sábado, 21 de janeiro de 2017

CAN 2017: Com Djurtus, nada é impossível para guineenses, vamos jogar, vamos ganhar

O internacional guineense José Luís Mendes Lopes vulgarmente conhecido por Zezinho, utilizou a rede social Facebook onde a sua página oficial dirigiu uma mensagem de encorajamento e de confiança neste momento em que alguns guineenses estão desmoralizados e já não acreditam no apuramento dos Djurtus para os quartos de finais do Campeonato africano das Nações que decorre no Gabão.

Um dos Capitães da turma nacional e igualmente primeiro a envergar a braçadeira de capitão numa fase final do CAN devido a não utilização do primeiro Capitão Bocundji Cá, Zezinho deixou a seguinte mensagem na sua página oficial no Facebook: nada é impossível, vamos jogar, vamos ganhar, viva guiné-bissau, viva djurtus.

Um dos principais destaques da turma nacional nesta inédita participação, Zezinho foi eleito Homem do Jogo na partida inaugural frente a seleção Gabonesa, fez uma grande exibição frente a seleção Camaronesa e agora mostra-se confiante na vitória o último e derradeiro embate dos Djurtus nesta primeira fase, um jogo que poderá ser determinante no apuramento dos Djurtus para a próxima fase.

A seleção nacional joga amanha com a seleção Burkinabe em Franceville quando forem 20 horas locais. A turma nacional deixou a cidade de Libreville ontem e se encontra em Franceville onde já realizou o seu primeiro treino.

Lamtydam - Amílcar Cabral - o intelectual revolucionário!

O homem que ultrapassou a si próprio, surpreendendo tudo e todos, confiante nas ideias políticas, culturais e humanas, inspiradas no seu Povo, da Guiné-Bissau e Cabo-Verde!

O seu brilhantismo intelectual, destacou sua sensibilidade como pensador genial, perspicaz, persistente, de postura e carácter revolucionário, reconhecidos na época...

Um dos maiores políticos do Continente Africano, mas, um Homem simples, de inteligência rara como observador e analista politica, de trato fácil na relação humana, conversador hábil, mestre dos mestres, incansável lutador contra a ignorância, o medo, a repressão, a exploração do homem pelo homem, que cedo compreendeu, que o sucesso da luta de libertação, está na unidade dos dois Povos!

Abraçou a causa e partilhou tudo com os Camaradas do Partido PAIGC, que deram tudo, mas tudo mesmo, a própria vida, como verdadeiros revolucionários, sem poupar esforços, pagaram com o próprio sangue, esta Liberdade, a Independência e as nossas Nacionalidades: Guineense e Cabo-verdiano, hoje, somos dois Povos livres e independentes!

Amílcar Cabral acreditou convictamente na imortalidade desta iniciativa teórica e prática, a luta de libertação contra o colonialismo Português e, na verdade, o Povo não arredou pé, até ao içar da Bandeira Nacional da Guiné-Bissau e Cabo-Verde!

Ele está no coração dos Povos Guineense e Cabo-verdiano



Lamtydam suma Amílcar Cabral - paz a sua alma, eterno descanso e glória... Djarama. Filomeno Pina.

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Donald Trump: "Faremos a América grande novamente"

Discurso na íntegra do Presidente americano, Donald Trump na sua posse nesta sexta-feira, 20, de Janeiro:

Nós, os cidadãos da América, estamos agora unidos num grande esforço nacional para reconstruir o nosso país e restaurar a promessa para todo o nosso povo. Juntos, determinaremos o curso da América e do mundo por muitos, muitos anos.

Enfrentaremos desafios. Enfrentaremos dificuldades. Mas vamos fazer o trabalho. A cada quatro anos, nos reunimos nestas escadas para levarmos a cabo a transferência ordeira e pacífica do poder.

E estamos gratos ao Presidente Obama e à primeira-dama Michelle Obama por sua ajuda graciosa durante toda a transição. Eles foram magníficos. Obrigado.

