sábado, 14 de maio de 2022

Amai-vos uns aos outros …

“A família é o santuário da vida e do amor, lugar da manifestação de «uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura” 

Jesus, ao despedir-se dos discípulos, deixa-lhes em testamento o "mandamento novo: «Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei»". Este mandamento é uma síntese da Sua vida e um estatuto da comunidade cristã chamada a concretizar o projeto de Deus. Jo 13, 31-33a. 34-35

A recomendação feita por Jesus tem “sabores” muito ricos e plurais: testamento vital, espelho do amor mútuo a Deus seu Pai, núcleo fundamental e dinamismo permanente da comunidade cristã, credencial do testemunho dos discípulos, força e imperativo de humanização qualificada de toda a sociedade. Os momentos cruciais da vida de Jesus entram na “recta” final. É hora de abertura total, de confidências, de comunicação de “últimas” vontades. E o amor surge com toda a sua energia e amplitude. É um amor de entrega, de serviço, de perdão, de doação. A atestá-lo está a ceia de despedida, o lava-pés, o episódio de Judas.

Os discípulos de Jesus não são os depositários de uma doutrina, ou de uma ideologia, ou os observadores de leis, ou os fiéis cumpridores de ritos. Não. 

A recomendação feita comporta uma dupla novidade: ser discípulo é viver um amor recíproco, amor este que realiza, a seu modo, o próprio amor de salvação que Jesus irradia na sua missão. “Amai-vos” porque é a forma única de viverdes o amor que me tendes e que eu recebi de meu Pai. Este “vos” configura-se em muitos rostos humanos, dos quais se destacam o amor conjugal e familiar, as relações fraternas no seio da comunidade cristã que celebra a eucaristia. A “seiva” vitalizadora de todas as configurações é sempre o amor, amor de doação e de entrega. 

A história regista abundantes exemplos de homens e mulheres que fizeram da sua vida o projecto mobilizador do amor. Valha, a título de ilustração, o testemunho de Dom Hélder Câmara, bispo brasileiro, que relata a sua vocação a partir da conversa com o pai que era maçon. Desde muito novo, Hélder alimentava o sonho de ser padre. Um dia resolve dizê-lo ao pai que não se opõe, mas lhe faz algumas perguntas esclarecedoras: “Tu queres ser sacerdote? Mas sabes o que é que isso quer dizer? Padre e egoísmo não podem andar juntos: o padre é alguém que deve dar-se, dar-se sempre. Estás disposto a ser assim?”. Ele responde: “Mas é precisamente assim que eu quero ser!”. E acrescenta Dom Hélder, já bispo: “Mais, para que serve o cristão senão para se dar?!”. A sua resposta clara e decidida leva-o a assumir atitudes coerentes e corajosas em todas as situações de vida. 

O cristão está chamado a dar-se, sobretudo no amor conjugal e familiar. Esta vocação provém da fonte que é Deus, o criador da natureza, da cultura e da educação que encaminham a energia humana de atracção mútua e de apoio pessoal, da fé cristã que descobre e aprecia, no matrimónio, o apelo à colaboração com Deus, na obra da realização pessoal e da transmissão da vida e de serviço à humanidade. 

Afirmam os nossos bispos, citando o Papa Francisco, em recente mensagem sobre ‘a força da família em tempos de crise’: “A família é o santuário da vida e do amor, lugar da manifestação de «uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura» ”.


quinta-feira, 24 de junho de 2021

Guiné-Bissau: Situação de verdadeiros combatentes vs. acto da justiça social

Graças a Deus ao ex-presidente Dr. José Mário Vaz, por ter ousadia em trazer para fora, à luz do dia, o conceito da quota étnica afinal que tem sido aplicado há tempo pelo PAIGC não somente nas FARP, neste caso concreto também ligado aos Antigos Combatentes.

A forma como foi definido pelos Grupinhos de Praça, que arrebataram o destino do País critérios para adjudicar o estatuto de combatentes da liberdade da pátria, foi claramente discriminatória, uma autêntica aplicação da quota étnica em relação aos balantas, que indubitavelmente foram a base da logística de Guerra durante 11 anos. Recorda-se que no período referido de Guerra não houve sequer um barco de importação de arroz para alimentar 5 mil tropas de Cabral. Foi todo um trabalho forçado imposto aos Balantas de Quinara e Tombali na maioria. A título de exemplo, estes funcionavam como os operacionais de logística na zona libertada na frente das batalhas (adolescente, mulheres e colaboradores nas aldeias).

