sábado, 9 de dezembro de 2017

Escutai a voz do Profeta

João Baptista surge com todo o seu vigor no início do Evangelho de Marcos que, no 2º domingo do Advento, a liturgia da Igreja nos apresenta. (Mc 1, 1-8). Surge como o profeta que realiza o anúncio vaticinado por Isaías, durante o cativeiro do povo judeu na Babilónia. Surge como garantia de que os relatos sobre a vida de Jesus estão na sequência dos factos narrados nos textos sagrados, já conhecidos. Surge para lançar o brado definitivo: “Endireitai os caminhos do Senhor, Ele está no meio de nós”.

Marcos chama o leitor a iniciar o percurso da descoberta de Jesus Cristo, ouvindo o apelo de João Baptista, acolhendo as vozes dos acompanhantes que testemunham os factos por Ele realizados na itinerância da missão, e abrindo o coração para saborear a confissão pública do Centurião: “Realmente, este é o Filho de Deus!”.

A liturgia da Igreja organiza as celebrações de modo sábio e pedagógico. Em cada domingo apresenta um episódio emblemático que visualiza a vida de Jesus, configura o seu modo de proceder e desvenda a sua realidade profunda: Ser Filho de Deus. E o leitor é interpelado, convidado a parar, meditar, reconsiderar e a professar a sua fé, se chegar a esta feliz conclusão. Como o Centurião romano.

“Endireitai os caminhos do Senhor”. É nos caminhos da vida que se encontra Jesus Cristo. A vida, no seu dramatismo provocante, está recheada de surpresas que despertam a sonolência que, frequentemente, nos assalta. E a ensurdecedora publicidade comercial consumista avoluma. E Marcos convida-nos a irmos aos começos, a verificarmos as raízes que nos garantem a liberdade em segurança, a escutarmos as boas notícias da verdade que Jesus nos comunica.

O que será preciso pôr direito na vida de cada um de nós, nas famílias, nas instâncias sociais e políticas da sociedade, no sistema educativo como serviço público de qualidade, pertença a quem pertencer? Que será preciso endireitar na Igreja e suas comunidades e movimentos para que nas pessoas e na sua instituição brilhe mais intensamente a transparência do Evangelho de Jesus?

Os caminhos têm de ser visíveis e transitáveis, planos e assinalados. Por isso, exemplifica Isaías na 1ª leitura: Que o retorcido seja posto direito, o vale seja elevado, o monte abatido, as veredas escarpadas sejam aplanadas. E da morfologia do terreno, somos convidados a examinar a integralidade da vida humana, sobretudo a consciência iluminada pela razão e pela fé cristã. A mudança há-de ser verificada pelo arauto chamado a proclamar a feliz notícia: O Senhor vem na sua glória com o prémio da vitória. O relato de Marcos confirma esta visão profética com os factos narrados no seu Evangelho que abrem caminho à missão da Igreja, de cada um de nós.

Aplanai, facilitai, favorecei o caminho da vida aos que estão abatidos e perplexos, são rebaixados na “cotação” social e organizativa, e têm de esconder a vergonha que os assalta pela desconsideração sentida a partir da cultura do êxito a baixo preço e de consumo no instante.

“Perante a realidade concreta que vivemos, neste mundo que se apresenta fragmentado, violento, injusto e estilhaçado… a Palavra de Deus faz-nos o convite a esperar em Deus que nos ama e nos promete uma realidade reconciliada, transformada pela justiça, uma realidade como a que canta o Salmo 84: de paz, de misericórdia e fidelidade. Uma esperança ancorada em Deus e vivida no coração da realidade”, afirma Mariña Rios Alvarez, mulher teóloga. (Homilética 2017/6, p. 745).

É uma esperança que nos faz ver com profundidade a vida, as pessoas, os conjuntos sociais e religiosos, a cultura de “espuma da onda” que deslumbra mas desumaniza e aliena, o Evangelho cheio de energia transformadora da instituição eclesial chamada a agilizar o serviço de animação missionária.

É uma esperança que nos impele a consolar os tristes e amargurados – e são tantos! – a acompanhar as dores sofridas pelas vítimas de si mesmas e das circunstâncias envolventes, a ajudar a abrir horizontes de liberdade a quem não consegue erguer o olhar e ver uma nesga de luz que possa augurar um futuro feliz.

“Endireitai os caminhos do Senhor”, exorta o profeta, pois eles são os nossos caminhos. É no caminho, e não na acomodação, que se dá o encontro. E a nossa vida irradiará a misericórdia do Senhor e todos juntos contemplaremos “a justiça (que) caminhará à sua frente e a paz (que) seguirá os seus passos”. (Salmo 84, proclamado na liturgia de hoje). Que mensagem entusiasmante! Experimenta.

Estado-maior General das Forças Armadas Revolucionarias do Povo da Guiné-Bissau encerra primeiro Curso Básico de Segurança e Inteligência Militar

No Centro de Formação dos Oficiais Subalternos “GENERAL TAGME NA WAIE”, o Vice-Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, Tenente General dos Comandos Mamadú Turé (N´krumah) acompanhado pelos altos oficiais das Forças Armadas presidiu a primeira formação considerada de formação piloto dos oficiais das FARP’s

O curso que durou mais de três meses e administrado por instrutores militares nacionais tem iniciado em 10 de Agosto no Centro de Formação Militar de Cumeré, foi transferido no dia 29 do mesmo mês Escola de Formação dos Oficiais Subalternos de S. Vicente (criada em 2013), devido a início da instrução dos Mancebos. O curso conta com a participação de 30 (trinta) formandos que estudaram as matérias sobre a técnica de informação, direito, preparação especiais, educação cívica, relações militar-civis entre outros.

Tenente General Mamadú Turé (N´kruma), em representação do Chefe do Estado-maior General, felicitou os formandos pela conquista dos poucos lugares que têm para esta primeira formação considerada de formação piloto. Exortou os mesmos, que continuassem a dar informações reais e precisas, é uma tarefa difícil e nobre porem as expectativas de que deles se esperam são grandes. A realização deste curso de Segurança e Inteligência Militar e a implementação dos objectivos pelo Estado Maior General das Forças Armadas, consagra-se no âmbito da sua política de formação, superação e capacitação dos militares que é suas prioridades sublinhou o Tenente General, que por conseguinte recomendou aos recém-formados para implementar na prática no tempo real e com a máxima isenção os conhecimentos adquiridos.

