O ARTIGO ORIGINAL
Se
a Guiné-Bissau fosse um país normal, estaria nesta altura a
decorrer normalmente em Cacheu o VIII Congresso do PAIGC, cuja
liderança é disputada por Aristides Ocante da Silva, Braima Camará,
Carlos Gomes Júnior, Domingos Simões Pereira, José Mário Vaz e
Vladimir Deuna.
No
entanto, como a Guiné-Bissau não é de forma alguma um país
normal, não estamos a receber boas notícias do Partido Africano da
Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), criado oficialmente a
19 de Setembro de 1956, por pessoas como Amílcar e Luís Cabral, Aristides
Pereira e Fernando Fortes.
Se
a Guiné-Bissau fosse um país normal, com quase 40 anos de vida,
estaria agora a ser governada pelo PAIGC e a ser presidida
provavelmente pelo que é ainda o líder desse partido, Carlos Gomes
Júnior, que neste último ano tem vivido exilado, porque um golpe de
Estado deixou as eleições presidenciais a meio.
Enquanto
Angola está a ser governada pelo MPLA, oficialmente formado alguns
meses depois do PAIGC, a Guiné-Bissau encontra-se nas mãos de um
conglomerado de militares e de traficantes que de forma alguma sabem
ou querem saber o que seja a legalidade democrática.
“O
Estado da Guiné-Bissau não conhece o seu lugar; é desorganizado e
incompetente”, reconheceu recentemente um dos candidatos à
liderança do PAIGC, José Mário Vaz, que já foi ministro das
Finanças e depois do golpe do ano passado viajou para Portugal, como
outros dos seus compatriotas.
O Estado guineense é
desorganizado e incompetente porque nasceu torto, nunca tendo uma
série de combatentes pela independência aceite a liderança de
Amílcar Cabral, que acabaria por ser assassinado, devido ao ódio de
certos negros aos cabo-verdianos. Amílcar e Luís Cabral nunca
conseguiram consolidar o sonho de uma Guiné e um Cabo Verde a
caminharem juntos para a independência e o desenvolvimento.
Essa
foi apenas uma miragem dos dois irmãos e de poucas mais pessoas. No
dia 14 de Novembro de 1980 João Bernardo Vieira, “Nino”, afastou
Luís Cabral da Presidência da Guiné-Bissau e deu o pontapé de
saída para a completa ruptura entre os dois ramos do PAIGC, que de
modo algum poderia continuar a ser o partido essencial de dois
territórios tão diferentes como o são
a Guiné e Cabo Verde.
Se
o dito PAIGC desejasse agora ser verdadeiramente coerente com o que
sempre tem sido a prática de muitos dos seus militantes, eliminaria
de vez o nome de Cabo Verde da sua Designação e passaria pura e
simplesmente a ser o Partido Africano da Independência da
Guiné-Bissau (PAIGB). Tal como Aristides Pereira e Pedro Pires
souberam tão bem, depois do golpe de “Nino”, criar o Partido
Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Carlos Gomes Júnior
e os demais candidatos à liderança de um partido de nome errado
deveriam ter a coragem de
encetar agora um tempo inteiramente novo, muito mais promissor.
Uma
vez que nem o dito PAIGC nem o Partido da Renovação Social (PRS)
têm credibilidade suficiente para gerir a Guiné-Bissau, depois de
tudo aquilo a que se tem assistido nos últimos anos, talvez um PAIGB
significasse como que um começar de novo, um recomeço.
O
povo da Guiné-Bissau necessita de passos arrojados; e de políticos
que saibam colocar os militares no seu devido lugar, de servidores da
República; para que não estejam permanentemente a interferir na
vida do próprio país. Já se perdeu demasiado tempo para que
continuemos a assistir a mais do mesmo. Esta é uma mensagem de
esperança, para que os guineenses se libertem definitivamente de
pessoas como Bubo Na Tchuto, António Indjai, Papá Camará
ou, até mesmo, Kumba Ialá.
*Jorge
Heitor, que na adolescência tirou um Curso de Estudos Ultramarinos,
trabalhou durante 25 anos em agência noticiosa e depois 21 no jornal
PÚBLICO, tendo passado alguns períodos da sua vida em Moçambique,
na Guiné-Bissau e em Angola. Também fez reportagens em Cabo Verde,
em São Tomé e Príncipe, na África do Sul, na Zâmbia, na Nigéria
e em Marrocos. Actualmente é colaborador da revista comboniana
Além-Mar e da revista moçambicana Prestígio.
