sábado, 17 de março de 2018

ECONOMIA DA GUINÉ-BISSAU CRESCEU 5,9 POR CENTO EM 2017


A economia da Guiné-Bissau cresceu na ordem de 5,9 por cento em 2017. Este crescimento deve-se ao aumento das receitas de exportação da castanha de caju, segundo o Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), fato que, segundo o banco central, impulsionou o consumo e consequentemente o investimento privado no país.

O feito económico do país foi anunciado, através de um comunicado à imprensa produzido hoje, 16 de Março 2018, que a redação do jornal O Democrata teve acesso. No documento saído no final da primeira reunião [Encontros Trimestral] do ano 2018 entre a direção nacional do BCEAO e os membros do Conselho Nacional de Crédito (CNC), consta que os conselheiros foram informados da taxa de inflação que se fixou em 1,1 por cento em 2017, medida através do Índice Harmonizado dos Preços ao Consumidor (IHPC).

Refere-se ainda que o BCEAO apresentou na ocasião, o novo Dispositivo de Apoio ao Financiamento das Pequenas e Médias Empresas e Pequenas e Médias Indústrias (PME/PMI) da UEMOA, um projeto concebido pelo BCEAO para facilitar o acesso ao financiamento dessa categoria de empresa.

Os conselheiros apelaram a diversificação na produção local, por forma a minimizar os fatores de risco inerentes à estrutura económica da Guiné-Bissau.

Neste sentido, os conselheiros afetos ao CNC, recomendaram, em primeiro lugar, o reforço de seguimento da implementação das recomendações formuladas neste Comité, a pedido do secretário, as estruturas responsáveis devem apresentar um plano de ação.

Em segundo lugar, os conselheiros, face aos níveis crescentes de importação do arroz, instaram o Estado da Guiné-Bissau a velar por uma política de substituição e promoção de produtos locais. Finalmente, propõe-se criação a nível do CNC um quadro específico de seguimento da evolução do Novo Dispositivo de apoio ao financiamento das Pequenas e Médias Empresas e Indústrias, após a sua implementação no país.

Saliente-se que a reunião do CNC foi presidida pelo Ministro do Estado, da Economia e Finanças do Governo demitido, João Alage Mamadu Fadia, presidente estatutário deste órgão consultivo voltado ao crédito, num encontro realizado na sede nacional do BCEAO em Brá, Bissau.

Segundo o mesmo comunicado distribuída à imprensa, no decorrer da reunião, os conselheiros analisaram a evolução do sistema financeiro guineense durante o ano 2017, com olhos postos nos preparativos para a campanha de comercialização da castanha de cajú 2018. Debruçaram também sobre os principais desafios, riscos e perspetivas, assim como da situação do financiamento da economia nacional.

“O Conselho foi igualmente informado das decisões formuladas a quando da reunião do Comité de política Monetária do BCEAO de 07 de Março de 2018, nomeadamente a admissibilidade ao refinanciamento no BCEAO das obrigações emitidas pela Caixa Regional de Refinanciamento Hipotecário da União Económica e Monetária Oeste Africana (UEMOA) – CRRH-UEMOA, a possibilidade da remuneração dos depósitos dos Estados Membros no BCEAO e finalmente a manutenção das taxas diretoras do Banco Central, assim como do coeficiente de reservas obrigatórias”, lê-se ainda no comunicado. Com Odemocrata

sexta-feira, 16 de março de 2018

CHEGA A HORA: JESUS MORRE PARA NOS DAR A VIDA NOVA


Como o grão de trigo

O coração humano alberga e alimenta desejos genuínos, especialmente a alegria da festa e o encontro com Jesus, ainda que vagamente figurado. Desejos que afloram mais visivelmente em certas oportunidades como a celebração da Páscoa e a proximidade de pessoas disponíveis e acolhedoras. Desejos que abrem “janelas” por onde pode entrar uma nova luz de esperança e de sentido. Desejos que aspiram a um outro nível de realização, mediante a passagem vital, tão bem expressa, da semente que germina no seio da terra, cresce e dá fruto. Esta é a realidade que se configura na atitude dos gregos que sobem a Jerusalém para a festa e querem ver Jesus, recorrendo a Filipe e André como mediadores. (Jo 12, 20-33).

