segunda-feira, 5 de março de 2018

As Forças Armadas Revolucionarias do Povo guineense estão de luto


O malogrado desempenhou várias funções ao longo da sua carreira militar, passando pela unidade de Defesa Antiaérea, de chefe do Departamento de Armamento e Munições do Estado Maior General, de Comandante de Zona Militar Centro, Comandante-Adjunto do Comando Conjunto do Estado Maior General entre outras. Participou entre 1975-76 em Angola, no quadro de CONCP, na missão militar que visava travar o avanço irresistível das forças inimigas da UNITA em direcção a capital Luanda. 1978-79.

No mesmo quadro de CONCP integrou no contingente guineense em missão de protecção da ilha de São Tomé, ameaçada por mercenários que pretendiam invadi-la. 1993-94, é mais uma vez integrado no contingente de observadores militares da Missão de Operação de Manutenção da Paz (ONUMOZ) em Moçambique.

O Brigadeiro-General Caramo Cassamá, nasceu no dia 25 de maio de 1955 em Binar, região de Oio, sector de Bissorã, ingressou nas Forças Armadas Revolucionarias do Povo em 1970. Com as FARP’s

sábado, 3 de março de 2018

AMEAÇAS PARA A HUMANIDADE


Crónica de Anselmo Borges, no Diário de Notícias

A história da humanidade é feita de êxitos e fracassos, avanços e recuos, conquistas e derrotas, guerras e algum tempo de paz, esperanças e ameaças.
A novidade das ameaças, hoje, é que são globais. Numa obra lúcida, acessível, L"Humanité. Apothéose ou apocalypse?, com contributos de pensadores de vários horizontes e dando uma panorâmica do que está em jogo no século XXI, J.-L. Servan-Schreiber, optimista quanto ao futuro, apresenta também algumas dessas ameaças, obrigando a reflectir. Sintetizo.

1. Aquecimento global. Uma ameaça que todos têm presente: o aquecimento climático. Apesar da oposição de Trump e de as medidas concretas não serem suficientes, cresce a consciência do problema, que é realmente dramático.

2. Excesso de população. E a questão é que o crescimento da população se dará sobretudo nas regiões mais pobres, desencadeando ondas de emigrantes a fugir da miséria. Por outro lado, o envelhecimento das populações trará problemas explosivos para a saúde.

3. A falta de água potável. Consequência inevitável da explosão demográfica em certas zonas do mundo, desencadeando guerras para o seu controlo.

4. Esgotamento haliêutico. Pensa-se que a pesca excessiva, consequência da predação marítima industrializada, já acabou com cerca de 90% dos peixes comestíveis nos oceanos.

5. Fome. À escala planetária seria possível em princípio alimentar a maior parte das pessoas, mas "alguns países demasiado pobres, com governos corruptos, sobretudo na África subsaariana, estão à mercê de uma conjuntura climática desastrosa ou conflitos que desorganizarão a sua cadeia alimentar".

6. Desertificação. A superfície dos desertos, que "já ultrapassa 25% das terras emersas", aumentará rapidamente por causa da combinação do aquecimento climático e da destruição dos solos férteis pela acção humana.

7. Miséria. 1,5 mil milhões de pessoas vivem hoje em condições inumanas. O crescimento ainda rápido da população fará aumentar o seu número nos países mais pobres. Nos mais desenvolvidos, "as crises económicas multiplicam os sem-domicílio-fixo".

8. "Favelização". Dentro de trinta anos, a urbanização atingirá 85% da população mundial, com a consequência de megalópoles não geríveis e massas de pessoas a viver em tugúrios insalubres.

9. Migrações incontroláveis. Já se pode antever na presente situação da Europa o que poderá vir a acontecer a nível mundial: com o excesso de população, o aquecimento global e a desertificação, vamos assistir a multidões de migrantes desenraizados e mal acolhidos por todo o lado.

10. "Democraturas" e populismos. Metade das nações não vive em democracia política, mas em regimes de "democratura" (junção de democracia e ditadura). Nos nossos países, "as derivas populistas, xenófobas ou policiais alimentam-se das crises migratórias e dos temores de pauperização entre as classes médias".

11. Terrorismos. Prosseguirão de modo metódico matanças indiscriminadas por terroristas desesperados. "O sentimento de insegurança dá a volta ao mundo e intensifica regressões políticas."

12. Disseminação das armas de massa. "Armas hiperdestruidoras, nucleares e biológicas, tornam-se cada vez mais fáceis de fabricar." Podemos, pois, antever chantagens de mafiosos e fanáticos, ao lado do terrorismo actual.

13. Holocausto nuclear. A possibilidade de aniquilação da humanidade está cada vez mais presente. Suponhamos armas nucleares nas mãos de grupos terroristas e proliferação nuclear em países instáveis.

