domingo, 6 de novembro de 2016

Os políticos guineenses reafirmam engajamento em respeitar acordo de Conacri

Os principais atores políticos guineenses reafirmaram ontem, 5 de Novembro 2016, o engajamento em respeitar o acordo político recentemente rubricado na vizinha República da Guiné Conacri sob auspícios da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). A posição consta do comunicado final resultante da visita de algumas horas de uma delegação do bloco regional chefiada pela Chefe de Estado liberiana, igualmente presidente em exercício da CEDEAO, Ellen Johnson Sirleaf.

A delegação manteve sucessivamente encontros com Presidente da República, José Mário Vaz, o líder do Parlamento, Cipriano Cassamá, Primeiro-Ministro Baciro Dja, as comitivas do PAIGC e do grupo dos 15 dissidentes do PAIGC, dirigidas respectivamente por Domingos Simões e Braima Camará. A delegação da CEDEAO reuniu-se igualmente com representantes do PRS.

Na declaração final lida pela ministra dos Negócios Estrangeiros da Libéria, Marjon Kamara, recomenda-se a reintegração nas fileiras do PAIGC dos 15 dos seus membros expulsos, a nomeação pelo Presidente da República de uma figura consensual ao cargo do Primeiro-Ministro bem como a formação de um governo inclusivo com base na representação parlamentar de diferentes partidos políticos.

O comunicado exorta igualmente as partes à convocação o mais breve possível de uma sessão parlamentar e à realização de uma mesa redonda com vista a discutir os contornos de um eventual pacto de estabilidade que facilite a implementação de reformas institucionais e constitucionais antes das eleições legislativas de 2018, conforme estipulado no acordo de Conacri.

A missão da CEDEAO ao país surge na sequência do impasse instalado perante várias interpretações por diferentes protagonistas em torno do conteúdo do memorando de Conacri. Com o Odemocrata



sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Interpelações aos vivos do Deus da Vida

Jesus aproveita a oportunidade que a pergunta insidiosa dos saduceus proporciona para mostrar quem é Deus e afirma sem rodeios que é o Deus dos vivos e da vida. Procura assim “configurar” o rosto de Deus Pai, fonte de vida e de felicidade, aliado incondicional de cada ser humano que trata com seu filho querido. Mesmo quanto este vive situações indignas e degradantes, vítima de si mesmo ou de condições sociais e religiosas, consciente da dignidade perdida e desejoso de a ver reabilitada ou resignado na sua passividade induzida.
Freiras Franciscanas de Imaculada de Conceição decidiram abandonar, a paróquia Nossa Senhora da Paz em Nhoma, norte do país, região de OIO, em consequência dos actos de vandalismo de que estão a ser vítimas por pessoas não identificadas

Os autores destes actos ameaçam, através de uma carta, violentar as irmãs caso estas não abandonarem a paróquia num prazo de quatro (04) semanas.

As irmãs foram apedrejadas na noite de sábado (29/10) por um individuo não identificado: No domingo a janela do armazém das irmãs foi violada e supostamente a mesma pessoa levou oito (08) sacos de cimento e vinte (20) litros de gasolina; mesmo com estes actos na última segunda-feira (31/10), pelas 20 horas de Bissau, supostamente o mesmo grupo vandalizou a viatura das irmãs quando estavam na oração.

Face a esta situação foram encerrados o posto de sanitário e jardim infantil das irmãs onde trabalhavam as irmãs.

Em jeito de solidariedade o liceu São Bernardino de Cena de Nhoma encerrou as suas portas. Para esta sexta-feira (04/11) uma reunião dos comités de tabanca de sector de Nhacra, com o objectivo de buscar uma solução conjunta para desencorajar estas práticas criminosas.

O pároco da Paróquia da Nossa Senhora da Paz de Nhoma, Frei Renato Ciumento, disse que a decisão das irmãs abandonarem o sector foi tomada depois de uma reunião com o responsável máximo da Igreja guineense.

“As irmãs vão continuar a trabalhar no bairro de Cuntum Madina, em Bissau, porque a sua superiora no México decidiu que não existe segurança suficiente para continuarem a trabalhar”, explica.

Entretanto, a administradora do sector de Nhacra, Maria Sábado Indela, exorta o ministro do interior no sentido de reforçar os efectivos policiais no sector para desencorajar estes actos de violência.

