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terça-feira, 20 de maio de 2014

Nacionalistas e a promoção de valores positivos do povo guineense



A Guiné – Bissau é um Pais cujo território é povoado por diferentes Etnias que, em si mesmas, constituem um bem nacional, pois delas emergem diferentes valores culturais, morais e linguísticos (dialectos) que se manifestam de diferentes formas (danças tradicionais, cânticos, etc…).

O Povo Guineense é uma resultante dessa diversidade multiétnica, que nos caracteriza e constitui a nossa riqueza humana, a qual nos diferencia dos outros povos do Mundo.

No Mundo Globalizado, os Valores Nacionais devem (mais que nunca) ser objecto de promoção constante, a levar a efeito, pela nossa gente (a gente Guineense comprometida com o desenvolvimento e prosperidade da Nação, que somos ou queremos ser, quer vivam na diáspora, quer no território nacional.

Um bom exemplo dessa forma de estar, no Mundo Globalizado, é-nos dado pelos nossos Irmãos da Etnia Manjaca, emigrados em França, que ensinam aos filhos, nascidos Franco-Guineenses, a sua língua de origem (manjaco), o que constitui uma demostração clara do valor que dão à sua Cultura Materna, para que não se perca, mesmo vivendo fora do nosso Território.

É um bom exemplo para todos, que deve passar de geração em geração, tanto para os Guineenses que trabalham no estrageiro ou nos organismos internacionais.

A principal razão é que não deve renegar os valores nacionais, mas aceitá-los, com orgulho, promovendo os seus aspectos positivos e corrigindo os negativos, através da experiência e contactos com os outros povos de Mundo.

Nos primórdios da nossa luta pela Independência Nacional, os nossos dirigentes históricos souberam pensar, na essência dos Valores Nacionais, expressando-a no seguinte lema: Unidade, Luta e Progresso.

Desse modo, demonstram que sabiam que, no Território Guineense, existem diferentes Etnias (historicamente consolidadas, culturalmente), cada qual com os seus próprios Valores Culturais, que precisam de se unir para o bem de todos. Foi isso que fizeram e conseguiram, mesmo com um número escasso de quadros superiores.

Com esse lema, souberam lançar o símbolo da Nação: o Hino Nacional, que devemos meditar e sentir na nossa vida diária.

O nosso Hino Nacional reveste-se de uma simbologia que assenta nos valores positivos que caracterizam as nossas diversas Etnias.

Pelo seu profundo significado, citamos os seguintes versos do Hino, que a maior parte de nossos Concidadãos conhece: ”… Ramos do mesmo tronco, Olhos na mesma luz: Esta é a força da nossa união! Cantem o mar e a terra A madrugada e o sol Que a nossa luta fecundou, …“

A sua mensagem profunda serve de pedra angular da Unidade Nacional do Povo Guineense rumo ao Progresso e ao Desenvolvimento.

Guineenses, vamos acreditar! Vamos acreditar no nosso futuro colectivo, porque temos muitos e bons valores para acrescentar aos valores globais do resto da Humanidade, para a edificação de um Mundo mais solidário e cooperante.

Cabe a cada Guineense cumprir, de forma responsável, a sua parte da tarefa nesse projecto global.

Só, assim, estaremos a fazer da Guiné-Bissau um lugar melhor para se viver: para as futuras Gerações e para a nossa!

Não queira, pois, fazer parte dos Culpados da História pela Pobreza do nosso País e pela imagem distorcida e injusta como somos vistos pelo resto da Humanidade, em contraste flagrante com a Nobreza dos nossos Valores, dos nossos antigos Costumes, onde imperava a Lealdade e Honestidade, Respeito e Consideração pelo Indivíduo e pela Liberdade e onde a Solidariedade Intergeracional fluía, de forma natural, como garantia da estabilidade e segurança social, espontaneamente, assumida. Ler mais aqui»»

Dr. Wilkinne 

terça-feira, 25 de março de 2014

Guiné – Bissau>> Assinada directiva genérica que regula conduta do jornalista no processo eleitoral guineense


Os órgãos de Comunicação Social rubricaram hoje uma directiva genérica que estabelece um conjunto de princípios e normas ético-profissionais que orientam a cobertura jornalística do processo eleitoral.

