segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Guiné-Bissau: Engenharia social e Politico partidário

Estado não é só frágil quando há bloqueio das instituições… De facto na Guiné-Bissau, não há nenhuma lei que impeça um responsável de um organismo tão importante de passar para uma instituição que vigiou, assim como é fácil um ex-ministro ou ex-secretário de Estado passar para a administração de empresas com as quais teve alguma relação enquanto governante.
O Conselho de Segurança da ONU discutirá a situação na Guiné-Bissau e um relatório especial do Secretário-Geral sobre a avaliação estratégica do Escritório Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau, que recomenda a saída do Escritório até o final de 2020.

Designa-se por engenharia social o processo de tentar convencer alguém de algo fictício, usando interações que podem revestir várias formas: mensagens de correio eletrónico, interações através das redes sociais ou mesmo chamadas telefónicas.
É urgente legislar sistemas de financiamento eleitoral, para o tronar os bem-sucedidos, por isso deve haver maneiras de controlar as campanhas, através de limitações de contribuições e gastos.

Procura-se dar credibilidade a estas interações, usando métodos que exploram a ingenuidade do alvo. Eis algumas técnicas de engenharia social: personificação da vítima, pesquisas ao lixo, espionagem, escuta não autorizada de chamadas, obtenção de informações através da proximidade, discurso convincente, falsas histórias, inserção de unidade usb infetada no posto de trabalho, mensagens não solicitadas (pop-ups, spam-mail, phishing, smishing, vishing), software malicioso (malware) pharming, footprinting e ainda existem técnicas de engenharia social inversa como a sabotagem, publicidade de resolução de problema a de auxílio. Com muitos destes atos o atacante consegue a satisfação da vítima e a sua confiança.
 Componente importante nas crises políticas é o fato de estarem ligados ao financiamento de campanhas e despesas operacionais de partidos políticos. é crucial avançar em reformas que permitam que apenas indivíduos, e não empresas, façam doações privadas para campanhas. Para isso é necessário medidas corretivas para permitir maior igualdade de condições aos candidatos, limitar gastos por candidatos, auditar a divulgação de informações financeiras de partidos e candidatos e impor sanções aos que não revelarem suas finanças.

Atualmente, a engenharia social é considerada um dos maiores riscos de segurança das pessoas e das organizações. As técnicas de ataque são cada vez mais sofisticadas e a vítima muitas vezes não tem a devida noção do ataque, para a obtenção de informação não autorizada. Nos ataques de engenharia social são demonstradas competências sociais do atacante, com recursos a métodos de controlo do comportamento da vítima que abrangem as emoções. Estes ataques estão em constante evolução devido à falta de conhecimento da perigosidade envolvida, a estratégias de manipulação, de influência, de retribuição e de compromisso indevidas e à autoconfiança dos utilizadores. As técnicas de ataques de engenharia social são consideradas como um meio para um fim e não necessariamente um ataque. A problemática da engenharia social é o ser humano ter capacidades de influenciar e ser influenciado e esta matéria deve constar no desenvolvimento de políticas de segurança.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Do corpo de Maria, nasce Jesus, o Salvador


Natal é o aniversário natalício de Jesus Cristo. Jesus agiu como um homem "pura e simplesmente bom, algo que ainda não tinha acontecido". Anunciou o Deus próximo, de amor, o Deus da misericórdia, um Deus amoroso e amável, e o seu Reino: o Reino de Deus, reino da liberdade - "onde está o espírito de Cristo aí está a liberdade", proclamou São Paulo -, reino da justiça, do amor, da fraternidade, da paz, da igualdade radical de todos perante Deus e perante os outros seres humanos, o reino da realização plena de toda a esperança.

Maria, a noiva de José, engravida após consentimento informado e decisão livre. O recém-gerado “apodera-se” do seu corpo e marca o ritmo da sua vida: a nível da fisiologia, das emoções e afectos, da movimentação e das relações, dos incómodos e satisfações. Tudo por amor à boa gestação em curso. Com que intensidade viveria a jovem mãe a fase germinal do seu bebé! Ele, tudo recebia dela, humanamente. Ela, realizava nele o sonho da maternidade.

