domingo, 25 de janeiro de 2015

Libertador da ilha de Komo, Quedelé Na Ricthe, esquecido na vila de Catungo

Uma equipa da reportagem do jornal O Democrata deslocou-se este fim-de-semana ao bairro de Antula Bono, concretamente em Djogoró (periferias da cidade de Bissau), onde mora uma figura que transportava guerrilheiros e munições do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) das zonas libertadas para as matas da ilha de Komo (Tombali). O nosso jornal falou com o combatente que lamenta em como a sua contribuição para a libertação do país foi simplesmente ignorada e esquecida.

Trata-se de Quedelé Na Ritche, um homem de mais de dois metros de altura, 87 anos de idade, mas com um físico bem-disposto graças aos produtos naturais que produz para garantir a sua sobrevivência, segundo a sua explicação.

ilha de Komo tornou-se num dos símbolos da luta do PAIGC devido a uma operação ali protagonizada pelas tropas portuguesas que pretendiam recuperá-la nos primeiros meses de 1964. A batalha durou 72 dias e é considerada pelos especialistas em guerras africanas e na história da luta de libertação como a maior batalha das guerras africanas de Portugal. O PAIGC conseguiu impedir o regresso de militares portugueses à base estratégica na ilha, graças aos esforços e a coragem dos seus guerrilheiros que eram abastecidos por Quedelé Na Ricthe que transportava homens e munições numa canoa a remo da zona libertada para as matas de Komo.

O ex-combatente encontra-se neste momento a residir em casa de um sobrinho em Djogoró (Bissau). Mas o herói de ilha de Komo reside oficialmente na sua terra natal em Katungo, no sul do país (Tombali, sector de Komo). A nossa reportagem soube que o papel desempenhado pelo ex-combatente Na Ritche na batalha com o mesmo nome foi reconhecido pelo próprio líder da guerra, Amílcar Cabral, que o mandara chamar a Conakri (base do partido) a fim de lhe prestar uma justa homenagem, em gesto do reconhecimento pela sua contribuição.

Fui mobilizado pelo general Nino Vieira, aquando da sua passagem pela nossa aldeia

Quedelé Na Ricthe contou à nossa reportagem que foi mobilizado para aderir a causa da luta pela independência pelo falecido Presidente da República, General João Bernardo Vieira “Nino”, aquando da sua passagem pela sua aldeia natal Katungo. Acrescentou ainda que Nino se fazia acompanhar do seu colega, Buota Na Fantchamna que aderira muito cedo a causa da independência.

“Foram o Nino Vieira e o meu colega Buota Na Fantchamna que me mobilizaram. Incumbiram-me a tarefa de prosseguir com a mobilização de jovens na nossa aldeia inclusive das outras tabancas que compõem o sector do Komo”, explicou o ex-combatente.

Na Ritche assegurou ainda que fazia parte de uma barraca do partido que se encontrava nas matas de Komo e que tinha como companheiros o comandante Pansau Na Isna, o Buota Na Batcha, bem como alguns camaradas que foram enviados para aquela zona para ajudar na defesa da ilha que os portugueses queriam recuperar a todo custo. O nosso entrevistado contou que o capitão português, a sua chegada à ilha, intensificou os combates usando caças, helicópteros, bombas de artilharia pesada acompanhados de colunas de infantaria bem equipados.

Mas os guerrilheiros do partido conseguiram resistir e protegeram a ilha de Komo do exército português, tendo sustentado que até os seus próprios colegas reconheceram os seus esforços no transporte de homens e munições da zona libertada para as matas da ilha sem ser visto pelas tropas portuguesas que tinha homens e outros meios para controlar o rio.

“Carreguei material bélico e homens de canoa a remo para levá-los até as matas da ilha, onde se encontrava a barraca dos guerrilheiros. Muitas vezes andamos a noite e as vezes durante o dia. Conhecia a zona muito bem por isso sempre consegui passar bem por “baixo dos narizes” da tropa portuguesa que nem sequer percebia que ia passar pelo rio”, contou.

Solicitado a pronunciar-se sobre como fazia as suas façanhas, se tudo era por um poder sobrenatural ou algo normalíssimo, o ex-combatente limitou-se a explicar com um sorriso que conhecia bem o rio, pelo que passava facilmente sem ser descoberto pela tropa portuguesa.

