terça-feira, 11 de dezembro de 2018

“NENHUMA GREVE DEVE PÔR EM CAUSA FUTURO DA NAÇÃO” - AFIRMOU BISPO DE BISSAU

[…] Na Guiné-Bissau, “a estratégias devem ser estudadas para que os actos dos adultos não continuem a prejudicar a vida dos jovens e adolescentes guineenses.” 
“A situação da instabilidade no nosso país e no nosso continente continua ainda a provocar êxodo e fuga dos cérebros […]”

O Bispo da diocese de Bissau disse que nenhuma greve deve pôr em causa a vida e o futuro de todas pessoas. Por isso os adultos devem saber que são espelhos dos jovens

Perante milhares de fiéis católicos oriundos de diferentes pontos do país, representantes da Igreja muçulmana e evangélica, Dom Camnate na Bissign -durante a sua homília na celebração da missa eucarística do enceramento da peregrinação Mariana 2018, disse que estratégias devem ser estudadas para que os actos dos adultos não continuem a prejudicar a vida dos jovens e adolescentes guineenses.

Numa clara alusão a actual situação do ensino público, o pastor da Igreja Católica guineense lembra que os direitos humanos devem sempre ser respeitados por todos.

“A situação da instabilidade no nosso país e no nosso continente continua ainda a provocar êxodo e fuga dos cérebros. Infelizmente, por fazemos o nosso continente madrasta dos seus filhos”.

O Bispo Camnaté disse que os jovens precisam de adultos exemplares que os ajudem escapar-se de armadilhas do consumismo. O prelado foi mais longe criticando a forma como os jovens são usados nas campanhas eleitorais.

“Muitas vezes os nossos jovens e adolescentes não têm a sorte de ter adultos por perto para os fazer entender as armadilhas colocadas pela sociedade. São vítimas fáceis de corrupção e do amor, são vítimas de engano dos adultos sem escrúpulo e daqueles que aproximam só pelos interesses pessoais. Os jovens são colocados nos conformismos e são usados nas campanhas eleitorais e fazem-nos estragar o mais sagrado (o seu corpo) que no evangelho é apresentando como um templo de amor e Vida de Deus”

Dom Camnaté lembra que o mundo depara com crises de valores e de humanidade e, no entanto, chama atenção aos jovens para estarem vigilantes tendo virgem Maria como exemplo.

Desafio é lançado á Igreja Católica para criar pastoral de jovens para melhor orientá-los e separa-los dos caminhos de falsas doutrinas. Com Radio Sol Mansi

domingo, 9 de dezembro de 2018

Direitos e deveres humanos

[…] Precisamos todos de ser fiéis às nossas responsabilidades e cumprir os nossos deveres. Visto que, "direitos e deveres têm de estar vinculados", pois "a tendência para fixar-se nos direitos e esquecer os deveres" tem "consequências devastadoras".

O reconhecimento da dignidade e dos direitos iguais e inalienáveis de todos implica obrigações e deveres; a insistência exclusiva nos direitos pode acarretar conflitos, divisões e litígios intermináveis, e o desrespeito pelos deveres humanos pode levar à ilegalidade e ao caos; […]

Autor de imagem: Intelectuais Balantas Na Diáspora
A Declaração Universal dos Direitos Humanos foi adoptada pela Assembleia Geral das Nações Unidas a 10 de Dezembro de 1948, em Paris: "A Assembleia Geral proclama a presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objectivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito por esses direitos e liberdades, e, pela adopção de medidas progressivas de carácter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universal e efectiva." Nos artigos 1 e 2, lê-se: "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos" e podem invocar os direitos e liberdades desta declaração, "sem distinção alguma de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou outra, origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou qualquer outra situação". Numa vinheta de 1998, no jornal El País, referindo-se ao preâmbulo, aparece o próprio Deus a exclamar: "Que preâmbulo! Não tinha lido nada de tão bom desde o Sermão da Montanha."

2. Lembrando os 70 anos da Declaração dos Direitos Humanos, retomo uma síntese de outra declaração, infelizmente menos conhecida e invocada: a célebre Declaração Universal dos Deveres Humanos, de que há tradução em português. Para superar a crise e para que a esperança não seja mera ilusão, wishful thinking, precisamos todos de ser fiéis às nossas responsabilidades e cumprir os nossos deveres.