Coronel Remon Sambú, Chefe da Divisão Central da Inteligencia Militar do Estado Maior General das Forças Armadas, mostrou-se muito satisfeito pela forma como o Estado-maior General permitiu que este curso fosse realizado na Guiné-Bissau, apesar de todas as dificuldades existentes em termos recursos materiais, financeiros e logísticos. Por isso, disse estar extremamente impressionado pela decisão do Chefe do Estado-maior General, Biaguê Na N´Tan em aceitar que as Forças Armadas Revolucionarias do Povo (FARP) procurem os caminhos de conhecimento sendo este a base do desenvolvimento de qualquer país sobretudo no domínio da Defesa e Segurança. O coronel estimou a continuidade de formações de género acreditando que, realmente só com isso é que se possa mudar efectivamente o cenário da informação em vigor no sector da Defesa e da Segurança do país.

Segundo o Coronel Augosto Bicoda, Chefe do Gabinete do Chefe de Estado Maior General das FARP que falava em nome dos instrutores do curso, disse que a avaliação do comportamento dos formandos é considerada positiva visto que esses já antes desta formação possuam alguns conhecimentos da área e com uma certa categoria social e militar, facto que os obrigou a comportar-se duma forma aceitável.

Sublinhou que a Guiné-Bissau dispõe hoje condições para se Auto formar no domínio básico de Segurança e Inteligência Militar, contudo existem necessidades de promover constantes formações de reciclagem e superação dos seus quadros para que possam assim, administrar os cursos.

Tenente-coronel Alberto Té, Director do Curso fez um balanço positivo de mais três meses de formação uma vez que, as notas obtidas vão de bom à excelente pois, alguns dos formandos já têm uma certa experiencia prática no serviço da Informação. Mas contudo, mostrou-se satisfeito por ser ele o primeiro Director do curso neste Centro de S. Vicente à formar alunos no domínio de Segurança e Inteligência Militar. Alberto Té reconheceu que nada seria possível como é óbvio, sem o apoio do Chefe de Estado Maior General das FA.

Também afirmou ter acompanhado de perto todo o curso e que pessoalmente deixou um concelho bem claro para todos os formandos de que: hoje as FARP precisam virar a página da sua história e evitar de intrometer-se nos problemas que não beneficiam a sociedade guineense e a sua população.

Em representação dos formandos, Alferes Domingos Virgílio mostrou sua grande satisfação de serem os primeiros a beneficiar dum curso interno em matéria de Segurança e Inteligência Militar e também pela confiança que os instrutores depositaram neles, pelo apoio concebidos para superar as limitações profissionais e vencer as dificuldades e os desafios que ora serviram de motivação na construção de novos conhecimentos. Prometeu dar todo o seu empenho para o crescimento das FARP segundo os sonhos do General do Exercito Biaguê Na N´tan.  Com as FARP

Progresso e esperança. 2

Por: Padre e professor de Filosofia Anselmo Borges, no Diário de Notícias

Como ficou dito, o livro Progresso, de Johan Norberg, apresenta dez razões para ter esperança no futuro. Continuo o seu elenco, para lá das apresentadas quanto à comida e ao saneamento.

3. Esperança de vida. Para não irmos a épocas anteriores piores, devemos referir que na década de 1830 a esperança de vida na Europa Ocidental ia até aos 33 anos e melhorou apenas de forma muito lenta. Antes de 1800, nenhum país do mundo tinha uma esperança de vida superior a 40 anos. O espantoso é que não existe um único país que não tenha visto melhorias na mortalidade infantil desde 1950.

4. Pobreza. Não precisamos de uma explicação para a pobreza porque é desse ponto que todos partimos. A pobreza é o que temos até criarmos riqueza. No início do século XIX, as taxas de pobreza eram superiores às dos países pobres hoje, até nos países mais ricos. Quando nos anos 50 do século XX a pobreza extrema foi erradicada em quase todos os países da Europa Ocidental, começou a segunda grande evasão da pobreza, na Ásia Oriental, com países como o Japão, a Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura, que acelerou quando os dois gigantes mundiais, a China e a Índia, decidiram começar a abrir as suas economias em 1979 e 1991, respectivamente. O segredo do desenvolvimento da Ásia foi a sua integração na economia global. Entre 1981 e 2015, a proporção de países de rendimento baixo a médio que sofriam de pobreza extrema foi reduzida de 54% para 12%. Em 1820, o mundo tinha apenas cerca de 60 milhões de pessoas que não viviam em pobreza extrema. Actualmente, mais de 6,5 mil milhões de pessoas não vivem em pobreza extrema.

5. Violência. Nos inícios da Idade Moderna, aconteceu uma coisa incrível: A taxa europeia de homicídios caiu de 30-40 para 19 por cada 100 mil vítimas no século XVI e para 11 no século XVII. No século XVIII, desceu para 3,2 e hoje é de apenas 1. Entre o século XVII e o século XVIII, o número anual de execuções por cada 100 mil pessoas baixou de mais de 3 para menos de 0,5. Hoje ronda os 0,1. Claro que os riscos de guerra, incluindo nuclear, estão aí à vista. Pense-se nisto: A qualquer momento um grupo terrorista pode deitar a mão a uma bomba nuclear. Mas as tendências gerais a favor do valor da vida e da paz são fortes.

6. Ambiente. Disse Indira Gandhi: Não são a pobreza e a necessidade os maiores poluidores? O ambiente não pode ser melhorado em condições de pobreza. Os danos maiores dão-se nos países pobres. Agora, há o acesso global à soma dos conhecimentos da humanidade, e isso pode significar que o dilema no centro do aquecimento global - a nossa necessidade de energia - na verdade é também a sua solução.

7. Literacia. A taxa global de literacia cresceu cerca de 21% em 1900 para quase 40% em 1950 e em 2015 era de 86%. Isso significa que actualmente apenas 14% da população adulta não sabe ler e escrever, ao passo que em 1820 apenas 12% sabiam.

8. Liberdade. No ano de 1900, exactamente 0% da população mundial vivia numa democracia verdadeira, na qual cada homem ou mulher vale um voto. Em 1950, 31% vivia em democracia e no ano 2000 ia nos 58%. Hoje, até os ditadores têm de fingir gabar a democracia e forjar eleições.