O Papa Francisco que, nesta semana completou cinco anos como bispo de Roma e pastor da Igreja universal, fez aos cristãos as seguintes perguntas: “Como é o meu desejo? (…) Busco o Senhor? Ou tenho medo, sou medíocre? (…) Qual é a medida do meu desejo? A migalha ou todo o banquete?” Imagens fortes que ficam a interpelar-nos e nos convidam a não sermos cristãos estacionados, acomodados demasiado, a arriscar, a avançar.

O pedido dos peregrinos gregos chega a Jesus que dá uma resposta “estranha”. E não assume qualquer outra atitude directa. Faz um anúncio do futuro que se aproxima. Recorre à metáfora do grão de trigo que, para ser fecundo não pode continuar no celeiro, mas tem de ser lançado à terra e germinar. Assim, acontece com Ele. “Chegou a hora, diz-lhes, em que o Filho do homem vai ser glorificado”. E há-de acontecer com os discípulos, seus servos; connosco, seus amigos. De contrário, ocorre a esterilidade de uma vida vocacionada a ser fecunda, o definhamento de energias ressequidas. E triunfa o egoísmo, a acomodação, a mesquinhez e a estreiteza de horizontes, a indiferença insolidária com o presente e o futuro.

A glória de Jesus brilha no amor de doação definitva consumada na cruz da morte que antecede a aurora feliz da ressurreição. Amor tão grande que não apenas assume livremente os episódios do processo de condenação, mas “inventa” modos originais de ficar connosco, destacando-se o serviço do lava-pés, a celebração da eucaristia ou ceia do Senhor. Amor que anima os seus discípulos guiados pelo Espírito Santo e organizados em Igreja; amor que se faz gestos e atitudes em cada um de nós que queremos ser fiéis ao seu precioso legado.

Santo Inácio de Antioquia, bispo do século II, lembra-nos uma verdade interpelante: “Se tu me dizes: «Mostra-me o teu Deus», eu posso responder-te: «Mostra-me o homem que há em ti, e eu te mostrarei o meu Deus». Mostra-me, portanto, como vêem os olhos da tua mente e como ouvem os ouvidos do teu coração. Os que vêem com os olhos do corpo observam o que se passa nesta vida terrena, e distinguem as diferenças entre a luz e as trevas, o branco e o preto, o feio e o belo, o disforme e o formoso, o proporcionado e o desmesurado, o que tem partes a mais e o que é incompleto – e o mesmo podíamos dizer no que se refere ao sentido do ouvido – os sons agudos, graves, agradáveis. Assim acontece com os ouvidos do coração e os olhos da alma, no que diz respeito à visão de Deus”.

Chegou a hora de ver Deus no seu Filho Jesus. Vê-lo no rumo dos acontecimentos actuais que é preciso discernir; no rosto humano tantas vezes desfigurado; nas correntes humanitárias que tentam suavizar os efeitos nefastos de políticas ideologizadas; no testemunho evangélico de tantos ctistãos e suas comunidades; nas celebrações dominicais, sobretudo da eucaristia; na piedade popular que desvenda segredos da alma humana a necessitarem de mais luz evangélica; na leitura orante da Sagrada Escritura; nos movimentos católicos de intervenção social. Para ver Jesus ressuscitado é preciso viver a fé integral, recebida e alimentada na Igreja em missão. Este clima espiritual exige oração pessoal, familiar e comunitária.

