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sábado, 22 de junho de 2013

FREHU-N-FLIF Nº 14: A FORÇA E FRAQUEZA DO POVO QUE SOMOS



As Crianças são as flores da nossa luta
O apregoado Governo de Transição Inclusivo, recentemente, constituído, na Guiné-Bissau, com a participação do PAIGC, que, há um ano, se recusara a integrá-lo, suscita algumas reflexões sobre a Força e Fraqueza do Povo que somos. 
 
De alguma maneira, em linha com a notícia de graves divergências, surgidas, na última Assembleia Parlamentar da CPLP, realizada em Lisboa, na passada Terça-Feira (18 de Junho), concernente à redacção das conclusões finais das suas resoluções, prolongando a sessão por várias horas, vindo a ser assinada, apenas, na manhã do dia seguinte (19 de Junho de 2013). 
 
O ponto da discórdia tinha a ver com a referência à evolução da situação política na Guiné-Bissau, feita em termos mais favoráveis, com uma proposta séria e credível, no sentido do envio de uma Missão Parlamentar da CPLP à Guiné-Bissau, antes das Eleições Presidenciais e Legislativas! 
 
Percebe-se de que lado vinha a discordância, em face de uma entrevista de Ramos Horta, inusitadamente, pacificadora, saída no Jornal Público (de Portugal), na manhã do dia da assinatura!

Não houve quem não estranhasse! E choveram telefonemas, alertando para a entrevista! 
 
A CPLP é uma Comunidade que, neste momento, parece encontrar-se no seu ponto mais alto de “divergências”, mesmo na elaboração de conclusões de uma Cimeira vulgar, sem pontos quentes, publicamente perceptíveis.

Multiplicam-se, entretanto, discursos (dir-se-ia) ridículos, sendo o caso mais notável o do representante de Angola, que deixou transparecer algumas prepotências, que lhe vinham, certamente, do fundo da alma.

No entanto, no nosso País, não falta gente, que se nega a ser, ou pertencer, a um Povo humilde e respeitador. Gente que se julga nascida para mandar e dominar, não para servir.

De todos os cantos do País, nunca foi difícil reconhecer o Povo ao qual a Guiné–Bissau, enquanto Nação, é devedora, não só, pelas suas grandes capacidades, mas, também, pelas suas limitações e fraquezas.

O confronto deste Povo, em clara maioria, com outros que se encontram numa espécie de exílio voluntario, é mais evidente, quando se compara com tantos inúteis, que souberam aguardar a sua hora para se tornarem “grandes”, ainda que não passem de figuras de segunda categoria.

Desta gente nasceu uma multidão, que cresceu mais do que seria de esperar, até pelo favor daquele povo, que se deixa encandear facilmente pelo fulgor dos que se tornaram “gente importante”, à sua custa, ainda que sem mérito próprio, mas por influência alheia e por caminhos tortuosos. 
 
Um dia, estas mazelas emergirão e farão, com certeza, estragos na nossa sociedade.

Na CPLP, fala-se, hoje em dia, a torto e a direito, do Povo que mais ordena, alargando o dito para o Povo Guineense, que, de golpe em golpe, já não aguenta mais, está à beira do desespero, porque foi enganado e explorado pelo Governo de Carlos Gomes Jr. 
 
Mas, quem, normalmente, assim, fala, já não pertence ao Povo Guineense. 
 
Porque vive sem dificuldade, luta pelos privilégios próprios, de grupinhos de Bissauzinhos ou partidário. Esse tipo de gente promete ao Povo mundos e fundos, mas, tão-depressa, esquece o que promete. 
 
É neste contexto que vêm, ao de cima, os defeitos do Povo, as suas fraquezas, e que, quem cresceu num clima de interesses, sabe explorar muito bem, como é caso do Poder em Angola. 
 
O povo guineense torna-se, em tais situações, massa manobrável, que dá rédea solta ao individualismo e à inveja de uma comunidade, como a CPLP, que reage por emoções, porque ninguém lhe dá razão, ficando a balancear para o lado que melhor sabe tocar no sentimento, na perda de valores morais ou políticos e na capacidade de reflexão e de decisão, respondendo à batuta de quem o utiliza, tornando-se ingrato e dobrando-se, subservientemente, perante quem o engana e utiliza em proveito próprio.

O Povo Guineense parece, em tais situações, que deixa de reconhecer-se a si próprio, esquece as capacidades que o levaram a empreender a luta contra o colonialismo e a alcançar assinaláveis vitórias, em tempos de crise, estimulado pelo sonho de melhores dias no futuro.

Não nos esquecemos, todavia, que o Povo Guineense goza de direitos que nunca foram reconhecidos, como o direito à oportunidade na vida, que lhe foi negado, durante muito tempo, devido à pressão imposta por interesses alheios. 
 
Obra de quem não estava minimamente interessado em servi-lo, mas em servir-se dele. 
 
O Povo Guineense era, então, gente anónima! 
 