“Na Nhacra só temos quatro (04) efectivos e eles não podem fazer nada (tendo em conta o numero de violência registado). A missão católica precisa de segurança e, nós, estamos na Nhacra sem comissário policial”, revela.

Sobre o assunto, ouvido pela Rádio Sol Mansi (RSM), o ministro de Estado do interior, Botche Cande, promete ainda ontem, quinta-feira (03/10), usar “todos os mecanismos” para pôr cobro a esta situação, e, se for preciso irá recorrer aos militares no sentido de reforçarem as forças de segurança, para estancar actos de vandalismo que se verificam contra estas irmãs, na localidade de Nhoma…

“Temos que garantir segurança para que aquelas irmãs possam continuar os seus trabalhos. Porque, de facto, o que aquelas irmãs fazem para o povo guineense é louvável e se existir pessoas a violarem os direitos daquelas freiras o governo não irá admitir isso. Vamos abandonar o nosso gabinete e onde existir violência estaremos presentes e mesmo se for preciso com a intervenção do chefe das forças armadas. Vamos acabar com estes actos de violência no país, custe o que custar”, promete Botche Cande.

A pergunta dos saduceus, elite aristocrática de Jerusalém, pretende “entalar” Jesus sobre uma questão delicada: a ressurreição dos que morrem, a relação entre eles, a compreensão da vida futura. Assunto em que eles não acreditam, mas que lhes dá jeito pelas questões que envolvem. E recorrem a um suposto caso de vida em que uma família tem sete filhos que, sucessivamente, vêm a casar com uma mulher que vai ficando viúva à medida que cada um deles morre. Finalmente morre também ela. “A quem pertence no futuro, uma vez que foi esposa dos sete?

Jesus eleva a questão ao seu verdadeiro nível e diz-lhes com apoio na tradição bíblica em que eles também acreditam que Deus é Deus dos vivos, que para Ele todos vivem, que a todos oferece a ressurreição feliz. Fica desmontada a armadilha e esclarecida a verdade a respeito de Deus, do ser humano, da vocação da humanidade: acolher a vida como dom de Deus e missão nossa. A ressurreição não é um regresso, nem um prolongamento da vida presente. É novidade completa garantida por Deus e acontecida em Jesus de Nazaré, que ressuscita após a sua morte de cruz.

Os saduceus aduzem, a seu favor, a lei do levirato ( Dt 25, 5-10) que ainda subsistia no século I. Esta lei não pretendia proteger a viúva, mas garantir a descendência ao marido e defender a herança familiar. O relato é “descaradamente” machista: o “varão” é quem toma a mulher e o que espera dela é que dê à luz. (J. M. Castillo). Trata-se de uma situação humilhante de descriminação. Não há nada mais para a viúva: submeter-se até procriar. Para garantir o nome de família do homem e a sua herança. Situação da mulher que ecoa na história, apesar do silêncio induzido pela cultura imperante. Situação que faz lembrar todas as “periferias” como gosta de dizer o Papa Francisco que, neste domingo, acolhe em Roma os representantes dos movimentos populares e os reclusos em peregrinação jubilar.

Os movimentos populares realizam o seu III encontro mundial em que tomam parte cerca de 200 delegados de 92 organizações que actuam em 65 países e, na celebração final, em que intervém o Papa, cerca de 5.000 pessoas. O seu objectivo principal é a promoção da justiça social, o diálogo sobre o processo de mudança, a intervenção criativa e ousada. A sua meta mais próxima é que todas as famílias possam ter casa, trabalho e terra.

O delegado do Pontifício Conselho da Justiça e da Paz, Silvano Tomasi, afirma que é intenção do Papa “sensibilizar as pessoas sobre a situação dos que vivem nas periferias da sociedade”, particularmente os refugiados e migrantes. São estes os novos rostos dos pobres, dos silenciados, dos instrumentalizados. Como a pobre viúva dos sete maridos.[...]

“Apelo à consciência dos governantes, declara o Papa Francisco, para que se chegue a um consenso internacional pela abolição da pena de morte e proponho aos que entre eles que são católicos cumpram um gesto corajoso e exemplar: que nenhuma condenação seja executada neste Ano Santo da Misericórdia”.

