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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

CPLP, Dhlakama pede ajuda da ala militar para governar à força

O presidente da Renamo voltou a dizer que vai “governar à força” nas autarquias provinciais onde o seu partido foi o mais votado nas eleições gerais de Outubro de 2014.

“Quero o vosso apoio para governarmos à força”, afirmou Dhlakama nesta quinta-feira, 20, quando fazia a abertura da conferência nacional da ala militar de Renamo, que decorre em Quelimane, na Zambézia.

Desta forma, o líder do partido na oposição quis enviar uma mensagem ao poder: “A Frelimo já não produz manifestos porque sabe que vai roubar votos e governar, pensando que Dhlakama vai reclamar e depois recuar. Pelo menos essa parte (das províncias autónomas) ninguém vai recuar”, avisou.

“Eu estou entre a espada e a parede, já não posso desistir depois de quase 40 anos de luta pela democracia, estaria a trair o povo e os meus colegas, que são vocês os comandos e generais, combatentes pela democracia”, advertiu Afonso Dhlakama que chamou os guerrilheiros de “verdadeiramente heróis vivos”.

Mais à frente na sua intervenção, o líder da Renamo destacou que se os guerrilheiros “não existissem, e se estivessem a aceitar ser corrompidos, este povo estaria a sofrer”.


A conferência da ala militar da Renamo termina hoje.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Declaração final MNEs – CPLP


Por, J. F. Gomes

«Encorajou as autoridades da Guiné-Bissau a concertar com a CEDEAO, e outros parceiros africanos, o mandato de uma ECOMIB reconfigurada para apoiar a implementação das reformas.

Notou, ainda, as vantagens de tal mandato vir a ser reconhecido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para gerar confiança internacional no processo de reformas e facilitar o seu cofinanciamento.

(...)

Sublinhou, a este respeito, que o GIC (Grupo Internacional de Contacto) deverá ter em conta a tomada de decisões, a curto prazo, pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas quanto à renovação e atualização do mandato da UNIOGBIS e reconhecimento do mandato da ECOMIB reconfigurada para apoiar as reformas do sector de defesa e segurança.»

Não se trata, obviamente, de uma ECOMIB reconfigurada, mas de uma MISSANG reciclada, que deverá coroar os esforços de Angola para chegar ao Conselho de Segurança. Julgo que há aqui "um grande equívoco da diplomacia angolana" pois o poder, no CS das NU, é um não-poder, consubstanciado no direito de veto. Não dá para atribuir missões ou «reconhecer» mandatos.

Mas o plano tem, entre outros, um ponto fraco capital: fica dependente da CEDEAO, para reconfigurar a sua ECOMIB. Como a CEDEAO não está mesmo nada para aí virada, a ideia da planeada invasão fica adiada, pelo menos por mais 100 dias que é quanto dura ainda o mandato da ECOMIB, tantos quantos a extensão do estado de graça solicitada por DSP. Não havendo, nessa data, concertação possível com a CEDEAO, que vai fazer? Assumir uma força «africana» auto-proposta e proclamada? Com que designação? Força de apoio à implementação de reformas? O ridículo de toda esta psicose serve apenas para desacreditar a CPLP!

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Dificuldades de ligações aéreas para a Guiné-Bissau, limitar a presença de empresários da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP)



Dificuldades de ligações aéreas para a Guiné-Bissau estão a limitar a presença de empresários da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) numa conferência que decorrerá em Bissau entre quarta e quinta-feira, disse hoje fonte da organização.

A conferência "parcerias público-privado para competitividade" é organizada pela confederação empresarial da CPLP e visava juntar em Bissau empresários dos oito Estados membros do espaço lusófono mas tal já não será possível, afirmou Carlos Pinto Pereira, da organização do evento.

O responsável explicou que a delegação cabo-verdiana que já se encontra em Bissau teve de chegar com três dias de antecedência.

"De outra forma só estariam cá dois dias depois da conferência", sublinhou Pinto Pereira, afirmando que a questão de falta de voos de ligação com a Guiné-Bissau e entre os países da CPLP será um dos temas a ser debatido na conferência que será aberta pelo primeiro-ministro guineense, Domingos Simões Pereira.

Empresários portugueses inscreveram-se para o encontro mas não confirmaram a sua vinda, pelo que Carlos Pinto Pereira acredita que a vir alguém será na delegação do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, que vem tomar parte na cimeira extraordinária de chefes da diplomacia da CPLP, na quarta-feira.

Antecipando o formato do encontro, Carlos Pinto Pereira explicou que durante a manhã de quarta-feira terão lugar as intervenções genéricas "para captação de subsídios" dos empresários sobre a sua contribuição para a competitividade no espaço lusófono.

E durante a tarde, será a vez dos membros do Governo guineense apresentarem as potencialidades e oportunidades de negócios nos setores da agro-indústria, pesca, turismo e minérios.

O Governo guineense também vai dar a conhecer aos empresários quais as perspetivas para os setores da energia, infraestruturas, transporte e comunicações, adiantou Carlos Pinto Pereira, que vê no encontro uma oportunidade para o executivo mostrar "uma nova cara da Guiné-Bissau".

Os empresários guineenses e estrangeiros que operam na Guiné-Bissau vão ter oportunidade de apresentarem a sua visão sobre o ambiente de negócio no país e quais as mudanças que gostariam de ver introduzidas pelo Governo, notou Pinto Pereira.

Sobre o futuro do país, o responsável afirmou existir "boas perspetivas e sinais encorajadores" apontando o projeto de energia sub-regional da barragem de Kaleta que deve entrar em funcionamento em 2015, a instalação do cabo submarino de fibra ótica e ainda projetos de construção de estradas com financiamentos já assegurados.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

CPLP pode “ganhar outra voz à escala mundial”



O investigador português Feliciano Barreiras Duarte defende que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) “tem condições para ganhar outra voz à escala mundial” e avisa que é preciso abandonar “o complexo de querer ‘portugalizar’” a organização internacional.