9. Igualdade. É um facto: continua a haver discriminação e intolerância contra as mulheres, os homossexuais, minorias étnicas e religiosas e há pessoas que são vítimas de preconceito, hostilidade e crimes de ódio. Mas hoje, com raras excepções, pela primeira vez, os governos defendem a igualdade e o direito de amarmos quem quisermos e os fanáticos já não têm o auxílio, nem sequer o silêncio, das maiorias. Quando se pensa na escravatura, no racismo, na opressão das mulheres, é difícil não constatar um progresso espantoso.

10. A próxima geração. Apesar do que se diz nos noticiários, as condições da infância nunca foram tão benévolas como agora. O autor pede para se imaginar uma menina de 10 anos há duzentos anos. Fosse onde fosse, não esperaria viver mais de 30 anos. Fora criada em condições que hoje consideramos insuportáveis. Vivia num mundo implacável, onde o risco de morte violenta era quase três vezes superior ao actual. Desde então, a humanidade assistiu a uma revolução nos níveis de vida material e à consciência dos direitos humanos. E quando se pensa nos avanços em conhecimento de todo o género em que essa menina vai hoje poder participar, deve reconhecer-se que está a dar os primeiros passos num mundo novo. O nosso futuro está nas mãos dela.

11. Epílogo. As coisas terem melhorado - esmagadoramente - não garante o progresso no futuro. É evidente. Pense-se inclusivamente na possibilidade do Apocalipse: armamento nuclear nas mãos de grupos terroristas. A nova situação do mundo não faz correr o risco da morte global?

No meu entender, neste livro tão animador há um vazio: a falta da invocação da transcendência. Para, concretamente num tempo de desorientação, de inesperança, de consumação do niilismo, niilismo sedado, responder às perguntas metafísico-religiosas, inelimináveis: viver para quê?, qual o sentido último do progresso e da existência?

Pensando precisamente no futuro da humanidade, que na sua grande maioria ainda se afirma religiosa, poderíamos esperar que, como líder global, Francisco dê impulso à reunião do Parlamento Mundial das Religiões para tratar de problemas cuja urgência para a humanidade ninguém pode negar, como a salvaguarda da mãe Terra, questões de bioética e relacionadas com as NBIC (nanotecnologias, biotecnologias, inteligência artificial, ciências cognitivas e do cérebro), diálogo intercultural e inter-religioso, governança global, a justiça e a paz mundial, trans-humanismo e pós-humanismo, a esperança e o sentido.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

A modernização das Forças Armadas Revolucionarias do Povo da Guiné-Bissau, é uma vertente importantíssima para desenvolvimento do País

Na sua alocução, Major General Eduardo Costa Sanhá, veterano da Luta de Libertação Nacional ao manifestar sua satisfação pelo trabalho extraordinário realizado pelo Estado Maior General das Forças Armadas, o Comando do Centro de Instrução e de Formação Militar começou o seu discurso cumprimentando os cidadãos com as seguintes palavras.

“Permitam-me em nome do Primeiro-ministro da República da Guine-Bissau, que não pode estar presente neste importante acto por motivos da agenda, saudar e cumprimentar todos e a cada um de vós presentes neste acto de 13º Juramento da Bandeira Nacional dos mancebos.

Esta moldura humana prova mais uma vez que a relação entre as forças amadas e a nossa população, é sã, pelo que só temos motivos de continuar a trabalhar de forma serena e abnegada para a prossecução dos nossos objectivos.

O nosso muito obrigado à todos aqueles que aceitaram deslocar-se até ao Centro de Instrução Militar de Cumeré para vir testemunhar este acto simbólico, mas que não deixa de ser importante para as forças armadas.”

Segundo o Ministro foi “sob instruções do Presidente da República, José Mário Vaz, Comandante Supremo das Forças Armadas, que o processo da reforma do sector da defesa e segurança encetado há vários anos, ganhou uma nova dinâmica.

“Este processo permanece um pressuposto fundamental para a consolidação da estabilidade política, da paz social e do desenvolvimento sustentável desta nossa pátria amada.

A modernização das forcas armadas é uma vertente importantíssima deste processo, mas a desmobilização e o recrutamento de novos soldados, são componentes irreversíveis na profissionalização da classe e na melhoria do seu desempenho.

Se o processo da reestruturação das forças armadas tem trazido ganhos consideráveis ao país, não pudemos descurar que o seu redimensionamento vai contribuir na criação da capacidade interna visando proteger e defender a nossa integridade territorial”.

“É com base neste propósito e, não obstante as nossas dificuldades financeiras, decidimos recrutar 1600 mancebos incluindo elementos da Guarda Nacional, Guarda-fiscal e Bombeiros, que hoje prestam o seu juramento da Bandeira Nacional. Quero neste particular, agradecer o Ministro da Economia e Finanças pela disponibilidade de recursos, sem os quais não seria possível recrutarmos estes homens.

Os Mancebos que doravante farão parte das forças de defesa e segurança - Gostaria de dirigir-me mais especificamente à aqueles que integrarão as forças armadas, e dizer o seguinte:

. Ser militar, é muito mais do que vestir o uniforme e pegar numa arma. Ser militar, é estar integralmente disponível ao serviço do seu país, das forças armadas e da sua pátria. É estar disposto a defender até a última gota do seu sangue, a bandeira, os símbolos nacionais e a integridade do território da República da Guiné-Bissau. Ser militar, é ser um homem disciplinado, respeitador da hierarquia e da cadeia de comando, obediente, mas capaz de defender a sua pátria com bravura. Ser militar, é ser um soldado ao serviço do seu povo”.

“A partir de hoje, vocês vão iniciar uma nova etapa e sem duvida a mais longa do vosso percurso, mas com o empenho e dedicação, serão um dia o que este país espera de vós.

Não nos suscita dúvidas de que as instruções que receberam ao longo deste período, permitiu-vos conhecer e compreender as forças armadas, a sua missão e o vosso papel nelas.

Contamos convosco e esperamos o que qualquer nação espera das suas forças armadas”.

Dirigindo-se ao Chefe de Estado-maior General, adiantou que,

“Após este 13º Juramento da Bandeira Nacional, as forças armadas terão a sua disposição elementos novos, jovens com vontade e determinação de continuar a contribuir para o desenvolvimento do seu país.

