sexta-feira, 19 de outubro de 2018

Educar o Desejo, servir com Alegria


A caminhada para Jerusalém está prestes a chegar à cidade. Tem sido uma “caixa de surpresas” que Jesus provoca ou aproveita para mostrar aos acompanhantes, sobretudo aos discípulos, a novidade do Reino de Deus, de que é portador e iniciador. No domingo, vimos o homem desejoso de viver de tal modo na terra que possa garantir a plenitude da vida eterna. E o apelo que Jesus lhe faz a cortar todas as amarras que o retinham no mero cumprimento de mandamentos e a apreciar o tesouro da liberdade. Quer dizer, Jesus quer curar-lhe o desejo, essa energia que nos impulsiona nos sonhos e nas realizações.

Hoje, Marcos (Mc 10, 35-45), em episódio familiar mostra-nos outra face deste desejo de ser alguém, de ocupar um posto notável na futura organização do reino anunciado, de ser conselheiro privilegiado ou mandatado especial, de ver recompensado o abandono de tantos bens apreciados. “Tiago e João, filhos de Zebedeu, aproximaram-se de Jesus e disseram-lhe: «Mestre, queremos que nos faças o que Te vamos pedir». E Jesus escuta a sua ousadia confiante: Faz-nos sentar à Tua direita e à Tua esquerda. A intensidade do desejo é manifesta. E a medida para ser satisfeito, igualmente. A mãe vem apoiar a pretensão. Os outros indignam-se, pois, também se julgam com direitos. Pedro já se havia feito porta-voz desta situação e da fatura que estava em aberto. (Mc 10, 28).

É o humano a desvendar-se no seu melhor. Sem desejo, a vida definha em todas as suas dimensões. Não há desenvolvimento pessoal nem relações de bem-fazer. O futuro foge. Esvazia-se a solidariedade, a acomodação instala-se, as capacidades adormecem, o vazio espreita e a morte vai-se aproximando lentamente como o cair do dia em tardes de outono ensolarado.

O padre Tolentino de Mendonça, agora Arcebispo, chama a atenção para a importância do desejo em várias intervenções nos exercícios espirituais com o Papa Francisco e colaboradores da Cúria Romana, em fevereiro passado, (2018). Diz ele: “Há nas nossas culturas e, ao mesmo tempo, nas nossas Igrejas, um défice de desejo. Quando se percebe, no momento atual, o emergir, e em escala cada vez maior, de sujeitos sem desejo, isso deve levar-nos a uma autocrítica eclesial”. E adianta reflexões pertinentes sobre a terapia do desejo.

“Não é a sede que nos faz morrer para a vida: a sede ensina-nos a arte de buscar, de aprender, de colaborar, a paixão de servir” …Começamos a morrer, “quando desistimos de desejar, de achar sabor nos encontros, nas conversas partilhadas, nas trocas, na saída de nós mesmos, nos projectos, no trabalho, na própria oração”. Elogio da sede, pag. 62.

Mas há “muitos desejos insensatos e perversos que fazem mergulhar os homens na ruína e na perdição”, adverte S. Paulo o seu discípulo Timóteo, encarregado da comunidade cristã, em Éfeso. E acrescenta que “a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro”. (ITim 6, 9-10). Somos convidados a dar nome a males, fruto do amor desordenado e libidinoso, dos impulsos descontrolados, das manias de grandeza à custa dos outros, da ostentação e da fraude, da soberba e da arrogância que o bispo de Hiroxima, em Fátima, considera o maior inimigo do mundo de hoje. Somos convidados a dizer um não rotundo aos desejos mundanos. “Não seja assim entre vós”, ordena Jesus depois de lembrar o proceder das nações e dos grandes do mundo.

Jesus prolonga o desejo expresso por Tiago e João, fazendo-lhe a pergunta que visa reencaminha o seu pedido: “Podeis beber o cálice que Eu vou beber e receber o baptismo com que Eu vou ser baptizado?” E eles respondem sem hesitar:” podemos!” Antes, o Mestre havia feito esta advertência: “Não sabeis o que pedis”. De facto, o horizonte próximo polariza-se na paixão dolorosa, na via assumida para a feliz ressurreição, para a chegada definitiva do Reino anunciado. É o que vai acontecer. “Desejei ardentemente comer esta ceia pascal convosco, antes de sofrer” (Lc 22, 15). A eucaristia é o sacramento deste desejo do Senhor Jesus que a Igreja celebra na sua caminhada de salvação. E a que quer corresponder em alegre e generosa cooperação missionária.