Mas, por sua própria iniciativa e capacidade de luta, ganhou nova energia, através das suas Forças Armadas, e rompeu o anonimato a que estava sujeito. 
 
Ganhou o direito a ter voz activa nos assuntos do seu País!

Os mais atentos perceberam esta força e determinação e depressa se colaram ao Povo, que se ia libertando, tirando daí proventos imerecidos. 
 
Muitas vezes, com intentos encobertos, mas dominador e com outros horizontes que não são os do Povo Guineense. 
 
O regime democrático, com os seus valores e oportunidades, acabou por dar mais importância aos interesses partidários do que ao bem comum. A igualdade tornou-se um mito, uma miragem, uma palavra para ser usada só em comícios.

As Regiões, Sectores e Tabancas tornaram-se inúteis, na política empreendida pelos sucessivos Governos. 
 
A crise que se vive a Guiné é fruto da destruição dos valores etno-culturais e da família, da alteração dos horizontes de vida real do pais, da prioridade dada ao ter, ao poder e ao gozar, em detrimento da verdade e da justiça. 
 
Quem vai tirar o País da situação em que se encontra? O Povo! O nosso Povo!

Quando um dia sacudir os intrusos, o nosso Povo voltará a ter consciência das suas capacidades, assentes nos valores da Unidade Nacional, e, desse modo, ultrapassará as suas deficiências e lutará contra as acções perversas dos agentes externos, que sempre pretendem desviar o Povo do caminho certo para disso tirarem proveito. 
 
Acreditamos que esse dia não tardará! A Força do nosso Povo está na sua lucidez e capacidade para se manter unido e coeso, em momentos difíceis da vida do País, em especial, nos momentos de crise.
(até próxima edição)
PARTICIPA COM A TUA OPINIÃO!
Conhecendo a realidade do País, você estará colaborando para a Paz e Estabilidade Política e Social da Guiné-Bissau, pela Verdade e Justiça! Por isso, leia o nosso próximo Tema, neste blogue, no dia 29.06.2013
Colabore connosco. Dê a sua sugestão por uma Guiné Melhor, mais Digna e Desenvolvida. Esse é o nosso objectivo! Nada mais!

 

domingo, 16 de junho de 2013

FREHU-N-FLIF Nº 13: A COMPOSIÇÃO DA FAMÍLIA NA CULTURA BALANTA

Como á habitual dizer-se, a Família é o núcleo central da sociedade humana.

A sua composição (e organização) reveste-se, por isso, de grande importância, qualquer que seja a cultura considerada, nos quatro cantos do Planeta.

A Família significa laços de sangue, o sentimento de identificação, pela via de transmissão de imperceptíveis marcadores genéticos, que permitem, com segurança, quase científica, o estabelecimento da relação de paternidade ou maternidade de sucessivas gerações, determinadas pelos laços sanguíneos.

Cada sociedade humana, tal como sucede com as diversas espécies animais, tem as suas próprias formas de reconhecimento da identidade e de pertença à uma determinada família, através dos laços sanguíneos

Entre os Balantas (o Povo Braza), também, existem formas de estabelecimento e reconhecimento da relação de parentesco, tanto na linha recta, como na linha colateral.

OS Dois Grandes Grupos:
 Os Balantas de Kuntowe e de Nhacra (Buwungue)

O Povo Braza (vulgo Balanta) compõe-se de dois grandes Grupos: Os Balantas de Kuntowe e os Balantas de Nhacra (ou Balantas de Fora), também chamados Buwungué.

Por referência ao Rio Mansoa (que percorre a Guiné-Bissau do Centro para Oeste), os Balantas de Kuntowe localizam-se à margem direita do Rio (no sentido da Nascente para a Foz, ou seja, do interior para o mar).

Os Balantas de Kuntowe subdividem-se em duas Sub-Etnias: os Nagas (Balanta Nagá) e os Mansoncas.

Genericamente, os Balantas de Kuntowe são mais sedentários (emigram menos, dentro do País).

À margem esquerdas do Rio Mansoa (no sentido da nascente para a foz) localizam-se os Balantas de Nhagra (ou Nhacra). Também se chamam Buwungué (significa Aves).

Os Balantas de Nhagra (Buwungué) são migratórios. Talvez venha daí o nome pelo qual são designados na Língua e na Cultura Balanta: Buwungué (Aves migratórias).

O seu destino migratório tanto é para o Oeste como para o Norte e Sul do País.

Na direcção Oeste, deslocam-se para regiões como Biombo e Quinhamel, onde formam as suas colónias em Território da Etnia Papel (em Balanta, Bezá-ó, donde a origem da denominação da cidade capital da Rep.Guiné-Bissau – BISSAU - que resulta do aportuguesamento da sua denominação em língua Balanta).

Essas pequenas colónias designam-se por “Flack” (retiro), tal como “Flack Ne Bupe”, na Região de Quinhamel, constituída por emigrantes vindos da Povoação de Bupe (Região de Nhacra).

Assim, encontram-se Povoações Balantas, desde Biombo até Bissau, passando por Quinhamel até Cumurá, nos arredores de Bissau.