Como tal, pela definição de na constituição da República, cabiam todos lá em primeira linha como combatentes da liberdade da Pátria. Mas tudo infelizmente foi maquiavelicamente omisso pelo PAIGC não Cabralista.

Por isso na zona zero, (onde a maioria mamavam com Tugas) introduziram no critério da escolha, suas variantes próprias a conveniência, sem observância do que está patente na carta magna relativamente sobre a definição dos Antigos Combatentes. Paradoxalmente, passando assim incluir até os colaboradores de Tugas, na mesma “tigela” com verdadeiros combatentes. Isto demonstra claramente a discriminação para uma determinada etnia, (uma forma de aplicação em pratica da balança de quota étnica) neste caso aquela que mais contribuiu em sacrifícios e vidas para conquista da nossa independência nacional. Em abono de verdade, as outras etnias, foram introduzidas como militantes não militarizados do PAIGC pós -Independência, desta forma adquirir o brilhante estatuto de Combatente da Liberdade da Pátria (Sr. Cadogo é um exemplo), deixando para fora muitos Quidelé na Ritchie nas aldeias de Quinara e Tombali, hoje como Combatentes desconhecidos e não reconhecidos pelo Estado da Guiné-Bissau, na maioria os Balantas, configurando mais uma vez um esquema fina de quotização étnica discriminatória contra os Balantas.

O mais grave, foi em 1994, quando então ministro do PAIGC, N'Djamba Mané, distribuiu, de uma forma criminoso, os cartões de combate na zona de Quinara (aos Biafadas e Mandingas), como forma de conseguir votos para PAIGC.

E mais, é que todos os documentos da luta, deviam ser retirados da posse do PAIGC, para ser arquivado como documentos que narram a história nacional da luta para implantação da República da Guiné-Bissau e Cabo-verde. Infelizmente até hoje, o PAIGC continua a emitir esses documentos para validar ou não quem ao seu bel-prazer deve ser combatente, o que devia ser resolvida na altura da abertura política democrática...

Solução devia ser a observância rigorosa das leis da República já existentes e adequá-las paulatinamente às necessidades emergentes e alguns ajustamentos aqui ou lá. Seria necessário desencadear um Processo de sensibilização para correção dos erros cometidos anteriormente e a assim redimensionar ou redefinir atribuição dos estatuto de combatentes da liberdade da pátria, envolvendo-se no processo, ciclos de conferências de explicações desde secções, sectores e regiões para identificar os combatentes injustiçados ainda desconhecidos.

Por, Wilrane Fernandes


quinta-feira, 20 de maio de 2021

A visita do Presidente de Portugal, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, à Guiné-Bissau, foi uma visita histórica, sem retóricas nem complexos...

 Por, Escritor guineense, Fernando Casimiro

 

A visita do Presidente de Portugal, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, à Guiné-Bissau, entre 17 e 18 de Maio de 2021, afinal, sempre serviu para, numa constatação factual, legitimar Verdades sobre Mentiras, relativamente ao Bloqueio da Guiné-Bissau entre 2015 aos dias de hoje, com repercussões na vida política, social e económica do país, mas também, e não menos importante, em prejuízo da Afirmação da Guiné-Bissau no Concerto das Nações!

 

Como é que o líder do maior partido político da Guiné-Bissau continua a querer ser o único dono de todas as Verdades e, consequentemente, merecedor de todas as Razões, face às suas derrotas políticas, pondo em causa as Instituições da República da Guiné-Bissau; Países Amigos e Parceiros da Guiné-Bissau, mas também, Chefes de Estado e Distintas Personalidades Mundiais?

 

Como querer ensinar Direito Constitucional e Direitos Humanos a um Professor Catedrático, jubilado, de Direito Constitucional, político e governante, experimentado; HOMEM HUMILDE, de CARÁCTER, POR EXCELÊNCIA; Presidente da República de Portugal, apenas e só, por ser ele mesmo e não quem alguém, habituado a manipular consciências, queria que fosse, em benefício dos seus interesses?