O documento emanada pelo Conselho Nacional da Comunicação Social (CNCS) se aplica a todos os órgãos, quer público, privado e comunitário, nomeadamente rádios e televisão, assim como jornalistas, animadores e colaboradores.

A directiva estabelece que na cobertura eleitoral, os médias e jornalistas devem evitar publicar ou emitir opiniões sobre qualquer assunto susceptível de promover ou incitar ao ódio ou preconceito.

Devem igualmente evitar promover ou causar a desordem pública ou de ponham em causa a paz, segurança e tranquilidade., assim como não ridicularizar, estigmatizar ou discriminar os concorrentes ou seus apoiantes com base na religião, género, raça, etnicidade, classe, língua, orientação política e deficiência física e moral.

Eles devem “manter-se independentes e livres de qualquer controle da sua linha editorial” e denunciar os actos que traduzem em atentado ao livre exercício da liberdade de imprensa.

Outrossim, no exercício das suas actividades de cobertura do processo, os jornalistas e médias estão vinculados relatar os factos de forma verídica, compreensiva, equilibrada e justa, bem como servir como fórum de difusão de ideias, debates e opiniões dos intervenientes no processo na base do equilíbrio.

Entre outros, as médias devem abster-se de usar seus espaços de publicidade comercial para fins de propaganda político eleitoral e de divulgar ou interpretar os resultados do sufrágio que não sejam emanados da Comissão Nacional de Eleições.

O documento foi assinado pelos Presidentes da CNE, Augusto Mendes do CNCS, Ladislau Embassa, do Sindicato dos Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (SINJOTECS), Mamadú Candé e pelo Secretário Executivo da casa da imprensa, Domingos Meta Camará.

sábado, 22 de junho de 2013

FREHU-N-FLIF Nº 14: A FORÇA E FRAQUEZA DO POVO QUE SOMOS



As Crianças são as flores da nossa luta
O apregoado Governo de Transição Inclusivo, recentemente, constituído, na Guiné-Bissau, com a participação do PAIGC, que, há um ano, se recusara a integrá-lo, suscita algumas reflexões sobre a Força e Fraqueza do Povo que somos. 
 
De alguma maneira, em linha com a notícia de graves divergências, surgidas, na última Assembleia Parlamentar da CPLP, realizada em Lisboa, na passada Terça-Feira (18 de Junho), concernente à redacção das conclusões finais das suas resoluções, prolongando a sessão por várias horas, vindo a ser assinada, apenas, na manhã do dia seguinte (19 de Junho de 2013). 
 
O ponto da discórdia tinha a ver com a referência à evolução da situação política na Guiné-Bissau, feita em termos mais favoráveis, com uma proposta séria e credível, no sentido do envio de uma Missão Parlamentar da CPLP à Guiné-Bissau, antes das Eleições Presidenciais e Legislativas! 
 
Percebe-se de que lado vinha a discordância, em face de uma entrevista de Ramos Horta, inusitadamente, pacificadora, saída no Jornal Público (de Portugal), na manhã do dia da assinatura!

Não houve quem não estranhasse! E choveram telefonemas, alertando para a entrevista! 
 
A CPLP é uma Comunidade que, neste momento, parece encontrar-se no seu ponto mais alto de “divergências”, mesmo na elaboração de conclusões de uma Cimeira vulgar, sem pontos quentes, publicamente perceptíveis.

Multiplicam-se, entretanto, discursos (dir-se-ia) ridículos, sendo o caso mais notável o do representante de Angola, que deixou transparecer algumas prepotências, que lhe vinham, certamente, do fundo da alma.

No entanto, no nosso País, não falta gente, que se nega a ser, ou pertencer, a um Povo humilde e respeitador. Gente que se julga nascida para mandar e dominar, não para servir.