Outro destino da emigração Buwungué é, tradicionalmente, para o Sul da Guiné, atravessando o Rio Geba, de canoa.

No novo local de fixação, a Família que aí se constitui, mantém, obrigatoriamente, a designação da Família de origem, isto é, da Povoação de que o imigrante é originário, como se fosse seu prolongamento, embora localizada em Território diferente. 

São o caso de colónias constituídas em Território da Etnia Papel (Botche Ne Bezá-ó) ou, no Sul da Guiné-Bissau, no Território dos Nalus (Botche Ne Bnalu).

Para onde quer que emigre, todo o Braza é obrigado a cumprir as regras e tradições da Família de origem (geralmente, Buwungué, da Região de Nhacra).

O destino preferencial da emigração Balanta é para o Sul da Guiné-Bissau, em especial, para o Território dos Nalus, mais rica e propícia para a prática da agricultura do arroz (principal actividade económica do Povo Braza, a par da cultura do amendoim.

Os Balantas de Kuntowé também são migrantes (embora menos que os Buwungué).

Geralmente, emigram para o Norte, na direcção de Ingoré e Farim, onde se cruzam com as Populações de Etnia Mandinga, chegando a converter-se à Religião Muçulmana, por influência das tradições locais.

Também usam deslocar-se para Oeste, para Territórios da Etnia Mancanha (Brame ne Bula) e Manjaca.

A Etnia Balanta é a que se mistura mais (através do casamento) com os demais grupos étnicos do País, em especial, com os Papéis (Bezá-ó) e Mandingas (Bemendé).

Bem vista, nessa perspectiva, a População Estatística da Etnia, no contexto global do País, é bem maior do que a, habitualmente, indicada pelas Estatísticas Oficiais do País (aliás, desactualizada, à razão de duas décadas).

Porque, a tradição, comum aos restantes Grupos Étnicos, é considerar que os filhos gerados com uma Mulher Balanta pertence à Etnia do pai, seja ele Papel, Mancanha ou Mandinga, e não à Etnia Balanta.

Este tipo de relações familiares tem forte implicação no modo de composição e legitimação de um individuo como membro de uma Família: saber se reúne os requisitos, estabelecidos pela tradição, que deve ser preservada pelo Homem Grande, para ser reconhecido como membro legítimo da Família.

A composição do Nome

A identidade de um Balanta estabelece-se pelo nome próprio (dado pelo Pai) e pela junção do nome da Grande Família tradicional (que se mantém de geração em geração).

Um indivíduo, que se chamasse, por exemplo, “Glomur Na Montche” tem o seu nome próprio (“Glomur”) e um sobrenome (“Montche”), que o associa à Grande Família a que pertence.

Glomur Na Montche significaria: Glomur (nome próprio), Filho de Montche, que indica que o indivíduo assim chamado pertence à Grande Família dos Montche (coisa distinta da pequena família ou família singular, constituída por um casal e seus filhos.

A palavra “Na” ou Ne” é um elemento gramatical (preposição) que faz a ligação entre o nome próprio (no exemplo –“Glomur”) e o da Grande Família (no exemplo - “Montche”).

“Na” ou “Ne” significam, “de” ou “da”. É o equivalente da palavra Alemã “Von” (que se lê “Fon” e significa “de” ou “da”), que entra na composição de vários nomes de Família Alemãs, como, por exemplo, do nome “WERNER VON BRAUN” (Verner da Família Braun ou simplesmente Verner Braun).

Werner Von Braun é o nome do grande Engenheiro Alemão, ao serviço de Hitler, criador dos famosos V2 e inventor dos modernos Mísseis, que, no fim da II Guerra Mundial, se rendeu aos Norte-Americanos e dirigiu o Programa Espacial da NASA, cujo sucesso maior foi a colocação do 1º Homem na Lua, permitindo, desse modo, a vitória dos Estados Unidos sobre a União Soviética, na Corrida ao Espaço.

É sabido que existe muita semelhança entre vocábulos da Língua Balanta e das Línguas Germânicas e Anglo-Saxónicas.

Mesmo quando não conste do nome oficial (dado pelos Portugueses, na época colonial, ou pela República da Guiné-Bissau), faz parte da Cultura Balanta saber de que Tabanca se é originário, devido aos muitos laços familiares que daí derivam, sem que se saiba que tal pessoa é membro da Família, porventura um pouco afastado.

A Tabanca

Há que distinguir duas realidades: a Tabanca e a Morança (recorrendo à designação em Crioulo).

Uma Tabanca é o conjunto de Moranças de diferentes Grandes Famílias, instaladas numa determinada Povoação, que tem, sempre, um nome próprio. Por exemplo: Tchugue (uma Povoação ou Tabanca localizada na Região de Mansoa).

Uma Tabanca Balanta é constituída por um conjunto de várias famílias singulares, cujo elo de ligação consiste em terem uma ascendência comum.

Morança

Uma Morança é um conjunto de Casas da mesma Família Grande, que têm em comum o único Avô Paterno, donde a importância deste tipo de organização social.

