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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Guiné -Bissau, PAIGC e PRS consideram evento 'balão de oxigénio” para desenvolvimento

Os líderes das bancadas parlamentares do Partido Africano para Independência da Guiné e Cabo-verde (PAIGC) e do Partido da Renovação Social (PRS), qualificaram a Mesa Redonda sobre a Guiné-Bissau, à realizar-se no mês de março em Bruxelas de “balão de oxigénio” para o desenvolvimento do país.

Em declarações exclusivas à ANG, o líder da bancada do PAIGC, Califa Seide, manifestou a sua esperança sobre o sucesso daquele evento e justificou que o mesmo constitui o ponto de partida para a criação de recursos necessários ao relançamento da economia nacional.

Segundo aquele parlamentar, a Mesa Redonda suscitou expectativas no seio dos deputados da Assembleia Nacional Popular (ANP), porque, caso tenha sucesso, poderão ser mobilizados recursos necessários para a implementação do Programa de Desenvolvimento do país.

Quanto aos trabalhos de preparação, afirmou que o governo tem se empenhado nos preparativos da Mesa Redonda, nomeadamente com a elaboração do programa de desenvolvimento ao médio prazo (2015-2020).

Já ao nível do programa de longo prazo disse que estão sendo consolidadas as bases para se avançar para um verdadeiro desenvolvimento do país, onde a população guineense estará no centro da atenção.

“A fase pós-Mesa Redonda será crucial. Por um lado temos que ter estabilidade política, instituições a funcionar normalmente e um entendimento comum. E tem que haver um clima de estabilidade político que vai permitir aos doadores terem a confiança de disponibilizarem os recursos prometidos ao país”, aconselhou.

Por sua vez, o líder da bancada do Partido da Renovação Social, Certório Biote disse que a Mesa Redonda de Bruxelas é um evento de extrema importância, porque o governo terá a possibilidade de transmitir aos doadores, os seus planos para “salvar” o país da difícil situação em que se encontra.

“O Governo terá a oportunidade de discutir com grandes parceiros, bilaterais e multilaterais de desenvolvimento sobre o país. Daí serão enquadrados e avaliados os projectos apresentados, de acordo com o próprio texto da Mesa Redonda, e caso venham a ser aceites pelos doadores será um balão de oxigénio para o país”, disse.

Segundo o líder da bancada parlamentar da segunda maior formação política do país, essa iniciativa do governo merece um louvor da parte da bancada.

Biote explicou que o país precisa de uma mesa redonda tendo em conta o seu passado turbulento de sucessivos golpes de Estado e várias convulsões.

Conforme aquele responsável político, depois da realização das eleições gerais no país espera-se que o governo realize muitas coisas através dos resultados desta Mesa Redonda.

Certótio Biote disse que, com todo o trabalho realizado no quadro organizacional do evento, deixou-se a impressão de que tudo correrá bem.


Entretanto, considera que não só o governo deve preocupar-se com a Mesa Redonda mas sim a Guiné-Bissau em geral. Com Agencia Noticiosa da Guiné-Bissau

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Radio sol mansi lança livro


Na tarde do dia 17 de julho, no Centro Cultural Brasil Guiné-Bissau, a Radio Sol Mansi lançou o Manual do Jornalismo “O poder da voz e a voz do poder”, textos para ações de formação social. Na contra-capa diz-se que o Manual, “resultado de um conjunto de ações de formação para jornalistas promovidas na Guiné-Bissau pela Fundação Pro Dignitate, em colaboração com a Conferencia Episcopal Italiana e a Universidade de Rhode Island (Estados Unidos) ”, contou com a coordenação e prefácio do Jornalista António Pacheco e textos dos jornalistas da Radio Sol Mansi Amadu Uri Djaló, Ana Bela Bull Ramalho, Armando Mussá Sani, Casimiro Jorge Cadjucam e Mamadú Saido Embaló.

