocos para uma visita de trabalho de cinco dias.

O evento que se insira no âmbito das relações de cooperação técnico-militar existente as forças de defesa de Guiné-Bissau e do Marrocos a partir de Maio 2015 visa reforçar os laços de amizade e de confiança entre as duas instituições e permitir também a abertura de novas perspectivas, sobretudo no domínio de formação de quadros e especialistas de saúde, de aviação e da marinha.

Segundo o programa, a delegação guineense constituída de oficiais superiores entre os quais, o Inspector-geral, chefes de estado-maior dos três ramos, chefes de Divisões do Estado Maior General visitou a Brigada de Infantaria dos Pára-comandos, os estagiários guineenses da banda música, o Colégio “Royal” do Ensino Militar Superior, a 3ª Base Aérea, a Escola “Royal” Naval, a 1ª Base Naval da Marinha, a Mesquita Hassan II entre outras.

O Chefe do Estado Maior General Biaguê Na N´Tan depositou uma coroa de flores no Mausoléu Mohammed V de Rabat antes de manter um importante tête-à-tête com o seu homólogo marroquino, o General de Exército, Inspector-geral das Forças Armadas do Reino. Este encontro decorreu na presença do encarregado dos Negócios da embaixada de Guiné-Bissau em Rabat.

As relações de amizade e de cooperação militares que evoluem em flecha entre as duas forças armadas africanas nasceram em 2015 com a visita do Rei a capital guineense.

O Marrocos que é o primeiro país africano a conceder as armas ao Partido Africano de Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) para lutar contra a presença colonial portuguesa, ofereceu e continua a oferecer bolsas de formação, de reciclagem, de tratamentos médicos, meios de transportes e de transmissões as Forças Armadas Revolucionarias do Povo. Com as FARP’s

domingo, 5 de novembro de 2017

Dizem e não fazem - motivação profunda do agir hipócrita

 Jesus ilumina a motivação profunda do agir hipócrita: «Tudo o que fazem é com o fim de se tornarem notados pelos homens». É a triste e cómica patologia do quererem aparecer bem aos olhos dos outros, sem se darem conta de que são semelhantes a sepulcros caiados

O Evangelho segundo S. Mateus (23, 1-12) apresenta a repreensão profética de Jesus contra os homens religiosos, advertência a que se seguem, na tradução portuguesa, oito «Ai de vós» (23, 13-36). Jesus ensina-nos como viver no hoje e, portanto, como esperá-lo.

Antes de tudo, é preciso compreender o objetivo da invetiva de Jesus. «Os doutores da Lei e os fariseus instalaram-se na cátedra de Moisés.» Ele visa atingir todos quantos em cada instituição religiosa se comportam, tal como hoje, como “literalistas” (escribas) e duros “rigoristas” (fariseus).

É por isso que S. Jerónimo escreveu: «Ai de nós, miseráveis, que herdámos os vícios dos escribas e fariseus». Para conhecer o seu e o nosso possível retrato, é suficiente glosar as palavras de Jesus, que na sua franqueza são cortantes, e por isso fonte de discernimento, de decisão.

«Dizem e não fazem.» Não há nada pior aos seus olhos. É o exato contrário do estilo com que Jesus viveu: era confiável, credível porque dizia o que pensava e fazia o que dizia. Precisamente desta sua integridade/unidade nascia a sua fascinante autoridade, tão diferente da dos escribas (cf. Mateus 7, 28-29).

«Atam fardos pesados e insuportáveis e colocam-nos aos ombros dos outros, mas eles não põem nem um dedo para os deslocar.» Imagem extraordinária que não precisa de comentários, mas só de um exame de consciência, para evitar esta insuportável duplicidade.

A esta realidade contrapõe-se mais uma vez a prática de Jesus, o nosso único Mestre, o rosto visível do Pai invisível: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos. Tomai sobre vós o meu jugo, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve» (Mt 11, 28-30).

Por fim, Jesus ilumina a motivação profunda do agir hipócrita: «Tudo o que fazem é com o fim de se tornarem notados pelos homens». É a triste e cómica patologia do quererem aparecer bem aos olhos dos outros, do quererem ser reverenciados, prescindindo da própria condição real interior. Sem se darem conta de que, dessa maneira, são «semelhantes a sepulcros caiados, formosos por fora, mas, por dentro, cheios de ossos de mortos e de toda a espécie de imundície» (Mt 23, 27).