Duas ou mais Moranças podem agrupar-se num subgrupo familiar, em função das afinidades, que possam existir, em relação a certas práticas sociais (por exemplo, Fanado, cerimónia de circuncisão). Chama-se a isso KUFADE.

No meio do Pátio comum, localiza-se um Templo sagrado (“FRAM”). Trata-se de uma construção de pequena dimensão, de forma circular, que simboliza a Morada de Deus, no seio da Família Grande, que se invoca para a obtenção de determinadas benesses, como a boa colheita agrícola, a cura de um familiar doente ou regresso com saúde de familiar ausente.

Em contrapartida, presta-se o culto sagrado, através de oferendas do melhor que a Família tem: pode ser uma galinha, morta com esse fim, cujo sangue é espargido, no templo, abrindo-se uma pequena porta, tal como se oferece comida, à base de arroz, e bebida (aguardente de cana).

Composição da Família

Numa Morança (por exemplo, da Família “Fantchamna”):

Os FILHOS (Masculinos) têm o direito de ficar na Morança e nela realizar o seu casamento.

Os seus Filhos (Masculinos), também ficam na Família, e podem assumir o Apelido “NA FANTCHAMNA”.

Ao contrário, as FILHAS, em função do casamento (BDÉ), não permanecem na Morança ou seja na casa paterna (a Grande Família, de que falámos anteriormente).

Por sua vez, os Filhos delas não têm o direito a usar o Apelido da Família (por exemplo, Na Fantchamna).

Os FILHOS delas são considerados apenas SOBRINHOS da Família Grande (por exemplo, da Família Fantchamna), mas não podem ter, na composição dos seus nomes, o título (ou apelido) “Na Fantchamna”.

Numa Morança (a Grande Família), os Filhos (masculinos) constroem as suas casas à volta da casa do Pai, deixando no meio um largo (um espaço) Sagrado chamado FIARÉ.

Esse largo é o lugar de todo o tipo de culto sagrado, onde existe o IRAN GARANDI (Ser Espiritual, Medianeiro entre a Família e Deus).

Normalmente, é representado por uma planta (Pulga, em língua Crioula e mkub na língua Balanta).

Cada Filho (Masculino) tomará o Apelido “Na Fantchamna” (por exemplo), assim como os seus Descendentes masculinos.

As FILHAS (BDÉ) – PADIDA – casam fora da Grande Família de que são originárias.

Os Filhos e as Filhas, gerados fora da Família Grande, em razão do casamento, são considerados SOBRINHOS da Grande Família (por ex: Na Fantchamna) e são os mais acarinhados de toda a Família.

Chegam a ter mais importância do que os Filhos masculinos que sempre viveram na Morança.
…….

Estas são algumas particularidades da Cultura Braza, no que respeita à composição da Família, que aqui deixamos, sem pretender esgotar a matéria, que é bastante complexa.

                                                                    (até próxima edição)
PARTICIPA COM A TUA OPINIÃO!
Conhecendo a realidade do País, você estará colaborando para a Paz e Estabilidade Política e Social da Guiné-Bissau, pela Verdade e Justiça! Por isso, leia o nosso próximo Tema, neste blogue, no dia 22.06.2013
Colabore connosco. Dê a sua sugestão por uma Guiné Melhor, mais Digna e Desenvolvida. Esse é o nosso objectivo! Nada mais!

domingo, 9 de junho de 2013

FREHU-N-FLIF Nº 12: RESPOSTA-CRÍTICA AO ARTIGO DO JORNALISTA JORGE HEITOR PUBLICADO EM 10.05.2013 NO SITE LUSIMONITOR


O ARTIGO ORIGINAL

As Crianças são as flores da nossa luta
Se a Guiné-Bissau fosse um país normal, estaria nesta altura a decorrer normalmente em Cacheu o VIII Congresso do PAIGC, cuja liderança é disputada por Aristides Ocante da Silva, Braima Camará, Carlos Gomes Júnior, Domingos Simões Pereira, José Mário Vaz e Vladimir Deuna.

No entanto, como a Guiné-Bissau não é de forma alguma um país normal, não estamos a receber boas notícias do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), criado oficialmente a 19 de Setembro de 1956, por pessoas como Amílcar e Luís Cabral, Aristides Pereira e Fernando Fortes.

Se a Guiné-Bissau fosse um país normal, com quase 40 anos de vida, estaria agora a ser governada pelo PAIGC e a ser presidida provavelmente pelo que é ainda o líder desse partido, Carlos Gomes Júnior, que neste último ano tem vivido exilado, porque um golpe de Estado deixou as eleições presidenciais a meio.

Enquanto Angola está a ser governada pelo MPLA, oficialmente formado alguns meses depois do PAIGC, a Guiné-Bissau encontra-se nas mãos de um conglomerado de militares e de traficantes que de forma alguma sabem ou querem saber o que seja a legalidade democrática.

