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quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Guiné - Bissau, População guineense aponta fragilidades e fala em "suborno" para facilitar entradas no País



Habitantes das regiões do leste da Guiné-Bissau estão preocupados com as "fragilidades de medidas" de prevenção do vírus Ébola na zona onde acusam as autoridades de deixarem entrar pessoas provenientes da Guiné-Conakry a troco do suborno.

A preocupação foi relatada nesta quarta-feira pelo correspondente da Radiodifusão Nacional (RDN, emissora estatal) citando casos de pessoas que entraram nos últimos dias na fronteira de Burumtuma, localidade guineense situada a escassos metros da Guiné- Conakry.

"Um oficial militar que estava em serviço na Guiné-Conakry violou a fronteira e entrou na Guiné-Bissau, em Burumtuma, onde alugou uma viatura para Gabu, dando boleia a uma senhora, os dois mais o motorista vieram até Gabu", contou o correspondente da RDN, Adulai Bobo Cissé.

Segundo o jornalista, em Bafatá, numa outra cidade do leste, populares estão a relatar situações de entrada de pessoas na fronteira a troco do pagamento de dez mil francos CFA "de suborno" aos guardas fronteiriços que as deixam passar, contrariando as orientações do Governo.

Confrontado com a situação pela Agência Lusa, o director-geral da promoção e prevenção da Saúde Pública, Nicolau Almeida, disse desconhecer os dois casos, mas lembrou ser da competência dos serviços de segurança a vigilância do encerramento da fronteira decretada pelo Governo.

As duas pessoas e o oficial militar que viajaram de Burumtuma até Gabú encontram-se em quarentena num espaço fora do hospital regional, adiantou o jornalista Bobo Cissé. "Depois de uma comunicação das Guardas Fronteiras em Burumtuma as três pessoas foram interpeladas pelas autoridades em Gabu que as meteu em quarentena num espaço fora do hospital regional de Gabu", disse o jornalista Cissé. A direcção diz não ter espaço suficiente no hospital, adiantou ainda o jornalista.

Nicolau Almeida entende não ser grave o facto de as pessoas terem sido colocadas numa casa desde que não tenha mais pessoas a viver no mesmo espaço. Também esclareceu que não constitui perigo o facto de as pessoa terem vindo de um país onde haja doença desde que não apresente sinais de infecção com o vírus Ébola.

O jornalista da RDN assinala que os três indivíduos não apresentaram sinais de infeção segundo foi informado pelos responsáveis da Saúde. Os populares não concordam com a alegação do diretor-geral da promoção e prevenção da Saúde Pública.

"Esta quarentena que não é quarentena é preocupante. Do lado de trás da casa onde foram colocados há lá um mercado improvisado de venda de cabras. Há 20 metros de distância há um local onde se vende comida e bebida", relatou ao microfone de Bobo Cissé um popular de Gabú. Um outro popular diz que a casa onde as três pessoas foram colocadas "de quarentena" não tem água potável, não tem casa de banho e as janelas dos quartos não têm vidros de isolamento.

Uma outra voz afirma que os indivíduos até recebem visitas de familiares. "Estamos em pânico", acrescentou a mesma voz que pede a intervenção do Governo central. "Noutras partes do mundo a quarentena é feita em locais distantes de aglomerados populacionais, mas aqui não é assim", diz um outro popular que conta ainda ser frequente ver aquelas pessoas a tomarem warga (um chá)

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Guiné - Bissau, Governo acompanha encerramento das fronteiras



Uma delegação composta pelos ministros da Saúde, da Administração Interna e da Defesa Nacional terminou uma digressão pelo interior do país, nas fronteiras leste e sul da Guiné-Bissau.

A missão teve como objectivo examinar o nível de implementação da medida do Governo no que diz respeito ao fecho das fronteiras, anunciada pelo Executivo na sequência do surto do ébola na Guiné-Conacri.

De região de Gabu à região de Tombali, concretamente nos sectores de Pitche, Quebo e Cacine, a delegação chefiada pela ministra da Saúde, Valentina Mendes, esteve nos vários postos de controlo da fronteira entre a Guiné-Bissau e a Guiné-Conacri, país afectado nos últimos tempos pela epidemia.

Em Fula More, uma das travessias para Conacri, Sedja Alberto da Silva, enfermeiro Chefe do Centro de Saúde de Pitche, região de Gabu, reconheceu a gravidade da doença e apelou ao envolvimento de todos na sua prevenção.