Jesus é preciso, desce ao detalhe. «Gostam de ocupar o primeiro lugar nos banquetes»: é o prazer de receber honras dos poderosos deste mundo, de sentir que «nós também contamos». Sem nunca poderem apreciar uma refeição gratuita, de amizade, que não sirva para segundas intenções.

Comprazem-se com os «primeiros lugares nas sinagogas»: é o gosto do aparecer sagrado, que se manifesta na exigência dos lugares eminentes na igreja, no sentar-se em tronos dignos de faraós, e não de serem servos da comunhão fraterna.
 Quem quer a glória por si, «já recebeu a recompensa». Mas vale a pena viver assim? Não valerá antes a pena caminhar no sentido oposto, percorrido e traçado por Jesus? Isto é, um homem, uma mulher que não gosta de aparecer (por si), mas ser, muitas vezes no escondimento, para os outros

«Gostam das saudações nas praças públicas»: serem saudados, não saudar; receber honras ao próprio rosto e não olhar os rostos de quem encontram, rostos que possivelmente precisam apenas de um sorriso, que transmita reconhecimento mesmo sem palavras, possibilidade de levar conjuntamente os pesos da vida. Apreciam «serem chamados “mestres”», não por terem autoridade, mas pelo modo como vivem.

Quem quer a glória por si, «já recebeu a recompensa» (cf. Mt 6, 2.5.16). Mas vale a pena viver assim? Não valerá antes a pena caminhar no sentido oposto, percorrido e traçado por Jesus? «Quem de entre vós é o maior, seja o vosso servo», ou seja, um homem, uma mulher que não gosta de aparecer (por si), mas ser, muitas vezes no escondimento, para os outros.

A cada um de nós cabe a responsabilidade da resposta, no seguimento de Jesus, que vindo ao mundo em carne humana, de rico por nós se fez pobre, para nos fazer ricos da sua pobreza (cf. 2 Coríntios 8, 9).

Ir. Ludwig

In "Monastero di Bose"

domingo, 22 de outubro de 2017

CONGRESSO DO PAIGC MARCADO PARA 30 DE JANEIRO A 04 DE FEVEREIRO DE 2018

O PAIGC marca as datas 30 de Janeiro a 04 de Fevereiro de 2018 para a realização do IXº Congresso Ordinário Sob o lema: “PAIGC unido, na disciplina pelos ideais de Amílcar Cabral - ao serviço da paz, estabilidade e desenvolvimento da Guiné-Bissau”

A data do Partido Africano da Independência de Guiné e Cabo-verde foi acordada, este sábado, durante a reunião do Comité Central do partido que durou mais de 12 horas. Durante o encontro foi decidido que o congresso será realizado na capital Bissau, e contará com mais de 1200 delegados de diferentes partes do país e assim como da diáspora.

Durante a reunião os membros do comité foram unanimes em apoiar os membros da comissão nacional, no entanto, logo no dia da reunião nove  deles foram empossados na ausência de dois membros, isto é, a comissão votada é composta por onze (11) pessoas.

Secretário Nacional do partido, Ali Hijazi foi indigitado como presidente da Comissão Nacional Preparatória do IX Congresso Ordinário, e tem como o seu vice-presidente, a deputada Dan Yalá. E, os restantes membros são Califa Seidi; Teodora Inácia Gomes; Francisca Pereira; Amizade Farã Mendes; Maria Adiatu Djaló Nandigna; Biloni Nhama Nhasse; António Oscar Barbosa e Victor Naneia.

Na declaração aos jornalistas, á saída do encontro, o líder dos libertadores, Domingos Simões Pereira, diz que é impossível salvaguardar a ideologia do partido e ajudar-se aos ideais de Amílcar Cabral se o princípio da disciplina não é respeitado dentro do partido.

Domingos Simões Pereira garante por outro lado que está disponível em continuar a servir o partido libertador.

“Confirmo a disponibilidade para, em nome e em representação do partido, continuar a servir o PAIGC”, reafirma.


A marcação do congresso dos libertadores foi decidida numa altura em que o partido depara com ameaça do grupo do 15 deputados expulsos de serem eles a promover o encontro que se realiza a cada legislatura. Com a RSM

Admirados com a resposta de Jesus. Aprecia!

