terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Umaro Sissoco Embaló exonerado do cargo de primeiro-ministro da Guiné-Bissau

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, exonerou hoje Umaro Sissoco Embaló do cargo de primeiro-ministro, anunciou a presidência guineense, citando um decreto presidencial

O documento anuncia que José Mário Vaz aceitou o pedido de demissão apresentado por Sissoco Embaló, numa carta que este lhe endereçou no passado dia 12.

O decreto assinala ainda que está em curso no país um processo de diálogo com vista à procura de uma saída para a crise política, com o chefe do Estado a consultar regularmente as forças vivas da sociedade, contando com o apoio dos parceiros da África Ocidental.


Ainda não é conhecido o nome da figura que irá substituir Umaro Sissoco Embaló, que esteve no cargo de primeiro-ministro durante 15 meses. Com a Lusa


domingo, 14 de janeiro de 2018

QUE PROCURAIS? PERGUNTA-NOS JESUS

A pergunta de Jesus feita aos discípulos de João que o seguiam abre a nova fase do Ano Litúrgico que a Igreja nos propõe para celebrarmos. É uma fase que valoriza o tempo comum, a normalidade da vida, o quotidiano. É uma fase que destaca a grandeza das “rotinas” assumidas como espaço de realização pessoal e oportunidade de salvação. É uma fase que convida a mergulhar na profundidade do ser cristão que se expressa no viver e conviver diários, revigorados pela confiança e pela alegria do Evangelho. (Jo 1, 35-42).

Os discípulos são dois. Um é André e o outro não tem nome. Possivelmente, será João, o autor do relato. Mas pode haver outra intenção. E o nome ser o da pessoa que segue Jesus, em qualquer tempo, anda à procura de saciar o desejo de se encontrar com Ele, de saber por experiência o que vai escutando de outros. Que bom! Todos lá cabemos. Tu e eu. A resposta fica nas nossas mãos. A atitude dos discípulos abre caminho à nossa decisão. Vamos acompanhá-los mais de perto.

O seu mestre, João Baptista, estava parado nas margens do rio Jordão. Jesus ia em movimento. Ele está prestes a sair de cena. Jesus a entrar em missão, na vida pública. João não retém os discípulos, mas liberta-os e encaminha-os. Jesus acolhe e, pedagogicamente, inicia um diálogo de aproximação e convite. Diálogo que o narrador resume a perguntas emblemáticas: “Que procurais? Mestre, onde vives? Vinde e vereis”. Perguntas que ficam a ecoar na história à-espera de interlocutores motivados para que haja encontro pessoal e comece a nova relação que humaniza e salva.

“Os que se puseram a seguir Jesus, atesta J. M. Castillo, La religión de Jesús, p. 62, queriam ver onde vivia. Viram e ficaram com Ele e convenceram-se de que era o Messias. O sítio onde cada um vive indica o estilo de vida que leva”. Só ele convence e atrai. Ou escandaliza e afugenta. É atraente ou repelente. Foi assim nas margens do Jordão. Será assim em todos os lugares da terra habitados por discípulos missionários de Jesus, coerentes e ousados.

“Mestre, onde vives?” é pergunta resposta dos discípulos desejosos de saber onde morava Jesus. É pergunta acutilante que mantém toda a actualidade: Onde está Jesus, com quem permanece, que preferências revela, quem escolhe para companhia, que relação estabelece entre os que o seguem, que missão lhes confia? É pergunta dirigida a cada um de nós: Onde estás tu e onde encontras firmeza e estabilidade?

“Jesus permanece no Pai, na sua Palavra, no seu amor, adianta Manicardi, p. 92. E os discípulos são chamados a percorrer o mesmo caminho: permanecer na Palavra e no amor do Filho para habitar com Deus”. São chamados a cultivar a vida interior, dando atenção à oração que ilumina a consciência e aos sacramentos que a revigoram, à descoberta vigilante da novidade que o Espírito de Deus suscita para renovar a sociedade e promover o cuidado da criação. “A fé torna-se assim experiência de o Senhor habitar com o crente”.

