terça-feira, 5 de março de 2013

Manuel Serifo Nhamajo reúne-se com os seus conselheiros



Bissau  –  O Presidente da república reuniu-se segunda-feira com todos os seus conselheiros  para traçar uma nova agenda política para a transição em curso.
O encontro permitiu também para Manuel Serifo Nhamajo fazer o balanço da sua recente participação na Cimeira da CEDEAO, bem como da sua visita à Seul, na Coreia do Sul, onde lhe foi atribuído prémio de boa-governação e de liderança.
O PRT também foi galardoado com o prémio Doutor Honoris Causa no quadro da administração.
São prémios que Nhamajo carateriza como ‘aspecto positivo para a Guiné Bissau’, além de os considerar como resultado de um longo percurso na vida.
“No quadro das comemorações pela Federação Mundial da Paz, no período que havia estipulado, estivemos em Seul de 20 a 25, para participar em eventos, em que houve alguma surpresa agradável. No quadro das personalidades que ela destaca anualmente, a Guiné Bissau foi escolhida, na minha pessoa, um prémio que me foi dado o qual é de nós todos – prémio de boa-governação e de liderança”, frisou.
“Além deste, também no quadro académico, a Universidade de Seul nos contemplou com prémio Doutor Honoris Causa. Estes constituem os aspetos positivos que surpreenderam a delegação guineense”, avançou Serifo Nhamajo

segunda-feira, 4 de março de 2013

Vai amanhecer


A verdade é que eu não entendo tudo ao meu redor
mas pela fé eu vou viver
A verdade é que eu não caminho sobre mar
mas pela fé eu vou confiar
O meu caminho vai além do que os olhos podem ver
O meu futuro é de paz e eu creio vai amanhecer
Vai amanhecer, vai amanhecer
A verdade é que a dor é bem maior do que eu pensei
mas pela fé eu vou lutar
A verdade é que até sobre mim mesmo eu me enganei
Mas pela fé eu vou recomeçar
O meu caminho vai além do que os olhos podem enxergar e ver
O meu futuro é de paz e eu creio vai amanhecer
Vai amanhecer, vai amanhecer
A noite quer me assustar, mas eu não vou me entregar
eu sei, o sol vai voltar.
<<Animo a todos guineenses>>

(Thiago Grulh)

Ramos-Horta defende eleições na Guiné-Bissau no final do ano e futuro “Governo inclusivo”


O representante da ONU para a Guiné-Bissau defendeu hoje, em Bruxelas, um “roteiro” com vista a eleições livres e democráticas naquele país, “em novembro ou dezembro”, das quais saia um “Governo inclusivo”, que não deixe ninguém de fora.
José Ramos-Horta, que falava num debate na comissão de Negócios Estrangeiros do Parlamento Europeu, exortou também a União Europeia a continuar a prestar apoio ao país.
Referindo-se aos programas que beneficiam diretamente a população, sublinhou que, não havendo confiança nas atuais autoridades nacionais, a Europa pode fazê-lo através das próprias Nações Unidas ou de organizações não-governamentais (ONG) ou da igreja.
Quanto às suas ideias para a Guiné-Bissau ultrapassar a atual situação, o representante do secretário-geral da ONU defendeu que seja elaborado, até ao final do corrente mês, um “roteiro” com vista à organização de eleições no final do ano.
Ramos-Horta defendeu a importância de o futuro Governo integrar todas as forças políticas, para “que ninguém fique de fora”.
O partido vencedor deve convidar o segundo e o terceiro para integrar o Governo”, sustentou, admitindo que a ideia é mais fácil em teoria do que na prática.
Dirigindo-se aos eurodeputados, durante uma visita a Bruxelas, José Ramos-Horta disse que as sanções da União Europeia na sequência do golpe de Estado no ano passado eram “inevitáveis”.
Contudo, pediu que a Europa continue a prestar ajuda, não a congele ou transfira para outros cenários de África.
E se não sentirem que haja condições com as autoridades” de transição, virem-se para outras instituições e pessoas no terreno, como o próprio representante do secretário-geral da ONU (“a não ser que também não confiem em mim”, ironizou).
No seu “retrato” da situação atual do país, o representante da ONU frisou que é basicamente “calmo”.
A Guiné-Bissau não é o Mali, não é o Congo. Não há um conflito armado entre duas partes. O que há é um Estado disfuncional, e persistente intervenção militar em assuntos que deveriam ser da competência de governos civis. Mas sucessivos governos também falharam”, disse.
Para Ramos-Horta, que se insurgiu contra a ideia generalizada de que a Guiné-Bissau “é um Estado de narcotráfico” – incluída em relatórios da própria ONU, com os quais disse discordar -, o país até poderia ser “um oásis”, mas, depois das eleições, é necessário