De todos os cantos do País, nunca foi difícil reconhecer o Povo ao qual a Guiné–Bissau, enquanto Nação, é devedora, não só, pelas suas grandes capacidades, mas, também, pelas suas limitações e fraquezas.

O confronto deste Povo, em clara maioria, com outros que se encontram numa espécie de exílio voluntario, é mais evidente, quando se compara com tantos inúteis, que souberam aguardar a sua hora para se tornarem “grandes”, ainda que não passem de figuras de segunda categoria.

Desta gente nasceu uma multidão, que cresceu mais do que seria de esperar, até pelo favor daquele povo, que se deixa encandear facilmente pelo fulgor dos que se tornaram “gente importante”, à sua custa, ainda que sem mérito próprio, mas por influência alheia e por caminhos tortuosos. 
 
Um dia, estas mazelas emergirão e farão, com certeza, estragos na nossa sociedade.

Na CPLP, fala-se, hoje em dia, a torto e a direito, do Povo que mais ordena, alargando o dito para o Povo Guineense, que, de golpe em golpe, já não aguenta mais, está à beira do desespero, porque foi enganado e explorado pelo Governo de Carlos Gomes Jr. 
 
Mas, quem, normalmente, assim, fala, já não pertence ao Povo Guineense. 
 
Porque vive sem dificuldade, luta pelos privilégios próprios, de grupinhos de Bissauzinhos ou partidário. Esse tipo de gente promete ao Povo mundos e fundos, mas, tão-depressa, esquece o que promete. 
 
É neste contexto que vêm, ao de cima, os defeitos do Povo, as suas fraquezas, e que, quem cresceu num clima de interesses, sabe explorar muito bem, como é caso do Poder em Angola. 
 
O povo guineense torna-se, em tais situações, massa manobrável, que dá rédea solta ao individualismo e à inveja de uma comunidade, como a CPLP, que reage por emoções, porque ninguém lhe dá razão, ficando a balancear para o lado que melhor sabe tocar no sentimento, na perda de valores morais ou políticos e na capacidade de reflexão e de decisão, respondendo à batuta de quem o utiliza, tornando-se ingrato e dobrando-se, subservientemente, perante quem o engana e utiliza em proveito próprio.

O Povo Guineense parece, em tais situações, que deixa de reconhecer-se a si próprio, esquece as capacidades que o levaram a empreender a luta contra o colonialismo e a alcançar assinaláveis vitórias, em tempos de crise, estimulado pelo sonho de melhores dias no futuro.

Não nos esquecemos, todavia, que o Povo Guineense goza de direitos que nunca foram reconhecidos, como o direito à oportunidade na vida, que lhe foi negado, durante muito tempo, devido à pressão imposta por interesses alheios. 
 
Obra de quem não estava minimamente interessado em servi-lo, mas em servir-se dele. 
 
O Povo Guineense era, então, gente anónima! 
 
Mas, por sua própria iniciativa e capacidade de luta, ganhou nova energia, através das suas Forças Armadas, e rompeu o anonimato a que estava sujeito. 
 
Ganhou o direito a ter voz activa nos assuntos do seu País!

Os mais atentos perceberam esta força e determinação e depressa se colaram ao Povo, que se ia libertando, tirando daí proventos imerecidos. 
 
Muitas vezes, com intentos encobertos, mas dominador e com outros horizontes que não são os do Povo Guineense. 
 
O regime democrático, com os seus valores e oportunidades, acabou por dar mais importância aos interesses partidários do que ao bem comum. A igualdade tornou-se um mito, uma miragem, uma palavra para ser usada só em comícios.

As Regiões, Sectores e Tabancas tornaram-se inúteis, na política empreendida pelos sucessivos Governos. 
 
A crise que se vive a Guiné é fruto da destruição dos valores etno-culturais e da família, da alteração dos horizontes de vida real do pais, da prioridade dada ao ter, ao poder e ao gozar, em detrimento da verdade e da justiça. 
 