“Vinde e vereis” é convite promessa feita por Jesus. Os discípulos foram, conviveram e fizeram uma experiência tão agradável que memorizaram a hora do encontro e despertaram para a urgência missionária. Que maravilha! André vai ter com o irmão Simão. Depois é a vez de Filipe fazer o anúncio a Natanael. E assim até hoje. É sempre uma testemunha a contagiar outros a fim de viverem o dinamismo da fé. Deus assim quer. Jesus assim faz. A pessoa assim reage e procede. A Igreja assim vive. O que de bom se experiencia cresce com a alegría da comunicação, do encontro, da comunhão. As mediações humanas são necessárias para descobrir e identificar a vontade Deus.

O Papa Francisco afirma aos participantes no congresso mundial: “Educar é introduzir na totalidade da verdade”; congresso realizado em 2015 e dedicado ao tema: “Educar hoje e amanhã: uma paixão que se renova”. Deste modo lança um dos maiores desafios do nosso tempo e deixa a garantia de que “a cultura do encontro se forja na graça do encontro mais fecundo com o amor de Deus, convertido em feliz amizade, comprometido na transformação da sociedade. Formação integral, dar-receber-agradecer são chaves conceituais de todo sistema moderno de verdadeira educação cristã”.


“Que procurais? Vinde e vereis” é lema que expressa bem o desejo humano a que dá resposta plena a garantia de Jesus. Acredita!

CINCO BOMBAS SOBRE A HUMANIDADE

Cronica de Anselmo Borges, no Diário de Notícias

Escrevi aqui, em duas crónicas, sobre os triunfos da humanidade em relação à fome, à pobreza, à saúde, ao saber, à liberdade, à igualdade... Foram apresentados factos, números, estatísticas, inegáveis. Isso tem de ser registado, para que se saiba do nível actual sem precedentes nos padrões de vida globais. Mas não quereria que se ficasse com a ideia de um optimismo ingénuo. Na verdade, é preciso ser realista e tomar consciência, como acentua o filósofo e teólogo Xabier Pikaza, das cinco bombas que pesam sobre a humanidade e que podem destruí-la pura e simplesmente. A ameaça maior para a Humanidade na actualidade tem que ver com o seu excesso de poder, de tal modo que, sem diálogo, sem uma mudança de paradigma, ela pode auto-eliminar-se. Quais são essas cinco bombas e o seu risco?

1. Vimos da natureza, mas é em nós que a natureza e a sua história tomam consciência de si. Somos da natureza, mas, ao mesmo tempo, na natureza, contrapomo-nos a ela, reflectimos sobre nós e sobre ela. Temos capacidade para descobrir os seus segredos, as suas leis, os seus mecanismos interiores, e tanto podemos servir-nos dela, contemplá-la na sua grandeza e beleza, como destruí-la. Aí está o armamento nuclear, atómico, que pode dar azo à total destruição da natureza e da humanidade. Antes, não tínhamos, mas agora temos a possibilidade de realizar um suicídio global. Muitos países possuem ou possuirão armas atómicas e, com esse meio, podem acabar com a vida e a humanidade toda no planeta. O Papa Francisco não se cansa de repetir que a Terceira Guerra Mundial está em curso, embora aos pedaços, às fatias, e o receio é uma guerra total, que pode tornar-se uma guerra nuclear. Suponhamos que um grupo terrorista se apodera de armamento atómico...

