sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Escuta Jesus, o Filho de Deus

Reflexão de Georgino Rocha

Escutar Jesus, eis a ordem do Pai que tinha falado muitas vezes ao longo da história. Mc 9, 2-10. Agora é o seu Filho muito amado que tem a Palavra, ou melhor, é a Palavra de Deus num mundo cheio de vozes e mensagens. Segundo a Bíblia, escutar não é apenas prestar atenção ou exercer uma actividade auditiva que facilita a compreensão intelectual do que é dito. É mais, pois exige a aceitação da mensagem, a atitude de quem deseja ser coerente e viver em sintonia, a decisão de lhe ser fiel. Que bem nos faria saber ouvir. Não percamos a força do seu apelo.

“Escutar o Filho” significa assumir os seus sentimentos filiais para com Deus Pai e fraternos para com os irmãos na fé e na humanidade. Significa abrir o coração às dimensões do seu amor e optar por aqueles a quem ele dá preferência. Significa ter, como meta da vida, o serviço ao reino que ele nos confia. Significa obedecer-lhe, pois este acto humilde constitui a verdadeira grandeza humana. Que bom seria crescermos nestas dimensões todas. Não esqueçamos nenhuma.

Escutar a Deus é ouvir o grito dos empobrecidos e desviar-se das sentenças “loucas” dos que persistem em manter uma cultura de morte, uma ordem social e económica injusta e ofensiva, uma religião de conforto individualista e “descafeinada”. O clamor de uns contrasta com o silêncio abusivo de outros. Que humanidade a nossa!

Tal como outrora, o coração humano tem de ser inteligente e sábio, de vencer o embotamento a que está sujeito por tantas vozes tonitruantes de quem faz a opinião publicada e organiza a sedutora publicidade, de se pôr a caminho e ver, com um olhar novo, a realidade da planície, da vida de tantos milhões que, à maneira de Lázaro, jazem às portas dos enriquecidos, esperando algumas migalhas das suas requintadas mesas. O coração está chamado a transfigurar-se, contemplando a beleza de Jesus Cristo, o filho de Deus, vivenciando o apreço pela fraternidade que une e envolve todos os humanos, cultivando o respeito devido às criaturas e à criação. Transfigurar-se para deixar ver o seu melhor, superando aparências desfiguradoras.

Jesus usa uma pedagogia que a Igreja aconselha, sobretudo no tempo quaresmal: distanciar-se para estar mais próximo, fazer silêncio para melhor poder escutar, subir e contemplar a verdadeira grandeza humana para descer rapidamente e “arregaçar as mangas” em benefício dos que vêem espezinhada a sua dignidade, privar-se voluntariamente do que dá conforto para estar mais disponível e ter bens para partilhar, saborear desde já a alegria que a cruz do sofrimento por amor comporta em si mesma e torna contagiante.


A transfiguração faz-nos ver Deus nas novas formas de presença: a vida, seu dom por excelência; o mundo, seu jardim confiado ao homem; a bíblia, sua palavra escrita; os sacramentos, sobretudo a eucaristia, prendas do seu amor transformante; a Igreja, assembleia dos seus filhos que, em Jesus, querem aprender a ser coerentes com o que ouvem e vêem. Deixemo-nos transfigurar.

Sobre sexo e género

Crónica de Anselmo Borges
no Diário de Notícias

No contexto dos debates sobre a família no Sínodo e de alguns pronunciamentos oficiais de responsáveis da Igreja, pouco adequados, sobre o feminismo e teorias de género, deixo algumas reflexões sobre o tema, retomando ideias expandidas no prefácio que escrevi para Vagina, de Naomi Wolf, uma feminista considerada da terceira vaga

1. Os seres humanos são o que são enquanto produto inextirpável de uma herança genética e de uma cultura em história. Será muito difícil destrinçar exactamente o que pertence à natureza e o que pertence à cultura. A questão agrava-se no que se refere à tentativa de definir o masculino e o feminino.

Afinal, o que pertence à biologia e o que pertence à cultura? O que é "natural" e "não natural"? Biologicamente, os seres humanos estão divididos em machos e fêmeas, tendo aqueles um cromossoma X e um cromossoma Y e estas dois X. Mas os homens e as mulheres acabam por ser definidos mais por categorias sociais do que propriamente biológicas, sendo elas que determinam os papéis, os direitos e os deveres masculinos e os femininos, de tal modo que o significado de "masculinidade" e "feminilidade" é diferente segundo as sociedades. Em termos académicos, funda-se aqui a distinção entre "sexo" enquanto determinação biológica e "género" enquanto categoria histórico-cultural. As qualidades baseadas no sexo biológico são objectivas e constantes; as de género admitem variações e diferenças profundas ao longo da história e de cultura para cultura.