"Jesus não Se contenta com uma «percentagem de amor»: não podemos amá-Lo a vinte, cinquenta ou sessenta por cento. Ou tudo ou nada", disse o Papa na sua homilia do domingo último, 14 de outubro de 2018, recordando que Paulo VI continua hoje a exortar-nos, "juntamente com o Concílio de que foi sábio timoneiro, a que vivamos a nossa vocação comum: a vocação universal à santidade; não às meias medidas, mas à santidade".

Com Paulo VI e Óscar Romero, outras pessoas foram proclamadas santas. Pelo testemunho exemplar de suas vidas entregues por amor. Em serviço alegre e generoso. Como bispos e padres. Como religiosas e leigos. Uns mais idosos. Outros mais jovens. Todos viveram o desejo ardente de ser testemunhas da fé nos diversos espaços da missão. Também nós somos exortados, sobretudo hoje, domingo mundial das Missões, a levar o Evangelho a todos, juntamente com os jovens. Como aponta a mensagem para a celebração deste Dia.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Forças Armadas Revolucionarias do Povo Guineense, promovem igualdade de género nas suas fileiras

Por mais de três mil anos, mulheres, de várias nações e culturas, desempenharam papéis ativos em serviços militares nas mais variadas funções. Embora na maioria das culturas pelo mundo o dever de lutar em guerras tenha sido uma função maioritariamente masculina, várias mulheres chegaram a combater lado a lado de homens, seja abertamente ou disfarçadas, ocultando seu gênero.

Numa reunião que decorreu no Anfiteatro João Bernardo Vieira (Nino), que contou com a participação de 326 mulheres combatentes. A ocasião serviu para o Chefe do Estado Maior General manifestar sua satisfação com a presença massiva das mulheres, dada a importância desta reunião, a primeira de género desde a independência.

“Esta, é a primeira vez na história das nossas Forças Armadas, que um Chefe de Estado-Maior General se reuniu só com as mulheres militares”.

O General, adiantou que o objectivo da reunião serve para reafirmar a posição do Estado Maior General relativamente a promoção da igualdade de género e a motivação da emancipação feminina no seio da classe e, isso se enquadra no quadro da reestruturação das Forças Armadas. Porque a promoção da igualdade de género constitui um dos principais pilares do seu programa de liderança nas Forças Armadas Revolucionárias do Povo guineense.

O General Biaguê Na N´tan, exortou as mulheres a se dedicarem e empenharem-se mais na formação académica, para se poderem concorrer ao pé de igualdade com os rapazes na obtenção de bolsas de formação local ou externa. Pois, doravante as bolsas de estudos são concedidas aos candidatos através da demonstração prática da sua competência.

O Tenente General Mamadú Turé (Kurmanh), Vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas, no seu uso da palavra reforçou as ideias e mostrando a sua satisfação ao seu superior relativamente a realização pela primeira vez na história das Forças Armadas da referida reunião que é uma oportunidade para que as mulheres presentes demonstrarem as suas valentias e exprimirem os seus desejos em contribuir como os homens em favor do desenvolvimento das FARP.

Igualmente serviu da ocasião para recordar a todos que desde o início da luta armada, a formação da guerrilha e criação das FARP, estruturas militares tinham mulheres lutando sempre lado ao lado com os homens, facto que motiva a obrigatoriamente, de não aceitar qualquer afastamento mulheres no seio das Forças Armadas. Sendo assim, é obvio que as suas contribuições para participar nas missões de Manutenção da Paz.

O Chefe da Divisão do Pessoal e Quadros do Estado Maior General, Brigadeiro General Júlio Nhaté Sulté, serviu da ocasião, para encorajar as mulheres, ao maior empenho, dinamismo e dedicação na formação, visto que a atual conjuntura nas Forças Armadas, exige mais qualificação académica ao contrário dos tempos passados em que o grau de parentesco ou amiguismo contava acima de tudo.

Ainda nesta ordem de ideia, o Brigadeiro General explicou que a atribuição de bolsas para formação militar tanto a nível interno assim como externo, exige que as pessoas sejam academicamente qualificadas.

A Capitão-de-fragata Angélica Iuque, da Marinha de Guerra Nacional, em nome das mulheres aproveitou para exortar as chefias militares, no sentido de reforçar mais a promoção da igualdade do género no seio da classe castrense. Segundo ela, as mulheres militares têm sido ao longo das décadas deixadas para trás na tomada das decisões.