A cerimónia de hoje, no entanto, tem um significado muito especial. Porque hoje, não estamos apenas a transferir o poder de uma administração a outra ou de uma parte a outra.

Estamos a transferir o poder de Washington, D.C., para vocês, o povo.

Durante muito tempo, um pequeno grupo na capital da nossa nação tem colhido as recompensas do Governo enquanto o povo pagou os custos. Washington floresceu, mas o povo não compartilhou a sua riqueza. Os políticos prosperaram, mas os empregos desapareceram. E as fábricas fecharam.

O poder político protegeu-se, mas não os cidadãos do nosso país. As vitórias deles não foram as vossas vitórias. Os seus triunfos não foram os vossos triunfos. E enquanto comemoravam na capital da nossa nação, as famílias em dificuldades tinham pouco para comemorar. As mudanças começam aqui e agora. Porque este momento é o vosso momento. Pertence-vos.

Pertence a todos aqui reunidos aqui e aos que assistem por toda a América. Este é o vosso dia. Esta é a vossa celebração. Os Estados Unidos da América são o vosso país.

Servir os cidadãos

O que realmente importa não é qual partido que controla o Governo, mas sim se o Governo é controlado pelo povo. 20 de janeiro de 2017 será recordado como o dia em que as pessoas voltaram a ser os governantes desta nação.

Os homens e mulheres esquecidos do nosso país não serão mais esquecidos.

O mundo está a escutar-vos. Vieram às dezenas de milhares para se tornarem parte de um movimento histórico, como o mundo nunca vira antes.

No centro deste movimento está uma convicção crucial: de que existe uma nação para servir os cidadãos. Os americanos querem boas escolas para os seus filhos, bairros seguros para as suas famílias e bons empregos.

Estas são exigências justas e razoáveis de pessoas justas e um povo honrado. Mas para muitos dos nossos cidadãos, existe uma realidade diferente. Mães e crianças presas na pobreza das nossas cidades, fábricas enferrujadas espalhadas como lápides pela paisagem da nossa nação, um sistema educativo cheio de dinheiro, mas que deixa os nossos jovens alunos privados de todo o conhecimento. E o crime, os gangues e as drogas que roubaram muitas vidas e tanto potencial não realizado. Esta carnificina americana pára aqui e pára agora.

Somos uma nação e a vossa dor é a nossa dor. Os vossos sonhos são os nossos sonhos e o vosso sucesso será o nosso sucesso. Nós compartilhamos um coração, um lar e um destino glorioso.

América primeiro

O juramento de posse que hoje faço é um juramento de fidelidade a todos os americanos. Durante muitas décadas, enriquecemos a indústria estrangeira à custa da indústria americana, subsidiámos os exércitos de outros países, permitindo o lamentável enfraquecimento das nossas Forças Armadas.

Defendemos as fronteiras das outras nações ao mesmo tempo em que recusamos defender as nossas.

Gastámos trilhões e trilhões de dólares no exterior, enquanto as infraestruturas da América se arruinaram e decaíram.

Tornámos outros países ricos enquanto a riqueza, a força e a confiança do nosso país se dissipavam no horizonte. Uma a uma, as fábricas fecharam e deixaram as nossas costas sem sequer pensarem nos milhões e milhões de trabalhadores americanos que deixavam atrás.

A riqueza da nossa classe média foi arrancada da suas casas e depois redistribuída em todo o mundo.

Mas isso é passado e agora olhamos apenas para o futuro.

Nós hoje aqui reunidos emitimos um novo decreto para ser ouvido em cada cidade, em cada capital estrangeira e em cada corredor de poder. A partir deste dia, uma nova visão governará o nosso país. A partir deste dia será sempre a América em primeiro lugar, a América em primeiro lugar.

