Os membros do Comité Central do Partido
Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) confirmaram este
fim-de-semana, Aly Hijazy como o novo Secretário Nacional. A nomeação de Hijazy
ocorreu na sequência do pedido de demissão do Abel da Silva Gomes, alegando a
falta de condições técnicas, materiais e políticas para o cumprimento cabal da
função.
Na sua intervenção perante os membros do
Comité Central, o presidente do partido, Domingos Simões Pereira fez um balanço
negativo do desempenho do Abel da Silva Gomes e disse ter perdido a confiança
política nele.
A confirmação do novo Secretário
Nacional foi anunciada segunda-feira, 22 de Junho, pelo porta-voz do partido
durante uma conferência de imprensa na qual tomaram parte o primeiro
vice-presidente do partido, Carlos Correia, o Comandante Manuel dos Santos
(Manecas), o novo Secretário Nacional indigitado, Aly Hijazy que até aqui
exercia o cargo do secretário de relações exteriores do partido.
De acordo com as resoluções finais lidas
pelo porta-voz do partido, João Bernardo Vieira, o Comité Central apontou o
Comandante Manuel dos Santos como presidente da Comissão Organizadora da
Convenção Nacional do partido e exortou ao terceiro vice-presidente, Baciro Dja
enquanto director da última campanha eleitoral a apresentar as contas dos
escrutínios eleitorais.
O Comité Central exorta ainda as
estruturas de base do partido a mobilizarem toda a população do país para uma
“grande manifestação popular” no próximo dia quatro (4) de Julho do ano em
curso, para celebrar o primeiro aniversário do Governo.
Em relação ao diferendo entre os
titulares dos órgãos da soberania, o porta-voz informa que o grupo de
veteranos, criado para identificar causas de desentendimento entre as figuras
de Estado, partilhara com os membros do Comité Central um relatório de
auscultações. Segundo o relatório, o Presidente da República terá afirmado aos
veteranos que estava na posse de relevantes documentos que põem em causa a
autoridade moral de alguns membros do governo dirigido por Domingos Simões
Pereira e isso seria a principal causa de dificuldades no relacionamento.
Indagado pelos jornalistas a revelar o
conteúdo de alegados documentos na posse do Chefe de Estado, João Bernardo
Vieira disse não ter elementos sobre os mesmos pelo que não podia fornecer
detalhes.
Relativamente à possibilidade de um
encontro entre os três titulares dos órgãos de soberania, nomeadamente o
Presidente da República, o presidente de Assembleia Nacional Popular e o
Primeiro-ministro, o porta-voz referiu que os veteranos informaram a plenária
da indisponibilidade do Chefe de Estado que disse representar uma instância do
poder cuja legitimidade não o permite.
João Bernardo Vieira revelou ainda que o
presidente do partido manifestou o seu profundo desagrado com as acções do
terceiro vice-presidente, Baciro Dja, contrárias aos princípios da unidade e
coesão internas e que têm comprometido a concretização de alguns objectivos de
governação e o relacionamento com outros titulares dos órgãos de soberania.
Questionado sobre a eventualidade de o
ministro Baciro Dja ser demitido das suas funções devido a essa situação,
Vieira respondeu que o assunto não chegou de ser debatido pelos membros do
Comité Central.
O Comité Central é o maior órgão do
PAIGC e é constituído por 351 membros. A reunião do Comité Central que decorreu
de 20 a 22 do mês de junho, foi antecedido pela reunião do Bureau Político que
teve lugar no dia 18 e se prolongou até madrugada de 19 do mês em curso. Com
Odemocrata
Terminada a reunião do Comité Central do PAIGC, que durou 3 dias, a contra-informação tem estado a noticiar que foi adoptado uma moção de louvor ao Governo liderado por Domingos Simões Pereira; e que os dirigentes pediram respeito ao líder do partido. Podemos até concluir que o cinismo político voltou a falar mais alto. Mas, como o tango se dança apenas com duas pessoas, e havendo necessidade de combinar duas linhas musicais em simultâneo, disseram também que “o PAIGC saudou o Presidente da República, José Mário Vaz, apelando-o a construir uma convivência pacífica com os outros pilares da soberania”, como se ele (o Presidente da República) fosse a ovelha negra, o factor de desentendimentos entre o Governo, a Presidência e o Presidente da Assembleia Nacional Popular.
ResponderEliminarAfinal de contas, a reunião do Comité Central do PAIGC serviu-se apenas para responsabilizar ou acusar o Presidente da República pelo desgoverno na nossa terra? Arranjem outra cantiga, porque esta balada não pega. A contra-informação, inclusive, conta como correu internamente a reunião do Comité Central, dizendo que “Com críticas abertas, os membros do Comité Central não pouparam o Presidente da República, uma das figuras do partido, que, observando a Constituição da República, não podia estar na reunião, assim como o Presidente da ANP e o Chefe do Governo”. Até parece que o líder do PAIGC foi o único dirigente que não sofreu críticas por parte dos membros daquele órgão político partidário. É que quando eles dizem: “Domingos Simões Pereira é o presidente do PAIGC e merece todo o respeito como tal”, a mensagem indica que o mar não estava calmo para aqueles lado como têm estado agora a embandeirar em arco e a tentar tapar o sol com a peneira.
Fernando Casimiro -O PAIGC habituou-nos à seguinte lógica: cada divergência e diferença de pensamento, um posicionamento de radicalismo e intolerância; uma ruptura e uma nova ala num Partido cada vez mais dividido, mais fraccionado.
ResponderEliminarDigam o que disserem, o PAIGC depois de Amilcar Cabral é sinónimo de fortes lutas internas pelo poder, assente em traições ideológicas e de relacionamento, por um lado e, por outro, da causa maior que o move, tendo em conta a sua pretensão ao Poder, a Guiné-Bissau e o povo guineense.
É escusado dizer que há um reforço de liderança no PAIGC quando os mesmos de sempre do PAIGC habituaram-nos ao "status quo" de 1 minuto depois de afirmarem que estão com fulano, dizerem nas costas desse fulano e, perante beltrano, que apenas quiseram "evitar" mais problemas... até que haja uma nova liderança...
Infelizmente, tudo no PAIGC se resume a números e estatutos entre dinheiros e cargos...