Na sua intervenção, Ana Bela pontualiza que o livro “é fruto de anos de formação do pessoal da Radio para o jornalismo e que para a qual, o Sr. António Pacheco deu seu grande contributo”. Acrescenta que este instrumento se propõe a ser uma “ajuda para que o País saia da crise através de um jornalismo que, não escondendo a verdade, apresente notícias positivas. Um jornalismo que colabore no enraizamento da paz na Guiné-Bissau”. Pe. Alberto Zamberletti (PIME), Diretor da Radio Sol Mansi, disse que para ele, “é uma honra apresentar o livro, num caminho iniciado pelo seu coirmão no PIME e predecessor na direção da Radio, Pe. Davide Sciocco”. Sublinhou a importância de uma nova mentalidade que está a surgir na Africa no âmbito da comunicação: “o Jornalismo cidadão”.

O escritor Abdulai Silá da Editora ku si mon disse que o livro “é um elemento novo que vem enriquecer iniciativas em ato no nosso Pais”. Sublinhou que “o livro que está bem feito, é um trabalho coletivo que revela o senso do profissionalismo. O livro não é somente jornalismo, é cidadania, no qual se aprende jornalismo e como se comportar em sociedade”. Manifesta todo o seu reconhecimento ao Sr. António Pacheco. Dom José Lamprã Ca, Bispo Auxiliar de Bissau e Presidente do Conselho de Administração da Radio, realça que “a apresentação do livro é um convite para que cada um de nós coloque seus talentos a serviço da humanidade. Foi o que fizeram António Pacheco e os 05 jornalistas”. Enfatiza que o jornalismo deve ser fundado “numa linguagem pacificada e pacificante”.

O Ministro da Comunicação Social, Sr. Agnelo Regalla, iniciou dizendo que esta era a primeira vez que aparecia em um ato público desde que assumiu o referido Ministério. Disse que participar de um ato da Radio Sol Mansi, uma Radio católica, era-lhe ocasião para pedir ao Senhor graças para a sua nova missão. Salienta que o livro será um instrumento importante “para que as pessoas ligadas à comunicação social façam um jornalismo que restitua valores para uma sociedade mais sã, mais democrática, mais aberta às belezas culturais da Guiné-Bissau”. Dom Pedro Zilli agradeceu publicamente o Pe. Alberto Zamberletti e o pessoal da Radio pelos exemplares do livro a serem oferecidos aos Bispos Lusófonos que estarão reunidos em Luanda (Angola) na próxima semana.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

O Primeiro-ministro da República Democrática de Timor-Leste (RDTL), Kay Rala Xanana Gusmão, iniciou esta sexta-feira uma visita oficial de três dias à Guiné-Bissau


IBDÀ chegada, estava o Representante Especial do Secretário-geral da ONU, José Ramos-Horta e antigo Chefe de Estado Timorense.

No Aeroporto Osvaldo Vieira em Bissau, uma numerosa comitiva composta pelo Primeiro-Ministro de Transição, Rui Barros, o Ministro da Presidência, Fernando Vaz, o Chefe da diplomacia, Delfim da Silva, vários outros membros do Governo, chefias militares e das forças de segurança, assim como representantes de organizações internacionais e corpo diplomático.

Xanana Gusmão cumprimentou todos os presentes, incluindo membros da Selecção Nacional xg-in-gbGuineense de Futebol, que recentemente conquistou o apuramento para a fase de Grupos da CAN, Taça das Nações Africanas, tendo recebido um donativo por parte da Agência de Cooperação de Timor-Leste, um organismo estatal da RDTL que tem estado a ajudar a Guiné-Bissau, em vários domínios, numa missão solidária para com o pais irmão.

Aos jornalistas, Xanana Gusmão, em breves declarações, destacou que um dos objectivos desta deslocação, consiste no convite que vai entregar ao novo Presidente-eleito e ao Primeiro-ministro indigitado, respectivamente, José Mário Vaz e Domingos Simões Pereira, para participarem na Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, em 23 de Julho, ponto alto do início da Presidência Timorense da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa.