Todas as decisões sobre o comércio, sobre impostos, sobre imigração, sobre assuntos externos serão tomadas para benefício dos trabalhadores americanos e das famílias americanas. Devemos proteger as nossas fronteiras das devastações de outros países que fabricam os nossos produtos, roubam as nossas empresas e destroem os nossos empregos.

Regresso da prosperidade

Proteção levará a grande prosperidade e força. Lutarei por vos com toda a minha energia. Nunca, nunca vos abandonarei.

América começará a ganhar novamente, vencendo como nunca antes.

Iremos trazer de volta os nossos postos de trabalho. Vamos trazer de volta as nossas fronteiras. Vamos trazer de volta a nossa riqueza e traremos de volta os nossos sonhos. Vamos construir novas estradas, pontes, aeroportos, túneis e ferrovias em toda a nossa maravilhosa nação. Vamos tirar o nosso povo da assistência social e colocá-lo a trabalhar na reconstrução do nosso país com mãos americanas e trabalho americano. Vamos seguir duas regras simples: comprar americano e contratar americano.

Procuraremos a amizade e a boa vontade com as nações do mundo no entendimento de que assiste a todas as nações o direito de colocar os seus próprios interesses em primeiro lugar. Não procuramos impor o nosso modo de vida a ninguém, mas sim deixá-lo brilhar para que seja um exemplo. Brilharemos para que todos nos sigam.

Vamos reforçar alianças antigas e construir novas. E unir o mundo civilizado contra o terrorismo radical islâmico, que vamos eliminar por completo da face da terra.

O alicerce da nossa política será a lealdade total aos Estados Unidos da América e através da nossa lealdade ao nosso país, vamos redescobrir a nossa lealdade uns para com aos outros. Quando se abre o coração ao patriotismo, não há espaço para o preconceito.

A Bíblia diz-nos quão bom e agradável é que o povo de Deus viva em união. Devemos manter as nossas mentes abertas e discutir honestamente quando discordamos, mas sempre na procura da solidariedade. Quando a América está unida, a América é imparável.

Não deve haver medo. Estamos protegidos e estaremos sempre protegidos. Estaremos protegidos pelos grandes homens e mulheres das nossas Forças Armadas e pelas forças da ordem. E o mais importante, estaremos protegidos por Deus.

Acção

Finalmente, devemos pensar grande e sonhar ainda maior. Na América, entendemos que uma nação só está viva enquanto estiver motivada. Não vamos aceitar políticos que são só conversa e nenhuma acção, sempre a reclamar, mas fazendo pouco sobre o que reclamam.

Chegou ao fim o tempo para conversas vazias. Chegou a hora de acção.

Não permitam que ninguém vos diga que algo não pode ser feito. Nenhum desafio pode parar a vontade, a luta e a espírito da América. Não vamos falhar. O nosso país vai florescer e prosperar novamente. Estamos no início de um novo milénio, prontos para desvendar os mistérios do espaço, para libertar a terra das misérias da doença e aproveitar as energias, indústrias e tecnologias do amanhã. Um novo orgulho nacional vai agitar-nos, dar-nos nova perspectiva e curar as nossas divisões. É hora de lembrar a velha sabedoria que os nossos soldados nunca esqueceram: sejamos negros, castanhos ou brancos, todos nós temos o mesmo sangue vermelho dos patriotas.

Todos nós desfrutamos das mesmas liberdades gloriosas e todos saudamos a mesma grande bandeira americana.

Se uma criança nasce na urbe de Detroit ou nas planícies de Nebraska, ela olha para o mesmo céu noturno, enche o seu coração com os mesmos sonhos que são impregnados com o sopro de vida pelo mesmo Criador Todo-poderoso.

Assim, para todos os americanos em todas as cidades próximas e distantes, pequenas e grandes, de montanha a montanha, de oceano a oceano, escutem estas palavras: não voltarão a ser ignorados.

As vossas vozes, as vossas esperanças eos vossos sonhos definirão o nosso destino americano. E a vossa coragem, bondade e amor sempre nos guiarão.

Juntos, faremos a América forte novamente.

