Pelas Futuras Gerações e pela nossa! Trazemos a Sabedoria dos Antigos e do nosso Tempo! Não renegamos a nossa Cultura nem rejeitamos o contributo válido de qualquer outra! Compreendemos melhor o Passado e perspectivamos na medida justa o nosso Futuro Colectivo! Não pretendemos ter o exclusivo da Verdade! Reflectimos sobre o que achamos de interesse comum, como contributo para o nosso Desenvolvimento Colectivo, para o qual você está convidado a ter Opinião!
domingo, 25 de novembro de 2012
sábado, 24 de novembro de 2012
Governo garante apoio a qualquer investidor
O
primeiro-ministro do governo de transição da Guiné-Bissau convidou hoje
(sábado) todos os interessados a investirem no país e chama atenção
para a necessidade de consolidar a “estabilidade” e “paz” para permitir
mais investimentos.
Rui
Duarte de Barros falava no acto da cerimónia do lançamento oficial para
a construção do empreendimento comercial, na Zona Industrial de Bra, em
Bissau.
Dirigindo-se
a maioria da classe empresarial presentes na cerimónia, o chefe do
executivo garante o “apoio total” do governo a qualquer investimento no
país, destacando que o governo irá proceder para breve a divulgação do
código de investimento atractivo, que segundo o governante dará “grandes
facilidades” para os que querem investir na Guiné-Bissau de forma
“tranquila e segura”.
O
primeiro-ministro, Rui de Barros disse que depois das obras, no prazo
de 18 meses, o empreendimento vai dar emprego directo a 360 pessoas.
O
presidente da empresa CARTUR, empresário Caramba Turé que é o
proprietário do futuro complexo comercial lança um “desafio” a todos os
guineenses, particularmente à classe empresarial, a trabalharem para o
desenvolvimento do país.
O
empresário prometeu ainda mais investimentos do género ao interior da
Guiné-Bissau, concretamente, em Mansoa (no Norte), Gabu (no Leste) e em
Buba (no Sul) do país.
O
empreendimento comercial a ser construído em parceria com a empresa
“ElectroBissau” e orçado em 6 milhões de euros, compreende-se de um
centro comercial, uma zona industrial, armazéns, espaço para feiras e
uma mesquita.
Caramba
Turé revelou por outro lado, que, a empresa ElectroBissau, da qual é
sócio, assinou brevemente um protocolo de acordo com o Ministério dos
Recursos Naturais e da Energia, para o “fornecimento da água e energia
aos sectores de Bula, Canchungo e Cacheu”.
Por
seu turno, Francisco Melo Engenheiro da empresa ElectroBissau, desafiou
os Portugueses, empreendedores e empresários convidando-lhes para virem
a Guiné-Bissau, “não ouvir só com os ouvidos”, mas que venham “ouvir
com os olhos e ver a realidade”.
EDITORIAL 10 - VICTOR GOMES PEREIRA
Eu acho que!
A
propósito do tráfico de estupefacientes
Victor Gomes Pereira
22.11.2012
Estes têm-se
dotado de meios tecnológicos que mesmo os Estados mais desenvolvidos
dificilmente conseguem acompanhar. Portanto, só a mobilização de meios
humanos e materiais substanciais poderá permitir a Estados como a
Guiné-Bissau fazer face à utilização do seu território terrestre e marítimo
para operações de passagem da droga para mercados de consumo, ou seja para a
Europa e a América do Norte.
Ora, não
existindo programas adequados de apoio na implementação do programa nacional
de combate ao narcotráfico, muito dificilmente se pode esperar avanços
significativos no combate ao flagelo. O nosso Estado com parcos meios ao seu
dispor, tem feito o possível, embora se lhe deva reconhecer limites, porque
os parceiros do país cortaram apoios e colaboração às autoridades nacionais
de combate ao tráfico de drogas, particularmente à nossa polícia judiciária.
A
Guiné-Bissau não produz nem consome droga. Neste último caso, uma população
que supostamente vive com menos de um dólar por dia, naturalmente não tem
rendimento suficiente para adquirir drogas. Não sendo consumidor nem
produtor, só aparece metido no assunto da droga por causa da utilização do
seu território para operações de tráfico.
Ora aqueles
que utilizam o território nacional para esse fim provêm do continente
americano ou europeu, e servem-se do território guineense para introduzir a
droga nos países de origem. Se esses traficantes não são identificados nos
territórios de origem da produção, nem nos de destino onde é consumido, como
poderia a Guiné-Bissau identificá-los no seu território se não tem apoios, e
nem recebe informações sobre a atividade dos narcotraficantes.
