Ainda a propósito do polémico plano de
resgate aos bancos comerciais, o antigo primeiro-ministro guineense, Domingos
Simões Pereira, veio a público defender o que disse ser tentativa do Governo do
seu partido em ajudar dois bancos que estavam em vias de fechar as portas
devido ao crédito mal parado por parte do sector privado.
Em conferência de imprensa, Domingos
Simões Pereira, que falava na qualidade de líder do PAIGC, afirmou que o seu
Governo está a agora ser vítima de acto de boa-fé e de responsabilidade quando
na verdade quis ajudar.
Disse que os dois bancos que iriam ser
resgatados têm uma carteira de crédito mal parado na ordem de 34 mil milhões de
francos CFA e caso não tivesse havido a intervenção do Governo ambos estariam
já com as portas encerradas e com todas as consequências directas na atividiade
económica na Guiné-Bissau.
O estranho nisso tudo, diz ainda
Domingos Simões Pereira, é ver alguns dos empresários que devem à banca estarem
contra o plano de resgate.
Para que as dúvidas
estejam dissipadas, o líder do PAIGC pede à justiça para que divulgue a lista
dos empresários que devem aos dois bancos
Comunicado do Secretariado Nacional do PAIGC
O PAIGC constata com estupefacção que
este governo de iniciativa presidencial tem levado a cabo uma campanha de
desinformação à volta da questão do resgate dos bancos comerciais com o
propósito de desviar as atenções dos cidadãos sobre a sua incapacidade de
governar. Esta campanha caracteriza-se por informações infundadas e
difamatórias, especulações e calúnias.
O Secretariado Nacional do PAIGC vem por
este meio informar todos os seus militantes, simpatizantes e população em geral
que o PAIGC reúne todos os elementos para um esclarecimento minucioso deste
assunto que, na altura devida, demonstrará a todos que o resgate dos bancos foi
um acto de governação realizado de boa-fé, com franqueza e profissionalismo, e
que seu único objectivo foi ajudar o sector privado Guineense, na sequência de
diversos apelos vindos de vários quadrantes da sociedade, incluindo daqueles
que hoje querem fazer o aproveitamento político desta questão.
O Secretariado Nacional do PAIGC
programou uma conferência de imprensa para esclarecimento cabal desta questão
ainda esta semana. Contudo, ao tomar conhecimento de que existe um processo
judicial em torno da questão, decidiu suspender essa conferência para não pôr
em causa as diligências judiciais em curso ou correr o risco de violação do
compromisso de confidencialidade inerente ao aludido contrato. No entanto, o
PAIGC assegura a todos que os esclarecimentos necessários serão dados na devida
altura com a apresentação de todos os elementos que demonstrarão, mais uma vez,
que este governo de iniciativa presidencial não está do lado da verdade.
O PAIGC apela entretanto à Assembleia
Nacional Popular que accione os mecanismos legais e institucionais ao seu
dispor para exigir a apresentação pública dos elementos que permitam o cabal
esclarecimento desta questão e que uma auditoria internacional seja lançada
junto dos bancos comerciais cujas dívidas foram avalizadas.
O PAIGC aproveita a oportunidade para
igualmente denunciar a campanha de sequestro de contas privadas e invasão deprivacidade a nível da internet que conta com o beneplácito e proteção das
autoridades, ao ponto de contratarem especialistas para o efeito. Estando na
posse de informações que dão conta da chegada ao país do principal ator
material desses crimes, damos-lhe as boas vindas enquanto cidadão deste país e
asseguramos que essas manobras serão desmascaradas e trazidas ao conhecimento
da nação guineense, responsabilizando os infratores pelos crimes cometidos.
O PAIGC exorta a todos os militantes,
simpatizantes e à população em geral a se manterem serenos e a não se deixarem
levar por campanhas difamatórias orquestradas por um governo ilegal e
completamente desnorteado.
Bissau, 7 de Julho de 2016
O Secretariado Nacional