Vamos fazer a América próspera novamente.

Faremos a América orgulhosa de novo.

Faremos a América segura de novo.

E juntos, faremos a América novamente grande.

Obrigado, Deus vos abençoe e Deus abençoe a América.


Obrigado. Deus abençoe a América.


Entre os gentios, Jesus inicia a sua missão

Não basta que a luz brilhe. É preciso abrir os olhos e remover os obstáculos

A opção de Jesus por fazer de Cafarnaúm local de residência e centro de irradiação missionária na Galileia parece estranha e indicia a novidade que vem anunciar: “Arrependei-vos, porque está próximo o reino de Deus”. Pressionado pela urgência interior de ir ao encontro das pessoas e partilhar a grande notícia “Deus vem e já está connosco”, desloca-se para a terra dos gentios, junto ao lago de Tiberíades, tomando como indicador claro de ter chegado a hora para a sua decisão a prisão de João Baptista. Estranha opção para quem faz uma leitura superficial dos factos e não tem em conta o seu contexto histórico e cultural. Estranha opção para quem esquece a dimensão simbólica que frequentemente os acompanha e abre a um nova dimensão.

Mateus, o narrador evangelista, recorre ao profeta Isaías para apresentar alguns traços de Cafarnaúm e destacar que a nova situação de Jesus corresponde ao que estava anunciado. Traços centrados no povo que vivia nas trevas e viu uma grande luz, que jazia na região sombria da desesperança e levanta o ânimo, voltando a esperar. “A verdadeira realidade de Cafarnaúm - afirma Florentino Hernandez, autor do «Guia de Terra Santa: História-Arqueologia-Bíblia» é a de ter sido escolhida por Jesus de Nazaré como sua segunda pátria e de haver sido o centro do seu ministério apostólico na Galileia”. Gente pobre, não miserável, vivia do campo que cultivava entre pedras e na zona marítima, da pesca e do comércio de alguns produtos. Terra onde se cruzavam rotas de negociantes e peregrinos.

A Galileia dos gentios era uma região pobre, abandonada e com má fama. Chamar «galileu» a alguém constituía um insulto, Os seguidores de Jesus antes de serem designados por «cristãos» eram depreciativamente conhecidos por «galileus» (Actos dos Apóstolos 2, 7). Esta desconsideração provinha certamente da religião e da política. Religiosamente não observavam as obrigações do Templo, sendo ignorantes e pecadores. Politicamente, não aceitavam o jugo de Roma e revoltavam-se. A retaliação era de morte. Pilatos mandou executar um grupo quando oferecia sacrifícios religiosos ( Lc 13, 1).

Jesus inicia a sua missão entre os gentios, desconsiderados e indignados. Nas “periferias” existenciais como gosta de dizer e de fazer o Papa Francisco O jesuíta italiano Antonio Spadaro, diretor da revista ‘La Civiltà Cattolica’ e consultor do Conselho Pontifício para a Cultura (Santa Sé) a propósito da próxima visita de Francisco a Fátima afirma que “o Papa viaja às periferias, também da Europa. Se repararmos, as viagens europeias partiram de Lampedusa e seguiram pela Grécia, Turquia, Bósnia, Polónia, Suécia e depois a Portugal: está a circum-navegar a Europa”. E explicita o sentido desta opção: “As viagens do Papa servem para tocar lugares em que há efervescência, onde existem estímulos, que possam ajudar a compreender melhor o centro e também os lugares onde se vivem feridas abertas, que se tocam para serem curadas”,

Esta opção pode provocar estranheza, mas está em consonância com a de Jesus para anunciar e viver o Evangelho de Deus: A quem sofre e anda insatisfeito, a quem é vítima das trevas da ignorância religiosa e da opressão cultural e económica, a quem está despojado da dignidade humana e sujeito à violência “mental” que manipula as notícias e silencia a verdade, a quem pode despertar as energias adormecidas e reagir acolhendo a novidade de que “outro mundo é possível”, de que Deus está connosco e é nosso aliado incondicional. O garante desta convicção é o próprio Jesus, a luz verdadeira que vindo ao mundo ilumina todo o homem (Jo 1, 9) e dá sentido a toda a criação.