2. O outro risco é o da bomba biológica. Até agora, o processo da vida tinha-se desenvolvido por si mesmo, com mutações genéticas e orientando-se através do acaso e da necessidade. E aparecemos nós: sapiens sapiens, devendo sempre acrescentar-se e demens demens - sapiente sapiente e demente demente. Descobrimos que podemos intervir nesses mecanismos e processos, suscitando e seleccionando mutações, intervindo no desenvolvimento da vida vegetal e animal e também humana. Essa capacidade de influir na genética pode trazer vantagens e ser boa; mas, quando se manipula os genes para serviço de alguns ou de interesses incontroláveis, ficamos frente à bomba genética e é o próprio ser humano que está em perigo de destruição. O que queremos e o que vamos fazer com as NBIC (nanotecnologias, biotecnologias, inteligência artificial, ciências cognitivas e neurociências), a caminho do trans-humanismo e mesmo do pós-humanismo? Ainda queremos seres humanos, fins em si mesmo, autónomos, ou como meios para outros fins (económicos, sociais, militares)?

3. A encíclica do Papa Francisco, Laudato Si", sobre o meio ambiente e a ecologia, fará certamente história, marcando-a, podendo mesmo tornar-se o documento papal de sempre com mais influência. Nela, Francisco avisa para as ameaças ecológicas, iminentes. A poluição aumenta assustadoramente, há resíduos tóxicos de todo o tipo por todo o lado, incluindo nos oceanos, o aquecimento global não pode ser negado... Ainda iremos a tempo de evitar o cataclismo e o point of no return nos equilíbrios naturais? Talvez a maior novidade da encíclica consista em ter vinculado o movimento ecológico com a justiça social. Ecologia ambiental e ecologia humana são indesvinculáveis. Escreve Francisco: "O planeta continua a aquecer, em parte por causa da actividade humana: 2015 foi o ano mais quente alguma vez registado e provavelmente o ano de 2016 sê-lo-á ainda mais. Isso provoca seca, inundações, incêndios e fenómenos meteorológicos extremos cada vez mais graves. As alterações climáticas contribuem também para a dolorosa crise dos emigrantes forçados. Os pobres do mundo, que são os menos responsáveis pelas alterações climáticas são os mais vulneráveis e sofrem já os efeitos."

4. O Papa condena uma situação na qual "os poderes económicos continuam a justificar o actual sistema de economia autónoma, de tipo financeiro, na qual primam uma especulação e uma busca de lucro que tendem a ignorar os efeitos que produzem na dignidade humana e no meio ambiente", esquecendo que "a degradação ambiental e a degradação humana e ética estão intimamente unidas". Aí está, pois, a quarta bomba: o grande enfrentamento, devido à injustiça social no mundo. Dou um exemplo: se não houver desenvolvimento na África, também com o apoio dos países ricos, por causa da fome e da desertificação no continente não haverá muros que detenham milhões de emigrantes africanos às portas da Europa.

5. A quinta bomba: o cansaço vital. Sem transcendência e sentido, sentido último, viver para quê? "O risco maior deste mundo é já o cansaço da vida, que se mostra na necessidade de fármacos e drogas que se consomem, na quantidade de suicídios que se cometem." Mais do que de dominar tecnicamente o mundo, precisamos de aprender a "fruir a sua beleza, reconhecendo todos os dias o valor da vida e bendizendo Deus por ela".

6. Frente às ameaças do mundo e da humanidade, precisamos de um novo macroparadigma. Num mundo limitado, não é possível um desenvolvimento sem limites; face ao consumo desenfreado, precisamos de reaprender a viver com moderação; face ao mito da razão instrumental, com todas as suas consequências, temos de voltar à razão cordial, que sente; frente ao narcisismo idolátrico, temos de reaprender o que é uma sociedade convivial, do diálogo. E é possível, talvez necessário, pensar, através do encontro de representantes das grandes religiões mundiais e correntes de pensamento, numa Proclamação Solene à Humanidade sobre as condições de possibilidade para ela ter futuro.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

Será que a cidade de Bissau está preparada para receber os seus filhos que vivem no estrangeiro?

Por, Jornalista Braima Darame

Coloquei essa questão a mim próprio aquando do meu regresso a Bissau em Dezembro último. Perante as evidências, não restam dúvidas de que, milhares de guineenses radicados no estrangeiro vêm à terra natal gozar férias, aproveitando para renovar os seus documentos. Consta que há quase excesso de pessoas na capital do país.