Guiné – Bissau é um país valido de homem da política, apenas tem oportunistas nesta areia, senão vejamos…



Aristides Gomes regressa ao PAIGC
Bissau - O líder fundador do Partido Republicano para a Independência e Desenvolvimento (PRID) anunciou, este Domingo, 3 de Março, o regresso ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC).
Em declarações à Prensa, Aristides Gomes justificou a sua decisão com o facto de, segundo ele, ter havido uma mudança da situação política do país.
«É possível uma abertura em direção ao PAIGC, que vem na base de uma consulta resultante de 12 mil assinaturas de militantes do PRID, que deram os seus votos favoráveis e regressão ao PAIG», disse Aristides Gomes.
Apesar desta decisão, O fundador do PRID disse que a opção não significa que nem tudo vá bem no PAIGC, sublinhando que nessa formação política existe diversidade cultural e étnica.
Interrogado sobre se a sua decisão é uma derrota politica, Gomes respondeu que não, destacando que esta é uma luta que vem de longa data.
Ao nível político, Aristides Gomes dirigiu críticas à classe politica, que considerou que luta pelos seus próprios interesses pessoais.
Depois deste anúncio fica agora, para próximos dias, a cerimónia de adesão formal ao PAICG, ainda com data anuncia.

sexta-feira, 1 de março de 2013

OPINIÃO: As características de um impasse ditado por agendas e estratégias partidárias e outras -> EDITORIAL 12 .