Lucas, no chamado Evangelho da Infância, faz uma bela narração da anunciação e anota que Maria, após ficar entregue à liberdade da sua decisão, parte “imediatamente”. Toma o rumo da casa de Zacarias, que fica a uns 150 Km de distância, e vai pelas regiões montanhosas da Judeia. Encontra Isabel, a prima, em fase avançada de gravidez daquele que virá a ser João Baptista. E tem um encontro memorável que a liturgia nos faz recordar, hoje. Para nos aproximarmos do significado profundo do que está a acontecer no ventre destas mulheres. Por graça de Deus, com a generosa colaboração delas. Vamos deter-nos em alguns pormenores desta maravilha que ecoa na voz de Isabel. (Lc 1, 39-45).

Ao chegar, Maria faz a saudação tradicional dos judeus: Shalom! Isto é, as bênçãos de Deus estejam contigo. Ou seja, que te sintas realizada na tua gravidez, que aprecies a vida que estás a gerar, que à tua volta haja harmonia e paz, que o teu coração agradecido alimente a sintonia com Deus e o seu desejo de libertar o nosso povo de todos os que nos querem mal, e de guiar os seus passos no caminho da paz, como rezará mais tarde Zacarias, após ter retomado a fala de que, provisoriamente, fora privado.

Isabel ao receber a saudação de Maria, sente que o seu bèbé se agita, estremece, rejubila. E vive esta experiência singular como uma graça especial. Diz o texto: “Ao ouvir a saudação de Maria, o menino exultou-lhe no seio, Isabel ficou cheia do Espírito Santo”. Que maravilha! O que faz uma saudação oportuna de paz! E que interpelação nos deixa: Saudamo-nos uns outros com normalidade? São de alegria e paz as nossas saudações? Temos em conta a situação emocional de quem nos ouve de modo a sintonizarmos e, sendo possível, ajudarmos a elevar o seu ânimo? Ficamos só o tempo necessário?

O ventre de Isabel é o espaço onde Deus actua. Tal como o de Maria. No comentário que faz aos textos deste domingo, Manicardi destaca a relação que existe entre eles e diz: “As referências ao corpo da parturiente (Miqueias, na primeira leitura), aos corpos das duas mulheres grávidas que se encontram (Lucas no evangelho), ao corpo que Deus prepara para Cristo (Hebreus, na segunda leitura), oferecem a possibilidade de uma reflexão, inteiramente enquadrada com a encarnação, sobre o corpo como lugar espiritual, como sacramento da presença de Deus entre os homens”.

Em contraste fica o modo como se encara o corpo humano e o cuidado que se lhe dispensa na actual cultural consumista. Cuidado levado ao requinte, ao serviço do qual se organizam empresas publicitárias de produtos e de terapias, de beleza estética e de plásticas cosméticas. E muito mais, a fazer-nos sentir a urgência de anunciar a dignidade do corpo humano, da sua integridade, das suas funções vitais, da sua beleza espiritual, da sua vocação transcendente.

“A sociedade actual e a cultura do nosso tempo dedicam uma escassa atenção à maternidade enquanto potencial de construção imaginativa e elaboradora. Porque se se valora apenas a biologia e o social, e a liberdade sexual e a igualdade, seremos «a primeira civilização que carece de um discurso sobre a complexidade da vocação maternal». Esse discurso não pode perder-se porque tem a capacidade de proporcionar às pessoas uma maturidade capaz de enfrentar qualquer situação porque se fundamenta num amor maior do que qualquer outra força”. E a autora abre o leque ao amor que acolhe, que recebe, que hospeda, não sobre uma prótese fálica ou narcisista, mas por doação e sublimação, que torna possível a vida do outro, e também a sua criatividade num mundo de singularidades plurais”. (Maria Clara Bingemer, Transformar la Iglesia y la Sociedade en femenino, Cuadernos CJ, 211, Barcelona 2018, p 18).