 

Porquê manipular e instrumentalizar cidadãos guineenses, dentro e fora de portas, contra o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, ignorando, por um lado, Portugal, que nunca fechou portas a nenhum Guineense e, por outro, o Pluralismo, a Diversidade, como sustentos da Democracia?

 

Onde está o Sentido de Estado?

 

Porquê a doentia pretensão de querer estar sempre acima da Guiné-Bissau, do Povo Guineense, e das Leis da República, em nome dos seus caprichos, quiçá, dos seus interesses?

 

Urge acabar com a estratégia encomendada e promovida por certos políticos guineenses contra o Progresso e o Bem-Estar do seu próprio Povo, que tem, muitas vezes apoio de órgãos de comunicação social públicos, de Países como Portugal, por exemplo, através da RTP- RDP-África! É preciso que o Presidente da República de Portugal saiba disso!

 

Urge condenar/repudiar o aproveitamento oportunista, dos Direitos Humanos e Fundamentais, por certos políticos, na instrumentalização de cidadãos e órgãos de comunicação social da Guiné-Bissau para provocações ao exercício do poder coercivo institucional, que incluem insultos e ameaças de morte ao Presidente da República, mas também, a todos os cidadãos que pensam diferente deles, para depois, condenarem as actuações das intervenções coercivas, por saberem que a intolerância aos insultos e às ameaças de morte na Guiné-Bissau por mais que se fale de Estado de Direito, continua a ser resolvida pela justiça das próprias mãos (e não do Estado), e em função do poder do mais forte.

 

Depois de se servirem de cidadãos como "carne para canhão", apressam-se a denunciar abusos e violações aos Direitos Humanos na Guiné-Bissau...

 

A história já é antiga, muito antiga, para continuarmos a deixar que o DIREITO ignore, ou, se sobreponha ao DEVER, numa perspectiva igualitária do RESPEITO por AMBOS, pelo CIDADÃO!

 

Pois bem, da visita de Estado: Históricas, DE FRATERNIDADE, AMIZADE E SEM COMPLEXOS, do Presidente da República de Portugal à Guiné-Bissau, eis algumas TESES que sustento, com convicção e que espero, venham a merecer estudos e desenvolvimentos políticos, sociais e outros, de gente dedicada à Academia do Conhecimento, mas também, de Políticos e Governantes Guineenses; de Países e Parceiros da Guiné-Bissau.

 

Vejamos, pois, as Teses que a seguir deixo à consideração dos meus leitores e, ou, dos interessados, entre Verdades e Mentiras, salvaguardando o Direito à Discordância, por via do Pluralismo!

 

1. A confirmação da Verdade de todas as verdades sobre o desígnio político-ideológico do PAIGC: "Se não estás connosco, é porque és contra nós". O Presidente da República de Portugal, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, certamente não tinha conhecimento desta tese, mas creio que não ficará indiferente a esta constatação...!

 

2. A Mentira sobre a alegada defesa da Democracia e do Pluralismo Político-partidário; da Inclusão e da Tolerância, numa perspectiva de fazer da Política, uma Ferramenta/Ponte, de Comunicação e de Diálogo, visando servir o País e as Populações. Viu-se, vimos todos, e o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa também deve ter visto...

 

3. A Mentira sobre o Compromisso para com o País, a Guiné-Bissau, e com a Defesa do Interesse Nacional. Obviamente que não passou despercebido a ninguém "o virar de costas" dos mal-intencionados relativamente à Afirmação do seu País e, muito menos ao ilustre hóspede que a Guiné-Bissau acolheu como se fosse seu próprio filho e os Guineenses acolheram como se fosse irmão de sangue...

 

4. A verdade sobre a Mentira dos diversos "julgamentos" e "condenações" ao ex-Presidente da República da Guiné-Bissau, entre 2014 - 2019 tido como "único culpado" face às sucessivas crises em que um dos protagonistas, à época, continua a ser, nos dias de hoje, o promotor-mor de mais tentativas de bloqueio e desestabilização da Guiné-Bissau.

 

5. A Verdade sobre quem ordenou o bloqueio da Assembleia Nacional Popular durante a maior parte de toda uma legislatura, depois da sua exoneração do cargo de Primeiro-ministro em Agosto de 2015, passando a fazer "guerra" institucional aberta ao então Presidente da República da Guiné-Bissau, Dr. José Mário Vaz.