O Governo reconhece a necessidade do cumprimento do serviço militar obrigatório, mas as vezes só a vontade não basta, sobretudo quando outros condicionalismos sobrepõem esta vontade.

Vamos continuar a prestar a divida atenção as forças armadas, para que em consequência, disponham de capacidades e competências necessárias para a defesa da integridade do nosso território.

Estou convicto, aliás já nos foi provado que a actual direcção das forças armadas que o Senhor General encabeça, vai continuar a priorizar a formação do homem militar, para que este possa respeitar as leis da República e submeter-se ao poder político.

As forças armadas estão e devem continuar a estar longe do jogo político. Se assim for, não nos resta acreditar que o futuro do nosso país, que tanto Amílcar Cabral e demais companheiros de luta sonhavam, será risonho”.

Para os distintos presentes e irmãos guineenses, o Ministro disse “Partimos de longe, de bem longe, para chegarmos aqui. O nosso percurso custou suor e sangue de vários camaradas; perdemos irmãos, perdemos colegas, familiares e amigos, mas ganhamos a nossa pátria.

A conquista desta pátria una e indivisível, deve permanecer um factor de orgulho para cada filho deste país, porque poucos são os povos que alcançaram este feito no mundo.

Por isso, sempre que as dificuldades nos interpelam, devemos lembrar donde partimos e o que queremos; porque o que nos une, é muito mais do que as nossas diferenças.

Podemos continuar a divergir nas nossas opiniões, mas que saibamos primar pelo bem comum, ou seja desenvolvimento do nosso país, em detrimento dos nossos interesses pessoais”.

“Seria de todo injusto, se eu terminasse esta intervenção sem no entanto felicitar Director-geral do Pessoal e Recrutamento Militar, o Chefe de Divisão do Pessoal e Quadros do Estado Maior General das Forças Armadas (EMGFA), o Director do Centro, aos instrutores e a todos aqueles que contribuíram para que este processo chegasse aqui hoje e de forma bem-sucedida.

Termino reafirmando o que já tive oportunidade de dizer em outras ocasiões, ‘a construção deste Estado custou suor e sangue, por isso não deve haver nenhum limite de sacrifício para que os seus filhos possam viver na paz, na tranquilidade e na estabilidade, pois só assim poderemos alcançar o progresso que tanto almejamos”.

Junto e unidos, seremos sempre invencíveis. Viva a República da Guiné-Bissau! Viva as Forças Armadas! Viva a Unidade Nacional!

MANCEBOS DA 13ª INCORPORAÇÃO MILITAR JURAM BANDEIRA

A sua presença nesta cerimónia, tem para nós um duplo significado, pois, para além de responsável máximo pelo destino das Forças Armadas da Guiné-Bissau, é também um amigo do Centro de Instrução e Formação Militar do Cumeré, ajudando a criar as melhores condições para todos aqueles que aqui servem e, dentro do possível, empreenderam todos os esforços para que o apoio à formação que agora termina não nos faltasse e como tal, não podemos deixar de lhe dedicar todo o apreço em momentos como o presente, expressando publicamente a consideração e amizade que todos sentem.

Volta mais uma vez, Vossa Excelência, a este Centro de Instrução, para presidir a cerimónia de encerramento do 1º Curso de Formação dos Soldados Recrutas e também do Juramento de Bandeira dos militares presentes nesta formatura e por essa razão, a sua visita é sinal de consideração não só por este Centro mas também, tenho a firme certeza pelos Militares que aqui trabalham e todos aqueles que com a sua dedicação, esforço e grande empenhamento souberam dar o melhor de si para que os objectivos traçados fossem alcançados com sucesso.

Agradeço a distinta presença de Vossas Excelências, pois ela, mais do que uma representação institucional, é prova de grande amizade e consideração, não só pessoal mas também de todos aqueles que servem no Centro de Instrução e Formação Militar do Cumeré. Reitero a Vossas Excelências, que o respeito, amizade e consideração são mútuos.

A vossa presença na nossa Unidade, neste dia do encerramento do 13º Curso de Formação dos Soldados Recrutas contribui de forma decisiva para o abrilhantar da cerimónia em que pusemos toda a nossa dedicação e empenhamento e tenho a certeza que espelha um sentimento de colaboração e grande amizade para com o Centro de Instrução e Formação Militar do Cumeré.

Não posso também deixar de manifestar a minha gratidão por todo o apoio facultado pelas Direcções que Vossas Excelências dirigem e que são determinantes para o cumprimento e sucesso da missão deste Centro de Instrução”.

Em termos de reconhecimento o papel desempenhado pelo Portugal no âmbito da cooperação técnico-militar o Director disse, “Portugal, país amigo e com quem temos o privilégio de manter fortes relações de amizade e de cooperação, nomeadamente na vertente da Cooperação Técnico Militar, que ficou bem evidente nos trabalhos desenvolvidos aqui neste Centro, que culmina desta vez, com o encerramento do 1º Curso de Formação dos Soldados Recrutas. Bem-haja, Senhor Adido de Defesa pela disponibilidade de Portugal”.

Para os Oficiais Superiores, Oficiais Subalternos, Sargentos, Praças, familiares e amigos dos Soldados, disse que é com grande alegria que saúdo todos os presentes. Ao contrário do que possa parecer, esta não é apenas mais uma cerimónia. Ela é especial. Sim, é uma cerimónia para ser inscrita na memória de muitos, sobretudo daqueles que, após terminado o seu período de formação, irão prestar o seu compromisso com a Pátria que os viu nascer, através do Juramento de Bandeira, tendo a certeza que os conhecimentos militares adquiridos até aqui, lhes permite entender, de forma clara, o que representa o nobre serviço de servir a Pátria. Pois, este local, mais do que um Centro de formação, é um espaço onde, tenho a certeza, foram criados vínculos de respeito e de afecto. É um espaço privilegiado de “trocas”, onde, para além de ensinar, também se aprende com cada aluno e com cada aluna, aprendendo-se com as diferenças. Afinal, são as pessoas que fazem uma escola. Esta é feita de relações.

Hoje iremos assistir ao encerramento de mais uma acção de formação, o 1º Curso de Qualificação dos Soldados Recrutas e ainda à Cerimónia do Juramento de Bandeira dos militares presentes nesta Parada, missão que nos foi atribuída pelo Estado Maior General, através das Divisões das Operações e Pessoal e Quadros”.

