sexta-feira, 21 de abril de 2017

"Guineenses perderam a esperança nos políticos", diz músico Binhan

Depois de integrar a mítica banda Super Mama Djombo, o músico guineense lança-se internacionalmente a solo. Em entrevista à DW África, Binhan lamenta o desempenho das autoridades guineenses perante a crise no país.

Binhan Quimor, uma das grandes vozes da nova geração de músicos da Guiné-Bissau, acaba de fazer em Lisboa o lançamento internacional da reedição do seu primeiro disco a solo. "Lifante Pupa" é a rampa para a projeção internacional de Binhan, que integrou a mítica banda guineense Super Mama Djombo e já foi distinguido como Artista Revelação e melhor cantor de música moderna pela crítica guineense.

O álbum a solo de Binhan destaca-se pela melodia, incluindo canções de amor, mas também de intervenção política e militar e hinos à Guiné-Bissau. Numa altura em que o país está a braços com a instabilidade, o músico exorta a classe política dirigente a respeitar os ideais da independência e a trabalhar para a construção de uma nova Guiné-Bissau.

Nascido em 1977, quatro anos depois da independência, Binhan critica os políticos guineenses por não saberem lidar com as crises que têm contribuído, ao longo de vários anos, para o estado de instabilidade permanente e consequente atraso no desenvolvimento económico e social do país.

Futuro adiado

"Desde a independência, em 1973, até à data presente, nós, guineenses, não conhecemos aquela paz que um ser humano, um povo, precisa de ter", lamenta o músico. "Sempre acontece alguma coisa e isso acaba por criar tensão e adiar a esperança do povo".

Mais de 40 anos após a independência, a instabilidade continua a ter efeitos negativos na vida dos guineenses, lembra Binhan. "Quem sai a perder em tudo isto são os jovens. O futuro dos jovens sempre foi adiado, a esperança morre a cada dia que nasce o sol", sublinha. Por isso, o músico apoia a reivindicação: "Os jovens agora decidiram resolver os seus problemas sem esperar pelos políticos. Os guineenses perderam a esperança nos políticos".

Com a democracia, acrescenta, o país deveria conhecer um novo rumo. Esta mensagem também faz parte do seu primeiro disco a solo: um apelo à paz real na Guiné-Bissau. "Mais vale tarde que nunca. É hora dos guineenses, dos nossos políticos e líderes começarem a pensar na paz, que é indispensável para desenvolver o país".

A riqueza do crioulo

O álbum "Lifante Pupa" (lançado em 2015 na Guiné-Bissau) inclui canções de intervenção política, mas também faixas que retratam o quotidiano social e a beleza do país. Para Binhan, a maior riqueza é a língua crioula, que considera ser um fator de unidade nacional e não um instrumento usado por alguns para dividir os guineenses por etnias. "Nós somos guineenses, nada nos pode separar. Nem a fome, nem a guerra, nem os políticos", garante.

Os políticos, diz Binhan, "ouvem e dançam" a música guineense, mas nem sempre acatam as mensagens em prol de uma nova Guiné-Bissau. "Não fazem nada para melhorar a situação".

Depois do lançamento internacional do álbum, Binhan regressa a Bissau para se preparar para concertos em várias partes do mundo. Alemanha, França, Inglaterra e Cabo Verde fazem parte do roteiro.

O disco foi gravado entre Bissau e Abidjan e conta com a participação especial de Queen Etmen (Camarões), Tshaga, filho de Aicha Koné (Costa do Marfim), e a cantora Monique Seka (Costa do Marfim).


Intelectuais Balantas Na Diáspora com o DW África

Um regresso ao passado em Gorée. Não em nosso nome

Leia aqui a carta na íntegra e veja quem são os seus signatários

No decorrer da sua visita de Estado ao Senegal ocorrida na passada semana, achou por bem o Sr. Presidente da República visitar a ilha de Gorée, um antigo entreposto nas rotas atlânticas do tráfico de escravos. A carga simbólica do lugar tem aumentado nos últimos anos, devido às visitas de proeminentes figuras de Estado e do meio eclesiástico que aí escolheram pedir perdão pelo envolvimento histórico das comunidades que representam no tráfico e/ou escravização de seres humanos. E é sobejamente conhecida a complexidade política, ética e performativa de que se revestem atos públicos desta natureza. Mas, ao contrário destas figuras, e apesar das expectativas que o anúncio da sua visita criou, o Presidente escolheu não reconhecer em Gorée a longa e sinuosa história da responsabilidade portuguesa no comércio e escravização de africanos, nem as outras formas de opressão que em nome do país foram praticadas e legalmente sustentadas nas colónias africanas até à extinção do regime colonial português em 1974-75. Porque este não-reconhecimento tem constituído a pedra angular da política da memória preconizada pelo poder político em Portugal desde essas datas, a omissão presidencial nada trouxe de novo. No entanto, ela foi acompanhada de declarações que, marcadas por uma inquietante imprecisão histórica, fizeram ecoar uma narrativa de pioneirismo humanista português cujo paternalismo implícito foi liminarmente rejeitado por portugueses e africanos quando, em 1974-75, optaram por solidarizar-se na defesa do princípio da autodeterminação dos povos e no repúdio do colonialismo.