A Direcção Superior do Partido da Renovação Social (PRS) condena a ameaça de morte a que as Freiras Franciscanas da Imaculada de Conceição são alvos por pessoas não identificadas na secção de Nhoma, sector de Nhacra, região de OIO, norte do país

A condenação foi ouvida no princípio da tarde desta sexta-feira (04/10) após a reunião que a direcção superior do partido, chefiado pelo seu presidente, Alberto Nambeia manteve com o Bispo de Bissau.

Vice presidente do PRS, Sertório na Biote, disse que o seu partido irá fazer todas as diligências junto das autoridades para trazer a justiça os autores deste acto.

Na Biote manifestou por outro lado a total solidariedade do PRS para com a Igreja Católica guineense pedindo as autoridades de sector de Nhacra e a população no sentido de retornar a estabilidade na referida missão e apoiarem para que as freiras tenham condições de trabalhar com segurança.

O Presidente do PRS, Alberto Nambeia, lamenta o facto e pede a colaboração para descobrir os autores deste acto tendo garantido que o seu partido tudo fará junto das autoridades para solicitar segurança para a retoma das actividades das freiras na secção de Nhoma.

Freiras Franciscanas de Imaculada de Conceição decidiram abandonar, quinta – feira, a paróquia Nossa Senhora da Paz em Nhoma, norte do país, região de OIO, em consequência dos actos de vandalismo de que estão a ser vítimas por pessoas não identificadas

Os autores destes actos ameaçam, através de uma carta, violentar as irmãs caso estas não abandonarem a paróquia num prazo de quatro (04) semanas.

Face a esta situação foram encerrados o posto de sanitário e jardim infantil onde trabalhavam as irmãs e como consequência mais de 900 crianças estão sem estudar.

E prolonga o seu apelo com gestos de inexcedível alcance. “Muitas vezes, revelou Rino Fisichella, arcebispo presidente do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, organismo responsável pela organização dos eventos do Jubileu da Misericórdia, o Papa Francisco esteve em contacto telefónico nos últimos meses com condenados à morte”.

Jesus quer continuar a sua missão, hoje. E fazê-lo por meio da comunidade eclesial que se organiza em serviços e ministérios. [...]

Os apelos aos vivos do Deus da vida são muitos e interpelantes. Abramo-lhe o coração! E demos as mãos.

As ONG's e Associações guineenses recebem apoios para ajudar a salvar vidas

A Direcção da Associação Guineense parao Bem-estar Familiar (AGUIBEF) entregou esta quinta-feira mais de 14 milhões de francos Cfa, as sete (07) ONG e Associações guineenses.

O dinheiro destina-se para uma mobilização comunitária a favor de saúde reprodutiva materno e neonatal infantil, VIH/SIDA e violência baseada no Género

Objectivo principal da iniciativa, que teve o apoio da ONU mulher, é reduzir a mortalidade materna e contribuir para melhoria de condições de saúde das populações.

O Director de Programa de AGUIBEF, Dr. Sadna Na Bitã, diz que o apoio financeiro vai contribuir para que as organizações possam “na verdade” implementar as acções da mobilização comunitária para adesão ao serviço de saúde sexual reprodutiva.

“Como sabemos que as nossas comunidades precisam de informações corretas sobre medidas de prevenção, sobre o que se deve fazer para realmente contribuir no bom comportamento que leva, portanto, a promoção efectiva da saúde”, adianta.

Para o Representante da ONU MULHER no país, Mário Santos, as entregas visam reforçar o País de forma a acelerar o processo de redução da maternidade infantil caracterizada com elevada taxa.

“Trata-se de uma iniciativa concebida na sequência de reforço das capacidades das ONG e as associações comunitárias (…) a fim de proporcionar os conhecimentos nesse domínio, com efeito a ONU MULHER, espera que com os recursos financeiros atribuídos com AGUIBEF, as ONG e Associações seleccionadas poderão estar em condições de transmitirem em forma adequada os conhecimentos adquiridos nas referidas formações”, explica.