Um exemplo inofensivo, apresentado pelo historiador Yuval Harari, que estou a seguir, na sua obra De Animais a Deuses, ao escrever sobre o tema e as injustiças da História, que estabelece arbitrariamente hierarquias imaginadas, nomeadamente "uma de suprema importância: a hierarquia de género". Repare-se no famoso retrato oficial do rei Luís XIV e na longa peruca, nas meias, nos sapatos de salto alto, na postura de dançarino. No seu tempo, o rei-sol era considerado o modelo da masculinidade e virilidade, mas hoje, na Europa, por exemplo, todos esses elementos (com excepção da espada) seriam considerados características de feminilidade.

Ser do sexo masculino ou feminino é simples: XY ou XX. Mas tornar-se homem ou mulher é mais complicado. De qualquer modo, a pergunta é: porque é que as sociedades têm sido em geral patriarcais, valorizando mais os homens do que as mulheres? Que têm os homens de especial?

Não vamos aqui aprofundar a com- plexidade desta questão. Mas há um facto inegável: durante o século passado, os papéis dos géneros passaram por uma tremenda revolução. Um exemplo, dado por Harari: quando em 1913 o público norte-americano ridicularizou as mulheres que exigiam o direito do voto, "quem teria sonhado que, em 2013, cinco juízes do Supremo Tribunal dos EUA, três deles mulheres, decidiriam a favor da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo (indeferindo as objecções de quatro juízes do sexo masculino)?".

2. As religiões, particularmente as monoteístas, têm responsabilidades especiais no patriarcalismo, não só dentro delas próprias mas também por causa do reforço patriarcal que exercem noutros domínios. Pense-se nomeadamente no Islão e na Igreja Católica. Não vou reflectir sobre as desgraças das mulheres devidas ao Islão ou ao que dele fizeram. Fixo-me por agora na Igreja Católica. Esta é hoje a única instituição verdadeiramente global, mas ferida pela submissão das mulheres e pelo não reconhecimento da igualdade de direitos com os homens. Jesus tratou bem as mulheres e elas podem e devem estar-lhe gratas, pois foi alguém que contribuiu de-cisivamente para a sua história de emancipação libertadora. Quanto à Igreja, porém, compreende-se a sua crítica e mal-estar. As lutas gnósticas e a sua influência negativa, a doutrina do pecado original e as suas consequências, nomeadamente na compreensão da Eucaristia interpretada como sacrifício, exigindo a pureza ritual, a Igreja constantiniana enquanto instituição de poder levaram a uma discriminação das mulheres que não é de modo nenhum consentânea com o Evangelho de Jesus.

Algumas tradições judaicas falam do mito de Lilith. Conta-se que Deus, antes de Eva, primeiro criou Lilith. Feita do mesmo barro, recusou-se a submeter-se a Adão e acabou por fugir do Paraíso. Apesar da intervenção de Deus para que voltasse, Lilith recusou renunciar à sua liberdade e viver subordinada ao homem. Essa inaudita ousadia tornou-a responsável pelos males do mundo. Mas, afinal, não acabaram Eva e as suas filhas por arrostar igualmente com a responsabilidade pelos males e com o castigo?

Fica claro que, em ordem à sua identidade de pessoa enquanto mulher, é preciso contar com o sexo biológico, mas são igualmente decisivas a cultura, a história, a educação, as normas sociais, a religião.


Aí está um conjunto de questões que exige uma nova reflexão por parte da Igreja e da sociedade em geral.

Comunicado do conselho de ministros da Guiné-Bissau do dia 26 de Fevereiro de 2015


O Primeiro-Ministro e Chefe do Governo, Eng.º. Domingos Simões Pereira, Presidiu ontem dia 26, no Salão Nobre “Francisco João Mendes- Tchico Té”, do Palácio do Governo, em Bissau, da qual se comunicou os seguintes:







Conferência de Berlim: Partilha de África decidiu-se há 130 anos

Há 130 anos, em 1885, terminava na Alemanha um encontro de líderes europeus que ficou conhecido como Conferência de Berlim. O objetivo era dividir África e definir arbitrariamente fronteiras, que existem até hoje.

Tinha cinco metros o mapa que dominou o encontro em Berlim, que teve lugar na Chancelaria do Reich. Mostrava o continente africano, com rios, lagos, nomes de alguns locais e muitas manchas brancas.