Inspirados no episódio dos gregos na festa da Páscoa, em Jerusalém, podemos rezar: Faz, Senhor, que os teus discípulos reconheçam o teu rosto no rosto dos pobres; dá olhos para ver os caminhos da justiça e da solidariedade; dá ouvidos para escutar os pedidos de salvação e saúde. Enriquece os nossos corações de fidelidade generosa e criativa para que nos façamos companheiros de caminhada e testemunhas verdadeiras e sinceras da glória que esplandece no Crucificado, morto, ressuscitado, glorioso. (A. Della Costa).

Vereadora brasileira assassinada com balas da polícia


A investigação também apurou que um dos carros utilizados no ataque contra a vereadora Marielle Franco tinha matrícula falsa e era roubado.

A vereadora e ativista dos direitos humanos brasileira Marielle Franco foi assassinada com balas vendidas à Polícia Federal, avança RJTV, da TV Globo.

As perícias realizadas pela Polícia Civil do Rio de Janeiro concluíram que os projéteis de 9mm pertencem a lotes adquiridos pela Polícia Federal de Brasília à empresa CBC, em 2006.

As autoridades vão agora tentar apurar o que aconteceu aos lotes de balas em causa desde que foram comprados.

A investigação também apurou que um dos carros utilizados no ataque contra a vereadora Marielle Franco tinha matrícula falsa e era roubado.

O verdadeiro proprietário do automóvel foi identificado, mas as polícias descartam qualquer participação deste homem no crime.

O carro em que a vereadora viajava foi alvejado com tiros na quarta-feira à noite quando saía de um evento no bairro da Lapa, na zona central do Rio de Janeiro.

O crime, que tem indícios de ter sido uma execução, está a ser investigado pelas autoridades policiais locais.

A Organização das Nações Unidas (ONU) já pediu que as investigações "sejam feitas o mais rápido possível" e de forma "completa, transparente e independente", para que os resultados "possam ser vistos com credibilidade".

CONTRA FRANCISCO, CONTRA O CONCÍLIO


Crónica de Anselmo Borges no Diário de Notícias

O Papa Francisco tem opositores e inimigos? Sim, isso é claro. E é bom que se perceba que opor-se a Francisco é opor-se ao Concílio Vaticano II. A linha de separação passa pelo Concílio. Afinal, depois da primavera conciliar, veio um longo inverno, de que muitos, nomeadamente Karl Rahner, talvez o maior teólogo católico do século XX, se queixaram. Com Francisco, regressou a primavera. Que se passa então? Dou dois exemplos.

1. Um dos núcleos da discórdia, a ponto de Francisco ser atacado por ser débil em teologia e até herético, é a sua reflexão sobre a possibilidade de, no quadro do devido discernimento, católicos recasados serem admitidos à comunhão. Mas, afinal, o próprio Bento XVI, quando era apenas professor Joseph Ratzinger, escreveu, em 1972, um texto nessa direcção. Sim, o casamento é indissolúvel, mas, cito, quando "um primeiro casamento se rompeu há já algum tempo" e de modo irreparável, e quando "um segundo enlace se vem manifestando como uma realidade moral e está presidido pela fé, especialmente no que se refere à educação dos filhos (de tal maneira que a destruição deste segundo casamento acabaria por destroçar uma realidade moral e provocaria danos morais irreparáveis), neste caso - mediante uma via extrajudicial -, contando com o parecer do pároco e dos membros da comunidade, dever-se-ia consentir a aproximação da comunhão aos que assim vivem".

2. Entre os maiores opositores a Francisco está o cardeal guineense (Guiné-Conacri) Robert Sarah, prefeito da Congregação para a Liturgia. O Papa emérito Bento XVI até escreveu um prefácio elogioso para a sua obra A Força do Silêncio - Contra a Ditadura do Barulho. Esse livro, cito, "ensina-nos o silêncio: o permanecer em silêncio com Jesus, o verdadeiro silêncio interior, ajudando-nos assim precisamente a compreender a palavra do Senhor de um modo diferente (...). É esta a base que lhe permite reconhecer os perigos que ameaçam continuamente a vida espiritual, mesmo a dos padres e a dos bispos, ameaçando assim a própria Igreja, na qual não raro ocupa lugar uma certa verbosidade em que se dissolve a grandeza da palavra".

