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domingo, 28 de agosto de 2016

‎Alguns compatriotas guineenses, quando a justiça faz o seu trabalho a julgam abusada...


Por, Plinio Gomes

Não compreendo alguns compatriotas nossos! Quando a justiça não funciona, eles ralham. Quando a justiça faz o seu trabalho a julgam abusada. 

O que querem, afinal, os guineense? 

A justiça não é só para os pobres, para os insignificantes. Ela é também para os poderosos. Se querem uma justiça independente e justa, devem estar preparados para a aceitar e com as suas imperfeições. Mas, até que ponto se pode aceitar, uma certa imperfeição, quando se trata de justiça?

Penso que, um Procurador Geral da República só pode deter um cidadão, quando reunir todas as provas que pesam contra esse cidadão. Prender para depois libertar me parece uma justiça mole, fraca, injusta e despreparada.

Uma justiça figurativa, tendenciosa e mal preparada, nunca obteve bons resultados. Acho que há falta de recursos humanos competentes para a investigação. Não acho que nessa nossa Guiné-Bissau, onde a corrupção anda de mãos dadas com os desvios de fundos e todos os tipos de burlas, a justiça seja incapaz de reunir provas palpáveis contra os malfeitores. Falamos de impunidade, quando a justiça é defeituosa. O que está em causa, não são os suspeitos. É a justiça que é impotente, incapaz de provar por A+B a culpabilidade de certos suspeitos. A justiça não pode funcionar com alegações, com suposições, com dúvidas e com o abstrato.

A justiça não é uma ciência exacta mas, ela não foge à regra do 2+2=4. Os casos aparecem nos jornais, e, são debatidos na praça pública e no fim de tudo os mesmos se evaporam na praça como nasceram. Sem argumentos fortes, sem acusação fundada, nenhum cidadão deve ser capturado e detido. Há leis que protegem todos os cidadãos e essas leis não devem ser violadas. Se houvesse reparação para os danos físicos e morais causados às vítimas de prisões arbitrárias, na Guiné-Bissau, o governos trabalharia só para pagar tais danos.

Quando um PGR lança um mandato de captura, é porque, ele já tem um dossier organizado e com provas convincentes e aceitáveis, que ao abrigo das leis comprometem o tal suspeito. É evidente que nenhum guineense será apanhado em flagrante, com a boca na botija. Mas nada impede que uma investigação exaustiva seja feita para descobrir de onde vem toda a riqueza ostentada, cujas rendas não justificam.

Os suspeitos é que devem justificar de onde lhes vêm toda a fortuna. Se se tratar de herança ou qualquer dívida contraída, cabe o suspeito os provar. Até a data presente a Guiné-Bissau não teve um PGR capaz, ousado e competente para livrar esse país de todos os males, ligado à justiça. Vemos uma novela de justiça e no fim os culpados e as suas vítimas coabitam juntos. A calúnia é a pior injustiça que pode sofrer um homem.


Quem condena um inocente, deixa escapar impune o verdadeiro culpado. Não há nenhum crime perfeito. À incompetência de quem investiga é que transforma qualquer crime ordinário num crime perfeito. Nota-se que na Guiné-Bissau os criminosos são mais astuciosos que os juízes. Razão para que os juízes sejam ridicularizados.

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

Décima praga do PAIGC para com o povo digno da Guiné-Bissau

Por, Dr. Kabi Na Debé

Na realidade,a única loucura que os dirigentes do partido da renovação social(PRS),estão prestes a cometer consiste em aceitar a proposta "envenenada"do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo-verde(PAIGC) para formar um governo dito de unidade nacional, que devia ser uma negociação a nivel do parlamento ou na plenaria da ANP.

Esta loucura seria de tal ordem que também convenceria o povo que a culpa não morre solteira.

PAIGC pretende com a sua política maquiavélica aproveitar-se das circunstâncias por si criadas para encarolar os renovadores a seguirem os seus passos falsos, em não assumir a sua culpa para com o povo digno da Guiné-Bissau

Não se poderia admitir qualquer negociação com os "abutres" na sede do partido,uma vez que não houve a data qualquer fragmentação da nova maioria parlamentar.Além do mais,os constrangimentos impostos na assembleia é da autoria do PAIGC.

Ora,o programa do então primeiro ministro legítimo não foi debatido por culpa da bancada do PAIGC e do presidente da ANP,Cipriano Cassamá sem que houvesse razões materiais que justificam tal bloqueio.

Recordo que ,o PAIGC recusa acatar decisões de um órgão de soberania(STJGB),alegando que houvera "prostituição" interpretativa.

Para o efeito,espero que esta décima praga não atingisse o povo da Guiné-Bissau,e porque dá "nojo" ver os dirigentes do PAIGC a insistirem pelo poder.

Portanto,está bem patente que os dirigentes do partido africano de independência da guiné e cabo -verde(PAIGC) ,estão ofuscados pelo poder,por seu turno,não conseguem viver sem serem ministros.


CRIDU I DJUSTA DJÁ!

