segunda-feira, 1 de junho de 2020

INSTRUMENTALIZAÇÃO ÉTNICA NA GUINÉ-BISSAU:PELOS AUTODENOMINADOS “MININUS DI PRAÇA”

PELAS FUTURAS GERAÇÕES

A NOSSA MENSAGEM

Pelas Futuras Gerações e pela nossa! Da profundeza dos Tempos, aportamos à nossa Época!
Trazemos a Sabedoria dos Antigos e do nosso Tempo! Não renegamos a nossa Cultura nem rejeitamos o contributo válido de qualquer outra! Compreendemos melhor o Passado e perspectivamos na medida justa o nosso Futuro Colectivo!

Com o presente Blogue, queremos dar o nosso contributo para uma reflexão isenta sobre o nosso País e a Sociedade que temos ou queremos ter. Não pretendemos ter o exclusivo da Verdade! Reflectimos sobre o que achamos de interesse comum, como contributo para o nosso Desenvolvimento Colectivo, para o qual você está convidado a ter Opinião!

Essa reflexão é necessária para a afirmação e definição de uma Cidadania responsável e para a melhoria da qualidade da nossa Sociedade, determinante para o sucesso ou insucesso de qualquer processo de Desenvolvimento Humano. Um Povo sem Regra de Vida (em Família, na Escola, na Economia, na Política, etc) torna-se um estropício para o resto da Humanidade, a começar por si próprio.

A Vida dos Povos é comparável à uma Corrida de Estafeta em que cada Nova Geração deve fazer a Melhor Corrida possível de modo a Transmitir à Geração Seguinte o Testemunho da sua Competência Global em condições de alcançar a Vitória Final.

Venha connosco! Para o Futuro! Pelas Futuras Gerações que, sem culpa, irão sofrer pelos Erros que a nossa Geração está cometendo contra si própria, tornando-se causa remota do seu possível fracasso ou desconforto, quando já cá não estivermos!

Nós estamos a bordo, buscando o rumo certo! Aceite o nosso convite!

O caminho é longo e movediço! Mas é o caminho! Somos os

INTELECTUAIS BALANTAS NA DIÁSPORA!


“Ser de praça” é um conceito social usado por um grupo de pessoas para não se sujeitarem ao crivo de rigor académico para a ocupação de certos cargos na administração pública […].


Em muitos países, a maioria das elites são oriundas de regiões suburbanas ou aldeias. Na Rússia temos o Putin; em Portugal foi o caso do Professor Cavaco Silva; no reino unido tivemos o David Cameron, etc. Essas figuras publicas passaram pelo crivo de excelência académica e experiência profissional associado à aptidão de vencer num concurso ou sufrágio publico sem serem escolhidos ou nomeados.

“Ser de praça” não nos incomoda, mas sim, o ódio étnico que deveria ser criminalizado (como esperamos no advento da Revisão Constitucional) porque traz consequências imprevisíveis. Qualquer um pode-se apelidar de praça; isso é como alguém se auto-intitular de algo de que se sonha ou se admira.

Os tais “Meninos de praça” na Guiné-Bissau não passam de um conjunto de indivíduos ou sensibilidades que, depois de 17 de outubro de 86 consolidaram-se num novo figurino invisível, “dono e gestor”, substituindo o Estado e o poder central na praça de Bissau. Esse grupo representa apenas 5 - 10% da população total, subjugando em todos os aspectos a maioria dos bissau-guineenses, notoriamente são poucos interessados em identificarem-se no desenvolvimento sustentável e transversal da Guiné-Bissau no seu todo.

Essa franja de indivíduos com complexo de identificação étnica, a roçar o ódio étnico, foram os “fabricantes” de todos os tipos de golpes de Estado (com aliciamentos e envolvimentos dos Generais) que temos assistido desde o golpe de Estado de 14 de novembro de 1980; são os responsáveis pela destruição do conceito de Estado e em consequência o próprio Estado da Guiné-Bissau, através da promoção da corrupção, nepotismo, clientelismo, e apropriação partidária da Função Publica como forma de centralização do poder no Partido libertador, facilitando o acesso ao emprego para os seus militantes.

Essa mesma franja, que após o Caso 17 de Outubro 1986 (depois da limpeza étnica dos Balantas do PAIGC), teve o PAIGC como base de apoio para todos esses malabarismos então dirigido pelo General Nino Vieira (o percursor e introdutor de tráfico de Droga na Guine Bissau) que, maquiavelicamente representava a figura dos antigos combatentes nesta Esquadrilha somente para os combates eleitorais sob insígnias da Luta Armanda de um lado, doutro piscando olho assim à etnia papel como uma base étnica eleitoral de identificação, o que não passa de uma farsa orquestrada contra os Papeis.

Criou-se assim uma aliança transfronteiriça entre “os civilizados” de praça com a dita comunidade internacional - P5- em detrimento dos interesses do Povo Guineense. Essa aliança colocou estrategicamente os embaixadores pertencentes ao P5, que só representam os seus interesses. Deste modo, o País passou-se a ser gerido de fora para dentro pela dita Comunidade Internacional.
  