Também, a Capitão-de-fragata Iuque exortou as suas colegas a provarem que são igualmente capazes e competentes, pois, através da emancipação feminina e não se pautar pelas vias indignas para conseguir suas promoções nas Forças Armadas. Com as FARP´s

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Trinta oficiais militares das Forças Armadas Revolucionarias do Povo guineenses, recebem formação sobre missões de manutenção de paz


O Gabinete Integrado das Nações Unidas para Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) em parceria com o governo da Alemanha capacitam trinta oficias militares guineenses sobre missões de manutenção da paz das Nações Unidas (ONU), numa formação que terá a duração de quinze dias.


Na cerimónia de abertura, o Vice-Chefe de Estado-maior General das Forças Armadas disse que esta é a primeira vez que os oficiais da Guiné-Bissau beneficiam do curso de género.

Mamadú Turé disse que um oficial precisa de estar munido de conhecimentos sobre como deve lidar tanto com a população como com os dirigentes e outros oficias durante a missão de manutenção da paz.

Agradeceu os responsáveis pela formação e pediu aos militares para aproveitarem no máximo para que num futuro próximo estejam em condições de aplicar, na prática, todos os conhecimentos que irão adquirir ao longo dos 15 dias da formação.

Em nome da UNIOGBIS Diego Rodriguez enalteceu a posição dos militares durante a crise política vigente.

“Esta postura foi reconhecida por toda a comunidade internacional facto que motivou esta formação”, revelou Diego Rodriguez.

Por sua vez, o formador, de nacionalidade Nigeriana, Emeka Ogili disse que está no país em nome do centro de formação Kofi Annan do Gana para ministrar a formação dos oficiais guineenses em matéria e missões da manutenção da paz na ONU.

“Há quase meio século, os países africanos têm feitos sucessos em manutenção da paz a nível da ONU, em África e noutros continentes. “disse o formador.

Emeka Ogili disse ainda que a missão de manutenção da paz da ONU não só salvou vidas das populações nos países em conflito armado, assim como formou oficiais e soldados sobre como devem comportar com todos durante a sua missão.

Esclareceu que, com a missão de manutenção da paz, os soldados interagem com seus colegas e aprendem muitas coisas além do dinheiro que ganham.

O centro de formação militar, Kofi Annan, segundo Ogili, é especializado na preparação dos militares africanos para a missão da Paz da ONU, e conta com a assistência do governo alemão.

Conselheiro Militar do UNIOGBIS em colaboração com o Estado-Maior General das Forças Armadas Revolucionarias do Povo guineense, treina Polícia Militar guineenses


As sessões de treinamento muito animadas pelos participantes, decorreu numa das salas de aulas, da Escola de Línguas Estrangeiras do Estado-Maior General cita na Fortaleza d´Amura.

De acordo com o Conselheiro Militar da UNIOGBIS, Coronel Costa Neto, este treinamento prosseguirá nos meses de Outubro e Novembro, com actividades na terça e quinta-feira.

Durante esta primeira fase foram abordados vários assuntos relevantes, tais como: as missões da Polícia Militar, as qualidades morais dos soldados que fazem parte desta tropa, os procedimentos e comportamentos a serem adotados pelos seus integrantes, aspectos do Regulamento Disciplinar das FARP.

Foram também abordados temas ligados a justiça como o quadro normativo que rege a atividade judicial das Forças Armadas da Guiné-Bissau, com foco nas orientações constitucionais sobre a complementaridade destas forças em matéria de segurança interna, as áreas de conexão entre a justiça civil e militar, os actos de precaução nas patrulhas realizadas pela Polícia Militar,

Sobre as patrulhas, o Coronel brasileiro, Costa Neto falou de forma detalhada sobre os procedimentos a serem adotados nas abordagens e revistas de pessoas e veículos, as noções de atuação em flagrante delito e fora dele, os principais limites de atuação nessa área, os procedimentos com os detidos e os seus direitos.

Segundo o Conselheiro Militar do UNIOGBIS, nas próximas sessões serão abordados outros assuntos de interesse da Polícia Militar, visando melhorar a forma e a qualidade de atuação desta tropa de elite e contribuindo para fortalecimento das Forças Armadas como instituição castrense.