Xanana terá reuniões de trabalho com destacadas figuras do poder vigente na Guiné-Bissau, chefias militares e representantes de outras instituições, onde passará em revista o quadro de cooperação bilateral entre os dois países, e dar continuidade ás relações entre os dois Estados.
 

Em nome do dinheiro: governo vende floresta às empresas exportadoras de troncos de madeira


Por: Assana Sambú
No //Democra

Em nome do dinheiro, ou seja, da corrida à riqueza fácil regista-se, neste momento, uma invasão, e consequentemente, a devastação da floresta guineense por parte dos “gringos” detentores das empresas de exportação dos troncos de madeira. Mas como se ainda não bastasse este crime ambiental hediondo deve-se esclarecer, todavia, que este crime está a ser apoiado por altos responsáveis do aparelho de Estado que, em cumplicidade com os chefes de tabancas e/ou régulos, todos eles têm em mira caçar a espécime uma das mais nobres da floresta guineense. Trata-se a título de esclarecimento, do “pau de sangue”, uma das árvores de maior qualidade no mercado mobiliário. Além disso, eles aproveitam também as árvores secas para extração de carvão e corte de cibes.

A região de Tombali, no sul do país, não escapou ao fenómeno da devastação da floresta que se verifica um pouco por todo o território nacional. A atividade de cortes dos troncos de madeiras e cortes das árvores para a extração de carvão ao nível da região se regista mais no setor de Quebo, enquanto a corte de cibe se concentra mais no setor de Cacine, particularmente na povoação de Campês, onde se pode encontrar camiões e mais camiões carregados de cibes.

A nossa reportagem deslocou-se entre os dias 12 a 16 do mês corrente à Região que alberga o maior parque nacional, o de Cantanhez (Tombali) para coletar informações mais fidedignas sobre a devastação ambiental. De acordo com as informações avançadas por parte de alguns guardas florestais, a floresta de Cantanhez é considerada por alguns ambientalistas da sub-região como o “património sub-regional”, pelo que exigem que seja protegida.

Conforme as informações apuradas pela nossa reportagem, junto das comunidades, estas indicam que as empresas exportadoras dos troncos de madeiras se interessam mais pelas espécimes do “pau de sangue”, pois segundo os técnicos da floresta é a mais procurada no mercado internacional, facto que levou a Direcção-Geral das Florestas e Fauna a cobrar licença da corte no valor de 100 dólares norte-americanos (50 mil fracos cfa), por cada metro cúbico.

O Democrata soube junto de um dos responsáveis regionais da floresta que a única empresa que faz o corte do tronco de madeira naquela região sul do país é chinesa, denominada de “EMPRESA BISSAU XIONG FEI MADEIRA SARL” que trabalha em colaboração com a empresa nacional “FOLBE”, sediada em Buba.

A mesma fonte da guarda-florestal informou à nossa reportagem que a empresa “FOLBE” é detentora de uma licença que o concede o poder de “dono da floresta” nas regiões de Tombali e Quínara. Por isso é que todas as empresas que pretendem efetuar cortes de madeira devem entrar em contacto com a FOLBE, onde negoceiam a percentagem e, só depois de pagar a licença junto das autoridades, é que essa nova empresa avança para o corte.

Cortes dos troncos de madeira no setor de Quebo
Já no setor de Quebo, o nosso jornal apurou que além da empresa chinesa, regista-se igualmente a presença dos madareiros tradicionais que, em colaboração com alguns responsáveis destacados da região ou ao nível da administração central, efetuam cortes das espécimes de “pau de sangue”, bem como bissilão que vendem para os proprietários das pequenas serrações locais e, às vezes, as transportam para a cidade de Bissau.

A nossa reportagem apurou igualmente através de um dos responsáveis regionais da floresta que as atividades das cortes dos troncos de madeiras se concentram mais nas matas das tabancas, onde se regista maior número das espécies “pau de sangue e bissilão”, que são designadamente: Cuntabani, Centro Frutícola de Coli, Unal, Balana, Lendel, Mampata Forrea, Tchã-Iaia, Gama, Cumbidjã, Djidal, Sintchã Odi (Bulola) e Colobia.