As definições de “Mininus di Praça di Bissau

   Os autodenominados “Genuínos Mininus di praça”: São os que julgam genuínos, civilizados, herdeiros de Honório Barreto, o núcleo duro Central da purga, nascidos em Capitais, tais como Cacheu, Bolama, Bissau, que julgam donos da Guiné-Bissau Intelectual, por serem netos das Civilizações assimiladas dos colonos, baptizados nas antigas tradições católicas Portuguesas, que os incutiram complexos e ódio étnicos, são os verdadeiros motores discriminatórios do sistema. Nesta categoria estão incluídos também os filhos dos Militares Portugueses não reconhecidos, filhos dos antigos Cipaios e administradores portugueses e elementos de origens Cabo-verdianos ou Libanês/Sírios misturados com sangue étnico autóctones.
 “Os GEBAS,” estes não passam de filhos das misturas multiétnicas autóctones, gerados na metrópole, muitos sem conhecer os pais e alguns com identidades étnicas bem definidas, mas simplesmente não assumidas. Também incutidos os complexos e ódio étnicos em não se identificarem com etnias pelos colonos portugueses. E em suma, não existe uma etnia Geba mas sim um Mito.  

“Os Escoados” - os fifty-fifty -  uma forma de transição ou passagem suave entre pertença étnica para categoria de “mininus di praça”. Aqui já não é culpa dos portugueses e nem é preciso ser baptizado. Muitos desta gente tiveram que mudar nomes étnicos para apelidos de praça (no Reinado do Sr. Cadogo) para ter que passar os concursos públicos por efeito do emprego.

Ora, é esta forma de estratificação Social montada há tempo a funcionar como eixo de mal que deve ser combatida; são incapazes de arrancar ou desbloquear o desenvolvimento do País e ao mesmo tempo não permitir que outros o façam. Esse bloqueio é que constituiu o nosso primeiro objectivo em escrever este artigo de opinião centrado na luta contra essa estratificação social e nunca contra etnias que são a base da nossa essência. Estes infelizes têm sustentado o verdadeiro eixo do mal durante anos invisivelmente montado para manter no poder uns grupelhos de sanguessugas ávidos de substituir os Colonos Brancos na forma e nas acções. Nunca aceitaram nenhum tipo de mudança que reverta em melhorias das condições de vidas das populações como foi o juramento à vida do próprio Amílcar Lopes Cabral.

Temos que apelar à nossa População em geral sobre estes fenómenos insidiosos dos ditos “Civilizados di Praça” altamente perigoso, que já contribuiu e muito na desagregação de tecido social Guineenses e tbm na inviabilidade da consolidação Democrática e da unidade Nacional.

Alerta máxima para etnia Papel que tem sido usado e abusado nas Campanhas eleitorais como uma base étnica pelos “mininus di praça” - esta categoria dos “Civilizados” maquiavelicamente serve-se da etnia Papel como base étnica da identificação para aparentar-se (atenção Papeis, muitos deles não tem afinidades étnica com os convosco) só pelo facto de terem nascidos em Bissau, zona predominante dos Papeis. Deste modo, muitos dos Papeis, “étnico-cegos”, embarcaram-se nesta aventura que não passou de uma armadilha de “Mininus di Praça” em armar um mero suporte étnico eleitoral. Eles não querem e nunca quiseram saber dos Papeis Reais que vivem nas aldeias. Agindo deste modo, estão a expor os Papeis como etnia em risco de colisões com outras etnias, colocando-os falsamente num patamar superior que outras; uma manipulação bem conhecida de “dividir para reinar”, herdada do colonialismo. Um dos exemplos foi um facto usado na instrumentalização do caso do tal deputado da etnia Papel que quase podia dar para torto com consequências imprevisíveis. “Pepelis nha parentis Bo iabri  udjus deh !! Tugas bai Dja, essis i Pretus suma nós... só pa pui ellis no sê lugar mas nada”.

Quanto ao resto da população, constitui realmente uma maioria finamente discriminada, por parte desta franja maquiavélica da Cidade, explorada de todas as formas, desprovidas dos direitos fundamentais consagrados nos pilares das Nações Unidas, tais como o saneamento básico, educação e saúde. Mesmo o simples juntar-se ou reunir-se em comunidades rurais é censurado pelos ditos “civilizados”. Quando isso acontece são apelidados de tribalistas ou raça de fundinho na mesquita, nomes como “Conferencia di Nhoma”, etc. Enquanto eles já podem livremente fazer suas conferências de concentrações ou reuniões de Clã em qualquer momento e lugar (desde santuário di Cacheu, Rotary Club Bissau, etc). Esta forma de discriminação da minoria sobre a maioria, recorda-se é um pressuposto para o Genocídio.

Portanto a nossa opinião é legislar quanto antes possível sobre esta matéria, quiçá, já na próxima Revisão da Constituição.

De referir que o General Umaro Sissoco Embalo, apercebendo desta Clivagem Social, leu bem a realidade e apresentou-a na sua Campanha e teve brilhante resultado e ninguém hoje tem dúvidas desta bipolaridade na Guiné-Bissau. Acabou por ser um justo vencedor das eleições Presidenciais, até com uma certas facilidades, porque soube sair e aproveitar os anseios de maioria da População discriminada, lutando em prol da coesão e para uma união verdadeira duma Guiné-Bissau justa e com igualdade de oportunidade para todos.