O Estado da Guiné-Bissau não conhece o seu lugar; é desorganizado e incompetente”, reconheceu recentemente um dos candidatos à liderança do PAIGC, José Mário Vaz, que já foi ministro das Finanças e depois do golpe do ano passado viajou para Portugal, como outros dos seus compatriotas.

O Estado guineense é desorganizado e incompetente porque nasceu torto, nunca tendo uma série de combatentes pela independência aceite a liderança de Amílcar Cabral, que acabaria por ser assassinado, devido ao ódio de certos negros aos cabo-verdianos. Amílcar e Luís Cabral nunca conseguiram consolidar o sonho de uma Guiné e um Cabo Verde a caminharem juntos para a independência e o desenvolvimento.

Essa foi apenas uma miragem dos dois irmãos e de poucas mais pessoas. No dia 14 de Novembro de 1980 João Bernardo Vieira, “Nino”, afastou Luís Cabral da Presidência da Guiné-Bissau e deu o pontapé de saída para a completa ruptura entre os dois ramos do PAIGC, que de modo algum poderia continuar a ser o partido essencial de dois territórios tão diferentes como o são a Guiné e Cabo Verde.
Se o dito PAIGC desejasse agora ser verdadeiramente coerente com o que sempre tem sido a prática de muitos dos seus militantes, eliminaria de vez o nome de Cabo Verde da sua Designação e passaria pura e simplesmente a ser o Partido Africano da Independência da Guiné-Bissau (PAIGB). Tal como Aristides Pereira e Pedro Pires souberam tão bem, depois do golpe de “Nino”, criar o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Carlos Gomes Júnior e os demais candidatos à liderança de um partido de nome errado deveriam ter a coragem de encetar agora um tempo inteiramente novo, muito mais promissor.

Uma vez que nem o dito PAIGC nem o Partido da Renovação Social (PRS) têm credibilidade suficiente para gerir a Guiné-Bissau, depois de tudo aquilo a que se tem assistido nos últimos anos, talvez um PAIGB significasse como que um começar de novo, um recomeço.

O povo da Guiné-Bissau necessita de passos arrojados; e de políticos que saibam colocar os militares no seu devido lugar, de servidores da República; para que não estejam permanentemente a interferir na vida do próprio país. Já se perdeu demasiado tempo para que continuemos a assistir a mais do mesmo. Esta é uma mensagem de esperança, para que os guineenses se libertem definitivamente de pessoas como Bubo Na Tchuto, António Indjai, Papá Camará ou, até mesmo, Kumba Ialá.

*Jorge Heitor, que na adolescência tirou um Curso de Estudos Ultramarinos, trabalhou durante 25 anos em agência noticiosa e depois 21 no jornal PÚBLICO, tendo passado alguns períodos da sua vida em Moçambique, na Guiné-Bissau e em Angola. Também fez reportagens em Cabo Verde, em São Tomé e Príncipe, na África do Sul, na Zâmbia, na Nigéria e em Marrocos. Actualmente é colaborador da revista comboniana Além-Mar e da revista moçambicana Prestígio.
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A NOSSA
RESPOSTA-CRÍTICA


Liderança do PAIGC
(Impasse no Congresso)

No seu artigo, acima transcrito, publicado no website Lusomonitor, em 10.05.2013, o Jornalista Jorge Heitor escreve o seguinte:

Se a Guiné-Bissau fosse um país normal, estaria nesta altura a decorrer normalmente em Cacheu o VIII Congresso do PAIGC, cuja liderança é disputada por Aristides Ocante da Silva, Braima Camará, Carlos Gomes Júnior, Domingos Simões Pereira, José Mário Vaz e Vladimir Deuna.”

À parte a ligeireza da afirmação assim produzida, não podemos deixar de lamentar a linearidade de pensamento do autor, que se apresenta, a si mesmo, como alguém, que, “na adolescência, tirou um Curso de Estudos Ultramarinos e trabalhou durante 25 anos em agência noticiosa e depois 21 no jornal PÚBLICO”,

Lendo a peça, e os seus alvitres, apenas encontramos motivos para lamentar a pobreza das afirmações e proposições feitas.

Por tal motivo, não nos podemos conformar, no uso do direito legítimo à liberdade de opinião e ao contraditório, contrapor o nosso ponto de vista, pois que, enquanto Guineenses, também nos sentimos visados. Quem não sente, não é filho de boa gente!...

Aparentemente, o sr. jornalista revela desconhecer a realidade político-social da Guiné-Bissau, que, naturalmente, se reflecte na disparidade de propostas de soluções pelas quais se devem bater aqueles candidatos à liderança do PAIGC. Isso não é uma questão menor!


Boas Notícias do PAIGC?

Mais adiante, escreve o sr. Jornalista:
No entanto, como a Guiné-Bissau não é de forma alguma um país normal, não estamos a receber boas notícias do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC)”….


O PAIGC foi, e continua a ser, um Partido determinante, na cena política da Guiné-Bissau:
desde a Luta de Libertação Nacional, e, mesmo, no período pós-independência, até à actualidade.