No meio disso
tudo, é de suspeitar que alguém queira distrair a opinião pública sobre a
atividade dos narcotraficantes, e sobre os seus verdadeiros colaboradores.
Há pessoas que se escudam nas suas qualidades de funcionários internacionais
para fazer centrar a atenção do mundo sobre um país que é apenas vítima do
tráfico.
Ademais,
dirigentes de alguns países procuram também desviar a atenção do mundo sobre
as atividades de tráfico nos seus territórios, quer em termos de consumo,
quer em termos produção, para centrá-la na Guiné-Bissau.
Por isso acho
que devemos estar todos determinados em continuar a fazer o que está ao
nosso alcance, e aberto a discutir programas e formas de combate à droga com
quem está interessado em trabalhar de forma séria, não nos coibindo de
denunciar aqueles que, para fins particulares, tentam manipular a opinião
pública nacional e internacional, associando abusivamente o nome do nosso
país ao fenómeno.
Por outro
lado, desafiamos os autores de declarações sobre a intensificação do tráfico
de drogas no país, a também apresentar provas da sua colaboração com as
autoridades no sentido de identificar e travar operações de narcotráfico em
território nacional.
A
Guiné-Bissau é um Estado soberano. A sua independência foi conquistada à
custa de muito sacrifício, forjada numa luta de independência exemplar. Tem
um passado histórico glorioso de que se orgulha. A sua situação atual,
apesar de indesejável, em nenhum momento vai conduzir os guineenses a
perderem a confiança em si mesmos. Nenhum Estado se estabilizou de um dia
para o outro.
Nenhum outro
Estado que fez o mesmo percurso que a Guiné-Bissau se estabilizou
facilmente. Outros países precisaram de guerras civis de longos anos para se
reencontrar com o caminho da paz e da estabilidade, e mesmo assim ainda não
se consolidaram na íntegra.
Não é segredo
para ninguém que o país tem problemas, alguns deles graves por resolver.
Carrega a responsabilidade da luta pela sua independência e a de Cabo Verde.
Com os seus parcos recursos, assume os encargos da maior parte dos antigos
combatentes desses dois países, incluindo ainda combatentes que lutaram
também para a libertação e estabilização de outras duas gigantescas
ex-colónias do jugo colonial português - Angola e Moçambique.
Portanto, a
dimensão histórica da Guiné-Bissau ultrapassa as suas fronteiras, por isso
carrega fardos seus e dos outros também. Hoje é fácil, e a mesquinhez
presta-se a que se tente escamotear a verdade histórica do envolvimento dos
combatentes guineenses da liberdade da pátria, nos teatros de guerra da
maior parte dos PALOP, em nome da solidariedade internacionalista na luta
contra o inimigo comum, que constituía o serôdio colonialismo português.
Por outro
lado, o país carrega ainda o peso de um passado de 500 anos de administração
militar implantada por um colonialismo feroz que deixou marcas indeléveis na
sua história, marcado sobretudo pela militarização do poder e por um cavado
analfabetismo mantido e fomentado.
Não obstante
as vicissitudes, o guineense não se vai resignar. A Guiné-Bissau não é o
único país do mundo com problemas. Cada país tem os seus problemas, sejam
mais ou menos graves, mas todos têm problemas. Mas daí a aceitarmos a
colocação do país em regime de tutela – NUNCA.
A nossa
história e o nosso percurso são suficientemente expressivos para não
deixarmos que alguém se aproveite da nossa situação para tentar colocar o
país sob tutela. A Guiné-Bissau não reconhece nenhuma ascendência moral a
nenhum Estado sobre este aspeto. Todos os Estados, sem excepção, que clamam
por soluções laboratoriais na Guiné-Bissau tiveram percursos idênticos ou
piores, mas não foram colocados sob tutela de nenhum outro Estado ou
organização.
Saliente-se
que o Governo de Transição invoca justamente a seu favor o posicionamento da
comunidade internacional, através da Resolução 1949 do Conselho de Segurança
das Nações Unidas, de 23 de Novembro de 2010, e o roteiro da União Europeia,
e mais recentemente a resolução 2048 que dá poderes à CEDEAO para
monitorizar uma transição pacífica.