Cheia do Espírito Santo, Isabel faz uma leitura orante do que acontece em Maria e exclama em alta voz: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me é dado que venha ter comigo a Mãe do meu Senhor? Feliz aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor”. Isabel professa a sua fé no abençoado recém-gerado e proclama a 1ª bem-aventurança de Maria, sua mãe. A piedade popular, ao rezar a Avé Maria, faz sempre esta saudação; e a fé cristã reconhece Jesus como Senhor, após a ressurreição pascal. E aprende as lições do Evangelho de hoje: Levar Jesus no coração, saber ir ao encontro dos amigos e estar sempre ao serviço da caridade.

“O mundo precisa de «muitas Marias» para poder dar à luz projectos de Esperança, aspirações de justiça, desejos de bondade e testemunhos de compromisso. Todos e todas, somos Marias que estamos cheios de Esperança no menino Deus que nos vem. Somos parteiros e parteiras da vida que vem pequena, humilde, pobre e frágil. Só cumprindo a sua vontade, a vida que geramos será em plenitude e dirão de nós: «Felizes porque haveis acreditado» dando Vida, construindo a Vida e celebrando a Vida»”. (Sebastián Rosado, Homilética 2018/6, p. 766).

Saboreemos esta bem-aventurança. Porque do corpo de Maria, nasce Jesus o Salvador. E é Natal cristão.

Papa Francisco denuncia aqueles que «deformam o rosto da Igreja, minando a sua credibilidade»


Francisco reafirmou hoje uma política de tolerância zero contra a pedofilia e a corrupção no encontro de Natal com os membros da Cúria Romana

O Papa destacou hoje no Vaticano o Natal como uma oportunidade de “penitência e renovação para a Igreja Católica”, no meio das “escândalos” que envolveram as estruturas eclesiais ao longo deste último ano.

Durante uma sessão de apresentação de boas festas de Natal à Cúria Romana, esta manhã, na Sala Clementina, em Roma, Francisco reconheceu que “a barca da Igreja vive momentos difíceis, acometida por tempestades e furacões”, nomeadamente devido ao “contratestemunho” e à “infidelidade” de “alguns filhos e ministros da Igreja”.

O Papa argentino referiu-se aos casos de abusos sexuais contra menores cometidos por membros do clero, encobertos por bispos e cardeais, que têm sido dados a conhecer em vários países.

“Desde há vários anos que a Igreja está seriamente empenhada em erradicar o mal dos abusos, que clama por justiça ao Senhor, a Deus que nunca esquece o sofrimento vivido por muitos menores por causa de clérigos e pessoas consagradas: abusos de poder, abusos de consciência e abusos sexuais”, apontou o Papa.

Para Francisco, é fundamental erradicar da Igreja Católica aqueles que, a coberto da sua consagração a Deus, “abusam dos fracos, valendo-se do seu poder moral e de persuasão”, que “cometem abominações e continuam a exercer o seu ministério como se nada tivesse acontecido”; ou que “não temem a Deus nem o seu juízo, mas apenas ser descobertos e desmascarados”

“Ministros, que dilaceram o corpo da Igreja, causando escândalos e desacreditando a missão salvífica da Igreja e os sacrifícios de muitos dos seus irmãos”, frisou o Papa argentino.

Durante o encontro com os membros da Cúria Romana, esta sexta-feira, o Papa afirmou que não haverá lugar na Igreja Católica para situações de pedofilia, para aqueles que Francisco apelidou como “lobos vorazes”, cujos atos “deformam o rosto da Igreja, minando a sua credibilidade”.

Que não haverá lugar para aqueles que “entram, sem pestanejar, na rede de corrupção, atraiçoam Deus, os seus mandamentos, a própria vocação, a Igreja, o povo de Deus e a confiança dos pequeninos e dos seus familiares”.

