segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, pede “moderação e responsabilidade” aos jornalistas

O Presidente da Guiné-Bissau, José Mário Vaz, pediu hoje "moderação e responsabilidade" aos jornalistas em prol da liberdade de imprensa e de opinião.

O líder guineense fez o apelo na abertura de um seminário internacional promovido pelo Conselho Nacional de Comunicação Social do país para, entre outros temas, falar da regulação editorial na Internet.

O encontro, que decorre até quinta-feira, junta cerca de 100 pessoas, na maioria jornalistas guineenses e alguns peritos portugueses.

O Presidente da Guiné-Bissau afirmou que é pela total liberdade dos jornalistas, mas desde que haja moderação e responsabilidade, sob pena de se colocar em causa a própria estabilidade social.

"A classe politica, a sociedade civil, mas sobretudo os órgãos de comunicação social devem poder fazer o seu trabalho, de informar e formar a opinião pública, de forma livre, sem serem incomodados", referiu.

José Mário Vaz ressalvou que se as liberdades "não forem exercidas com moderação e responsabilidade, existe o risco de se transformarem em instrumentos de manipulação e de destabilização".

Liberdade sim, mas insulto nunca, defendeu ainda o Presidente guineense.

"O contraditório é saudável na justa medida em que discordar não significa insultar e pôr em causa a dignidade da pessoa com quem não concordamos. A dignidade humana e institucional deve ser respeitada", enfatizou José Mário Vaz.

O Presidente guineense destacou o facto de, durante os dois anos do seu mandato, nenhum jornalista ter sido perseguido a mando do chefe do Estado.

"Desde o início do meu mandato, pautamo-nos sempre por respeitar e fazer respeitar todas as liberdades estabelecidas na nossa Constituição e demais leis da República, tanto assim é que nenhum profissional da comunicação social foi incomodado", nem "espancado ou torturado por causa do exercício da sua profissão", disse Mário Vaz.

A profissão deve ser exercida por "técnicos capacitados e conscientes do poder da comunicação", defendeu ainda José Mário Vaz.


Sobre a importância do encontro, o Presidente guineense disse ser uma oportunidade para a troca de experiencias e estreitar os laços de cooperação entre os profissionais da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP). Com a Lusa

VIRIATO PÃ- O HOMEM, O POLÍTICO, O MÁRTIR DA GUINÉ-BISSAU

Viriato Rodrigues Pã, vítima do "Caso 17 de Outubro" de má memória ocorrido (1985/86) na Guiné Bissau
Era um Balanta, duro consigo próprio e com os que ele trabalhava. Pontualíssimo, rigoroso em tudo o que fazia profissionalmente, exigente na qualidade, brusco nos protestos por erros, intolerante com mediocridade, a vaidade enfatuada, a mentira, a desonestidade. Era um procurador da república da Guiné-Bissau disciplinador sem emoções aparentes e sem dar confiança a ninguém de “baixo”.

Respeitador e respeitado; delicado e cortês; grave, quase distante; um riso comedido, quase tímido; de olhar franco e directo - Dr. Viriato Rodrigues Pã era fundamentalmente um homem bom. Gostava de ajudar o seu semelhante e sofria com os que sofrem. Trajava com aprumo, mas com modéstia, pois procurava mais impor-se pela positiva do que fazendo apelo a vulgaridade mundana. Ordenado, disciplinado e metódico, Viriato não tolerava desconsiderações, sendo capaz de uma reacção imediata e convincente. Sem favor, era um perfeito “Gentleman”, conduta que, durante os seus cinco anos de vivência na Guiné-Bissau, lhe granjeou fama e prestigio entre o povo e a classe intelectualizada.

Procurador-Geral da República da Guiné-Bissau, Integro, estudioso arguto, homem do estado responsável, cidadão exemplar, Dr. Viriato Rodrigues Pã, príncipe da cidadania do seu tempo, bem pode ser apresentado as novas gerações de cidadãos guineenses e dirigentes como um modelo a conhecer e respeitar.

Foi morto por Nino Vieira, em Julho de 1986

Nascimento e infância

No dia 17 de Janeiro de 1947 em Quinhaque, pequena aldeia dos arredores de Bissorã, na então Colonia Portuguesa da Guiné, viu a luz do dia, uma criança do sexo masculino que, meses depois, viria a receber o nome de Clabús. Entre os Balantas é costume atribuir-se nome às crianças apenas alguns meses após o nascimento.