Quem se atreveria a pôr em causa e a não louvar o mérito do apelo ao silêncio? Todos estaremos gratos a Sarah, mesmo os não crentes, pois das necessidades maiores nesta sociedade da ditadura do barulho é precisamente o cultivo do silêncio, lá onde se ouve o melhor: o silêncio que fala e no qual se acendem todas as palavras e atitudes que dão calor e sentido verdadeiro à existência.

Não é nisto que está o diferendo. O Papa Francisco admoestou-o publicamente por sugerir o regresso à missa em latim, com o celebrante de costas para o povo. Lembrou-lhe que Deus está voltado para todos os lados. E a que propósito o latim, como se Deus, digo eu, não entendesse as outras línguas? Mais uma vez, o terrível perigo do clericalismo. De facto, só os padres sabem latim e só eles, de costas, estariam em autêntico contacto com Deus...

Mais recentemente, Sarah arremeteu contra os católicos que legitimamente apresentam a mão para a comunhão: "É um ataque diabólico à eucaristia", diz. No prefácio ao livro do padre italiano Federico Bortoli, A Distribuição da Comunhão na Mão, afirma que a comunhão na mão é uma "falta de respeito" ao Santíssimo, acrescentando que "o ataque malvado mais insidioso consiste em procurar extinguir a fé na eucaristia semeando erros e favorecendo uma forma inadequada de recebê-lo" e que "a guerra entre o arcanjo Miguel e os seus anjos, por um lado, e Lúcifer, por outro, continua hoje nos corações dos fiéis: o objectivo de Satanás é o sacrifício da missa e a presença real de Jesus na hóstia consagrada." Os fiéis deverão de novo receber o Senhor na boca: "Porquê esta atitude de falta de submissão aos sinais de Deus? Recebê-lo de joelhos e na língua é muito mais adequado para o próprio sacramento." Embora reconheça algumas "boas iniciativas" do Concílio quanto à participação activa dos fiéis, denuncia: "Não podemos fechar os olhos ao desastre, à devastação e ao cisma que os promotores modernos de uma liturgia viva causaram ao remodelar a liturgia da Igreja de acordo com as suas ideias." E, num ataque àqueles que consideram que o Concílio foi "uma verdadeira primavera na Igreja". "No entanto, um número cada vez maior de líderes eclesiais consideram esta primavera como uma recusa, uma renúncia à sua herança milenar."

Eu concordo que é necessário dar dignidade à celebração eucarística. Mas não é farisaísmo a advertência de Sarah? Porventura é a língua mais digna do que a mão? Sobretudo, não é aos bebés que damos de comer na boca? Ora, não é de comunidades cristãs adultas que precisamos? Ou queremos cristãos menorizados e infantilizados?

Mais grave: não há nas posições de Sarah o pressuposto subtil, mas errado, de que na Igreja o núcleo são as celebrações e não a vida? Afinal, não é nesse pressuposto do primado das celebrações que assenta aquela declaração desgraçada de muitos que se dizem "católicos, mas não praticantes"? Pergunta-se: mas praticam na vida o Evangelho e a sua exigência de verdade, de justiça, de cumprimento do dever, de não corromper nem ser corrupto, de lutar por um mundo em que todos tenham o mínimo que lhes permita realizar a sua dignidade humana como Cristo mandou?

O que é verdade é que, contra o que insinua Sarah, na hierarquia autêntica do ser cristão primeiro está a fé viva no Deus de Jesus, que é Pai e Mãe de todos, com todas as consequências. Depois, só depois, é que vem a celebração: esta vida, a vida cristã, que é a vida quotidiana, familiar, profissional, a vida dos negócios e da política, iluminada pela fé a caminho da plenitude do Reino de Deus, celebra-se em eucaristia. Na fraternidade, na alegria, na beleza e recebendo mais Vida para a vida.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

sexta-feira, 9 de março de 2018

NICODEMOS VAI AO ENCONTRO DE JESUS. E NÓS?