As atribulações que o nosso processo de transição atravessa, no momento em que escrevo estas linhas, têm todas as características de um impasse ditado por agendas e estratégias partidárias e outras, provenientes das mais variadas origens. Estas controversas seriam e são sempre salutares em qualquer democracia que se preze. Porém, a especificidade do nosso caso requer uma procura de soluções mais abrangentes.
E por especificidade, entenda-se, recorrentes instabilidades que não permitiram que até aqui, nenhum governo ou Presidente da nossa era democrática terminassem o seu mandato. Ou seja, por razões sobre as quais vale a pena debruçarmos, as fórmulas democráticas experimentadas noutras latitudes nunca funcionaram corretamente entre nós. E por isso, diria até, que comportamentos mais consentâneos com sentimentos patrióticos e nacionalistas deveriam ser a tónica do presente momento, a fim de salvarmos a nossa independência nacional, ou o que ainda dela resta. Senão vejamos!
No nosso caso, e dado o agudizar no dia-a-dia dos problemas da grave crise política que o país atravessa, não podemos e nem devemos ater-nos apenas, e só, aos princípios da legalidade democrática, e a outros, nomeadamente, os que enquadram os sentimentos das mais variadas sensibilidades que nos animam. Desde logo, pela atipicidade do momento, e também porque estamos condenados a resolver os problemas dela resultante com a participação de todos, porque só desse modo, poderá daí resultar uma decisão abrangente e inclusiva, e naturalmente a contento de todos.
Mau grado a opinião generalizada de que todos juntos seremos poucos para as soluções que se impõem, existe opinião, também ela respeitável, ainda que minoritária, que continua a acreditar estar apoiada na legitimidade, diga-se mitigada, de que a Assembleia Nacional Popular é o único órgão de soberania poupado pelo golpe de estado de 12 de abril, e como tal, em sua opinião, ainda assim, reúne toda a legitimidade e exclusividade para comandar os destinos desta transição. Nada mais enganoso.
Sem no entanto sequer assumir o pretensiosismo de retirar à Assembleia Nacional Popular qualquer prerrogativa, é, contudo, necessário e exigível levar à consideração geral, algumas precisões. As atuais autoridades de transição são todas oriundas, ou pelo menos, foram todas elas legitimadas por instrumentos jurídicos alcançados na base de árduas negociações de compromisso entre a maioria dos partidos políticos legalmente constituídos, e a comunidade internacional, por via da CEDEAO. E salvo novas derrogações, o Acordo Político e o Pacto de Transição vão perdurar até ao retorno à normalidade constitucional, logo terão que fazer também parte do arsenal jurídico de que o parlamento se deve socorrer até ao fim da transição.
Passados que foram oito meses, o partido que sustentava a governação antes do golpe, numa atitude de pura demagogia, passou, num primeiro momento, da fase de autoexclusão, em evidente manifestação de letargia traumática, aliás, compreensível, para, num segundo momento, assinar taticamente os dois instrumentos jurídicos que regem a transição. Uma típica reação de mau perdedor, mesmo sabendo, de antemão, que nenhum dos articulados nos referidos instrumentos satisfazia os seus interesses inconfessos.
Afinal, com este acto pretendia-se apenas dissimular as reais pretensões de tentar derrubar o atual governo de transição, e quiçá também o Presidente da República. Porque num cenário de remodelação de um governo com estas características, as intenções da tese de acomodação da fação clientelista do PAIGC não colhem. Por isso, num esforço conjugado, e com a ajudinha do atual Presidente do parlamento, a estratégia dessa fação, que cremos comandada e financiada do exterior, começa a materializar-se.
A primeira, numa frente que consiste em ignorar as disposições da transição que ainda derrogam algumas disposições constitucionais, nomeadamente, no que diz respeito à larga consensualidade prévia que se deve respeitar entre os signatários do Acordo Político e do Pacto de Transição antes da sua adoção parlamentar. Daí, o finca-pé dessa fação do PAIGC em defender a alegada revisão parlamentar dos instrumentos de transição, sem acordo prévio dos seus signatários, em flagrante violação do espírito de algumas normas aí inseridas.
A segunda parte da estratégia, assistimo-la agora, com os últimos e lamentáveis acontecimentos oriundos da Assembleia Nacional Popular. Desta feita, protagonizados pelo seu Presidente, que até já se esqueceu, que afinal só é Presidente da ANP graças à Transição, que sob o pretexto de que uma vez que o Governo de Transição ainda não apresentou, nem o seu Programa, e nem a proposta de Lei do Orçamento Geral do Estado, deve ser demitido.
Um comportamento estranho, que voluntariamente ignora as regras de transição, e curiosamente acontece, numa altura em que, cumulativamente, a personalidade em causa, também exercia interinamente as funções de Presidente da República, portanto de árbitro, num claro desrespeito pelo atual detentor do cargo entretanto ausente no estrangeiro, que como todos sabem tem no diálogo a sua arma mais poderosa.
É claro que a continuarmos neste ritmo, vai ser preciso muito tempo até que se restabeleça a ordem constitucional. Porém, nada acontece por acaso. Esta manigância obedece simplesmente uma finalidade bem identificada: ou seja, a de, por um lado, obstaculizar a regra da consensualidade que deve prevalecer entre os atores políticos e sociais na construção da pedra basilar do consistente edifício pós-transição, e por outro lado, na impossibilidade mais que desejado e plausível deste entendimento, que todas as soluções dos problemas guineenses sejam impostas do exterior.
Assim o entendem as autoridades depostas e os seus amigos estrangeiros da CPLP, dos governos de Portugal, de Angola e de Cabo Verde, que num esforço derradeiro ainda continuam a criar ilusões aos seus acólitos internamente, através da transferência de fundos para financiar alegados factos políticos que mais não visam do que criar agitações de vez em quando, aqui e acolá, nomeadamente, por alturas em que se reúnem cimeiras internacionais para se pronunciarem sobre a transição.
Os casos do quiproquó da última assembleia geral das Nações Unidas, o ataque falhado ao aquartelamento de 21 de outubro passado, e agora este ataque mediático cerrado contido num libelo acusatório despropositado contra o governo, que reúne mais ingredientes de chantagem do que debate de ideias, para criar agitação, certamente não estarão longe da lógica maquiavelista da Quinta coluna interessada em justificar um falhanço da CEDEAO.
E esta atitude antipatriótica e antinacionalista só podem ter origem nas mentes ligadas ao eixo do mal que compreende os governos de Portugal, Angola e Cabo Verde que não desarmam, e que por força da corrupção e de alguma iliteracia ainda reinante, em algumas esferas das nossas administrações pública e política, vão ganhando alguma permeabilidade para instalar a confusão e mal-estar nas nossas hostes sociais a fim de criar instabilidade.
Outro exemplo de que nada acontece por mero acaso, é o caso das repetidas greves nos setores sociais da educação e da saúde por manifesta falta de vontade e de má-fé. Porque apesar de correntemente não se dever um único tostão a nenhum professor e da total disponibilidade da administração em continuar à mesa das negociações, existe uma recusa sindical radical e incompreensível em tudo fazer para comprometer o ano letivo. Naturalmente que a mensagem que se está a transmitir, apesar do envolvimento responsável da associação de pais neste processo, é essencialmente de ordem política. Porque é exatamente o que se pode ler quando o sindicato exige a demissão do governo.
Cabe a todos nós guineenses assumir cada um o seu grau de responsabilidade perante mais uma iminente ameaça de agudizar de crise, com consequências ainda por medir. Cabe essencialmente à classe política, toda ela, sem considerandos e sem preconceitos de partidos pequenos ou partidos grandes, com e sem assento parlamentar, porque só juntos poderemos tirar o país do lamaçal em que se encontra. E em que por sinal a culpa é de todos.
A propósito de grandes partidos, impõe-se uma pergunta: Onde é que eles estavam quando a desgraça nos bateu à porta?
Porque se outrora, os partidos grandes e pequenos se juntaram para serem úteis à causa democrática, em marchas e protestos, por maioria de razão, num momento ainda mais crítico, juntos, ainda serão mais úteis à causa nacional.
Por: Victor Gomes Pereira