Reflexão de Georgino Rocha

A figura e a inscrição na moeda que os fariseus mostram a Jesus constituem o ponto de partida para o ensinamento que o Evangelho de hoje nos transmite. (Mt 22, 15-22). As autoridades queriam desforra pelos desafios que as atitudes de Jesus lhes lançavam. Haviam tentado apanhá-lo já em alguma questão acusatória. Agora colocam-lhe a pergunta envenenada: “É lícito pagar o imposto a César ou não?”. São seus porta-vozes alguns fariseus e outros partidários de Herodes, aliados de circunstância para a armadilha dar resultado.

E têm tudo bem pensado. Procuram captar a benevolência de Jesus, elogiando-o com menções honrosas verificáveis: Sabemos que és verdadeiro, ensinas o caminho de Deus, não fazes acepção de pessoas porque vais para além das aparências. Dir-se-ia que para começar não havia melhor entrada. Mas palavras são palavras que podem esconder a realidade. E esta era a intenção dos “inocentes louvaminhas”, intenção que Mateus, o narrador do relato, apresenta de modo claro: Os fariseus fizeram um plano para apanhar Jesus.

Plano bem urdido, temos de reconhecer. Logicamente qualquer resposta seria comprometedora. Se Jesus dissesse: Não se deve pagar o imposto, seria acusado de subversivo; pelo contrário; se concordasse com o pagamento, não sintonizava com os gemidos do povo subjugado pelas forças do Império Romano. De qualquer modo, ficava sempre mal visto e com provas condenatórias. Que momento delicado vive Jesus. E tem de tomar uma decisão urgente. Que terá sentido no seu coração apertado? Que critérios se podem descortinar na sua atitude? Ela vai ser desconcertante e os seus adversários ficam espantados. De admiradores “louvaminhas”, passam a cúmplices acusados, de homens verdadeiros a hipócritas denunciados, de tentadores disfarçados a gente desmascarada. E para cúmulo, diríamos com humor, a sua reacção a este “tratamento de excelência” é de admiração e não de confusão, como seria normal.

“Mostrai-me a moeda do imposto. De quem é a figuira e a inscrição?”. “De César”, dizem. E Jesus olhando a efigie do imperador, responde: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. E eles ficam admirados. E nem era para menos. Como podiam fazer-lhe qualquer acusação? A sabedoria triunfa sobre a artimanha e a verdade ilumina não apenas a relação entre o poder civil e a autoridade religiosa, como alguns chegam a pensar, mas o rosto de Deus que deixa a sua imagem e semelhança no ser humano, homem e mulher, o reflexo da sua beleza no santuário da consciência pessoal, os vestígios da sua impressão digital nas criaturas e na criação. O cunhar moeda, o pagar impostos, o regime fiscal e tudo o que se liga com esta rede deve estar em consonância com aquela verdade primeira, e, sendo justos, isto é servindo o bem comum ou, pelo menos da maioria necessitada, tornam-se obrigatórios moralmente, e os prevaricadores, incluindo a própria autoridade que os estabeleceu, são passíveis de penalização legal.

Em comentário a este episódio, afirma Frei Raimundo de Oliveira, op: “O imposto era o sinal da dominação romana; os fariseus rejeitavam-na, mas os partidários de Herodes aceitavam-na. Se Jesus responde «sim», os fariseus desacreditá-Lo-iam diante do povo; se diz «não», os partidários de Herodes poderão acusá-lo de subversão. Mas Jesus não discute a questão do imposto. Ele só se preocupa com o povo: A moeda é «de César», mas o povo é «de Deus». O imposto só é justo quando reverte em benefício do bem comum. Jesus condena a transformação do povo em mercadoria que enriquece e fortalece tanto a dominação interna como a estrangeira”. (Bíblia Pastoral, Ed. São Paulo Lisboa 1993, p. 1380, em nota de roda-pé).

“Dar a Deus o que é de Deus” é consigna para todo o sempre porque o homem realizar-se-á no seu melhor: ama sem acepção de pessoas nem fronteiras de tempo; vive e convive amigavelmente com todos os humanos e com respeito pela criação inteira; situa-se na história como agente responsável na escuta dos gemidos das criaturas oprimidas e na sua libertação integral; aspira a que os direitos básicos sejam assegurados a todos, designadamente o da dignidade, da alimentação, do vestuário, da saúde e de tantos outros. O contrário será o drama da humanidade, sempre possível!