O alto
sentido moral que intrinsecamente envolve altos cargos de responsabilidade
política não se compadece com atos de governação caracterizados por atitudes
pouco escrupulosas, e a roçarem à barbárie. Por isso se entende, que o
Governo de Transição tem o dever fundamental, de alinhar-se às teses de quem
queira prevenir que altas instituições do Estado adulterem o sentido do voto
popular, ao exercerem o poder legitimamente conquistado nas urnas contra os
interesses fundamentais do povo que é suposto servir.
A situação
atual e o percurso feito nestes escassos meses de transição são
encorajadores para o futuro do país, e são o prelúdio de que é possível
gerir um processo de transição tranquilo.
Porém não é
conveniente desiludirmo-nos, porque existem riscos. E deve-se entender por
riscos, a estratégia diabólica promovida pela CPLP, com Portugal, Angola e
Cabo Verde num papel mais incisivo, alternando-se com os governantes
depostos, através de uma poderosa máquina de propaganda comunicacional que
diariamente se manifesta nos órgãos de comunicação social, tanto internos,
como internacionais.
Não
satisfeitos com os conteúdos de estímulo ao ódio entre os guineenses
diariamente plantados na imprensa pela RTP e RDP, que não estão a dar os
seus frutos, a CPLP e os seus acólitos, resolveram complementar essa
maléfica estratégia com o apoio a ações militares de desestabilização em
solo guineense, com a cumplicidade de países bem referenciados, como foi o
caso da frustrada tentativa do assalto que se produziu a 21 de Outubro
último.
Naturalmente
que a ninguém passa despercebido que o grande objetivo destas ações visa
apenas forçar a descredibilização das autoridades de transição, para que um
processo negocial de inclusão imponha o retorno à ordem constitucional
existente antes da insurreição de 12 de Abril.
Aliás, também
não é estranha que na mesma linha se inspire a União Europeia, que por
pressão de Portugal, como se a Guiné-Bissau ainda fosse sua coutada, ainda
exige a todo custo, mesmo que para isso o país entre em colapso, a
realização da segunda volta das eleições presidenciais, ao mesmo tempo que
amiúde, vá alegando, sem fundamentos aceitáveis, que o nosso país alberga e
patrocina, tráfico de estupefacientes.
A União
Europeia esquece-se deliberadamente de explicar ao mundo que ao albergar na
sua representação local em Bissau, personalidades em fuga, alegadamente
envolvidas em atividades criminosas, e que depois de apoiar e proteger as
suas evasões para fora do país, os mesmos regressam para semear o pânico
através de ações terroristas, como foi o caso do dia 21 de Outubro.
Sublinhe-se que a União Europeia ainda persiste nessa prática, porque se
encontram entrincheirados nas suas instalações locais, um número
indeterminado de personalidades alegadamente implicadas em ações de
sabotagens e terrorismo.
Qual é a
moral desta União Europeia que ao não outorgar um agrément de exportação
para os mercados europeus dos nossos produtos haliêuticos, ainda assim
permite que navios seus de pesca nas nossas águas territoriais exportem, do
alto mar, produtos marinhos nacionais com o rótulo made in europa.
Para
complicar ainda mais esta onda de tentativas de destabilização contra o
nosso país, ainda no final da semana passada, à noite, foram surpreendidos
elementos armados com pistolas-metralhadoras numa atitude suspeita à volta
do quartel da Amura. Imagine-se que depois de apuramento de informações
preliminares, alegadamente os indivíduos em causa, além de estarem na posse
de, nada mais, nada menos do que 12.000 munições, ainda pertencem ao corpo
de guarda-costas do senhor Mutaboba, o representante especial do
secretário-geral das Nações Unidas, que em boa hora já não goza da confiança
das novas autoridades, e por isso mesmo já foi pedida a sua substituição.
É nesta ordem
de ideias que o país está determinado em trabalhar com a CEDEAO e com os
parceiros verdadeiramente interessados em colaborar, para que a esta
transição seja um sucesso. As dificuldades existem, mas não há nada que não
seja transponível.
O país tem
uma tradição secular de resistência, e não deixará de se inspirar nela para
ir buscar forças para enfrentar os desafios que se lhe colocam, e ser capaz
de encontrar soluções internas duradouras. É nesse sentido que todos devemos
trabalhar com este governo, de forma a federar todos os filhos e amigos da
Guiné-Bissau que com ele queiram cooperar.
Depois de
mais cinco meses de governação, certamente, países há que se desiludiram, e
desiludiram, porque pensavam e esperavam que o país fosse transformar-se em
cinzas. Porém a realidade mostra o contrário – há paz, e há segurança.