“Cabral considera-me de libertador da ilha de Komo”

Quedelé Na Ritche disse não estar arrependido por ter contribuído para a libertação nacional. Disse que se sente particularmente satisfeito por tudo o que fez para proteger a ilha de Komo que os portugueses queriam recuperar devido a sua situação geográfica. Revelou que o próprio Cabral considerava-o como libertador da ilha de Komo por causa do seu papel no transporte de homens e munições sob intenso bombardeamento.

“Não me sinto arrependido, porque fui a luta com a convicção de combater para libertar a minha terra do jugo colonial. O exército português matou o meu colega da infância que também estava na mata a combater, cortaram-lhe pescoço como se fosse uma galinha. Isso foi uma das causas que me motivou mais a lutar pela independência, porque achava que uma vez que nos libertássemos, viveríamos livres na nossa terra”, assegurou.

Lembrou neste particular que a batalha de ilha de Komo fora uma batalha dura que tanto os guerrilheiros e o próprio exército português sentiram, porque muita gente perdeu a vida na batalha e houve quem ficasse deficiente fisicamente devido a ferimentos de bala.

A Batalha de Komo durou dois meses e meio de intensos bombardeamentos das forças portuguesas que pretendiam recuperar a ilha com toda a força. Nós, com a nossa coragem, conseguimos resistir, apesar dos parcos meios na altura. Conseguimos resistir em nome da liberdade. A população, sobretudo as mulheres e as crianças, foi a maior vítima da batalha de ilha de Komo. Como se sabe, é uma ilha e a população decidiu refugiar-se num ilhéu para se proteger. Quem não conseguiu chegar às localidades mais seguras morreu devido aos bombardeamentos dos tugas”, vincou.

“Fui esquecido pelo partido como se esqueceu também da ilha de Komo”

O ex-combatente Quedelé Na Ritche lamentou o facto de nunca ter sido chamado pelo partido para qualquer cerimónia oficial. Nem sequer as autoridades se lembram dele para as cerimónias comemorativas nos dias que marcaram a luta de libertação. Sustentou que desde a independência até a data presente ninguém se lembrou dele, muito menos o partido que serviu durante a luta de libertação.

“Fui esquecido pelo partido como se esqueceu também da ilha de Komo, que para ele (partido) não faz parte desta terra”, disse o ex-combatente visivelmente emocionado.

Na Ritche contou que se sente uma pessoa abandonada apesar de tudo aquilo que fez no passado para a libertação do país. Porém afirmou que nada pediu a quem quer que fosse e que deseja apenas que seja considerado como uma pessoa que deu a sua vida e o seu esforço para a liberdade da Guiné-Bissau e do seu povo.

Lembrou ainda que chegou a beneficiar de um apoio do Presidente Nino Vieira que mandou um helicóptero buscar o seu filho na sua aldeia porque este tinha beneficiado de uma bolsa de estudos para Cuba. Acrescentou que o seu filho foi estudar, mas infelizmente regressou “doente da cabeça” (maluco) e que nunca mais conseguiu a total recuperação.

“Sinto-me uma pessoa perdida na vida… estou com dores no coração até hoje pelo sofrimento por causa da doença do meu filho. Agradeço e sempre agradecerei o Presidente Nino pelo gesto de amizade, apesar do destino ter ditado outra saída o que acabou por consumir a nossa esperança”, lamentou o ex-combatente com voz trémula de dor que lhe consumia o coração.

Biografia

O ex-combatente Quedelé Na Ritche, nasceu no dia 15 de Março de 1928, em Katungo no sul do país (sector do Komo). Integrou na fileira do partido no início do ano 1962, aquando da mobilização de jovens influentes para a causa da independência.

Foi um dos responsáveis do partido para a mobilização de jovens na sua vila, bem como nas tabancas que compõem o sector de ilha de Komo. Não beneficiou de nenhuma formação militar para uma determinada especialidade. Aprendeu com os seus colegas no início da luta a especialidade da infantaria. Obteve grande sucesso o que levou para muito longe o seu nome.


Foi quem transportava homens do partido e munições para as matas. A coragem e as habilidades demonstradas no rio durante a Batalha de Komo fizeram chegar o seu nome aos ouvidos do líder da guerra, Amílcar Cabral em Conakri. Foi considerado por Amílcar do “libertador de Komo” devido o seu desempenho.

//Odemocrata

sábado, 24 de janeiro de 2015

Basílio Sanca é novo bastonário da ordem dos advogados da Guiné-Bissau

O advogado Basílio Sanca foi eleito hoje sábado, 24 de Janeiro, Bastonário da Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau ao derrotar a sua concorrente ao cargo, Ruth Monteiro. De acordo com os resultados apurados, Sanca obteve 79 votos contra 49 a favor da sua rival.