“Dar a Deus o que é de Deus” é ver respeitada a liberdade de consciência e poder expressá-la pessoalmente e de forma associada, na rua e nos templos, dentro de um quadro legal que facilite a harmonia de cidadãos que vivem numa sociedade plural. É sentir-se reconhecido nesta relação com a fonte original de todos os bens e ver facilitada, mediante a criação de condições favoráveis, a transmissão dos valores correspondentes a educação nas famílias, nas escolas de serviço público, na comunicação social.

“Dar a Deus o que é de Deus” é dar largas ao coração que exulta de alegria e convida a terra inteira a associar-se a este louvor, é publicar entre as nações as suas maravilhas, é anunciar a todos os povos a novidade do amor revigorante que o Senhor nos tem. O salmista da liturgia de hoje convida-nos a alargar horizontes.


Hoje é o Dia Mundial das Missões. O Papa Francisco dirige-nos uma mensagem e um veemente apelo: “A missão da Igreja, destinada a todos os homens de boa vontade, funda-se sobre o poder transformador do Evangelho. Este é uma Boa Nova portadora duma alegria contagiante, porque contém e oferece uma vida nova: a vida de Cristo ressuscitado, o qual, comunicando o seu Espírito vivificador, torna-Se para nós Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14, 6)… Promovido pela Obra da Propagação da Fé, o Dia Mundial das Missões é a ocasião propícia para o coração missionário das comunidades cristãs participar, com a oração, com o testemunho da vida e com a comunhão dos bens, na resposta às graves e vastas necessidades da evangelização… Que a Virgem nos ajude a dizer o nosso «sim» à urgência de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus no nosso tempo; nos obtenha um novo ardor de ressuscitados para levar, a todos, o Evangelho da vida que vence a morte; interceda por nós, a fim de podermos ter uma santa ousadia de procurar novos caminhos para que chegue a todos o dom da salvação”.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

NOTA A IMPRENSA DAS FORÇAS ARMADAS REVOLUCIONARIAS DO POVO DA GUINÉ-BISSAU

As Forças Armadas Revolucionarias do Povo, arquitecto do Estado da Guiné-Bissau sempre fiéis aos princípios da defesa nacional, missão incumbida pela Constituição da República, continuam e continuarão a respeitar este instrumento jurídico e de mais leis.

O compromisso de garantir a segurança dos cidadãos a paz e estabilidade, o respeito ao poder democraticamente eleito tornado público aquando da tomada de posse do actual Chefe do Estado-maior General, Setembro de 2014 mantém-se firme.

Nesta senda, o Estado Maior General das Forças Armadas que dirige a classe castrense na base da verdade, respeitando as normas da hierarquia vertical que caracteriza a sua estrutura orgânica nunca se desviou do Estatuto dos Militares nem do Regulamento da Disciplina Militar (RDM).

A nomeação de um militar ao cargo de Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas Revolucionarias do Povo (FARP) não é, em conformidade com a Constituição da República, as leis e normas castrense, da competência do Chefe de Estado-maior General. É um assunto da competência específica do Executivo e do Presidente da República.

Segundo o Estatuto dos Militares, o Chefe de Estado-maior General não pode nem tem o direito de escolher o seu substituto. A figura do Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas é nomeada pelo Presidente da República ouvindo o Conselho de Ministros que tem por direito de escolher, entre os três nomes que constam na lista remetida ao Ministério da Defesa Nacional pelo Estado-maior General após sua aprovação pelo Conselho dos Chefes de Estado Maiores.

Nunca, este princípio será violado pelas chefias militares, que pautam garantir a paz, a estabilidade, a segurança e o desenvolvimento socioeconómico e cultural do país. Para nós, enquanto defensores abnegados dos interesses superiores do Estado, a “Pátria é a primeira”.