A 28 de Dezembro, o voo Lisboa-Bissau tinha 368 passageiros, que lotaram completamente a zona das chegadas do aeroporto internacional Osvaldo Vieira em Bissau. O espaço físico era manifestamente pequeno para albergar o número elevado de passageiros que aterrava na capital guineense. O pequeno tapete rolante das bagagens estava literalmente sem capacidade para despachar as muitas malas acabadas de chegar, pois é, na verdade, demasiado pequeno. Os passageiros não cabiam no espaço de recolha das malas. Reinava o caos e a confusão na recolha das bagagens. Depois de horas a fio, já com as malas, surge outro problema: a falta de carrinhos para as transportar. As mesmas têm que passar pelo controlo de raio-x, o que também provoca uma enorme fila dos passageiros, já de si muito cansados. Fora da zona das chegadas, com as obras no parque de estacionamento do aeroporto, é quase impossível conseguir espaço para estacionar.

Há muito que se reclama um novo aeroporto no país, como, por exemplo, aquele - novinho - de Dacar, a capital senegalesa. Recordo que as autoridades nacionais repetiram - em alto e bom som - que gostaram muito da obra feita no país vizinho. Foram muitos os elogios aos senegaleses pela visão e capacidade de realização. Faltou só pedir aos senegaleses que "colocassem" o antigo aeroporto de Dacar em Bissau.

Nos dias seguintes, repete-se o cenário habitual: nos lugares públicos em Bissau ouve-se repetidamente os que vivem cá a dizer: "Voltem para a Europa para que possamos viver na normalidade. Bô intchinu terra kun."

Nas discotecas faz-se longa fila nas bilheteiras e dentro, quase que não se encontra espaço para dançar. Muitos dizem: "Eu não vou à discoteca até quando voltarem para a Europa, porque não há espaço sequer para nada." O mesmo acontece nos serviços de Emigração, para a renovação dos passaportes e, nos de Identificação. Convém salientar que há um único sítio em Bissau para solicitar a emissão do Bilhete de Identidade, o mesmo para o passaporte.

Nas estradas, principalmente na avenida principal, o trânsito é intensíssimo durante quase todo o diana zona de Chapa. Muita viatura na via! É que os que vêm não param: estão em todo o lado! Desde Novembro que as companhias aéreas vêem os seus voos lotados para Bissau.

Mas será que a cidade capital é demasiado pequena para receber os emigrantes?

As crianças guineenses que nasceram na Europa, quando estão de férias na terra natal, não têm sequer um parque/espaço de diversões, digno do termo, para brincar. É tudo e só, armazéns em Bissau! A cidade está a crescer de forma desorganizada, sem espaços de lazer; não há cinemas, bibliotecas, espaços polivalentes, parques de diversão, salas para concertos etc. Há sim, sedes partidárias por todo o canto e, vivendas dos que passaram pela governação, construídas nas zonas nobres, como se a riqueza deste país fosse só para sustentar a vaidade e os caprichos de alguns.


O legado que estão a deixar aos jovens subentende que o caminho ideal para ser bem-sucedido na vida é roubar do Estado - quando for " Djinton di praça". Depois, tentar usar o mesmo dinheiro para a compra de consciências, promovendo a divisão social no seio da família guineense.

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

sábado, 6 de janeiro de 2018

FESTA DA EPIFANIA DO SENHOR

A estrela dos Sábios do Oriente que procuram Jesus, recém-nascido, surge como o grande referencial para quem deseja encontrar a verdade. Procura porque o seu espírito a intui e a vê partilhada por outros. Procura porque reconhece os sinais da novidade que vão surgindo um pouco por toda a parte e quer captá-los e entrar em sintonia. Procura porque sente o impulso de uma secreta esperança que anima os caminhos da vida.