Era o primeiro filho de N’hona Siga e quando nasceu, o marido, Infoy Pã, encontrava-se preso num calabouço colonial em Bissorã.

Dai o nome de Calabús, tradução em língua balanta do vocábulo português “calabouço”.

Situada no Centro Norte do território, a região de Bissorã, pelas suas condições climáticas, era uma zona de cultivo da mancarra (amendoim), tomate, arroz e mandioca, produtos que movimentava a quase totalidade dos habitantes da área. Como é normal nas sociedades tradicionais, os filhos são uma garantia para a continuidade, no futuro, das actividades agrícolas e, no presente, força que permite manter e ampliar os recursos familiares. Possuir uma prole numerosa significativa uma bênção de Deus e foi nesta óptica que Infoy Pã encarou o nascimento de mais oito filhos, seis rapazes e duas raparigas.

Além da estima pelos valores tradicionais e respeito pelos mais idosos, a educação básica de então visava a robustez e resistência físicas, preparando o jovem para as inúmeras dificuldades da vida. As árduas tarefas do campo e das bolanhas (terrenos baixos e alagadiços próprios para o cultivo do arroz na Guiné-Bissau) eram também acauteladas nessas zonas predominantemente agrícolas.

(…)

Viriato Pã Ingressa na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa

Viriato Ingressa, no ano lectivo de 1969/70, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde se inscreve aos 06/10/1969.

Desde logo, procura impor-se intelectualmente, habito que criara desde a educação primária, graças à solida formação de base que trazia do colégio e completara em Lisboa.

Nesta altura já não era um simples estudante: era um jovem que sentia necessidade de se posicionar, quer perante o regime de então, quer perante os seus professores.

A coerência e a audácia de que dava mostras e que sempre o haviam de acompanhar pela vida fora, retiram-lhe qualquer hipótese de disfarçar a sua posição. O seu embate psicológico e ideológico com alguns dos seus professores, que mais se identificavam com o regime, tinha de se manifestar. Em relação a esses, assumia uma atitude de reserva e de distanciamento.
(…)

O perfil sociopolítico do Dr. Viriato

Talvez a faceta mais saliente da personalidade do Dr. Viriato Rodrigues Pã fosse a sua solícita dedicação a família, tanto aquela donde originalmente proveio como a que ele próprio constitui. Dele pode dizer-se, no mais clássico sentido da expressão, que foi um verdadeiro bom pai de família.

Parece exacto inferir que a intensidade com que se entregava ao estudo das causas forenses que lhe vinham parar às mãos era por ele integralmente transferida para a família. A sua devoção à família manifestava-se nas mais pequenas atenções.

A sua vida em família era o reflexo da sua vida pública, social e profissional.

O Dr. Edmundo Mateus, um conhecido advogado angolano em lisboa, dedicado amigo do Dr. Viriato Rodrigues Pã, dizia-lhe frequentemente, numa clara alusão à sua capacidade em fazer amigos: “as vezes, penso que deveria ser diplomata em vez de advogado. Quando queres um carpinteiro, tens; se precisas de um médico, tens um amigo à disposição; se pretendes um sapateiro, há sempre um pronto a prestar-te o saber do seu ofício. Admira-me a tua capacidade em fazer amigos.”

Respeitador e respeitado; delicado e cortês; grave, quase distante; um riso comedido, quase tímido; de olhar franco e directo - Dr. Viriato Rodrigues Pã era fundamentalmente um homem bom. Gostava de ajudar o seu semelhante e sofria com os que sofrem. Trajava com aprumo, mas com modéstia, pois procurava mais impor-se pela positiva do que fazendo apelo a vulgaridade mundana. Ordenado, disciplinado e metódico, Viriato não tolerava desconsiderações, sendo capaz de uma reacção imediata e convincente. Sem favor, era um perfeito “Gentleman”, conduta que, durante os seus cinco anos de vivência na Guiné-Bissau, lhe granjeou fama e prestigio entre o povo e a classe intelectualizada.

Tolerante por princípio, não acreditava que divergências ideológicas pudessem levar os Guineenses a tornarem-se tão inimigos uns dos outros ao ponto de se negarem mutuamente a identidade nacional.