14. "Singularidade" tecnológica. É toda a problemática do transumanismo e do pós-humanismo, com as NBIC (nanotecnologias, biotecnologias, inteligência artificial, ciências cognitivas, ciências do cérebro) e a IA (inteligência artificial) forte - voltarei proximamente à questão. "Cientistas sérios anunciam que, antes de meados do século, o poder das máquinas interconectadas escapará aos humanos. As consequências, até agora imprevisíveis, poderiam constituir a mais global das ameaças, mas também a entrada numa era de potencialidades ilimitadas para o bem-estar da espécie. Uma e outra são possíveis, pois cair-se-ia de repente no totalmente inexplorado."
Nestes domínios, "a distância entre o poder fulgurante das tecnologias e a irracionalidade dos que dele dispõem constituirá o perigo dos perigos".

15. O ogro chinês. O centro de gravidade da humanidade vira-se para o Oriente, com a China a tornar-se em breve a primeira potência mundial. Consequências?

16. O fim do trabalho. Entre outras consequências das novas tecnologias - pense-se na robotização crescente -, quem tem pensado verdadeiramente no que vai significar uma sociedade sem trabalho? O que antes poderia ser um sonho - viver sem ter de trabalhar - pode tornar-se um pesadelo. "Realizar uma vida sem emprego remunerado e sem deprimir exigirá tesouros de inventividade social. E um pôr em causa fundamentos da nossa ética. Este poderia ser o maior desafio das democracias no século XXI."

17. Défice de sentido. O humanismo vive hoje confrontado com um duplo desafio: o animalismo e o pós-humanismo. Desgraçadamente, "a ciência agora progride à velocidade da luz enquanto a sabedoria e o bom senso quase nada avançaram desde há cinco séculos."

Frente ao monopólio da razão instrumental, com o materialismo e o consumismo, e o vazio existencial criado pela falta de sentido, questão decisiva para o futuro é a do debate à volta da finalidade humana e da transcendência.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

ESCUTAR JESUS, O FILHO AMADO DE DEUS


O grupo de Jesus vive uma crise profunda, depois do encontro de Cesareia de Filipe. Nem era para menos. Estava em jogo, após a avaliação da primeira fase da vida pública, o sonho de grandeza dos discípulos e o contraste que representa a resposta dada a Pedro, resposta contundente. “Fica longe de mim, satanás! Não pensas nas coisas de Deus, mas nas coisas dos homens”. E Pedro havia acertado em cheio: “Tu és o Messias”, exclama num misto de ousadia e assombro. Tinha razões para ficar satisfeito. A pergunta do Mestre: “E vós, quem dizeis que Eu sou?” era bem respondida. Mas ouve o que não esperava: O anúncio surpreendente que deixa desconcertados os discípulos acompanhantes. A realização da missão vai passar por sofrer muito, ser rejeitado, morto em Jerusalém e ressuscitar. Pedro, porta-voz do grupo, é apanhado “em contra-mão” e reage de imediato. Chama Jesus à-parte e repreende-O. E este, atira-lhe a doer.

A crise estava instalada. O desencontro de perspectivas era notório, apesar de conviverem há tempos. Não estava em causa ser Messias, o Salvador, mas o modo de realizar a missão. Modo que ainda hoje se mantém. Em cada um de nós, na família, na Igreja, na sociedade. Como realizar a missão que Deus nos confia? Com que critérios?

“Seis dias depois”, informa Marcos, o narrador do relato. O tempo cronológico indica a intensidade psicológica e espiritual da experiência vivida. Tempo suficiente para a crise ser digerida. Tempo que termina com um acontecimento excepcional, a Transfiguração, de que fala o evangelho de hoje (Mc 9, 2, 1-10). Jesus resolve antecipar um vislumbre da sua Ressurreição. Toma consigo Pedro, Tiago e João. Sobe à montanha, o Tabor. Transfigura-se. Faz brilhar as suas vestes com brancura inigualável. Conversa com Elias e Moisés que, entretanto, lhe aparecem. É identificado por uma voz que se faz ouvir com autoridade: “Este é o Meu Filho amado. Escutai o que Ele diz!”.

Os três apóstolos vivem e expressam esta experiência com intensidades várias que aparecem nas atitudes de Pedro, o rosto do grupo: obedecem e sobam ao monte sem qualquer dissonância. Vêem o que acontece. Sentem-se bem, apesar do medo. Entram na nuvem que os envolve. Escutam a voz. Olham em redor e deparam-se apenas com Jesus a quem é preciso ouvir/seguir. O caminho para Jerusalém é confirmado por Deus Pai. A paixão por amor será o certificado. Nas aldeias e cidades. Em encontros de rua e refeições de amigos e convidados. Em gestos de cura e recomendações de melhoria de vida. Perante Anás e Caifás, perante Herodes e Pilatos, as autoridades religiosas e políticas. No horizonte, sempre presente, está a garantia de que, por amor de doação, tudo se enfrenta e supera. E a certeza definitiva surge vitoriosa na manhã da Ressurreição.

O percurso geográfico constitui um símbolo da peregrinação interior do grupo apostólico e de quem pretender, a sério, ser discípulo de Jesus. Não nos aconteça como a Pedro. Seriamos cristãos mundanos, com olhos postos em comodidades egoístas e vistosas, prontos a fazer arranjos de conveniência, volúveis conforme as circunstâncias e a trocar a afirmação da verdade pela mentira reincidente, bem ilustrada no episódio da negação no pretório de Pilatos. O caminho fica bem indicado: Escutar Jesus e seguí-Lo.