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Guiné-Bissau: Boa administração da justiça

Justiça é um conceito abstracto que se refere a um estado ideal de interacção social em que há um equilíbrio, que por si só, deve ser razoável e imparcial entre os interesses, riquezas e oportunidades entre as pessoas envolvidas em determinado grupo social. Trata-se de um conceito presente no estudo do direito, filosofia, ética, moral e religião. Suas concepções e aplicações práticas variam de acordo com o contexto social e sua perspectiva interpretativa, sendo comumente alvo de controvérsias entre pensadores e estudiosos. 
Em um sentido mais amplo, pode ser considerado como um termo abstracto que designa o respeito pelo direito de terceiros, a aplicação ou reposição do seu direito por ser maior em virtude moral ou material. A justiça pode ser reconhecida por mecanismos automáticos ou intuitivos nas relações sociais, ou por mediação através dos tribunais, através do Poder Judiciário.- wikipedia

Por, Dr. Kabi Na Debé

Dr. João Bernardo Vieira continua detido porque subsiste o interesse para a descoberta da verdade ou para a prova, ou seja, para a realização da justiça.

Tudo indica que ainda é necessário, de momento, a realização de qualquer outra diligência útil à descoberta da veracidade material dos fatos.

Por outro lado, ocorreu as circunstanciais excepcionais (por exemplo: complexidade do processo) que impossibilitou o juiz de instrução criminal (figura facultativa) de proferir ou deduzir despacho de acusação (pronuncia,283) ou de não pronuncia (arquivamento dos autos) ´ 276,277,283,279,CPP.

A manutenção da detenção em nada viola os preceitos constitucionais e processuais, artigos,254/1,a) CPP,27 e 28 CRP- e deve limitar-se ao necessário para salvaguardar outros direitos ou interesses constitucionalmente consagrados, nomeadamente a boa administração de justiça, artigo 18/2 CRP.

Também é preciso ter em conta o fato de estarmos no âmbito de suspeita de prática de ilícito económico-financeira que é de muito difícil prova.

Posto isto, tem relevo chamar atenção que a circunstancial que impediu o MP de cumprir o prazo legal de 48 horas, não implica a libertação do detido, nem constitui a nulidade dos autos e nem constitui prisão ilegal, porquanto os prazos são ordenados e não peremptório. Contudo, o juiz de instrução terá que pronunciar num prazo razoável, sob pena de recurso de incidente de a celeridade processual. Demais, o excesso é ilícito por violação do princípio da proporcionalidade, nomeadamente na sua dimensão de adequação aos fins visados pela lei, de presunção de inocência do arguido.

Entretanto, contra a detenção ilegal é possível reagir por meio de HABEAS CORPUS, dirigido ao JIC da área onde se encontrar detido, artigos 220 e 221cpp. (o que não se verifica até ao momento neste caso em apreço)

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Etnicidade na Guiné-Bissau

 Por, Revelina Dã Tigna Armando Sá 

É muito interessante esta nossa diversidade étnica.

Para quem não sabe a Guiné-Bissau é constituído por 40 etnias que compõem o povo daquele lindo país, fazendo-se o mosaico do mapa cultural.

Em cada um dos traços de filhos da Guiné-Bissau existe uma beleza representada, belezas únicas que representam cada etnia que juntos constituem o povo Guineense em diferentes manifestações morfológicas.

Neste caso vou dar exemplo de uma das etnias que é a etnia papel (pepel). Embora esta etnia seja exposta durante 5 séculos, conseguiu persistir estes tempos todos mantendo às suas raízes autóctones.

Começando pela matriz da representação no culto do pano e da nudez no casamento.

O culto de circuncisão (fanado), de dança, e de cerimónias tradicionais.
O culto de tecelagem (tisidur di pano) e uma das características destes cultos é lavoura e pesca.

E é uma etnia que sempre teve papel importante na primazia da emigração interna levando-se consigo as suas matrizes de representação. No sul/Tombali - fazem artesão de ferraria para lavoura. Quinará - criação de grupos de lavradores. Bidanda - cultivadores de mandioca e igualmente em M'pada, Can e Batambali onde tem concentração de pescadores e tecelagem. Bolama - antigo interposto colonial, a concentração dos papeles é na produção do cajú e nas Ilhas bijagós é na produção de óleos de palma e os seus derivados e é nestas mesmas ilhas que saiem 80% de palha que cobre às casa em Biombo e sem esquecer o famoso Djiu di Galinha.

Na região Norte estão situados em Psis - onde fazem pescas e extracções de óleos de palma. Caió - também fazem pescas e tecilagem. Cachéu - pesca e tecelagem e Canchungo idem. Entre outros.

Em resumo é uma etnia trabalhadora e de energia vibrante que mantém uma relação recíproca com a terra endógena.

Agora, é uma sociedade clássica na sua representação hierárquica suportado na base monárquica embora, respeitando o termo por conceito.

Esta etnia é representada por régulos que em outras palavras são considerados Reis que tem a sucessão por membros da família (djorson) e djorson significa divisão clássica e de supremacia de dominação entre às divisões para um reinar segundo o interesse maior.

Este é só uma pequena discrição de uma etnia tão rica e original na sua originalidade.

A Guiné-Bissau é um país rico pelas suas histórias e pelas suas etnias. É com as nossas histórias que podemos conhecer a verdadeira Guiné-Bissau construindo um compêndio que nos ajude a compreender a melhor Etnicidade de um povo que é a Guiné- Bissau.