A vitória do Basílio Sanca foi facilitada pelo apoio de um dos candidatos à presidência da Ordem, Roberto Indequi que, na sequência de uma denúncia de “compras de consciências” feita pela candidatura da Ruth Monteiro há duas semanas, foi afastado definitivamente da corrida por uma decisão da mesa da Assembleia-Geral e da Comissão eleitoral.

Na véspera do escrutínio, em conferência de imprensa, Roberto Indequi disse ter aceitado a deliberação da Assembleia-Geral e anunciou o seu apoio ao candidato Basílio Sanca.

O novo Bastonário eleito substitui no cargo Domingos Quadé que abandonou o mandato ao concorrer como independente as últimas eleições presidenciais ganhas por José Mário Vaz, candidato do PAIGC. Na altura, Quadé afirmara que independentemente dos resultados eleitorais não voltaria assumir as mesmas funções.

//Odemocrata


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Primeiro-ministro apela aos dirigentes do país a deixarem de lado desavenças politica


O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, apelou hoje aos restantes dirigentes do país para deixarem de lado as desavenças que possam existir para se unirem nos essenciais para desenvolvimento do país.

O apelo foi feito numa altura em que várias fontes dizem existir divergências entre o chefe de executivo e o presidente da república.

O governo da Guiné-Bissau convocou um encontro para 26 de março, em Bruxelas com os principais parceiros do país, aos quais vai pedir apoios financeiros para programas de desenvolvimento.

“Daqui até final de março, guardemos as nossas desavenças. De lá para diante podemos voltar às nossas lutas internas”, exortou Domingos Simões Pereira, explicando que é ele próprio quem se vai sentar à frente dos parceiros para lhes pedir apoios.

“Vou lá [a Bruxelas] em nome do governo e de todos os guineenses”, enfatizou o primeiro-ministro, salientando que a Guiné-Bissau “não pode levar” desavenças internas para a mesa redonda.

Domingos Simões Pereira, que se pronunciava num comício na vila de Tite, para marcar o 52.º aniversário do início da luta armada pela independência da Guiné-Bissau, notou que o país tem estado a ser visitado por parceiros internacionais nos últimos meses.

“Muita gente vem cá visitar-nos para nos dizer que estão dispostos a ajudar. Agora, que não sejamos nós a estragar as coisas por causa da nossa querela interna”, pediu Domingos Simões Pereira, sem referir nomes.

O primeiro-ministro guineense afirmou que, pelos sinais que tem vindo a receber, os parceiros do país começam a recuperar a confiança na Guiné-Bissau volvidos anos de instabilidade.

Enquanto líder do governo, disse estar disposto a ser criticado, mas pede paciência e tolerância aos críticos, tal como ele próprio vai compreendendo as posições daqueles que não concordam com a ação governativa.

Simões Pereira disse não ser apologista do confronto, pelo que admite ceder, mesmo em matérias sobre as quais pensa ter razão.

“Estamos dispostos à cedência, não por sermos fracos. Afinal, quem tem força é quem deve ceder”, observou o chefe do executivo guineense, notando que José Mário Vaz “é o único presidente da Guiné-Bissau”, enquanto ele próprio é o legítimo primeiro-ministro.

“Não há dúvida de que só temos um presidente da república”, José Mário Vaz. “Onde ele está, temos que dar dois passos para trás. Ele é o nosso presidente, mas nós é que somos o governo. Não pode haver dúvida sobre isso. É assim que a ordem está instituída no país”, frisou Simões Pereira.

A relação entre o primeiro-ministro e o presidente José Mário Vaz é tema de conversa nas ruas, colunas de opinião nos jornais e nos meios políticos com diferentes fontes a especular sobre eventuais divergências entre ambos.

Os dois líderes guineenses, ambos do PAIGC e que fizeram campanha juntos no último ano, nunca assumiram em público ter discordâncias, mas há sinais de que pode estar a faltar sintonia entre ambos após seis meses de convívio institucional.

No discurso de fim de ano, dirigindo-se ao governo, José Mário Vaz disse ser necessário começar a cumprir promessas eleitorais, na medida em que “o período de graça não pode ser alargado indefinidamente”.

E enquanto o executivo defende a exploração de minérios no país, Vaz referiu no mesmo discurso que era preciso apreender “com os erros do passado” e apostar na agricultura.