Declarou Marcelo Rebelo de Sousa que Portugal aboliu a escravatura "pela mão do marquês de Pombal, em 1761," e que "essa decisão do poder político português foi um reconhecimento da dignidade do homem, do respeito por um estatuto correspondente a essa dignidade". Esta visão idealista e excecionalista do legado colonial da história portuguesa, assente num alegado pioneirismo humanista, foi sendo construída ao longo do século XIX e popularizada durante o Estado Novo. Serviu como ferramenta retórica que permitiu mobilizar a opinião pública nacional a favor do projeto imperial que começou a desenhar-se em fins do século XIX e, por outro lado, responder aos ataques de potências rivais ou de instituições internacionais como a ONU, quando, a partir dos anos 50, o colonialismo passou a ser rejeitado como modelo de desenvolvimento económico, social e cultural. Além de não refletirem os consensos científicos vigentes sobre a história colonial portuguesa nem o estado da arte no conhecimento dos arquivos coloniais, as declarações do Presidente reavivaram o branqueamento da opressão colonial implícito na visão do projeto colonial português como "missão civilizadora", uma visão que é ainda muito popular nos setores mais retrógrados da sociedade portuguesa, mas que é inerentemente paternalista e particularmente atentatória da dignidade e da pujança cultural dos povos colonizados.

Disse ainda o Presidente: "Nessa medida, nós reconhecemos também o que havia de injusto e de sacrifício nos direitos humanos, como diríamos hoje em dia, numa situação que foi abolida." Para além da chocante benevolência das escolhas terminológicas, que reduzem à injustiça e ao sacrifício aquilo que constituiu uma prática desumana e criminosa, estas declarações passam em branco a complexidade do processo abolicionista em Portugal e em todas as sociedades escravocratas, que promoveu tantas vezes a contradição viva na pessoa de líderes abolicionistas que mantinham largos contingentes de escravos nas suas propriedades. Como o mesmo marquês de Pombal, que, se é verdade que iniciou o longo processo abolicionista português, também criou, em 1755, a Companhia do Grão-Pará e Maranhão, que promoveu a introdução de escravos de Bissau e Cacheu na Amazónia e, em 1756, a Companhia de Pernambuco e da Paraíba para controlar o tráfico negreiro, sobretudo de Angola, para o Nordeste brasileiro.

O ato de reavivar narrativas de má memória perversamente restaura a má consciência que os portugueses há muito rejeitaram na relação com a sua história. E coloca obstáculos sérios à já hercúlea tarefa que todos os estudiosos da história, literatura e cultura portuguesa nas suas múltiplas dimensões, portugueses e estrangeiros, em instituições de investigação e ensino portuguesas e estrangeiras, desempenham quotidianamente no sentido de assegurarem condições de visibilidade e de debate em pé de igualdade com as culturas com que Portugal partilha responsabilidades históricas num trágico capítulo da história da humanidade que, sim, é possível e urgente ultrapassarmos.