A noticia sobre a carta de pedido de demissão endereçada pelo Chefe do Estado Maior General das FARP, General do Exército, Biaguê Na N´Tan ao Presidente da Republica, José Mário Vaz, veiculada nas diferentes redes de comunicação social nacional e Internacional, citando a fonte de Noticia e-Global e foi objecto de debate numa das rádios locais, indignou as estruturas castrense. A informação carece de fundamento tendo em consideração os critérios estabelecidos para a escolha e a nomeação da figura do Chefe do Estado Maior General das FARP. Por isso, julga-se que seria melhor, sempre que haja necessidade de se inteirar sobre um determinado assunto ou de confirmar uma informação ligado ao serviço militar, dirigir-se junto ao órgão competente ou contactar a assessoria de imprensa do Estado Maior General.

O Chefe do Estado-maior General, nunca tinha formulado qualquer pedido demissão ao Presidente da República, José Maior Vaz.

Não é proibido que um ou outro órgão de comunicação social trate informações militares nos seus espaços; o que se quer aqui é veicular informações seguras e credíveis e que contribuam pela paz, estabilidade, segurança e o bem-estar da humanidade. Aliás, o desejo do Chefe de Estado-maior General foi sempre: apostar-se na imprensa na luta pelo desenvolvimento, facto que prova que as FA guineenses não são inimigas da comunicação social.

Hoje as FARP estão completamente viradas para a formação e capacitação científicas dos seus efectivos que, cada dia obram pela consolidação da unidade nacional, progresso social e melhoria constante das suas condições de trabalho.

As falsas informações não ajudam a nossa sociedade, por isso, o Estado-maior General apela aos órgãos e redes de comunicação sociais e demais fontes privadas, que divulgam informações contraproducentes para absterem-se de faze-lo e contribuir positivamente para o bem de todos os cidadãos. É evidente que a divulgação das informações diárias contribua de uma maneira ou outra no sustento de muitas pessoas no mundo, sendo assim recomenda-se que seja lançado produtos úteis para ambos e não que apenas beneficiem seus produtores. Com as FARP's

domingo, 15 de outubro de 2017

CRISE INTERNA DO PAIGC FALSO DILEMA

Reflexão de Ernesto Dabó em saudação ao 44º aniversário da independência da Guiné-Bissau.

No passado dia 15 deste Setembro nacional, recebi convite da Comissão organizadora da CONFERÊNCIA NACIONAL DE REFLEXÃO PARA SALVAÇÃO DO PAIGC DE CABRAL, patrocinado pelo grupo dos 15, sob o lema: “UM PAIGC REUNIFICADO E COESO PARA ENFRENTAR FUTUROS DESAFIOS”. Confesso que acolhi o convite com alguma surpresa e certo cepticismo. Mas quando me enviaram o material promocional e me inteirei da intenção e lema da conferência, senti que se situava na linha de continuidade dos meus modestos esforços para promover um debate interno no sentido da procura de caminhos para se reunificar o partido e tirar o país desta injusta crise, que considero ter epicentro no PAIGC.

Me parece lógico que numa situação de crise de liderança a direcção dum partido ou um governo, tenha que observar uma das duas soluções: RECOMPOR-SE OU DEMITIR-SE. Leve o tempo que levar, uma das duas acabará por ser a saida da crise. No caso do PAIGC, a crise vigente progride cada vez com maior evidencia para uma das soluções. O mais forte indicador de via para a recomposição reside no disposto do ponto 10 do acordo de Conakri:

10. O princípio de uma reintegração efetiva dos 15 deputados dissidentes no seio do PAIGC, sem condições mas tendo em consideração os textos em vigor no seio do PAIGC.

Ao aceitar o convite, iclusive para apresentar um tema, quis saber se foi convidada a presidencia do partido. Afirmaram-me que sim. Igualmente com cepticismo, aguardei para ver se alguem tomaria parte na conferência em representação da direcçõ do partido. Infelizmente aconteceu o indesejável: ninguem compareceu. Este facto deixou-me profundamente triste por se revelar uma clara fuga a uma oportunidade de diálogo, que bem serviria para conhecermos da vontade da direcção do partido se recompor ou dos fundamentos que impedem que isso aconteça. É do domínio publico um conjunto de factos que autorizam que questionemos quanto aos ganhos do partido sob o seu actual comando. Permitam-me uma curta listagem de coisas que acontecerem desde Congresso de Cacheu ao presente:

1- A composição dos orgão dirigentes do PAIGC, lista de candidatos a Deputado e de membros do Governo, respeitaram mais ou unicamente o resultado eleitoral registado no Congresso.
2- Apesar de ter maioria absoluta, o Partido preferiu constituir Governo com adversários, atiçando assim as hostes internas que se sentiram excluídas dos ganhos de um processo em que estiveram envolvidos;
3- Nas primárias do partido para a escolha de candidato a apoiar nas presidenciais, em vez de arbitrar, o Presidente do partido assumiu-se apoiante de uma candidatura, que acabou derrotada;
4- Alguns meses passados, é afastado o Secretario Nacional do partido e Deputado da nação;
5- O crescendo e variedade de conflitos na direcção superior do partido atinge a sua presidência, processo que leva ao afastamento de dois Vice-Presidentes;
6- A seguir, naturalmente, a crise interna extravasa os limites do partido e ganha espaço na esfera do Estado, implicando partes como a Presidência da Republica e a Assembleia Nacional Popular. Assim se instalou uma original e intensa confrontação entre três presidências com responsabilidades únicas na condução do país, que são:

– Presidência do PAIGC, partido vencedor das legislativas;
– Presidência da Republica;
– Presidência da Assembleia Nacional Popular
7- É derrubado o governo eleito do PAIGC;
8- É nomeado um ex-Vice-Presidente a Primeiro-ministro;
9- Duas vezes mais, o Governo é chefiado por alguém oriundo do PAIGC e nenhum deles concluiu o mandato;
10- Agudiza-se a crise no partido, o que conduz à abstenção de 15 deputados do PAIGC aquando da votação dum programa de Governo do Partido e por consequência ao derrube de um Governo do PAIGC;
11- O partido prefere reprimir os Deputados em vez de proceder a uma auscultação e negociação, internamente, dado o evidente risco de perda de poder subjacente ao sucedido na ANP. Num processo factualmente sumário, expulsou os 15 Deputados da ANP, solicitou a cessação dos mandatos de alguns deles no Parlamento da CDEAO, conseguiu que a Comissão Permanente deliberasse a retirada de mandatos aos 15 Deputados;
12-A CDEAO recusa a solicitação do PAIGC;
13- O Supremo Tribunal de Justiça anula a deliberação da comissão permanente da ANP e ordena a restauração dos mandatos dos 15 Deputados;
14- Por razões que não se conhecem, o Partido aceita ser parte de um acordo destoado da Constituição da Republica ou seja, inconstitucional, conhecido por Acordo de Conacri;
15- O Partido suporta o bloqueio da ANP;
16- O partido veda a Convenção e a Universidade de Verão aos 15;
17- Prosseguem expulsões e suspensões de dirigentes e responsáveis em todos os escalões do partido e em todas as regiões, registando-se já dezenas de expulsos e suspensos;

Conjugados os factos elencados, julgo justo aceitar que o balanço da governação partidária está longe de ser satisfatório. Quando assim é, noutras paragens do mundo, em nome dos superiores interesses do Partido ou Governo, a direcção abre um debate interno, critico e autocritico, visando, correcções, orientações e reorientações a favor da organização. Noutras, a direcção demite-se ou é demitida. À luz desta conclusão sou levado a outra ponderação.

Como se pode imaginar, esta sequência de factos, indissociáveis da crise no PAIGC, não são frutos do acaso nem da responsabilidade de uma única pessoa, por mais responsável que seja no partido. Resultam duma crise de liderança cuja raiz mais remota se situa no 20 de Janeiro de 1973, com a perda de Amílcar Cabral e conhece agravamento e extensão aceleradas, a partir de 14 de Novembro de 1980. Dessa data ao presente, nunca houve duradoira estabilidade na condução do PAIGC, por falta de competência, nomeadamente, dos seus principais dirigentes em cada etapa. Todas as direções saídas de sucessivos congressos do partido fizeram da expulsão principal arma de combate aos seus adversários internos. Todos, sem excepção! Nenhuma direcção concebeu e implementou um sustentado projecto de reforma do partido. Preferiu-se sempre varrer os problemas para debaixo do tapete. Porque não se cuidou do corpo partidário, tornou-se infestado de terríveis vírus que corroeram todas as direcções do partido e do Estado sob mandato do PAIGC e não só.