Já na discussão do Parlamento revolucionário de Paris sobre os direitos humanos, em 1789, se tinha visto que "direitos e deveres têm de estar vinculados", pois "a tendência para fixar-se nos direitos e esquecer os deveres" tem "consequências devastadoras".

Foi assim que, em 1997 e após debates durante dez anos, o Interaction Council (Conselho Interacção) de antigos chefes de Estado e de governo, como Maria de Lourdes Pintasilgo, V. Giscard d'Estaing, Kenneth Kaunda, Felipe González, Mikhail Gorbachev, Shimon Peres, fundado em 1983 pelo primeiro-ministro japonês Takeo Fukuda, sob a presidência do antigo chanceler alemão Helmut Schmidt, propôs a Declaração Universal dos Deveres Humanos. Na sua redacção, teve lugar destacado o famoso teólogo Hans Küng.

O preâmbulo sublinha que: o reconhecimento da dignidade e dos direitos iguais e inalienáveis de todos implica obrigações e deveres; a insistência exclusiva nos direitos pode acarretar conflitos, divisões e litígios intermináveis, e o desrespeito pelos deveres humanos pode levar à ilegalidade e ao caos; os problemas globais exigem soluções globais, que só podem ser alcançadas mediante ideias, valores e normas respeitados por todas as culturas e sociedades; todos têm o dever de promover uma ordem social melhor, tanto no seu país como globalmente, mas este objectivo não pode ser alcançado apenas com leis, prescrições e convenções. Nestes termos, a Assembleia Geral proclama esta declaração, a que está subjacente "a plena aceitação da dignidade de todas as pessoas, a sua liberdade e igualdade inalienáveis, e a solidariedade de todos", seguindo-se os seus 19 artigos, de que se apresenta uma síntese.

2. 1. Princípios fundamentais para a humanidade. Cada um, cada uma e todos têm o dever de tratar todas as pessoas de modo humano, lutar pela dignidade e auto-estima de todos os outros, promover o bem e evitar o mal em todas as ocasiões, assumir os deveres para com cada um, cada uma e todos, para com as famílias e comunidades, raças, nações e religiões, num espírito de solidariedade: não faças aos outros o que não queres que te façam a ti.

2. 2. Não violência e respeito pela vida. Todos têm o dever de respeitar a vida. Todo o cidadão e toda a autoridade pública têm o dever de agir de forma pacífica e não violenta. Todas as pessoas têm o dever de proteger o ar, a água e o solo da terra para bem dos habitantes actuais e das gerações futuras.

2. 3. Justiça e solidariedade. Todos têm o dever de comportar-se com integridade, honestidade e equidade. Dispondo dos meios necessários, todos têm o dever de fazer esforços sérios para vencer a pobreza, a subnutrição, a ignorância e a desigualdade, e prestar apoio aos necessitados, aos desfavorecidos, aos deficientes e às vítimas de discriminação. Todos os bens e riquezas devem ser usados de modo responsável, de acordo com a justiça e para o progresso da raça humana.

2. 4. Verdade e tolerância. Todos têm o dever de falar e agir com verdade. Os códigos profissionais e outros códigos de ética devem reflectir a prioridade de padrões gerais como a verdade e a justiça. A liberdade dos media acarreta o dever especial de uma informação precisa e verdadeira. Os representantes das religiões têm o dever especial de evitar manifestações de preconceito e actos de discriminação contra as pessoas de outras crenças.

2. 5. Respeito mútuo e companheirismo. Todos os homens e todas mulheres têm o dever de demonstrar respeito uns para com os outros e compreensão no seu relacionamento. Em todas as suas variedades culturais e religiosas, o casamento requer amor, lealdade e perdão e deve procurar garantir segurança e apoio mútuo. O planeamento familiar é um dever de todos os casais. O relacionamento entre os pais e os filhos deve reflectir o amor mútuo, o respeito, a consideração e o cuidado.

 Por: Padre e professor de Filosofia Anselmo Borges no Diário de Notícias

João, a Voz da Palavra do Senhor. Aprecia!

“Olha o profundo do teu coração, vê o íntimo de ti mesmo e faz a pergunta: tens um coração adormecido ou desejas grandes coisas? O teu coração conserva a inquietude da busca ou está sufocado pelos bens que acabam por o atrofiar?

“Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor”; Endireitar veredas e caminhos tortos, altear vales e abater montes e colinas, aplanar arestas, reparar fissuras. Será muito benéfica uma visita ao livro da minha vida e uma leitura à luz da Palavra do Senhor que João anuncia

João era a voz, passageira; Cristo, a Palavra eterna desde o princípio” - Santo Agostinho

“As pessoas mais pobres e marginalizadas nas nossas sociedades trazem-nos verdadeiras mensagens de esperança”. Pois, “É nos lugares pequenos e imundos que nascem os nossos reis, não em palácios”

João surge na vida pública como um profeta itinerante nas margens do rio Jordão, após uma experiência significativa no deserto. Aqui recebe a palavra de Deus que lhe é dirigida. Aqui faz o contraste da vida sóbria e austera com a da Jerusalém, onde o pai Zacarias oficiava no Templo, e a da aldeia onde nascera, a poucos quilómetros da cidade. Aqui encontra o silêncio indispensável ao coração para amadurecer os apelos que ia sentindo e as convicções que ia gerando. Aqui toma a decisão de dar voz à experiência feita e parte em missão.

Lucas faz o relato do sucedido, situando o episódio num contexto político e religioso de grande envergadura. Indica assim o alcance histórico da novidade que desponta. Refere nomes e datas, menciona o imperador de Roma, o governador da Judeia, e outras figuras gradas nas regiões próximas, bem como na área religiosa. (Lc 3-1-6). As credenciais do registo ficam apresentadas, a solicitar a abertura à verdade que se anuncia. E o protagonista sente-se mandatado para realizar a missão recebida. “Foi dirigida a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. E ele percorria toda a região do Jordão” refere o evangelista narrador.

“As pessoas mais pobres e marginalizadas nas nossas sociedades trazem-nos verdadeiras mensagens de esperança”, afirma o arcebispo de Manila, nas Filipinas. “É nos lugares pequenos e imundos que nascem os nossos reis, não em palácios”. Esta forte imagem foi apresentada pelo cardeal Luis Antonio Tagle, presidente da Cáritas Internacional em mensagem recente sobre a preparação do Natal cristão. A verdade da afirmação contrasta fortemente com o que vemos e, se calhar, alimentamos.

A palavra de Deus emerge situada na história, é dirigida a pessoas concretas, é portadora de salvação, faz-se caminho com todos os humanos, torna-se fonte de energias revigorantes, faz ver a salvação de Deus a todas as criaturas (Lc 3, 6). A palavra de Deus é confiada a João. Não é sua, mas do Senhor que já havia inspirado outros homens e mulheres, designadamente Isaías, explicitamente citado no texto que lemos hoje: “Uma voz clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor”. E o profeta indica alguns pontos concretos desta preparação, servindo-se de elementos telúricos: Endireitar veredas e caminhos tortos, altear vales e abater montes e colinas, aplanar arestas, reparar fissuras.

E da terra mãe somos convidados a visitar o coração, sede do nosso eu. Que há na minha vida que precise de ver realinhado pelos caminhos do Senhor? Que baixios no meu ram-ram devem ser atendidos e elevados com uma consciência desperta e responsável? Que aresta do meu feitio, que se repercute no relacionamento com os outros, é necessário limar? E que fissuras na coerência do que digo acreditar com o que vivo e testemunho? Será muito benéfica uma visita ao livro da minha vida e uma leitura à luz da Palavra do Senhor que João anuncia.

Passando do meu eu à sociedade de que faço parte e à Igreja de que sou membro, que encontro a realinhar ou a transformar e em que posso/devo ajudar? O primeiro passo é sempre indispensável para a grande caminhada. Pode ser orar pelos que se arrastam na vida sem sentido motivador, aproximar-me de familiares, lembrar os esquecidos e abandonados, visitar idosos e doentes, partilhar bens com pobres e necessitados, aconselhar hesitantes e transmitir-lhes a sabedoria da vida, denunciar injustiças e solidarizar-me com quem faz reivindicações justas, cuidar do equilíbrio do ambiente, anunciar a novidade de Deus que brilha nas aspirações profundas do coração humano e faz erguer a sua voz discreta nos gemidos da humanidade, professar a fé católica, sem inibições nem arrogâncias.