É de salientar que o Programa de Formação foi preparado pelo Conselheiro Militar do UNIOGBIS em parceria com o Estado-Maior General das Forças Armadas e o Comandante do Batalhão da Polícia Militar.

Guiné-Bissau vence Zâmbia e ganha vantagem na corrida à CAN2019


A seleção de futebol da Guiné-Bissau, “Os Djurtus”, isolou-se na liderança do Grupo K de qualificação para a Taça das Nações Africanas (CAN) de 2019, ao vencer por 2-1 na receção à congénere da Zâmbia.

Em Bissau, no “Estádio nacional 24 de setembro” os visitantes inauguraram o marcador aos 13 minutos, através do avançado Justin Shonga, “Os Djurtus”, virou o resultado a seu favor durante a segunda parte, com golos do defesa Stoppila Sunzu, aos 53, e do avançado Toni Silva, aos 61.


Os comandados de Baciro Candé, conseguiram empatar a partida aos minutos 53 através do seu avançado, Piquete Djassi, que recebeu um passe mágico de Pelé e dirigiu-se para a baliza adversária para fazer o golo de empate. Aos 63 minutos do jogo, o médio esquerdo Toni Sá Brito, marcou o grande golo de “Ouro” de cabeça que deu a vantagem na marcação à selecção nacional e permitiu assim a vitória dos “Djurtos” por duas bolas a uma e consequentemente garantiu a liderança do Grupo K com sete pontos.

A Guiné-Bissau destacou-se no comando do grupo, com sete pontos em quatro jogos, mais três do que Moçambique e Namíbia e Zâmbia, embora as seleções moçambicana e namibiana tenham menos um jogo disputado. Com a Lusa

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

O tesouro da liberdade e o seguimento de Jesus


Não basta cumprir os mandamentos com lisura e honestidade. Não chega a atitude obediente e rigorista. Não adianta alimentar piedosos desejos e nunca os realizar. Não. É preciso deixar o coração livre de todas as amarras, designadamente a posse de bens, as rotinas da vida, o sentir-se acomodado no já conseguido e apreciado. É necessário alcançar o tesouro da liberdade.

Jesus está na rua prestes a sair para a missão. Ia pôr-se a caminho quando é surpreendido por um homem que vem a correr ao seu encontro. Não apenas vem a correr, como chegando junto dele se ajoelha e faz uma pergunta crucial, típica de todo o ser humano, em alguma fase da vida: “Que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?” O coração fala mais alto do que a vergonha pública e o possível comentário displicente, desdenhoso. A pressa da corrida denota a intensidade do desejo. A atitude assumida manifesta o reconhecimento de Jesus como Alguém que pode abrir a porta do espírito humano a novas dimensões para além dos saberes positivos/experimentais. A súplica indica claramente o sentido do encontro provocado pela pressa do ritmo do coração aliado ao impulso da consciência de querer agir recta e livremente.

Jesus acolhe o homem com delicadeza, respeita a atitude, escuta o pedido, antevê o alcance da pergunta, assume a sua ânsia, sintoniza com o seu reconhecimento e inicia o diálogo da liberdade que se constrói na verdade. Havia sido tratado por bom. Pois é a partir da bondade que se faz a conversa. Marcos reveste de um são realismo a narrativa (Mc 10, 17-30). Dá-nos um quadro referencial para revermos as nossas atitudes e, guiados pela mão do Mestre, deixar que aflorem as perguntas decisivas da nossa vida, a articulação do que andamos a fazer com o futuro que nos espera, com a vida eterna que se faz presente na prática dos valores do Reino. A semente do presente dá frutos no tempo e faz germinar a eternidade. “Na morte se recebe, o que na vida se semeia”, repetia o saudoso P. José Gualdino, pároco da Murtosa.

“Ninguém é bom, senão Deus. Tu sabes os mandamentos”, adianta Jesus que os explicita na relação com os outros e no respeito pelos bens. E a lista vai registando a dignidade da vida, a fidelidade no matrimónio, o direito de propriedade, o amor à verdade, a honestidade de atitudes, a honra devido ao pai e à mãe. Certamente que a sombra de contra-luz destes valores surge no não matar, não cometer adultério, não roubar, não levantar falso testemunho, não cometer fraudes, honrar os pais. Quem não reconhece a atualidade deste código de comportamento ético na família, na Igreja e na sociedade?