 

6. A Verdade sobre a Mentira, face à Manipulação e à Instrumentalização: política e social, sobre deturpações e falsas acusações relativamente à Guiné-Bissau, no intuito de atingir os rivais políticos.

 

7. A Verdade sobre o porquê de a CEDEAO, a União Africana, o Senegal, a Nigéria e Cabo-Verde, por exemplo, entre Organizações e Estados, passarem a ser acusados de serem "legitimadores" do Presidente da República eleito da Guiné-Bissau, General Umaro Sissoco Embaló. O Presidente da República de Portugal, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa já está a par da inclusão de Portugal no lote de "legitimadores" do Presidente Sissoco Embaló... Provavelmente nunca lhe passou pela cabeça que, pessoas que se dizem conhecedoras da Política e do Direito, numa perspectiva científica, fossem tão vulgares academicamente falando, e espantosamente, admiráveis na sustentação do senso-comum.

 

Resumindo e concluindo:

A visita de Estado do Presidente da República de Portugal à Guiné-Bissau, trouxe à tona a Verdade sobre quem, de facto, quer que a Guiné-Bissau continue bloqueada, marginalizada, desrespeitada e excluída (face aos seus Direitos e aos seus DEVERES, enquanto ESTADO SOBERANO), no Concerto das Nações!

 

Numa perspectiva Social, esta visita veio confirmar que o Povo Guineense (não estou a falar das claques de "deuses políticos" e dos partidos políticos), precisa e merece ser ajudado!

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Festa de Todos os Santos

ALEGRAI-VOS E EXULTAI, DIZ O SENHOR

 

É apelo, que se faz convite e exortação, dirigido por Jesus aos discípulos, ao terminar o ensinamento sobre as bem-aventuranças. E a justificação vem logo a seguir: “Porque é grande, nos Céus, a vossa recompensa”.Mt 5, 1-12.

 

Os discípulos são aconselhados a viverem, na alegria exultante, as situações de difamação e insulto, de perseguição e enxovalho à sua dignidade; situações criadas “por minha causa”, por serem coerentes com as atitudes de Jesus, o divino Mestre; atentados provocados por quem não tolera mais o seu estilo de vida, o seu testemunho.

 

O quadro de referências está traçado, os termos são claros, é grande a provocação e maior o desafio. A novidade da proposta de realização feliz, de toda a pessoa, vai ser solenemente anunciada. No cimo da montanha, como outrora Moisés no Sinai, Jesus declara honoráveis os pobres, por decisão própria, os espoliados injustamente do seu nome e dos seus bens, os generosos voluntários da paz, os perseguidos por defenderam a justiça. A honorabilidade provém de Deus porque estas atitudes reflectem e concretizam as suas preferências e o seu agir, continuam, na história, o estilo de vida do seu Filho Jesus e vão-se configurando, no proceder de cada discípulo e de cada comunidade cristã.

 

“O que torna feliz uma existência, afirma o Irmão Roger, fundador da comunidade de Taizé, é avançar para a simplicidade: a simplicidade do nosso coração e da nossa vida. Para que uma vida seja feliz, não é indispensável ter capacidades extraordinárias ou grandes possibilidades: o dom humilde da própria pessoa torna-a feliz”.

 

A riqueza do homem é a sua pessoa e não o seu dinheiro. Optar por tudo o que ajude a pessoa a ser livre, a sentir-se sem quaisquer amarras, a estar disponível para partilhar o que tem, a não acumular e reter bens apenas para si, torna-se indispensável à saúde da nossa comum humanidade e à qualidade da nossa fé cristã. Quem o faz ou se esforça com seriedade, por o ir fazendo, está em sintonia com Deus, é feliz e beneficia da sua bênção. Choca, inevitavelmente, com uma sociedade baseada na ambição da riqueza, na ânsia do poder e da glória. E vê recaírem sobre si as mais diversas formas de descrédito, de humilhação, de espoliação, de acusação infame, de morte silenciada.