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Guiné-Bissau: Legitimar a nossa cidadania

 Por, James Wilbogh flora

Meus caros bloguistas, cá estão uma vez a bater no mesmo teclado que eu tenho vindo a carregar nos últimos anos para cá.

Quero desafiar o vosso tempo, se acreditarem, por mim acredito que é mais um ato da cidadania que podia ajudar pressionar os nossos políticos a cumprirem quando tomam compromissos com o Povo nos actos eleitorais.

Sinceramente, as vezes, eu sinto um grande vazio relativo às muitas críticas que eu tenho feito aos nossos governantes.

Antes de alongar mais no assunto, queria chamar atenção a um o facto preliminarmente:

No tempo do Partido-Estado o PAIGC (depois do Luís Cabral), instituiu estrategicamente uma prática de propaganda de Partido para “agradar” o Povo após os Ventos de 14 de Novembro de 1980. Proclamou o fim de PAGAMENTOS DOS IMPOSTOS pelo cidadão comum maior de 18 anos de Idades. Coisa que vinha funcionar muito bem no tempo anterior no regime do Presidente Luís Cabral.

Na altura aliciado com palavras bonitas após 14 de Novembro, o Povo ficou adormecido no tempo, e aceitou passivamente declinar o único poder da cidadania que possuía, e que lhe dava direito de se afirmar e bater contra as Politicas impostas pelos Governantes.

Eu sempre vi isso como um DURO GOLPE a cidadania exercida. Daí senti logo que ao longo andar isso ia alimentar outros vícios e no fim ia conduzir o Povo ser simplesmente um instrumento em que o seu nome será constantemente usado para contrair as Dívidas no estrangeiro por parte dos Políticos.

Toda esta pacificidade maquiavélica de acabar com impostos do cidadão comum, teve muitas consequências, aqui vou elencar uma e efeito a bola de neve que advém, a título de exemplo:

Perda do poder efectiva de contestar legalmente, e MORALMENTE contra permanência em cargos públicos dos Políticos maus gestores dos bens Públicos. Ou seja deste modo os Políticos também “estão se nas tintas” sobre as nossas reclamações, pois não sentirão verdadeiro peso da responsabilidade de gestão. Visto que, como as nossas riquezas naturais ainda não são exploradas, e dinheiro que os nossos políticos gerem hoje são PEDITORIOS (feitos pelos próprios) em nome do Povo (claro) a Comunidades internacional, LOGO meter mão nesse dinheiro MORALMENTE da parte dos políticos terá menos peso, quase zero do que se tivessem metido a mão no dinheiro dos impostos de toda gente.

Os nossos Políticos, assim Moralmente desresponsabilizados, tem FACA e QUEIJO par lidar com os anseios dos Povo ao seu bel-prazer, a explicar como é que chegamos hoje a este ponto.

É da nossa inteira responsabilidade como Cidadãos e Povo, ter a consciência que se na altura do PARTIDO/ESTADO esta filosofia foi imposta como uma propaganda pós-Golpe de estado, e maquiavelicamente para se despirem da responsabilidade com o POVO, hoje em plena Democracia, com vários Partidos Políticos, não faz sentido em continuar a pactuar com esta realidade. A nossa arma hoje é o nosso Direito, a Cidadania, manifestações, greves, quando entendermos e os nossos direitos estiverem a ser Machucados.

Ora no meu entender, eu sairia para a Rua a reclamar os meus plenos direitos, conscientemente quando” Moral” me disse que cumpri com o pagamento dos meus impostos, caso contrario, sair a Rua, protestar, exercer a nossa cidadania será uma mera figura sem peso.

Posso estar a raciocinar erradamente, e será exactamente por isso que acho que devemos debater sobre este assunto de extrema importância para estruturar a nossa sociedade.

Consequências de falta da voz da Cidadania:

O fácil abandono do Interior do Pais pelos Políticos, com falta de investimentos, infra-estruturas, onde reside maior fatia do Povo, e as nossas riquezas naturais; Provoca a centralização perigosamente a População no Capital.

Com este esquema pergunto, quem realmente paga os impostos Na Guiné-Bissau?

São os Funcionários Públicos. Quantos são em números os funcionários públicos da Guiné-Bissau?

E restos dos funcionários Privados, espalhados nos Mercados, Lumus , lojas de comerciantes estrangeiros ? Os impostos, eles pagam? E como?

Onde estão os impostos (pagos com géneros que produzem) dos nossos agricultores, (> de 75%) para poderem exigir do Estado o direito de escoamentos dos seus Produtos, como se fazia no tempo colonial e de Luís Cabral?

Agora alguém vai dizer que o POVO não pode pagar os impostos... E, eu replico, dizendo que no tempo Colonial e do Luís Cabral pagou-se os impostos com os produtos agrícolas, que seriam armazenadas nas armazéns regionais (arroz, caju…) e posteriormente em caso de escassez dos produtos, numa das regiões o Estado fazia face estas situações recorrendo a estes excedente, o resto servia a para exportações., pergunto onde está o mal nisso?