Apesar da sua clara posição face ao projecto da unidade política da Guiné-Bissau com cabo verde, vector principal da política do regime de Luís Cabral, Viriato, não obstante, nunca se furtava ao diálogo com elementos afecto ao PAIGC que pretendessem falar-lhe.

O secretário da Embaixada, Maximiano Sá, contactou-o, uma vez, em 1976, para ele falar. Com o maior à-vontade, Viriato aceitou recebê-lo, convidando-o para um almoço em sua casa. As relações de proximidade entre ambos chegaram a ser tão estreitas que Maximiano, um dia, lhe pediu que lhe apresentasse os elementos do afamado grupo Roque Gameiro, núcleo oposicionista de alguns estudantes em Portugal, adversários da unidade Guiné-Bissau e Cabo Verde.

Toda a Lisboa sabia que Maximiano era o homem da segurança da Embaixada, naqueles difíceis anos que se seguiram à independência, em que o silêncio era a melhor companhia da prudência.

Nacionalista convicto, Viriato Pã aceitava por igual os seus compatriotas e não tinha reserva mental contra ninguém, nem dos próprios inimigos, unilateralmente declarados. Fazer política para ele era, talvez devido à sua profunda e solida educação humanista, uma forma de ajudar o próximo.

Tratando-se de um guineense, Viriato R. Pã nunca se preocupou com o facto de Maximiano poder estar ou não a desempenhar, sem escrúpulos, o seu papel de agente do regime. Dissuadindo a esposa dos seus receios, céptica quanto às reais intenções do secretário da embaixada, Viriato, honrado a sua amizade por Maximiano, avançou com o almoço, que consistiu num elaborado prato típico da Guiné-Bissau: Caldo de mancarra.

In, Viriato Pã, uma vida pela pátria

Utopias, distopias, retrotopia

Crónica de Anselmo Borges, no Diário deNotícias

Coube-me a honra de um convite para participar no magno evento cultural Folio, na bela Óbidos, com uma fala sobre utopias e distopias, a que acrescentei retrotopia, pelas razões que direi.

1. Foi Thomas More que cunhou o termo utopia, com a publicação, há 500 anos, de A Utopia, cujo título em latim é mais longo: De Optimo Reipublicae Statu Deque Nova Insula Utopia (sobre o melhor estado de uma República e sobre a nova ilha da Utopia). Ele sabia do que falava, concretamente do poder, pois foi chanceler. A Igreja canonizou-o em 1935. A Utopia é uma ilha imaginada lá longe no oceano (utopia tem o seu étimo no grego: ou, que se lê u, que significa não) e tópos, com o significado de lugar. Portanto, Utopia é um não lugar; de qualquer forma, um ideal que indica o caminho.

A utopia supõe a distopia (também do grego: dys, que significa mau, duro: portanto, um mau lugar, o oposto a utopia). Assim, na primeira parte, More critica os males que atravessavam a sociedade inglesa, do despotismo e venalidade dos cargos públicos à sede de luxo por parte dos privilegiados e à injustiça e opressão que provocam. Na segunda parte, descreve uma sociedade ideal, que imaginariamente já se encontra realizada na ilha da Utopia. Neste sentido, embora haja vários tipos de utopias, a utopia nasce como eutopia (mais uma vez, do grego: eu- bom, feliz, e tópos, um lugar bom e felicitante, como na palavra Evangelho: eu+angelion, notícia boa, feliz, felicitante).

2. Com Thomas More encontramo-nos no Renascimento e na dinâmica do Humanismo. A sua Utopia deriva também, de algum modo, da secularização do messianismo, do Reino de Deus e sobretudo da escatologia. Se, na perspectiva cristã, o Reino de Deus será consumado na meta-história, agora, com as utopias, pretende-se realizá-lo já neste mundo, na nossa história, na imanência terrena. Por outro lado, se, em certos casos, eventualmente, a ideia utópica nasceu do sonho de levar adiante o que aconteceria se não tivesse havido pecado original - neste quadro o Reino de Deus já estava no princípio e não no fim -, o que é facto é que as utopias começaram por ser espaciais (A Utopia de More é uma ilha), mas, sobretudo por causa dos desenvolvimentos da técnica e da nova consciência histórica, passaram a ter uma dinâmica mais temporal: a utopia não está ainda imaginariamente realizada num lugar, mas tem o seu tóposno "ainda não" do futuro.