 

Quem a estas desonras responde com mansidão e pureza de intenções, de paciência sofrida e desejo sincero de justiça, de misericórdia benevolente, manifesta o proceder de Deus e “corre o véu” que tantas vezes oculta a sua presença entre nós e abre caminho à comunhão definitiva com Ele e com todos os que n’Ele se encontram. Participa, deste modo, na comunhão dos santos! Vive já uma nova realidade que no futuro contemplará em plenitude. “É uma multidão imensa, que ninguém pode contar de todas as nações, povos, tribos e línguas, confessa São João no Apocalipse. “São os que vieram da grande tribulação, os que lavaram as túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro”. São os santos de “ao pé da porta”: pais que criam os seus filhos com tanto amor, homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, doentes, consagradas idosas que continuam a sorrir, exemplifica o. Papa Francisco.

 

Aspirar à santidade e ser santo, faz parte da realização plena da natureza humana, é fruto do amor de Deus por nós e do esforço de cada um e de todos para correspondermos a este amor enternecido que se humaniza de modos tão próximos e interpelantes.

 

“Por fim, escreve o Papa Francisco na homilia deste dia, gostaria de citar mais uma bem-aventurança, que não se encontra no Evangelho (deste domingo), mas na conclusão da Bíblia, e fala do final da vida: «Felizes os mortos que morrem no Senhor» (Ap 14, 13). Amanhã seremos chamados a acompanhar com a oração os nossos defuntos, para que rejubilem para sempre no Senhor. Recordemos com gratidão os nossos queridos e oremos por eles”.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

Guiné-Bissau: Estado detém o monopólio do poder de julgar


"Homem necessita do convívio em sociedade, que por sua vez necessita de poder para restringir condutas humanas, por causa do caos, assim, surge o Estado."

Reflexão do General, jurista, Dr. Daba Naualna

Em sentido aristotélico da palavra, a justiça significa a igualdade e esta última, o tratamento diferenciado para situações diferentes e o mesmo tratamento para as situações idênticas.

Decerto que o advento do positivismo filosófico-jurídico fez cair em desuso o enorme caudal da corrente doutrinária que se vinha desenvolvendo sobre o assunto. Com o positivismo jurídico passou-se a confundir o justo com o legal e a justiça, com a legalidade.

Mas na verdade o justo (o équo) não é e nem deve ser sinônimo do legal. É certo que as leis devem ser justas para poderem ser o reflexo da justiça, mas nem sempre o justo precisa de ser legal. Ou seja, o justo não deixa de o ser por não estar plasmado na lei, porque nem sempre o que vem plasmado é automaticamente justo. Tanto assim é que existem muitas injustiças legalizadas e muitas justiças fora da lei.

Todavia, a força do positivismo não eliminou por completo a ideia original, Cunhada no pensamento aristotélico, segundo a qual a justiça é sinonima da igualdade. O discurso político testemunha-o de forma límpida quando se refere à justiça igual para todos. Outro resquício desta ideia está na badalada afirmação de que só o Estado detém o monopólio da justiça, posto que ninguém é bom juiz em causa própria, sem desvirtuar a igualdade que lhe subjacente.

Então, se é verdade que o Estado detém o monopólio do poder de julgar, é bom que faça jus a este seu poder e julgue com equidade, porque se não o fizer estará a exonerar-se, sem motivos, das suas funções, com graves consequência de estar a criar condições para o recurso à tão temível quanto tumultuada, justiça privada.

Para garantir a igualdade de todos perante a justiça, o juiz deve ser apenas, a boca que pronúncia seca e cegamente as palavras da lei. Por outras palavras, o juiz deve ser imparcial. Na hora de decidir, o juiz não deve olhar para as condições das pessoas que em juízo disputam. Rico ou pobre, branco ou negro, fula ou mandinga, cristão ou muçulmano, todos são seres humanos e, como tal igual aos olhos da lei e perante o juiz. Doutra forma haverão injustiças e desigualdades.

Só desta forma o legal equivale ao justo e a legalidade, sinonima da justiça.

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.


segunda-feira, 1 de junho de 2020

INSTRUMENTALIZAÇÃO ÉTNICA NA GUINÉ-BISSAU:PELOS AUTODENOMINADOS “MININUS DI PRAÇA”

PELAS FUTURAS GERAÇÕES

A NOSSA MENSAGEM

Pelas Futuras Gerações e pela nossa! Da profundeza dos Tempos, aportamos à nossa Época!
Trazemos a Sabedoria dos Antigos e do nosso Tempo! Não renegamos a nossa Cultura nem rejeitamos o contributo válido de qualquer outra! Compreendemos melhor o Passado e perspectivamos na medida justa o nosso Futuro Colectivo!

