domingo, 26 de outubro de 2014

Algumas considerações a propósito de consensos, inclusão e estabilidade


Por, Fernando Casimiro (Didinho)

É uma falsa ou frágil estabilidade aquela supostamente sustentada por uma visão de inclusão a nível da governação, com atribuição de cargos a dirigentes de outros partidos (que deveriam estar na oposição e não no Governo) que não por vontade própria do eleitorado, por um lado, nem por vontade e estratégia do líder do Partido vencedor das eleições legislativas, por outro.

Os consensos, os alegados consensos alcançados, transmitem a ideia de se estar perante uma estrutura de governação suportada pela conveniência e pelo imediatismo de interesses político-partidários, o que à partida significa que estamos perante uma estabilidade a prazo, porquanto, não promovida por nenhuma estratégia sustentável; por nenhuma estrutura sustentável.

Sejamos honestos, para compreendermos que em política, os partidos definem-se pelas suas ideologias e pelas ideologias se revêem e se aproximam, quando a conveniência a isso obriga.

Não sei se podemos levar a sério esta definição, no contexto político-partidário da Guiné-Bissau, mas creio que o PAIGC e o PRS nada têm de comum nas suas linhas de orientação ideológica.

Mas porque razão a estabilidade, perante uma "necessidade" de consensos "forçosamente" passada pela inclusão governativa, não teve em conta a formação do Governo, por personalidades independentes, isentas do apontar de dedos por isto ou aquilo; isentas de calúnias e difamações, com base nas "folhas limpas" dos seus percursos e das suas capacidades?

Seria melhor, a meu ver, que o Governo, sendo de inclusão, fosse dirigido pelo candidato do Partido vencedor e que todos os seus membros fossem personalidades independentes, apartidários, já que estamos a lidar com consensos e inclusão...

A inclusão política, propriamente dita, que se fizesse no Parlamento, a Assembleia Nacional Popular!

Por que razão os consensos promovidos em nome da Estabilidade política, não passaram pela Inclusão de outros partidos na Assembleia Nacional Popular, em detrimento da maioria do PAIGC?

Já que estamos a falar de consensos pós-eleitorais, também não ficaria mal que todos os Partidos políticos concorrentes, tivessem, pelo menos 1 deputado, mesmo que não houvesse votos para tal, pois de consensos em nome da estabilidade se está a falar.

Pelos vistos a Inclusão não foi feita a nível da Assembleia Nacional Popular, precisamente porque não se pode fazer isso, mas foi imposta ao Governo...

O povo eleitor votou, os números obtidos são o reflexo e o garante da vontade popular, de que inclusão temos vindo a falar; de que Estabilidade temos vindo a falar...?!

Precisamente porque não se pode fazer isso. O povo eleitor votou, os números obtidos são o reflexo e o garante da vontade popular.

Fui sempre (e estarei sempre) contra consensos na formação de Governos, quando há um Partido vencedor com maioria absoluta a quem, por direito, compete escolher quem quiser, sem nenhuma imposição, para fazer parte do seu Governo.

Quando as conveniências passarem a ser inconveniências (aliás, já começaram a ser) lá teremos novos períodos de instabilidade política, porquanto, a oposição que hoje deixou de ser oposição, para ser conivente e "cúmplice" com uma governação de aparências, estando "por dentro" da governação a que não tinha direito de estar, não perderá nenhuma oportunidade para "arrasar" um Governo, do qual fez parte...

O Primeiro-ministro Eng.º Domingos Simões Pereira não tem tarefa fácil pela frente, depois de há dias ter dado a conhecer, publicamente, que fará uma remodelação governamental oportunamente.

Se essa remodelação visa acertar o passo, ou melhor dizendo, corrigir o erro da inclusão governativa, importa questionar, que consequência terá para a estabilidade da Guiné-Bissau.

Importa igualmente questionar as razões e motivações que levaram o Primeiro-ministro a fazer declarações inoportunas sobre um assunto delicado, face ao momento de ansiedade, de expectativa, tendo em conta a preparação e realização da Mesa Redonda com países doadores e parceiros da Guiné-Bissau.

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.
 

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