Por isso também acreditamos que os interesses de classe e a própria classe tem que ser combatida desmantelada, alias é isso que as Redes sociais estão a fazer e bem com um enorme Contributo Cívico dos CET na frente o Sr Leopoldo Sadar.

“Ser de praça” é relativo – depende muito de onde se encontra e o que se faz. Ora se “ser de praça” é apenas saber vestir, comer com faca e garfo à mesa, ir às festas, então preferimos as nossas posições sociais actuais. Em Portugal, durante a nossa passagem pelas Universidades vimos portugueses de gema que não sabiam bem usar facas e garfos; será que não eram de praça ou civilizados?

“Os de praça” que aceitem então o desafio de concurso público para um lugar de relevo para ingresso à Função Publica […].

terça-feira, 3 de março de 2020

O presidente da Guiné-Bissau, General Umaro El Mokhtar Sissoco Embalo, conferiu posse ao novo Governo chefiado pelo Primeiro-Ministro Eng. Nuno Gomes Nabiam


O presidente democraticamente eleito da Guiné-Bissau, General Umaro El Mokhtar Sissoco Embalo, conferiu posse ao novo Governo chefiado pelo Primeiro-Ministro Eng. Nuno Gomes Nabiam, numa cerimónia que se realizou no Palácio da Republica, em Bissau.


Tomaram posse os Ministros e os Secretários de Estado.



Elenco Governamental da Guiné-Bissau


O novo Primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabiam, admitiu que herdou uma Guiné-Bissau profundamente dividida do ponto de vista social e étnico.

Nabiam disse no seu discurso que as sucessivas campanhas eleitorais e o desespero dos candidatos têm levado o país a utilizar de maneira negativa as suas diferenças culturais e sociais.

Lembrou que as eleições legislativas de março de 2019 não qualificaram o peso das diferentes forças políticas do país, pelo que o povo obrigou os atores políticos a uma partilha do poder.

Explicou que o primeiro ensaio desta partilha, com o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) não funcionou, porque não conseguiu interiorizar o conceito de partilha do poder.

Assegurou que a mensagem do povo voltou a ser a mesma nas eleições presidenciais de novembro último e a oposição percebeu a mensagem, decidiu experimentar uma coligação e para a surpresa da comunidade internacional ganhou eleições de forma folgada.

Sobre a campanha de caju, Nabiam promete diligências para o sucesso da comercialização da castanha que representa mais de 80 por cento das receitas de exportações globais do país.

“Uma dependência muito séria que fragiliza a nossa economia e por esta razão, a campanha de castanha tem que correr bem, para que no momento do balanço final, todos os atores que nela participam ganhem rendimento”, enfatizou.

segunda-feira, 2 de março de 2020

A CAMINHO DA PÁSCOA


DE CORAÇÃO PURIFICADO, ACOMPANHEMOS JESUS

“A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual e permite-nos contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas pessoas que sofrem”, afirma o Papa Francisco na mensagem para a Quaresma que estamos a viver.

Ao longo dos próximos domingos iremos meditando diversos passos do percurso feito por Jesus até Jerusalém onde é condenado como malfeitor pela autoridade romana e, na manhã de Páscoa, ressuscitado por Deus Pai como o vencedor da morte por amor.

Hoje, a liturgia apresenta-nos o Evangelhos das tentações. Mt 4, 1-11. Após o baptismo, ainda antes de iniciar a missão pública, Jesus vê confirmada a sua dignidade de Filho de Deus que o Tentador questiona e pretende comprovar.

Mateus – o narrador do episódio – elabora um diálogo atraente, que é uma verdadeira catequese, sobre como proceder perante as tentações. O Papa Francisco diz que com o diabo não se dialoga, mas responde-se com a Palavra de Deus. Assim faz Jesus.

O tentador centra a sua provocação na fome e, consequentemente na necessidade de pão. Jesus havia jejuado 40 dias e 40 noites. O diabo conhecia a situação e tenta explorá-la.

Ontem como hoje, a fome cresce exponencialmente. Em todas as dimensões da realização integral de cada pessoa. Eliminá-la? Mas como?! Como consegui-lo? O desafio é pertinente. A proposta parece aliciante: que as pedras se transformem em pão. E Jesus podia fazê-lo. Porém a recusa surge espontânea e esclarecedora. O pão é preciso, mas a maneira de o arranjar está confiada ao homem, ao seu trabalho honesto, à sua organização laboral, à gestão de recursos, ao preço justo dos valores, à sobriedade de vida, à economia social em que todos participam. Como ensina a Palavra/Lei de Deus. Esta resposta liberta o homem das amarras da inércia irresponsável e da dependência doentia. Reforça e restitui a nossa capacidade de gerir a vida e de nos organizarmos em sociedade. Reencaminha o homem para si mesmo, libertando-o da alienação e do facilitismo.

Vencido, mas não convencido, o tentador desloca a provocação para o religioso, o brilho do espectáculo, o esplendor do cerimonial, o prestígio de quem pode ser acompanhado por forças especiais. O pináculo do Templo era o local indicado. O êxito estava garantido. Que mais poderia desejar o provocador? Jesus, em resposta curta e incisiva, não lhe dá tréguas e recentra o sentido da sua vida, insinua o caminho da sua missão. Dá um não rotundo à religião espectáculo, ao culto das aparências ilusórias, à ostentação de insígnias reluzentes e credenciadas. Quer ser obediente ao projecto de Deus que se realiza na sinceridade do coração, na simplicidade do amor fraterno, na humildade do serviço. Que contraste de perspectivas e que “abanão” para as consciências instaladas no que apetece e parece bem.