Com o presente Blogue, queremos dar o nosso contributo para uma reflexão isenta sobre o nosso País e a Sociedade que temos ou queremos ter. Não pretendemos ter o exclusivo da Verdade! Reflectimos sobre o que achamos de interesse comum, como contributo para o nosso Desenvolvimento Colectivo, para o qual você está convidado a ter Opinião!

Essa reflexão é necessária para a afirmação e definição de uma Cidadania responsável e para a melhoria da qualidade da nossa Sociedade, determinante para o sucesso ou insucesso de qualquer processo de Desenvolvimento Humano. Um Povo sem Regra de Vida (em Família, na Escola, na Economia, na Política, etc) torna-se um estropício para o resto da Humanidade, a começar por si próprio.

A Vida dos Povos é comparável à uma Corrida de Estafeta em que cada Nova Geração deve fazer a Melhor Corrida possível de modo a Transmitir à Geração Seguinte o Testemunho da sua Competência Global em condições de alcançar a Vitória Final.

Venha connosco! Para o Futuro! Pelas Futuras Gerações que, sem culpa, irão sofrer pelos Erros que a nossa Geração está cometendo contra si própria, tornando-se causa remota do seu possível fracasso ou desconforto, quando já cá não estivermos!

Nós estamos a bordo, buscando o rumo certo! Aceite o nosso convite!

O caminho é longo e movediço! Mas é o caminho! Somos os

INTELECTUAIS BALANTAS NA DIÁSPORA!


“Ser de praça” é um conceito social usado por um grupo de pessoas para não se sujeitarem ao crivo de rigor académico para a ocupação de certos cargos na administração pública […].


Em muitos países, a maioria das elites são oriundas de regiões suburbanas ou aldeias. Na Rússia temos o Putin; em Portugal foi o caso do Professor Cavaco Silva; no reino unido tivemos o David Cameron, etc. Essas figuras publicas passaram pelo crivo de excelência académica e experiência profissional associado à aptidão de vencer num concurso ou sufrágio publico sem serem escolhidos ou nomeados.

“Ser de praça” não nos incomoda, mas sim, o ódio étnico que deveria ser criminalizado (como esperamos no advento da Revisão Constitucional) porque traz consequências imprevisíveis. Qualquer um pode-se apelidar de praça; isso é como alguém se auto-intitular de algo de que se sonha ou se admira.

Os tais “Meninos de praça” na Guiné-Bissau não passam de um conjunto de indivíduos ou sensibilidades que, depois de 17 de outubro de 86 consolidaram-se num novo figurino invisível, “dono e gestor”, substituindo o Estado e o poder central na praça de Bissau. Esse grupo representa apenas 5 - 10% da população total, subjugando em todos os aspectos a maioria dos bissau-guineenses, notoriamente são poucos interessados em identificarem-se no desenvolvimento sustentável e transversal da Guiné-Bissau no seu todo.

Essa franja de indivíduos com complexo de identificação étnica, a roçar o ódio étnico, foram os “fabricantes” de todos os tipos de golpes de Estado (com aliciamentos e envolvimentos dos Generais) que temos assistido desde o golpe de Estado de 14 de novembro de 1980; são os responsáveis pela destruição do conceito de Estado e em consequência o próprio Estado da Guiné-Bissau, através da promoção da corrupção, nepotismo, clientelismo, e apropriação partidária da Função Publica como forma de centralização do poder no Partido libertador, facilitando o acesso ao emprego para os seus militantes.

Essa mesma franja, que após o Caso 17 de Outubro 1986 (depois da limpeza étnica dos Balantas do PAIGC), teve o PAIGC como base de apoio para todos esses malabarismos então dirigido pelo General Nino Vieira (o percursor e introdutor de tráfico de Droga na Guine Bissau) que, maquiavelicamente representava a figura dos antigos combatentes nesta Esquadrilha somente para os combates eleitorais sob insígnias da Luta Armanda de um lado, doutro piscando olho assim à etnia papel como uma base étnica eleitoral de identificação, o que não passa de uma farsa orquestrada contra os Papeis.