Com o advento da democracia, o PAIGC e demais partidos não entraram suficientemente preparados para exercer com competência no novo sistema. Em consequência, todos os principais partidos do país, progressivamente se tornaram em meros clubes de interesses de grupo, a digladiarem-se internamente e nos processos eleitorais, pelo controlo e delapidação dos recursos do país. A expressão maior desse facto são os sucessivos golpes, assassinatos de políticos, purgas internas, impunidade, sinais mais que evidentes de enriquecimento ilícito de gente no aparelho de Estado. Outra, é a progressiva desestruturação do Estado e a manutenção do país, (intencionalmente, para ganhos dos clubes de interesse), sem poderes locais eleitos pelas populações (autarquias). Uma espécie de apartheid num “Estado de direito”. Basta nos abeirarmos dos congressos de qualquer partido no país, para nos darmos conta, sem grande esforço, de que os grupos de interesse só têm como estratégia interesses próprios, que difundem todos com o mesmo discurso, prenhe de demagogia e populismo baratos.

No caso do PAIGC, há a dizer que do ponto de vista social e histórico é um partido resultante duma forte aliança entre o campo e a “cidade”, num país cuja “economia é agricultura”, em que ainda hoje, 80% da sua população vive directamente do campo e os restantes 20% vivem com um pé na bolanha e outro no alcatrão. Se traduzirmos estes factos para a esfera sociopolítica, veremos que é e será sempre um erro fatal para quem quer que seja o dirigente máximo do PAIGC, agir sem ter em devida conta esta realidade, como a teve Amílcar Cabral e venceu. Amílcar Cabral conseguiu manter e consolidar esta aliança, com a aplicação rigorosíssima do princípio de IGUALDADE DE OPORTUNIDADES PARA TODOS.

O nosso país chegou a independência sem uma elite digna desse nome, em termos quantitativos e muito menos qualitativos. O que o sistema colonial deixou é um embrião residual duma pseudo elite e fortemente alienada. Teimar em fazer dominante na esfera politica, os resíduos dessa camada forjada pelo sistema colonial, é absurdo e francamente impossível. Observe-se a cara social do país nos dias de hoje. Acredita alguém que a elitização em curso no país, deve ou pode obedecer a critérios coloniais de estratificação social? O ensino e o mercado estão abertos a todos. Hoje fidjus di bideras, camponeses e outros, que são a maioria esmagadora deste país, constituem a maioria de quadros qualificados deste país e dominam a esfera económica. Como vencer a nova elite em crescimento? Confundir alguém civilizado no presente com um “civilizado/ assimilado” do período colonial “ si ka tristi i ta da garaça”. Quem for Cabralista saberá que essa aberração histórica, foi uma das razões da Luta de libertação Nacional, organizada e conduzida pelo PAIGC, sob comando do genial AMILCAR CABRAL, que para prevenir as catalinadas de hoje no seu partido, de forma metafórica, recomendou o “suicídio de classe à pequena burguesia”.

AMILCAR CABRAL, JÁ ALVEJADO, MORTALMENTE, DE OLHOS FIXOS NOS EXECUTORES DO SEU ASSASSINATO, DISSE: “CAMARADAS, SE HÁ PROBLEMAS, DEVEMOS DISCUTI-LOS NO PARTIDO”.

Este legado de transcendente importância e utilidade no presente, interpela a todos os dirigentes, responsáveis e militantes cabralistas, do PAIGC, a uma reflexão serena, desinibida, visando a recomposição da direcção do partido.

Disse e repito: O PAIGC É UM PARTIDO LIBERTADOR A LIBERTAR. Explico: É um partido a reformar e modernizar. Tem doutrina, história, experiencia e competências suficientes para ser cada dia “mais partido” e melhor partido.

Se um dia for convidado pela direcção do PAIGC, a defender os meus pontos de vista acerca deste falso dilema (como o fizeram para participar na conferência patrocinada pelos 15), responderei pronto, como sempre o fiz nas horas difíceis na vida do partido ou da nação.