“Fique claro que a Igreja, perante estas abominações, não poupará esforços fazendo tudo o que for necessário para entregar à justiça toda a pessoa que tenha cometido tais delitos. A Igreja não procurará jamais dissimular ou subestimar qualquer um destes casos. Isto nunca mais deve acontecer”, frisou o Papa argentino.

O Papa lembrou depois os cardeais acerca da importância do encontro que vai ter lugar em fevereiro de 2019, com responsáveis de todas as conferências episcopais do mundo, para abordar a temática dos abusos.

Uma iniciativa através da qual “a Igreja reiterará a sua firme vontade de prosseguir, com toda a sua força, pelo caminho da purificação”.

“A Igreja, valendo-se também da ajuda dos peritos, questionar-se-á como proteger as crianças; como evitar tais calamidades, como tratar e reintegrar as vítimas; como reforçar a formação nos seminários. Procurar-se-á transformar os erros cometidos em oportunidades para erradicar este flagelo não só do corpo da Igreja, mas também do seio da sociedade”, apontou Francisco.

O Papa argentino recuperou aquilo que disse acerca do Natal como época de “penitência e renovação” para a Igreja Católica, para realçar que o nascimento de Jesus “é a festa que dá a certeza de que nenhum pecado será maior do que o empenho de Cristo”.

Muito deste processo de renovação, observou o Papa, depende também da vontade da própria Igreja em assumir os seus erros e corrigir o que está mal.  

“Uma Igreja empedernida será sempre uma Igreja sem esperança”, asseverou Francisco.

Do lado do Cúria Romana, os cardeais de todo o mundo afirmaram o seu empenho de “participar na solicitude quotidiana do Papa, por toda a Santa Igreja” e enalteceram “o esforço imparável de Francisco a favor da paz e da colaboração entre os povos”,  as “várias viagens internacionais pontifícias” que foram promovidas, e acontecimentos como “o Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens, e a canonização do Papa Paulo VI”.

Os membros do Colégio Cardinalício agradeceram ainda particularmente ao Papa argentino pela dádiva “da sua última exortação apostólica, ‘Alegrai-vos e exultai’, que fez ressoar de novo dentro da Igreja Católica o desafio a uma reforma interior, em ordem à santidade”.

“Recordou-nos, de modo particular, que na base de cada renovação está o empenho de colocar Deus no centro de toda a nossa vida”, apontou o representante da Cúria Romana.Com a Ecclesia

A Guiné-Bissau no Conselho de Segurança da ONU


O anúncio da redefinição do papel da UNIOGBIS no país já é um passo, mas mais que isso, é preciso retirar a Guiné-Bissau da agenda do Conselho de Segurança. Nas circunstâncias actuais, a permanência do país na agenda do Conselho de Segurança dá mais publicidade negativa ao país que positiva.

Por, Dr. Pedro Ros­a Có

Desde 1998 que a Guiné-Bissau entrou para a agenda do Conselho de Segurança da ONU, na sequência do conflito político-militar de Junho de 1998.

A Guerra civil durou 11 meses apenas, tendo terminado em 1999 e as eleições gerais realizadas em 2000. Depois, seguiram-se crises políticas de maior ou menor dimensão, mas que nunca constituíram uma ameaça real à paz e a segurança internacionais. Pelo contrário, durante esse período, a Guiné-Bissau contribuiu para a estabilização da Casamança, expulsando a rebelião do seu território, retirando-lhe a retaguarda.

Pela dimensão e gravidade de problemas por este mundo fora, tenho dificuldades em compreender a permanência da situação da Guiné-Bissau na agenda do Conselho de Segurança da ONU durante esse tempo todo.

Com a realização de eleições em 2000, o seguimento da situação no país deveria ficar apenas sob alçada da União Africana e da CEDEAO. Aliás, esta última é a que realmente tem expressão nos assuntos do país, seja para financiar, seja para garantir a segurança, seja ainda para mediar.

