terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Guiné-Bissau: Antigo ministro das Finanças detido por crime económico




Bissau – O ex-ministro das Finanças do Governo deposto, José Mário Vaz (JOMAV), foi detido esta segunda-feira, 4 de Fevereiro, pelas 19.30 horas, pela Polícia Judiciária.
A informação foi avançada  por fontes familiares do antigo ministro, que adiantaram que José Mário Vaz foi detido na sua tabanca natal, Caliquise, sector do mesmo nome, na região de Cachéu, por um grupo de agentes da Policia Judiciária.
A informação foi confirmada por uma fonte judicial, segundo a qual João Mário Vaz, deve responder por "crime económico", sem mais detalhes. 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Os objetivos da viagem de Portas

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas, chega hoje a Luanda para uma visita oficial de 48 horas. Do programa fazem parte um encontro com o ministro angolano da mesma pasta, Georges Chicoti, e uma audiência com o presidente José Eduardo dos Santos.
Segundo o porta-voz do MNE, Miguel Guedes, Paulo Portas "deverá reunir-se com as autoridades angolanas para contactos no âmbito político e económico", tendo por objetivo "dar seguimento às relações bilaterais entre os dois países". De acordo com a informação do gabinete do MNE, no segundo dia da visita Paulo Portas visitará as instalações do Consulado-Geral de Portugal, e o centro cultural, onde está patente uma exposição do pintor português Miguel Barros. Da agenda fazem ainda parte encontros com editores portugueses e com o cardeal Alexandre do Nascimento, bem como uma visita à empresa portuguesa Mota-Engil.
Paulo Portas esteve em Luanda em julho, numa curta deslocação de 24 horas, durante a qual participou na cerimónia de inauguração da 29ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA). Numa anterior deslocação, em junho, o ministro dos Negócios Estrangeiros português reuniu-se, durante mais de uma hora, com o Presidente de Angola. Esse encontro foi dominado pela situação na Guiné-Bissau e pelas relações económicas luso-angolanas.
Desta vez, porém, a visita será dominada pelas relações económicas entre Portugal e Angola.
Com a crise a apertar a Europa, Angola abre-se com o um destino privilegiado para as empresas portuguesas - seja através da presença naquele país africano seja enquanto destino de exportações ou mesmo saída profissional para muitos portugueses especializados que não encontram trabalho aqui.

Guiné-Bissau: Serifo Nhamadjo interroga o fracasso do sistema político guineense



Bissau - Manuel Serifo Nhamadjo, Presidente de transição desde o golpe de Estado de 12 de Abril, voltou a questionar a razão de os Governos eleitos, desde 1995, nunca terminarem as suas legislaturas.
Falando este sábado, 2 de Fevereiro, Serifo Nhamadjo disse que a equipa de transição na Guiné-Bissau é legal, emanada pela Constituição da República guineense. «Este regime não é um regime militar», esclareceu.
O Presidente de transição classificou a equipa como «bombeiros», e interrogou o que cada guineense fez para que o país não chegasse a este ponto. «Cada caso é um caso e cada caso é tratado como é tratado», referiu Serifo Nhamadjo.
O Presidente lembrou a guerra de 7 de Junho, os assassinatos de 2009 e o golpe de Estado de 12 de Abril de 2012.
Em relação ao caso dos assassinatos do Presidente da República e do Chefe de Estado-maior General das Forças Armadas, nomeadamente João Bernardo Vieira e Tagme Na Waié, Serifo Nhamadjo lembrou que, nesta data, a comunidade internacional havia exigido a tomada de posse do Presidente interino antes das cerimónias fúnebres: «Grande parte da comunidade internacional esqueceu estes factos», recordou.
Pouco se falou do assunto em agenda. Serifo Nhamadjo destacou a presença do ex-Presidente da Nigéria, dizendo que «não tem muitos cabelos brancos».
Serifo Nhamadjo disse que as Forças Armadas saíram de uma revolução e que, até à data, o seu futuro tranquilo continua a ser adiando.
A terminar, o Presidente de transição falou da tão anunciada reforma nos sectores de Defesa e Segurança na função pública, assim como da Justiça e da reorganização geral do aparelho do Estado.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Porta-voz do governo pós-golpe de Bissau considera "chegado o momento" do reconhecimento por Portugal