Criou-se assim uma aliança transfronteiriça entre “os civilizados” de praça com a dita comunidade internacional - P5- em detrimento dos interesses do Povo Guineense. Essa aliança colocou estrategicamente os embaixadores pertencentes ao P5, que só representam os seus interesses. Deste modo, o País passou-se a ser gerido de fora para dentro pela dita Comunidade Internacional.
  
As definições de “Mininus di Praça di Bissau

   Os autodenominados “Genuínos Mininus di praça”: São os que julgam genuínos, civilizados, herdeiros de Honório Barreto, o núcleo duro Central da purga, nascidos em Capitais, tais como Cacheu, Bolama, Bissau, que julgam donos da Guiné-Bissau Intelectual, por serem netos das Civilizações assimiladas dos colonos, baptizados nas antigas tradições católicas Portuguesas, que os incutiram complexos e ódio étnicos, são os verdadeiros motores discriminatórios do sistema. Nesta categoria estão incluídos também os filhos dos Militares Portugueses não reconhecidos, filhos dos antigos Cipaios e administradores portugueses e elementos de origens Cabo-verdianos ou Libanês/Sírios misturados com sangue étnico autóctones.
 “Os GEBAS,” estes não passam de filhos das misturas multiétnicas autóctones, gerados na metrópole, muitos sem conhecer os pais e alguns com identidades étnicas bem definidas, mas simplesmente não assumidas. Também incutidos os complexos e ódio étnicos em não se identificarem com etnias pelos colonos portugueses. E em suma, não existe uma etnia Geba mas sim um Mito.  

“Os Escoados” - os fifty-fifty -  uma forma de transição ou passagem suave entre pertença étnica para categoria de “mininus di praça”. Aqui já não é culpa dos portugueses e nem é preciso ser baptizado. Muitos desta gente tiveram que mudar nomes étnicos para apelidos de praça (no Reinado do Sr. Cadogo) para ter que passar os concursos públicos por efeito do emprego.

Ora, é esta forma de estratificação Social montada há tempo a funcionar como eixo de mal que deve ser combatida; são incapazes de arrancar ou desbloquear o desenvolvimento do País e ao mesmo tempo não permitir que outros o façam. Esse bloqueio é que constituiu o nosso primeiro objectivo em escrever este artigo de opinião centrado na luta contra essa estratificação social e nunca contra etnias que são a base da nossa essência. Estes infelizes têm sustentado o verdadeiro eixo do mal durante anos invisivelmente montado para manter no poder uns grupelhos de sanguessugas ávidos de substituir os Colonos Brancos na forma e nas acções. Nunca aceitaram nenhum tipo de mudança que reverta em melhorias das condições de vidas das populações como foi o juramento à vida do próprio Amílcar Lopes Cabral.

Temos que apelar à nossa População em geral sobre estes fenómenos insidiosos dos ditos “Civilizados di Praça” altamente perigoso, que já contribuiu e muito na desagregação de tecido social Guineenses e tbm na inviabilidade da consolidação Democrática e da unidade Nacional.

Alerta máxima para etnia Papel que tem sido usado e abusado nas Campanhas eleitorais como uma base étnica pelos “mininus di praça” - esta categoria dos “Civilizados” maquiavelicamente serve-se da etnia Papel como base étnica da identificação para aparentar-se (atenção Papeis, muitos deles não tem afinidades étnica com os convosco) só pelo facto de terem nascidos em Bissau, zona predominante dos Papeis. Deste modo, muitos dos Papeis, “étnico-cegos”, embarcaram-se nesta aventura que não passou de uma armadilha de “Mininus di Praça” em armar um mero suporte étnico eleitoral. Eles não querem e nunca quiseram saber dos Papeis Reais que vivem nas aldeias. Agindo deste modo, estão a expor os Papeis como etnia em risco de colisões com outras etnias, colocando-os falsamente num patamar superior que outras; uma manipulação bem conhecida de “dividir para reinar”, herdada do colonialismo. Um dos exemplos foi um facto usado na instrumentalização do caso do tal deputado da etnia Papel que quase podia dar para torto com consequências imprevisíveis. “Pepelis nha parentis Bo iabri  udjus deh !! Tugas bai Dja, essis i Pretus suma nós... só pa pui ellis no sê lugar mas nada”.