Pedro Schacht Pereira, professor universitário, EUA
Anna M. Klobucka, professora universitária, EUA
Isabel Ferreira Gould, investigadora, EUA
Lisa Voigt, professora universitária, EUA
Pedro Serra, professor universitário, Espanha
Miguel Vale de Almeida, antropólogo, Portugal
Ana Maria Martinho, professora universitária, Portugal
Carlos Mendes de Sousa, professor universitário, Portugal
Everton V. Machado, investigador e docente universitário, Portugal
Christopher Larkosh, professor universitário de estudos luso-afro-brasileiros, EUA
Victor K. Mendes, professor universitário, EUA
Margarida Rendeiro, docente universitária, Portugal
Rui Bebiano, docente universitário, Coimbra, Portugal
Luiz Felipe de Alencastro, historiador e cientista político, Brasil e França
Cristiana Bastos, antropóloga, Portugal
Ana Lucia Araujo, Professora universitária, EUA
Isabela Figueiredo, escritora, Portugal
Alexandra Lucas Coelho, escritora e jornalista. Lisboa, Portugal
Joana Gorjao Henriques, jornalista, Portugal
Célia Carmen Cordeiro, Instrutora de Língua e Cultura Portuguesa, EUA
Pedro Sousa Silva, músico, Portugal
Dulce Fernandes, realizadora, EUA
Raquel Ribeiro, escritora, professora universitária, Reino Unido
Mojana Vargas, professora, UFPB, Brasil.
Patrícia Ferreira, estudante de doutoramento, EUA
Alfredo Cesar Melo, professor, Unicamp, Brasil
Gabriela Silva, investigadora de pós-doutoramento, Capes, Brasil
Mamadou Ba, Militante Anti-racista, Portugal
Margarida Paredes, Antropóloga, Universidade Federal da Bahia, Brasil
Sadiq S. Habib, Antropólogo, Reino Unido
João Mário Grilo, realizador e professor universitário, Portugal
Inês Beleza Barreiros, Investigadora, Portugal-EUA
Fernando Matos Oliveira, docente universitário, Coimbra, Portugal
Elísio Macamo, Professor universitário, Basel, Suíça
Vanessa Rato, jornalista e investigadora, Portugal
Dulce Maria Cardoso, escritora, Portugal
Vasco Araújo, artista plástico, Portugal
Irene Flunser Pimentel, historiadora, Portugal
André Barata, filósofo, UBI, Portugal
Luís Aguiar-Conraria, professor universitário, Portugal
Teresa Pizarro beleza, professora universitária, Portugal
Paulo Jorge de Sousa Pinto, historiador, Portugal
Pedro Cardim, professor universitário, Portugal
Elsa Peralta, antropóloga, Portugal
Inocência Mata, professora, Universidade de Lisboa, Portugal
Fernando Rosas, historiador, professor universitário, Portugal
Frederico Lourenço, escritor, Portugal
João Constâncio, professor universitário, Portugal
André E. Teodósio, encenador e escritor, Portugal
Paulo Jorge Fernandes, professor universitário, Portugal
Manuel Loff, historiador e professor universitário, Portugal
Miguel Bandeira Jerónimo, Historiador, Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal
Filipa Lowndes Vicente, historiadora, ics-u lisboa, Portugal
José Pedro Monteiro, investigador, Portugal
Miguel de Barros, sociólogo, investigador, ativista, Guiné-Bissau


Intelectuais Balantas Na Diáspora com o Diário de Notícias 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Dom José Camnate Na Bissing, bispo de Bissau apela aos cristãos a não perderem esperança na luta contra o mal

Páscoa da Ressurreição de Jesus Cristo. Páscoa de vida nova para a civilização do amor. Páscoa de renascimento para um homem renovado. Páscoa da alegria alicerçada na Boa Nova, de que jesus ressuscitou verdadeiramente. Páscoa para a libertação do homem escravizado por valores sem sentido. Páscoa para glória de Deus Pai!

O Bispo da Diocese de Bissau, Dom José Camnate Na Bissing apelou na noite de 15 de abril de 2017, os cristãos a inspirarem-se dos fundamentos da Páscoa para lutarem, com Fé, contra o mal que aflige a nossa sociedade e construir um mundo solidário e justo alicerçado na partilha, na comunhão e no amor.

Perante os fiéis reunidos na Sé Catedral de Bissau, o líder da Igreja Católica guineense que falava na Homilia na noite pascal de “Aleluia”, lembra aos presentes que a “Páscoa fundamenta a esperança dos cristãos num mundo melhor”.

Referindo-se a Ressurreição de Jesus Cristo depois da paixão e morte, segundo a Fé cristã, Dom Camnate assegurou que a “Páscoa cristã acontece sempre na luta permanente entre o bem e o mal, como também entre a morte e a vida”. Sublinhando que a referida luta não é exclusiva dos cristãos, mas, sim, de todos os homens de todas as raças, de todas as culturas e de todos os credos.