É sabido que as instituições valem pelos resultados, e para as Forças Armadas é, como todos sabemos, a capacidade de gerar produto Operativo, esse produto que tanto necessitamos. Mas, se tudo isto é verdade, não é menos verdade que não há produto operativo sem formação. Neste âmbito, o Centro de Instrução e Formação Militar do Cumeré tudo fez para que os militares agora formados possam assim dar corpo a esta necessidade de levantar novas subunidades e também desta forma contribuir para um produto operativo ao serviço das Forças Armadas e das necessidades da Pátria, internamente e ainda, no seio das Organizações de que fazemos parte. Estes resultados só nos podem deixar orgulhosos”.

Recordou que, “nas duas últimas décadas, verificaram-se alterações profundas e significativas no Sistema Internacional, nomeadamente, as induzidas pelo surgimento de novos actores como Grupos Radicais e o Terrorismo, tornando este muito mais complexo, perigoso e violento. Consequentemente, passaram a existir novas ameaças, algumas das quais, de cariz assimétrico, indefinido e imprevisível. Perante este novo cenário, é necessário que as nossas Forças Armadas se adaptem aos novos desafios, visando uma mais adequada e eficaz capacidade de resposta. Por isso, insisto que temos que olhar para a formação de forma mais cuidadosa, ministrando formação militar de base aos cidadãos que ingressem nas nossas Forças Armadas e qualificar melhor os que já se encontram nas fileiras de forma a termos umas Forças Armadas mais qualificadas e capazes de responder aos novos desafios”.

“Permita-me agora que me dirija aos Militares, familiares e amigos dos Soldados Recrutas que hoje juram a bandeira. Sentimo-nos sensibilizados com a disponibilidade de V. Exas., para participar na efeméride que hoje também festejamos, sendo certo que esta cerimónia, embora simples, mas carregada de simbolismo será porventura aquela que mais marcará os vossos filhos pela vida fora, pois serão os primeiros passos, encetados ao serviço da Pátria.

Gostava de vos lembrar que pese, embora estejamos na era das novas tecnologias, com grande desenvolvimento da ciência, tudo continua a girar em volta do homem, sendo por isso nossa grande preocupação o rigor na vossa formação, pois só assim se conseguirão avanços de forma a termos umas Forças Armadas mais eficientes e modernas, devidamente estruturadas, apetrechadas e ajustadas à dimensão e interesses do nosso país.

É nas virtudes militares que se inspira o culto da camaradagem, da lealdade e da generosidade, que são a essência da autêntica vivência militar. Mas estas exaltantes componentes têm de ser construídas sobre um dia a dia sólido, de rigor, de aprumo e de pontualidade”.

“Reconheço todo o esforço desenvolvido e as dificuldades que passaram, sendo bem visível o espírito de cooperação entre todos vós. Exorto-vos a continuar a fazer o vosso melhor, porque só assim ireis conseguir aquilo que, de forma voluntária e consciente, vos propuseste ser – Soldados da Guiné-Bissau.

Terminada a vossa formação, que culmina com o Juramento de Bandeira, que marca o vosso compromisso com a Pátria. Tenho a certeza que os conhecimentos militares adquiridos até aqui, vos permite entender, de forma clara, o compromisso que ireis assumir publicamente perante a Bandeira Nacional.

A Bandeira Nacional é um dos símbolos nacionais e representa a Nação Guineense, materializando a nossa história e os nossos anseios como povo, é a realização viva dos nossos ideais e a realização dos nossos valores e projectos colectivos, assumindo assim um carácter sagrado e materializando o orgulho de sermos Guineenses.

Que os juramentos, que ides realizar, vos inspirem, a vontade e à força para, se necessário for, de forma heróica, defender até com a vida, a vida da própria Pátria, isto é, tudo aquilo que vocês mais amam: a terra em que se nasceu, onde se vive, onde repousam os nossos saudosos Combatentes de Liberdade da Pátria, os nossos antepassados, a segurança e o bem-estar dos vossos familiares, dos vossos amigos. Exorto-vos a continuar, todos os dias, com uma mentalidade nobre a servir a nossa querida Pátria”.

No capítulo de comportamento realçou que – “Ainda a disciplina como a força dos Exércitos, elemento que fortalece a organização militar e cria premissas para o êxito no cumprimento das missões atribuídas. “Foram esses os dois elementos fundamentais que permitiram projectar o Exército e as Forças Armadas no seu todo, para novos patamares da sua prontidão e operacionalidade na salvaguarda das conquistas democráticas do nosso povo.

Para terminar, não será a escassez de recursos que nos fará esmorecer, os valores e as circunstâncias falarão sempre mais alto e assim sempre saberemos colocar à frente as prioridades definidas por Sua Excelência, continuando Vossa Excelência a contar com todo o apoio necessário para reedificarmos as nossas Forças Armadas. Bem-haja meu General/Exército pela sua presença”. Com as FARP’s

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Juramento da bandeira - FARP assume responsabilidade da defesa territorial da Guiné-Bissau

Os mancebos que iniciaram as preparações militares no princípio de Outubro último prestaram ontem, 02 de Dezembro de 2017 o juramento da bandeira cujo acto foi presidido pelo Ministro da Defesa Nacional, Major General Eduardo Costa Sanhá. Nesta ocasião o Chefe do Estado Maior General DAS Forças Armadas, General Biaguê Na N´Tan, proferiu um discurso no qual realçou os progressos alçados, as necessidades vigentes e perspectivas.

Tendo a importância do referido discurso, julgamos necessário reproduzi-lo na íntegra.

“É um orgulho imenso poder desfrutar da companhia das mais ilustres entidades aqui presentes, bem como a da população de Cumere que, há muito, vem colaborando no acolhimento e carinho às recrutas, dignificando ainda hoje esta tão significante cerimónia para as Forças Armadas da Guiné-Bissau, pois o acto de Juramento de Bandeira é uma ocorrência muito relevante que envolve não só os militares e as respectivas famílias, mas também a própria sociedade, facto que se justifica pela presença massiva da população neste evento

. Esta cerimónia constitui, sem dúvidas, um dos mais marcantes momentos da classe castrense, sendo que, para além de assinalar o rito de passagem do militar da condição de recruta à de soldado, serve também para testar o grau de respeito e de credibilidade que, ultimamente, as Forças Armadas da Guiné-Bissau vêm conquistando junto da sociedade e no mundo fora.