Enfim, a vida continuou depois do golpe, e o país também com todos seus
filhos.
Muito
obrigado!
Até daqui a
quinze dias.
Bissau, 22 de
Novembro de 2012
Victor
Pereira
Jornalista
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
EDITORIAL 9 - VICTOR GOMES PEREIRA
Eu acho que!
Algumas ponderações sobre a famigerada
Reforma do Sector da Defesa e Segurança
Victor Gomes Pereira
22.11.2012
A história das FARP forjada na luta de
libertação nacional que conduziu à independência nacional, na realidade,
confunde-se com história do país. Na continuidade do que era a realidade
durante a luta armada, após a proclamação da independência nacional, o país
continuou a ser governado pelo partido único, o PAIGC, que integrava no seu
seio, civis e militares, cujos heróis eram, na sua esmagadora maioria,
constituída por militares.
Amílcar Cabral era das poucas exceções civis
que aparecia no leque dos heróis nacionais. Ademais, durante os quinhentos
anos da colonização portuguesa, o território foi sempre governado, sem
excepção, por militares, daí que a relação da população com a estrutura do
poder tenha sido sempre mantida com militares.
Com efeito, a farda militar ou policial
atravessou toda a história do país, desde a colonização até a independência.
E quando se deu a abertura política e democrática, era imperativa a
separação do poder civil do militar ou paramilitar, mas igualmente
imperativa, também era a reforma do sector da defesa e segurança a fim de
criar umas verdadeiras forças republicanas.
A verdade é que não chegou de haver uma
verdadeira reforma no sector, por motivos essencialmente de conveniência
política. Não convinha ao antigo partido único perder o seu braço armado e
de segurança, a quem foi contínua e abusivamente foi manipulando, antes,
durante e após a abertura democrática, inclusive até os dias de hoje.
A questão do equilíbrio étnico nas forças de
defesa e segurança
A Guiné-Bissau é essencialmente constituída por
um mosaico étnico e cultural, que naturalmente deveria refletir-se na sua
estrutura do poder, em especial nas suas forças de defesa e segurança. Sobre
isso não existem dúvidas. Entretanto, verifica-se a predominância de um
certo grupo étnico nesse sector.
As razões dessa predominância são, entre
outras, o facto de a luta armada de libertação nacional ter decorrido na
zona geográfica da sua predominância, o facto de ser uma das etnias
maioritárias, e a questão de pura vocação. Esse desequilíbrio poderia ser
corrigido num processo normal de recrutamento, que infelizmente tarda em
acontecer. Recorde-se que o último recrutamento data de 1985.
Assim, os originários de outras etnias que
foram recrutados acabaram por abandonar, ou por falta de vocação, não
resistindo às precárias condições de vida nos quartéis, ou por terem
alternativas melhores em outras áreas para as quais estejam mais
vocacionadas.
Não havendo recrutamento oficial, as pessoas
foram sendo arroladas por via informal, seja por aderência a conflitos, como
foi o caso do conflito de 1998, seja pelo regresso aos quartéis dos antigos
desmobilizados, seja ainda pelo fenómeno de um parente com algum ascendente
moral, levar um familiar para a sua unidade militar, qual moço de recados,
que de seguida se transforma em soldado que segue a sua carreira normal.
Mas diga-se que neste último caso, não se trata
de uma exclusividade das forças de defesa e segurança. Os recrutamentos para
o aparelho de Estado têm sido feitos da mesma maneira. Os dirigentes,
sobretudo das instituições que angariam receitas para o erário público,
recrutam familiares, para exercer atividades subalternas, ou como supostos
estagiários, que depois se tornam efetivos funcionários públicos.
Essa forma de angariação agravou o
desequilíbrio, porque se outras etnias acusam a falta de vocação, não
resistindo às adversidades dos quartéis, os recrutamentos informais são
feitos por aqueles que ficaram nos quartéis junto do seu meio familiar ou
étnico.
O clientelismo e o nepotismo generalizados no
aparelho de Estado potenciaram o crescimento do desequilíbrio étnico. Tanto
assim é, que nas estruturas civis do aparelho de Estado, onde uma pessoa de
determinada etnia tenha durado muito tempo, a tendência é para o pessoal
dessa instituição ser maioritariamente da sua afinidade étnica ou religiosa,
porque enquanto esteve no lugar foi arrebanhando informalmente junto da sua
família, etnia ou religião.