Tendo como referência o percurso dos discípulos, podemos apresentar alguns traços do nosso caminho espiritual. Escutar sempre Jesus, mas sobretudo quando temos o nosso espírito nublado pelas dúvidas e incertezas, pelas vozes gritantes na arena pública e pelos silêncios roedores das redes sociais, pelos impulsos decorrentes da natureza descontrolada e pelos sonhos cruzados da fantasia libertina. Ele é luz, paz, verdade.

Escutar Jesus, reconhecendo que a razão humana apesar das suas aspirações legítimas, tem limites e pára às portas do mistério que revela outros horizontes da vida. Os discípulos discutiam o que queria dizer “ressuscitar dos mortos”. Esta discussão estará sempre em aberto. Jesus, porém, indica-nos o caminho para a resposta certa. Indica, percorre e faz, deixando a “porta” franqueada.

Escutar Jesus, valorizando a consciência humana de toda a pessoa, independentemente da condição social ou étnica, e ajudando-a a limpar de toda a interferência indevida para ser livre na sua opção pela verdade do ser e do agir. Assim a dignidade natural de cada um/a brilhará na sinfonia das criaturas e do universo. A melodia da cruz far-se-á ouvir de novo na confiança filial: “Tudo está consumado!”.

As monjas de São Bento de Montserrat fazem um bom resumo da mensagem do Evangelho da Transfiguração no seu PowerPoint desta semana. Eis alguns pontos da sua reflexão. Com fé, podemos ver Jesus transfigurado em cada pessoa. A luz é sempre mais forte do que as nossas obscuridades. Transfigurar-nos é viver o Evangelho e ter olhos de profeta. Só viveremos a Transfiguração, se aprendermos a levar uma vida transformada: da indiferença à solidariedade e da amargura à alegria. Ver Jesus transfigurado é preparar o escândalo de o ver desfigurado na cruz. A nossa missão é reconfigurá-lo em cada rosto humano. É abraçar a paixão do amor como resposta à sua doação incondicional por nós. Experimenta. Vale a pena.

GENERAL, DR. EDUARDO COSTA SANHÁ AFIRMA QUE HIERARQUIA DOS TRIBUNAIS MILITAR DA GUINÉ-BISSAU POSSUI “UMA CERTA INDEPENDÊNCIA”


O ministro da defesa do governo demissionário afirmou esta quarta-feira (21 de fevereiro) que a hierarquia dos tribunais não funciona como outras estruturas por existir uma certa independência.

General, Dr. Eduardo Costa Sanhá falava durante o acto de delegação de funções ao novo juiz presidente do tribunal Militar Superior General, Dr. Daba Na Ualna.

«Como sabemos, de ponto de vista militar a hierarquia dos tribunais não funciona como outras estruturas por existir uma certa independência, mas de qualquer das formas, aparece General, Dr. Daba Na Ualna como chefe do tribunal militar. Estando ligando ao ministério da defesa, eu como ministro tenho acesso directo quer aos tribunais militar de ponto de vista administrativo, quer a promotoria militar e a policia militar, aliás, a polícia militar é um órgão também do ministério da defesa», esclareceu.

Entretanto, General, Dr. Daba Na Ualna comprometeu-se a fazer jus ao estatuto do presidente do tribunal militar para depois reconhecer que o tribunal militar tem uma componente administrativa ligada ao ministério da defesa e uma componente militar ligada ao Estado-maior general das Forças Armadas.

“Sendo assim procurarei na medida do possível, fazer jus ao estatuto que me é conferido enquanto presidente do tribunal militar superior de modo a que esta instituição possa de facto ter seu prestígio que merece enquanto órgão responsável pela justiça ainda que seja militar, e em poucas palavras, direi que procurarei fazer jus ao meu julgamento, fazer tudo a bem da justiça militar”, concluiu.

No entanto, novo juiz presidente do tribunal Militar Superior disse que o processo dos militares detidos está no tribunal regional aguardando a conclusão dos trabalhos pela promotoria da justiça militar.

De referir que General, Dr. Daba Na Ualna foi nomeado juiz presidente do Tribunal Militar Superior no passado dia 16 deste mês através de um decreto presidencial. 

Brigadeiro-General Dr. Daba Naualna Licenciou-se em Direito, pela Faculdade de Direito de Bissau. É Mestre em Direito Criminal pela Universidade de Lisboa, e doutorando em Direito Criminal.Com a radio sol mansi

sábado, 10 de fevereiro de 2018

JESUS COMPADECIDO CURA O LEPROSO. APRECIA


Um leproso vem ter com Jesus. Ousa transgredir regras muito rigorosas de higiene pública. Expõe-se e corre riscos de morte. O contágio era fácil e perigoso. A sociedade protegia-se. Além disso, a lepra como outras doenças, tinha conotação religiosa. Fazia a pessoa impura, com uma relação negativa com Deus, culpada por algo que tivesse feito, amaldiçoada. Devia ser evitada a todo o custo.

