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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Xanana garante que não tem "nada contra Portugal", pede menos emoção e manda um abraço



Chefe de governo timorense falou sobre o polémico caso da expulsão de funcionários judiciais, a maioria portugueses. Afirma que não há "intenção de esfriar as relações com Portugal" e faz um pedido a propósito das reações que surgiram. "Só peço para reduzirem um bocado a emoção com que se expressam."

O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, disse esta quarta-feira que não tem nada contra os portugueses nem contra Portugal e que a expulsão de funcionários internacionais, a maioria portugueses, visou defender o seu país.

"Não permitiremos que a nossa soberania seja violada. Entendam que não é nada contra Portugal, não é nada contra os portugueses que estão aqui e não só portugueses, porque não são só portugueses" visados na resolução, disse o primeiro-ministro timorense, em entrevista exclusiva à agência Lusa.

Xanana Gusmão garante que não há "intenção nenhuma de esfriar as relações com Portugal" e lembrou que todos têm problemas e que às vezes é preciso tomar decisões. "Só peço para reduzirem um bocado a emoção com que se expressam", diz. 

"Posso aceitar que a surpresa que causámos foi elevada a uma dimensão maior do que queríamos. O nosso desejo foi só o de interromper o ambiente viciado em que nós perdemos dinheiro quando exigimos às companhias [petrolíferas] para nos pagarem o que deduziram por fraude", salientou, pedindo a todos os portugueses para compreenderem que são questões de soberania e interesse nacional.

O Governo de Timor-Leste ordenou na segunda-feira a expulsão, no prazo de 48 horas, de oito funcionários judiciais, sete portugueses e um cabo-verdiano.

A 24 de outubro, o parlamento timorense tinha aprovado uma resolução a determinar uma auditoria ao sistema judicial do país e a suspender os contratos com funcionários judiciais internacionais, "invocando motivos de força maior e a necessidade de proteger de forma intransigente o interesse nacional".

"Tentámos sobretudo colocar os interesses da nação em primeiro lugar e, se me permitem, [mando] um abraço a todos os portugueses", concluiu.

As razões
Xanana Gusmão refere que decidiu expulsar magistrados porque os responsáveis pelo setor judicial timorense não acataram a resolução que determinava a suspensão dos contratos e a realização de uma auditoria ao setor.

"Não compreenderam", afirma Xanana Gusmão, acrescentando que a decisão de expulsar os magistrados foi tomada depois de o Conselho Superior de Magistratura timorense não ter acatado a resolução e ter ordenado aos magistrados que se mantivessem em funções.

"Nós pensamos que as pessoas podiam ter compreendido a resolução do parlamento nacional, que não foi um documento de três frases. Foi longa o suficiente para as pessoas compreenderem as preocupações do Estado timorense", diz, sublinhando que as pessoas "bem-intencionadas" teriam percebido a gravidade da situação.

Os motivos de "força maior" e de "interesse nacional" invocados pelas autoridades timorenses nas resoluções referem-se a 51 processos no tribunal no valor de 378 milhões de dólares de impostos e deduções ilícitas que as empresas petrolíferas devem ao país, explica.

"Em 16 casos já julgados, o Estado perdeu todos", afirma Xanana Gusmão, explicando que foram perdidos 35 milhões de dólares.

"É que verificámos erros inadmissíveis. E aqui coloca-se o problema das competências. Se tivéssemos tido uma cooperação - dizem sempre que os tribunais são independentes, estão acima da lua -, as coisas não se tinham levantado tanto assim", explicou.

O primeiro-ministro timorense argumenta também que a resolução do parlamento não visava todos os internacionais, apenas os que pegaram nos casos com as petrolíferas.

"Os erros foram tantos, foram tão inadmissíveis, que parámos para não influenciar o processo, porque estamos em recurso para recuperar o dinheiro que é nosso."

Na entrevista à Lusa, o primeiro-ministro timorense lamenta que em Portugal tenham pensado que as suas decisões tivessem sido relacionadas com uma onda "anti-Portugal" e salientou que só tomou aquelas medidas porque o tempo escasseia e não queria que os processos em causa ou ainda em andamento viessem "a ser contaminados".

"Houve sete casos assinados por um magistrado que eram 'copy paste' - só havia diferença na quantia de dinheiro -, e depois outros dois assinados por timorenses também. Porque era o processo de ensino que se estava a fazer. Fazem uma cópia, não veem factos", refere.

"Eu não tenho o direito de dizer que isto é incompetência, que nos faz perder dinheiro do Estado? Tudo junto são 35 milhões que perdemos só por causa disso", diz, insistindo que vai reestruturar o setor da justiça no país.

//Expresso

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Primeiro-ministro da República Democrática de Timor-Leste (RDTL), Kay Rala Xanana Gusmão, iniciou esta sexta-feira uma visita oficial de três dias à Guiné-Bissau


IBDÀ chegada, estava o Representante Especial do Secretário-geral da ONU, José Ramos-Horta e antigo Chefe de Estado Timorense.

No Aeroporto Osvaldo Vieira em Bissau, uma numerosa comitiva composta pelo Primeiro-Ministro de Transição, Rui Barros, o Ministro da Presidência, Fernando Vaz, o Chefe da diplomacia, Delfim da Silva, vários outros membros do Governo, chefias militares e das forças de segurança, assim como representantes de organizações internacionais e corpo diplomático.

Xanana Gusmão cumprimentou todos os presentes, incluindo membros da Selecção Nacional xg-in-gbGuineense de Futebol, que recentemente conquistou o apuramento para a fase de Grupos da CAN, Taça das Nações Africanas, tendo recebido um donativo por parte da Agência de Cooperação de Timor-Leste, um organismo estatal da RDTL que tem estado a ajudar a Guiné-Bissau, em vários domínios, numa missão solidária para com o pais irmão.

Aos jornalistas, Xanana Gusmão, em breves declarações, destacou que um dos objectivos desta deslocação, consiste no convite que vai entregar ao novo Presidente-eleito e ao Primeiro-ministro indigitado, respectivamente, José Mário Vaz e Domingos Simões Pereira, para participarem na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, em 23 de Julho, ponto alto do início da Presidência Timorense da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa.

Xanana terá reuniões de trabalho com destacadas figuras do poder vigente na Guiné-Bissau, chefias militares e representantes de outras instituições, onde passará em revista o quadro de cooperação bilateral entre os dois países, e dar continuidade ás relações entre os dois Estados.