Portanto vimos que os Políticos são mais sensível a pressão dos Sindicatos da Função pública, sabem Porquê? Porque estes pagam os impostos, e políticos sabem disso, as suas reivindicações tem mais peso, aí está a questão. Portanto sabemos que 75% da população, é analfabeta, portanto não está inserida na função pública, daí não pagando seus impostos, e estarão excluídos das regalias e seus direitos são adulterados.

Quais são por exemplos os critérios para atribuição de Bolsas de estudo na Guiné-Bissau? Os filhos destes 75%, tem acesso a Bolsa de estudos, igual acesso a escola e água Potáveis? Como as vozes desta gente podem ser ouvidas se não contam? Cabo Verde por exemplo tem uma fórmula bem definida para atribuição de bolsas de estudo, baseada nas notas e sobretudo nos rendimentos dos Pais, este último factor qual o determinante para ter acesso a uma bolsa de estudo...e Nós?

Pois para não alongar mais, Peço aos Irmãos Blogueiros, abrir um debate Urgente, por termos a clarificar quais os mecanismos possíveis para que todos nós possamos contribuir com os nossos impostos e assim legitimar em peso a nossa Cidadania. EXIGIR ANP, PARTIDOS POLITICOS ASUMIR AS SUAS RESPONSABILIDADES SOBRE ASSUNTO NA CASA DO POVO.

O Estado não pode justificar ou argumentar a falta da estrutura para cobrança dos Impostos: Então que recative às estruturas que existiam no tempo do Presidente Luís Cabral onde tudo isso era feito. Esta desculpa foi maquiavélica, como a outra que hoje se usa para justificar a falta da Prisão condigna para acolher os Políticos/Ministros acusados em má gestão das coisas públicas, promovendo assim a Crónica impunidade que reina no País. Temos uma Liga de direitos Humanos que devia sair a Rua para exigir prisões em condições, aos invés disso vimos a Liga preocupada a participar nos comícios de Partidos políticos. São eles que no seguinte quando um político é preso, a dizer que a prisão não tem condições para guardar Políticos/Ministros que estes padecem de doenças como tais como diabetes e precisam de tratamento no estrangeiro, contribuindo afundando mais o ciclo vicioso da impunidade cónica. Mas nunca perguntamos então para o cidadão comum que enchem as nas nossas prisões, para eles estas condições não se aplicam ou a Liga defende só as elites?

Mais uma vez um apelo urgente para este assunto... Muito obrigado Irmãos blogueiros, online Rádios, e a todos Guineenses um abraço di ermondadi.


Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

O problema da Guiné-Bissau é a redução da política a uma disputa de soma zero

Por: Dr. Timóteo Saba M’bunde, analista Político.

Talvez seja redundante esse registro, entretanto vale a pena não perder de vista o fato de que dos primórdios da independência, alternando todo o período de um pouco mais de dois decênios da nossa experiência democrática, a história política guineense tem testemunhado de maneira contundente o enraizamento da praxe política fundamentada no princípio de jogo de soma zero. Exercido e propalado no contexto político do país pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), por definição o jogo de soma zero é um embate em que o ganho de um dos jogadores em disputa pressupõe a irreversível derrota do outro player. O vicioso círculo político na Guiné-Bissau, caracterizado por golpes de Estado, perseguições e incomplacência política desprovida do mínimo sentido republicano, também reflete em alguma medida a assimilação ipsis litteris da política enquanto uma competição de soma zero. A incorporação do conceito de política nesses moldes e sua aplicação como tal tem asfixiado e comprometido a normal governabilidade na Guiné-Bissau e minado a esperança do martirizado povo.

A política não constitui um jogo de soma zero. A política se manifesta como uma relação de negociações, de concessões e transigências movidas pela noção de republicanismo, democracia e do desenvolvimento. Ocorre que os governantes guineenses dominantes (em larga maioria) sempre buscaram controlar (em muitos casos coercitivamente) os seus oponentes políticos e partidários com vistas a construir e reproduzir cenário confortável e favorável de governo resguardado de críticas e oposições, peremptoriamente necessárias para o amadurecimento da democracia. Esta filosofia política personalista medieval que caracteriza praticamente todo o percurso da etapa pós-independência da Guiné-Bissau explica em grande parte os episódios de golpes de Estado, assassinatos, prisões e perseguições políticas contidos nas páginas da nossa história. Quando a roupagem dessas práticas antidemocráticas supracitadas muda, como ocorre hodiernamente, os interesses superiores da nação são postos em causa (através de congelamento de governabilidade e institucionalidade) em troca de dissimulados interesses mesquinhos descarados e repugnantes.

Embora em termos normativos a política não se revelar um jogo de soma zero, quando as devidas precauções e medidas não forem tomadas a tempo, ela pode se evoluir ao ponto de atingir estágios mais vulneráveis: situações em que determinados atritos políticos tendem a se transformar em jogo de soma zero. Veja bem, tanto o deposto governo (de base alargada) que era liderado pelo presidente do PAIGC quanto o atual executivo chefiado por Carlos Correia, logo em sua formação exibiam respectivas vulnerabilidades, “calcanhar de Aquiles”. É verdade que o primeiro mantinha uma base parlamentar ampla e sólida no parlamento, entretanto era objeto de sistemáticas oposições no próprio partido, fruto de ausência de suficientes negociações e concessões para sanear as fissuras produzidas em Cacheu. A coalizão com o Partido de Renovação Social (PRS) como estratégia para minimizar as contestações internas e eventuais represálias parlamentares soava como desprezo e perda de espaço político à ala derrotada no congresso de Cacheu. Esta, por sua vez, tinha como recurso aproximar-se ao primeiro magistrado da nação (quem acabaria por depor o governo em causa), que também não tinha boas relações com o então chefe do governo e representante máximo do PAIGC.