Ainda conforme as informações recolhidas da parte dos responsáveis juvenis das diferentes tabancas afetadas pelos cortes, estes demostram os seus descontentamentos relativamente a esta prática, mas segundo eles, nada podem fazer para a estancarem.

Informaram igualmente de que as empresas procuraram entrar em contacto apenas com os chefes das tabancas, régulos ou pessoas influentes do setor no sentido de os ajudarem a mobilizar a comunidade.

As empresas de exportação de troncos de madeira, de acordo com as informações avançadas e confirmadas pelos diferentes chefes das tabancas abordados pela nossa reportagem, apresentam o documento de autorização de corte de troncos, emitido pelas autoridades, através da Direção-Geral da Floresta antes de iniciar os trabalhos. Depois da apresentação da licença, a empresa oferece a tabanca uma soma de 500 mil francos CFA, que consideram de dinheiro de “cola”, para que a tabanca possa resolver alguns problemas pendentes.

Além do dinheiro da “cola” celebra-se um tipo de acordo informal entre a tabanca e a empresa, onde a empresa paga um montante de 50 mil francos cfa por cada contentor carregado de troncos de madeiras.

O dinheiro do pagamento dos contentores carregados dos troncos de madeiras é entregue aos chefes de tabancas que, segundo a informação, assumem a responsabilidade de gerir o dinheiro que é destinado para reconstrução da mesquita, construção de clubes de jovens e outros assuntos de tabanca.

Um dos responsáveis juvenis das povoações afetadas pelo corte de troncos, mas que pediu anonimato, confidenciou à nossa reportagem que o dinheiro proveniente do pagamento dos contentores de troncos de madeiras acaba por ficar sempre nas mãos dos responsáveis das tabancas, nem sequer tiram um franco para resolver os problemas da tabanca.

A nossa fonte confidencial acrescentou ainda que o mais grave é que ninguém tem a ousadia de perguntar do dinheiro e ao perguntar a resposta é o seguinte: “o dinheiro foi emprestado por fulano ou beltrano, se insistir em perguntar do dinheiro sofrerá com tentativas de actos de bruxaria”.

Cumplicidades das populações locais nas atividades de corte de troncos

Regista-se no momento a cumplicidade da própria comunidade nas actividades de cortes em algumas tabancas. Dantes, conforme a explicação, a comunidade serecusava mesmo a trabalhar para a empresa, mas actualmente alguns serviços estão a ser práticados pelos jovens das tabancas.

Na altura a equipa de reportagem do jornal O Democrata testemunhou a descarga dos troncos de madeira da espécime de “pau de sangue” pelos jovens da tabanca de Mampata Forrêa. Os troncos foram cortados na povoação de Sintchã Odi, mas foram transportados para Mampata que é a zona de acesso fácil para os camiões (remorcos). Os troncos que ali se encontravam a espera do carregamento dos camiões são no total de 234 arrumados no campo de futebol da povoação de Mampata Forrêa.

Os jovens que faziam o trabalho de descarregamento informaram a nossa reportagem que celebraram um contrato com o intermediário da empresa chinesa, que lhes paga um montante de mil francos CFA por cada tronco carregado na viatura, a partir do local da corte e o mesmo montante se aplica no descarregamento já no local de concentração dos troncos a espera dos camiões.

Já no carregamento dos contentores cobram dois mil francos CFA por cada tronco. Explicaram ainda que um contentor pode levar até 110 troncos, mas depende do tamanho e cumprimento dos troncos. Além da mão-de-obra assegurada por alguns jovens das tabancas, recrutam igualmente jovens para indicarem os caminhos da mata ou zonas onde se podem encontrar mais espécimes do “pau de sangue”.

Tendo em conta o volume do lucro registado na atividade de cortes dos troncos das madeiras, acaba por ser uma atividade que vai atrair toda a casta da sociedade e, inclusive, os responsáveis das tabancas. Diz-se ainda que os próprios responsáveis das tabancas têm as suas máquinas nas matas para efectuar corte das árvores.