As utopias têm duas funções fundamentais: por um lado, são crítica da situação presente e, por outro, impulso para transformá-lo, olhando para um futuro outro, numa sociedade livre e justa, de bem-estar para todos. Parte-se do princípio de que o ser humano é constitutivamente utópico, porque é um ser desejante e esperante, que aspira à felicidade. Por outro lado, se a utopia não há-de cair no mero escapismo, na ilusão ou nowishful thinking, é necessário estudar as possibilidades de transformação da realidade. A utopia é constituinte do ser humano, porque ele deseja mais e melhor, a perfeição, e, por outro, há condições objectivas na realidade para a concretização do desejo. É toda a dinâmica entre "o que é" de facto e o que "pode e deve ser".

Há perigos reais nas utopias. Eles têm que ver concretamente com a "geometrização" da sociedade utópica, de tal modo que se cai na distopia da ditadura, esquecendo o indivíduo e a pessoa. Quando, por exemplo, o socialismo de utópico passou a científico e se implantou como "socialismo real" foi a tragédia que se sabe. Agora, está aí a utopia, a caminho de realizar-se, do transhumanismo e mesmo do pós-humanismo, na busca de uma nova espécie e da imortalidade, a partir do cruzamento das NBIC (nanotecnologias, biotecnologias, informática, inteligência artificial, ciências cognitivas). Projecto grandioso, mas é necessário ter consciência dos perigos e intervir política e eticamente. Que queremos verdadeiramente?

3. Significativamente, se esta utopia sobretudo técnica, que inclui a Uberlândia, goza de fascínio, no nível social e político reina mais o pessimismo e, assim, o sociólogo famoso Zygmunt Bauman perguntou recentemente ao jornalista da Der Spiegel (3-9-2016): "Já ouviu falar do conceito de retrotopia?" "Será o título do meu próximo livro." Hoje, é "a desilusão" face ao futuro: "Vivemos catástrofe após catástrofe: terrorismo, crise financeira, estagnação da economia, desemprego, precariedade..., desconfiança, cada um é para o outro um potencial opositor e concorrente", os perigos são omnipresentes. "Por isso, voltamo-nos para o passado e, no entanto, movemo-nos de modo cego para diante." "É notável que precisamente o Papa Francisco clame expressamente por uma cultura do diálogo. Só ela nos possibilitará perceber e respeitar o outro como parceiro legítimo."

4. Também participou no Folio Salman Rushdie, com quem dialoguei da primeira vez que veio a Portugal, em 2006, sobre "O Deus do Mediterrâneo". Ele veio relembrar como as religiões institucionais podem ser e são tantas vezes distópicas. Como eu o compreendo! Mas estou convicto de que Deus não desaparecerá da vida da humanidade. Ele continuará presente, em primeiro lugar, na pergunta por Ele. Porque o ser humano é constitutivamente utópico e esperante. E só Deus pode preencher e dar Sentido último, por graça, ao seu desejo e esperança infinitos.


Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

sábado, 22 de outubro de 2016

O Ex-chefe da Armada guineense, José Américo Bubo na Tchuto foi recebido com muita euforia no aeroporto internacional Osvaldo Vieira, em Bissau

O Ex-chefe da Armada guineense, Bubo Na Tchuto regressou à Guiné-Bissau na madrugada deste sábado, 22 de Outubro 2016, sob uma recepção ‘heróica’ de centenas de guineenses que se deslocaram ao aeroporto internacional ‘Osvaldo Vieira’.

Além de cidadãos que marcaram presença no aeroporto de Bissau, outros preferiram aguardar em diferentes artérias da Avenida dos Combatentes da Liberdade da Pátria para ovacionar o regresso à casa do contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto, recentemente libertado de uma prisão federal norte-americana de Nova Iorque.

Em poucas palavras que se ouviu da boca do Bubo Na Tchuto, em crioulo é: "fidju tchon, na si Tchon. Na é terra no kibi li tudu"…” que significa em português- “o filho da terra voltou para sua terra…o lobo não come lobo…vamos caber todos nesta terra…”.

Na Tchuto foi recebido por familiares e amigos, num reencontro emocionante de risos e lágrimas, uma comitiva composta por mais de três dezenas de viaturas acompanharam o contra-almirante até ao hotel onde terá sua primeira noite de regresso a sua terra natal, depois de ter cumprido cerca de quatro anos de prisão nos Estados Unidos da América.