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A
NOSSA
RESPOSTA-CRÍTICA
Liderança
do PAIGC
(Impasse
no Congresso)
No seu artigo,
acima transcrito, publicado no website Lusomonitor,
em 10.05.2013, o Jornalista Jorge Heitor escreve o seguinte:
“
Se a Guiné-Bissau fosse um país
normal, estaria nesta altura a decorrer normalmente em Cacheu o VIII
Congresso do PAIGC, cuja liderança é disputada por Aristides Ocante
da Silva, Braima Camará, Carlos Gomes Júnior, Domingos Simões
Pereira, José Mário Vaz e Vladimir Deuna.”
À
parte a ligeireza da afirmação assim produzida, não podemos deixar
de lamentar a linearidade de pensamento do autor,
que se apresenta, a si mesmo, como alguém, que, “na
adolescência, tirou um Curso de Estudos Ultramarinos e trabalhou
durante 25 anos em agência noticiosa e depois 21 no jornal PÚBLICO”,
Lendo
a peça, e os seus alvitres, apenas encontramos motivos para lamentar
a pobreza das afirmações e proposições feitas.
Por
tal motivo, não nos podemos conformar, no uso do direito legítimo à
liberdade de opinião e ao contraditório, contrapor o nosso ponto de
vista, pois que, enquanto Guineenses, também nos sentimos visados.
Quem não sente, não é filho de boa gente!...
Aparentemente,
o sr. jornalista revela desconhecer a realidade político-social da
Guiné-Bissau, que, naturalmente, se reflecte na disparidade de
propostas de soluções pelas quais se devem bater aqueles candidatos
à liderança do PAIGC. Isso não é uma questão menor!
Boas
Notícias do PAIGC?
Mais
adiante, escreve o sr. Jornalista:
“No
entanto, como a Guiné-Bissau não é de forma alguma um país
normal, não estamos a receber boas notícias do Partido Africano da
Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC)”….
O
PAIGC foi, e continua a ser, um Partido determinante, na cena
política da Guiné-Bissau:
desde
a Luta de Libertação Nacional, e, mesmo, no período
pós-independência, até à actualidade.
Pode-se,
resumidamente, dizer que a Guiné-Bissau, dos últimos 40 anos, foi
talhada à imagem e semelhança do PAIGC e dos Pais Fundadores
(Amílcar Cabral e Luís Cabral), bem assim dos seus continuadores
históricos (Nino Vieira e Carlos Gomes Júnior).
A
fragilidade da Guiné-Bissau, como Estado independente, é a imagem
de marca da fragilidade congénita do seu processo de nascimento e
incubação, essencialmente, assente na mistificação de factos e de
práticas políticas, bem como no proteccionismo de interesses de
pequeno grupo, que nada têm a ver com o interesse nacional.
Assim
foi, durante o processo de constituição do PAIGC, como Partido
Político. Assim foi, durante a condução da Luta de Libertação
Nacional, sob a liderança de Amílcar Cabral, o grande ideólogo do
Partido e seu fundador.
Assim
foi, também, depois da Independência
de iure (que se inicia com a retirada oficial da Administração
Colonial, ocorrida em 10.08.1974).
Assim
foi, também, após o Golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980, que
colocou Nino Vieira no Poder.
Pelas
pinceladas secas, que lançou, a propósito dos candidatos à
liderança do PAIGC, fazendo referência aos Fundadores do Partido, o
sr. jornalista parece não se importar em pôr os seus créditos em
mãos alheias, sem olhar em quem.
O
PAIGC e os seus Militantes sabem, melhor do que ninguém, que os
males de que padece o País têm a sua causa directa, nas práticas
protagonizadas, no seio do Partido, desde a fundação
Será
por acaso que ainda não foi escrita a História Oficial da
Guiné-Bissau? Medo da verdade? Ou da falsidade incorporada, ao longo
de décadas?
Por
isso, é importante para o Povo da Guiné-Bissau que os Militantes e
os Candidatos à Liderança do PAIGC tenham a coragem de fazer um
debate sério a fim de apresentarem ao País propostas credíveis de
solução para os diversos problemas com que se debate. Acima de
tudo, seriedade e competência! Nada mais que isso!
Por
isso, sem hesitação, sentimos o dever de lançar uma palavra de
saudação e reconhecimento, ao grande Povo de Angola, que, depois de
décadas de Guerra Civil, encontrou, graças à uma liderança
inspiradora, o seu caminho, no contexto do Continente Africano, e do
Mundo, concebendo e desenvolvendo um Projecto Político de Inclusão,
tendencialmente abrangente para todo o Povo Angolano. Não é
possível maior triunfo em tão pouco tempo!