Ora, era o momento de ir à mesa negociar e fazer concessões intrapartidárias necessárias, promovendo consensos republicanos e partidários que satisfizessem dentro das possibilidades ambas as partes e viabilizassem a estabilidade política. Entretanto isso não ocorreu e o quadro que era dramático se agravava e as margens de conciliação eram cada vez mais ínfimas. Veio o atual governo, aliás este era, em alguma medida, um executivo natimorto forjado pela mediação do delegado da Comunidade Econômica Dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). Sequer possuía a base parlamentar necessária para se legitimar no parlamento através de aprovação de sua proposta de governação, pois a ruptura com o PRS havia sido celebrada e o conflito com o grupo parlamentar dissidente beirava níveis incontornáveis.

A disputa política que ainda ostentava alguma luz verde de negociabilidade se transformava paulatinamente em uma disputa de soma zero. Sabes por que assim passou a ser? Porque os atores nela envolvidos a concebem como tal. A larga maioria dos políticos guineenses, talvez influenciada pela história política permeada por dramáticos episódios políticos, e sanguinários em não pouco casos, não aposta em concessões como método ideal de exercer a política. Desconfiam-se de um e outro. Concebem divergências de opiniões políticas, que são muito normais em qualquer democracia, como prelúdio de uma possível conspiração. A sua hermenêutica é de que em política se não destruir o meu adversário (visto como inimigo) ele me destrói.

A censura de programa do governo pelos deputados dissidentes do PAIGC e a consequente deliberação político-jurídica de expulsá-los do partido e substitui-los por novos parlamentares anunciavam que a crise havia atingido o seu grau mais elevado. As possibilidades de negociações e concessões que pudessem produzir algum ganho político efetivo para ambas as partes até então não totalmente descartáveis, praticamente se pulverizaram com a transição do imbróglio político para as instâncias da justiça. A deliberação do tribunal superior da justiça para que os deputados (que tinham sido expelidos do hemiciclo legislativo) retomassem seus mandatos foi uma balde de água fria no PAIGC e parece ter esgotado os seus últimos cartuchos do conjunto de estratégias para salvaguardar a governabilidade sem fazer concessões aos 15, que passavam a contar com o apoio político do PRS.

Ora, me parece que já estamos diante de um jogo de soma zero. Traduzido em outros termos, há que haver perdedores e ganhadores para viabilizar o país. Aliás, tanto a proposta de realização de novas eleições como a de deposição do executivo, consideradas necessárias e urgentes para extirpar a insistente crise política constituiriam perda para uns e ganhos para outros. Como ficaria a condição dos 15 deputados em uma eventual realização de eleições antecipadas, seriam reintegrados ao PAIGC ou seria o término de sua carreira política nessa agremiação? Portanto, eventual realização de eleições tenderia a ser uma derrota para estes. Por outro lado, a deposição e formação de novo governo composto por elementos do PRS e dissidentes dos libertadores seria uma perda total para o presidente do PAIGC e o seu staff. Um eventual governo de iniciativa presidencial e consequente realização de novas eleições somente em 2018 colocaria este último e o seu círculo político em situação de considerável sangramento político, podendo inclusive ver o capital político que ainda possui no PAIGC e no plano nacional se esvaziar progressivamente.


A corrente crise política pela qual passa a Guiné-Bissau é de extrema profundidade e os principais protagonistas da mesma têm consciência do que dela pode resultar para o seu futuro político, sobretudo no PAIGC, por isso se persiste a irredutibilidade das partes no parlamento. Aliás, agora sim estamos perante um jogo de soma zero do qual tende a se emergir perdedores e ganhadores para que o país se desafogue e se viabilize politicamente.

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Guiné-Bissau: Tantas inverdades, para se esconder a única verdade

Nos foram vendidos, nos anos 70s 80s que o Cabo- verdianos dominava os guineenses, que o problema aí era o fulcro das instabilidades por isso...deu se 14 de Novembro, resultou no que vimos.

Depois o problema era de domínio dos outros na FARP, e portanto iam dar Golpe de Estado e mandar sempre sem dar hipóteses às outras etnias… então deu o Intentona de 17 de Outubro 86, vimos as consequências.

Pois foi dito que o problema que uns eram amigos de rebeldes e que os vendiam armas, pois isso podia destabilizar o Pais, então deu a Guerra de 98, que resultou em mortes. Pois veio por ai o período de Tribalismo ou Balantalização do país como causa de instabilidades, que resultou com feroz caça a bruxa no PRS e mortes de Jovens do PRS, que simplesmente manifestavam pacificamente.

Depois de isso o Problema passou a ser os Militares Por isso foram chamaram então Os Militares angolanos para disciplinar as nossas, com a falsa bandeira de Reformas das forças de segurança...o que deu se 12 de Abril. Militar finalmente apos as ultimas eleições, decidiram refugiar se definitivamente nos quarteis, e fez a de repente a luz, a noite virou o dia, do pano de fundo de tudo este ziguezague tinha ´só um nome: OS POLITICOS, SOBRETUDO DO PAIGC...