Não basta que a luz brilhe. É preciso abrir os olhos e remover os obstáculos. A luz vista de frente impede-nos de ver. Ela, como o sol que se projecta sobre a terra, ilumina o que está ao nosso alcance e deixa-nos o seu reflexo. Assim quer Jesus apresentar e realizar a novidade de que é portador: O Reino de Deus. Assim quer Jesus garantir que seja a missão da Igreja e, por isso, chama discípulos que constitui apóstolos. Assim quer Jesus abrir em nós espaços de liberdade criativa e de doação solidária e confiante.

Governo da Guiné-Bissau e a ONU preparam assistência aos refugiados da Gâmbia

No seguimento de um pedido do Governo da Guiné-Bissau ao sistema das Nações Unidas no país e aos principais parceiros internacionais, foi criada uma comissão multidisciplinar para preparar um plano de assistência aos milhares de refugiados gambianos que já entraram no país.

Segundo concluiu uma missão conjunta que se deslocou ao norte do país no dia 18 de Janeiro, já entraram na Guiné-Bissau, 4327 nacionais da Gâmbia. Desde o dia 15, o número de entradas registadas ronda as mil por dia.

A maioria são mulheres, adolescentes e crianças, vem sobretudo da região de Brikama, a sul de Banjul. Estão a ser acolhidas por familiares ou amigos sobretudo na região de Bissau, Bafatá, Cacheu e Oio. Os principais pontos de entrada oficial na Guiné-Bissau são Djegue, Farim, Cambadjo, Senabaca e Pirada. No entanto há também pessoas a cruzar a fronteira entre o Senegal e a Guiné-Bissau em Ingoré, Bigene e Varela.

A missão, liderada pelo Coordenador humanitário da ONU na Guine Bissau, Ayigan Kossi, facilitada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e pelo Comité Nacional para os refugiados, verificou que as pessoas se encontram em grande risco de segurança alimentar, uma vez que as famílias de acolhimento não poderão sustentá-las por muito tempo. O afluxo de pessoas pode trazer também uma sobrecarga aos serviços de saúde que desde já são insuficientes para a população normal.

Face a esta situação, o Governo da Guiné-Bissau, através do Ministério do Interior, que está a registar as pessoas, e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, prepararam um plano de contingência e solicitou ajuda aos parceiros.

No dia 19 de Janeiro foi criada uma comissão técnica multidisciplinar, composta, entre outros pelo ACNUR, Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Internacional para as Migrações (OIM), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), Programa Alimentar Mundial (PAM), os dois ministérios acima citados, o Instituto Nacional de saúde (INASA).

A comissão irá desde já organizar a ajuda alimentar de emergência e preparar um plano de emergência, coordenando a ajuda de todos os parceiros, para assistir até 10 mil pessoas, durante 4 a seis semanas, assim como fazer a triagem e avaliação de necessidades e continuar a monitorizar a situação.

“Se a situação política se complicar é possível que o afluxo de pessoas aumente, mas esta previsão já nos permite ajudar estas pessoas durante 4 semanas, depois o plano pode ser revisto, no entanto não é necessário esperar pelo plano para fornecer desde já ajuda alimentar a estas pessoas”, explicou Ayigan Kossi.


“Precisamos da ajuda dos parceiros internacionais para aumentar a capacidade de resiliência das famílias que estão a receber os refugiados”, disse Tibna Sambé Na Wana do Ministério do Interior.