Em nome das beneficiárias, Ivone Oliveira Sanca, disse que o apoio é muito importante sobretudo nas ilhas e que irá ajudar muito.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

O anfiteatro do INEP, rebaptizado em 1990 auditório “Manuel Nassum” - em homenagem ao malogrado sociólogo guineense

Auditório “Manuel Nassum

O anfiteatro do INEP, rebaptizado em 1990 auditório “Manuel Nassum” - em homenagem ao malogrado sociólogo guineense com o mesmo nome – é um espaço de inquestionável importância para a instituição. Com capacidade para cerca de 140 lugares, o auditório tem vindo a servir para actividades múltiplas com sejam os seminários, conferências, aulas magistrais, sessões de formação, sessões de projecção de filmes, entre outras.

A importância ainda é maior se consideramos que este espaço também é utilizado, por via de aluguer, por organismos internacionais, embaixadas, organizações da sociedade civil e afins, reforçando-se assim as ligações entre o INEP e as diversas organizações.

Assim, auditório deve, necessariamente, atender a questões técnicas, propiciar conforto ambiental aos usuários e ainda apresentar uma razoável qualidade estética. Nessa linha de preocupações, o auditório foi recentemente (2015) alvo de obras de beneficiação que melhoraram consideravelmente as suas condições gerais, mormente, a reparação da quase totalidade da cobertura, a instalação eléctrica, para além de terem sido renovadas as pinturas das paredes e do soalho.

Assinale-se, contudo, a necessidade absoluta de se proceder a uma nova intervenção no auditório “Manuel Nassum”, não apenas no sentido do incremento das condições atrás referidas, mas de molde a torna-lo num espaço com padrões modernos e de referência na Guiné-Bissau, na medida em que o país não dispõe de auditórios multifuncionais, com padrões modernos, aliás, a razão por que a Direcção do INEP desencadeou já as diligências que se impõem, objectivando a sua uma completa reabilitação e modernização. Com o INEP


Nota: Em breve falaremos de vida e obra do Dr. Manuel Nassum

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Uma África na Medida Certa

Por, Dr. Carlos Lopes

As histórias que se contam por si próprias não existem. Cada um é autor e narrador da sua própria história, por vezes fiel aos factos, por vezes ficcionada, aumentada, diminuída ou até, e literalmente, mal contada. Uma das minhas maiores ambições como historiador e pensador de modelos de desenvolvimento é interpelar autores de diferentes narrativas, analisar e compreender os factos por detrás de cada história. Se possível, fazer parte dessas narrativas, de tessituras tão complexas e intrincadas, por vezes. Foi essa ambição que refinou o mantra "Africa First", lema que cunhou o meu mandato ao longo de quatro anos como secretário executivo da Comissão Económica para África, órgão das Nações Unidas, lugar de onde decidi partir rumo aos caminhos que eu, como autor da minha própria história, decidi trilhar.

Ao longo de um percurso de quatro anos, o balanço que faço é institucional, fruto de um laborioso trabalho de reestruturação estratégica do pensamento africano, lapidado diariamente por mil colaboradores que trabalham no avanço do estado da arte do pensamento económico sobre África. Da orientação e aconselhamento técnico aos Estados membros africanos, à preparação e publicação de relatórios nas mais diversas áreas do pensamento socioeconómico de África, ao acolhimento e preparação técnica de grandes conferências de forte impacto sobre as políticas mundiais de desenvolvimento económico, a CEA afirmou-se internacionalmente como um laboratório de estratégias da transformação estrutural africana. Se África quer escrever a sua própria narrativa, precisa de a pensar e de a ancorar em dados credíveis e coerentes, para se colocar na posição de autor e não na de leitor de narrativas defensoras de interesses que lhe sejam alheios.

