Honorio
Gomes
Estas
eleições legislativas e presidênciais são entre muitas e outras oportunidades
que nos foi dado para virar a página e construir uma nação na base do trabalho,
do conhecimento, do mérito que vise à reconciliação do povo guineense, como tem
repetido enésimas vezes o representante das Nações Unidas na Guiné-Bissau José
Ramos Horta, que a semelhança das outras nações quer ver o nosso país seguir os
trilhos de desenvolvimento. Enganam-se os que pensam ao contrário, com essa
propagada e recorrente ilusão sobre a Guiné-Bissau.
Esta
eleição é mais que umas simples eleições dos quais estamos habituados, está em
jogo a nossa existência, a nossa viabilidade e a nossa independência que tanto
nos custou à admirável grandeza no concerto das nações e que hoje concentra
toda a desgraça que não nos dignifica como um povo. Por isso, nesse processo
eleitoral, exige-se uma reflexão profunda da nossa classe política, dos
decisores institucionais da república ao cidadão através do seu voto na urna.
Há
motivos mais que suficientes para delegarmos mandato de gestão do país a
outrem, mais este não seria a mais-valia desejável, por que os efeitos
colaterais que estas ações produziriam na nossa sociedade, terão um
condicionamento difícil a apagar para afirmação do homem ou mulher guineense no
concerto das nações, que ainda almejamos nestes longos quarenta anos da nossa
existência. Meu apelo aqui vai ao encontro dos partidos políticos e
instituições judiciais do país em particular aos juízes e Supremo Tribunal de
Justiça nas análises das candidaturas, sejam elas para Presidência da Republica
ou para Deputados da Nação.
No
que respeita aos partidos e coligações políticas para interpelarem com
argumentos e provas convincentes junto ao Supremo Tribunal de Justiça as
candidaturas que possam ou constituem um foco de tensão para Unidade Nacional
que tanto necessitamos para reconciliar os guineenses, através da verdade sobre
o nosso passado, presente e construir um futuro melhor com dignidade. Lembrando
a necessidade de renunciarem o nosso eu, isto é, procurar reunir consensos em
torno de único candidato, em todos presidenciáveis sem exceção, sejam eles
independentes ou com apoio partidário. Não podemos continuar a dar o luxo de
ter candidatos a Presidência da Republica ou a Chefe do Governo sem mínimo
conhecimento da administração pública (dossiês centrais, segredos do país e habilidade
nas respetivas interpretações). O estatuto acadêmico ou sua excelência não dá
direito para postular a PR e PM, estes devem ser resultados de dezenas e longos
anos experiência ao serviço do país. Depois querem mais de 10% nas assinaturas
de contratos bilaterais na exploração dos nossos recursos!
Quanto
aos juízes do Supremo Tribunal de Justiça, exige-se um sentido de
responsabilidade, imparcialidade e coragem nas decisões sobre aqueles que
confiaremos o destino das nossas vidas, ou melhor, para administrar as nossas
heranças ou contas bancarias (nosso país GB) por longos anos. Exemplos é que
não faltam para elucidar as autorizações desastrosas concedidas nas
legislaturas anteriores que conduziram e continuarão produzir muitas perdas
humanas, enquanto existiam motivos mais que suficientes para recusarem algumas
candidaturas e evitar os ciclos permanentes de golpes de estados e assassinatos
seletivos. Dê-nos a possibilidade de acreditar na idoneidade dos juízes uma vez
(porque nas instituições da Republica da Guiné-Bissau todos são compráveis
placas no peito “Quem paga mais ganha o meu voto ou se faz parte do meu grupo
social é quem ganha).
Ousemos
ser feliz e livre!
Viva
a Guiné-Bissau!
Honorio
Gomes
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