Fernando Vaz, que se deslocou a Lisboa, afirma que pediu reuniões à Presidência da República e ao Governo e não obteve resposta.
O porta-voz do governo de transição na Guiné-Bissau, Fernando Vaz, disse que Portugal cometeu “erros crassos” na resposta à crise no país africano e defendeu que “é chegado o momento” de Lisboa reconhecer o executivo de transição, instaurado após o golpe militar de Abril do ano passado.
Em entrevista à Lusa em Lisboa, onde se deslocou para participar no funeral de Domingos Fernandes, fundador do partido Resistência Guiné-Bissau (Movimento Bafatá), Fernando Vaz afirmou que, "apesar de toda a ignorância que o governo português faz da realidade guineense“, o executivo de transição na Guiné "continua aberto”, a uma aproximação para que seja encontrada "uma solução" para o país africano.
Portugal, tal como a maioria da comunidade internacional, não reconhece o governo de transição, que entrou em funções depois do golpe de Estado de 12 de Abril de 2012, que depôs o primeiro-ministro eleito, Carlos Gomes Júnior, agora exilado em Portugal.
“Entendemos que é chegado o momento, vivendo esta nova conjuntura de reconhecimento do governo pelo Banco [Mundial] e por outras instituições, que o governo português também o faça”, disse, na entrevista divulgada neste sábado.

O Banco Mundial anunciou recentemente a retoma dos projectos que tinha em curso na Guiné-Bissau e foram suspensos após o derrube do governo eleito, embora só esteja disposto a avançar com novos apoios depois do levantamento das sanções instauradas pela comunidade internacional a Bissau.
Fernando Vaz, ministro de Estado, da Presidência, Assuntos Parlamentares e Comunicação Social do executivo instaurado após o golpe, considera que, desde Abril, Portugal tem cometido “erros crassos”, propondo a “apologia da resolução do problema da Guiné-Bissau pela violência”. Para o porta-voz, a posição de Portugal é condicionada pela sua relação com Angola, que antes do golpe de Estado tinha uma força militar estacionada em Bissau, na sequência de um acordo com as autoridades de então.
Nesta deslocação a Lisboa, Fernando Vaz pediu reuniões com a Presidência da República e o Governo, sem obter respostas, nem sequer ao nível informal. O político guineense disse ter  sido alvo de tentativas de represálias.
“Chamaram a minha esposa, que é portuguesa, ao SEF [Serviço de Estrangeiros e Fronteiras], intimidando e querendo estabelecer algum clima desfavorável à minha vinda cá a Portugal. Mas, com a intervenção de um advogado amigo, nós conseguimos resolver o problema”, acusou. “Se Portugal entender que eu sou persona non grata que o declare e eu não venho cá mais”, afirmou também.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Jovens violam uma adolescente em Quinhamel no ensaio de Carnaval



Uma menina de 12 anos foi violada por oito rapazes na vila de Quinhamel, nordeste da Guiné-Bissau, num ensaio do Carnaval, disse a polícia local.
Segundo a fonte, os rapazes com idades compreendidas entre os 16 e os 23 anos, participavam no mesmo grupo dos ensaios do Carnaval com a menor e, na noite de quinta-feira, violaram a rapariga ao ponto de a vítima ter de ser assistida no hospital.
Sete rapazes suspeitos de terem participado no ato foram já detidos e encaminhados para o comissariado geral da Polícia de Ordem Pública em Bissau, aguardando o encaminhamento do processo para a vara crime do Tribunal Regional de Bissau.
O oitavo elemento do grupo encontra-se ainda em fuga, mas está a ser perseguido pela polícia, adiantou a fonte policial de Quinhamel.
De acordo com o administrador do setor (máxima autoridade do Governo local), Vladimir Sanó, o caso da violação da menor "deve ser levado até às últimas consequências" para que os autores sejam punidos pela lei.
O responsável frisou que este tipo de práticas era recorrente na zona, mas nos últimos tempos tem sido combatido pelo novo delegado do Ministério Publico "que não dá tréguas aos prevaricadores".