Ao
contrário de Angola, a prática política, que se tornou moda, na
Guiné-Bissau, é a perseguição (muitas vezes, a pedido do
Estrangeiro) dos obreiros da Independência Nacional,
sistematicamente referenciados como alvo a bater, como estropício
para a governação, sujeitos à humilhação, em todos os Governos
protagonizados pelo PAIGC. Como se pode?
O
mesmo faz o sr. Jornalista Jorge Heitor, no seu artigo, contra as
Forças Armadas da Guiné-Bissau.
Será
possível convencê-lo que, sem essa frente de luta, é que,
realmente, a Guiné-Bissau deixaria de ser um País normal, ao
contrário do que agora afirma?
E, no
entanto, são esses mesmos que, há décadas, continuam a postar-se
como os mais lídimos defensores da Liberdade da Pátria e do seu
Povo.
Um
Estado, sem Forças Armadas, não é um Estado! Não é essa a
Cruzada pessoal do representante das Nações Unidas, na
Guiné-Bissau?
Extintas
as Forças Armadas, sujeitas actualmente à uma forte pressão
psicológica, a pretexto da reforma compulsiva dos Militares,
lá viriam os milhões de dólares, que agora se nega ao
País, precisamente no período mais pacífico e inclusivo da
sua História recente.
É
possível suportar tamanha falta de carácter? Tamanha falsidade?
É
claro que não é esse tipo de Política que o Povo da Guiné espera
dos seus Políticos, neste caso dos candidatos à liderança do
PAIGC.
Mas é
possível ser-se político sem um pensamento coerente sobre o bem
comum do Povo Guineense?
O
debate, que se espera dos candidatos à liderança do PAIGC, deve ser
sério e profundo, a pensar no momento delicado que o nosso País
está a atravessar, vítima de conspirações diversas (internas e
externas), com uma intenção claramente provocatória, orientada
para a transformação da Guiné-Bissau, e da sub-região, no campo
de batalha estratégica, de grande calibre, em nome de interesses que
nada têm a ver com os da Nação Guineense e do seu Povo.
Referência
Jocosa à Guiné-Bissau
É por
isso que não podemos admitir a referência jocosa à Guiné-Bissau
que o sr. jornalista se permite fazer, de forma intencional e
reiteradamente ofensiva.
Na
verdade, se fosse um Jornalista normal, com o currículo, pelo qual
se auto-apresenta, deveria ter vergonha de se referir à
Guiné-Bissau, no tom abjecto, em que o faz, sem respeito pela
deontologia da sua profissão e pelo grandioso Povo da Guiné-Bissau:
Grandioso
na sua nobreza, enquanto Povo; grandioso, na sua postura nacional, em
que privilegia a solidariedade e a paz social; apesar de todas as
Forças Malévolas da desunião (vindas do exterior e ecoadas, no
interior, por alguns oportunistas, numa óptica de dividir para
reinar); apesar da diversidade cultural, que (não nos cansamos de
repetir) é a maior riqueza do nosso Povo.
É
legítimo perguntar: onde estava ele, no momento em que decidiu
escrever a sua diatribe?
Nalguma
esplanada de Maputo ou de Joanesburgo? Porque, na Guiné-Bissau, não
foi com certeza!
Apesar
do respeito, que devemos à pessoa do jornalista, não podemos
acompanhá-lo, no seu desvario intelectual, só porque é moda
falar-se mal da Guiné-Bissau. Quanto se ganha por falar assim?
Estado
desorganizado e incompetente:
O
Debate Político Necessário
No 3º
parágrafo, o sr. Jornalista faz a seguinte observação:
“O
Estado Guineense é desorganizado e incompetente porque nasceu
torto, nunca tendo uma série de combatentes
pela independência aceite a liderança de Amílcar Cabral, que
acabaria assassinado ao ódio de certos negros aos cabo-verdianos.”
Diz, a
propósito, que “Amílcar e Luís Cabral nunca conseguiram
consolidar o sonho de uma Guiné e um Cabo Verde a caminharem juntos
para a independência e o desenvolvimento”.
Vale a
pena lembrar o seguinte episódio, bastante significativo para a
História da Guiné-Bissau e Cabo-Verde:
Em
Janeiro de 1978, o Presidente Sékou Touré, da Guiné-Conakry,
bem informado sobre o processo político da Guiné-Bissau, na sua
relação com Cabo-Verde, denunciou o tipo de unidade “de
cavalo e cavaleiro” que o PAIGC estava a praticar, na
Guiné-Bissau.