Noutro dossiê, Simões Pereira e Vaz ainda não terão conseguido chegar a consenso sobre a nomeação de um novo ministro da Administração Interna: a cadeira continua vazia quase dois meses depois de Botche Candé ter sido exonerado pelo presidente.


//Lusa

Faleceu Fafali Koudawo reitor da universidade Colinas de Boé

Faleceu esta tarde em Bissau o Professor Doutor Fafali Koudawo, reitor da Universidade Colinas de Boé e coordenador da Voz de Paz, uma organização da sociedade civil que milita na promoção dos valores da paz na sociedade guineense.

A notícia do desaparecimento físico aos 60 anos de idade do intelectual guineense de origem togolesa já foi confirmada esta tarde pelo administrador do hospital pediátrico de Bôr, Alberto Quematcha, citada pelo jornal O Democrata

Muito destacado no seio da classe intelectual, Koudawo chegou à Guiné-Bissau no início da década 90. Foi investigador sénior no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP).


Em 24 de Setembro de 2004, José da Silva Monteiro e Fafali Koudawo lançaram a primeira universidade na Guiné-Bissau, Colinas de Boé.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Guiné-Bissau, povo não deve pagar fatura de querelas do protagonismo dos dirigentes!

Editorial de António Nhaga
No Odemocrata hoje

As questões que assumiram, nos últimos tempos, a relevância na esfera pública nacional provam, sem margem para dúvida, que o Estado tornou-se um espaço de querelas inúteis dos dirigentes. Por isso, a gestão dos assuntos públicos é feita com uma certa dose de individualismo. Protagonismo. O que deforma e de que maneira a qualidade da nossa esfera pública que transformou, neste contexto de mediatização generalizada dos assuntos de Estado, num mero espaço de visibilidade de figuras públicas nacionais que criam, sem necessidade, tensões fragmentárias no espaço público.

Os fatores que mais contribuíram para as tensões fragmentárias no nosso país destacam ambições pessoais e pressão do mercado eleitoral com vista apresentar uma nova imagem distinta dos pretéritos governantes guineenses. Mas, infelizmente, os traços mais vincados desta pretensão de instaurar uma nova imagem na resolução de assuntos de Estado estão ligados ao mercado de ostentação para Zé-povinho de Bandim ver do que reais intenções em resolver verdadeiramente o problema de Estado da Guiné-Bissau.

Há fórum próprio e dispositivos legais constitucionais para resolver os problemas que emergem na definição das políticas públicas de Estado da Guiné-Bissau. Os assuntos de Estado não deviam ser resolvidos na praça pública, como tem acontecido, através de “entrelinhas de comunicados ou a margem de declarações, eventos” ou ainda através de silêncio inconfesso.

Aliás, o Zé-povinho de Bandim ficou agora com a ideia que, se nos governos sob a presidência da Sua Ex.ª  Dr. Koumba Yalá reinava o sentido de nomear e desnomear em fracções de segundos, este governo de Domingos Simões Pereira, sob presidência do Presidente José Mário Vaz, a regra de oiro é silêncio.

Ninguém compreende a razão de não nomear até então um novo Ministro de Administração Interna. Um Ministério tão importante na vida do nosso país porquanto é o garante da segurança interna dos nossos cidadãos. Será que este silêncio e atraso de nomeação do novo Ministro de Administração Interna deve-se ao facto de pessoas que afastaram Botche Candé reconhecerem agora que ele tinha razão? Ou é mais uma guerra palaciana silenciosa, de sempre, que marcou o início da nossa jovem democracia?

Os guineenses não estão mais interessados em guerras palacianas silenciosas que desembocam na comunicação pública de gestão da nossa economia rendeira. A nossa economia rendeira não pode nem deve ser o objeto de conflito entre o Presidente da República José Mário Vaz e o Primeiro-ministro Domingos Simões Pereira sob olhar atento do Presidente de Assembleia Cipriano Cassamá. Se na verdade há uma guerra palaciana silenciosa entre Primatura e Presidência, então a imprensa tem e deve “Meter mão na Lama” para trazer ao público a verdade.


Como disse e muito bem, o Presidente da República José Mário Vaz, a imprensa tem o direito e dever de tornar público, tudo o que está relacionado com interesse nacional – independentemente do órgão da soberania, má gestão das nossas políticas públicas.

CEDEAO reabilita 61 casernas do exército guineense

O presidente da Comissão da Comunidade Económica dos Estados da Africa Ocidental (CEDEAO), Desiré Ouedraogo, entregou nesta quinta-feira formalmente ao governo da Guiné-Bissau 61 casernas militares reabilitadas no âmbito do programa de reforma do sector de Defesa e Segurança do país, noticiou a Lusa.

