terça-feira, 28 de março de 2017

Presidente da Assembleia Nacional da Guiné-Bissau, Cipriano Cassama, realça papel da CNE no exercício da cidadania política na Guiné-Bissau

O Presidente do Parlamento afirmou que a apresentação pública, hoje em Bissau, do Relatório das Eleições de 2014, dá credibilidade a Comissão Nacional de Eleições “pela sua contribuição na cidadania política na Guiné-Bissau”.

Cipriano Cassama que presidia ao acto na sede da Assembleia Nacional Popular afirmou que, no plano político, o mesmo pode significar uma oportunidade para reavaliação do curso dos exercícios políticos que foram legitimados nessas eleições mas que, segundo as suas palavras, “ a conclusão é, social e politicamente, negativa no seu conjunto”.

“ As eleições presidenciais e legislativas de 2014 foram interpretadas, por todos guineenses e pelos nossos amigos e parceiros de desenvolvimento, como uma esperança para o cimentar das conquistas dos valores da liberdade, democracia, paz, sossego e tranquilidades sociais”, disse Cassama.

Mas, acrescenta, “aquilo que se afigurava como o resgatar dos sonhos de uma Guiné de mudança foi transformado num grande pesadelo que agita o quotidiano individual e colectivo” dos guineenses.

Por outro lado, o Presidente do Parlamento pede a fixação do próximo ciclo eleitoral na data legalmente prevista.

Igualmente no acto usaram de palavra, o Secretário Executivo da CNE, Idrissa Djaló, o Delegado da União Europeia, Victor dos Santos e o Representante Adjunto do PNUD, Gabriel D`alva que, realçaram a necessidade de reformas no Código Eleitoral guineense, por forma a se ajustar à actual realidade sociopolítica.

A produção do Relatório das Últimas Eleições presidências e Legislativas de 2014 contou com as assistências técnica e financeira do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a União Europeia (UE).


No escrutínio de 2014, o actual chefe de Estado, José Mário Vaz, ganhou as presidenciais na segunda volta com cerca 62 por cento dos votos contra o seu adversário, Nuno Gomes Nabiam que obteve pouco mais de 38 por cento de votos, e o PAIGC, por sua vez venceu as legislativas com 57 mandatos, seguido do PRS com 41, num total de 102 parlamentares. Com Agencia noticiosa da Guiné-Bissau

O Presidente da República, José Mário Vaz, lança pedra para construção de estrada que ligará Zona Libertada (Buba-Catió) ao resto do país

O Presidente da República, José Mário Vaz presidiu sábado o lançamento da pedra para o alargamento e alcatroamento da estrada que liga Buba, na região de Quinara à Catio, na de Tombali, numa extensão de 60 quilómetros.

A nova obra, financiada pelo Banco Oeste Africano de Desenvolvimento (BOAD) num montante de cerca de 25 mil milhões de Francos CFA, múltiplas vezes adiada pelos sucessivos governos, conta com o revestimento de uma camada de até cinco centímetros além de duas bermas com pelo menos dois metros de largura.

Os trabalhos, que vão durar 22 meses, estão sendo executados pela empresa argelina "Arezki SA", e vão contemplar ainda a criação de uma portagem em Batambali e melhoria das estradas urbanas das duas cidades.

Na cerimónia de lançamento da primeira pedra deste empreendimento, O presidente José Mário Vaz sublinhou que a nova infra-estrutura será uma nova oportunidade para a melhoria das vidas das populações locais e da economia das duas regiões.

"Mas só se efectivará- essa melhoria- quando houver outras acções que a capitalize", avisou o chefe de Estado referindo-se, nomeadamente, a criação de um processo de desenvolvimento integrado que passa pelo investimento produtivo capaz de criar riquezas para o povo do sul.

Lembrou que Catió esteve durante muitos anos isolada do resto do país por falta de acesso e, desta forma, excluída do seu desenvolvimento. Citou as várias tentativas efectuadas pelos sucessivos governos no sentido da construção daquela via que, no entanto, devido a várias razões, explicou José Mário Vaz, não resultaram.

"Enquanto Presidente da Republica, garanto-vos que tudo farei para que esta obra chegue ao fim e para que em Abril de 2019 voltemos a reencontrar aqui para a sua inauguração", declarou.

