Importa salientar que o período do nosso silêncio coincidiu com as eleições presidenciais de 20??, nas quais Umaro Sissoco Embaló foi proclamado vencedor. Este período corresponde, igualmente, ao início do seu conturbado regime, que viria a culminar no atual cenário de instabilidade político-militar e institucional que afetou as estruturas democráticas da Guiné-Bissau.
Numa primeira fase, entendemos que seria necessário conceder uma oportunidade ao chamado Sissoquismo, sobretudo porque o então candidato apresentou um discurso que prometia pôr fim aos abusos e às discriminações que, segundo afirmava, haviam sido praticados pelos regimes anteriores — designadamente os de Nino Vieira, Cadogo e JOMAV — contra as etnias Balanta e Fula, que considerava terem sido as mais discriminadas pelo Estado e pela sociedade guineense.
Chegou mesmo a defender que, caso fosse empossado como Presidente da República, sendo ele pertencente à etnia Fula, o cargo de Primeiro-Ministro deveria obrigatoriamente ser ocupado por um Balanta, como se tal princípio estivesse consagrado na Constituição da República. Na sua visão, os grupos mais beneficiados pelos regimes anteriores seriam os chamados "Meninos da Praça", incluindo mulatos, Gebas, Papéis, Manjacos e Mancanhas de Bissau, em detrimento dos Balantas e dos Fulas, maioritariamente provenientes do interior do país.
Esta narrativa mobilizou e influenciou um número significativo de pessoas, em especial membros da classe castrense que se consideravam marginalizados. Dessa forma, conseguiu conquistar um importante apoio político e militar logo na fase inicial do seu percurso.
Posteriormente, com a astúcia política que muitos lhe reconhecem, autodenominou-se General de Três Estrelas e Comandante Supremo das Forças Armadas. Esta situação acabou por favorecer igualmente o General Biaguê Na N'Tan e o seu círculo mais próximo, que, em pouco tempo, beneficiaram de sucessivas promoções, alegadamente sem o rigoroso cumprimento das normas legais que regulam a progressão na carreira militar.
Segundo esta perspetiva, tal representaria a continuação da política iniciada durante o mandato de JOMAV, quando Biaguê Na N'Tan foi nomeado Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas (CEMGFA), decisão que continua a ser objeto de forte contestação por diversos setores, por alegadamente ter contribuído para aprofundar divisões internas e alimentar um ambiente de rivalidade dentro das Forças Armadas, em torno da questão da quota étnica.
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