Antes de tudo, é importante sublinhar que tivemos que enfrentar e ganho na nossa perspetiva uma importante Guerra Social, que custou inclusive a vida de um dos nossos fundadores, o Dr. VI. Posteriormente, perdemos também um dos nossos maiores ativos, devido a uma doença prolongada, o Eng. IN.
Por estes motivos, e por entendermos que era necessário prestar uma justa homenagem às almas dos nossos entes queridos, bem como por termos alcançado os objetivos relativamente à difícil Guerra Social que tivemos que enfrentar, decidimos, por bem, fazer uma pausa e dar oportunidade e tempo ao regime de Umaro Sissoco Embaló, entretanto proclamado vencedor das eleições.
Apraz-nos recordar que, antes da fundação da IDB, durante não menos de dez anos, uma plataforma onde dois ou três Balantas se reunissem era suficiente para despertar a atenção do Estado e da sociedade guineense, sendo imediatamente associada a possíveis tentativas de golpe de Estado ou atos de tribalismo.
Enquanto isso, outros grupos étnicos podiam, há anos, reunir-se em multidões, criar associações com nomes étnicos, visíveis aos olhos de todos os guineenses e aceites pacificamente pelo Estado guineense.
Que fique claro que esta discriminação grosseira por parte do Estado guineense contra o grupo Balanta, sempre acompanhada de várias conotações pejorativas, não se limitava apenas à classe castrense, mas estendia-se sobretudo a todas as esferas da vida pública, particularmente à Administração Pública guineense.
A IDB surgiu nesse contexto, lutou incansavelmente e continuará a lutar contra aquilo que considera uma injustiça do Estado e da sociedade guineense instituída contra a etnia Balanta.
Quem não se recorda do “Kiang-Yangue”, um simples ato cultural e uma inovação religiosa Balanta que foi brutalmente reprimida e extinta pelo Estado “laico” da Guiné-Bissau!!? Tratou-se de uma profunda discriminação cultural e religiosa praticada pelo Estado e pela sociedade guineense contra os Balantas.
Hoje, passeando pela Praça de Bissau, encontram-se manifestações religiosas de vários tipos, incluindo pessoas com indumentos ultrarreligiosos que cobrem todo o corpo, inclusive o rosto.
Após a luta que IDB travou através das Redes Sociais inicialmente etiquetada como um panfleto tribal pelos incomodados tribalistas, podemos dizer hoje finalmente temos uma luz ao fundo do túnel. Já existem plataformas culturais Balantas como outras etnias tem, nomeadamente a Mídia Brasse, festivais culturais Balanta, entre outras iniciativas. Contudo, ao nível da Administração Pública, a discriminação continua a ser uma realidade evidente em várias estruturas do Estado e da governação.
Assim, perguntamos: num país como o nosso, com mais de 30 grupos etno-culturais, qual deveria ser a principal preocupação de um Estado de Direito?
Será que o próprio Estado da Guiné-Bissau não é também uma das causas da instabilidade político-militar que assola o país desde a década de 1980?
A função de um Estado é garantir a estabilidade, promover a paz social, assegurar um equilíbrio social justo, denunciar e punir qualquer forma de discriminação e garantir uma justiça igual para todos, num verdadeiro Estado de Direito.
Bom… passemos agora ao que realmente interessa na conjuntura atual.
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