"Nicodemos, figura histórica, é símbolo do homem de todos os tempos, sobretudo do nosso, de quem se aventura na noite do mercado de opiniões e dúvidas e quer encontrar resposta para o sentido da vida, seus valores e sua escala de prioridades, dos/as que não abdicam do direito de fazer perguntas sobre o rumo dos acontecimentos e o cuidado da criação."

Nicodemos surge como interlocutor de Jesus. Certamente fica incomodado com o episódio do Templo. Por ser testemunha ou por ditos que lhe chegam. Incómodo que acentua a perplexidade em que vivia e o leva a ir de noite à sua procura. Incómodo que transparece na conversa que João narra e, hoje, a liturgia nos apresenta como parte do diálogo sobre o “nascer de novo” proposto por Jesus. “Como é possível nascer de novo?”, pergunta, sem rodeios, tendo no horizonte da sua dúvida o parto natural e a idade da vida. (Jo 3, 14-21). Apesar de ser mestre em Israel, de usufruir de um estatuto social elevado e de viver como crente piedoso, Nicodemos não vislumbra a nova dimensão que Jesus insinua. Mas cultivará uma relação de proximidade e de intervenção, de simpatia e de risco, como os relatos evangélicos referem repetidas vezes.

“Como Moisés levantou a serpente no deserto, do mesmo modo é preciso que o Filho do Homem seja levantado para que todo aquele que acredita, tenha n’Ele a vida eterna”. Jesus fala da fé e da nova realidade que provoca. No tempo presente como gérmen; no futuro definitivo, como plenitude, a vida eterna. O relato de João deixa Nicodemos na escuta atenta, no silêncio meditativo, na ponderação da novidade anunciada. Um pouco como Maria em Belém após o nascimento de Jesus (Lc 2, 19). A figura da serpente e a evocação de Moisés levam-no, certamente, à experiência do povo na travessia do deserto, às queixas e murmurações, sinal de corações transviados “que não atinam com os caminhos do Senhor”. Levam-no a avivar o alcance medicinal do olhar humano ao ver a serpente erguida que cura as feridas das mordeduras apanhadas. Levam-no a chegar à porta do mistério que só se abrirá quando Jesus, o Filho do Homem, for crucificado no alto do Calvário e deixar o coração aberto à esperança da ressurreição. “O novo símbolo da vida não é um rito mágico, mas Jesus, vítima da sua generosidade extrema”, afirma J. M. Castillo.

Elevado, Jesus faz-se a garantia de que Deus ama o mundo, de que a vida eterna está ao alcance de todos/as, de que a salvação é possível, de que a opção humana é decisiva. Elevado, Jesus faz-se luz que brilha no amor, verdade que nos humaniza, fortaleza paciente que nos anima a construir caminhos de justiça e de paz, de bondade e de beleza. Elevado, faz-se apelo a que vejamos o todo e não apenas a parte, o processo e não apenas o acto, o tempo e não somente o instante. Somos pessoas de visão rasgada, de olhar erguido, capazes de esquadrinhar os vestígios do Espírito nos atalhos da nossa comum humanidade e de alinhar o nosso comportamento pelo rumo que nos apontam e secundar com o nosso empenho a sua acção renovadora.

Nicodemos, figura histórica, é símbolo do homem de todos os tempos, sobretudo do nosso, de quem se aventura na noite do mercado de opiniões e dúvidas e quer encontrar resposta para o sentido da vida, seus valores e sua escala de prioridades, dos/as que não abdicam do direito de fazer perguntas sobre o rumo dos acontecimentos e o cuidado da criação. Nicodemos, mestre em Israel, faz-se aprendiz, peregrino da verdade e não teme o confronto de ideias nem interpelações ousadas. Nicodemos atende à força da insatisfação e ao anelo do espírito, não cala a voz da consciência nem teme murmurações alheias, mas assume o desafio de ir à procura, de se deixar questionar, de compreender apenas uma parte do que lhe é proposto. Alcançar o todo só na vida eterna.