«É uma doença muito perigosa, não pode ser resumida apenas aos agentes da saúde. As autoridades presentes aqui na fronteira devem ajudar a controlar as pessoas que vão entrando por vias clandestinas, portanto, se não houver a colaboração, a doença pode infiltrar-se no país», advertiu.

No posto de controlo de Sangonha, sector de Quebo, região de Tombali, no sul do país, um residente local descreveu à PNN a questão da falta de infraestruturas sanitárias para a população, tendo em conta a epidemia do ébola.

Seco Aba Queta, também em Sangonha, disse ser confrontado todos os dias com pedidos de entrada de comerciantes da Guine-Conacri, via marítima, através das pirogas.

«Todos os dias recebemos telefonemas de pequenos comerciantes provenientes de Conacri, que chegam ao nosso país em pequenas embarcações a partir de Sansale. Os nossos populares já não frequentam aquela zona», disse Seco Aba Queta.

Face a esta situação, a ministra Valentina Mendes informou aos populares da região sul que o dever de qualquer Governo é preservar a saúde da sua população, razão pela qual o Executivo e a Presidência da República estão preocupados com o alastramento do ébola em África.

Trata-se de uma doença mortal que ainda não tem a cura, transmitida através do contacto pessoal e da falta de higiene, conforme disse Cadi Seidi, ministra da Defesa Nacional.

Botche Cande, ministro da Administração Interna, também aconselhou a população da fronteira do sul do país sobre o perigo do eventual acolhimento de qualquer pessoa proveniente da Guiné-Conacri.

«Se alguém vos pedir que para dar proteção, deixando entrar aqui, ninguém pode. Se for ao contrário não estão a contribuir para a prevenção do ébola», alertou.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Guiné – Bissau, materiais utilizados no hospital são dos anos 60



Por,Filomeno Sambú
No Odemocrata

O diretor do Serviço de Cuidados Intensivos do Hospital Nacional Simão Mendes, Mboma Sanca, afirmou na passada terça-feira, que a situação higiénica do único centro hospitalar de referência nacional “está muito mal”, porque quem faz esse serviço já não tem condições físicas para o fazer. No entendimento do médico, torna urgente contratar uma empresa de limpeza para se ocupar desse serviço “desde os imóveis até às salas de tratamento dos doentes e de internamento, ou seja tudo o que toca com o hospital”, referiu.

“Para além das condições higiénicas do hospital que não são das melhores, os hospitais em si confrontam-se com problemas de bactérias e infeções, que são próprios dos hospitais. Essas bactérias aproveitam dos medicamentos e os antibióticos usados no hospital para sua alimentação” explica.

Na mesma entrevista, o médico revela que os materiais utilizados até hoje no maior centro hospitalar no país são dos anos sessenta (60), sublinhando que “há situações em que as enfermeiras fazem partos sem luvas e médicos observam os doentes sem luvas” o que na sua opinião “ constitui um crime”.

Para Mboma Sanca, os mecanismos para mudar a tendência de os doentes continuarem a ir ao hospital e sair com infeção, passa pelo tratamento dos doentes. Todavia, avança que, “esse não é o caso dos nossos hospitais em que pessoa vai ao hospital e depois leva para casa o que não tem”, referiu.

Assegurou que na Guiné-Bissau é recorrente os doentes saírem dos hospitais para casa com “ graves problemas ligados ao pneumonia e broncopneumonia” devido à falta de controlo das infeções hospitalares.

“Há dois tipos de infeções: Umas adquiridas nas comunidades e outras nos centros hospitalares. Aquelas adquiridas nos hospitais são mais agressivas e mortais do que as outras das comunidades, por isso é fundamental controlar as infeções, fazer testes, proceder às limpezas das salas e a manutenção dos catetes, fontes onde as bactérias facilmente penetram para causar danos às vidas humanas”, notou.

O responsável pelo Serviço dos Cuidados Intensivos do Hospital Nacional Simão Mendes avisa por isso que, caso esses cuidados não forem doravante tidos em conta “ estaremos a permitir mais a evolução das doenças do que travá-las”.

Ele lembra que a medicina é a tecnologia e que as coisas mudam em função das evoluções que se vão operando na área” as próprias bactérias também evoluem sistematicamente”.

“No nosso caso, temos por exemplo, estufas utilizados para a esterilização dos materiais no bloco operatório, são de anos sessenta (60), ou seja a situação é praticamente idêntica, quando faz referência a outros setores do hospital”, sublinha Mboma.