A recepção das casernas contou com a presença do Primeiro-ministro guineense, Domingos Simões Pereira, e da ministra da Defesa, Cadi Seidi, que disse na ocasião que os militares do país "estão concentrados e serenos" nos quartéis, estabelecendo o contraste com anos de instabilidade e golpes de Estado.

"Os militares guineenses reclamavam, agora estão concentrados e serenos nos seus quartéis. Estão confiantes porque estamos a trabalhar de acordo com as orientações do chefe do Governo, Domingos Simões Pereira, para melhorar as condições de habitabilidade e de vida da tropa nas casernas", disse Cadi Seidi.

Por seu turno, o presidente da Comissão da CEDEAO afirmou que a organização considera a entrega das casernas, reabilitadas o início da "renascença da Guiné-Bissau" e o arranque do processo da reforma do sector militar.

"Como apoiámos a Guiné-Bissau durante o período da crise, estaremos aqui para apoiar a reconstrução. A renovação das casernas constitui um primeiro passo no âmbito do programa da reforma do sector de Defesa e Segurança para o qual a CEDEAO criou um fundo de 63 milhões de dólares (55 milhões de euros) ", explicou Ouedraogo.

No total, foram reabilitadas 61 casernas, quatro cozinhas, três muros de vedação e uma oficina mecânica nos quartéis da Força Aérea e do Exército, em Bissau, e ainda nos quartéis de Buba e Quebo, no Sul.

As obras custaram 3,4 mil milhões de francos CFA (cinco milhões de euros) e duraram doze meses.

Para o presidente da Comissão da CEDEAO, a reabilitação das casernas "só é possível" devido à liderança das novas autoridades políticas e militares e vai "reforçar a moral da tropa".

Destacou também que o próximo passo é implementar um fundo de pensões que será aplicado para os militares a serem desmobilizados e arrancar com formação para aqueles que se vão manter nos quadros das Forças Armadas, vincou.


Desiré Ouedraogo anunciou que a organização oeste africana "está empenhada" na mesa-redonda que o Governo guineense quer organizar em Março com os doadores onde, disse, os parceiros vão apresentar as contribuições para ajudar à reconstrução do país.

União Europeia (UE) acredita novo embaixador junto do estado da Guiné-Bissau

O novo Representante da União Europeia (UE) entregou esta quinta-feira, 22 de Janeiro, as suas cartas credenciais ao Presidente da República, que o acreditam junto do Estado guineense como Embaixador da UE no país.

Trata-se de diplomata Victor Luís Madeira dos Santos. À saída da cerimónia com José Mário Vaz disse à imprensa que, com os sinais de estabilidade que o país apresenta com as novas autoridades nacionais, estão criadas condições para o apoio da UE, para que se possa desenvolver pacificamente e de forma consistente na Guiné-Bissau.

As contribuições da UE vão ser anunciadas mais tarde, não faz sentido falarmos de isso agora, mas a única promessa é que estamos fortemente empenhados em ajudar o povo da Guiné-Bissau no seu desenvolvimento, na integração cada vez mais forte na economia mundial e na paridade com outros países da sub-região, disse Victor Madeira dos Santos.

Interrogado sobre o IX e XX Fundo Europeu de Desenvolvimento, o diplomata português ao serviço da UE disse preferir não falar do assunto sobre os valores e sectores que serão beneficiados, informando que tudo vai ser discutido na mesa redonda agendada pelo Governo da Guiné-Bissau para meados de Março em Bruxelas.

Em relação ao sector das pescas falou da reunião da comissão mista que hoje termina em Bissau, dizendo que muito foi feito neste sector para o país e que a UE vai trabalhar para acelerar a política das pescas da UE e os interesses da Guiné-Bissau nesta matéria, para que sejam maximizados.

Nós vamos apoiar a delegação da União Europeia residente no país, que tem uma responsabilidade importante, tudo faremos para acelerar a política das pescas da UE e os interesses da Guiné-Bissau em matéria das pescas, sejam elas a preservação dos recursos ou em termos de maior rendimento, o potencial para a população ou a economia do país, vamos trabalhar para que isso aconteça», referiu.


Victor Luís Madeira dos Santos substitui Joaquim Gonazales Dukay no cargo que desempenhou nos últimos anos na Guiné-Bissau, como Embaixador da União Europeia.Com Portuguese News Network