Nascer de novo para um olhar diferente, reflexo do encontro pessoal com Jesus Cristo realizado no santuário da consciência e celebrado na assembleia dominical; olhar diferente que brilha em atitudes éticas pautadas pelas referências que brotam da visão humanista e cristã. “Não me cansarei de repetir, afirma o Papa Francisco, estas palavras de Bento XVI que nos levam ao centro do Evangelho: «Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”. (A Alegria do Evangelho 7). Sem este encontro, a prática cristã fica em aparências que desfiguram a Deus que nos ama e desumanizam o ser que nós somos. O garante é Jesus Cristo que nos fala como a amigos. Alegra-te e renova as tuas convicções.

segunda-feira, 5 de março de 2018

As Forças Armadas Revolucionarias do Povo guineense estão de luto


O malogrado desempenhou várias funções ao longo da sua carreira militar, passando pela unidade de Defesa Antiaérea, de chefe do Departamento de Armamento e Munições do Estado Maior General, de Comandante de Zona Militar Centro, Comandante-Adjunto do Comando Conjunto do Estado Maior General entre outras. Participou entre 1975-76 em Angola, no quadro de CONCP, na missão militar que visava travar o avanço irresistível das forças inimigas da UNITA em direcção a capital Luanda. 1978-79.

No mesmo quadro de CONCP integrou no contingente guineense em missão de protecção da ilha de São Tomé, ameaçada por mercenários que pretendiam invadi-la. 1993-94, é mais uma vez integrado no contingente de observadores militares da Missão de Operação de Manutenção da Paz (ONUMOZ) em Moçambique.

O Brigadeiro-General Caramo Cassamá, nasceu no dia 25 de maio de 1955 em Binar, região de Oio, sector de Bissorã, ingressou nas Forças Armadas Revolucionarias do Povo em 1970. Com as FARP’s

sábado, 3 de março de 2018

AMEAÇAS PARA A HUMANIDADE


Crónica de Anselmo Borges, no Diário de Notícias

A história da humanidade é feita de êxitos e fracassos, avanços e recuos, conquistas e derrotas, guerras e algum tempo de paz, esperanças e ameaças.
A novidade das ameaças, hoje, é que são globais. Numa obra lúcida, acessível, L"Humanité. Apothéose ou apocalypse?, com contributos de pensadores de vários horizontes e dando uma panorâmica do que está em jogo no século XXI, J.-L. Servan-Schreiber, optimista quanto ao futuro, apresenta também algumas dessas ameaças, obrigando a reflectir. Sintetizo.

1. Aquecimento global. Uma ameaça que todos têm presente: o aquecimento climático. Apesar da oposição de Trump e de as medidas concretas não serem suficientes, cresce a consciência do problema, que é realmente dramático.

2. Excesso de população. E a questão é que o crescimento da população se dará sobretudo nas regiões mais pobres, desencadeando ondas de emigrantes a fugir da miséria. Por outro lado, o envelhecimento das populações trará problemas explosivos para a saúde.

3. A falta de água potável. Consequência inevitável da explosão demográfica em certas zonas do mundo, desencadeando guerras para o seu controlo.

4. Esgotamento haliêutico. Pensa-se que a pesca excessiva, consequência da predação marítima industrializada, já acabou com cerca de 90% dos peixes comestíveis nos oceanos.

5. Fome. À escala planetária seria possível em princípio alimentar a maior parte das pessoas, mas "alguns países demasiado pobres, com governos corruptos, sobretudo na África subsaariana, estão à mercê de uma conjuntura climática desastrosa ou conflitos que desorganizarão a sua cadeia alimentar".