Que experiência dolorosa e humilhante! Apesar disso, expõe-se e transgride, avança no desejo de recuperar a dignidade perdida e a liberdade cerceada. Ousa o inacreditável e, cheio de coragem e confiança, aproxima-se, ajoelha e suplica: “Se quiseres, podes curar-me”. Que força interior move as suas energias e alenta a sua esperança. Que firmeza de convicções manifesta e transmite. Que expectativas alimenta nos passos que dá para realizar o seu sonho: ser alguém com nome próprio, ir ao culto religioso na sinagoga, ser membro da sociedade e poder andar em público sem restrições.

O leproso é também um símbolo de grandes maiorias humanas que se arrastam na vida por carências sem conta: desnutrição por fome, migrações forçadas por guerras impostas e alterações climáticas, falta de água e de outros bens indispensáveis à saúde, conflitos e violências, perseguições étnicas e religiosas. Ou ainda nas sociedades de “bem-estar” o isolamento e a solidão, as desigualdades irritantes, o individualismo egoísta, a exclusão e marginalização das minorias, a “ditadura” das ideologias e, por vezes, da opinião publicada. Tudo isto, e muito mais, apesar dos avanços admiráveis em tantas áreas da nossa humanidade.

Marcos, o autor do relato (Mc 1, 40-45), adopta um estilo diferente do habitual na narrativa. Deixa em aberto a identidade do leproso. Não se sabe quem é, nem donde vem, nem o local do encontro. Para ele, o importante é a atitude de Jesus, a força sanadora que possui, a compaixão que sente e o gesto que faz. Para ele, o importante é que os discípulos saibam que a lacuna não é esquecimento, mas oportunidade, para cada um fazer o encontro pessoal com Jesus, nas situações mais sofridas da vida, sem medo prudente a “sujar as mãos”, nem a perigos de contágio.

O Papa Francisco, ao falar à multidão no domingo passado, sublinha que, durante a maior parte da sua vida pública, Cristo está “no meio da multidão, no meio do povo”, pregando o Evangelho “no meio da gente”. “É uma humanidade marcada por sofrimentos, cansaços e pobrezas. A essa pobre humanidade é dirigida a ação poderosa, libertadora e renovadora de Jesus”. E adianta que o “anúncio do Reino de Deus, por parte de Jesus, encontra o seu lugar adequado na rua”. Ele “não veio trazer a salvação num laboratório”. E lembra que “a rua, como lugar do anúncio alegre do Evangelho, coloca a missão da Igreja sob o signo do andar, do movimento, nunca estática”. “A cura do corpo destina-se à cura do coração”.

A súplica do leproso encontra ressonância de compaixão em Jesus. Faz remexer as suas entranhas de misericórdia. Assume a situação problemática, sintoniza com o desejo expresso e reage com prontidão espontânea. Que segredo desvenda esta atitude. É uma constante no seu agir. Nada o detém: nem olhares de controlo farisaico ou receios do que possa acontecer. E Marcos na sua narração adianta: “Estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero, fica limpo»”. E a lepra deixou-o. Ele ficou limpo. Que brecha introduz no sistema social e religioso de exclusão e marginalização! Que que caminhos de liberdade abre a quem vier a ser discípulo missionário! Gesto belo, arriscado, escandaloso. Mas a pessoa está primeiro. Nada no mundo tem o seu valor.

Que vibrações interiores terá vivido o recém curado! De novo, com os seus. De novo, em liberdade. De novo, a dispor de si. De novo, a assumir atitudes responsáveis. Agora, parece ter uma única preocupação. Diz Marcos: “Logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera”. Agora, predomina a força do testemunho da acção sanadora que o beneficiou e que não pode calar. Ainda que esquecendo a obrigação de se apresentar no Templo ao sacerdote e fazer a sua oferta para ter um certificado oficial de cura. Agora, a graça supera a lei e dá-lhe um novo sentido.

Hoje, celebra-se o Dia Mundial do Doente. Na sua mensagem, o Papa Francisco afirma que: “Jesus deixou, como dom à Igreja, o seu poder de curar… Ao dom de Jesus corresponde o dever da Igreja, bem ciente de que deve pousar, sobre os doentes, o mesmo olhar rico de ternura e compaixão do seu Senhor. A pastoral da saúde permanece e sempre permanecerá um dever necessário e essencial, que se há de viver com um ímpeto renovado começando pelas comunidades paroquiais até aos centros de tratamento de excelência. Não podemos esquecer aqui a ternura e a perseverança com que muitas famílias acompanham os seus filhos, pais e parentes, doentes crónicos ou gravemente incapacitados. Os cuidados prestados em família são um testemunho extraordinário de amor pela pessoa humana e devem ser apoiados com o reconhecimento devido e políticas adequadas. Portanto, médicos e enfermeiros, sacerdotes, consagrados e voluntários, familiares e todos aqueles que se empenham no cuidado dos doentes, participam nesta missão eclesial. É uma responsabilidade compartilhada, que enriquece o valor do serviço diário de cada um”. Também o teu. Aprecia e gera dinamismos de cura.