As provações recusadas levam o tentador a fazer um desafio original e, para ele, decisivo. Explora o instinto da posse de bens, o gosto de ter dinheiro, a apetência por ser poderoso e dominar, o desejo irreprimível de viver seguro, ainda que sacrificando a liberdade dos outros. E promete “mundos e fundos”. Exige apenas um preço a pagar: que Jesus se vergue perante ele, se prostre e o adore como um deus. A reacção de Jesus deixa perceber que a provocação atingira o auge, era intolerável. “Vai-te, Satanás”. Sai da minha presença. A minha atitude está definida: De joelhos perante Deus; de pé firme perante os homens. É esta a minha missão: erguer os caídos, animar os abatidos, levantar os prostrados pelas tiranias e doenças.

Ter, amar, poder, constituem três núcleos da identidade humana onde ocorrem as derrotas/vitórias mais decisivas da história. A vida de Jesus mostra, com abundância de factos, que o serviço por amor é o caminho do êxito pleno. Por isso, continua a segredar-nos: liberta-te e vem comigo. “Portanto, exorta o Papa Francisco: Não deixemos passar em vão este tempo de graça, na presunçosa ilusão de sermos nós o dono dos tempos e modos da nossa conversão a Ele”.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

Umaro Sissoco Embaló, toma posse como Presidente da Guiné-Bissau: “serei um presidente de transformação, mudança, paz e da justiça”


O novo chefe de Estado da Guiné-Bissau, Úmaro Sissoco Embaló, investido na ausência do líder do Parlamento, garantiu esta quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020, que será um presidente de transformação, mudança, paz, justiça, progresso e da liberdade de cada guineense.

Embaló discursava numa cerimônia de tomada num acto dirigido pelo primeiro vice-presidente da Assembleia Nacional Popular, Nuno Gomes Nabiam, na presença da segunda vice-presidente, Hadja Satu Camará e uma parte de deputados de Nação.

A cerimónia foi igualmente testemunhada pelo chefe de Estado cessante, José Mário Vaz. A investidura de Embaló foi realizada um dia depois de a candidatura de Domingos Simões Pereira ter dado entrada de mais um recurso de contencioso eleitoral ao Supremo Tribunal de Justiça, na sua veste do Tribunal Constitucional.

O Presidente investido disse no seu discurso que representará aspirações, sonhos e anseios de todos e de cada um, não os interesses. “Eu nunca serei um Presidente em defesa de interesses, venham eles de ondem vierem”.

Eis na íntegra o discurso de novo Chefe de Estado da Guiné-Bissau, Úmaro Sissoco Embaló…

Guineenses,

A nossa investidura hoje ao mais alto cargo da Nação, como Presidente de todos os guineenses, representa um novo começo para a Guiné-Bissau, a inauguração de uma nova era de dignidade, paz e progresso para os guineenses.

Candidatamos à mais alta magistratura da NAÇÃO e fomos escolhidos pelo povo da Guiné-Bissau, com larga e inequívoca maioria, para cumprir os objetivos e os sonhos de um povo heróico, nobre e honrado, que vêm sendo sucessivamente adiados e defraudados.

Esta esperança do povo da Guiné-Bissau é a razão fundamental pela qual eu sou hoje investido perante vós, guineenses, traduz a vossa vontade de Mudança.

Por isso estou aqui, para vos servir, para vos honrar, para concretizar os desígnios e anseios de um povo humilde, que foram a razão da nossa Independência, e cuja concretização o povo aguarda há 47 anos.

O balanço dos anos de independência traduz-se lamentavelmente hoje, no falhanço total da concretização dos Sonhos pelos quais lutaram os nossos avós e os nossos pais.

Ao longo de 47 anos, o nosso povo almejou uma vida melhor, que jamais alcançou devido ao o deficit de governação patriótica e da competência e falta de altruísmo, conduziram-nos ao retrocesso e à tragédia coletiva, a tal ponto que hoje temos   piores escolas, piores hospitais, piores infraestruturas no geral.

Guineenses,

Pertencemos à geração do concreto e acreditamos que todos nós, juntos, seremos capazes. A luta da geração do concreto “é uma luta para ter pão, para ter terra, para ter escolas, para ter hospitais, uma luta sobretudo para o desenvolvimento, em suma, para que as nossas crianças não sofram mais.

Essa será a nossa luta.

Será também uma luta para mostrar ao mundo que somos um povo digno, trabalhador e honesto, dignos filhos de Cabral.

Para que se realize o sonho de Amílcar Cabral e dos nossos mártires da independência, que é também o nosso sonho por uma vida melhor, impõe-se, hoje, um novo começo, a Refundação do Estado Guineense e d as suas instituições.

As motivações que juntaram os guineenses na luta pela Independência e a fundação do Estado diluíram-se nas quezílias e lutas intestinas dos últimos 47 anos. Hoje é preciso encontrar novos motivos, novas causas, novas bandeiras para juntar os guineenses em torno de uma Nova Aliança, baseada em aspirações comuns.