Extração de carvão em Quebo

No setor de Quebo regista-se pouca atividade de corte das árvores para extracção de carvão, facto esse que foi confirmado pelo delegado regional da floresta, Ussumane Candé que explicou a nossa reportagem que no setor apenas se regista aquilo que se considera um corte para o “consumo doméstico”.

O nosso jornal apurou ainda que o corte de árvore para extração de carvão se verifica igualmente na povoação de Tchã-Iaia, onde existe uma grande quantidade de fornos de lenha para extração de carvão, como também sacos destes nas bermas de estradas prontas para quem as quiser adquirir, ou seja, estão disponíveis para a venda.

Entretanto, o delegado da floresta desta localidade desmentiu essa informação, alegando que os fornos que ali se encontram são insignificantes e o mesmo é apenas para o consumo doméstico das populações locais que, às vezes, acabam por comercializar alguns sacos para resolver alguns problemas. Este responsável regional da floresta, contou a nossa reportagem que o corte das árvores para a extração de carvão atualmente não se verifica em grande quantidade na região de Tombali, porque, de acordo com ele, já não existem árvores para o carvão.

“Já não há árvores que possam ser aproveitadas para extração de carvão, por isso, essa atividade não tem muita força neste setor. O mesmo acontece com o corte de cibes que já não se verifica neste setor, dado que não existem em grande quantidade que permita a sua exploração para comercialização. O corte de cibe se verifica mais no setor de Cacine, concretamente nas zonas de Campês”, explicou o responsável florestal da vila de Quebo.

“Estado afirma ser proprietário da floresta”

Também a nossa reportagem contactou o régulo de Forrêa, Aladje Mamudú Baldé que confirmou ao jornal O Democrata que, na verdade, as atividades de cortes dos troncos de madeira se verificam no seu regulado. Todavia, sustentou que estão contra a mesma, mas nada podem fazer para impedir as empresas que são autorizadas pelas autoridades centrais, que segundo ele, têm mais poderes que o régulo.

“O Estado defende que é proprietário da floresta, então cabe a ele conceder a licença para os cortes das árvores às empresas interessadas. Nestas circunstâncias o que é que podemos fazer? A comunidade de Colobia que é uma das tabancas que fazem parte do meu regulado tentaram resistir contra os cortes dos troncos nas matas de Sancuali, porque ali se verifica as movimentações de búfalos e inclusive dos elefantes. Depois da entrada da empresa chinesa que faz corte dos troncos nesta zona, através das matas de Tchã-Iaia, onde se iniciou atividades de cortes a comunidade da Colobia levantou-se contra a mesma nas suas matas, isto deu origem detenção de alguns rapazes que faziam cortes e inclusive três máquinas de cortes”, explicou o régulo.

Aladje Mamudú Baldé assegurou ainda que a administração local, em colaboração com a empresa detentora da licença de corte naquela zona, resolveu chamar os elementos da Guarda Nacional, a partir do setor de Buba (Quínara), no sentido de intimidar a comunidade, para que possam devolver as máquinas e deixar que a empresa continuasse com o corte dos troncos.

“Resolvemos intervir para ajudar a acalmar a comunidade que estava totalmente revoltada com a situação. A comunidade decidiu entregar-nos as máquinas de corte que a empresa acabou por recuperar, através da administração local. A situação de corte das nossas matas nos preocupa muito, mas infelizmente não podemos fazer nada”, lamentou o régulo de Forreá.

“Há invasão da floresta da parte das populações à procura dos troncos”

Numa conversa mantida com o deputado da Nação do círculo eleitoral 02 (Setor de Quebo), Amadú Saico Seidi explicou a nossa reportagem que no seu círculo se regista as atividades de cortes dos troncos da madeira, particularmente a espécie de “pau de sangue”.