AS MULHERES NA IGREJA E NA SOCIEDADE


Crónica de Anselmo Borges, no Diário deNotícias

1- Devemos a vida a uma mulher, à mãe. Claro que também ao pai, mas a nossa mãe poderia ter-nos rejeitado e não nasceríamos. Se alguém se sacrificou e nos amou e ama é a mãe. Dá, pois, que pensar o modo como as mulheres são tratadas ao longo da história e, nessa história, também as religiões são acusadas, pois, com excepção do taoísmo, tendem para a misoginia. Ficam aí alguns textos universais significativos. "A mulher deve adorar o homem como a um deus" (Zaratustra). Um texto antigo budista diz que "a filha deve obedecer ao pai; a esposa, ao marido; por morte deste, a mãe deve obedecer ao filho". "A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem falhado" (Aristóteles). "Toda a malícia é leve, comparada com a malícia da mulher" (Bíblia, Ben Sira). "Dou-te graças, Senhor, por não ter nascido mulher" (oração dos judeus ortodoxos). "As mulheres estão essencialmente feitas para satisfazer a luxúria dos homens. Não permito à mulher ensinar nem ter autoridade frente ao homem, mas estar em silêncio" (São João Crisóstomo). "A ordem justa só se dá quando o homem manda e a mulher obedece" (Santo Agostinho). "Nada mais impuro do que uma mulher com a menstruação. Tudo o que toca fica impuro" (São Jerónimo). "No que se refere à natureza do indivíduo, a mulher é defeituosa e mal nascida, porque o poder activo da semente masculina tende a produzir um ser perfeito parecido, do sexo masculino, enquanto que a produção de uma mulher provém de uma falta do poder activo " (Santo Tomás de Aquino). "Os homens têm autoridade sobre as mulheres em virtude da preferência que Deus deu a uns sobre outros" (Alcorão, que permite desposar duas, três ou quatro mulheres e também bater nas que se rebelem).

2- Razões para esta situação? As primeiras figurações da divindade foram femininas, mas, depois, com a sedentarização, seguiu-se, também no domínio religioso, o modelo predominantemente patriarcal, com as mulheres no lar e sob a tutela dos homens. Haverá inconscientemente por parte dos homens inveja do prazer feminino, e da vida quem percebe são as mulheres. Embora elas sejam mais resistentes, os homens têm mais força física. As mulheres estavam sujeitas à impureza ritual e eram consideradas passivas também na geração, pois o óvulo feminino só foi descoberto em 1827; dada esta passividade, a mulher não poderia ser imagem de Deus e, embora Deus esteja para lá da determinação sexual, nunca se poderia recitar o Credo, dizendo: "Creio em Deus, Mãe todo-poderosa, criadora dos céus e da terra." Ela não poderia pregar. Foi um escândalo quando o Papa João Paulo I disse que Deus também é Mãe. Mas o Papa Francisco disse recentemente que "Deus é Pai e é Mãe". E há outra razão: quem escreveu os textos eram homens, a educação era para os rapazes...

3- E Jesus? Escandalosamente, tinha discípulos e discípulas. Segundo o Evangelho de São Lucas, "acompanhavam-no os Doze e algumas mulheres", ensinava tanto homens como mulheres, ficando em casa, por exemplo, de Marta e Maria. Deixou-se tocar e acarinhar publicamente por uma prostituta, louvando o seu gesto de o perfumar e perdoou-lhe os pecados. Seguiram-no até à morte, como se lê no Evangelho segundo São Mateus: "Junto à cruz havia muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galileia, entre elas Maria Madalena, Maria mãe de Tiago e José, e a mãe dos filhos de Zebedeu." Contra a Lei, defendeu a adúltera e curou a filha de uma estrangeira, a cananeia, bem como a mulher com um fluxo de sangue, que o tocou. Contra os preceitos da época, que impediam normalmente as mulheres de se dirigir aos homens em público, foi à samaritana - tinha tudo contra ela: outro povo, herética, ia no sexto marido... - que Jesus se revelou como o Messias. As primeiras testemunhas da ressurreição, da fé em que Jesus, na morte, não caiu no nada, mas está vivo em Deus para sempre, foram mulheres, a começar por Maria Madalena, chamada por Rábano Mauro e Tomás de Aquino a "Apóstola dos Apóstolos".

4- São Paulo era misógino? Há textos temíveis: "As mulheres estejam caladas nas assembleias, porque não lhes é permitido tomar a palavra e, como diz também a Lei, devem ser submissas" (Primeira Carta aos Coríntios). "A mulher receba a instrução em silêncio, com toda a submissão. Não permito à mulher que ensine, nem que exerça domínio sobre o homem, mas que se mantenha em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E não foi Adão que foi seduzido, mas a mulher que, deixando-se seduzir, incorreu na transgressão" (Primeira Carta a Timóteo). Hoje, os exegetas sabem que estes textos não pertencem a São Paulo, são posteriores e interpolações indevidas. Como poderiam ser de São Paulo, que está na base da tomada de consciência da igual dignidade de todos, ao proclamar, na Carta ao Gálatas: "Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher, porque todos sois um só em Cristo Jesus"? E não chamou "apóstola" a Júnia?