Quem vai tirar o País da situação em que se encontra? O Povo! O nosso Povo!

Quando um dia sacudir os intrusos, o nosso Povo voltará a ter consciência das suas capacidades, assentes nos valores da Unidade Nacional, e, desse modo, ultrapassará as suas deficiências e lutará contra as acções perversas dos agentes externos, que sempre pretendem desviar o Povo do caminho certo para disso tirarem proveito. 
 
Acreditamos que esse dia não tardará! A Força do nosso Povo está na sua lucidez e capacidade para se manter unido e coeso, em momentos difíceis da vida do País, em especial, nos momentos de crise.
(até próxima edição)
PARTICIPA COM A TUA OPINIÃO!
Conhecendo a realidade do País, você estará colaborando para a Paz e Estabilidade Política e Social da Guiné-Bissau, pela Verdade e Justiça! Por isso, leia o nosso próximo Tema, neste blogue, no dia 29.06.2013
Colabore connosco. Dê a sua sugestão por uma Guiné Melhor, mais Digna e Desenvolvida. Esse é o nosso objectivo! Nada mais!

 

domingo, 16 de junho de 2013

FREHU-N-FLIF Nº 13: A COMPOSIÇÃO DA FAMÍLIA NA CULTURA BALANTA

Como á habitual dizer-se, a Família é o núcleo central da sociedade humana.

A sua composição (e organização) reveste-se, por isso, de grande importância, qualquer que seja a cultura considerada, nos quatro cantos do Planeta.

A Família significa laços de sangue, o sentimento de identificação, pela via de transmissão de imperceptíveis marcadores genéticos, que permitem, com segurança, quase científica, o estabelecimento da relação de paternidade ou maternidade de sucessivas gerações, determinadas pelos laços sanguíneos.

Cada sociedade humana, tal como sucede com as diversas espécies animais, tem as suas próprias formas de reconhecimento da identidade e de pertença à uma determinada família, através dos laços sanguíneos

Entre os Balantas (o Povo Braza), também, existem formas de estabelecimento e reconhecimento da relação de parentesco, tanto na linha recta, como na linha colateral.

OS Dois Grandes Grupos:
 Os Balantas de Kuntowe e de Nhacra (Buwungue)

O Povo Braza (vulgo Balanta) compõe-se de dois grandes Grupos: Os Balantas de Kuntowe e os Balantas de Nhacra (ou Balantas de Fora), também chamados Buwungué.

Por referência ao Rio Mansoa (que percorre a Guiné-Bissau do Centro para Oeste), os Balantas de Kuntowe localizam-se à margem direita do Rio (no sentido da Nascente para a Foz, ou seja, do interior para o mar).

Os Balantas de Kuntowe subdividem-se em duas Sub-Etnias: os Nagas (Balanta Nagá) e os Mansoncas.

Genericamente, os Balantas de Kuntowe são mais sedentários (emigram menos, dentro do País).

À margem esquerdas do Rio Mansoa (no sentido da nascente para a foz) localizam-se os Balantas de Nhagra (ou Nhacra). Também se chamam Buwungué (significa Aves).

Os Balantas de Nhagra (Buwungué) são migratórios. Talvez venha daí o nome pelo qual são designados na Língua e na Cultura Balanta: Buwungué (Aves migratórias).

O seu destino migratório tanto é para o Oeste como para o Norte e Sul do País.

Na direcção Oeste, deslocam-se para regiões como Biombo e Quinhamel, onde formam as suas colónias em Território da Etnia Papel (em Balanta, Bezá-ó, donde a origem da denominação da cidade capital da Rep.Guiné-Bissau – BISSAU - que resulta do aportuguesamento da sua denominação em língua Balanta).

Essas pequenas colónias designam-se por “Flack” (retiro), tal como “Flack Ne Bupe”, na Região de Quinhamel, constituída por emigrantes vindos da Povoação de Bupe (Região de Nhacra).

Assim, encontram-se Povoações Balantas, desde Biombo até Bissau, passando por Quinhamel até Cumurá, nos arredores de Bissau.