“Na luta que estamos a travar no nosso país, todos temos a sensação de que o mal e a morte estão a sair vitoriosos. Isto torna-se claro nas prisões de sofrimentos que suportamos, nas dificuldades da vida social, económica e política. Mas quero crer que a sexta-feira de paixão e sofrimentos que temos vindo a viver e parece nunca mais passar, vai dar lugar um feliz dia de Páscoa. A nossa sensação de mal-estar, desânimo e frustração é idêntica, a dos apóstolos, quando assistiam a morte de seu mestre e líder”, notou. Com Odemocrata

sábado, 15 de abril de 2017

O Calvário do mundo

Cronica de Anselmo Borges, no Diário de Notícias

1- Perante o horror todo do mundo, guerras e cidades a desmoronar-se, crianças a jorrar sangue e a gritar de dor ao colo de pais perdidos e a fugir não sabem para onde, violações, crucifixões, fome e mortes, terror e impotência, a palavra que sobe à mente: "Um calvário!" Às vezes, vêm ter comigo pessoas destroçadas e contam e contam e contam. destroçadas: "Sabe? A minha vida tem sido um calvário." E parte-se-me a alma.

2- Hoje, Sexta-Feira Santa, o que se lembra é o calvário de Cristo e, nele, os calvários todos da história. Perante o horror da morte a aproximar-se, diz o Evangelho que Jesus "começou a sentir-se apavorado e a angustiar-se" e rezava: "Meu Pai, tudo te é possível, afasta este cálice de mim. Mas faça-se não o que eu quero, mas sim o que Tu queres." E morreu, gritando esta oração: "Meu Deus, meu Deus, porque é que me abandonaste?"

3- Segundo a fé cristã, não faz sentido lembrar a Sexta-Feira Santa sem a esperança da Páscoa. Os discípulos viveram na perplexidade e angústia o calvário de Cristo. Foi lentamente que, reflectindo em tudo quanto tinham vivido com Jesus, e meditando sobre a sua vida, a sua mensagem, o modo como se dirigia Deus - Amor incondicional, Pai e Mãe -, o modo como se relacionou com todos, o modo como se dirigiu para a morte, fizeram a experiência de fé de que esse Jesus não morreu para o nada, mas para dentro da plenitude da vida em Deus. Deus não é um Deus de mortos, mas de vivos e da Vida. Essa experiência foi tão intensa e avassaladora que disso deram testemunho até à morte.

4- Segundo Ernst Bloch, o ateu religioso que tive o privilégio de conhecer em Tubinga, o cristianismo "venceu em grande parte graças à proclamação de Cristo: "Eu sou a Ressurreição e a Vida". Imperava então um desespero apaixonado, que hoje nos parece incompreensível e representa um acentuado contraste com a nossa indiferença. Mas nada impede que dentro de cinquenta ou cem anos (porque não cinco?) volte essa neurose ou psicose de angústia da morte, de tipo metafísico, com a pergunta radical: para quê o esforço da nossa existência, se morremos completamente, vamos para a cova e, em última instância, não nos resta nada?"

5- Pergunta inquietante e inelutável: porque temos de morrer? E, se é inevitável, que atitude tomar perante essa certeza da morte? Será que vivemos simplesmente para morrer e ficar mortos, definitivamente mortos para sempre? Aparentemente, é assim. Mas, depois, erguemo-nos desde o mais fundo de nós, protestando e com esperança. Lá está Unamuno agarrando-se à vida e a gritar: "O meu eu, o meu eu, ai que me arrebatam o meu eu!" J. A. Pagola lembra uma palavra sóbria e honrada do escultor Eduardo Chillida: "Quanto à morte, a razão diz-me que é definitiva. Quanto à razão, a razão diz-me que é limitada." E é legítimo esperar, tal é a força que impulsiona a viver e viver sempre. Ou será tudo contraditório e absurdo? Sim, na morte, a evidência é o cadáver, mas quem se contenta com o cadáver?, perguntava também Ernst Bloch.

6- Enquanto formos mortais, havemos de perguntar por Deus, concretamente ao pensar nas vítimas inocentes. Como escreveu o agnóstico M. Horkheimer, um dos fundadores da Escola Crítica de Frankfurt, "se tivesse de descrever a razão por que Kant se manteve na fé em Deus, não saberia encontrar melhor referência do que aquele passo de Victor Hugo: uma anciã caminha pela rua. Ela cuidou dos filhos, e colheu ingratidão; trabalhou, e vive na miséria; amou, e vive na solidão. E, no entanto, está longe de qualquer ódio e rancor, e ajuda onde pode... Alguém vê-a caminhar e diz: Ça doit avoir un lendemain!... Porque não foram capazes de pensar que a injustiça que atravessa a história seja definitiva, Voltaire e Kant postularam Deus - não para eles mesmos".