OPINIÃO: A frustração dos jovens diplomados guineenses regressados aos pais e que estão a ver os seus futuros adiados sem luz verde ao fundo do túnel...


GRADUADO, MAS DESEMPREGADO! O QUE FAZER?
Esta é deveras uma grande inquietação, uma questão que tem afrontado os nossos jovens diplomados. O que fazer depois de uma boa formação? Ser empreendedor sem benefícios fiscais, sem acesso ao financiamento e sem energia eléctrica garantido? Fazer um bom curriculum vitae, uma boa carta de apresentação e esfolar as solas dos pés batendo de porta em porta, sem conseguir sequer uma resposta, mesmo que seja negativa? Participar em conferências, seminários, mesas redondas, debates, workshops e tertúlias sobre o aumento galopante da taxa de desemprego, onde os oradores ao invés de motivar, fazem discursos que deixam os jovens desempregados ainda mais atarantados, desmotivados e desorientados? Onde pessoas que trabalham no aparelho do Estado, imploram aos outros para serem empreendedores, inovadores e para não terem qualquer aversão ao risco. Mas por que estas criaturas que falam tanto de empreendedorismo escolheram trabalhar logo na Administração Pública, quando podiam ter tido uma ideia inovadora, criar um projecto, fazer um estudo de viabilidade económica, assumir todos os riscos, solicitar um financiamento e criar o seu próprio emprego? Será que não são capazes? Será que estão a fazer uma grande confusão entre empreendedorismo e nepotismo? Dizem que os jovens de hoje, não sabem escrever e falar o português de forma correcta, que andam por aí a pontapear a gramática, e sendo assim, como podem conseguir um bom emprego? Mas se, insistentemente andamos por aqui a tentar oficializar o nosso crioulo, porque eles têm de saber falar e escrever bem a língua de Camões, quando podem ser competentes falando a língua de Cabral, Chinês, Russo, Francês, Espanhol, Árabe…? Os jovens perguntam: Onde é que falhamos? Foi na hora de escolhermos a área de formação? Foi por termos nascido em lares, onde os familiares não fazem parte do sistema e não têm qualquer tipo de conhecimentos e influência? Será que escolhemos mal os nossos pais, tios, primos…como se isso fosse possível? Será que não fomos inteligentes o suficiente quando escolhemos os companheiros (as)? Será que devíamos ter posto o amor de lado e apostado no conforto e bem-estar, como as prostitutas intelectuais/de salto alto andam a fazer? Será que a nossa relutância em não vestir a camisola e de carregar aquela bandeira, está a interferir negativamente nas nossas carreiras profissionais? Será? Será? Será? Seremos obrigados a abrir mãos dos nossos valores, dos nossos princípios, das nossas ideologias, da nossa educação caseira, das nossas filosofias de vida, em troca de sustento? Teremos de nos transformarmos em seres corruptos, em lambedores de botas, em engraxadores de sapatos, em vira-casacas, em caçadores de votos pelos vários focos de prostituição, de delinquência e de drogas, para garantirem um emprego? Será que não há uma outra saída, que não seja botar mãos em negócios obscuros, pouco ou nada lícitos, para sermos considerados empreendedores?
É mergulhado numa profunda tristeza e com uma grande preocupação que faço todas estas questões. É carregado de inconformismo que assisto o desprezar de diplomas de jovens que passaram uma vida inteira queimando as pestanas nos livros. É mais do que humilhante saber que a formação há muito deixou de ser a ferramenta essencial e passou a ser um simples acessório, para um jovem conseguir entrar no mercado de trabalho. Mas, ainda mais triste é a hipocrisia e falta de seriedade como este problema tem sido tratado. É desesperador, estar desempregado, ir para uma conferência com tantas esperanças, e sair de lá completamente desmotivado com discursos de jovens com vários cargos e empregos!
Que pais e' nosso? Querendo quadros formados nas instituições públicas, ou ter a coleção dos desempregados na praça pública que vão acabando as formações e acreditando num regresso para darem os seus contributos para o desenvolvimento do nosso país.
Por: Luís Victor Intchama