Os líderes africanos utilizam agora a transformação estrutural como o mantra económico de um continente dono das suas prioridades de desenvolvimento. Este é um balanço positivo, na medida em que as megatendências que hoje caracterizam África são, por si, um ingrediente da transformação estrutural: o aumento demográfico, a gradual migração para os grandes polos urbanos e o fomento de economias orientadas para os setores secundário e terciário exigem políticas económicas estruturadas holisticamente, acopladas a uma capacidade estratégica orientada para as necessidades que o continente afere como prioritárias. Ao mesmo tempo, para que isto aconteça, é necessário sair da letargia intelectual gerada pelas ondas otimistas de um PIB em franco crescimento, ao longo dos últimos 15 anos. Se é dado adquirido que África cresceu, num cenário de crise global, também é verdade que esse crescimento não foi nem é, ainda, qualitativo: não se geraram empregos suficientes, os níveis de pobreza continuam elevados e a dependência das matérias-primas continuou em alta, contribuindo para uma perceção de risco particularmente negativa. A CEA procurou trabalhar, a nível intelectual e técnico, no sentido de auxiliar os Estados africanos a inverterem os dados do jogo a seu favor. Aferir a lacuna de um crescimento económico socialmente letárgico foi o primeiro passo para se pensar nos desafios de um processo contínuo - o da transformação estrutural - que países e regiões como a China ou o Sudoeste da Ásia ultrapassaram com sucesso, através da aposta numa industrialização baseada no aumento da produtividade agrícola ou na diversificação económica.

Em quatro anos a CEA conseguiu o feito de passar de uma consulta mensal, no seu site, de sete mil para 2,4 milhões, de ser citada anualmente em mais de 400 meios de comunicação social do continente, de aumentar o seu impacto em políticas medidas por inquéritos de opinião de forma exponencial e de ter contribuído para a realização de todos os grandes projetos continentais, tais como a Agenda 2063, a zona de livre comércio, o Consenso sobre Estatística ou ainda o combate ao tráfico ilícito de capitais. O seu estatuto de think tank do continente é agora indiscutível!

Secretário executivo cessante da Comissão Económica para África (CEA) da ONU
Biografia oficial do Dr. Carlos Lopes

Meu lugar de nascimento é o mesmo que o dos meus pais e é o primeiro elemento que me define. Canchungo é uma vila de aproximadamente 10.000 habitantes no noroeste da Guiné-Bissau, mas eu chamei cidade com orgulho. A paisagem circundante é encantadora: onde se olha, rios e um tapete verde que poderia ser levado para o Congo ou a Amazônia para que haja água.

Meu pai foi jogado na prisão próxima de Canchungo por causa de seu apoio à luta pela independência. Naquele tempo, eu era um garotinho que estava tentando entender o que estava acontecendo. Eu tinha 13 anos na Independência da Guiné-Bissau. Logo depois que fui pego no tumulto da política, aderindo completamente aos ideais do panafricanismo. Meu mentor foi Mario de Andrade, então intelectual angolano que vive na Guiné-Bissau. Andrade, fundador e presidente do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA), envolveu-se em todos os movimentos políticos e intelectuais pan-africanos da época. Ele também foi o cérebro da prestigiosa editora African Presence em Paris nos anos 50.

Eu obtive meu diploma na escola secundária Kwame Nkrumah em 1977. Quando eu estava pronto para entrar na universidade, não havia nenhum em meu país. Eu tive que passar pela poderosa rede Andrade para uma bolsa de estudos. Assim, encontrei-me em Genebra e depois em Paris, onde completei um doutorado. Tive a oportunidade de concentrar a minha investigação em questões africanas e questões de desenvolvimento.

Quando os problemas começaram a atacar o meu golpe país após o golpe, fiquei desapontado com o povo no poder. Minha contribuição para o serviço público foi levá-la a outro nível. Assim, juntei-me às Nações Unidas, enquanto me esforçava por nunca perder o contacto com as redes intelectuais do continente. Eu fiz o meu melhor para aplicar alguns princípios importantes na minha vida profissional. Nunca sobrevalorize nada; Toda a realidade deve ser analisada em toda a sua complexidade. "Não simplifique a África e seus problemas" é um exemplo. "Nunca subestime a importância que as ações de hoje têm para construir o futuro." Nesta perspectiva, cada etapa conta, e especialmente deve tomar a lição de xadrez. Gostaria de dizer que os africanos cometeram muitos erros, mas sofreram mais.