“Mestre, tudo isso tenho cumprido desde a juventude”. Jesus sintoniza com a sinceridade deste homem, com a leitura que faz da sua vida, com a honradez e a lisura das práticas quotidianas. Que grande testemunho de vida e que transparência de atitudes! Como seria bom podermos assinar esta declaração! Ninguém nos pode dispensar desta visita à nossa memória e rectificar o que está desviado.

Jesus mostra grande sensibilidade à verdade desta confissão. E vibra, lançando um olhar de simpatia. Faz sua a ânsia manifestada e propõe a fasquia que considera adequada. Aquele respeitável mínimo podia ser trampolim para alcançar a liberdade que parecia brilhar na súplica inicial. “Falta-te uma coisa”. Que provocação esta! Não basta cumprir os mandamentos com lisura e honestidade. Não chega a atitude obediente e rigorista. Não adianta alimentar piedosos desejos e nunca os realizar. Não. É preciso deixar o coração livre de todas as amarras, designadamente a posse de bens, as rotinas da vida, o sentir-se acomodado no já conseguido e apreciado. É necessário alcançar o tesouro da liberdade. Corta as amarras, dizia uma voz amiga a um montanhista suspenso no penhasco e seguro apenas pelas cordas. “Senhor, valei-me!” repete em súplica final, pois as forças iam-se esgotando e a tormenta crescendo de intensidade. Corta as amarras! Ressoa de novo a voz amiga. E ele não cortou, preferiu a segurança do limite em que encontrava à confiança de quem o convidava a uma nova e ousada atitude. E diz a notícia que na manhã seguinte o seu cadáver foi encontrado por uma equipa de exploradores da montanha na neve intensa que caíra durante a noite. A rocha firme estava apenas a um metro de distância. Trágico acidente. Grande apelo à confiança ousada e sensata.

BAD ANUNCIOU QUE VAI DISPONIBILIZAR 50 MILHÕES DE EUROS PARA NOVA ESTRADA ENTRE A GUINE-CONACRI E A GUINE-BISSAU


O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) anunciou hoje que vai disponibilizar 50 milhões de euros [32,8 bilhões de francos CFA] à Guiné-Conacri e à Guiné-Bissau para o lançamento da primeira fase da construção da estrada entre Boké e Quebo.

“Os governos da Guiné e Guiné-Bissau vão beneficiar de 50 milhões de euros em doações e financiamento de empréstimos para a primeira fase do projeto de desenvolvimento da estrada Boke-Quebo, corredor rodoviário entre Conacri e Bissau”, lê-se num comunicado disponível no site desta instituição multilateral de desenvolvimento.

O projeto, no total de 117,19 milhões de euros, envolve um financiamento de 30 milhões da União Europeia, sendo que para a primeira fase o total do custo ronda os 80 milhões de euros, acrescenta o documento.

“É nesta perspetiva que o Conselho de Administração do BAD aprovou para a Guiné-Conacri uma subvenção do Fundo de Assistência Técnica (TAF) de 4,07 milhões de euros; uma doação do Fundo Africano de Desenvolvimento (ADF) de 20,49 milhões de euros e um empréstimo do ADF de 6,06 milhões de euros. Na Guiné-Bissau, o Conselho de Administração do BAD aprovou uma doação TAF de 1,78 milhões de euros e uma subvenção de ADF de 16,77 milhões”, escrevem os técnicos do Banco.

Além destes montantes, o BAD destaca também que a Guiné-Bissau receberá, através da Facilidade de Investimento para a África (FIAF), duas doações, uma de 20,38 milhões e outra de 9,62 milhões.

“Esta estrada Boke-Quebo é muito importante para ambos os países, e faz parte do corredor rodoviário transafricano entre Dakar e Lagos”, disse o diretor-geral adjunto para a África Ocidental, Serge Marie N’Guessan, citado no comunicado.

O Banco espera, com estes apoios, aumentar o comércio entre os dois países, de cerca de 60 toneladas de mercadoria para 2 mil toneladas até 2025, reduzir o tempo de viagem e criar empregos diretos os três anos de construção deste projeto.

Em dezembro, uma missão do BAD manteve encontros em Bissau com as autoridades guineenses, incluindo o primeiro-ministro, Umaro Sissoco Embaló, e o chefe de Estado, José Mário Vaz.


Desde o início da cooperação entre a Guiné-Bissau e aquela instituição financeira, em 1976, já foram aprovadas 56 operações num montante de cerca de 200 mil milhões de francos cfa (cerca de 304 milhões de euros). Com Odemocrata