Santo Agostinho, numa das suas catequeses sobre o Advento, afirma que João era a voz, mas o Senhor, no princípio, era a Palavra. João era a voz, passageira; Cristo, a Palavra eterna desde o princípio”.Suprimi a palavra e em que se torna a voz? Esvaziada de sentido, é apenas um ruído. A voz sem palavras ressoa ao ouvido, mas não alimenta o coração”.

E o Papa Francisco faz-nos um convite singular: “Olha o profundo do teu coração, vê o íntimo de ti mesmo e faz a pergunta: tens um coração adormecido ou desejas grandes coisas? O teu coração conserva a inquietude da busca ou está sufocado pelos bens que acabam por o atrofiar? E continua a perguntar: Necessito de Jesus, para quê? Que me oferece ele com a sua vinda? É a sua oferta que eu, sinceramente, quero receber?”

São Paulo, na carta aos cristãos de Filipos, lida hoje, dá graças a Deus pelo bem que eles realizam e declara: “ Por isso, lhe peço que a vossa caridade cresça cada vez mais em ciência e discernimento para que possais distinguir o que é melhor e vos torneis puros e irrepreensíveis para o dia de Cristo, na plenitude dos frutos da justiça que se obtém por Jesus Cristo, para louvor da glória de Deus”. Bela oração que é testemunho a acolher e exemplo a imitar. Bom advento de Natal!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

O Chefe de Estado-maior General das Forças Armadas Revolucionarias do Povo da Guiné-Bissau, promete mais formação para próximo ano


O Chefe de Estado-maior General das Forças Armadas Revolucionarias do Povo da Guiné-Bissau, General Biaguê Na N´tan prometeu mais formação à classe castrense, no próximo ano.

Na N’tan falava no acto de encerramento do curso de capacitação de efectivos da Policia Militar Nacional.

Na ocasião agradeceu ao Conselheiro do Gabinete Integrado da Nações Unidas para Consolidação da Paz, Rubem da Costa Neto pelo empenho que permitiu a Polícia Militar perceber da sua missão, sobretudo em termos de manutenção da ordem e segurança no país.

Alertou aos presentes no acto, que a formação é a única via a seguir para que as Forças Armadas nacionais possam competir com os congéneres de outros países.

Por isso, prometeu para o ano, providenciar mais formações para todas as áreas que compõe as Forças Armadas da Guiné-Bissau.

O Comandante e Coordenador da Policia Militar (PM), Orlando Pungana disse que os conhecimentos adquiridos vão permitir-lhes melhorar a abordagem nas patrulhas de rotinas nas áreas de risco, sobretudo no controlo das estradas, das parcelas e como a efectuar registos e negociações de distúrbios.

Disse estar convicto de que o Batalhão da PM passará a ser moderno e capaz de ajudar e fazer cumprir toda a classe castrense, em respeito as convenções internacionais sobre os Direitos Humanos e as leis em vigor no país.

O Conselheiro do Gabinete Integrado da Nações Unidas para Consolidação da Paz, Rubem da Costa Neto disse acreditar que após essa formação a Policia Militar estará fortalecida e mais capacitada com plenas condições para operar de forma eficiente e legal, contribuindo para a construção de uma imagem positiva das Forças Armadas.

“Os homens da Polícia Militar representam autoridade do comando nas horas de serviço. Persuadidos pela sua alta responsabilidade na manutenção da ordem, tem que se conservar firmes, calmos dentro da mais severa disciplina na execução das tarefas que lhes foram destinadas”, informou.

Instou ainda aos formandos a recordar que a Polícia Militar tem igualmente a missão de continuar com a acção disciplinador dos comandantes de unidades fora dos seus quartéis ou seja nas ruas para que pessoas fardadas tenham uma representação, uma postura e comportamento necessários para conquistar o respeito e a confiança da população.

Em nome dos formandos, Rogério Mendes prometeu aplicar na prática os ensinamentos adquiridos durante os dois meses da formação.

Disse que os ensinamentos servirão de bússola nos seus trabalhos de dia-a-dia, tal como o ilustra o lema da formação que é “Ajudar a cumprir”.

Rogério Mendes agradeceu o formador pelo empenho e dedicação e ao Biaguê Na Tam pela forma como tem vindo a dirigir as Forças Armadas.