Pode-se, resumidamente, dizer que a Guiné-Bissau, dos últimos 40 anos, foi talhada à imagem e semelhança do PAIGC e dos Pais Fundadores (Amílcar Cabral e Luís Cabral), bem assim dos seus continuadores históricos (Nino Vieira e Carlos Gomes Júnior).

A fragilidade da Guiné-Bissau, como Estado independente, é a imagem de marca da fragilidade congénita do seu processo de nascimento e incubação, essencialmente, assente na mistificação de factos e de práticas políticas, bem como no proteccionismo de interesses de pequeno grupo, que nada têm a ver com o interesse nacional.

Assim foi, durante o processo de constituição do PAIGC, como Partido Político. Assim foi, durante a condução da Luta de Libertação Nacional, sob a liderança de Amílcar Cabral, o grande ideólogo do Partido e seu fundador.

Assim foi, também, depois da Independência de iure (que se inicia com a retirada oficial da Administração Colonial, ocorrida em 10.08.1974).

Assim foi, também, após o Golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980, que colocou Nino Vieira no Poder.

Pelas pinceladas secas, que lançou, a propósito dos candidatos à liderança do PAIGC, fazendo referência aos Fundadores do Partido, o sr. jornalista parece não se importar em pôr os seus créditos em mãos alheias, sem olhar em quem.

O PAIGC e os seus Militantes sabem, melhor do que ninguém, que os males de que padece o País têm a sua causa directa, nas práticas protagonizadas, no seio do Partido, desde a fundação

Será por acaso que ainda não foi escrita a História Oficial da Guiné-Bissau? Medo da verdade? Ou da falsidade incorporada, ao longo de décadas?

Por isso, é importante para o Povo da Guiné-Bissau que os Militantes e os Candidatos à Liderança do PAIGC tenham a coragem de fazer um debate sério a fim de apresentarem ao País propostas credíveis de solução para os diversos problemas com que se debate. Acima de tudo, seriedade e competência! Nada mais que isso!

Por isso, sem hesitação, sentimos o dever de lançar uma palavra de saudação e reconhecimento, ao grande Povo de Angola, que, depois de décadas de Guerra Civil, encontrou, graças à uma liderança inspiradora, o seu caminho, no contexto do Continente Africano, e do Mundo, concebendo e desenvolvendo um Projecto Político de Inclusão, tendencialmente abrangente para todo o Povo Angolano. Não é possível maior triunfo em tão pouco tempo!

Ao contrário de Angola, a prática política, que se tornou moda, na Guiné-Bissau, é a perseguição (muitas vezes, a pedido do Estrangeiro) dos obreiros da Independência Nacional, sistematicamente referenciados como alvo a bater, como estropício para a governação, sujeitos à humilhação, em todos os Governos protagonizados pelo PAIGC. Como se pode?

O mesmo faz o sr. Jornalista Jorge Heitor, no seu artigo, contra as Forças Armadas da Guiné-Bissau.

Será possível convencê-lo que, sem essa frente de luta, é que, realmente, a Guiné-Bissau deixaria de ser um País normal, ao contrário do que agora afirma?

E, no entanto, são esses mesmos que, há décadas, continuam a postar-se como os mais lídimos defensores da Liberdade da Pátria e do seu Povo.

Um Estado, sem Forças Armadas, não é um Estado! Não é essa a Cruzada pessoal do representante das Nações Unidas, na Guiné-Bissau?

Extintas as Forças Armadas, sujeitas actualmente à uma forte pressão psicológica, a pretexto da reforma compulsiva dos Militares, lá viriam os milhões de dólares, que agora se nega ao País, precisamente no período mais pacífico e inclusivo da sua História recente.

É possível suportar tamanha falta de carácter? Tamanha falsidade?

É claro que não é esse tipo de Política que o Povo da Guiné espera dos seus Políticos, neste caso dos candidatos à liderança do PAIGC.

Mas é possível ser-se político sem um pensamento coerente sobre o bem comum do Povo Guineense?

O debate, que se espera dos candidatos à liderança do PAIGC, deve ser sério e profundo, a pensar no momento delicado que o nosso País está a atravessar, vítima de conspirações diversas (internas e externas), com uma intenção claramente provocatória, orientada para a transformação da Guiné-Bissau, e da sub-região, no campo de batalha estratégica, de grande calibre, em nome de interesses que nada têm a ver com os da Nação Guineense e do seu Povo.


Referência Jocosa à Guiné-Bissau

É por isso que não podemos admitir a referência jocosa à Guiné-Bissau que o sr. jornalista se permite fazer, de forma intencional e reiteradamente ofensiva.

Na verdade, se fosse um Jornalista normal, com o currículo, pelo qual se auto-apresenta, deveria ter vergonha de se referir à Guiné-Bissau, no tom abjecto, em que o faz, sem respeito pela deontologia da sua profissão e pelo grandioso Povo da Guiné-Bissau:

Grandioso na sua nobreza, enquanto Povo; grandioso, na sua postura nacional, em que privilegia a solidariedade e a paz social; apesar de todas as Forças Malévolas da desunião (vindas do exterior e ecoadas, no interior, por alguns oportunistas, numa óptica de dividir para reinar); apesar da diversidade cultural, que (não nos cansamos de repetir) é a maior riqueza do nosso Povo.