“Primeiro disseram que os chineses é que faziam cortes dos troncos, mas atualmente se verifica a invasão da floresta por parte da própria população, que também estão a fazer cortes dos troncos de madeira. Toda a gente foi comprar uma máquina para cortar troncos, porque é uma atividade muito lucrativa. Essa situação é do conhecimento das autoridades setoriais e regionais que até aqui não conseguiram travar a invasão das florestas pelos populares”, destacou.

De acordo com este representante eleito do povo, neste momento as populações locais estão a fazer cortes dos troncos das árvores nas florestas, onde procuram mais as mesmas espécimes que os exportadores querem para depois os venderem. Acrescentou, neste particular, que cada pessoa que consegue adquirir uma máquina de corte, entra na floresta da sua aldeia para fazer corte, sob a alegação de que a mata lhe pertence, ou seja, era dos seus avôs.

“Fui a primeira pessoa que fez a denúncia dos cortes irracionais e desenfreados das árvores que se verifica nas florestas de Tchã-Iaia, mas infelizmente, as autoridades não fizeram nada na altura para estancar a prática. Isso levou com que as actividades de cortes dos troncos se estendesse para outras tabancas que também têm “paus de sangue e de bissilão”. Agora qualquer pessoa compra uma máquina que sub-aluga a terceiro, para que esta faça corte na floresta, em caso de conseguir número significativo de troncos, aluga um camião para os transportar para Bissau, onde são vendidos a um preço lucrativo”, contou o deputado daquela zona.
A nossa reportagem tentou entrar em contacto com a administradora do setor de Quebo, mas fomos informados por um dos seus colaboradores para área social, que se encontrava em Bissau durante a nossa estada. Por isso, não conseguimos falar com a administradora, no sentido de esclarecer alguns assuntos relacionados com a administração local levantados pelos diferentes intervenientes desta nossa longa reportagem.

“Parque nacional de cantanhez ainda não foi abalado por cortes de árvores”

O Diretor da Organização Não Governamental, Ação para o Desenvolvimento (AD) para a Província Sul, Abubacar Serra, contou a nossa reportagem que o Parque Nacional de Cantanhez ainda não foi abalado pelos cortes dos troncos que se verifica na região.

Contudo, sustentou que houve tentativas de algumas empresas que queriam entrar na floresta, através de outras zonas, mas acabaram por ser descobertos antes de iniciarem os cortes, disse. Mas acrescenta ainda que a única atividade que se verifica na floresta de Cantanhez é o corte de algumas zonas para o cultivo de arroz, mas também essas se verifica nas zonas que foram permitidas para tal prática e com a condição de as populações não entrarem nas zonas reservadas. Este parque, de acordo com suas informações, tem uma área de 1067, 67 km2, portanto está limitada pelas bacias dos rios Cubidjam, rio Cacine e rio Balana ao norte.

Cortes de cibes e árvores para cultivo de arroz registam-se em cacine e bedanda

O setor de Cacine não está abalado pelo corte de troncos de madeiras, mas sim de cibes e, igualmente, a desmatação num momento em que se aproxima a época das chuvas para o cultivo de arroz (n pampam). Esta prática de desmatação para o cultivo de arroz, preocupa muito os conservadores das florestas que trabalham, em colaboração com as Organizações Não Governamentais, para a proteção da mesma.

Durante a nossa viagem para os setores de Cacine e Bedanda constatamos cortes das matas e queimada dos lugares desmatados para o cultivo de arroz. A nossa reportagem entrou em contacto com um conservador da floresta na seção de Sanconha (Cacine) concretamente na povoaçãao de Gamprimo, Seco Biai que se mostrou muito preocupado com a situação, assim como pela presença dos caçadores de búfalos provinientes da Guiné-Conakry.

Biai explicou à nossa reportagem que na sua povoação existem três grandes florestas, onde se registam movimentações dos animais, mais particularmente dos búfalos. Informou igualmente que a sua povoação teve sorte de albergar as três grandes florestas daquela zona, designadamente Nkoma, Badjassugu e Bissiló, afirmado ainda que naquelas florestas existem espécies de “paus de sangue e bissilão”, pelo que está com medo de que um dia as empresas interessadas por essas árvores venham devastar essas florestas.