Nós vamos Redundar o Estado, congregando as vontades nacionais em torno de novos alicerces, novas causas, consubstanciando valores e aspirações partilhados pelos guineenses no Século XXI.

Essa Nova Aliança traduz-se na   preservação da soberania, na reconciliação nacional, na coesão social e inter-étnica, na estabilidade política,  na igualdade,    justiça e   cidadania para todos, no acesso à educação, à  saúde, à habitação e a infraestruturas e serviços de qualidade, na afirmação do guineense no mundo, na restauração da autoridade do Estado, no primado da Lei e dos direitos humanos, no combate à corrupção, na melhoria da qualidade da governação nacional e local,  na  criação riqueza partilhada numa Nova Sociedade regida pela  solidariedade. Estes novos valores, aspirações e objetivos formarão o cimento que unirá os guineenses em busca de um futuro melhor, de Paz, Justiça, Progresso e Liberdade.

Nos últimos anos de desnorte, desordem e banditismo político o Estado Guineense colapsou e com ele desabaram e ruíram todas as suas traves mestras, as instituições nas quais se traduz a ação do Estado. Por isso é imprescindível a Refundação dessas Instituições, a começar pela Justiça e a Administração pública, atualmente corroídas pela corrupção.

Saliento ainda que o combate feroz à corrupção, ao narcotráfico e ao banditismo constituirão objectivos estratégicos e destacados da minha magistratura.

Este combate sem tréguas ao crime organizado, nacional e transnacional, será um dos vectores fundamentais para a restauração da segurança interna e da dignidade dos guineenses no mundo.  Por isso eu presidirei ao Conselho de Ministros sempre que se tratar da adoção de políticas, estratégias, programas e instrumentos de combate a estes flagelos, pela moralização do Estado e da Sociedade.

Enquanto herdeiro dos nossos heroicos combatentes da liberdade da Pátria, que sou e orgulhosamente oriundo das Forças Armadas, “a minha luta é também uma luta para mostrar à face do mundo que somos gente com dignidade”.

Para tal é essencial promover a credibilização da imagem externa do nosso país, garantindo a assunção plena dos engajamentos da Guiné-Bissau a nível regional, continental e global, voltando a fazer do nosso país um parceiro respeitado na Comunidade das Nações. 

Por isso, eu irei promover iniciativas com vista à promoção e afirmação do prestígio externo da Guiné-Bissau, no quadro de uma ação estratégica que irá converter o nosso país num parceiro útil dos novos actores globais no nosso espaço regional.

Assim potenciaremos os fatores de crescimento económico da Guiné-Bissau, fazendo do nosso país uma terra próspera em proveito de todos os seus filhos.

Para que possamos erguer um Novo Estado, virtuoso e movido por uma visão partilhada por todos os guineenses, eu serei o promotor incansável da Reconciliação Nacional. Uma reconciliação baseada na justiça e na verdade.

Para tal, desde hoje, eu convido todos os guineenses a baixarem as armas do ódio, da intriga e da maledicência, a fim de olharmos todos para os mesmos objetivos e metas: fazer da Guiné-Bissau uma terra de homens e mulheres felizes, vivendo em harmonia, numa Pátria de Justiça, sob o império da Lei, partilhando a riqueza comum dos nossos mares, do nosso subsolo e da nossa terra fértil, em benefício de todos, sem excepção e sem discriminação.

Nós vamos construir um país novo, um país para todos, onde todos são iguais, onde ninguém se sentirá excluído. Esta será a pátria igualitária de todos nós, Felupes, e Jacancas, Balantas e  Fulas, Pepeis e Manjacos,  Mandingas  e Baiotes,  Beafadas e Saraculés,   Mancanhes, Oincas  e Sussus…este será uma país de todos e para todos.

Eu quero daqui dirigir um agradecimento e uma homenagem muito especial a Sua Excelência o Senhor Presidente José Mário Vaz, o Presidente que, devido à sua postura dialogante e de defesa da soberania a e das instituições, inaugurou a era em que os Presidentes guineenses terminam o seu mandato. Senhor Presidente, será sempre para mim uma referência e um Conselheiro de Especial relevância.

O meu agradecimento a todos os candidatos e a todos os Partidos que numa Aliança Patriótica para o Progresso e o Futuro Melhor do nosso país, apoiaram a minha candidatura na segunda volta. A todos o meu profundo reconhecimento e o meu muito obrigado.

Permitam-me uma palavra reconhecimento e de compromisso para com a Juventude e as Mulheres do meu país. Por forma a cumprir os meus compromissos com as Mulheres e com a Juventude, eu farei questão de presidir ao Conselho de Ministros para a aprovação de um Plano Estratégico de Empoderamento da Mulher e um Plano de Acção Nacional para a Juventude.

Gostaria de agradecer a todas e a todos, pela paciência e boa vontade despendidos na busca de uma solução pacífica, justa e duradoura a esta crise artificial inventada em nome dos compromissos assumidos para penhorar a nossa Guiné-Bissau.

Mas gostaria também de agradecer a todos aqueles que se empenharam para eu hoje ser o Presidente de todos os guineenses.  Todos os apoiantes, desde os ilustres conhecidos aos anónimos, o meu muito obrigada de coração.