Outro destino da emigração Buwungué é, tradicionalmente, para o Sul da Guiné, atravessando o Rio Geba, de canoa.

No novo local de fixação, a Família que aí se constitui, mantém, obrigatoriamente, a designação da Família de origem, isto é, da Povoação de que o imigrante é originário, como se fosse seu prolongamento, embora localizada em Território diferente. 

São o caso de colónias constituídas em Território da Etnia Papel (Botche Ne Bezá-ó) ou, no Sul da Guiné-Bissau, no Território dos Nalus (Botche Ne Bnalu).

Para onde quer que emigre, todo o Braza é obrigado a cumprir as regras e tradições da Família de origem (geralmente, Buwungué, da Região de Nhacra).

O destino preferencial da emigração Balanta é para o Sul da Guiné-Bissau, em especial, para o Território dos Nalus, mais rica e propícia para a prática da agricultura do arroz (principal actividade económica do Povo Braza, a par da cultura do amendoim.

Os Balantas de Kuntowé também são migrantes (embora menos que os Buwungué).

Geralmente, emigram para o Norte, na direcção de Ingoré e Farim, onde se cruzam com as Populações de Etnia Mandinga, chegando a converter-se à Religião Muçulmana, por influência das tradições locais.

Também usam deslocar-se para Oeste, para Territórios da Etnia Mancanha (Brame ne Bula) e Manjaca.

A Etnia Balanta é a que se mistura mais (através do casamento) com os demais grupos étnicos do País, em especial, com os Papéis (Bezá-ó) e Mandingas (Bemendé).

Bem vista, nessa perspectiva, a População Estatística da Etnia, no contexto global do País, é bem maior do que a, habitualmente, indicada pelas Estatísticas Oficiais do País (aliás, desactualizada, à razão de duas décadas).

Porque, a tradição, comum aos restantes Grupos Étnicos, é considerar que os filhos gerados com uma Mulher Balanta pertence à Etnia do pai, seja ele Papel, Mancanha ou Mandinga, e não à Etnia Balanta.

Este tipo de relações familiares tem forte implicação no modo de composição e legitimação de um individuo como membro de uma Família: saber se reúne os requisitos, estabelecidos pela tradição, que deve ser preservada pelo Homem Grande, para ser reconhecido como membro legítimo da Família.

A composição do Nome

A identidade de um Balanta estabelece-se pelo nome próprio (dado pelo Pai) e pela junção do nome da Grande Família tradicional (que se mantém de geração em geração).

Um indivíduo, que se chamasse, por exemplo, “Glomur Na Montche” tem o seu nome próprio (“Glomur”) e um sobrenome (“Montche”), que o associa à Grande Família a que pertence.

Glomur Na Montche significaria: Glomur (nome próprio), Filho de Montche, que indica que o indivíduo assim chamado pertence à Grande Família dos Montche (coisa distinta da pequena família ou família singular, constituída por um casal e seus filhos.

A palavra “Na” ou Ne” é um elemento gramatical (preposição) que faz a ligação entre o nome próprio (no exemplo –“Glomur”) e o da Grande Família (no exemplo - “Montche”).

“Na” ou “Ne” significam, “de” ou “da”. É o equivalente da palavra Alemã “Von” (que se lê “Fon” e significa “de” ou “da”), que entra na composição de vários nomes de Família Alemãs, como, por exemplo, do nome “WERNER VON BRAUN” (Verner da Família Braun ou simplesmente Verner Braun).

Werner Von Braun é o nome do grande Engenheiro Alemão, ao serviço de Hitler, criador dos famosos V2 e inventor dos modernos Mísseis, que, no fim da II Guerra Mundial, se rendeu aos Norte-Americanos e dirigiu o Programa Espacial da NASA, cujo sucesso maior foi a colocação do 1º Homem na Lua, permitindo, desse modo, a vitória dos Estados Unidos sobre a União Soviética, na Corrida ao Espaço.