Este conservador convidou-nos a visitar a floresta de Nkoma que dista alguns quilómetros da tabanca, a fim de constatar “in loco” as pegadas dos búfalos, facto que pudemos testemunhar. Constatamos as pegadas dos bufalos na sagrada floresta de Nkoma, num local onde costumam descansar.

Biai assegurou ao nosso jornal que a floresta de Nkoma é um lugar muito sagrado desde os tempos dos seus antepassados, pelo que não se permite corte nenhum tipo de árvores naquela mata ou mesmo a desmatação para o cultivo de arroz.

“Este lugar é muito sagrado se deitarmos o fogo aqui começa logo a chover e a pessoa que pós o fogo sofrerá as consequências rapidamente”, contou o conservador da floresta, que, entretanto se mostrou preocupado para o fenómino do corte das espécimes não chegue um dia as suas florestas.

Entretanto, contactamos o administrador do setor de Cacine, Eduardo Lobo de Pina, que confirmou a nossa reportagem que o corte de cibe se verifica no seu setor bem como cortes das florestas para o cultivo de arroz. Todavia, sustentou que os cortes de cibe se verificam mais na povoação de Campês, como também em algumas povoações nos arredores da seção de Sanconha.

Lobo de Pina contou que o corte de árvores para extração de carvão é uma actividade quase inexistente no seu setor, tendo afirmado ainda que o corte dos troncos de madeiras também não se regista no setor de Cacine.

“Verifica-se uma destruição massiva da floresta em tombali”

Já no término dos nossos trabalhos na Região de Tombali, a nossa reportagem falou com o Governador na qualidade de responsável máximo, Bocar Seide (Lemos) que confirmou igualmente a nossa reportagem a existência de cortes que considera de “abusiva” dos troncos de madeira na sua região, mas, sobretudo no setor de Quebo.

Assegurou, no momento, que se está a verificar uma destruição massiva da floreta de Tombali em detrimento dos interesses de um punhado de pessoas, tendo sustentado ainda que a destruição da floresta está a mexer muito com a vida social e a situação económica das populações locais que aproveitam muito da floresta para a sua sobrivivência.

Lembrou, neste particular, que por causa dos cortes que se verificam no setor de Quebo, concretamente nas matas de Sancuali (Colobia) isto faz com que os animais se entrem em pânico e movimentam-se de um lado para outro.

“Há um elefante que recentemente deu luz nas matas de Sancuali, mas devido aos barrulhos das máquinas dos cortes, não conseguiu tranquilizar-se, assim acabou por andar de um lado para outro, o que constitui um perigo para as populações que circulam naquela zona. Havia vários tipos de animais nesta zona, mas com as ondas dos cortes de troncos nas florestas, já não se consegue ver mais esses animais”, explicou.

O Governador da Região de Tombali afirmou que o mais grave é que as autoridades florestais emitiram licenças e autorizações à empresas para fazerem cortes de troncos no Centro Frutícola de Coli. Sublinhou que o corte dos troncos na floresta de Coli é um ato criminoso e o ator da emissão da licença para o corte naquela mata deve ser responsabilizado criminalmente.

Lemos esclareceu que as autoridades florestais, inclusive as empresas de cortes dos troncos nem sequer contactam as autoridades regionais e muito menos setoriais, a fim de apresentarem as respetivas licenças de cortes que os permitem entrarem numa determinada zona.

“Recebemos sempre as informações, através de populações que os chineses estão numa zona a fazer cortes, mesmo que queiramos impedir o corte não vamos ser obdecidos. Também existem elementos da Guarda Nacional que os protege nos seus trabalhos. Imaginem um comandante da Guarda Nacional é que me apresentou uma vez a licença da empresa chinesa que ia operar em Quebo, pode-se imaginar até onde chegou esta situação?”, lamentou impotente.