Por último, quero agradecer ao povo da Guiné-Bissau pela confiança depositada na minha pessoa para dirigir os destinos do nosso País nos próximos 5 anos, tarefa que cumprirei imbuído do mais alto sentimento de patriotismo e responsabilidade.

Guineenses, 

Permitam-me concluir, ressaltando que partir de hoje, serei o Presidente de todos os guineenses, daqueles que me votaram, mas também daqueles que não me votaram, daqueles que, até ontem, eram os meus adversários, mas que a partir de hoje serão meus aliados para construção de um futuro Comum.

O meu lema será servir a todos, todas as etnias, todas as religiões, todas as sensibilidades.  Eu representarei de forma abnegada as aspirações, os sonhos e anseios de todos e cada um, não os interesses, porque eu nunca serei um Presidente de defesa de interesses, sejam quais forem, serei sim, o Presidente da Transformação, da Mudança, da Melhoria e da realização concreta dos sonhos de Paz, Justiça, Progresso e Liberdade de cada guineense.

Bem hajam todos!

Bem-haja a Guiné-Bissau, uma pátria para todos e de todos! Com Odemocrata

Vice-presidente da ANP, Eng.º Nuno Gomes Nabiam, confere posse ao novo chefe de estado guineense


O primeiro Vice-presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), Nuno Gomes Nabiam, conferiu posse esta quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020, ao novo Chefe de Estado guineense eleito a 29 de dezembro de 2019, Úmaro Sissoco Embaló, na sequência de uma sessão extraordinária da Assembleia Nacional Popular convocada para o eleito pela comissão permanente.

A cerimónia de posse “simbólica” de Úmaro Sissoco Embaló para o mais alto cargo da magistratura guineense decorreu numa das unidades hoteleiras da capital Bissau e foi testemunhada pelo presidente da república cessante, José Mário Vaz, bem como por várias individualidades, figuras políticas e centenas de cidadãos provenientes de diferentes bairros da capital Bissau.

O ato foi igualmente testemunhado com a presença do Procurador-Geral da República, Ladislau Embassa, e o presidente do Tribunal de Contas, Dionísio Cabi, como também as presenças dos Embaixadores da Gâmbia e do Senegal. A cerimónia foi marcada por um forte dispositivo de segurança mantida pelos militares da guarda Presidencial.

O primeiro vice-presidente, Nuno Gomes Nabiam, dirigiu a sessão extraordinária na presença da segunda vice-presidente, Hadja Satu Camará. Antes de abertura da sessão, Nabian pediu ao deputado Mamadu Serifo Jaquité do MADEM e o deputado Alberto Djatá do PRS para ocuparem as funções do primeiro e do segundo secretário da mesa da ANP, respetivamente.

Deputado Mamadu Serifo Jaquité foi quem leu a ata do apuramento nacional que confirma a eleição de Úmaro Sissoco Embaló, apoiado por Movimento para Alternância Democrática (MADEM), com 54,55 por cento de votos, contra 46, 45 por cento do seu adversário, Domingos Simões Pereira, candidato do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). A sessão prosseguiu com a leitura do termo de posse do novo Chefe de Estado da Guiné-Bissau, Úmaro Sissoco Embaló.

No seu discurso de abertura da sessão extraordinária, primeiro vice-presidente da ANP, Nuno Gomes Nabiam, disse que o PAIGC, “na tentativa de inverter os resultados eleitorais”, tentou influenciar o funcionamento do tribunal constitucional, o que para Nuno Nabiam deixa dúvidas sobre a serenidade do partido no poder (PAIGC) em deixar que a vontade expressa pelo povo guineense seja legitimada.

Assegurou que não restam dúvidas que o Úmaro Sissoco Embaló é o justo vencedor, devido à margem da diferença de votos obtidos entre ele e o seu adversário. Revelou no seu discurso que o PAIGC teria obrigado ao Supremo Tribunal de Justiça a jogar um papel ambíguo sobre a escolha feita pelo povo. Frisou que a lei o dá a legitimidade de proceder ao ato na ausência do presidente do parlamento, tendo cumprido os procedentes legais para efetuar o ato.

“Compreendemos a resistência do presidente do parlamento em convocar a Comissão Permanente para o agendamento da investidura do novo presidente”, notou, para de seguida mostrar que lhe estranha a posição do PAIGC quanto à nova maioria no parlamento que conseguiu reunir a Comissão Permanente da ANP.

“A posição desta maioria é para que seja evitada uma manifestação do povo para exigir que seja respeitada sua escolha. Estamos a fazer história e é a primeira vez que se assiste a uma investidura presidencial em que o presidente cessante entrega a faixa ao presidente empossado”, enfatizou. Com Odemocrata

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2020


“Colocar o Mistério pascal no centro da vida significa sentir compaixão pelas chagas de Cristo crucificado presentes nas inúmeras vítimas inocentes das guerras, das prepotências contra a vida desde a do nascituro até à do idoso, das variadas formas de violência, dos desastres ambientais, da iníqua distribuição dos bens da terra, do tráfico de seres humanos em todas as suas formas e da sede desenfreada de lucro, que é uma forma de idolatria.”
"Em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus» (2 Cor 5, 20)".

Queridos irmãos e irmãs!