Chegou a hora da África e devemos aproveitar as boas notícias que começaram a reverter a imagem da "inferioridade africana" construída a partir do século XV. O desafio é emocionante, mas também exigirá uma inversão do destino. Africano não pode simplesmente correr. Eles devem correr mais rápido do que qualquer um já correu curto. Se o mundo ainda se maravilhar com os tigres asiáticos, agora está se preparando para a ascensão do animal mais rápido na terra: a chita, metáfora delgada e inteligente para a África pronta para bater todos os registros! - Dr. Carlos Lopes

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

Ministro de saúde, Domingos Malú, considera de vergonha nacional situação dos hospitais na Guiné-Bissau

O ministro da Saúde Pública, Domingos Malú, reconheceu esta terça-feira que, apesar de os esforços no que refere a melhoria dos serviços de saúde na Guiné-Bissau, a situação dos hospitais é “uma vergonha nacional” e ainda continuam a existir “muitas coisas erradas” neste sector que devem ser corrigidas

Falando na cerimónia de tomada de posse dos delegados provinciais de inspecção de actividades em saúde, Domingos Malú chamou atenção aos recém-empossados no sentido de assumirem as suas responsabilidades porque pretende-se, em pouco tempo, transformar as províncias em todo o domínio.

“Temos a certeza que alguma coisa será feita, problema não é só inspeccionar as farmácias mas também as actividades em Saúde, se admitidos que cada funcionário público tenha os seus direitos e obrigações então os inspectores vão fazer o acompanhamentos destes fatos. Antes de inspeccionamos as farmácias e clínicas devemos é inspeccionar os nossos hospitais”, acrescenta este governante.

Francisco Aleluia Lopes, inspector-geral de saúde, disse que a criação das delegacias regionais de inspecção de saúde visa sobre tudo fazer com que se tenha a nível nacional a capacidade de intervir de uma forma mais próxima aos técnicos e aos demais intervenientes no sistema.

“O sector privado que é uma maior preocupação do ministério, a criação destas delegacias permite que o sistema seja muito mais resultativos e para ter esse ganho era necessário que houvesse uma maior clareza naquele que devemos fazer junto das nossas comunidades”, explicou.

Em nome dos recém-empossados falou Ove Fernandes Mendes que afirma que foram empossados para cumprir com os três pilares da inspecção que são inspeccionar, editar e auditar que constam nas suas metas e objectivos a serem concretizados.


Este acto foi realizado com o propósito de superar algumas dificuldades no que tange ao controlo das actividades em saúde a nível nacional, facilitando uma melhoria gradual do sistema de saúde. Com a RSM

terça-feira, 1 de novembro de 2016

CPLP insta o diálogo permanente e construtivo na Guiné-Bissau

Reiterar a sua convicção de que só através do diálogo permanente e construtivo entre os atores políticos guineenses será possível uma solução durável, encorajando as forças políticas da Guiné-Bissau a encontrarem soluções políticas duradouras que garantam a estabilidade governativa e que promovam a manutenção do apoio da comunidade internacional à Guiné-Bissau.

Congratular-se com o empenho da comunidade internacional, com especial destaque para o Grupo P5 (Nações Unidas, União Africana, CPLP, CEDEAO e União Europeia) e para a Configuração da Comissão da Consolidação da Paz das Nações Unidas para a Guiné-Bissau no acompanhamento da crise guineense e na consequente promoção de um diálogo construtivo entre as partes guineenses na tentativa de uma solução durável rumo ao desenvolvimento económico e social do país, assente na estabilidade política.

Saudar a postura responsável que os órgãos de defesa e segurança têm sabido manter, bem como o seu afastamento da cena política e a subordinação ao poder político, exortando todas as forças políticas guineenses a se envolverem no diálogo e a consolidarem os esforços para garantir que a Guiné-Bissau avance resolutamente para o caminho da boa governação, da prosperidade e da maior coesão social.

Congratular-se com a iniciativa da CEDEAO, que culminou na adoção de um roteiro acordado entre todas as partes com vista à estabilização do país e na assinatura do Acordo de Conakri, e apelar às forças políticas da Guiné-Bissau que aproveitem esta importante oportunidade, no sentido de alcançarem, num espírito de compromisso e a breve trecho, progressos concretos em ordem a assegurarem a sua plena implementação, correspondendo assim aos objetivos de estabilidade que o povo guineense tanto almeja.

Reiterar o compromisso de acompanhamento da situação política na Guiné-Bissau e de promover, em coordenação com os restantes parceiros, o diálogo entre as forças políticas, manifestando a sua total solidariedade com o povo guineense, conforme os princípios consagrados na Declaração Constitutiva da CPLP. (Ler »aqui tudo sobre a cimeira de CPLP)