Jesus, o procurado, irradia a sua luz a partir da encarnação, fazendo-se humano. Constitui assim um novo espaço de encontro com toda a humanidade: homens e mulheres, povos e raças, judeus e pagãos, novos e velhos, camponeses e citadinos. Hoje é o dia do encontro oferecido por Deus na gruta de Belém, aonde chegam os Sábios Reis vindos do Oriente, após terem feito um percurso que fica como iluminação de todos os que se dispõem a ser cristãos discípulos de Jesus, a Estrela por excelência. E a liturgia da Igreja destaca este encontro como meta de convergência do tempo de Natal que manifesta novos horizontes: A Belém acorrem os pastores; ao Templo, o velho Simeão e a profetisa Ana, símbolos queridos dos fiéis judeus; a Jerusalém se dirigem, rumo a Belém, os Sábios Reis. (Mt 2, 1-12).

De Belém, a pequena aldeia de Judá, a “mão de mestre” de Mateus guia os nossos passos para a universalidade dos povos, para o encontro das culturas, para a aliança da razão e da fé, chamadas a construir a harmonia sinfónica em cada um de nós. A contra-luz, fica o choque dos acomodados e seguros, bem representados por Herodes e letrados do país, políticos hábeis e pretensiosos, sacerdotes do templo-garante do usufruto do estatuto alcançado. A sua atitude mantém-se actual com rostos visíveis e provocadores. Do início ao fim, o relato de Mateus evidencia este contraste: rejeição de uns e aceitação de outros. No Calvário é o centurião romano e o ladrão da direita que confessam publicamente que Jesus é o Salvador, o filho de Deus. Enquanto, os judeus o desprezam e o condenam a morte humilhante.

A narrativa de Mateus é tão rica que vale a pena seguir os seus passos. Tudo acontece no tempo do rei Herodes, isto é, na história e na cultura, na política e na economia, pois Roma exercia domínio vigilante sobre a Palestina e impunha a sua ordem imperial. O ocorrido em Belém tem data, rostos humanos, que espelham condições sociais e religiosas diferentes.

A Jerusalém chegam uns sábios provindos do Oriente Médio, sendo difícil actualmente identificar o país de origem. A cena ocorre nesta região do mundo onde se centra, também hoje, o choque evidente do poder e da razão, do direito de todos à convivência pacífica e a exclusão forçado de muitos, da memória histórica comum e da força do facto político criado. O Papa Francisco e o Secretário-geral da Nações Unidas, António Gueterres, bem como outros líderes mundiais e organizações humanitárias erguem a voz e propõem a busca de soluções dialogadas pelas partes em os conflitos.

Herodes fica alarmado com a notícia das visitas, convoca a corte dos conselheiros, apura a verdade das profecias, dá recomendações para o caminho a quem está em trânsito e toma as suas precauções. Tudo parece sinceridade e cortesia, fruto de um coração generoso e bom. O final da cena revela as reais intenções escondidas nesta perfídia. A matança das crianças – os chamados santos Inocentes – fica como ocorrência emblemática do que vem a acontecer ao longo da história. Ainda hoje, infelizmente!

Os peregrinos da verdade avançam “entre trancos e barrancos” como diz o povo, sempre guiados pelo desejo ardente de encontrar, beneficiando da luz da estrela da razão ou sentindo o peso da escuridão e da dúvida, típicas de quem ousa tentar, mesmo às “apalpadelas”. A coragem de resistir e querer levar por diante a decisão tomada revela uma apreciável consistência interior e uma firme clarividência do objectivo a alcançar. A qualidade do humano, que há em nós, mostra-se no seu esplendor. A confiança anima o caminhar.


E chegam finalmente. A estrela indica o local onde se encontra o procurado. A surpresa terá sido total: um Rei feito menino; uma gruta convertida em palácio; uma companhia de pessoas tão simples e silenciosas que nem sequer lhes dão as boas-vindas (pelo menos o relato não refere, certamente porque Mateus quer centrar a intensidade do encontro na atitude dos recém-chegados). E esta atitude torna-se emblemática para sempre: Ajoelhados, oferecem os símbolos da sabedoria iluminada pela fé: O ouro da realeza do serviço humilde que salva; o incenso da dignidade humana que espelha a novidade divina; a mirra da fragilidade das criaturas sempre necessitadas umas das outras e do Criador. Atitude que manifesta a humanidade de Deus e a divindade do Homem; Deus em nós e nós com Deus. Apreciemos quem somos e deixemos irradiar a luz que nos habita. E revigoremos a esperança no nosso peregrinar.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Guiné-Bissau: COMO É GERIDO DINHEIRO PÚBLICO DO NOSSO PAÍS?