Em nenhum espaço me conformarei com a divisão de guineenses. Antes e mais que os cartões partidários, o nosso Bilhete de Identidade é que deve fazer de todos os filhos da Guiné-Bissau, partes unidas em defesa da mesma causa: NACIONAL


Com ERNESTO DABÓ

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

sábado, 14 de outubro de 2017

Vinde tomar parte! A festa está preparada

Reflexão de Georgino Rocha

Jesus prossegue o anúncio da novidade de que é portador: Deus é diferente do que imaginamos, o seu agir mostra claramente quem ele é. Visualiza o que quer transmitir com a parábola do rei que pretende fazer festa pelo casamento do filho. (Mt 22, 1-14). Envia os convites, prepara com requinte a ementa, espera pela resposta livre de cada um, não desiste perante a recusa nem altera o seu projecto, dirige-se a outros que aceitam prontamente, e o banquete realiza-se na alegria dos comensais que convivem em igualdade e se alimentam com as iguarias confeccionadas com primor e dignidade. A parábola é dirigida aos sumos-sacerdotes e anciãos do povo, isto é, aos responsáveis pela situação religiosa vivida e que desfigurava o rosto de Deus.

Mateus, hábil narrador, tem como “pano de fundo” os acontecimentos ocorridos em Jerusalém, pelos anos 70, aquando da destruição do Templo pelas tropas romanas. E realça a acção generosa do rei que selecciona cuidadosamente a lista dos convidados. Segundo a praxe, o convite é dirigido a amigos e a pessoas estimadas. São estas que projectam a sua imagem social, constituem como que o espelho da sua reputação, do reconhecimento público que lhe era dispensado, da gala de ilustres figuras que o rodeiam e acompanham. Estava em jogo o bom nome, a sua honorabilidade.

O Papa Francisco ao comentar esta parábola afirma: “Pobre Rei que tinha bem presente cada um dos que desejava ver no seu palácio. Desejava com o seu coração abrir os braços e receber o seu hóspede esperado, mas este não quis vir, simplesmente assim: não quis, não soube, ou nem quis saber”. Pobre rei que, apesar da insistência, se vê recusado sem qualquer explicação e pelas mais diversas razões. Não lhe dão a menor atenção. Indiferentes, uns; violentos e agressivos, outros. Todos recusam entrar em comunhão fraterna com ele. Dir-se-ia que estavam bem na situação em que se encontravam. “Os que se negam a ir à boda, explica J. M. Castillo (La religión de Jesús, ciclo A, p. 422) são gente de alta posição social e de muito dinheiro. Têm terras e negócios. Os que entram na boda são gente que não tem nada, os vagabundos dos caminhos”. Aqueles estão satisfeitos, acomodados, com seus privilégios e distinções. Deus não os suporta mais. Os outros acabam por ser os preferidos. Isto os fariseus não aguentam e maquinam a trama final da vida de Jesus.

O retrato dos chefes interlocutores saía em relevo. Mas a narrativa continua com novos requintes. “A festa de casamento está pronta, mas os convidados não a mereceram. Portanto, ide à encruzilhada dos caminhos e convidai para a festa todos os que encontrardes”. E a sala ficou cheia. Quem imaginaria o palácio real ocupado por esta gente tão diversa e desprezada: os marginalizados e excluídos sociais e religiosos, os maltrapilhos e deformados, os esfomeados e sedentos, os sem-abrigo nem protecção. A sala coloriu-se com todos eles, que simbolizam os membros do novo povo de Deus. Os primeiros, os responsáveis religiosos dos Judeus recusam e vêem-se preteridos; os segundos aceitam e são contemplados com os bens messiânicos, os do banquete oferecido.

A parábola contém outros elementos de grande significado. Faz, como que em antecipação, o relato do que vai acontecer. O filho é Jesus que celebra a ceia de despedida com os discípulos antes da paixão e da morte que o elimina e abre a porta à sua ressurreição. Os enviados foram os profetas e agora são os cristãos animados pelo Espírito Santo congregados em Igreja e prontos para a missão. O rei é Deus que persiste em levar por diante o projecto de salvação, respeitando a liberdade humana, mas exigindo comportamentos responsáveis. O tempo coincide com a história que, em género de livro da vida, regista o percurso de cada um de nós. No fim será consumada a festa do banquete em que todos participam, uma vez que se apresentam com o traje do bem feito em obras de justiça, misericórdia e perdão, de graça e benevolência, sobretudo em favor dos que estavam nas encruzilhadas dos caminhos e nas bermas da sociedade e das religiões. (Apoc. 19, 8).

A festa está pronta. Vinde tomar parte. Ouvimos na celebração da Eucaristia: “Felizes os convidados para a ceia do Senhor”. Aceita o convite e prepara-te para comungar dignamente