.Alguém tem dúvida? Vamos continuar a ser enganados por estes Senhores Ambulantes? A escolha é nossa, sobretudo é para quem vê e não quer ver...

Pressupõem existência de duas figuras no mínimo, “il pentito”, o grande culpado arrependido disposto a confessar os seus erros, e da outra parte as Vítimas, ansiosas de saber pelo menos o que realmente aconteceu e o porque, para finalmente construir uma alicerce chamada Reconciliação.

Reformas nas FARP!

É Preciso, como qualquer País de Mundo, também precisamos de modernizar as nossas FARP.

Mas antes desta Reforma é Preciso as Reformas Politicas e administrativas Profundas.

Porquê?

Não se iludam, que, fazer a reforma nas FARP, resolva todos problemas.
Continuando ter Analfabetos no Parlamento, a decidir e votar as leis essenciais e que governam o País.

Continuar as nomeações para cargos políticos num critério de base duvidosa, amiguismo e partidarismo, sem concursos Públicos como tem sido há 40 anos. Corrupção total do estado em que as pessoas (dirigentes) usam as instituições do Estado para enriquecer e posteriormente usar esta mesma regalia para comprar votos.

O Poder centralizado, em Bissau com o medo de perder fulgor e capacidade de manobras partidárias.

Esquecimento de todo o Interior do País sobretudo Sul onde o Partido no Poder desenvolveu a sua luta para Independência. Deixou as populações com as promessas eternamente incumpridas, quando precisavam da Logística da Guerra.

É de frisar que, este abandono maquiavélico do sul pelo Partido Libertador, tem várias leituras, uma das tantas é de não serem confrontados com promessas, e também como a tentativa de inventar uma nova história do Partido, como muito se viu nos últimos tempos.

As pessoas que um tempo hostilizavam e batiam contra a ideia de Cabral sobre a Independência do País, são hoje os Barões nos bastidores do Partido de Cabral...Ampus!

Coragem, em combater e falar abertamente sobre:

Alfabetização do Pais e combate incessante do analfabetismo.

Criar infra-estruturas de transporte ligando Bissau com zonas estratégicas do desenvolvimento do Pais.

Promover a Saúde nacional, através de investimentos nos quadros Nacionais de Saúde dispersos pelo Mundo, e acabar com Juntas medica que só servem para quem não precisa delas.

Criar auto-suficiência da alimentação sobretudo da produção

Capacitação dos quadros baseada na meritocracia, tentar contornar, o amiguismo, nepotismo, e tribalismo que namora todo sector da Função publica Guineense.

Só assim qualquer que seja Reforma pode ter sucesso. Primeiro os dirigentes políticos administrativos arrumem a casa, depois façam reformas nos sectores em que ela é preciso como Claro Defesa, etc.

Ora, Caríssimos vossa Exa Presidente da República e Grande PM DSP, aqui está matéria para Pensar e trabalhar.

Temos que é ter atenção para actual tendência:

§dar um pão com mão direita e retirar 2 pães com a esquerda§: O seja falamos de formação de Governo de Inclusão de todos partidos Políticos, matando assim a oposição democrática legitimada nas urnas, aclamamos os feitos da “Democracia” durante 20, e viajamos com Líder de oposição para ONU tal e tudo, em nome da Inclusão. Entretanto o que vemos no Terreno em termos das nomeações, para um atento observador, é um autentico vingança, caça a bruxas difícil de perceber se é a mando do quem!..

Nomeações como dizíamos um amigo meu, baseada em nomes como GOMES E PEREIRAS, é tudo menos inclusivo quer de ponto de vista das formações Partidárias, tanto menos da famosa quota étnica que anda de moda ultimamente. E portanto estamos aqui, a chamar atenção outra vez, por favor se começarem e a “Panela” ainda não tiver em cima do foco, é melhor apagar fogo para não deixar ferver a miscelânea...

Enganar um ignorante (maioria do Povo) enquanto nesta condição, para um Político até lhe sabe bem, mas não se esqueçam que no meio deste Povo mantido em ignorância, haja gentes com Visão e perspectivas capaz de pensar também o Pais embora não sejam políticos. Ignorar este facto é cometer erros de passado.


Fico aqui um apelo da minha parte, sabemos que é difícil servir quando o coração arde, mas quando ocupamos o LEME da direcção de um País, temos que ter capacidades de pensar rápido e pôr de lado as querelas pessoais, escolher como guia fundamental, os Anseios dos mais fracos, ou seja o eterno Povo.

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Guiné-Bissau: Os guineenses não se devem deixar enganar sobre as ajudas dos Parceiros Internacionais prometidas aquando da Mesa Redonda de Bruxelas

Por, Fernando Casimiro

Penso que os guineenses não se devem deixar enganar sobre as ajudas dos Parceiros Internacionais prometidas aquando da Mesa Redonda de Bruxelas, em Março de 2015.