Os participantes nessa formando abordaram durante dois meses vários temas com destaque para os conhecimentos sobre as qualidades morais necessários, o comportamento a serem adoptados pelos elementos da PM, alguns aspectos do regulamento da disciplinar e estrutura normativa que rege a actividade judicial das Forças Armadas da Guiné-Bissau, e as directrizes sobre o apoio das Forças Armadas na missão de segurança interna.

Abordaram ainda as acções cautelares e policias nas patrulhas realizadas pela Polícia Militar nas suas actuações em flagrante delito e fora dele, os procedimentos com os detidos, seus direitos, procedimentos a ter em conta pela tropa durante acções de distúrbios e uso gradual da força, entre outros temas. Com Agencia Noticiosa da Guiné-Bissau

Director-executivo do Instituto da Língua defende uniformização do português escrito

O guineense Incanha Intumbo tomou posse do cargo de Diretor Executivo do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), eleito para o biénio de 2019/2020, no dia 6 de dezembro de 2018, numa cerimónia realizada na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O acontecimento contu com a intervenção do embaixador Eurico Monteiro, representante da Presidência em exercício da CPLP, de Cabo Verde, na presença da Secretária Executiva da CPLP, Maria do Carmo Silveira, e dos representantes permanentes dos Estados-membros.

A nomeação do candidato da Guiné-Bissau para o cargo de Diretor Executivo do IILP decorreu no âmbito de um encontro informal dos Chefes de Delegação dos Estados-membros da CPLP à 73ª Sessão da Assembleia-Geral (AG) da Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 25 de Setembro de 2018, em Nova Iorque, organizado pela presidência pro tempore cabo-verdiana da CPLP.

Incanha Intumbo sucede à Professora Doutora Marisa Guião de Mendonça, nomeada na cimeira da CPLP, em 2014, em Díli, e reconduzida para o segundo mandato na XI Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, que decorreu nos dias 31 de outubro e 1 de novembro de 2016, em Brasília.

O IILP é a instituição da CPLP que tem como objetivos a planificação e execução de programas de promoção, defesa, enriquecimento e difusão da Língua Portuguesa como veículo de cultura, educação, informação e acesso ao conhecimento científico, tecnológico e o de utilização em fora internacionais.

O novo director-executivo do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), Incanha Intumbo, ressalvou a importância do Acordo Ortográfico Comum de 1990, ainda por adoptar por alguns países lusófonos, e defendeu a uniformização do português escrito.

Intumbo, que foi hoje empossado em Lisboa, referiu que o Acordo Ortográfico ainda conhece “resistências” e revelou que o IILP desenvolverá uma tarefa de “sensibilização” junto dos países-membros da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP) que ainda não adoptaram a convenção.

O linguista e investigador assinalou a importância de “uniformizar a escrita” e do “vocabulário comum”.

“É importante estarmos na mesma linha de entendimento”, acrescentou, referindo que “há comunidades com tendências conservadoras, mas a língua é como um ser vivo: evolui”.

Dos nove países da CPLP, apenas quatro Estados ratificaram o acordo: Cabo Verde, Brasil, São Tomé e Príncipe e Portugal.

O novo director-executivo do IILP, natural da Guiné-Bissau e formado em Coimbra, lembrou que o português é a língua mais falada no hemisfério sul.

Por essa razão, Intumbo preconiza que a língua portuguesa possa ser língua de trabalho no espaço lusófono, uma tarefa a que se vai propor no mandato de dois anos como director-executivo do ILLP.

Como acentuou, o ILLP vai tentar “influenciar os países e as comunidades” que fazem parte da CPLP para “adotarem o português como língua de trabalho”.

“Alguns organismos regionais já adoptaram o português como língua de trabalho e outros não, trabalhando com tradutores e intérpretes. É importante conhecermos o nosso vocabulário e podermos estar no mesmo nível de entendimento”, declarou.

O Acordo Ortográfico foi assinado pelos países de língua oficial portuguesa e pretende unificar a ortografia da língua portuguesa.

Esta convenção foi assinada a 16 de dezembro de 1990 em Lisboa, pela Academia das Ciências de Lisboa, Academia Brasileira de Letras, delegações de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe e, posteriormente, por Timor-Leste.

Incanha Intumbo disse que vai ter de estudar “os dossiês pendentes e os em execução” no IILP no seu mandato, no qual possa dar “um cunho pessoal” para tornar “mais visíveis as actuações” nesta instituição da CPLP.