Quanto ao resto da população, constitui realmente uma maioria finamente discriminada, por parte desta franja maquiavélica da Cidade, explorada de todas as formas, desprovidas dos direitos fundamentais consagrados nos pilares das Nações Unidas, tais como o saneamento básico, educação e saúde. Mesmo o simples juntar-se ou reunir-se em comunidades rurais é censurado pelos ditos “civilizados”. Quando isso acontece são apelidados de tribalistas ou raça de fundinho na mesquita, nomes como “Conferencia di Nhoma”, etc. Enquanto eles já podem livremente fazer suas conferências de concentrações ou reuniões de Clã em qualquer momento e lugar (desde santuário di Cacheu, Rotary Club Bissau, etc). Esta forma de discriminação da minoria sobre a maioria, recorda-se é um pressuposto para o Genocídio.

Portanto a nossa opinião é legislar quanto antes possível sobre esta matéria, quiçá, já na próxima Revisão da Constituição.

De referir que o General Umaro Sissoco Embalo, apercebendo desta Clivagem Social, leu bem a realidade e apresentou-a na sua Campanha e teve brilhante resultado e ninguém hoje tem dúvidas desta bipolaridade na Guiné-Bissau. Acabou por ser um justo vencedor das eleições Presidenciais, até com uma certas facilidades, porque soube sair e aproveitar os anseios de maioria da População discriminada, lutando em prol da coesão e para uma união verdadeira duma Guiné-Bissau justa e com igualdade de oportunidade para todos.

Por isso também acreditamos que os interesses de classe e a própria classe tem que ser combatida desmantelada, alias é isso que as Redes sociais estão a fazer e bem com um enorme Contributo Cívico dos CET na frente o Sr Leopoldo Sadar.

“Ser de praça” é relativo – depende muito de onde se encontra e o que se faz. Ora se “ser de praça” é apenas saber vestir, comer com faca e garfo à mesa, ir às festas, então preferimos as nossas posições sociais actuais. Em Portugal, durante a nossa passagem pelas Universidades vimos portugueses de gema que não sabiam bem usar facas e garfos; será que não eram de praça ou civilizados?

“Os de praça” que aceitem então o desafio de concurso público para um lugar de relevo para ingresso à Função Publica […].

terça-feira, 3 de março de 2020

O presidente da Guiné-Bissau, General Umaro El Mokhtar Sissoco Embalo, conferiu posse ao novo Governo chefiado pelo Primeiro-Ministro Eng. Nuno Gomes Nabiam


O presidente democraticamente eleito da Guiné-Bissau, General Umaro El Mokhtar Sissoco Embalo, conferiu posse ao novo Governo chefiado pelo Primeiro-Ministro Eng. Nuno Gomes Nabiam, numa cerimónia que se realizou no Palácio da Republica, em Bissau.


Tomaram posse os Ministros e os Secretários de Estado.



Elenco Governamental da Guiné-Bissau


O novo Primeiro-ministro, Nuno Gomes Nabiam, admitiu que herdou uma Guiné-Bissau profundamente dividida do ponto de vista social e étnico.

Nabiam disse no seu discurso que as sucessivas campanhas eleitorais e o desespero dos candidatos têm levado o país a utilizar de maneira negativa as suas diferenças culturais e sociais.

Lembrou que as eleições legislativas de março de 2019 não qualificaram o peso das diferentes forças políticas do país, pelo que o povo obrigou os atores políticos a uma partilha do poder.

Explicou que o primeiro ensaio desta partilha, com o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) não funcionou, porque não conseguiu interiorizar o conceito de partilha do poder.

Assegurou que a mensagem do povo voltou a ser a mesma nas eleições presidenciais de novembro último e a oposição percebeu a mensagem, decidiu experimentar uma coligação e para a surpresa da comunidade internacional ganhou eleições de forma folgada.

Sobre a campanha de caju, Nabiam promete diligências para o sucesso da comercialização da castanha que representa mais de 80 por cento das receitas de exportações globais do país.

“Uma dependência muito séria que fragiliza a nossa economia e por esta razão, a campanha de castanha tem que correr bem, para que no momento do balanço final, todos os atores que nela participam ganhem rendimento”, enfatizou.