O anúncio da redefinição do papel da UNIOGBIS no país já é um passo, mas mais que isso, é preciso retirar a Guiné-Bissau da agenda do Conselho de Segurança. Nas circunstâncias actuais, a permanência do país na agenda do Conselho de Segurança dá mais publicidade negativa ao país que positiva.

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

Guiné-Bissau: Marinha de Guerra e Guarda Nacional unidas no combate a pirataria marítima

As Forças Armadas Revolucionarias do Povo guineenses, formam as suas estruturas para obter respostas convenientes que permitirão no futuro uma atuação rigorosa com base nas leis e normas internacionais capazes de garantir um controlo eficaz da costa marítima e um desenvolvimento sustentável, o que obviamente passa pelo cumprimento das directrizes do Estado da Guiné-Bissau

O curso de 15 dias decorrera sob tema: As Convenções das Nações Unidas sobre os Direitos do Mar (CNUDM) e Regras Internacionais para Evitar Choques Marítimos.

Na ocasião, o Contra Almirante Carlos Alfredo Mandungal mostrou-se esperançado na receção de novos conhecimentos pelos seus tropas e fez menção do famoso pensador Gabriel Queiroz Ribeiro que diz que o saber nunca ocupa o espaço. Tendo destacado a tamanha importância da participação dos oficiais militares e paramilitares nesta formação e no combate colectiva contra as ações nefastas praticadas na costa marítima da Guiné-Bissau, o que segundo ele vai contribuir para uma maior segurança costeira.

Para o Consultor Especial das Nações Unidas (NU) para o Programa de Combate aos Crimes e Drogas, Capitão-de-fragata, José Maria da Silva na qualidade do monitor do curso, esta formação é muito importante para os homens que operam no mar, visto que se trata das convenções das Nações Unidas sobre diferentes leis incluindo as do mar que muitas das vezes designam-se como “As convenções do Mondego Bay Jamaica” assinado em 10 de Dezembro de 1982.

Tendo defendido ainda que este curso enquadra-se na transmissão de conhecimentos situacionais marítimas da Guiné-Bissau como um país que está situado numa encruzilhada costeira, onde passam os três continentes nomeadamente, a Europa, América e a Ásia, e com um potencial comercial e de transporte marítima, pois, é fundamental para a economia dos Estados e autoridades marítimas intervenientes nestas zonas, e torna imperativo a aquisição dos conhecimentos, o saber e a aplicação das referidas leis e normas internacionais que orientam o funcionamento marítimo nesta costa.

O Comandante Geral da Guarda Nacional (GN), Brigadeiro General Armando Marna enalteceu a importância do curso na medida em que visa capacitar os técnicos da Marinha e da Guarda Nacional no intuito de implementarem a lei nº 8 da GN, conjugar com a Marinha da Guerra Nacional a aplicação da lei magna do país e fortalecer os trabalhos comum extra a sua instituição. Em segundo lugar, servir de fiscalizadores do cumprimento das leis e normas internacionais sobre a circulação e o tráfico marítimo.

Ainda o Brigadeiro Marna apelou os formandos no sentido de aproveitar no máximo o momento, para questionar e com a finalidade de obter respostas convenientes que permitirão no futuro uma atuação rigorosa com base nas leis e normas internacionais capazes de garantir um controlo eficaz da costa marítima e um desenvolvimento sustentável, o que obviamente passa pelo cumprimento das directrizes do Estado da Guiné-Bissau. Com as FARP’s

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Teoria das Elites - O poder político monopolizado pelos governantes

Autor de imagem: Intelectuais Balantas Na Diáspora

A teoria das elites surgiu no final do século 19 tendo como fundador o filósofo e pensador político italiano, Gaetano Mosca (1858-1941). Em seu livro "Elementi di Scienza Política" (1896), Mosca estabeleceu os pressupostos do elitismo ao salientar que em toda sociedade, seja ela arcaica, antiga ou moderna, existe sempre uma minoria que é detentora do poder em detrimento de uma maioria que dele está privado.