Transição na Guiné-Bissau dura até final de 2013


Os chefes de estado e de governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) prolongaram hoje o período de transição da Guiné-Bissau até ao final do ano. A decisão saiu da 42.ª cimeira ordinária da organização, que decorreu entre quarta-feira e hoje em Yamoussoukro, na Costa do Marfim.
Segundo o comunicado final divulgado após a reunião, "a Cimeira decidiu prolongar o período de transição na Guiné-Bissau até 31 de dezembro de 2013, tendo em conta o processo em curso na Assembleia Nacional Popular (ANP)".
Na sequência do golpe de Estado de abril de 2012, as autoridades regionais tinham instituído um período de um ano para que a Guiné-Bissau organizasse eleições. Esse período iria até maio deste ano, mas as eleições, projetadas para abril, não se realizam no tempo estimado por ainda não terem sido criadas condições para tal.
Segundo o comunicado, com as conclusões da Cimeira, a CEDEAO reiterou o apoio à transição na Guiné-Bissau e felicitou a assinatura do Pacto de Transição por todos os principais partidos (o partido mais votado não tinha assinado o Pacto e só o fez recentemente).
"A conferência encorajou o Presidente interino, Manuel Serifo Nhamadjo, a submeter um projeto de roteiro" realista à ANP para "a preparação e organização de eleições gerais livres, justas e transparentes antes do fim do ano de 2013", que o deve adotar "o mais rapidamente possível", dizem as conclusões da Cimeira.
A CEDEAO, acrescenta, instou a União Africana a apresentar rapidamente um relatório da missão conjunta que em dezembro do ano passado esteve no país. Esse relatório será outra forma de aumentar "os esforços visando criar um consenso junto dos parceiros internacionais sobre a situação na Guiné-Bissau".

Falta de entendimento entre principais partidos adia debate de urgência no parlamento


Bissau - Os dois principais partidos no parlamento da Guiné-Bissau, o PAIGC e o PRS, desentenderam-se hoje sobre a pertinência de um debate de urgência, que se devia ter realizado para analisar a governação do país. 
O debate, anunciado na quinta-feira pelo presidente do parlamento, Braima Sory Djaló, devia ter sido hoje, mas o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde) diz que falta um requerimento para tal, enquanto o PRS (Partido da Renovação Social) afirma que a iniciativa não é pertinente neste momento.
 "Para que haja um debate de urgência no parlamento, com base no regimento, alguém, neste caso um grupo parlamentar, tem de fazer um requerimento dirigido ao presidente do Parlamento, que se der o seu despacho favorável no dia a seguir é marcado o debate de urgência", disse Rui Diã de Sousa, líder parlamentar do PAIGC. 
Certorio Biote, líder da bancada parlamentar do PRS, em exercício, disse que, para o seu partido, o debate de urgência pode até ser convocado, mas não é o mais importante neste momento da vida do país. 
"Devíamos deixar as querelas internas de lado. Pode haver razões para o debate de urgência mas pensamos que isso só vai agudizar os problemas e adiar o país", defendeu Certório Biote, apontando "as tarefas essenciais" para o país. 
"Para nós do PRS o debate de urgência não é o mais importante neste momento. O parlamento criou uma comissão parlamentar para rever o Pacto de Transição e o Acordo Político. A comissão fez um trabalho brilhante que já foi remetido ao presidente do parlamento. Caminha-se para a criação de um Pacto de Regime que irá dirigir o país até à conclusão da transição", observou Biote.
  O dirigente dos renovadores lembrou que a última cimeira da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental) instou os guineenses a realizarem as eleições gerais até ao final deste ano. 
Para já não existe nenhum requerimento, mas o líder parlamentar do PAIGC, Rui Diã de Sousa disse que por iniciativa da sua bancada poderá dar entrada um pedido de debate de urgência para segunda-feira. 
"O PAIGC vai promover hoje uma sessão de concertação com outros grupos parlamentares e até com deputados sem bancada para analisarmos a pertinência ou não de se avançar com um requerimento", anunciou Diã de Sousa. 
"No nosso entender, no entender da nossa bancada, pensamos que há toda uma necessidade para debatermos seriamente porque existem muitos problemas, problemas sérios que justificam um debate aturado. Só assim é que vamos ajudar este país", sublinhou o líder do grupo parlamentar do PAIGC.