Portanto, quando não há recrutamentos oficiais,
que se baseariam em critérios objetivos de mérito e de competência, a
tendência é para que outros critérios subjetivos prevaleçam.
Necessidade de correção do desequilíbrio
étnico nas forças de defesa e segurança
A correção do desequilíbrio étnico é uma
necessidade que todos reconhecem, e a reforma do Estado, e em particular do
sector da defesa e segurança deverá lograr esse objetivo. Entretanto, a
procura do equilíbrio nesse sector deve ser pragmática, realista e justa,
não escamoteando uma realidade histórica bem documentada, não pondo em causa
a capacidade operativa das nossas forças, e não interrompendo a carreira de
gente inocente para fazer estatística.
O sector de defesa e segurança nunca foi um bom
sítio para fazer carreira. As casernas nunca foram um bom sítio para viver.
Aqueles que foram capazes de resistir, ou que não tiveram outras
alternativas na vida, não por falta de capacidades, mas por força do
clientelismo e do nepotismo, não podem hoje tornar-se mais uma vez vítimas
da situação que outros criaram. Houve altura em que ser recrutado ou
permanecer nas fileiras das forças armadas era uma espécie de castigo para a
maioria dos que lá estavam.
Muita gente utilizou influências para evitar o
cumprimento do serviço militar obrigatório, ou para obter a isenção, a fim
de pode continuar estudos no estrangeiro ou trabalhar na administração civil
e fazer carreiras mais promissoras. Hoje, muitos dos que falam do
desequilíbrio no sector da defesa e segurança, para furtar-se ao serviço
militar, já utilizaram ou foram coniventes com expedientes a que só gente
bem colocada na estrutura do poder consegue aceder.
É por tudo isso que a reforma das forças de
defesa e segurança deve ser encarada como um processo longo, dispendioso, e
até penoso, cujo resultado final pretendido não dependa apenas de um
ajuntamento aritmético de pessoas para fazer inventário, mas também de
emoções e sentimentos, e de identificação de pessoas com certas profissões
ou carreiras.
Em algumas etnias da Guiné-Bissau encontram-se
poucos candidatos a carreira militar, por mais promissora que aparentemente
seja, porque não é tradição dessa etnia o ramo militar. Entretanto, se for
para o comércio, por exemplo, os oriundos dessas etnias serão os primeiros a
aparecer e conseguem prosperar por causa da sua vocação. Cada sector de
atividade é dominada por uma certa etnia, mas nem por isso constituiu um
alarme social.
Ninguém se indigna e nem deve indignar-se que
uma só etnia domine estrondosamente o comércio. Mas se porventura alguma
reforma tiver que ser feita para garantir o equilíbrio étnico nesse sector,
naturalmente que os que lá estão não devem ser vistos como os maus da fita e
responsabilizados pela situação, porque não impediram os outros de entrarem
para o sector.
Só não entraram por uma questão de falta de
vocação ou existência de outras alternativas. Refira-se ainda que há uma
etnia essencialmente emigrante, razão porque os oriundos dessa etnia
preferirão emigrar-se a ter fazer a carreira nas forças armadas. O mesmo se
diz da etnia que domina o sector de serviços, nomeadamente a advocacia,
cujos oriundos preferirão fazer carreiras nessas áreas a filiar-se nas
forças armadas.
Portanto, os que pretendem apoiar a reforma no
sector da defesa e segurança devem partir dessa premissa, talvez uma das
razões do insucesso de tentativas de reforma no sector tenha sido a falta do
realismo, o preconceito e também, em alguns casos, o desconhecimento da
realidade histórica das nossas forças armadas.
Muito Obrigado
Até daqui a quinze dias
Bissau, 22 de Novembro de 2012
Victor Pereira
Jornalista
Guiné-Bissau: Cerca de três dezenas de guineenses deportados da Líbia
Bissau – As autoridades de transição líbias expatriaram cerca de
trinta cidadãos de nacionalidade guineense, por se encontrarem a viver
de forma ilegal no país.
O retorno destes cidadãos foi facilitado pela Organização Internacional de Migração (OIM), que fez chegar os conterrâneos via terrestre ao país, passando pelo Níger, Mali, Gâmbia e Ziguinchor.
Em declarações à PNN, Amadu Tidjane Embalo, porta-voz do grupo, disse que a maioria dos cidadãos foi surpreendida pelas autoridades policiais, que os colocaram de imediatos no centro de detenção, de onde foram encaminhados aos países de origem.