Os poderes econômicos, ideológicos e políticos são igualmente importantes, mas em seus escritos Mosca deu ênfase à força política das elites. O restrito grupo de pessoas que a detém também pode ser denominado de classe dirigente.

De acordo com esta teoria as sociedades estão divididas entre dois grupos: os governantes e os governados. Os governantes são menos numerosos, monopolizam o poder e impõem sua vontade valendo-se de métodos legítimos ou arbitrários e violentos ao restante da sociedade.

Governantes e governados

 O conceito de divisão do poder entre governantes e governados, porém, não é algo novo e consta nos escritos de muitos filósofos e pensadores antigos e modernos (Maquiavel, Montesquieu, Karl Marx, entre outros).

Entretanto, a originalidade da teoria das elites formulada por Mosca, advém da preocupação em explicar que a classe dirigente (ou seja, os governantes) constitui uma minoria detentora do poder pelo fato de serem mais organizados.

Desse modo, seja por afinidade de interesses ou por outros motivos, os membros da classe dirigente constituem um grupo homogêneo e solidário entre si, em contraposição aos membros mais numerosos da sociedade, que se encontram divididos, desarticulados e consequentemente, desorganizados.

Importante enfatizar também que, segundo o estudo realizado por Mosca, a dominação política exercida por um grupo minoritário dentro da sociedade pode ser presenciada em qualquer sistema de governo: ditadura ou democracia.

Desigualdades sociais

Depois que Gaetano Mosca formulou a teoria das elites, outros pensadores sociais empregaram o termo "elite" de maneira diversa, dando origem a novos conceitos e teorias. No campo das ciências sociais, por exemplo, o estudo das elites políticas beneficiou o desenvolvimento da ciência política.

Neste aspecto, devemos considerar os estudos do economista e sociólogo, Vilfredo Pareto (1848-1923), que publicou dois estudos importantes: "Manual de Economia Política" (1906) e "Tratado de Sociologia Geral" (1916). No "Tratado de Sociologia Geral", Pareto se preocupou com o estudo da interação social entre as diversas classes de elites, cujas mais importantes, segundo ele, são: as elites políticas e as elites econômicas.

O mais importante destaque do estudo é o processo de decadência das elites, observado por Pareto, ou seja, historicamente as elites lutam entre si e se sucedem umas às outras no exercício da dominação política.

Pareto também chama a atenção para o fato de que, em qualquer sociedade, os homens são desiguais. As desigualdades entre os indivíduos contribuem diretamente para o surgimento das elites.

Pareto tinha convicção na superioridade das elites econômicas e políticas porque acreditava que as desigualdades sociais faziam parte da "ordem natural" das coisas. Devido à sua intransigente defesa da dominação das elites, e também por ser um crítico contumaz de qualquer forma de regime socialista, Pareto é apontado como o ideólogo precursor do fascismo. Não obstante, ele nunca aderiu formalmente ao regime fascista italiano.

Oligarquias partidárias

Os estudos de Mosca e Pareto serviram de base para formulação de novas teorias das elites. Dentro deste campo de pesquisa, cabe destacar o estudo do sociólogo alemão Robert Michels (1876-1936), "Partidos Políticos: um Estudo Sociológico das Tendências Oligárquicas da Democracia Contemporânea" (1912). Neste estudo, Michels analisou a dinâmica inerente à política democrática a partir da observação dos partidos políticos de massa.

Com base em evidências empíricas demonstrou que mesmo dentro das organizações partidárias que funcionam num sistema político democrático, há fortes tendências à elitização, ou seja, concentração de poder num grupo restrito de pessoas. Michels chamou essa tendência à elitização de "lei de ferro das oligarquias".

A maior contribuição da teoria das elites formulada por Michels se refere ao fato, inusitado e paradoxal, de que a elitização ocorre até mesmo no interior das organizações comprometidas com os princípios de igualdade e democracia, ou seja, os partidos políticos de massa.