Foi,
sem dúvida, o mote para a alteração política que se operou, pouco
tempo depois, através do Golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980,
que fez a ruptura definitiva com a governação bicéfala sob o mesmo
Partido e a mesma bandeira.
O
PAIGC é um Partido charneira, na Guiné-Bissau. O seu papel, na
História dos Países de Expressão Portuguesa, ultrapassa a sua
dimensão nacional. É preciso explicar?
Por
isso, os seus verdadeiros Militantes deveriam ser exigentes com a
qualidade de liderança, que se preparam para eleger, no 8º
CONGRESSO do PAIGC.
Porque
o debate, que os candidatos deveriam fazer, deve ser no sentido da
sua libertação ideológica, para virem de encontro ao riquíssimo
Povo, de imensa sabedorias, que é o Povo da Guiné-Bissau.
Este
pode não intervir na eleição partidária, mas sabe o que quer e o
que não quer.
Sabe
que não quer aquela liderança do PAIGC, feita de castelinhos de
poder, em benefício de um reduzido grupo de privilegiados, porque
essa foi sempre a sua estratégia de Poder, que (claro está) não
deu resultado.
Assim
foi, com Amílcar Cabral (o Pai Fundador), que se escudou na
liderança minoritária cabo-verdiana. Assim, também, com Luís
Cabral e Aristides Pereira, a pretexto da Unidade Guiné-Cabo Verde.
Assim,
também, com Nino Vieira, ao distanciar-se dos ideais da Luta da
Libertação Nacional e tornar-se, ele próprio, no seu inimigo, ao
construir (mal aconselhado), também ele, o seu próprio castelinho
de poder, rodeado dos seus conselheiros privativos, que o tornariam
órfão de quaisquer ideais de liberdade política, enredado na sua
ambição de poder pessoal.
É
tempo de esse filme ser retirado do cartaz e se desenvolver uma
política de nobreza de valores e de genuíno patriotismo. Não se
enriquece com uma tal política. Mas o Povo saberá reconhecer!
Povo saberá agradecer uma liderança conciliatória e inclusiva!
Não
ignoramos a existência de uma força conspiratória e divisionista,
feita de intimidação obsessiva, a pretexto do narcotráfico,
pretexto sinistro, manipulado com mestria por gente sem escrúpulos,
que apenas visa o seu interesse pessoal ou estratégico, em que se
escudam para impor a sua vontade ao Estado da Guiné-Bissau.
O
tempo presente deve ser de unidade, a todo o custo, a todos os
níveis.
Porque
todos os que pensam cavalgar o cavalo da vitória fácil, puxado pelo
interesse de enriquecimento pessoal, à custa do País que é a
Guiné-Bissau, seja quem for que lhes alimente as ilusões, não
estará talhado para assumir qualquer responsabilidade, nem termos de
liderança partidária, nem (pior ainda) política!
Os
oportunistas (sempre à espera de vitória fácil) têm uma história
curta. Não têm futuro, numa Guiné de respeito e dignidade.
Compreendemos
que, num País, como a Guiné-Bissau, de múltiplas diversidades, a
diversidade dos candidatos deve espelhar as diversidades de
sensibilidades sociais e interesses subjacentes.
Importante
é que todos os interesses se conciliem, face ao interesse geral do
nosso Povo, na adopção de uma política de paz, estabilidade e de
inclusão. Qualquer Guineense entende isso!
Governo
e Presidência do PAIGC
No 2º
parágrafo da sua dissertação, o articulista insiste - falando
ex-cathedra - na anormalidade do Estado da Guiné-Bissau, que
pretende justificar da seguinte forma:
“Se
a Guiné-Bissau fosse um país normal, com quase 40 anos de vida,
estaria agora a ser governada pelo PAIGC e a ser presidida
provavelmente pelo que é ainda o líder desse partido, Carlos Gomes
Júnior, que neste último ano tem vivido exilado…”
Mas
que autoridade tem o sr.jornalista para asseverar juízos de valor
sobre a dinâmica interna de um Partido ou de um País?
Nitidamente,
o articulista exorbita das suas competências, enquanto jornalista,
ao ingerir-se, despudoradamente, sobre a dinâmica interna de um
País, alvitrando sobre quem deve governar ou presidir os destinos do
País. Será isso liberdade de informação?
Ou
ter carteira
de jornalista é
receber carta
branca para insultar todo um Povo,
todo um País, de forma tão leve e banal?
