A
constatação da (des)construção e a insatisfação pelo trabalho realizado deve,
por sua vez, obriga-nos a pensar o próprio conceito de Herói Nacional inerente
a data assinalada e ao país no seu todo – territorial e temporalmente.
Edson Incopté
Assinalar a data de 20 de Janeiro, Dia dos Heróis Nacionais da
Guiné-Bissau, não representa e não deve representar, jamais, um simples e
simbólico homenagear daqueles que, durante a luta de libertação nacional, deram
sangue e vida pela nação. 20 de Janeiro, a semelhança de outras datas, deve
obrigar-nos a pensar o país; a considerar os projectos mutilados e sonhos adiados.
Obrigar-nos a olhar para a Guiné-Bissau que (des)construímos ao longo de 40
anos como país independente. Obrigar-nos a avaliar o trabalho realizado ao
longo de 41 anos depois da morte daquele que era, seguramente, o mais bem
preparado de todos os filhos do país.
A constatação da (des)construção e a
insatisfação pelo trabalho realizado deve, por sua vez, obriga-nos a pensar o
próprio conceito de Herói Nacional inerente a data assinalada e ao país no seu
todo – territorial e temporalmente.
Sob esse pensamento, acabamos por,
infelizmente, chegar a conclusão que a exceção de D. Settimio Arturo
Ferrazzetta (uma opinião pessoal), 40 anos depois, todos os nosso heróis
nacionais continuam a ser heróis de “bati bala”. Homens que num tempo próprio,
diferente do de hoje, colocaram os seus saberes e esforços ao serviço da causa
guineense.
O mesmo pensamento leva-nos,
igualmente, a observar que muitos dos heróis que emergiram no período de “bati
bala”, com o passar dos anos, tombaram no vil poço da traição – traição ao
povo, ao país e aos ideais da luta. Pelo que era e é necessário irem surgindo
figuras capazes de servir de referência a nível nacional. Pessoas que, pela
conduta e dedicação a causa comum, atinjam o estatuto de herói; por mais
relativo que o conceito possa ser.
É imperioso que a Guiné-Bissau de
hoje conheça figuras que, fora dos jogos de interesses, sejam capazes de estar
junto do povo em busca do desenvolvimento para a pátria. Figuras que sejam
capazes de alimentar o esperançar moribundo de toda uma nação. Que,
politicamente falando, recebam o poder em nome do povo e para o povo e sejam
capazes de orquestrar um projecto político e exercer uma liderança capaz de
mobilizar vontades e capacidades para o tão ansiado progresso do país.
Não podemos continuar a celebrar os
nossos heróis de ontem, tendo hoje um país quase ingovernável e um povo que
sobrevive miseravelmente. Não podemos continuar a celebrar os heróis de ontem
se fomos e somos hoje incapazes de dar seguimento as suas lutas. Aliás, dos heróis
que recordamos nesta data, vivos e mortos, são poucos (ou quase nenhuns) os que
têm/teriam razões para celebrar.
Mais do que nunca, temos actualmente
a necessidade de recriar a nação guineense, “a nível político, económico,
social e cultural; liberta de toda a forma de exploração de um grupo ou classe”
e isso passa pelo surgimento de homens e mulheres comprometidos com a causa
nacional. Comprometidos com aquilo que significa o restruturar da Guiné-Bissau,
dando-lhe um novo papel e uma nova cara, em África e no mundo.
O nosso país não pode continuar a
tatear no escuro. Caminhando por um caminho incerto, pelo qual é o futuro das
próximas gerações que se vê hipotecado. Temos que ser e fazer mais do que isto
que fomos e fizemos durante os 40 anos que se passaram. A Guiné-Bissau tem que
ser e valer todo o nosso esforço, tem que ser razão do nosso viver, tal como
foi no passado para vários heróis, no verdadeiro sentido da palavra.
Viva a Guiné-Bissau!
Viva o povo guineense!
Viva os verdadeiros heróis nacionais!
Edson Incopté
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