A CPLP “ainda é um diamante por polir”, disse o docente universitário e deputado do PSD (Partido Social Democrata) à Lusa, a propósito do lançamento, em Lisboa, hoje, de quatro livros: “As Constituições Jurídico-Políticas dos Estados-membros da CPLP”, “As Leis da Imigração dos Estados-membros da CPLP”, “As Leis da Nacionalidade dos Estados-membros da CPLP” e “Os Acordos Internacionais e Internos da CPLP”, editados pela Âncora Editora, com o apoio da CPLP.

O bloco lusófono, que celebra 18 anos, “tem de olhar para a realidade internacional e perceber que tem de aprofundar o lado político e linguístico, mas, acima de tudo, em simultâneo e com muita pressa, também o lado económico e cultural”.

Barreiras Duarte, acredita que a organização, que reúne oito países – Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Timor Leste, Portugal e Brasil –, “tem condições para, no curto-médio prazo, ganhar outra voz, um outro peso, não só político e jurídico, mas, acima de tudo, económico e social à escala mundial”.

“A CPLP tem de se preparar para se assumir cada vez mais à escala global como uma organização internacional que tem todas as condições para promover um melhor desenvolvimento económico e social para os seus povos”, sublinhou, citado pela agência Lusa.

“PORTUGALIZAÇÃO”

Para tal, continuou, a comunidade deve dotar-se de instrumentos jurídicos como o estatuto do cidadão lusófono, permitindo uma maior agilidade e concertação no que diz respeito à sua presença à escala mundial na rede consular e diplomática e apoiando as empresas de todos os países do espaço da CPLP, através da mobilidade e do investimento interno ou externo, para aumentar o comércio interno no espaço lusófono.

No entanto, advertiu, há que “abandonar uma visão passadista de querer ‘portugalizar a CPLP’”.

“Tenho visto pessoas em Portugal, por exemplo a propósito da adesão da Guiné Equatorial, que se têm pronunciado de uma forma muito errada no que diz respeito à apropriação de Portugal de tudo o que significa o projecto inerente à CPLP. É bom que acabemos com o complexo de superioridade de que a CPLP deve ser ‘portugalizada’. Não faz sentido”, criticou.

Em Portugal, país que acolhe a sede da organização, é preciso “compreender isso” e “só assim a CPLP poderá contribuir para o desenvolvimento dos seus povos, do ponto vista económico, social e cultural”.

domingo, 8 de junho de 2014

Coluna de civis atacadas no centro de Moçambique; militares usam civis como escudos humanos



A guerra continua na região centro de Moçambique, neste sábado mais uma coluna de viaturas civis foi atacada quando circulava na Estrada Nacional nº1, no sentido sul - centro, cerca das 14 horas. Temos indicação, não oficial, de dois soldados mortos e outros feridos também entre os soldados das Forças de Defesa de Moçambique que em vez de protegerem a coluna usaram os civis como escudos pois, segundo várias testemunhas, os homens armados, alegadamente da Renamo, não disparam contra os cidadãos indefesos.

Pouco depois das 11 horas mais de um milhar de viaturas ligeiras e pesadas, e autocarros de transporte de passageiros, partiu da região do rio Save. À cabeça da coluna circulava uma viatura militar, marca Land Rover, transportando uma arma pesada e cerca de uma dezena de soldados.
 
À viagem, que para vários moçambicanos já decorria mal pois foram obrigado a pernoitar em condições precárias na véspera, ficou pior quando se acercavam da região de Zove e uma rajada de metralhadora atingiu o veículo militar, por sinal o único na coluna, que despitou-se e acabou por capotar na berma.

Seguiram momentos de pânico pois os tiros continuaram a "chover" das matas, sem que se conseguisse vislumbrar os atacantes. Supõe-se que sejam os homens de Afonso Dlakhama, o líder da Renamo.

Com o ataque surpresa vários carros colidiram devido a travagem brusca da coluna e a tentativa de outros efectuarem manobras para fugirem a àrea mais visada pelos tiros.

Outros civis saíram das viaturas onde viajavam e procuraram refúgio nas matas, de onde não vinham os tiros, e outros por baixo dos veículos imobilizados.

Os militares, algumas dezenas, que viajavam numa viatura da Polícia de Proteção e outros nas viaturas dos civis começaram por ripostar mas sem grande eficácia rapidamente puseram-se em debandada chegando mesmo a procurar refúgio entre os civis.

Segundo várias testemunhas que têm vivido os recentes ataques armados dos homens da Renamo afirmam que estes não visam alvos civis.

Alguns cidadãos que conversaram, telefonicamente com a nossa reportagem, relataram que foi evidente a falta de preparação por parte dos militares das FDS e também a falta de meios de combate. "Traziam metralhadora e algumas bazucas, a arma grande estava na viatura da frente que capotou (...) mas não tinham meios de comunicação e usavam os seus telemóveis para contactar o comando, naquela zona a rede era pouca e não havia forma de pedirem reforços."

Tal como começou o ataque terminou.

Contudo ainda faltavam vários quilómetros de viagem até Muxúnguè e foi preciso aguardar a chegada de reforços, que demoraram mais de 2 horas, para que a viagem pudesse prosseguir.

Entre os civis, que se contam mulheres e crianças pequenas, não há registo de vítimas. Pelo menos dois militares, que seguiam na viatura que capotou, perderam a vida e outros três ficaram feridos, contudo não foi possível apurar a sua gravidade dos ferimentos.