Será
que entende que, desde há muitos anos, os últimos
14 (catorze) meses,
foram os de maior
estabilidade política e social na Guiné-Bissau,
tendo a cooperar, pacificamente, 35 Partidos de Oposição ao PAIGC?
Alguém
pode garantir idêntica estabilidade com a nova composição do
Governo, recentemente empossado, com a inclusão do PAIGC no seu
elenco, com todo o seu engenho na arte de manipular o aparelho do
Poder? Veremos!
Será
que consegue entender que a presença de uma Força Estrangeira, na
Guiné-Bissau, para defesa de um só homem, era um insulto grosseiro
a todo um País, além de toda a ingenuidade de que se revestiu e a
humilhação desnecessária?
Se
é por esse tipo de governação que o sr. jornalista propugna, só
teremos a lamentar a sua frustrante expectativa! Nenhum Guineense
deseja uma governação desse género, tutelada pelas próprias
Forças que a fariam cair, quando os seus interesses não fossem
salvaguardados.
Algum
País movimenta uma Força tão poderosa, como aquela que se
encontrava estacionada, na Guiné-Bissau, aquando do Golpe de Estado
de 12 de Abril de 2012, sem que tenha nisso interesse colateral?
Indubitavelmente,
o Golpe de Estado de 12 de Abril devolveu à Guiné-Bissau a sua
dignidade, apesar de todas as dificuldades que as sanções impostas
lhe vêm causando.
Guiné-Bissau
nas
Mãos
dos Militares?
No
entanto, afirma o sr. jornalista, fazendo comparação com a
governação do MPLA, em Angola, o seguinte: “…a Guiné-Bissau
encontra-se nas mãos de um conglomerado de Militares e de
traficantes que de forma alguma sabem ou querem saber o que seja a
legalidade democrática.”
O
mínimo que se pode dizer é que a afirmação não é mais do que
uma confissão de ignorância do papel das Forças Armadas, na
Guiné-Bissau, onde são o verdadeiro bastião da Liberdade e da
Democracia, visto serem constituídas por autênticos filhos do Povo.
Por
isso, volta a perguntar-se: Onde
estava o sr. jornalista quando decidiu escrever sobre a Guiné-Bissau?
Saberá
ele que as Forças Armadas da Guiné-Bissau nunca exerceram o Poder
Político, mesmo durante o Consulado pessoal de Nino Vieira, que
durou mais de 20 anos?
E
que as Forças Armadas sempre se limitaram a defender a integridade
territorial do Estado da Guiné-Bissau e a garantir a paz e
estabilidade politica e social, no seu verdadeiro sentido político?
E
que os Golpes que se deram tiveram apenas uma finalidade terapêutica
e nunca tiveram qualquer intenção reivindicativa ou de exercício
de poder? Porque se falta então à verdade?
E
o narcotráfico será uma exclusividade Guineense? Ou apenas é
referenciada como pretexto, para algo tão grave, como uma cruzada
para a debilitação das Forças Armadas, em nome de interesses
estratégicos de alguma grande Potência?
E
se foi a DEA americana quem instilou o negócio no País, como
pretexto para algo mais grave, como sucedeu com a detenção do
Almirante Bubo na Tchuto? É algo inverosímil? Certamente que não!
Acha-se
o sr. Jornalista legitimado a insinuar tal coisa, só por ouvir
dizer, sem confrontar a realidade?
A
Proposta de Nova Designação
Para
o PAIGC
Quase a terminar, propõe o articulista que
o PAIGC deverá decidir, de uma vez por todas, no progresso
Congresso, mudar de designação política: em vez de PAIGC
passar a chamar-se PAIGB.
Argumenta
com o facto de que Cabo Verde mudou a sua designação para PAICV.
Mas,
como ficou dito, o PAIGC é um Partido com História, que
influenciou, decisivamente, com a sua capacidade política e
estratégica, não só a luta pela Independência da Guiné-Bissau e
de Cabo-Verdade, como a Luta de Independência de Angola e de
Moçambique, assim como dos novos Países Lusófonos, onde não
aconteceu a Luta armada, como Cabo-Verde e São Tomé e Príncipe.
Um Partido, com tal História, só mostra a sua coerência,
mantendo a sua designação original. Nada a censurar.
(até próxima edição)
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Estabilidade Política e Social da Guiné-Bissau, pela Verdade e Justiça! Por
isso, leia o nosso próximo Tema, neste blogue, no dia 15.06.2013.
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Desenvolvida. Esse é o nosso objectivo! Nada mais!