5- Teólogos eminentes, como Karl Rahner, Yves Congar, o cardeal Martini, o cardeal José Policarpo, o cardeal Karl Lehmann, mostraram que não há nenhuma razão teológica que se oponha à ordenação sacerdotal de mulheres. Para lá de tudo: Deus não se pode opor aos direitos humanos.

6- Entretanto, revolução maior na história a caminho - as francesas votaram pela primeira vez em 1945 e as suíças só em 1971 - é a emancipação feminina e o acesso das mulheres ao poder, com consequências à vista: transformação das relações sociais, na família, na educação, no domínio sexual, no trabalho... Elemento decisivo: a educação. Depois, como escreve J.-L. Servan--Schreiber, "o politicamente correcto tende a minimizar as diferenças entre os sexos; mas a biologia resiste." Portanto, igualdade na diferença. Mas igualdade, sem discriminação.

Guiné-Bissau: as Mulheres da Republica da Guiné-Bissau, não aceitam as sanções aplicadas pela CEDEAO, Por ser injusta e atentatório a paz

Não chores pelo que perdeste, luta pelo que tens. Não chores pelo que está morto, luta por aquilo que nasceu em ti. Não chores por quem te abandonou, luta por quem está contigo. Não chores por quem te odeia, luta por quem te quer. Não chores pelo teu passado, luta pelo teu presente. Não chores pelo teu sofrimento, luta pela tua felicidade. Com as coisas que vão nos acontecendo, vamos aprendendo que nada é impossível de solucionar, apenas siga adiante.- Papa Francisco

Cussas di Guiné i triste! O que se passa na Guiné é triste.

Nós, as mulheres do PRS estamos indignadas: não aceitamos as sanções aplicadas pela CEDEAO aos dirigentes do PRS e vimos por este meio manifestar a nossa solidariedade para com eles.

Esta crise política, que já dura há imenso tempo e ainda não tem fim à vista, teve início e mantém-se com um Presidente da República eleito pelo PAIGC; com um Presidente da Assembleia Nacional Popular eleito pelo PAIGC; com 7 Primeiros-Ministros, todos do PAIGC. Estamos a falar de órgãos de soberania. Falamos dos poderes presidencial, legislativo e administrativo, os quais são o pilar do Estado e cuja LIDERANÇA, de 2014 aos dias de hoje, sempre esteve com o PAIGC.

A origem, o epicentro, o fogo que politicamente incendiou as instituições supremas do país nada têm a ver com uma Liderança do Estado pelo PRS, ou com qualquer intriga ou problema interno do nosso Partido, mas sim, única e exclusivamente, com problemas intestinos no seio do PAIGC. Com foco em 15 deputados do PAIGC e expulsos pelo PAIGC.

Ultimamente, para agudizar a crise, já vimos de tudo. Assistimos a tentativas de assaltos da sede, ameaças de perseguições, providências cautelares, decisões judiciais, fecho da sede, suspensão do Congresso, reabertura da sede, etc. Tudo resvalando para as intermináveis guerras políticas a que o protagonismo do PAIGC infelizmente já nos habituou, nas quais os fins parecem justificar os meios, para finalmente quererem revestir o papel de vítimas, como se não soubéssemos que são eles próprios os principais instigadores e actores dessas crises cíclicas, nas quais o PRS se tem limitado a fazer política, assumindo um papel secundário.

Nós, as mulheres do PRS, como cidadãs, não aceitaremos que seja a Liderança da Crise a beneficiar com ela, num cenário político carregado de muita malvadez e desinformação, no qual, após uma longa passividade, só face à iminência de eleições e identificados os alvos a abater, a CEDEAO se deixa manipular por alguns interesses políticos nacionais bem localizados e por inconfessos lóbis estrangeiros. Vindo agora, de forma completamente parcial e desequilibrada, sancionar dirigentes máximos do PRS que sempre agiram em nome colectivo e no quadro de decisões políticas emanadas dos órgãos competentes do Partido.

Qual a justificação invocada pela CEDEAO? O não cumprimento do Acordo de Conacri.

A CEDEAO condena e sanciona dirigentes do PRS por terem participado num processo que se pretendia consensual para nomeação de um Primeiro-Ministro, num encontro que teve 6 propostas de nomes (3 do PR, 1 do PANP, 1 do PAIGC, 1 da Sociedade civil), nenhuma das quais avançadas pelo PRS, tendo desse processo resultado a nomeação de um poPrimeiro-ministro da confiança do Presidente da República. Será que o PRS e os seus dirigentes não cumpriram com o ponto 1 do Acordo de Conacri?