Quem era a serpente do paraíso? (1)

Crónica de Anselmo Borges, no Diário de Notícias

1. É claro que a fé não deriva da razão, à maneira da matemática ou da ciência, não sendo, portanto, demonstrável cientificamente. Mas também se deve tornar claro que a fé não pode agredir a razão, com a qual tem de dialogar, dando razões de si mesma. Há que distinguir entre saber e crer. Como dizia o médico e filósofo Pedro Laín Entralgo, o penúltimo é da ordem do saber, mas o último é da ordem da crença. Por isso, o crente não pode dizer que sabe que Deus existe e que há vida depois da morte, como o ateu não pode dizer que sabe que Deus não existe e que com a morte a pessoa acaba: o crente e o não crente não sabem, crêem, com razões. Neste contexto, Kant é inultrapassável, também quando escreveu que, apesar da sua majestade, a religião não está imune à crítica. Aliás, o Evangelho segundo São João inaugura-se dizendo: "No princípio, era o Logos", portanto, o Verbo, a Palavra, a Razão. E "foi pelo Logos que tudo foi criado", provindo daí, como sublinharam vários cientistas, que a criação, a natureza, é investigável, pois é racional. Uma religião que tem medo da razão, da investigação crítica, do confronto e diálogo com as ciências, não é humana nem presta verdadeiro culto a Deus, correndo o risco de um dogmatismo estéril e, no limite, ridículo. Como o não crente também não pode ser dogmático nem fundamentalista.

2. Uma das aberturas do Concílio Vaticano II consistiu num diálogo aberto com as diferentes ciências, sem medo da investigação, e na salvaguarda dos direitos humanos, como o da liberdade de expressão. Depois, nos pontificados de João Paulo II e Bento XVI, foi reduzida a liberdade de investigação teológica, contando-se por centenas os teólogos condenados, admoestados, proibidos de escrever e ensinar. A Teologia tornou-se, assim, afónica, remetida para um silêncio forçado, ou tolhida dentro de uma linguagem escolástica e repetitiva, passando ao lado dos grandes problemas do mundo, de tal modo que o famoso bispo Pedro Casaldáliga pôde denunciar em 1995: "Com muita frequência nós, os bispos, julgamos que temos a razão, normalmente pensamos que a temos sempre. Ora, o que acontece é que nem sempre temos a verdade, sobretudo a verdade teológica, de modo que vos peço, a vós, teólogos, que não nos deixeis numa espécie de ignorância dogmática."

Uma das novidades fundamentais do pontificado de Francisco é que a liberdade dos teólogos regressou como algo natural, sem censuras nem condenações. Isabel Gómez Acebo chamou a atenção para o facto: "Uma das mudanças que o Papa Francisco introduziu, e sem que ninguém se tenha dado conta, é que a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé não publicou nenhum documento para toda a Igreja nestes últimos anos, quando em épocas anteriores o fazia entre duas e quatro vezes por ano" - com uma excepção, anoto eu: aquele sobre a cremação e o sepultamento dos mortos. E é um facto que, embora o tenha mantido no cargo, não tem utilizado os serviços do seu Prefeito, cardeal Gerhard L. Müller, concretamente não o chamou para apresentar documentos oficiais, nomeadamente "A Alegria do Amor", referente às questões da sexualidade, do amor e da família.

Mais: de modo indirecto, Francisco tem tentado a recuperação e a reconciliação com teólogos condenados. É assim que se poderia explicar, só para dar exemplos, a aproximação a Leonardo Boff, que ainda recentemente confessou publicamente que, em caso de necessidade de alguma comunidade, continua a presidir à Eucaristia, a Hans Küng, a quem já escreveu duas vezes, a José M. Castillo... Mais significativo é que levantou, numa carta pessoal autografada, a sanção que o Vaticano, por intermédio do cardeal T. Bertone, tinha imposto ao biblista argentino Ariel Álvarez Valdés, proibindo-o de "ensinar, escrever, publicar, dar aulas e cursos, e falar através da rádio e da televisão".