As ajudas foram prometidas à Guiné-Bissau e não a Partido Político X ou Y e nem a fulano ou a beltrano, tendo em conta a existência e a salvaguarda de um clima de Paz social e de Estabilidade Governativa, face ao compromisso assumido, na altura, por todos os actores políticos e de governação, do país.

O Governo que na altura se fez representar em Bruxelas era o Governo da Guiné-Bissau, um Governo designado de Inclusivo, independentemente de ser liderado pelo PAIGC com toda a legitimidade que os resultados eleitorais ditaram nas eleições legislativas de 2014.

O Presidente da República também esteve presente para demonstrar, com a sua presença, independentemente dos conflitos institucionais que já havia, que todo o país estava unido na Mesa Redonda de Bruxelas.

A Paz e a Estabilidade são essenciais para o desbloqueamento dessas ajudas tendo em conta as eleições presidenciais e legislativas realizadas em 2014 que permitiram o regresso da normalidade constitucional e democrática à Guiné-Bissau.

A crise política que prevalece na Guiné-Bissau, deve ser resolvida através do diálogo e de consensos, pois que, não é sinónima de ruptura da via constitucional e democrática, pelo contrário, é mais uma etapa de aprendizagem do complexo percurso de construção e afirmação do Estado de Direito Democrático que se pretende para a Guiné-Bissau.

As divergências até então, são de natureza política e reflectem consequentemente, desgastes políticos que devem ser recuperados e ultrapassados através da harmonização da classe política e governativa.

Não houve ao longo desta legislatura nenhum atropelo constitucional por parte de órgãos de soberania de natureza política com pedido de fiscalização de constitucionalidade ao Supremo Tribunal de Justiça, que tivesse ficado sem pronunciamento e decisão arbitral por parte do Supremo Tribunal de Justiça, independentemente de se concordar ou discordar.

O Presidente da República foi o primeiro a ver uma sua violação constitucional declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal de Justiça, tendo revogado imediatamente a sua decisão, sem questionar a decisão do Supremo Tribunal de Justiça e cumprindo rigorosamente com o estipulado no acórdão do Supremo Tribunal de Justiça.

Ninguém pediu eleições gerais antecipadas nessa altura!

Se antes do acórdão nº3/2016 de 04.04.2016 que ditou a inconstitucionalidade da perda de mandato de 15 Deputados da Nação, o PAIGC, o Governo e a Mesa da Assembleia Nacional estavam seguros de que só a via judicial resolveria a crise política, tendo manifestado publicamente a defesa dessa certeza, inclusivamente, aos Parceiros Internacionais da Guiné-Bissau, então, por que razão depois do pronunciamento do Poder Judicial, através do acórdão nº3/2016, se está a pedir eleições gerais antecipadas?

É ou não um desrespeito ao Supremo Tribunal de Justiça, tentar passar por cima da sua decisão, enquanto órgão de soberania com competência relativamente a processos de fiscalização da constitucionalidade e da legalidade?

É ou não uma demonstração de falta de palavra do PAIGC perante afirmações/sustentações anteriores?

Pode-se considerar ou não que, a ideia de se avançar com eleições gerais antecipadas resulta de uma clara pretensão de não acatar o acórdão nº3/2016?

Afinal, só deixará de haver crise quando forem satisfeitas as vontades do PAIGC?

O PAIGC deve reconsiderar profunda e urgentemente as suas posições face ao ponto actual da crise política na Guiné-Bissau e evitar promover confrontações sociais de consequências imprevisíveis.

Os mil milhões de euros prometidos pelos Parceiros Internacionais à Guiné-Bissau aquando da Mesa Redonda de Bruxelas não justificam nenhuma estratégia de agravamento da crise política na Guiné-Bissau!

O desbloqueamento dessa verba não é uma questão de vida ou de morte para a Guiné-Bissau e para os guineenses e o tempo tem-no demonstrado!

Já recebemos milhões de milhões de euros em ajuda externa ao longo de 42 anos de independência e não se viu nenhum sinal de aproveitamento de tantos milhões de milhões, pelo contrário!

Quem obrigará o Presidente da República a renunciar ao seu cargo, decorridos 2 anos de mandato, para haver eleições presidenciais, já que nenhuma indicação nesse sentido foi manifestada por ele próprio e sabendo que o seu mandato é de cinco anos?

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Constituição da República da Guiné-Bissau
ARTIGO 66°
1 - O mandato do Presidente da República tem a duração de cinco anos.
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Ou está-se à espera de algo para que condições outras, que não a sua livre iniciativa e vontade obriguem a que haja eleições Presidenciais e Legislativas antecipadas?

E porquê falar agora de eleições "gerais" antecipadas quando até há poucas semanas se acreditava e se resumia a resolução da crise pela via judicial, transmitindo de forma convincente essa certeza aos parceiros e aos organismos internacionais?

Com que credibilidade se pede agora eleições gerais antecipadas como única forma de resolver a crise?

Seremos todos ingénuos, incluindo os Parceiros Internacionais da Guiné-Bissau?

Quem insistiu com a resolução da crise pela via judicial e que agora, depois da decisão judicial lhe ser desfavorável, alega que só eleições "gerais" antecipadas serão a solução para a crise política guineense?

Qual é o órgão de soberania com competência para dissolver a Assembleia Nacional Popular e convocar eleições legislativas, ao abrigo da Constituição, que não o Presidente da República?