O chefe de estado exortou as populações das duas regiões a estarem vigilantes e denunciarem qualquer irregularidade que não esteja prevista no caderno de encargo do projecto.

A concluir, destacou ser seu desejo e obrigação devolver à zona sul a condição de maior celeiro do país e agradeceu a UEMOA e o BOAD pelo acompanhamento às autoridades guineenses "nesta caminhada" de redução da pobreza e promoção do bem-estar da população.

A cerimónia contou com presença de membros do governo, representantes do corpo diplomático, deputados eleitos nas duas regiões, antigos combatentes da liberdade da pátria e a população local que afluiu em massa.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Deve-se aprimorar actual sistema político vigente na maioria dos países de áfrica ou optar pela veste anterior?

Por, Dr. Ismael Sadilú Sanhá

A reconquista da liberdade e do território retirado durante a ocupação colonial motivou os líderes africanos a negar qualquer tipo de opinião e acção política vinda da antiga metrópole.

A euforia e avidez pelo poder originou uma nova liderança africana que acreditava ser dona do próprio destino, mas ninguém deve intrometer-se nos assuntos que não lhe dizem respeito, nem ouvir conselhos ou ter em consideração sugestões alheias.

Após a retirada do território africano, os antigos colonos aconselharam os novos lideres a erguer um novo Estado. Para o efeito era necessário adoptar uma democracia parlamentarista, pois seria o modelo mais viável e profícuo para o desenvolvimento social e económico de África. No entanto, muitos não viam essa proposta com bons olhos e as reacções não se fizeram esperar.

A maior parte dos líderes africanos encarava a democracia como um fardo pesado para o novo Estado, pois consideravam-na uma “coisa dos brancos”. Segundo Paul Biya “África não tinha uma cultura democrática e tudo isto não passava de uma imposição dos seus colonos” (Shillington:1995,3). Neste contexto, a concordância seria uma má escolha para África, pois poderia tirar ao povo a liberdade conquistada arduamente.

Na altura pensava-se que os líderes africanos deviam ser capazes de pensar pelas suas próprias cabeças e decidir qual o modelo político e económico mais eficaz para conduzir à prosperidade social e económica do povo africano. Essa aspiração era saliente no discurso do Amílcar Cabral, fundador da nacionalidade da Guiné e Cabo-Verde, passamos a citar: “o que quer o Homem africano é ter a sua própria expressão política e social (…). Quer dizer, a soberania total do nosso povo no plano nacional e internacional, para construir ele mesmo, na paz e na dignidade, à custa dos seus próprios esforços e sacrifícios, marchando com os seus próprios pés e guiado pela sua própria cabeça o progresso que tem direito como qualquer povo do mundo” (Cabral; 1973 )

Os africanos estavam convictos que apesar dos parcos recursos humanos, mas com os recursos naturais abundantes era possível construir um novo Estado e devolver a esperança ao povo martirizado durante a ocupação estrangeira.

Acima de tudo era importante consolidar a “unidade africana” e para isso era fundamental criar um “partido único”. Esse conceito foi aceite e começou a alastrar-se por toda a África, dando azo à concentração do poder numa única pessoa, ao aparecimento de grupos de elite, ao nepotismo e ao neopatrimonialismo que veio despoletar a luta entre facções rivais para controlar o poder. Esta situação restringiu a liberdade de expressão e a participação dos cidadãos na vida política, económica e cultural.

O propósito dos antigos colonos foi rejeitado e passou a impor-se a agenda de governação dos novos líderes. Após alguns anos, devido à falta de visão estratégica para o desenvolvimento do continente e à política enviesada centrada em torno dos interesses individuais instalados, a economia africana começou a dar sinal de fadiga e caos em todos os quadrantes sociais.

Esta situação obrigou a maioria dos Estados africanos a pedir ajuda aos seus antigos colonos, pois só assim seria possível ultrapassar a penúria em que se encontravam. Porém, eles recusaram e a indigência acabou por se tornar uma realidade. E quando os Estados africanos pediram apoio financeiro, pela segunda, para atenuar a pobreza extrema, foi-lhes proposto que aceitassem o sistema democrático multipartidário ou recusariam a ajuda financeira. Citando Bush filho “estás connosco ou és nosso inimigo” (Publico:2001).