O conceito de elitização e "lei de ferro das oligarquias" também pode ser aplicado aos sindicatos, corporações e grandes organizações sociais. Uma organização, partido político ou movimento social podem surgir em decorrência de verdadeiros objetivos igualitários e democráticos, porém, com o passar do tempo, a tendência à elitização ou oligarquização se manifesta.

Outras definições.

Fora do campo dos estudos acadêmicos o termo "elite" é usado para se referir aos grupos hierarquicamente superiores dentro de uma organização burocrática; o exemplo mais comum é a referência às certas unidades militares dentro das Forças Armadas.

Também é comum denominar de elite os grupos que estão situados em posições sociais superiores como acontece com as classes sociais, detentoras de poder econômico. Outras referências genéricas são aplicadas às organizações burocráticas e empresariais.

Por: Renato Cancian, mestre em sociologia-política e doutorando em ciências sociais

GUINÉ-BISSAU: ONDA DE GREVES QUASE PARALISA O PAÍS. LEMBRAR!

“O homem patriota "é um rebelde com orgulho. Ele rejeita a escravidão" dos partidos políticos, "e por isso é que é rebelde. Ele apela à libertação" do seu povo, "e por isso é que é rebelde". 
O povo escravizado pelos djilas políticos, por sua vez, é tão escravo, que chega "a fazer movimentos" anti-homem patriota. É tão escravo, que quer continuar a ser escravo. É tão apegado à escravidão, "que qualquer sabor de mudança deve ser reprimido e oprimido". O povo escravizado pelos djilas políticos, é tão escravo, "que chega a reprimir e oprimir quem o poderia" ter libertado de escravidão onde se encontra ainda.
Em suma, depois da morte do homem patriota, o povo escravizado passa a viver em nostalgia eterna dele. Ouve-se os lamentos do povo em tempos conturbados: se ele estivesse vivo a nossa soberania não estaria em causa. O homem patriota é livre por excelência. O homem patriota é imortal.” – O Filósofo, Dr. Quintino Na Nduk 


As greves desencadeadas hoje por trabalhadores da função pública da Guiné-Bissau deixaram o país quase paralisado. Desde a saúde e a educação aos serviços de energia e água, passando pelos organismos da Assembleia Nacional Popular, os protestos foram generalizados.

Os números disponibilizados pelos sindicatos às primeiras horas da greve indicam "uma forte adesão ao protesto", que visa obrigar o Governo a pagar mais de sete meses de salários em atraso.

"Em alguns sectores, como a saúde, a educação, a energia e águas, a adesão à greve aproxima-se dos cem por cento e em nenhum dos outros sectores é inferior a 80 por cento", indicou fonte da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG), a maior central sindical do país.

Uma das áreas em que se receiam mais os efeitos da paralisação é nos serviços dependentes da Assembleia Nacional Popular (ANP), nomeadamente a Comissão Nacional de Eleições (CNE), responsável por preparar as eleições legislativas antecipadas marcadas para 6 de julho próximo.

Apesar de ninguém descartar um eventual adiamento da data da ida às urnas — tendo em conta que, a 30 dias do início da campanha eleitoral, o recenseamento e a cartografia do território ainda não começaram, processo que, de acordo com os técnicos, levará um mês a estar concluído —, a paragem na CNE vai ter consequências graves no processo eleitoral.

A Empresa de Energia e Águas da Guiné-Bissau (EAGB) e os serviços de saúde vão parar pelo menos uma semana, enquanto na educação a paralisação poderá atingir os 15 dias e na ANP os dez dias úteis, prorrogáveis automaticamente se não houver acordo com o Governo.

No entanto, o Executivo de Kumba Ialá parece empenhado em alcançar um acordo que acabe com as paralisações, nomeadamente na educação. O Sindicato Nacional dos Professores (Sinaprof) reuniu-se esta manhã com vários membros do Governo. O ano lectivo 2002/03 poderá vir a ser declarado nulo, dado que as sucessivas greves no sector, em protesto face ao não pagamento de salários, já diminuíram o tempo de aulas em quase 50 por cento. Registo do passado recente no Publico