O Senhor concede-nos, também neste ano, um tempo propício para nos prepararmos para celebrar, de coração renovado, o grande Mistério da morte e ressurreição de Jesus, cerne da vida cristã pessoal e comunitária. Com a mente e o coração, devemos voltar continuamente a este Mistério. Com efeito, o mesmo não cessa de crescer em nós na medida em que nos deixarmos envolver pelo seu dinamismo espiritual e aderirmos a ele com uma resposta livre e generosa.

1. O Mistério pascal, fundamento da conversão

A alegria do cristão brota da escuta e receção da Boa Nova da morte e ressurreição de Jesus: o kerygma. Este compendia o Mistério dum amor «tão real, tão verdadeiro, tão concreto, que nos proporciona uma relação cheia de diálogo sincero e fecundo» (Francisco, Exort. ap. Christus vivit, 117). Quem crê neste anúncio rejeita a mentira de que a nossa vida teria origem em nós mesmos, quando na realidade nasce do amor de Deus Pai, da sua vontade de dar vida em abundância (cf. Jo 10, 10). Se, pelo contrário, se presta ouvidos à voz persuasora do «pai da mentira» (Jo 8, 44), corre-se o risco de precipitar no abismo do absurdo, experimentando o inferno já aqui na terra, como infelizmente dão testemunho muitos acontecimentos dramáticos da experiência humana pessoal e coletiva.

Por isso, nesta Quaresma de 2020, quero estender a todos os cristãos o mesmo que escrevi aos jovens na Exortação apostólica Christus vivit: «Fixa os braços abertos de Cristo crucificado, deixa-te salvar sempre de novo. E quando te aproximares para confessar os teus pecados, crê firmemente na sua misericórdia que te liberta de toda a culpa. Contempla o seu sangue derramado pelo grande amor que te tem e deixa-te purificar por ele. Assim, poderás renascer sempre de novo» (n. 123). A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual e permite-nos contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas pessoas que sofrem.

2. Urgência da conversão

É salutar uma contemplação mais profunda do Mistério pascal, em virtude do qual nos foi concedida a misericórdia de Deus. Com efeito, a experiência da misericórdia só é possível «face a face» com o Senhor crucificado e ressuscitado, «que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim» (Gl 2, 20). Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo. Por isso mesmo, é tão importante a oração no tempo quaresmal. Antes de ser um dever, esta expressa a necessidade de corresponder ao amor de Deus, que sempre nos precede e sustenta. De facto, o cristão reza ciente da sua indignidade de ser amado. A oração poderá assumir formas diferentes, mas o que conta verdadeiramente aos olhos de Deus é que ela escave dentro de nós, chegando a romper a dureza do nosso coração, para o converter cada vez mais a Ele e à sua vontade.

Por isso, neste tempo favorável, deixemo-nos conduzir como Israel ao deserto (cf. Os 2, 16), para podermos finalmente ouvir a voz do nosso Esposo, deixando-a ressoar em nós com maior profundidade e disponibilidade. Quanto mais nos deixarmos envolver pela sua Palavra, tanto mais conseguiremos experimentar a sua misericórdia gratuita por nós. Portanto não deixemos passar em vão este tempo de graça, na presunçosa ilusão de sermos nós o dono dos tempos e modos da nossa conversão a Ele.

3. A vontade apaixonada que Deus tem de dialogar com os seus filhos

O facto de o Senhor nos proporcionar uma vez mais um tempo favorável para a nossa conversão, não devemos jamais dá-lo como garantido. Esta nova oportunidade deveria suscitar em nós um sentido de gratidão e sacudir-nos do nosso torpor. Não obstante a presença do mal, por vezes até dramática, tanto na nossa existência como na vida da Igreja e do mundo, este período que nos é oferecido para uma mudança de rumo manifesta a vontade tenaz de Deus de não interromper o diálogo de salvação connosco. Em Jesus crucificado, que Deus «fez pecado por nós» (2 Cor 5, 21), esta vontade chegou ao ponto de fazer recair sobre o seu Filho todos os nossos pecados, como se houvesse – segundo o Papa Bento XVI – um «virar-se de Deus contra Si próprio» (Enc. Deus caritas est, 12). De facto, Deus ama também os seus inimigos (cf. Mt 5, 43-48).

O diálogo que Deus quer estabelecer com cada homem, por meio do Mistério pascal do seu Filho, não é como o diálogo atribuído aos habitantes de Atenas, que «não passavam o tempo noutra coisa senão a dizer ou a escutar as últimas novidades» (At 17, 21). Este tipo de conversa, ditado por uma curiosidade vazia e superficial, carateriza a mundanidade de todos os tempos e, hoje em dia, pode insinuar-se também num uso pervertido dos meios de comunicação.

4. Uma riqueza que deve ser partilhada, e não acumulada só para si mesmo

Colocar o Mistério pascal no centro da vida significa sentir compaixão pelas chagas de Cristo crucificado presentes nas inúmeras vítimas inocentes das guerras, das prepotências contra a vida desde a do nascituro até à do idoso, das variadas formas de violência, dos desastres ambientais, da iníqua distribuição dos bens da terra, do tráfico de seres humanos em todas as suas formas e da sede desenfreada de lucro, que é uma forma de idolatria.