O presente acto faz-nos recuar, em termos históricos, recordando-nos da firme e inabalável decisão dos nossos gloriosos Antigos Combatentes da Liberdade da Pátria, sob o comando do grande líder e patriota Camarada Amílcar Lopes Cabral, assumiram a missão de lutar pela conquista da Independência da Guiné e Cabo Verde, enquanto se viram imbuídos de um profundo sentimento patriótico, edificando, deste modo, as bases em que se assentam hoje as Forças Armadas.

Devo muita honra e apreço aos Camaradas Antigos Combatentes da Liberdade da Pátria, estando alguns vivos e presentes nesta cerimónia, enquanto outros já não estão entre os vivos, querendo aproveitar esta ocasião para expressar a todos o profundo sentimento de gratidão do povo Guineense e particularmente das suas Forças Armadas, pois são nossos Heróis Nacionais. Das vossas mãos recebem, hoje, estes jovens militares, que prestam Juramento à Bandeira Nacional, o bastão com que se guiaram na Luta pela indepndência deste país.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

É com muito orgulho que as Forças Armadas recebem estes jovens, pois representam uma garantia para o futuro que se quer construir, incorporando a ambição de se tornar grandes e bons comandantes, sentindo-se o orgulho de ser militar e velando pelo cumprimento de disciplina militar e das leis vigentes no país.

A concepção de recursos humanos a altura, quer através da formação e treino e, numa maior exigência, nas competências técnicas, profissionais e de comando, quer através da promoção de uma cultura de mérito, repercutindo o desempenho no desenvolvimento da carreira e promovendo a diferenciação enquanto factor de motivação, deve, para nós, constituir preocupação e factor primordial, mobilizando recursos financeiros para tal.

O acto que ora decorre, cujo ponto culminante é prestação, por 1103 (mil cento e três) recrutas, de juramento à bandeira nacional, indica, por um lado, um passo gigantesco no que respeita ao apetrechamento das Forças de Defesa e de Segurança com recursos humanos habilitados para fazer face aos desafios impostos às Forças Armadas, e, por outro lado, um contributo para a reestruturação e reorganização das Forças Armadas, no quadro de implementação de reformas que se quer nos sectores de defesa e segurança.

O mundo em que nos encontramos inseridos se vê cada vez mais mergulhado no caos, devido às situações anómalas decorrentes de terrorismo, catástrofes naturais, assaltos à mão armada crescente onda de criminalidade, tráfico de drogas, pirataria marítima, ameaças e agitações nas zonas fronteiriças.

Os factores já referidos não passam de perturbadores da paz e segurança, tornando-se, por isso, urgente incorporar homens e mulheres a altura para uma resposta satisfatória aos factores em questão.

Não devemos ficar inibidos perante qualquer situação que requer de nós recursos humanos com a qualidade dos que hoje em dia temos, aos quais, simultaneamente com os que já se tinham militado nas Forças Armadas, deve-se proporcionar condições necessárias para o melhor cumprimento da missão que hoje são atribuídos, condições essas que têm a ver com fornecimento de uniformes, garantia de cursos de formação e de capacitação em diversos domínios, a nível interno e externo, aquisição de equipamentos informáticos e bélicos da nova era.

O espírito de abnegação e de sacrifício, de que os mancebos se vêem imbuídos, decorre do chamado “amor à pátria”, razão pelo que, ao lado dos homens, se vê um bom número de jovens de sexo feminino, sinal de concretização dos princípios de igualdade e equidade de género, comprometidos a dedicarem-se no cumprimento da missão e de tarefas exclusivamente militares que lhes são reservadas pela Constituição da República, podendo-se, desta feita, contar com as nossas valorosas e combativas mulheres, mesmo nas situações mais exigentes e extremas, nos limites das capacidades – física, psicológica, de coragem e de dedicação. Ilustres Recrutas,

Estamos reunidos aqui hoje para testemunharmos, com sensação e muita alegria o vosso magnífico voto, comprometendo-vos, daqui em diante, a pôr as vossas aptidões físicas e intelectuais e, sobretudo, a vossa sensibilidade nacionalista ao serviço desta nossa Amada Pátria, o que demonstra a vossa disposição ao cumprimento integral das leis vigentes no país.

Com efeito, exorto e recomendo-vos o cumprimento cabal do que consta dos artigos 20º e 21º da Constituição da República, que prescrevem resumidamente o seguinte:

Defender a independência, a soberania e a integridade territorial; Garantir a manutenção da segurança interna e da ordem pública; Participar nas tarefas da reconstrução nacional; •         Obedecer aos órgãos de soberania…;        Não exercer qualquer atividade política; •         Defender a legalidade democrática…; Prevenir os crimes…

A ética e deontologia profissional, o cumprimento das normas constantes do regulamento de disciplina militar devem merecer muito a atenção de um militar, pois não há lei contra o bem, devendo cada um afastar-se dos assuntos políticos, da criminalidade e da corrupção, pautando sempre pelo que possa contribuir para o bem-estar do povo a quem prestamos serviço, com submissão à ordem constitucional, garantindo a Paz, estabilidade e segurança, enquanto principais recursos estratégicos que vão-nos permitir trilhar o caminho do desenvolvimento.

O povo guineense, as Forças Armadas e a sociedade em geral esperam de vós, altos padrões de conduta, responsabilidade e carácter singulares, preservando os valores éticos, culturais e cívicos para o cumprimento, com sucesso, das vossas obrigações.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Importa tornar evidente, neste acto, que a Cooperação Técnico-militar com países amigos da Guiné-Bissau, sobretudo os da CPLP e CEDEAO, está no bom caminho, embora não havendo uma rubrica de cooperação formal com alguns, sendo ainda provisória a que se tem com as Forças Armadas Portuguesas, estando-se a encetar contactos para a restauração da cooperação com as Forças Armadas de alguns países.

