O Procurador-Geral da República da Guiné-Bissau,
Abdú Mané, entregou hoje a carta de pedido de demissão ao Presidente da
República de Transição, Manuel Serifo Nhamajo.
A saída da audiência com o Presidente da República
de Transição, o demissionário Procurador-Geral da República, disse que a sua
decisão é irreversível, acrescentando que não é compatível continuar nessas
funções durante a presidência do José Mário Vaz.
Abdú Mané desempenhou as funções de Procurador-Geral
da República durante os dois últimos anos de vigência do período de transição.
No ano passado, o Presidente eleito, José Mário Vaz,
esteve detido durante uma semana, na qualidade de suspeito em relação a um caso
de suposto desvio de fundos doados pelo governo angolano às autoridades de
Bissau, no valor de 12,5 milhões de dólares americanos.
A Procuradoria-geral da Republica tentou sem sucesso
impugnar a candidatura de José Mário Vaz junto do Supremo Tribunal de justiça
alegando, entre outras, o envolvimento deste (Mário Vaz) no alegado desvio dos fundos públicos.
Na campanha eleitoral passada, ao ser confrontada
com a questão, caso ganhe as eleições se manteria ou não nas funções, o
advogado Abdú Mané, José Mário Vaz sempre respondeu que o manteria mas mediante
algumas condições, nomeadamente: a conclusão dos inquéritos relacionados ao
caso “Fundos de Angola”, aos assassinatos do ex-presidente Nino Vieira e de
outras figuras públicas, ocorridos no país.
Os Procurados gerais da Republica são nomeados pelo
Presidente da Republica ouvindo o governo.
José Mário Vaz é investido nas funções no próximo
dia 23 de Junho para um mandato de 05 anos renováveis uma só vez.