O coordenador para a recepção de contra-almirante, deputado Mário Fambé agradeceu o povo guineense pela recepção calorosa, lamentando o tratamento que o governo e o Estado da Guiné-Bissau, deu aos problemas de Bubo e da jornalista guineense desaparecida em Angola.

“Ficamos indignados com o governo e o Estado da Guiné-Bissau que devem defender seus filhos independentemente dos seus actos, ou seja, pelo menos pronunciar-se sobre o assunto. Mas nunca alguém se pronunciou sobre caso de Bubo”, lamentou Fambé com uma voz trémula.

Fambé agradeceu em nome da família, o advogado norte-americano Patrick Joyce que defendeu Na Tchuto na última fase do processo, estendendo o agradecimento à população que deixou de dormir para solidarizar-se com Bubo.

Recorde-se que José Américo Bubo Na Tchuto foi preso a 4 de Abril de 2013 nas zonas marítimas nacionais, de acordo com as testemunhas de um dos presos posteriormente libertado em Cabo Verde, Vasco Nacia.


A colaboração com a justiça norte-americana e o bom comportamento na prisão terão sido factores suficientes para que a pena de Bubo na Tchuto fosse definida em apenas quatro anos, de acordo com a sentença lida no início de Outubro em curso, em Nova Iorque. Com Odemocrata

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Manifesto-me na oração que faço

Reflexão de Georgino Rocha

O olhar de Jesus centra-se nas atitudes das pessoas e nas formas do seu relacionamento. Adverte em “coisas” que contradizem o projecto de salvação que vem anunciando. Dá conta de que há quem se considere justo e despreze os outros; de quem aproveite a oração no Templo para se exibir e fazer comparações humanas depreciativas; de quem está cheio de si e das suas obras e não deixa espaço para Deus nem para os demais; de quem apenas reconhece a situação em que se encontra proveniente da sua profissão odiada, “pecadora”.

Adverte e quer repor a verdade. Recorre à parábola do fariseu e do publicano que vão ao templo, como era hábito dos judeus, para orar. Cada um leva o que tem no coração, santuário da nossa realidade mais profunda. Cada um faz oração a seu jeito e manifesta-se tal como é.

O fariseu, fiel cumpridor dos deveres religiosos, adopta atitudes que dão nas vistas e reza o que faz. Centrado no seu eu, apresenta as credenciais de bom ccomportamento. Antes de mais para com os outros: não é como eles, nem sequer como o publicano lá presente, mas distante; respeita os bens alheios, pratica a justiça, vive o compromisso matrimonial. Depois para com o preceituado legal: faz jejum e tem as contas limpas, pois paga o dízimo de todos os rendimentos. Portanto, sente-se seguro na vida, pode andar de cabeça erguida e olhar de cima para baixo, menosprezar os demais.

Jesus, na leitura que faz da parábola, censura este modo de pensar e agir, de forma implacável. (J. M. Castilho). E por várias razões, todas opostas à boa nova que anuncia: Pessoa centrada em si mesma e não aberta e solidária com as outras; que se arvora em modelo fiel de virtudes; que julga sem piedade quem não procede como ela; que considera desprezível a maioria dos seres humanos; que se sente “feliz” na vida, quando na realidade é um pobre “coitado”, cheio de orgulho pessoal e vaidade religiosa.

Há dias, o Papa Francisco na catequese das quartas-feiras, conta a história dos biscoitos da avó. Narra ele: “No Carnaval a minha avó fazia biscoitos com uma massa bem fina. Ela punha a massa no óleo e esta inchava, crescia, mas quando começávamos a comer víamos que os biscoitos eram vazios, ocos. A minha avó costumava dizer que eles eram como as mentiras: pareciam grandes, mas sem nada lá dentro, nada de verdade; não tinham substância”. E depois conclui: a “mentira” e a “hipocrisia” são ainda mais perigosas porque tornam a pessoa avessa à conversão, “incapaz” de mudar. Como o retrato do fariseu feito na parábola.

O publicano mergulha na verdade do ser humano e acompanha com gestos a sinceridade da sua oração. Fica, semi-escondido, ao fundo, não tem coragem sequer para erguer a cabeça e olhar em frente, bate no peito e exclama: “Tende compaixão de mim, Senhor, que sou pecador”. Sente-se longe de Deus e indigno; envergonha-se do que faz; pede perdão, abandona-se nas mãos de Deus; confia na sua misericórdia.