Foi-lhes feito um ultimato e como quem necessita tem que se sujeitar às exigências dos outros foram obrigados a vergar-se e a anuir sem contrapor o solicitado.

Por um lado, a democracia acabou por ser aceite e, por outro, o dinheiro desembolsado permitiu continuar a senda de práticas ilícitas.

Perante o caos que se vive na maioria dos estados africanos, sobretudo a dificuldade de pensar e agir pela sua própria consciência, podem ser lançadas várias questões, nomeadamente, identificar o motivo que tem impedido o desenvolvimento dos países africanos.

Neste âmbito, o Presidente da República do Conacri e em exercício da União Africana, Professor Alfa Condé, numa entrevista, enfatizou que “a interferência estrangeira está na origem da maioria dos problemas em África” (E-global: 2017). Deste modo, defendemos a prossecução do nosso caminho, pois só assim seremos capazes de materializar os ideais que nortearam a nossa luta de libertação do continente africano contra subjugação colonial.

Perante o exposto, colocam-se as seguintes questões:
Será que a consolidação da coesão nacional, após a independência, era deveras premente para o desenvolvimento social e económico de África?

Será que a unidade nacional que ditou a vitória na luta pela independência não era suficiente para permitir a construção de um Estado novo?

Se não fossem as atrocidades e a barbárie cometidas contra o povo, no período subsequente a independência, será que a unidade nacional desagregaria?

Será que os líderes africanos tinham razão quando rejeitaram a democracia, e adoptaram um regime despótico?

Se a democracia tivesse sido adoptada quando a maioria dos Estados se tornaram livres e independentes teria contribuído significativamente para a maturação e para o despertar de consciência cívica do povo?

Será que a África está preparada para continuar a ter a democracia como sistema?

O que mudou em África com a terceira vaga de democracia?
Em suma, podemos concluir que:

Apesar de, aparentemente, sermos livres e independentes e termos o pleno direito de conduzir a política interna, enquanto autonomia dos poderes dos Estado conforme o estabelecido no Tratado de Vestefália de 1648, citamos: “Soberania significa um poder que não reconhece outro a ele superior, seja no plano intra-estatal (independência), seja no plano interno (supremacia), a maioria de estados depara-se, ainda, com enormes dificuldades para levar a cabo as suas políticas internas.

O referido tratado, após Estados Unidos de América (EUA) ter sofrido um rude golpe devido ao ataque terrorista às torres gémeas – World Trade Center, padeceu de profundas alterações devido à pretensão das potências hegemónicas ou dos Estados mais ou menos organizados, em querer impor a sua vontade e políticas através do direito à “ingerência nos assuntos internos dos Estados”.

Porém, ainda, estamos muito longe de fazer vincar a liberdade de pensar pelas nossas próprias cabeças e agir.  

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Eu fui. Lavei-me e comecei a ver

«Acreditar em Jesus é acreditar no ser humano, como ele sempre faz. Em todas as circunstâncias.»
 A clareza da afirmação deixa perceber a grandeza do acontecido. A simplicidade da resposta reenvia o sentido da pergunta. A brevidade da frase indicia o início de um longo processo. A cura do cego operada por Jesus de Nazaré manifesta as maravilhas de Deus e gera um dinamismo interpelante em círculos humanos progressivamente alargados. Surge um novo modo de ver que marca a caminhada na fé de quem faz o itinerário de iniciação ao baptismo, à vida cristã. (Jo 9, 1-41).

Jesus anda em missão. Encontra um cego de nascença. Os discípulos que o acompanhavam ficam inquietos e querem saber o por quê da situação. Pensam que, de acordo com a moral judaica, a doença é fruto do pecado, que tem de haver alguém responsável e era preciso repor a justiça ferida. Não descortinam outros horizontes nem alvitram novas hipóteses.

Jesus tem outro olhar. Em vez do por quê, responde com o para quê. Não está voltado para o passado, mas aberto ao futuro. E por isso desliga do pecado o sucedido e de quem o possa ter cometido, e desvenda o sentido real do que está em causa: ser oportunidade para se manifestarem as obras de Deus. E exorta os discípulos a estarem atentos ao que acontece, a discernirem na sua complexidade o sentido que veiculam, a captarem a mensagem que transmitem, a saberem adoptar a atitude ética coerente, a sonharem outras ousadias.