Quando a Conferência de Berlim chegou ao fim, a 26 de fevereiro de 1885, depois de mais de três meses de discussões, ainda havia grandes extensões de África onde nenhum europeu tinha posto os pés.

Representantes de 13 países da Europa, dos Estados Unidos da América e do Império Otomano deslocaram-se a Berlim a convite do chanceler alemão Otto von Bismarck para dividirem África entre si, "em conformidade com o direito internacional". Os africanos não foram convidados para a reunião.

À excepção da Etiópia e da Libéria, todos os Estados que hoje compõem África foram divididos entre as potências coloniais poucos anos após o encontro. Muitos historiadores, como Olyaemi Akinwumi, da Universidade Estatal de Nasarawa, na Nigéria, consideram que a Conferência de Berlim foi o fundamento de futuros conflitos internos em África.

"A divisão de África foi feita sem qualquer consideração pela história da sociedade, sem ter em conta as estruturas políticas, sociais e económicas existentes." Segundo Akinwumi, a Conferência de Berlim causou danos irreparáveis e alguns países sofrem até hoje com isso.

Novas fronteiras

Foram definidas novas fronteiras e muitas rotas de comércio desapareceram porque já não era permitido fazer negócios com pessoas fora da sua própria colónia.

Em muitos países, como foi o caso dos Camarões, os europeus desconsideraram completamente as comunidades locais e as suas necessidades, lembra o investigador alemão Michael Pesek, da Universidade de Erfurt.

"Os africanos aprenderam a viver com fronteiras que muitas vezes só existiam no papel. As fronteiras são importantes para a interpretação do panorama geopolítico de África, mas para as populações locais têm pouco significado", defende.

Na década de 1960, quando as colónias em África começaram a tornar-se independentes, os políticos africanos tiveram a oportunidade de rever os limites coloniais. No entanto, não o fizeram.

"Em 1960, grande parte dos políticos africanos disse: se fizermos isso, então vamos abrir a caixa de Pandora", explica Michael Pesek. "E provavelmente tinham razão. Se olharmos para todos os problemas que África teve nos últimos 80 anos, vemos que houve muitos conflitos internos, mas muito poucos entre Estados por causa de fronteiras."

Compensações pelo colonialismo

Em 2010, no 125º aniversário da Conferência de Berlim, representantes de muitos países africanos em Berlim exigiram compensações para reparar os danos do colonialismo. A divisão arbitrária do continente africano entre as potências europeias foi um crime contra a humanidade, disseram em comunicado.

Defendiam, por exemplo, o financiamento de monumentos em locais históricos, a devolução de terra e outros recursos roubados e a restituição de bens culturais.

Mas, até hoje, nada disso foi feito. O historiador Michael Pesek não se mostra surpreendido. "Fala-se muito em compensações por causa do comércio de escravos e do Holocausto. Mas pouco se fala dos crimes cometidos pelas potências coloniais europeias durante os anos que passaram em África."


O investigador nigeriano Olyaemi Akinwumi também não acredita que algum dia haverá qualquer tipo de indemnização. Com o dw.de

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

A nova Direcção do Sindicato de Base dos trabalhadores da Assembleia Nacional Popular investida nas funções

A nova Direcção do Sindicato de Base dos trabalhadores da Assembleia Nacional Popular foi empossada quarta-feira numa cerimónia presidida pelo secretário-geral do parlamento.

Na ocasião, Carlos Rodrigues da Fonseca afirmou que o Sindicato da ANP, tem que se destacar na luta e na defesa dos seus associados, defendendo os seus interesses colectivos em estreita harmonia com o patronato.

Disse que os sindicatos devem prestar uma colaboração permanente e desinteressada para aumentar cada vez mais a credibilidade já angariada junto da sociedade guineense.

“Caros colegas, sobre vos pende uma responsabilidade acrescida pelo facto de terem que representar os vossos associados. Esta tarefa nem sempre é fácil de conseguir conciliar com os interesses do patronato. Espera-se de vos um trabalho muito sério na condução do destino deste órgão parlamentar,” disse José Carlos Rodrigues.

O Secretário-geral da ANP apelou por outro lado aos recém -empossados para que evidenciassem os seus esforços no sentido de consolidar os anseios da direcção do parlamento.

O presidente da direcção do Sindicato de Base dos trabalhadores da ANP, Abel Augusto Tchuda, disse que a sua estratégia será centrada na implementação de um espírito de diálogo franco e aberto, em primeiro lugar com os colegas e depois com a entidade patronal enquanto parceiro estratégico e de capital importância, na busca de resultados que satisfaçam as partes.