São Bento de Núrcia, o fundador da ordem beneditina que muito contribuíu para civilizar vários países europeus, resume a doze os degraus da humildade. Destaco alguns em sintonia com a atitude do publicano: Crer que Deus nos olha com amor; ser feliz, querendo o que Ele quer; não ter medo de ser débil; evitar vulgaridades e não querer impor-se. Enfim, rezar com humildade conscientes do que somos e agradecidos pelo que recebemos.

A interpretação da atitude dos dois orantes feita por Jesus é deveras supreendente: O publicano recebe os favores de Deus; o outro, não. Aquele é declarado justo; este, não, por continuar na sua auto-suficiência e afirmação.


O exemplo da parábola serve para fazer um “esboço” do rosto de Deus e da sua preferência pelos pecadores e marginalizados, por aqueles que não podem mais do que abandonar-se à sua misericórdia. Serve também para manifestar o homem/mulher que se torna patente na oração que faz. Também aqui se pode aplicar a sentença: Diz-me o que rezas. Dir-te-ei quem és.

A selecção da Guiné-Bissau (Os Djurtus) é a melhor dos PALOP no ranking da FIFA

A FIFA divulgou ontem o ranking de selecções referente ao último mês no qual a selecção nacional da Guiné-Bissau superou todos os países africanos falantes da Língua Portuguesa.

O Djurtus, que na última actualização estava na posição número 73, depois da selecção Cabo-verdiana, agora superara, os tubarões azuis que há muito tempo figurava como melhor selecção africana falante da língua Portuguesa e numa ocasião melhor da África (actualização de Março de 2016).

A selecção de todos nós subiu de lugar número 73 para 69 no ranking mundial superando todos os países dos PALOP. Ao nível do continente africano ela é a 17ª melhor, sempre aparecendo acima dos Tubarões Azuis.

A selecção nacional da Guiné-Bissau sob comando do mister Candé continua a fazer a história e desta vez subiu no ranking mesmo vendo o seu jogo de preparação contra o Canadá adiado para o dia 11 de Novembro.

Confira o posicionamento dos países dos PALOP no Ranking de FIFA actualizado hoje:
  •  Guiné-Bissau - 69º lugar
  • Cabo-Verde- 71 lugar
  • Guiné-Equatorial - 92º lugar
  • Moçambique -95º lugar
  • Angola - 134º lugar
  • São Tomé- 153º lugar

Irmã do ex-presidente Kumba Yalá afirma que a Guiné-Bissau não tem presidente da república forte e competente para desbloquear o país

Joana Cobdé Nhanca irmã do falecido Presidente Koumba Ialá afirmou hoje(20 Out) em Bissau, que a Guiné-Bissau é um país que não dispõe de um Primeiro Magistrado de Nação forte e capaz, que possa decidir e desbloquear a crise política.

Joana Cobdé que falava em conferência de imprensa na sua residência lembra que, “as instabilidades políticas do passado tinham nome que é Koumba Ialá e apelidados com a etnia Balanta como promotores da instabilidade cíclicas na Guiné-Bissau. E agora, chamam a atual crise política de crise nacional. Não há ninguém a ser responsabilizado e não há nenhuma etnia que é responsável”, observou Joana.

Falando das mediações da crise, Cobdé disse a Comunidade Internacional não pode resolver a crise se os próprios guineenses não se enveredarem no caminho do diálogo franco e conducente para a saída do marasmo. “Comunidade Internacional só está a aumentar a tensão e receitas médicas aos guineenses, já que frustraram várias mediações da crise”, notou.

Com tudo, Joana pediu calma aos guineenses, convicta que o cenário político pode mudar pela positiva a qualquer momento. Deixando claro que não é política ajudava o seu irmão Koumba, mas quando esse escolheu para uma outra direcção foi obrigada a mudar também para apoia-lo, e em Bissau, mesmo não quer fazer política, será sempre obrigado a fazê-lo devido as circunstância, porque “todos estão revoltados”.

A irmã do antigo PR adianta que o país carece de um verdadeiro Estado, porquanto os ideais dos Antigos Combatentes da liberdade da Pátria estão a ser desvirtualizados, acusando os actuais políticos de falta de conhecimento da ciência politica.