"Eu hoje quero pedir-lhe (a São José), declara o Papa Francisco, que dê a todos nós a capacidade de sonhar, porque quando sonhamos coisas grandes, coisas bonitas, nos aproximamos do sonho de Deus, das coisas que Deus sonha para nós. Que aos jovens dê, porque ele era jovem, a capacidade de sonhar, de arriscar e assumir as tarefas difíceis que viram nos sonhos. E dê a todos nós a fidelidade que geralmente cresce num comportamento justo, e ele era justo, cresce no silêncio, poucas palavras, e cresce na ternura que é capaz de proteger as próprias fraquezas e as dos outros”. Bela e auspiciosa exortação!

O desenrolar da cena visualiza muito bem o propósito de Jesus, feito recomendação. Toma a iniciativa, aproxima-se do cego, prepara o lodo da unção, e mando-o ir lavar-se à piscina de Siloé, que quer dizer «Enviado». Confiante, o homem cumpre e volta curado. Saboreia o primeiro dia de luz. Vê as pessoas e enxerga as coisas. Contempla rostos e admira sorrisos. Que felicidade!

Amarrados pela lei, os familiares e vizinhos, os fariseus e judeus, não se concentram na maravilha realizada, mas convergem na mesma questão: quem o fez transgrediu a lei´; é pecador, merece castigo. E o processo “judicial” arrasta-se, percorrendo todas as instâncias formais e acaba inconclusivo.

Os pais, questionados sobre o cego, garantem ser seu filho e, por medo, dizem nada mais saberem. Os vizinhos, interrogados sobre o que fazia antes da cura a fim de o identificarem, não chegam a qualquer conclusão. Os fariseus apressam-se a sentenciar: quem faz curas ao sábado não vem de Deus, embora alguns sentissem o “aguilhão” da dúvida. Os judeus, insatisfeitos com o desenrolar do processo, chamam de novo o cego curado, e repetem-lhe as perguntas já feitas, que obtêm as mesmas respostas.

Então a desconsideração chega ao insulto e à expulsão. “Trata-se, afirma J. M. Castillo, de um processo de crescente solidão: abandono da sociedade, rejeição da família, expulsão da religião”. É terrível!

Sozinho e enxovalhado, entregue à dor que lhe trouxe a nova situação em contraste com a alegria contida, a “dar voltas” a sentimentos e pensamentos contrastantes, vê Jesus que se aproxima e lhe pergunta: “Tu acreditas no Filho do homem?” O cego curado responde: “Quem é, Senhor, para que eu acredite n’Ele”. “É quem está a falar contigo”. Então, prostrou-se e exclamou: “Eu creio, Senhor”. Em ti, o Filho do homem, em quem brilha a luz divina.

Acreditar em Jesus é acreditar no ser humano, como ele sempre faz. Em todas as circunstâncias. Tirando partido das mais diversas situações. E viver uma fé confiante na pessoa, seja quem for, é “reproduzir” o exemplo deixado pelo Mestre da Galileia.

O santo bispo Teófilo de Antioquia afirma num dos seus escritos: “Se tu me dizes: «Mostra-me o teu Deus», eu posso responder-te: «Mostra-me o homem que há em ti, e eu te mostrarei o meu Deus». Mostra-me, portanto, como vêem os olhos da tua mente e como ouvem os ouvidos do teu coração.

A cegueira humana dá lugar à luz da fé, ainda que inicial. O itinerário não está isento de obstáculos, sempre superados. Após a aproximação de Jesus, a confiança e a cooperação “varrem” a indiferença e a exclusão, o amor à verdade libertadora vence os medos e as ameaças, a alegria da fé em Jesus compensa o desconforto provocado pelos familiares e responsáveis religiosos. A firmeza da convicção, qual rocha granítica, atesta a adesão cordial e o sentido novo da opção tomada.


“Eu fui, lavei-me e comecei a ver”, reconhece o cego curado. É esta a nossa esperança desde o início da vida crista, no baptismo.

Djurtus da Guiné-Bissau defrontam "Bafana Bafana de Africa do Sul"

Os Djurtus defrontam amanhã os "Bafana Bafana" num jogo amigável, em Durban. É o primeiro jogo da selecção guineense após o CAN.