Também hoje é importante chamar os homens e mulheres de boa vontade à partilha dos seus bens com os mais necessitados através da esmola, como forma de participação pessoal na edificação dum mundo mais justo. A partilha, na caridade, torna o homem mais humano; com a acumulação, corre o risco de embrutecer, fechado no seu egoísmo. Podemos e devemos ir mais além, considerando as dimensões estruturais da economia. Por este motivo, na Quaresma de 2020 – mais concretamente, de 26 a 28 de março –, convoquei para Assis jovens economistas, empreendedores e transformativos, com o objetivo de contribuir para delinear uma economia mais justa e inclusiva do que a atual. Como várias vezes se referiu no magistério da Igreja, a política é uma forma eminente de caridade (cf. Pio XI, Discurso à FUCI, 18/XII/1927). E sê-lo-á igualmente ocupar-se da economia com o mesmo espírito evangélico, que é o espírito das Bem-aventuranças.

Invoco a intercessão de Maria Santíssima sobre a próxima Quaresma, para que acolhamos o apelo a deixar-nos reconciliar com Deus, fixemos o olhar do coração no Mistério pascal e nos convertamos a um diálogo aberto e sincero com Deus. Assim, poderemos tornar-nos aquilo que Cristo diz dos seus discípulos: sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5, 13.14).

Franciscus

Roma, em São João de Latrão, 7 de outubro de 2019,
Memória de Nossa Senhora do Rosário.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

O Procurador-Geral da República da Guiné-Bissau, Ladislau Embassa, diz que “processo eleitoral decorreu da melhor forma e sem irregularidades”


O Procurador-Geral da República guineense, Ladislau Embassa, afirmou hoje que as eleições presidenciais de 29 de dezembro decorreram da melhor forma e afastou qualquer possibilidade de ter ocorrido algo que possa colocar em causa a integridade do processo.

"Posso dizer-vos que, para o Ministério Público, o processo eleitoral decorreu da melhor forma e não temos nenhuma irregularidade que podemos considerar como passível de pôr em causa a integridade do processo eleitoral", observou Embassa, em declarações aos jornalistas, à margem da abertura do seminário sobre a cooperação internacional, governação e Estado de Direito.

O seminário acontece no âmbito do PACED - Projeto de Apoio à Consolidação do Estado de Direito nos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e Timor-Leste, financiado pela União Europeia.

Ladislau Embassa observou que, desde 2013, com a adoção da nova versão da lei eleitoral, o Ministério Público vem participando no processo eleitoral, o que, disse, é "um grande avanço na credibilização" de eleições na Guiné-Bissau.

O Procurador guineense notou que no âmbito daquela possibilidade aberta pela lei, mais de 70 magistrados do Ministério Público participaram nas últimas presidenciais e acompanharam todas as operações nas Comissões Regionais de Eleições (CRE), inclusive assinaram as atas de apuramento dos resultados.

"Todos esses documentos estão sob a alçada do Ministério Público", afirmou Ladislau Embassa.

Questionado sobre o que pensa da atuação do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que está a apreciar um recurso contencioso, interposto pelo candidato Domingos Simões Pereira, que já pediu a anulação das eleições, alegando irregularidades e fraude, o Procurador-Geral da Republica disse não pretender comentar o papel de um órgão da administração da justiça, mas salientou que toda a atuação dos agentes do Estado devem ser baseadas na lei.

Em relação à queixa-crime intentada no Ministério Público pela candidatura de Simões Pereira contra o presidente da Comissão Nacional de Eleições, o juiz José Pedro Sambú, o procurador guineense, também juiz do Supremo Tribunal, defendeu que o caso está a ser analisado para se saber se tem ou não matéria para avançar.

"É bom precisar que na nossa lei penal, no Código do Processo Penal, quando se trata de situação de crime público, contra uma individualidade, qualquer participação a ser feita deve ser considerada uma denuncia, não uma queixa", defendeu Ladislau Embassa, sem, contudo, precisar o que já foi feito nesse assunto.

A candidatura de Domingos Simões Pereira quer que o Ministério Público investigue José Pedro Sambu por alegadas suspeitas de crimes durante o processo eleitoral.

O Procurador guineense assinalou ainda que enquanto estiver à frente do Ministério Público a atuação do órgão será sempre "na base da imparcialidade e da objetividade" dos magistrados e que só poderá intervir em caso de "extrema importância, para dar orientação, diretiva, conforme está prevista na lei".

Ladislau Embassa notou igualmente que é totalmente contrário à ideia de que as instituições do Estado devem ser "subjugadas aos interesses particulares".

O Supremo guineense está a analisar um pedido de anulação das eleições, feito por Simões Pereira, apoiado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), dado como derrotado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Por seu lado, Umaro Sissoco Embaló, apoiado pelo Movimento para a Alternância Democrática (Madem G15), apontado como vencedor das eleições, ameaçou que vai tomar posse no dia 27 de fevereiro, mesmo contra a vontade do presidente do parlamento.

Embaló, que tem feito périplos por vários países africanos e europeus e se encontra atualmente no sudeste asiático, defendeu que neste momento "é necessário fazer a guerra" para que a Guiné-Bissau "nunca mais fique refém" de "alguns países" que estarão "a manipular" Domingos Simões Pereira. Com a Lusa