3. O biblista célebre acaba de publicar uma obra com o título em epígrafe: Quién era la serpiente del Paraíso... y otras 19 preguntas sobre la Biblia. Dada a sua importância, servir-me-á de inspirador para as duas próximas crónicas. Importância, porquê? Vivemos em tempos de urgência do diálogo inter-religioso. Ora, uma das sua condições essenciais é a leitura histórico-crítica dos textos sagrados: não uma leitura literal, mas uma leitura que conhece as regras exegéticas e hermenêuticas: atenção ao contexto histórico, à língua, ao género literário, aos destinatários, à sua intencionalidade última... E Ariel Álvarez é um bom exemplo para os fundamentalistas cristãos e, consequentemente, para seguidores de outras religiões, nomeadamente no mundo islâmico. Seja como for, apesar de tudo, dentro do cristianismo, deram-se passos de gigante neste domínio.

4. Afinal, "quem era a serpente do Paraíso?" Houve as interpretações mais díspares: que era uma víbora autêntica, mas possuída pelo Diabo; uma imagem, símbolo de Satanás; "um símbolo geral dos maus desejos e dos prazeres sensuais". De facto, nada disto está no texto, concretamente não há conotações sexuais no pecado de Adão e Eva. Como não há maçã nenhuma: a confusão veio do facto de em latim maçã se dizer malum e mau se dizer malus e malum.

A serpente é apenas o símbolo da religião cananeia, que via nela três qualidades: conceder a imortalidade, garantir a fecundidade, ser o protótipo da sabedoria. Um escritor anónimo escreveu, e isso aparece no livro do Génesis, sobre os perigos da religião cananeia: em vez do paraíso para todos, estava--se a viver no meio de injustiças, fome, dores, morte, e a causa da situação estava na religião cananeia, que levava o povo a refugiar-se numa religião de ritos exteriores e fetichistas, incluindo a prostituição sagrada, em vez de seguir a Lei do Deus vivo e "procurar a felicidade numa vida moral justa e honesta, ao serviço dos irmãos".

Motivos e implicações de provável intervenção militar e destituição externa do controverso e antiocidental líder gambiano

Por, Dr. Timóteo Saba M’bunde

“Anuncio a vocês gambianos, a minha rejeição total aos resultados eleitorais e, portanto, anulando as eleições na sua totalidade. Vamos voltar às urnas porque eu quero ter certeza de que cada gambiano votou sob uma comissão eleitoral independente, neutra e livre de influência estrangeira”. Foram com estas declarações que Yahya Jammeh, Presidente de Gâmbia há 22 anos, contestou e rejeitou os resultados eleitorais que elegeram o seu oponente político, Adama Barrow, com uma diferença de 9% dos votos. As alegações de supostas fraudes eleitorais foram tornadas públicas depois que o mesmo havia declarado que aceitaria os resultados antes divulgados.

Em um momento em que se discute sobre as supostas fraudes desferidas pela Rússia, que influenciaram (ainda que indiretamente) na eleição do republicado Donald Trump, Jammeh defende que teria havido uma ingerência externa que decidiu as eleições gambianas. Se as alegações de fraude proferidas por Yahya são contestáveis e, em alguma medida, ridicularizadas, sob o argumento de que o medo da justiça em relação à improbidade administrativa e principalmente aos desmandos consubstanciados em perseguições políticas, prisões, torturas e assassinatos dos quais ele é acusado, inclusive por agora eleito Adama Barrow, é incontestável o projeto político radical e antiocidental que o líder gambiano tem edificado.

O mais recente comportamento político de Jammeh contra as instituições ocidentais, que inclusive provocou muitas críticas e consideráveis desconfortos, foi a declaração da saída de Gâmbia do TPI (Tribunal Penal Internacional), sob a justificativa de que este foi criado apenas para julgar e condenar líderes africanos e não europeus e ocidentais. Antes, porém, Jammeh, por muitos, e principalmente por seus opositores, considerado um ditador, retirou o seu país, em 2013, da Commonwealth, dizendo abertamente de que a Gâmbia não faria mais parte de uma organização neocolonial, patrocinada pelo Reino Unido, o seu colonizador. Em 2015, Jammeh declarou o seu país como uma nova república islâmica. Lembrando que desde que chegou ao poder através de um golpe de Estado, em 1994, na altura ainda um jovem oficial militar de 29 anos, restringiu-se o nível da sua relação com os EUA.