Que se saiba o Presidente da República não manifestou oficialmente, o desejo de dissolver a Assembleia Nacional Popular, nem de demitir o Governo por sua iniciativa no âmbito das suas competências constitucionais.

O Governo, tal como está na Constituição da República, não é demitido apenas por iniciativa directa do Presidente da República, mas também, por iniciativa da Assembleia Nacional Popular, através dos pressupostos constitucionais que possam ditar a retirada de confiança política da maioria absoluta dos deputados ao governo.

No caso de o Governo ser demitido por via da perda de confiança parlamentar, isso não implica necessariamente a convocação de eleições legislativas antecipadas, ainda que também não exclua essa possibilidade, mas cabe ao Presidente da República a última palavra, depois de consultar o Presidente da Assembleia Nacional Popular que lhe transmite a situação da perda de confiança da maioria absoluta dos deputados, relativamente ao Governo, bem como o Conselho de Estado e os partidos políticos com assento parlamentar.

Pensar que o Presidente da República pode ou vai fazer isto ou aquilo, todos podem pensar o que, por bem, suas análises ditarem, porém, não seria sensato traduzirmos nossas análises em factos consumados, em nome de alguém que, só depois de se posicionar publicamente, poderemos ficar a saber o que tem a dizer ou o que decidiu fazer.

Ainda que haja exemplos de posicionamentos inconstitucionais por parte do Presidente da República; de dar o dito por não dito e de estar claro que também é parte directa da crise política guineense, o certo é que o tempo tem demonstrado que aprendeu com os seus erros, mesmo que essa demonstração, possa significar, nalgumas hostes, hipocrisia.

Um estadista ou um político, para amadurecer, não tem, necessariamente, que cometer erros, mas cometendo-os, deve aprender com eles e o Presidente da República, salvo exemplo concreto, contraditório ao meu ponto de vista, tem sido inteligente a lidar com a crise política guineense, contrariamente ao PAIGC e à Presidência da Mesa da Assembleia Nacional Popular.

Ao longo desta legislatura não houve, nem tem havido interferência militar, quiçá, uso da força directa ou de influência, na promoção da crise política.

Não há perseguição por via da liberdade de expressão dos cidadãos. Cada um diz o que pensa, a favor ou contra este ou aquele e ninguém pagou por isso!

Noutras épocas e com outros Presidentes da República, não foi assim!

Até à reposição da normalidade constitucional que culminou com as eleições presidenciais e legislativas de 2014 na Guiné-Bissau só havia os golpes de Estado como forma de "resolver" questões que eram de natureza constitucional de um Estado de Direito Democrático.

Felizmente essa triste realidade, não está mais presente na dinâmica da emancipação cidadã, política e social dos Guineenses.

Não se pode garantir que não voltará a haver golpe de Estado na Guiné-Bissau, mas pode-se garantir, de certeza, que ninguém tolerará mais um golpe de Estado na Guiné-Bissau!

A mentalidade é a de acabar mesmo com a prática dos golpes de Estado na Guiné-Bissau e assumir a disputa política pela via democrática.

A via democrática tem os seus instrumentos de resolução de disputas e a actual crise política guineense tem que ser resolvida através dos mecanismos democráticos e jurídicos que sustentam a República da Guiné-Bissau, definidos que estão na Constituição e nas Leis da República.

Podemos falar de disputas de egos e de conflitos de interesses, mas o poder de representação que foi delegado aos políticos e aos governantes, é um poder de natureza e competência política, por isso, tudo o que ultrapassa essa natureza política de representação ao abrigo do juramento que cada actor político e de governação prestou na sua tomada de posse, é sinónimo de incumprimento da Constituição, das Leis e dos deveres para com a República!

Se houver entendimento entre políticos e governantes, as ajudas prometidas aquando da Mesa Redonda de Bruxelas serão desbloqueadas, em nome da Guiné-Bissau, mas tendo em conta esta legislatura e não um novo contexto que poderia advir de novas eleições gerais antecipadas.

O PAIGC não deve ignorar que, ainda que tenha apoiado a candidatura do actual Presidente da República, os votos que o elegeram são da maioria do povo eleitor (e não necessariamente dos militantes do PAIGC) que não chegou a sair à rua para contestar o exercício do mandato presidencial.

Da mesma forma, a vitória do PAIGC com a maioria absoluta nas eleições legislativas, pressupõe que se deve respeitar os votos do povo eleitor nos demais partidos políticos representados na Assembleia Nacional Popular.

Só os órgãos de soberania competentes e no âmbito do que está estabelecido na Constituição e nas Leis da República, podem decidir sobre a realização de eleições e nunca os partidos políticos!

Ao PAIGC importa reconsiderar os seus erros ao longo da presente crise política e, chegados a uma nova realidade na configuração parlamentar face aos 15 Deputados que deixou de ter, perdendo a maioria absoluta de mandatos eleitorais, aceitar a proposta da negociação e viabilização de um Pacto de Estabilidade, apresentada quer pela ONU, quer pela CEDEAO, proposta essa que não sendo novidade nas sucessivas crises guineenses, também não chegou a ser aplicada/viabilizada até então.


Positiva e construtivamente.

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