Neste quadro, enalteço o incondicional apoio que as nossas Forças Armadas têm tido das suas congéneres de Portugal, Brasil, República Popular da China, Reino de Marrocos, Estados Unidos de América, Rússia, Cuba, Nigéria, Timor-Leste, Angola, Senegal, e de tantos outros países.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Cabe-me, na qualidade de Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, felicitar vivamente as Suas Excelências Brigadeiro-general Júlio Nhate Sulte, Chefe da Divisão de Recursos Humanos do Estado-Maior General das Forças Armadas, e aos seus colaboradores directos, pelo cumprimento da difícil tarefa de coordenação do processo de recrutamento do pessoal, Brigadeiro-general Fernando Infande, Diretor do Centro de Formação e Instrução Militar de Cumere, pela forma sabia como supervisionou a instrução básica de jovens, Coronel Adulai Bá, Chefe da Divisão de Operações e Treino do Estado-Maior General das Forças Armadas, pela cooperação na execução do processo de recrutamento em causa.

As minhas felicitações se estendem ainda ao Director de Instrução, seu adjunto e todos os instrutores, pelo árduo trabalho efectuado ao longo de dois meses, sacrificando-se bastante para o bem do nosso povo guineense e, particularmente, para o bem das nossas gloriosas Forças Armadas. Felicito também as recrutas de ambos os sexos, que prestam juramento à bandeira, pela abnegação e sacrifício para posterior cumprimento da nobre missão de defesa e segurança da pátria, enquanto cidadãos guineenses.


Termino esta alocução, exortando a todos os militares a salvaguardarem o patriotismo e a tarefa que lhes distingue das outras personalidades e a empenharem, ainda mais, na consecução da nobre missão desta instituição, cujo facto de a pertencermos nos orgulha tanto. Com as FARP’s, no Jornal Defensor.

Progresso e esperança. 1

Por, Anselmo Borges no Diário de Notícias 

É um daqueles livros que nos obrigam a reflectir, porque andamos em lamúrias inconsequentes, não colocando os problemas onde devem ser colocados. Evidentemente, seria de lamentar se esse livro nos arrancasse à obrigação de continuar a pensar. De facto, os problemas estão aí, imensos, mas já diferentes do que normalmente julgamos. O livro teve, com mérito, enorme sucesso. O seu autor: Johan Norberg. O título: Progresso. O subtítulo: Dez razões para ter esperança no futuro. Razões fundamentadas.

O autor sabe dos problemas que nos afligem. "Terrorismo. Estado Islâmico. Guerra na Síria e na Ucrânia. Crime, homicídio, execuções em massa. Aquecimento global. Fomes, cheias, pandemias. Estagnação, pobreza, refugiados. "Destruição e desespero em toda a parte", como uma mulher declarou num inquérito de rua quando a rádio pública lhe pediu para descrever o estado do mundo. É isso que vemos nos noticiários e parece ser a história dos nossos dias. Cinquenta e oito por cento dos que votaram para a Grã-Bretanha sair da União Europeia no recente referendo levado a cabo no país dizem que a vida hoje é pior do que há trinta anos."

Há razão para todo este pessimismo? Ou o que se passa é que os meios de comunicação social só se interessam pelas más notícias, porque as boas não são notícia? "Os jornalistas estão sempre à espreita da história mais dramática na área geográfica por eles coberta". Mas o que é facto é que "o mais importante da nossa época é estarmos a assistir à maior melhoria dos padrões de vida globais jamais registada. Pobreza, malnutrição, analfabetismo, mão de obra e mortalidade infantis estão a descer mais depressa do que em qualquer outro período da história humana. Ao longo do último século, a esperança de vida aumentou mais de duas vezes o que aumentou nos duzentos mil anos anteriores. O risco de exposição de um indivíduo à guerra, à morte numa catástrofe natural ou à ditadura em nenhuma outra época foi mais pequeno. Uma criança que nasça hoje tem mais probabilidades de alcançar a idade da reforma do que os seus antecessores tinham de comemorar o quinto ano de vida". Evidentemente, não se pode ser ingénuo e ficar cego frente às guerras em curso, a crimes, às catástrofes, à pobreza e à miséria no mundo. Todos esses problemas são terrivelmente reais, tanto mais quanto os meios de comunicação social nos obrigam a tomar consciência deles. "A única diferença é que agora encontram-se em rápido declínio. O que hoje vemos são excepções, ao passo que antes eram a regra."

Este progresso arrancou concretamente com o iluminismo intelectual dos séculos XVII e XVIII. Desde então continuamos a acumular conhecimentos, científicos e de outras ordens e "cada indivíduo pode basear o seu contributo nos das centenas de milhões de pessoas que o precederam, num círculo virtuoso". "Seria um erro terrível" ignorar os problemas, as ameaças constantes, os perigos, e tomar os progressos da humanidade como garantidos. Mas este livro é "sobre os triunfos da humanidade". E aí ficam as dez razões para ter esperança no futuro.

1. A mais básica das necessidades humanas consiste em obter energia suficiente para que o corpo e a mente funcionem, o que ao longo da história as pessoas nem sempre conseguiram. É indescritível o que se passou no decorrer dos tempos, também na Europa, neste domínio. "Os franceses e os ingleses do século XVIII ingeriam muito menos calorias do que a média actual na África subsariana, a região mais atormentada pela subnutrição". No centro da França, em 1662, "houve quem comesse carne humana". No passado, trabalhava-se menos horas, e o motivo disso não deve causar inveja: as pessoas não tinham acesso às calorias necessárias para as crianças crescerem saudáveis e os adultos manterem funções corporais sadias. As novas tecnologias agrícolas, os fertilizantes artificiais, a Revolução Verde, o comércio internacional, entre outras, foram armas decisivas contra o flagelo da fome. A Suécia, país dos antepassados do autor, foi declarada livre da fome crónica no início do século XX. Também por isso, a população mundial passou de 1,6 mil milhões de pessoas em 1900 para os actuais mais de 7 mil milhões. Pela primeira vez na história da humanidade, o problema da comida começou a encontrar solução - nalguns casos até começou o problema contrário: o da obesidade - e de 1950 a meados dos anos 80, a população do mundo duplicou, passando de 2,5 mil milhões para 5 mil milhões. E, contra os pesadelos de Malthus, "conforme se tornaram mais ricas e aumentaram a educação, as pessoas começaram a ter menos filhos, e não mais, como se previa", o que, aliás, digo eu, por vezes, levanta problemas dramáticos, como é o caso de Portugal.