A CEDEAO condena e sanciona dirigentes do PRS, por terem respondido à chamada e deliberado, superior e colectivamente, integrar o governo inclusivo emanado de Conacri, com base no princípio da proporcionalidade da respectiva representação parlamentar. Será justo criticar o PRS por ter tomado uma atitude construtiva, quando a alternativa era o vazio do Estado? Podem apontar-nos o dedo, por termos optado por preferir ser parte da solução a ser parte do problema? Será que o PRS e os seus dirigentes não cumpriram com o ponto 2 e 3 do Acordo de Conacri?

A CEDEAO condena e sanciona dirigentes do PRS, que não lideram o Governo, por não ter o PRS impulsionado um programa elaborado em MESA REDONDA DE DIÁLOGO NACIONAL, do qual resultasse a adopção de um PACTO DE ESTABILIDADE, e o arranque da implementação de um programa de desenvolvimento, com base na visão do “Terra Ranka”, não obstante essa não ser a visão de desenvolvimento do PRS. Como pode a CEDEAO condenar e sancionar dirigentes do PRS, se estes se limitaram ao respeito pelos princípios em vigor para a nomeação de altos funcionários da república? Ora tudo isso era obrigatoriamente da iniciativa da liderança do Governo, a qual não pertencia aos dirigentes do PRS; algo que previa a ‘inclusividade’, sistematicamente recusada pelos dirigentes do PAIGC. Então, será que o PRS e os seus dirigentes impediram ou não cumpriram com o ponto 4, 5 e com a alínea f do ponto 6 do Acordo de Conacri?

A CEDEAO condena e sanciona dirigentes do PRS, pela não implementação das reformas assinaladas, nomeadamente da Constituição da República, da lei eleitoral, da lei dos partidos políticos, e dos sectores da Defesa, Segurança e Justiça. Como assim? Quem teria que convocar os deputados da nação para a realização de sessões parlamentares, necessárias às reformas legais e institucionais definidas no Acordo de Conacri? Será que o PRS e os seus dirigentes impediram o cumprimento das alíneas b) a e) do ponto 6 do Acordo de Conacri?

A CEDEAO condena e sanciona dirigentes do PRS por o partido que dirigem ter mantido as portas sempre abertas para o diálogo com as principais forças políticas e sociais; por ter sempre pautado a sua actuação política com base na responsabilidade, na transparência e na tomada de decisões institucionais (ponto 6, alínea a); subscrevendo o Acordo de Conacri, contribuindo de boa-fé para a sua implementação bem-sucedida, assim como do roteiro da CEDEAO (último parágrafo do Acordo); ou talvez, também, por se mostrarem comprometidos com o Estado e com a população guineense?

O que desvirtuou o Acordo de Conacri, o seu espírito, as suas regras e os seus pontos, resultando no seu incumprimento, foram essencialmente três factos:

a violação do princípio de integração no governo inclusivo;

a violação do princípio de convocação da Assembleia Nacional Popular para deliberar e legislar sobre as urgentes e necessárias reformas legais e institucionais;

a violação do princípio de uma reintegração efectiva e incondicional dos 15 deputados dissidentes do PAIGC.

Ou seja, o Acordo de Conacri, resultado de uma mediação pouco competente, em vez de contribuir para a resolução do impasse político no país, como era sua intenção, teve resultados perniciosos e contraproducentes, e como consequência um agudizar da disputa interna pela liderança do país, hoje ainda e desde o inicio da crise, entregue ao PAIGC. Qual a sua justeza? Como é possível que os mediadores invoquem como objectivo das sanções favorecer um clima de diálogo, se penalizam apenas uma das partes, por sinal aquela que está isenta de qualquer culpa ou responsabilidade? É como castigar o cumpridor e poupar o prevaricador. Com que justiça?

A CEDEAO condena e sanciona dirigentes do PRS com os seguintes fundamentos jurídicos:

Com base nos artigos 11 e 12 do Protocolo relativo ao Mecanismo para a Prevenção de Conflitos, Gestão, Resolução, Manutenção da Paz e Segurança, que não enunciam quaisquer sanções, apenas se referem às reuniões dos seus órgãos.

Com base no artigo 45.º do Protocolo sobre a Democracia e Boa Governança, que não direcciona as sanções a indivíduos, mas a Estados Membros, no caso de quebra da democracia e em caso de violação maciça dos direitos humanos.

Com base no Acto Suplementar de 17 de Fevereiro de 2012, sobre o regime de sanções aplicável aos Estados Membros que não honrem as suas obrigações vis-à-vis da CEDEAO. O qual dispõe sobre Actos obrigatórios (imperativos) a serem observados e executados pelos Estados-Membros; de obrigações dos Estados-Membros; das sanções, quer judiciais quer políticas, aplicáveis aos Estados-Membros. Neste diploma, visa-se a LIDERANÇA, os Líderes (dirigentes) dos Estados Membros, os da cúpula e do topo da hierarquia do Estado, os quais são passíveis dessas sanções, se atentarem contra a governação democrática, o Estado de Direito, ou constituírem uma ameaça séria: à segurança regional, de violação flagrante e grave dos direitos humanos, ou de desencadear uma catástrofe humanitária.