Amadu Tidjane Embalo disse que deixou Bissau há três meses e prevê emigrar para Itália, através das fronteiras Líbias.
O porta-voz informou ainda à PNN que seis dos seus colegas foram levados para local desconhecido há mais de trinta dias e há poucas informações acerca de como encontram.
Uma boa parte destes retornados são originários da região leste da Guiné-Bissau, concretamente de Gabu. De acordo com a fonte da Direção-geral da Migração e Fronteira todos vão ser entregues às suas famílias, cujo processo de identificação já está em curso nesta instituição.
A emigração ilegal é um acto frequente na Guiné-Bissau, tendo já provocado a morte de vários jovens que procuram, a todo custo, chegar à Europa em busca de melhores condições de vida.
O retorno destes cidadãos foi facilitado pela Organização Internacional de Migração (OIM), que fez chegar os conterrâneos via terrestre ao país, passando pelo Níger, Mali, Gâmbia e Ziguinchor.
Em declarações à PNN, Amadu Tidjane Embalo, porta-voz do grupo, disse que a maioria dos cidadãos foi surpreendida pelas autoridades policiais, que os colocaram de imediatos no centro de detenção, de onde foram encaminhados aos países de origem.
Amadu Tidjane Embalo disse que deixou Bissau há três meses e prevê emigrar para Itália, através das fronteiras Líbias.
O porta-voz informou ainda à PNN que seis dos seus colegas foram levados para local desconhecido há mais de trinta dias e há poucas informações acerca de como encontram.
Uma boa parte destes retornados são originários da região leste da Guiné-Bissau, concretamente de Gabu. De acordo com a fonte da Direção-geral da Migração e Fronteira todos vão ser entregues às suas famílias, cujo processo de identificação já está em curso nesta instituição.
A emigração ilegal é um acto frequente na Guiné-Bissau, tendo já provocado a morte de vários jovens que procuram, a todo custo, chegar à Europa em busca de melhores condições de vida.
Guiné-Bissau: Ibarima Sory Djalo eleito Presidente da ANP
Bissau - O Presidente
em exercício da Assembleia Nacional Popular (ANP), Ibraima Sory Djalo, foi
eleito para dirigir os destinos do parlamento guineense no próximo período de
prorrogação de mandato dos deputados desta instituição.
A escolha de Ibarima
Sory Djalo aconteceu esta sexta-feira, 23 de Novembro, no hemiciclo guineense,
onde o lugar de 1.º vice-Presidente, foi confiado a Augusto Olivais e o de 2.º
vice-Presidente foi atribuído a Isabel Buscardini.
Os outros lugares
continuam a ser ocupados por João Seidi Ba Sane e Aurora Sano.
Foi esta a proposta ontem avançada pela bancada parlamentar do PAICG mas que tinha sido recusada pelo agora eleito Presidente da ANP.
Foi esta a proposta ontem avançada pela bancada parlamentar do PAICG mas que tinha sido recusada pelo agora eleito Presidente da ANP.
Ibarima Sory Djalo
pretende que estes lugares sejam ocupados por João Seidi Bá Sane, deputado do
PAIGC, a ficar com o lugar de 1.º vice-Presidente da ANP e a deputada Aurora a
ocupar o posto de 2.ª vice-Presidente do Parlamento guineense.
Ibraima Sory Djalo assumiu
o lugar na sequência do golpe de Estado de 12 de Abril.
Portugal acusado de passar no exame da “troika” à custa de copiar a Grécia
Portugal
é acusado de ter copiado as mesmas respostas do colega da carteira do lado, que
respondeu ao exame com planos de austeridade, aumentos de impostos suicidas,
recuo do poder de compra para níveis miseráveis, níveis salariais e de emprego
que metem dó e uma quebra brutal no volume de negócios, só que com uma
caligrafia mais bonitinha e o papel mais aprumadinho. “Nós nem lemos as
respostas, ainda não perceberam? Os exames da “troika” têm um erro. Como as
perguntas estão mal feitas e os critérios de avaliação estão desfasados, nós damos
a cotação máxima independentemente das respostas para compensar os danos. É que
esta disciplina vai acabar e no próximo ano lectivo vamos fazer uma reforma
curricular profunda. Este ano estamos só a limpar a escola de marginais”, afirmou
o etíope Abebe Selassie, o representante do FMI na “troika”. JH
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