É sabido que existe muita semelhança entre vocábulos da Língua Balanta e das Línguas Germânicas e Anglo-Saxónicas.

Mesmo quando não conste do nome oficial (dado pelos Portugueses, na época colonial, ou pela República da Guiné-Bissau), faz parte da Cultura Balanta saber de que Tabanca se é originário, devido aos muitos laços familiares que daí derivam, sem que se saiba que tal pessoa é membro da Família, porventura um pouco afastado.

A Tabanca

Há que distinguir duas realidades: a Tabanca e a Morança (recorrendo à designação em Crioulo).

Uma Tabanca é o conjunto de Moranças de diferentes Grandes Famílias, instaladas numa determinada Povoação, que tem, sempre, um nome próprio. Por exemplo: Tchugue (uma Povoação ou Tabanca localizada na Região de Mansoa).

Uma Tabanca Balanta é constituída por um conjunto de várias famílias singulares, cujo elo de ligação consiste em terem uma ascendência comum.

Morança

Uma Morança é um conjunto de Casas da mesma Família Grande, que têm em comum o único Avô Paterno, donde a importância deste tipo de organização social.

Duas ou mais Moranças podem agrupar-se num subgrupo familiar, em função das afinidades, que possam existir, em relação a certas práticas sociais (por exemplo, Fanado, cerimónia de circuncisão). Chama-se a isso KUFADE.

No meio do Pátio comum, localiza-se um Templo sagrado (“FRAM”). Trata-se de uma construção de pequena dimensão, de forma circular, que simboliza a Morada de Deus, no seio da Família Grande, que se invoca para a obtenção de determinadas benesses, como a boa colheita agrícola, a cura de um familiar doente ou regresso com saúde de familiar ausente.

Em contrapartida, presta-se o culto sagrado, através de oferendas do melhor que a Família tem: pode ser uma galinha, morta com esse fim, cujo sangue é espargido, no templo, abrindo-se uma pequena porta, tal como se oferece comida, à base de arroz, e bebida (aguardente de cana).

Composição da Família

Numa Morança (por exemplo, da Família “Fantchamna”):

Os FILHOS (Masculinos) têm o direito de ficar na Morança e nela realizar o seu casamento.

Os seus Filhos (Masculinos), também ficam na Família, e podem assumir o Apelido “NA FANTCHAMNA”.

Ao contrário, as FILHAS, em função do casamento (BDÉ), não permanecem na Morança ou seja na casa paterna (a Grande Família, de que falámos anteriormente).

Por sua vez, os Filhos delas não têm o direito a usar o Apelido da Família (por exemplo, Na Fantchamna).

Os FILHOS delas são considerados apenas SOBRINHOS da Família Grande (por exemplo, da Família Fantchamna), mas não podem ter, na composição dos seus nomes, o título (ou apelido) “Na Fantchamna”.

Numa Morança (a Grande Família), os Filhos (masculinos) constroem as suas casas à volta da casa do Pai, deixando no meio um largo (um espaço) Sagrado chamado FIARÉ.

Esse largo é o lugar de todo o tipo de culto sagrado, onde existe o IRAN GARANDI (Ser Espiritual, Medianeiro entre a Família e Deus).

Normalmente, é representado por uma planta (Pulga, em língua Crioula e mkub na língua Balanta).

Cada Filho (Masculino) tomará o Apelido “Na Fantchamna” (por exemplo), assim como os seus Descendentes masculinos.

As FILHAS (BDÉ) – PADIDA – casam fora da Grande Família de que são originárias.

Os Filhos e as Filhas, gerados fora da Família Grande, em razão do casamento, são considerados SOBRINHOS da Grande Família (por ex: Na Fantchamna) e são os mais acarinhados de toda a Família.

Chegam a ter mais importância do que os Filhos masculinos que sempre viveram na Morança.
…….

Estas são algumas particularidades da Cultura Braza, no que respeita à composição da Família, que aqui deixamos, sem pretender esgotar a matéria, que é bastante complexa.

                                                                    (até próxima edição)
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