É legítimo perguntar: onde estava ele, no momento em que decidiu escrever a sua diatribe?
Nalguma esplanada de Maputo ou de Joanesburgo? Porque, na Guiné-Bissau, não foi com certeza!

Apesar do respeito, que devemos à pessoa do jornalista, não podemos acompanhá-lo, no seu desvario intelectual, só porque é moda falar-se mal da Guiné-Bissau. Quanto se ganha por falar assim?

Estado desorganizado e incompetente:
O Debate Político Necessário

No 3º parágrafo, o sr. Jornalista faz a seguinte observação:
O Estado Guineense é desorganizado e incompetente porque nasceu torto, nunca tendo uma série de combatentes pela independência aceite a liderança de Amílcar Cabral, que acabaria assassinado ao ódio de certos negros aos cabo-verdianos.”
Diz, a propósito, que “Amílcar e Luís Cabral nunca conseguiram consolidar o sonho de uma Guiné e um Cabo Verde a caminharem juntos para a independência e o desenvolvimento”.

Vale a pena lembrar o seguinte episódio, bastante significativo para a História da Guiné-Bissau e Cabo-Verde:

Em Janeiro de 1978, o Presidente Sékou Touré, da Guiné-Conakry, bem informado sobre o processo político da Guiné-Bissau, na sua relação com Cabo-Verde, denunciou o tipo de unidade de cavalo e cavaleiro” que o PAIGC estava a praticar, na Guiné-Bissau.

Foi, sem dúvida, o mote para a alteração política que se operou, pouco tempo depois, através do Golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980, que fez a ruptura definitiva com a governação bicéfala sob o mesmo Partido e a mesma bandeira.

O PAIGC é um Partido charneira, na Guiné-Bissau. O seu papel, na História dos Países de Expressão Portuguesa, ultrapassa a sua dimensão nacional. É preciso explicar?

Por isso, os seus verdadeiros Militantes deveriam ser exigentes com a qualidade de liderança, que se preparam para eleger, no 8º CONGRESSO do PAIGC.

Porque o debate, que os candidatos deveriam fazer, deve ser no sentido da sua libertação ideológica, para virem de encontro ao riquíssimo Povo, de imensa sabedorias, que é o Povo da Guiné-Bissau.

Este pode não intervir na eleição partidária, mas sabe o que quer e o que não quer.

Sabe que não quer aquela liderança do PAIGC, feita de castelinhos de poder, em benefício de um reduzido grupo de privilegiados, porque essa foi sempre a sua estratégia de Poder, que (claro está) não deu resultado.

Assim foi, com Amílcar Cabral (o Pai Fundador), que se escudou na liderança minoritária cabo-verdiana. Assim, também, com Luís Cabral e Aristides Pereira, a pretexto da Unidade Guiné-Cabo Verde.

Assim, também, com Nino Vieira, ao distanciar-se dos ideais da Luta da Libertação Nacional e tornar-se, ele próprio, no seu inimigo, ao construir (mal aconselhado), também ele, o seu próprio castelinho de poder, rodeado dos seus conselheiros privativos, que o tornariam órfão de quaisquer ideais de liberdade política, enredado na sua ambição de poder pessoal.

É tempo de esse filme ser retirado do cartaz e se desenvolver uma política de nobreza de valores e de genuíno patriotismo. Não se enriquece com uma tal política. Mas o Povo saberá reconhecer! Povo saberá agradecer uma liderança conciliatória e inclusiva!

Não ignoramos a existência de uma força conspiratória e divisionista, feita de intimidação obsessiva, a pretexto do narcotráfico, pretexto sinistro, manipulado com mestria por gente sem escrúpulos, que apenas visa o seu interesse pessoal ou estratégico, em que se escudam para impor a sua vontade ao Estado da Guiné-Bissau.

O tempo presente deve ser de unidade, a todo o custo, a todos os níveis.

Porque todos os que pensam cavalgar o cavalo da vitória fácil, puxado pelo interesse de enriquecimento pessoal, à custa do País que é a Guiné-Bissau, seja quem for que lhes alimente as ilusões, não estará talhado para assumir qualquer responsabilidade, nem termos de liderança partidária, nem (pior ainda) política!

Os oportunistas (sempre à espera de vitória fácil) têm uma história curta. Não têm futuro, numa Guiné de respeito e dignidade.

Compreendemos que, num País, como a Guiné-Bissau, de múltiplas diversidades, a diversidade dos candidatos deve espelhar as diversidades de sensibilidades sociais e interesses subjacentes.

Importante é que todos os interesses se conciliem, face ao interesse geral do nosso Povo, na adopção de uma política de paz, estabilidade e de inclusão. Qualquer Guineense entende isso!