“O que é importante é tentarmos quanto possível, com os meios de que dispomos, promover a língua, fazer mais gente conhecer a nossa língua, a nossa cultura, fazer as pessoas interessarem-se pela língua portuguesa, cativar mais falantes, mais universidades, ensinar português a mais empresários, para irem às nossas comunidades investirem”, disse.

O director-executivo referiu ainda que o ILLP vai “insistir na criação das comissões nacionais, porque há países não têm, dar algum impulso ao vocabulário ortográfico nacional, para daí se continuar a elaboração do vocabulário ortográfico comum”, com o objectivo de “conhecer, talvez ‘brincar’, com a diversidade da língua portuguesa”.

A cerimónia de posse do novo responsável do IILP decorreu hoje na sede da CPLP, em Lisboa, com a presença da secretária-executiva da organização, Maria do Carmo Silveira, e de representantes dos Estados-membros e de países com estatuto de observadores associados. Com a Lusa

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

A dignidade e honra do povo Balanta é um valor da Guiné-Bissau

''A falta de amor é a maior de todas as pobrezas! Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz! é fácil amar os que estão longe, mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado ''- Madre Teresa de Calcutá

Por, Carpinteiro Wilrane Fernandes

A dignidade humana é das conquistas mais preciosas de uma sociedade. No entanto, esse bem está longe de ser uma prática constante. Embora a Declaração Universal dos Direitos Humanos contemple, já no primeiro artigo, o espírito de fraternidade entre as pessoas, falta muito para que o atinjamos em sua plenitude na Guiné-Bissau por razões que todos sabem.

A resistência de não aceitar a dominação criminosa dos colonialistas portugueses, nos ensinou aos longos dos muitos seculos de luta, dor e esperança, pelos nossos irmãos que foram subtraídos e levados a força pelo regime de colonialistas portugueses, para escravidão nas terras longínquas.  

Com essa dolorosa experiência de resistência e luta, o povo Balanta e outros povos (irmãos) que habitam actualmente no território da Guiné-Bissau, uniram forças contra colonialistas e seus actos criminosos,  sob um instrumento da luta- “PAIGC”.

No decorrer da luta, como não havia, os serviços secretos de informação, para potencializar a dinâmica da luta, os membros de diferentes etnias ou povos que se uniram à volta do instrumento da luta – “PAIGC”, sob comando do camarada Amílcar Lopes Cabral, pediram a cada etnia a fornecer pratica cultural, ainda que seja nefasta e reprimível dentro da própria etnia. Foi aí que os Balantas forneceram este serviço, ladrões de gados (nos locais mais protegidos). Os jovens que seguiam esta pratica, reprimível na sociedade Balanta, ofereceram um importante serviço de informação para dinâmica da luta da libertação nacional da Guiné-Bissau e Cabo-Verde.

Mas, como  alguns homens de outras etnias, não sabiam que a prática de roubo de gados era reprimida pelo povo Balanta, trouxeram-no para cidade, dizendo que “os Balantas são ladrões de gados”, o que não corresponde a verdade, pois é considerado na sociedade Balanta como prática nefasta, punível pela comunidade, que por natureza, exige sentido de honradez e dignidade.

De facto, os homens escolhidos da etnia Balanta, que praticavam roubo de gados, fizeram bons serviços na dinâmica da luta de libertação nacional e um desses serviços; tiraram “João Bernaldo Vieira- Nino” da prisão colonial em Catió, sul da Guiné-Bissau, quando foi preso. E muitas outras acções de astúcias feitas por estes homens, que resultaram na Independência total da Republica da Guiné-Bissau e Cabo-Verde.

Os que não sabiam que, esta pratica não é aceitável na sociedade do povo Balanta, pelos feitos na luta, passaram a pensar, ainda pensam que é uma pratica cultural aceitável na sociedade Balanta, o que não é verdade.

Quem conhece o povo Balanta, pelo seu alto sentido em valorizar a honra cultural e social, castigam os ladrões de gados.  A titulo de exemplo, muitos dos praticantes destes actos, considerados pela sociedade Balanta pratica nefasta, perdem terras (terrenos de lavoura), designadas Bolanhas, como punição.