Neste sentido, defende que o Governo deve engajar-se seriamente, porquanto o combate a essas infeções ou de outros males à saúde não depende em grande medida dos médicos, das parteiras nem de quem trabalha no hospital, mas sim do Ministério da Saúde, enquanto instituição que tutela a área. “ Quem manda vir os medicamentos e os materiais é o Ministério”, indicou.

O nosso entrevistado acusa ainda o Ministério da Saúde de falta de política virada ao hospital, enquanto “ rosto da Guiné-Bissau”.

Enumerando as dificuldades que o maior centro hospitalar do país enfrenta, o médico fala da falta de água e da eletricidade, consideradas necessidades básicas para tratamento eficaz dos doentes. Asseverou ainda que no caso do hospital Simão Mendes, os médicos chegam a operar doentes sem uma bata especializada e por mais incrível que pareça, as batas utilizadas não são conservadas em perfeitas condições. “Um médico do bloco operatório chaga a operar doente e depois sai a movimentar com a mesma bata na rua, o que significa transportar a infeção para doente”, explica.

Quanto ao surto de Ébola que assola a vizinha República da Guiné-Conacri e mais três países da sub-região (Libéria, Serra-Leoa e a Nigéria), o médico diz que não acredita na capacidade de resposta do hospital face a uma eventual entrada da epidemia no país, porque “simplesmente nada está ser feito nesse sentido”, justificou, dando exemplo da Nigéria, um “ gigante” na costa, mas que já teve casos resultantes do Ébola, pelo que esse seria o momento ideal de o país começar a tomar medidas necessárias para uma eventual situação de emergência, contudo notou que o novo executivo está sensibilizado sobre o assunto.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Guiné - Bissau, Djurtus na pré-eliminatória da taça de Africa das Nações a decorrer em 2015 em Marrocos.



O Governo de Timor Leste disponibilizou mais de sessenta e dois milhões de francos CFA para financiar a deslocação, no dia 19 deste mês, da Seleção Nacional de Futebol da Guiné-Bissau a Botswana para o jogo da primeira mão da segunda pré-eliminatória da taça de Africa de Nações a decorrer em 2015 em Marrocos.

A informação consta de uma nota da Agência de Cooperação daquele país Asiático a que a ANG teve hoje lugar.

De acordo com o documento o financiamento vem na sequência de pedido formulado pelos jogadores e equipa técnica da seleção de futebol da Guiné-Bissau ao primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, aquando da sua visita de trabalho à Guiné-Bissau em junho último.

O apoio insere-se no âmbito da ajuda humanitária do governo de Timor-Leste ao povo irmão da Guiné-Bissau”, esclarece a nota.

O encontro da segunda mão da segunda pré-eliminatória da Taça de África de Nações está previsto para o dia 1 de Agosto.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Guiné-Bissau propõe à UA criação de fundo de assistência imediata


A Guiné-Bissau pediu quinta-feira à União Africana (UA) a constituição de um Fundo de Assistência imediata, com vista a ajudar a atenuar o impacto negativo que a ausência de recursos tem na vida das populações do país.

O apelo foi lançado pelo novo Presidente do país, José Mário Vaz, no seu discurso à sessão inaugural da XXIII cimeira ordinária da UA a decorrer até sexta-feira na capital da Guiné Equatorial.

O dignitário Bissau-guineense justificou que o país se encontra ainda em situação económica e financeira difícil, sem possibilidade de fazer face aos compromissos básicos, como o pagamento de salários aos servidores do Estado, que estão atrasados há seis meses.

Ele declarou estar consciente das dificuldades globais, mas que conta com a solidariedade africana de sempre, "expressa em gestos concretos que testemunham o sentimento de amizade e irmandade que une os países e povos do continente".

Argumentou ainda que, nos últimos dois anos, a Guiné-Bissau experimentou dificuldades várias, enquanto nação, sendo colocado perante desafios à sua maturidade política para encontrar soluções transitórias, com diálogo construtivo, assente na vontade política interna de ultrapassar as divergências que conduziram à alteração da ordem constitucional no país.

Ressaltou que aos esforços internos foram associados importantes contributos de parceiros internacionais, como a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), a União Africana e Nações Unidas.

Mário Vaz agradeceu por tais esforços, considerando que "valeu a pena o sacrifício, de todos, já que a Guiné-Bissau retornou à normalidade constitucional e ao pleno convívio do contexto das nações".

//PANA