7- Eu tive uma aluna muito inteligente, que é ateia. Na sua abertura de espírito, convidou-me uma vez para ir dar uma aula à sua universidade sobre Deus, a religião, a esperança. Depois, fomos jantar e voltámos a falar sobre a morte e a esperança. E ela: morremos, como é natural, como um gato também morre. E eu relembrei-lhe a Escola Crítica de Frankfurt e as vítimas inocentes e todos aqueles que morreram sem viver, esmagados pela violência, pela fome, pela guerra; há uma dívida de justiça para com essas vítimas - quem pagará essa dívida? E continuámos a falar sobre tanta coisa... Já noite dentro, na despedida, ela atirou: sim, para esses, aqueles e aquelas de que falou, ao menos para esses deveria haver alguma coisa...
Uma exigência moral. Mas, afinal, "esses", de uma maneira ou outra, somos nós todos.

8- No meio da perplexidade, fico com Kant: "A balança do entendimento não é completamente imparcial, e um braço da mesma com o dístico "esperança do futuro" tem uma vantagem mecânica que faz que mesmo razões leves que caem no seu respectivo prato levantem o outro braço que contém especulações em si de maior peso. Esta é a única incorrecção que eu não posso eliminar e que eu na realidade não quero abandonar."

9- Perante "a dramática ponderação entre o sim e o não", um filósofo grande de base kantiana, o jesuíta José Gómez Caffarena, teve uma razão decisiva para inclinar a balança para o sim: Jesus de Nazaré. E, assim, deixou escrito, na sua obra monumental, O Enigma e o Mistério: "O cristianismo teve o imenso acerto de apresentar-se como a tradição de um ser humano que enfrentou o mal com enorme dor, mas com prevalente esperança." Recentemente, também Hans Küng, o teólogo rebelde e o mais crítico do século XX, já próximo do seu próprio fim, disse que, para ele, morrer é "descansar no Mistério da Misericórdia de Deus". Assim acredito eu também.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Músico e poeta guineense, Mú M’bana encantam o público no salão dos congressos

O músico, compositor, interprete e poeta, Mú M’Bana, encantou o público que assistiu na última sexta-feira, 07 de abril, ao seu concerto musical realizado no antigo salão dos congressos (atrás do edifício do ministério da educação), onde funciona actualmente o Instituto Nacional de Cinema.

O salão estava repleto de gente constituída, na sua maioria, por cidadãos estrangeiros residentes no país e que trabalha nas instituições internacionais e nas embaixadas.

O espectáculo do músico e poeta guineense que vive no reino de Espanha contou com a participação dos sogros vindos da Espanha. O Grupo Teatral ‘Netos de Bandim’ e o jovem poeta Vital foram convidados a abrir o concerto, com a apresentação de uma peça teatral, acompanhados de uma récita dos poemas.

Mú M’bana misturou diferentes ritmos e tons produzidos por instrumentos tradicionais. Entrou no palco vestido de roupa tradicional guineense (Pano di Pinti) e descalço, levando três violinos na mão, capazes de produzir ritmos diferentes.

Com a sua melodia fabulosa acompanhada de sons da corda de viola, encantou o público que assistia ao concerto. A maioria não conseguiu ficar sentada para ver a façanha do conceituado cantor guineense e acabou por ‘invadir’ o palco para dançar e cantar. M’bana aproveitou algumas paragens, durante o concerto, para narrar a sua história, acompanhado sempre de leves sons de seu violino.

Após o concerto, Mú MBana disse na sua declaração à imprensa que o concerto serviu igualmente de ocasião para render homenagem a vários músicos nacionais, com especial destaque para o falecido cantor Fernando Bidinte, que confessou ter-lhe ajudado muito, ensinando-o a tocar ‘Tina’.

“Bidente foi um pilar muito importante para a minha vida no estrangeiro. Não posso esquecê-lo. Tenho que lembrar dele hoje e peço glória eterna para ele”, notou.

Mú M’Bana mostrou a sua habilidade durante o concerto, tendo tocado vários instrumentos musicais, designadamente: simbi, tonkorongh e violino. M’Bana explicou que não quer perder a identidade cultural guineense, por isso aprendeu a tocar diferentes instrumentos musical tradicional.