Orçamento público é um instrumento de planeamento e execução das finanças públicas. Na atualidade, o conceito está intimamente ligado à previsão das Receitas e à fixação das Despesas públicas. Na Guiné-Bissau, como em qualquer outro país do mundo, sua natureza jurídica é considerada como sendo de lei em sentido formal, apenas. Isso guarda relação com o caráter meramente autorizativo das despesas públicas ali previstas. O orçamento contém estimativa das receitas e autorização para realização de despesas da administração pública direta e indireta em um determinado exercício que, Na Guiné-Bissau, como em qualquer outro país do mundo, coincide com o ano civil.

Por, Dr. M’bana N’tchigna

Começo com o caso de fundo denominado de: “Fundo de Promoção à Industrialização de Produtos Agrícolas (FUMPI).

Este fundo cujo Banco Mundial nunca concordou com a sua criação, salvo erro, foi criado no ano de 2011. Sabe-se que quem contribuiu neste fundo foi o nosso simples agricultor, dono de plantação de cajueiro e mais outros simples agricultores humildes de subsistência honesto do país.

Um fundo que deveria beneficiar seus contribuintes não foi o que aconteceu. De tantos centenas de milhares que foram arrecadados nessa iniciativa constatou-se que cento e cinqüenta milhões de franco CFA (CFA 15.000.000,00) fôramos desviados na gestão do então governo.

Essa quantidade é o que foi descoberto, imagine o que não foi descoberto neste fundo e noutros seguimentos de desvios que acontecem nos órgãos públicos que talvez nunca se descobrirão.

Todo isso acontece por causa da desorganização que país sofre que é visível através de má gerência de poder público como, por exemplo: promulgação de empresas e concessões de licitações para contratar sem concurso público.

Além de mais não se averigua a competência da empresa prestadora do serviço se possui condições para oferecer o serviço de qualidade que país necessita.

Para piorar, não se fiscaliza a serio qualquer empresa que atua no país. Não há existência de Comissão de Parlamento de Inquérito (CPI) que fiscaliza quem quer que seja. Seja corpo jurídico e física dentro do governo.

É de lembrar que é assim que no governo de ex primeiro-ministro Simão Perreia saiu 14 contentores da Guiné Bissau com areia pesada sem que essa empresa explique os pormenores de o por que.

A única explicação que conseguiram dar a nossa autoridade é que areia estava saindo para análises laboratoriais. Mas, precisa-se levar toda área para se confirmar sua qualidade e se valor comercial…?

Num volume de 80 bilhões de CFA arrecadados na gestão de Geraldo Martins 59 bilhões simplesmente desapareceram do cofre público. E ninguém é capaz de explicar o povo da Guiné Bissau o paradeiro desse valor até hoje.
Finança Pública da Guiné Bissau virou o covil de ladrões que usam cargos públicos para se enriqueceu.

Tenho impressão de que setenta por cento (70%) de arrecadação na finança da Guiné Bissau, não vai para servir a nação guineense. É minha impressão apenas... Esse valor -70%, vai diretamente para bolsos de saqueadores.

Ministério de Finança só recolhe dinheiro, mas nem vigia e muito menos tem coragem de denunciar quem levantou/a valores indevidos naquela instituição.

Volto falar como mencionei acima; o sistema fiscal e a reforma fiscal que temos em Guiné Bissau simplesmente não funcionam para o povo que tem pagado impostos honestamente.