Por isso, que fique bem claro! Que os Balantas não são ladrões de gados, mas sim, certas pessoas desta etnia o fazem a margem da lei comunitária, como acontece com os políticos guineenses (membros das outras etinas) que desviam muitos, mas muitos dinheiros, destinados para construir as escolas, hospitais… para seus proveitos próprios, à margem das leis que normalizam a sociedade guineense. Pode se dizer que os guineenses são ladrões dos dinheiros públicos? Claro que não! Daí a razão da não generalização dos actos individuais.

''A falta de amor é a maior de todas as pobrezas! Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz! é fácil amar os que estão longe, mas nem sempre é fácil amar os que vivem ao nosso lado ''

A dignidade humana é das conquistas mais preciosas de uma sociedade. No entanto, esse bem está longe de ser uma prática constante. Embora a Declaração Universal dos Direitos Humanos contemple, já no primeiro artigo, o espírito de fraternidade entre as pessoas, falta muito para que o atinjamos em sua plenitude na Guiné-Bissau por razões que todos sabem.

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

A REVOLUÇÃO DE MENTALIDADES NA GUINÉ-BISSAU, NÃO SERÁ POSSÍVEL SEM O COMPROMISSO DE TODOS OS GUINEENSES PARA COM O PAÍS.

Há activismo e activistas de tudo e mais alguma coisa na Guiné-Bissau, a exemplo do que existe em todo o Mundo. Como é importante a acção cidadã, individual ou organizada, por via de estruturas/instituições, colectivas, em defesa e na promoção de interesses colectivos, do país, e, ou, da Humanidade!

Na Guiné-Bissau, porém, há algum tempo que é notório o envolvimento de activistas sociais, numa abrangência multidisciplinar do conceito, em pontes políticas, suportadas por partidos políticos guineenses.

Um activista que se preze, um digno activista disto ou daquilo, não deve acorrentar-se, em nenhuma instância, a estruturas político-partidárias, nas suas múltiplas vertentes, apenas e só, para salvaguardar/garantir os seus interesses, as suas ambições, pessoais e familiares.

Não é transparente, ético, coerente, um activista social, na sua multiplicidade, desempenhando funções a tempo inteiro numa instituição, ainda que fora do âmbito governamental/público, fazer igualmente parte da assessoria de um determinado governo, ou de um qualquer chefe de um qualquer governo em funções, para nunca criticar as práticas desviantes da governação, sejam elas de que ordem, enquanto parte do "sistema" e, depois, deixando de fazer parte desse "sistema", passar a usufruir do estatuto de activista social para criticar outros governos, do mesmo "sistema" do qual já não faz parte.

Não será esse o conceito de "boca de aluguel" dos nossos irmãos brasileiros?

É notório/evidente, o encapotamento de muitos ditos activistas disto ou daquilo, na defesa de interesses político-partidários, em função das suas conveniências, e na salvaguarda dos seus interesses pessoais/familiares, por via dos seus estatutos enquanto activistas de organizações não-governamentais, das quais, implicitamente, directa ou indirectamente, vinculam, em certa medida, as organizações para as quais trabalham e, numa perspectiva alargada, os parceiros internacionais que as financiam.

A manipulação política, na Guiné-Bissau, não começa, não se resume e nem se esgota na maioria da população analfabeta, mas nem por isso, inculta.

Ela é idealizada por demagogos, travestidos de líderes político-partidários; posteriormente, semeada por agentes corruptores de consciência, normalmente, figuras destacadas de partidos políticos, e finalmente, disseminada por alegados "herdeiros de combatentes da liberdade da pátria"; por elites da intelectualidade guineense, no país e na diáspora, entre activistas disto e daquilo e membros de núcleos disto e daquilo.

Infelizmente, devemos aceitar, com tristeza, e de forma natural, que não temos bases de apoio colectivo para dinamizar, a curto e médio, prazos, a Revolução de Mentalidades na Guiné-Bissau, que há muito desejamos e pela qual temos vindo a trabalhar arduamente, comprometida que está a elite intelectual, sobretudo, com a manutenção do Sistema de Poder dos mesmos de sempre.

A Revolução de mentalidades na Guiné-Bissau, não será possível sem o compromisso de todos os guineenses para com o País, em primeiro lugar, independentemente dos demais compromissos, subsequentes, incluindo os de cariz político-partidário.


Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.