“Os guineenses estão a perder a sua identidade cultural. Houve uma alienação cultural muito forte nos meados da década 80, quando tomamos outras fontes musicais e misturamo-las com as músicas da Guiné-Bissau. Depois de muito tempo de reflexão e pesquisa, notei que era possível recuperar o ‘simbi’ que é um instrumento balanta e ‘Tonkorongh’ um instrumento mandinga, fula, felupe, manjaco e bijagó. Todos os grupos étnicos que constituem a nação guineense têm instrumentos musicais fabulosos que podem ser usados para produzir a música. Se não fizermos isso, ou melhor, se ignorarmos esses instrumentos musicais, isso quer dizer que deixamos a nossa cultura e a nossa poesia”, advertiu o músico e compositor.

Assegurou ainda que é chegado o momento de o povo guineense e os artistas em particular começarem a valorizar e a proteger a cultura da Guiné-Bissau. Afiançou, contudo, que a “música guineense é uma música de alto valor com conteúdo poético muito profundo e com desenvolvimento melódico altamente sofisticado”.


Para Mú M’Bana, a música é uma meditação constante, razão pela qual leva maior parte do seu tempo a pesquisar, a ouvir músicas de diferentes artistas do mundo, músicas das novas gerações guineenses que, em sua opinião, estão a divulgar mensagens construtivas e positivas. Com Odemocrata

Portugal: Chefes da PJ nas mãos de barões da droga

Inspetor-chefe Ricardo Macedo e ex-coordenador Dias Santos acusados de receber milhares de redes de tráfico.

Tinham como missão combater ao mais alto nível o tráfico de droga em Portugal. Mas, segundo a acusação do Ministério Público, o inspetor-chefe Ricardo Macedo e o ex-coordenador Dias Santos, da Judiciária, recebiam dezenas de milhares de euros de traficantes. Os subornos serviam para comprar informações sobre futuras operações da PJ que visassem as redes de tráfico.

Os dois históricos da PJ integram a lista de 29 arguidos agora acusados pelo Ministério Público por tráfico, associação criminosa e corrupção ativa e passiva. Nesta lista consta ainda José da Silva, cabo-chefe da GNR de Torres Vedras, cúmplice de Ricardo Macedo. Os três polícias estão em prisão domiciliária. E há ainda sete arguidos em fuga, todos eles traficantes.

No decurso da operação Aquiles, a Unidade de Combate à Corrupção da Polícia Judiciária conseguiu apreender mais de 900 quilos de cocaína, 30 de haxixe, diversas viaturas e ainda milhares de euros em dinheiro.

Tanto Dias Santos – já na reforma – como Ricardo Macedo mantinham relações próximas com alguns barões da droga, nomeadamente Franquelim Lobo e Manuel Manero. O antigo coordenador Dias Santos receberia mesmo uma avença pelo fornecimento de informações aos suspeitos. As autoridades detetaram largas dezenas de milhares de euros em contas bancárias dos dois elementos da PJ, bastante superiores aos ganhos auferidos por cada um.

O fornecimento destas informações terá prejudicado – e até mesmo abortado – diversas operações que tinham como alvo as redes de traficantes. Com Correio da Manhã

Taciana Lima Baldé é penta campeã africana de judo

A judoca Taciana Lima Baldé, conquistou sua quinta (5ª) medalha de Ouro no Campeonato Africano de Judo a decorrer em Madagáscar, tornando-se em Penta campeã africana desta modalidade na categoria de 48 quilos.

Rainha da Arena de judo do continente, elevou ao mais alto nível, mais uma vez, a Bandeira Nacional e fez entoar o Hino da Guiné-Bissau ao subir o pódio.

Na final em Madagáscar, Taciana ganhou por “ippon” – a pontuação máxima contra a tunisina, Olfa Saoudi, numa repetição da final do ano passado em Túnis, onde a atleta guineense derrotou a anfitriã Olfa.

“Cinco vezes campeã africana. Eu disse 5, cinco. Obrigada Meu Deus. Obrigada a todos que torcem por mim. Hoje foi um dia inesquecível. Obrigada ao Comité Olímpico da Guiné-Bissau. Penta campeã tão bom!”, Escreveu a atleta nacional na sua conta pessoal na rede social facebook.

Em grande plano em Antananarivo, capital Malgaxe, Taciana Rezende de Lima César [alteração do apelido, devido ao casamento com Diogo César] de 33 anos idade teve uma participação invicta nesta prova africana. Cinco participações, cinco medalhas de Ouro consecutivas.

Recorde-se que Taciana Lima César arrecadou mais de dez medalhas desde o ano 2013, pela Guiné-Bissau “Terra do seu pai”.

Em 2001, na altura em representação da seleção do Brasil [Terra da sua mãe, onde ela nasceu] foi campeã Pan-americano. Com Odemocrata