Enquanto isso assistimos hospitais, postos de saúde, escolas e outras infra-estruturas publicas como lançamento de construção de estrada Búba/Catio, por exemplo, parado.

O grave no país é até hoje o maior empregador. Só Estado emprega. E mesmo que Estado empregasse, mas que colocasse os melhores que realmente respondessem ao trabalho serio e honesto com competência. Seria alguma coisa de melhoria para responder a expectativa do povo. Mas Estado da Guiné Bissau, não observa o princípio de méritogarcia.

Cargos públicos continuam sendo cedidos na base de amizade e de laços parentescos. Isso é o mal incentivador a preguiça e a incompetência de quem não quer se esforçar para conquistar honestamente seu espaço e contribuir melhor para nossa nação. Sobretudo na arena política.

Para terminar, veja o bom exemplo de outros países. Tanzânia e Ruanda está nos dando exemplo hoje de como se gere país seriamente através dos seus líderes.

Brasil também já recuperou seiscentos e cinqüenta milhões de reais (R$ 650.000.000,00) através da investigação criminal de CPI da Polícia Federal brasileira denominada “OPERAÇÃO LAVA-JATO” devolvido ao cofre público. E vários criminosos presos estão cumprindo penas e perdendo mandatos.

É apenas em torno de 20% de que foi desviado, mas já é alguma coisa para povo brasileiro.

E... em Guiné Bissau..? Quem foi preso, quem perdeu mandato e quem devolveu o que roubou do cofre público..?

Relembro o título da minha publicação do dia 22 OUT. do ano em curso. “A CERTEZA DA IMPUNIDADE É O MAL NEFASTA AO NOSSO PAÍS (GUINÉ BISSAU) para dizer que é esse país que merecemos!

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

Festa da Sagrada Família: Em família, Jesus cresce em sabedoria

Lucas, o narrador dos relatos da Infância de Jesus, traz-nos, hoje, o estilo de vida da família de Nazaré, após a apresentação do Menino no templo de Jerusalém. (Lc 2, 22 e 39-40). E a Igreja destaca este estilo de vida como característica peculiar da Sagrada Família, dedicando-lhe a festa que estamos a celebrar, e como foco inspirador de toda a família humana, especialmente a cristã.

De facto, é neste modelo ideal, que os textos evangélicos apresentam, que se vão “desenhando” os valores estruturantes de toda a convivência humana, relacional, conjugal, eclesial; de toda a família em que as relações interpessoais estão marcadas pela vida de “comunhão” no seio de uma comunidade que São João Crisóstomo qualifica de “igreja doméstica”. Feliz expressão que desvenda horizontes novos que mobilizam as melhores energias humanas. Feliz expressão que mostra a riqueza de uma realidade insubstituível, apesar da fragilidade que a constitui. Feliz expressão que alia a seiva que circula nas veias do corpo aos laços da fé, gerando uma harmonia digna do maior apreço.

Hoje, somos convidados a relançar o olhar atento e carinhoso à nossa família de sangue, a admirar o que lhe dá vigor e consistência e é fruto do nosso cuidado constante, a reconhecer que há sombras a iluminar e limites a superar. Numa atitude sadia, sem ingredientes de fantasia adolescente nem de desilusão acabada. O Natal ensina-nos a viver um realismo confiante.

Lucas condensa o que acontece a Jesus na família de Nazaré em duas simples frases: “ O Menino crescia, tornava-se robusto e enchia-se de sabedoria. E a graça de Deus estava com Ele”. Resumo denso e eloquente, onde brilha a luz que irradia para todo o mundo; onde, para evitar dispersões, se resume o núcleo da novidade cristã, que convém saborear e transmitir.