Em Direito, a sanção é uma medida imposta com o objectivo de garantir o cumprimento de uma norma. Perante a inexistência de norma aplicável aos indivíduos, não pode haver violação, nem pode haver sanção. Perante esta impossibilidade de direito, só é possível concluir que as sanções aplicadas estão fora da competência da CEDEAO. Logo, devem ser consideradas nulas, senão mesmo inexistentes.

A inclusão de um indivíduo nessas listas não pressupõe a sua condenação em foro criminal ou qualquer processo judicial. Não assumindo a forma de efeito criminal, a respectiva listagem não se submete aos princípios e garantias que proporcionam os procedimentos judiciais. Na prática, todavia, os efeitos são, a nível individual, semelhantes aos dessa condenação. No entanto, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, no seu artigo X institui o direito da pessoa à audição pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir sobre seus direitos e deveres, e no artigo XI, ponto 1, os princípios da presunção da inocência e capacidade de defesa.

Para além disso, esta listagem também não se baseia numa demonstração inequívoca da associação do visado com a respectiva conduta. Não foi produzida qualquer prova ou justificação, nem sequer sumária, para os motivos da inclusão de cada um dos indivíduos listados, nem fundamentada a sua responsabilidade relativamente à LIDERANÇA DO ESTADO.

Qual dos dirigentes do PRS, condenados e sancionados pela CEDEAO, liderou o Estado, podendo-se-lhe imputar esses crimes? Entre os sancionados, encontram-se apenas políticos? Como é possível um Organismo Sub-Regional condenar e sancionar politicamente dois magistrados da Nação? Não será uma interferência no poder judicial soberano, cuja disciplina está a cargo do Conselho Superior de Magistratura? Onde está a argumentação, a fundamentação e a prova mínima?

Acrescendo que: os condenados a sanções sem prazo, são previamente informados em canais não oficiais, como se de fuga de informação se tratasse, de dentro de uma Organização sub-Regional; não se lhes fornece qualquer possibilidade de recurso ou de impugnação da sua inclusão na lista; sendo sancionados junto com a família, sem se saber até que grau de parentesco; num quadro de aplicação desadequado e improcedente, atendendo à escassez dos elementos de identificação, face à multiplicidade de homónimos existentes; mas também desproporcional, pois estas sanções políticas fizeram-se para violações bem mais graves, de direitos humanos ou ameaças sérias de catástrofes humanitárias e não para sancionar desentendimentos entre políticos, cuja responsabilidade não pode ser individualmente assacada.

Nós, as mulheres do PRS, posicionamo-nos contra as consequências imediatas das sanções da CEDEAO, que se traduzem na tentativa de desvirtuar a democracia guineense, de silenciar a participação política, de decapitar a 2.ª maior força política nacional, através de um obscuro mas bem identificado conluio, que envolve claramente a mediação com uma das partes, ou seja, em que o árbitro também joga a favor de uma equipa. Tudo em sacrifício persistente da soberania nacional, em prejuízo do Estado de Direito, em prol de interesses pessoais e de hegemonia partidária.

Por tudo isto, nós, as mulheres do PRS:

Apelamos ao bom senso, ao equilíbrio, ao diálogo e ao entendimento interno.

Apelamos a todas as mulheres guineenses para avaliarem a situação com justiça e para se juntarem contra a decisão da CEDEAO. Onde está a verdade? Onde está a alternativa? Mulheres, sejamos uma única VOZ!

Apelamos aos intelectuais guineenses para, sem preconceitos, analisarem as nossas razões e aquilo que nos vai na alma.

Apelamos à Conferência dos Chefes de Estado da CEDEAO para que deliberem o levantamento imediato e incondicional das sanções. Porque são inválidas, nulas e improcedentes. Por respeito ao Estado de Direito, para criar uma atmosfera favorável ao diálogo entre os actores políticos bissau-guineenses, para a realização de eleições livres, idóneas e transparentes, para o retorno à legalidade constitucional e para a restauração da governação democrática

Apelamos à exclusão definitiva do mediador da crise guineense, Alpha Condé. Porque, até hoje, não apresentou prova idónea ou qualquer registo, de que tivesse sido escolhido em Conacri o nome de Primeiro-Ministro que indica, a não ser a sua palavra, contra a de vários outros intervenientes. Porque impendem sobre si suspeições de falta de transparência e de falta de imparcialidade, na condução da mediação. Porque, de uma mediação bem-sucedida, não resultam sanções e um desfecho que visa aniquilar a 2.ª maior força política, amputando a democracia na Guiné-Bissau.

Apelamos à ONU, à UA, à UE, e à CPLP para apoiar o levantamento imediato e incondicional das sanções, interpelando a CEDEAO nesse sentido.

Pela soberania nacional;

Pelo Estado de Direito;

Pela consolidação da Democracia na Guiné-Bissau;

Pelo direito à dignidade humana;

Pelo direito de cidadania;

Pelo direito de participação política;

Pelo direito ao desenvolvimento;

Pelo direito à renovação social;

Por nós, mulheres, que somos a arma secreta da Nação Guineense, e pelos nossos filhos e netos.


Pela Secretária Nacional da Organização das Mulheres – Carmelita Pires