“Estou aqui para ser parte da solução e não fonte de problemas, porque o sindicalismo moderno tem de ser capaz de abrir processos com base na co-gestão, entendimento e gestão partilhada dos riscos assim como a construção partilhadas de soluções,” revelou Abel Augusto Tchuda.

O sindicalista, acredita que com este método terão condições objectivas de alcançar melhores resultados.


O presidente do Sindicato da Base dos funcionários parlamentares, destacou, por outro lado, que a formação de pares foi sempre a principal arma do sindicalismo, mas acredita que quanto mais capacitados foram para o desempenho das suas tarefas, mais capazes serão para lutar pelos seus interesses. Com Agencia Noticiosa da Guiné-Bissau

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O Presidente da República, José Mário Vaz, afirma que “justiça sem advogados não é justiça”

O Presidente da República, José Mário Vaz afirmou esta quarta-feira, 24 de Fevereiro, que justiça sem advogados não é justiça. O Chefe de Estado falava durante a cerimónia de empossamento do novo Bastonário da Ordem dos Advogados da Guiné-Bissau, Basílio Mancuro Sanca.

A cerimónia de investidura do novo Bastonário decorreu num dos hotéis da capital e juntou diferentes personalidades do país, corpos diplomáticos, académicos bem como advogados.

José Mário Vaz disse no seu discurso que enquanto Chefe de Estado e símbolo da unidade de toda a Nação guineense, ele assume o papel do promotor e garante do bom relacionamento institucional entre diferentes forças políticas, socioprofissionais, económicas e culturais do país.

O Chefe de Estado assegurou ainda que a sua presença no acto de empossamento, testemunha a sua total disponibilidade de tudo fazer para que as relações com todos os actores do sistema de justiça, sejam abertas e construtivas.

“A ordem dos advogados é chamada perante a sociedade guineense a assumir as suas responsabilidades na tarefa de boa administração da justiça; tolerância zero contra corrupção, tráfico de influência, abuso de poder e nepotismo; na participação activa e apresentação de propostas concretas sobre assuntos das reformas em curso e necessárias, ousando assim compatibilizar as suas legítimas aspirações com o interesse da sociedade” notou.

O novo Bastonário da Ordem dos Advogados, Basílio Mancuro Sanca afirmou que a nova direcção está ciente das dificuldades que irá encontrar no cumprimento da missão para qual foi eleita. Essas dificuldades, prossegue o presidente da Ordem dos Advogados, “são resultado da conjugação de diversos factores, nomeadamente a crise do Estado de direito, a justiça profundamente atingida na sua dignidade e prestígio pela corrupção, a falta de investimento público sério no sector e a ditadura dos poderes públicos”.


Sanca alertou ainda a Assembleia Nacional Popular (ANP), o Governo e a Presidência da República que a justiça neste momento constitui a prioridade maior do Estado, condição essencial para a restituição da confiança dos cidadãos nas instituições da República.Com Odemocrata

O Primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira, apresentou ponto de situação dos preparativos de mesa redonda ao presidente da república

O Primeiro-ministro, Domingos Simões Pereira apresentou, esta manhã, ao Presidente da Republica os detalhes logísticos e os conteúdos relativos à preparação da Mesa Redonda, à ter lugar em Março deste ano, em Bruxelas, na Bélgica.

A saída do encontro com o chefe de Estado, Domingos Simões Pereira, disse à imprensa que o Presidente da Republica manifestou a sua disposição em conhecer todos os documentos e detalhes referentes à Mesa Redonda.

“Apresentei ao Presidente da Republica os pormenores do estado da preparação da Mesa Redonda, desde a componente logística até os outros conteúdos que manifestou o interesse em conhecer”, explicou.

Quanto ao apoio e solidariedade ao governo manifestado por parte da Assembleia Nacional Popular para com os preparativos da Mesa Redonda, Simões Pereira considerou os de positivo de maneira que, ao fazer isso, a ANP confirma uma disposição já anteriormente feita por aquela instituição através da aprovação do Programa do Governo por unanimidade.

“ É um sinal muito forte da adesão da população guineense à esse projeto que acontece num momento em que temos recebido sinais muito positivos por parte da Comunidade Internacional”, afirmou.


No que diz respeito a reação da Comunidade Internacional, afirmou ser importante sobretudo das Nações Unidas com a recente declaração de apoio ao Governo, União Europeia que divulgou duas notas, nomeadamente de apoio do Parlamento Europeu e a disponibilidade da UE em assumir todos os custos da digressão da delegação da Guiné-Bissau para Bruxelas.