2. Saneamento. Para sustentar a vida, não basta a comida. É fundamental tratar resíduos e desperdícios. Sem isso, a água, essencial para a vida, fica contaminada e torna-se transmissora de calamidades, espalhando bactérias, vírus, parasitas, vermes. "Embora difícil de quantificar, parece que o principal problema de saúde ambiental do mundo continua a ser a contaminação da água para beber e para uso doméstico, combinada com a inexistência de um saneamento adequado para a eliminação de resíduos, fezes e urina." "Há relatos contemporâneos de aristocratas a defecar nos corredores de Versalhes e do Palais Royal. Na verdade, as sebes de Versalhes eram altas para servirem de divisórias entre os que aí se iam aliviar." Em 1980, "apenas 24 por cento da população mundial tinha acesso a saneamento decente. Em 2015, esse número subiu para 68 por cento". A maior percentagem de população sem água nem saneamento vive na África subsariana, mas, mesmo aí, houve "um aumento de 20 pontos percentuais no uso de água potável de fontes melhoradas de 1990 a 2015". Continuaremos. 

O Senhor vem. Acolhe-O e com ele prepara o teu futuro

A Igreja destaca o encontro definitivo com Jesus, o Senhor, para o início do Ano litúrgico. É uma atitude muito humana, de sábia pedagogia. Semelhante à do corredor que se lança na pista tendo bem presente a meta a alcançar. Os seus esforços estão todos ao serviço do êxito pretendido: escolha da posição no grupo de colegas que correm em conjunto, marcação de ritmos, reabastecimento de energias, aceitação benevolente do apoio dos circunstantes; tudo converge em alcançar o objectivo desejado; tudo está animado pela esperança activa e vigilante; tudo a aguardar que o sonho se converta em realidade e a surpresa supere a expectativa. Em cada passo, está já o começo da meta.

Marcos, o autor dos relatos dos episódios da vida de Jesus que se lêem nas celebrações dominicais deste ano, apresenta uma parábola em que visualiza a atitude dos discípulos perante o que vai acontecer. Situa-a no conjunto dos últimos ensinamentos de Jesus, antes de entrar no processo da paixão. Recorre a um estilo sóbrio e persuasivo. Aduz o exemplo da figueira estéril, do ladrão inclemente. Anuncia que haverá sinais a observar e a interpretar: sinais característicos dos tempos da grande tribulação, típicos de uma nova situação a emergir. E conclui: Vigiai para que não terdes a consciência ensonada e serdes surpreendidos.

A parábola é emblemática e breve a sua narração. (Mc, 13-33-37). Um homem faz uma viagem e confia os cuidados da casa aos seus empregados, assinalando a tarefa de cada um. Encarrega o porteiro do cuidado especial de vigilância. E deixa-os na expectativa de quando será o regresso. Marcos, tendo presente as quatro vigílias da noite que os soldados romanos observavam para mudar de turno, vai mencionando o cair da tarde, a meia-noite, a madrugada, o amanhecer. Pode ser a qualquer hora. Fica tudo em aberto. Não porque o dono da casa fomente a ansiedade ou queira provocar o sobressalto. Seria masoquismo. Mas porque ama os seus empregados e quer que desenvolvam capacidades adormecidas em tempos de acomodação, de certezas rígidas, de seguranças costumeiras; capacidades como a atenção ao que acontece à nossa volta e mais longe, o discernimento dos sinais que interpelam a nossa indiferença, a paciência no tempo de espera, a confiança que o encontro se realizará e que a festa do regresso se celebrará, a aventura de avançar na vida como se o Invisível se deixasse ver. E o dono volta. E o advento do Senhor Jesus acontece em Natal de plenitude.

Entretanto, prestai atenção: Vigiai! Que a surpresa não vos apanhe de improviso pela vossa dormência e indiferença. Esta consigna dada aos empregados, passa aos discípulos ouvintes e alarga-se a todos sem distinção. “O que vi digo a vós, digo-o a todos. Vigiai!”.

Vigiai, cuidando da minha casa feita em harmonia e biodiversidade, confiada desde os alvores da criação ao homem e à mulher, espelho da minha imagem e semelhança; velai para que seja um jardim onde dê gosto viver e conviver em cordial relação de amizade e gestão de recursos; velai pela hierarquia de verdades e não vos deixeis confundir por ideologias que visam alterar todo o sistema orgânico deste conjunto vital que vos deixo como herança.

Tende cuidado convosco. Respeitai-vos mutuamente como irmãos em humanidade, que eu quero ajudar a salvar. Que não haja sangue inocente derramado por ódio, retaliação, perseguição de consciência ou guerra de religião. Sois todos irmãos! Removei o que pode provocar distúrbios semelhantes. Vigiai pelo sustento de todos, sem distinção: comida saudável suficiente, água potável, cuidados de saúde integral, economia solidária sustentável, convivência em harmonia e estima mútua, abertura aos valores que expressam a nobreza humana de cada um, resposta consciente ao amor que Deus Pai vos tem. Sois Seus filhos e meus irmãos! Velai pela herança que vos confio. Olhai que nos espera um futuro de família em comunhão.


Aceitai a minha companhia, feita dom e guia, graça de misericórdia e amor de reconciliação. Desenvolvei a atitude teologal da fé, esperança e caridade. Reuni-vos como irmãos em assembleias dominicais, lede a palavra que vos deixo e comungai com dignidade o sacramento do meu corpo e sangue, a Eucaristia. É alimento para o vosso caminhar de peregrinos confiantes. Valorizai a Igreja, instituição em transformação missionária para ser cada vez mais serviço de salvação universal. Não vivais de saudades melancólicas. Avancemos, como atletas no estádio. Lembrai-vos do exemplo de Abraão, Moisés e tantos outros. Lede com atenção a carta aos cristãos de Roma que evoca a memória de quem pela fidelidade a Deus no quotidiano se tornou verdadeiramente exemplar. E atendei ao testemunho de Paulo, meu apóstolo, que se porta, como corredor de fundo: “Irmãos, não acho ter já alcançado o prémio, mas uma coisa faço: esqueço-me do que fica para trás e avanço para o que está adiante. Lanço-me em direcção à meta, em vista do prémio do alto, que Deus nos chama a receber em Jesus Cristo” (Fl 3, 13 e 14). A meta está já no primeiro passo da corrida. Procuremos iniciar bem e manter bom ritmo. A árvore está contida no gérmen da semente. Como o agricultor solícito, tratemos dela com cuidado. A surpresa do futuro prepara-se no presente.