Governo e Presidência do PAIGC

No 2º parágrafo da sua dissertação, o articulista insiste - falando ex-cathedra - na anormalidade do Estado da Guiné-Bissau, que pretende justificar da seguinte forma:

Se a Guiné-Bissau fosse um país normal, com quase 40 anos de vida, estaria agora a ser governada pelo PAIGC e a ser presidida provavelmente pelo que é ainda o líder desse partido, Carlos Gomes Júnior, que neste último ano tem vivido exilado

Mas que autoridade tem o sr.jornalista para asseverar juízos de valor sobre a dinâmica interna de um Partido ou de um País?

Nitidamente, o articulista exorbita das suas competências, enquanto jornalista, ao ingerir-se, despudoradamente, sobre a dinâmica interna de um País, alvitrando sobre quem deve governar ou presidir os destinos do País. Será isso liberdade de informação?

Ou ter carteira de jornalista é receber carta branca para insultar todo um Povo, todo um País, de forma tão leve e banal?

Será que entende que, desde há muitos anos, os últimos 14 (catorze) meses, foram os de maior estabilidade política e social na Guiné-Bissau, tendo a cooperar, pacificamente, 35 Partidos de Oposição ao PAIGC?

Alguém pode garantir idêntica estabilidade com a nova composição do Governo, recentemente empossado, com a inclusão do PAIGC no seu elenco, com todo o seu engenho na arte de manipular o aparelho do Poder? Veremos!

Será que consegue entender que a presença de uma Força Estrangeira, na Guiné-Bissau, para defesa de um só homem, era um insulto grosseiro a todo um País, além de toda a ingenuidade de que se revestiu e a humilhação desnecessária?

Se é por esse tipo de governação que o sr. jornalista propugna, só teremos a lamentar a sua frustrante expectativa! Nenhum Guineense deseja uma governação desse género, tutelada pelas próprias Forças que a fariam cair, quando os seus interesses não fossem salvaguardados.

Algum País movimenta uma Força tão poderosa, como aquela que se encontrava estacionada, na Guiné-Bissau, aquando do Golpe de Estado de 12 de Abril de 2012, sem que tenha nisso interesse colateral?

Indubitavelmente, o Golpe de Estado de 12 de Abril devolveu à Guiné-Bissau a sua dignidade, apesar de todas as dificuldades que as sanções impostas lhe vêm causando.


Guiné-Bissau nas
Mãos dos Militares?

No entanto, afirma o sr. jornalista, fazendo comparação com a governação do MPLA, em Angola, o seguinte: “…a Guiné-Bissau encontra-se nas mãos de um conglomerado de Militares e de traficantes que de forma alguma sabem ou querem saber o que seja a legalidade democrática.”

O mínimo que se pode dizer é que a afirmação não é mais do que uma confissão de ignorância do papel das Forças Armadas, na Guiné-Bissau, onde são o verdadeiro bastião da Liberdade e da Democracia, visto serem constituídas por autênticos filhos do Povo.

Por isso, volta a perguntar-se: Onde estava o sr. jornalista quando decidiu escrever sobre a Guiné-Bissau?

Saberá ele que as Forças Armadas da Guiné-Bissau nunca exerceram o Poder Político, mesmo durante o Consulado pessoal de Nino Vieira, que durou mais de 20 anos?

E que as Forças Armadas sempre se limitaram a defender a integridade territorial do Estado da Guiné-Bissau e a garantir a paz e estabilidade politica e social, no seu verdadeiro sentido político?

E que os Golpes que se deram tiveram apenas uma finalidade terapêutica e nunca tiveram qualquer intenção reivindicativa ou de exercício de poder? Porque se falta então à verdade?

E o narcotráfico será uma exclusividade Guineense? Ou apenas é referenciada como pretexto, para algo tão grave, como uma cruzada para a debilitação das Forças Armadas, em nome de interesses estratégicos de alguma grande Potência?

E se foi a DEA americana quem instilou o negócio no País, como pretexto para algo mais grave, como sucedeu com a detenção do Almirante Bubo na Tchuto? É algo inverosímil? Certamente que não!

Acha-se o sr. Jornalista legitimado a insinuar tal coisa, só por ouvir dizer, sem confrontar a realidade?


A Proposta de Nova Designação
Para o PAIGC

Quase a terminar, propõe o articulista que o PAIGC deverá decidir, de uma vez por todas, no progresso Congresso, mudar de designação política: em vez de PAIGC passar a chamar-se PAIGB.

Argumenta com o facto de que Cabo Verde mudou a sua designação para PAICV.

Mas, como ficou dito, o PAIGC é um Partido com História, que influenciou, decisivamente, com a sua capacidade política e estratégica, não só a luta pela Independência da Guiné-Bissau e de Cabo-Verdade, como a Luta de Independência de Angola e de Moçambique, assim como dos novos Países Lusófonos, onde não aconteceu a Luta armada, como Cabo-Verde e São Tomé e Príncipe.

Um Partido, com tal História, só mostra a sua coerência, mantendo a sua designação original. Nada a censurar.

                                                      (até próxima edição)
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