A família de Nazaré mostra-nos o valor do acolhimento que se abre à surpresa de Deus e, como humana que é, dá o seu consentimento livre após o diálogo de clarificação indispensável. O Evangelho de João faz-nos ver a origem da decisão de Deus quando o Seu Verbo de faz carne. Lucas e Mateus narram com delicados pormenores o que acontece a Maria e José. E, segundo eles, Jesus é o Mestre do acolhimento incondicional. Que oportunidade de mensagem quando tantas atitudes mostram fronteiras fechadas, casas trancadas, corações blindados. A par de tanta abertura e solidariedade, a sociedade e a Igreja, a família e as associações humanitárias ainda persistem na discriminação e na exclusão. Nem todas por igual, é certo. Mas com acentos bem notórios e indignos da nossa dignidade comum.

Maria e José acolhem-se mutuamente: como noivos que aguardam o tempo necessário para a vida em comum; como responsáveis pela vida nascente da parte de Deus em Maria; como fiéis cuidadores do Menino e de suas múltiplas necessidades. O relato deste cuidado traz-nos um fio de ouro a brilhar nas peripécias que vão ocorrendo e nas atitudes de paciência humilde e de coragem confiante que vão cultivando.

Da experiência inicial de acolhimento mútuo, abrem-se aos outros, a Isabel e a João Baptista, a Simeão, a Ana e a tantos nazarenos que lhe batem à porta ou encontram na rua. A vizinhança constitui um bom espaço para o exercício deste valor humano. E a família alargada, também, sobretudo os idosos que o Papa Francisco considera, por vezes, “exilados ocultos” nas suas casas ou na dos filhos, em lares e residências.

Do aconchego na gruta de Belém, apesar da pobreza inclemente, e silêncio contemplativo e da admiração suscitada pelo que se diz do seu Menino, são forçados a partir para o desterro, a enfrentar a intempérie do deserto, a abrigar-se em qualquer recanto do país de destino. São induzidos a regressar à terra natal, a estar em Jerusalém e satisfazer as prescrições legais, a debater-se com desencontros numa das idas ao Templo com o seu Menino, agora adolescente.

As fronteiras do seu coração iam alargando. E as margens do possível atingem uma medida única: a de ver o Filho deixar a casa familiar e começar a sua missão em público, como profeta itinerante nas terras da Galileia. Atitude quem nem os outros familiares compreendem. Só se aceita por amor confiante e dedicação exclusiva porque “a graça de Deus estava com Ele”, afirma Lucas na conclusão da leitura de hoje.

Maria, sua Mãe, deixa-nos um eco da sua estranheza: “Filho, porque procedeste assim connosco?” Pergunta a que Jesus responde com outra que desvenda a nova dimensão que já vive e que se propõe anunciar: “Não sabíeis que devo estar na casa de meu Pai?”. O caminho para Jerusalém deixa-nos indicações preciosas e claras sobre este ponto.

Os conterrâneos de Nazaré fixam-se no tempo em que vive com eles, ia à sinagoga, trabalha e convive. “Nascido de Maria, Jesus de Nazaré andou pelos caminhos de terra da humanidade, afirma em síntese de retrato que alarga os tempos iniciais.

Sim é Ele, podemos dizer nós com fé de convicção. A sua Família ficará a ser para sempre o referencial para a nossa humanidade e os seus valores a iluminar os nossos esforços generosos em lhes darmos rosto irradiante de beleza, amor e paz. E a Igreja, como mãe solícita, sobretudo das pessoas mais necessitadas, recomenda o Papa Francisco: “deve pôr um cuidado especial em compreender, consolar e integrar”, evitando agravar a sua situação já tão sofrida. (AL 49).

A família de Nazaré ensina-nos a ser agradecidos. Tal como Jesus tem em José e Maria os seus referentes iniciais, assim todo o ser humano necessita absolutamente de os ter. Não pode haver orfãos biológicos, sociais, culturais ou religiosos. O sentimento de pertença está primeiro. O olhar sorridente da mãe e os braços robustos do pai ajudam a estrurar a personalidade de cada um/a.


Em família, Jesus crescia em humanidade, robustecia-se em sociabilidade e enchia-se de sabedoria. Oxalá se possa dizer o mesmo de todas as crianças do mundo porque beneficiam do suporte de um ambiente familiar tão consistente que os pais e avós lhes proporcionam.