6. Desertificação. A superfície dos desertos, que "já ultrapassa 25% das terras emersas", aumentará rapidamente por causa da combinação do aquecimento climático e da destruição dos solos férteis pela acção humana.

7. Miséria. 1,5 mil milhões de pessoas vivem hoje em condições inumanas. O crescimento ainda rápido da população fará aumentar o seu número nos países mais pobres. Nos mais desenvolvidos, "as crises económicas multiplicam os sem-domicílio-fixo".

8. "Favelização". Dentro de trinta anos, a urbanização atingirá 85% da população mundial, com a consequência de megalópoles não geríveis e massas de pessoas a viver em tugúrios insalubres.

9. Migrações incontroláveis. Já se pode antever na presente situação da Europa o que poderá vir a acontecer a nível mundial: com o excesso de população, o aquecimento global e a desertificação, vamos assistir a multidões de migrantes desenraizados e mal acolhidos por todo o lado.

10. "Democraturas" e populismos. Metade das nações não vive em democracia política, mas em regimes de "democratura" (junção de democracia e ditadura). Nos nossos países, "as derivas populistas, xenófobas ou policiais alimentam-se das crises migratórias e dos temores de pauperização entre as classes médias".

11. Terrorismos. Prosseguirão de modo metódico matanças indiscriminadas por terroristas desesperados. "O sentimento de insegurança dá a volta ao mundo e intensifica regressões políticas."

12. Disseminação das armas de massa. "Armas hiperdestruidoras, nucleares e biológicas, tornam-se cada vez mais fáceis de fabricar." Podemos, pois, antever chantagens de mafiosos e fanáticos, ao lado do terrorismo actual.

13. Holocausto nuclear. A possibilidade de aniquilação da humanidade está cada vez mais presente. Suponhamos armas nucleares nas mãos de grupos terroristas e proliferação nuclear em países instáveis.

14. "Singularidade" tecnológica. É toda a problemática do transumanismo e do pós-humanismo, com as NBIC (nanotecnologias, biotecnologias, inteligência artificial, ciências cognitivas, ciências do cérebro) e a IA (inteligência artificial) forte - voltarei proximamente à questão. "Cientistas sérios anunciam que, antes de meados do século, o poder das máquinas interconectadas escapará aos humanos. As consequências, até agora imprevisíveis, poderiam constituir a mais global das ameaças, mas também a entrada numa era de potencialidades ilimitadas para o bem-estar da espécie. Uma e outra são possíveis, pois cair-se-ia de repente no totalmente inexplorado."
Nestes domínios, "a distância entre o poder fulgurante das tecnologias e a irracionalidade dos que dele dispõem constituirá o perigo dos perigos".

15. O ogro chinês. O centro de gravidade da humanidade vira-se para o Oriente, com a China a tornar-se em breve a primeira potência mundial. Consequências?

16. O fim do trabalho. Entre outras consequências das novas tecnologias - pense-se na robotização crescente -, quem tem pensado verdadeiramente no que vai significar uma sociedade sem trabalho? O que antes poderia ser um sonho - viver sem ter de trabalhar - pode tornar-se um pesadelo. "Realizar uma vida sem emprego remunerado e sem deprimir exigirá tesouros de inventividade social. E um pôr em causa fundamentos da nossa ética. Este poderia ser o maior desafio das democracias no século XXI."

17. Défice de sentido. O humanismo vive hoje confrontado com um duplo desafio: o animalismo e o pós-humanismo. Desgraçadamente, "a ciência agora progride à velocidade da luz enquanto a sabedoria e o bom senso quase nada avançaram desde há cinco séculos."

Frente ao monopólio da razão instrumental, com o materialismo e o consumismo, e o vazio existencial criado pela falta de sentido, questão decisiva para o futuro é a do debate à volta da finalidade humana e da transcendência.