Não obstante ser Presidente de um pobre e pequeno país de aproximadamente 2 milhões de habitantes, no mundo ocidental Yahya Jammeh é visto como um inimigo da modernidade e sistemático transgressor dos direitos humanos universais, portanto, uma ameaça ao processo de expansão dos valores democráticos e ocidentais. Embora tenha perdido gradualmente a popularidade construída ao longo das duas décadas enquanto Presidente, devido sobretudo ao nível de pobreza no seu país, este líder consegue ainda nutrir e inflamar o seu carisma através de um discurso populista e radical, lançando mão do conservadorismo islâmico e antiocidental.

No plano regional, particularmente sub-regional da África Oeste, contexto em que Yahya Jammeh está cada vez mais politicamente isolado, em função de ascensão de líderes mais simpáticos com o ocidentalismo e a modernidade, além de sua tensionada relação com o vizinho Senegal, o Presidente praticamente não consegue alianças políticas sólidas no entorno político Oeste africano. Aliás, o candidato eleito, empresário Adama Barrow, vem reafirmando de que retomará plenamente as relações com o Ocidente, principalmente com o Reino Unido, onde ele fez carreira acadêmica e desperta simpatias. É importante não olvidar que uma boa parte do exército da Gâmbia é composta por djolas pertencentes ao Movimento das Forças Democráticas de Casamança (MFDC), rebeldes separatistas que combatem contra o exército senegalês no Sul do Senegal.

O Senegal, que vai inclusive liderar o provável desembarque das forças militares da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) no território gambiano, vê com a saída de Jammeh uma oportunidade para aumentar a sua influência naquele país e enfraquecer ainda mais os rebeldes do MFDC.

Por seu turno, a Nigéria, líder regional e da CEDEAO, vê nessa eventual empreitada militar um meio de alargar seu prestígio internacional, poder e influência regional. Mas também, uma forma de reafirmar a capacidade política e militar da CEDEAO em solucionar problemas que afetam membros da organização, sem a necessidade de ingerência objetiva de outros organismos intergovernamentais que não fazem parte da região.

Diante desse cenário não menos matizado de ambiguidades e complexidades políticas, pode-se perguntar se a eventual intervenção militar da CEDEAO em Gâmbia, significaria um novo protagonismo desta organização intergovernamental na resolução dos problemas regionais relacionados à violação dos preceitos democráticos e dos direitos humanos, sem a ingerência direta das potências do Norte. Penso que não. Em casos de manifestação de interesses objetivos dos principais players internacionais e dificuldade em construção de alianças e consensos regionais pro-intervencionistas, estes últimos tendem a assumir o protagonismo, a exemplo do que se viu em Costa do Marfim e Mali nos últimos anos.

Portanto, penso que a possível intervenção do braço armado da CEDEAO em Gâmbia para depor Yahya Jammeh, mesmo obtendo o êxito, não deve ser interpretada como a afirmação de novos atores e novo paradigma procedimental, protagonizado por lideranças políticas regionais da CEDEAO, na abordagem de crises políticas da região.

No que se refere estritamente a esta iniciativa intervencionista da CEDEAO, vale a pena sublinhar que a mesma é muito mais facilitada pelo isolamento político do Presidente Jammeh, que não conta com aliados declarados, do que da própria capacidade de coordenação política da CEDEAO. Caso contrário, dificilmente estaria a se falar neste momento em invasão militar em Gâmbia.


Fala-se na possibilidade de concessão de asilo a Jammeh em Marrocos ou Nigéria em troca do reconhecimento do revés eleitoral. Abdicará o Yahya Jammeh?

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.