Depois da qualificação histórica para o CAN, os jogadores guineenses voltam amanhã a vestir a camisola da selecção num jogo amigável contra a África do Sul, em Durban.

Deixando de fora dois capitães da selecção, Bocundji Cá e Jonas Mendes, há uma novidade na convocatória: Soriano Mané, jogador do Olhanense, de Portugal. Esta época, o avançado de 20 anos, conta com 26 jogos na equipa da 2° divisão portuguesa.

Guiné-Bissau com Moçambique no grupo de apuramento para o CAN

A Guiné-Bissau começa assim a preparação para os jogos de apuramento para o CAN 2019. No grupo, encontra-se a Zâmbia que, relembre-se, já estava no grupo de qualificação da Guiné para o CAN deste ano. Os Djurtus empataram no primeiro jogo e venceram no segundo.

A Guiné também terá pela frente Moçambique, no que será o primeiro embate oficial entre os dois países lusófonos. Além disso, o grupo contará com a Namíbia.

Cherif Djaló, representante da selecção guineense em Paris, considera que o embate de amanhã pode ajudar a equipa a manter a confiança depois da qualificação histórica para o Campeonato das Nações.

Confira aqui a lista de convocados para o jogo de amanhã:

Guarda-redes:
Rui Camara Dado (CD Cova de Piedade, Portugal)
Pape Masse Fal Mbaye (Agua Dulce, Espanha)

Defesas:
Tomás Dabo (SC Farense, Portugal)
Rudimilson Gomes Brito Silva (Utenis Football Club, Lituânia)
Juary Marinho Soares (CD Mafra, Portugal)l
Agostinho Soares (SC Covilhã, Portugal)
Mamadu Candé (sem clube)

Médios:
Nanisio Soares (FC Felgueiras, Portugal)
Zezinho (Levadiakos FC, Grécia)
Abdú (Clube O. Desportivo, Portugal)
Francisco Santos da Silva (Stromsgodset, Noruega)
Lassana Camará (Académico de Viseu, Portugal)

Avançados:
Jamari (CD Chaves, Portugal)
Piqueti (SC Braga, Portugal)
Toni Silva (Levadiakos, Grécia)
Aldair Baldé (SC Olhanense, Portugal)
Abel Camará (Belenenses, Portugal)

Soriano Mané (SC Olhanense, Portugal)

quinta-feira, 23 de março de 2017

A Directora Nacional do BCEAO, Helena Nosoline Embaló, reúne com os bancos comerciais de Bissau

A Directora Nacional do BCEAO, Helena Nosoline Embaló começou por salientar a margem da reunião trimestral com os directores gerais dos bancos comerciais do país, que o papel da sua instituição tem como missão assegurar a estabilidade do preço e garantir igualmente a segurança e solidez do sistema financeiro.

Embaló acrescenta ainda que o sistema bancário e o papel dos bancos na economia, constitui um dos principais canais da transmissão de política monetária.

No encontro, o BCEAO informou os bancos sobre a evolução do sistema económico e financeiro, assim como das decisões do Comité de política Monetária (CPM). Também BCEAO explica ainda os bancos sobre o estado de implementação das reformas impulsionadas pelo banco central que visa a solidez financeiro dos bancos. Por último, na sessão de discussões, as instituições bancárias do país espelharam as suas dificuldades à direcção do BCEAO.

O Representante dos Bancos Comerciais do país, Rómulo Pires revelou que as instituições bancárias apresentaram as suas dificuldades ao BCEAO, apontando os aspectos infra-estruturais, comunicação e dos transportes que, na sua visão, permitiria que os bancos chegassem com facilidade aos pontos do país onde até então não conseguiram alcançar.

“Temos assistido um crescimento significativo de número de clientes, por isso, temos que criar condições para acompanhar esta evolução”, desafia Rómulo Pires.

O financiamento das actividades do caju mereceu também a atenção do BCEAO com os bancos comerciais da Guiné-Bissau que se disponibilizaram a financiar qualquer cidadão que reunir requisitos exigidos para aquisição de empréstimos bancários. Com Odemocrata

A Guiné-Bissau registou um crescimento económico de 5,6 % em 2016

A Guiné-Bissau registou um crescimento económico de 5,6 por cento no ano 2016, contra 4,8 por cento em 2015, impulsionado pela boa campanha de comercialização e exportação da castanha de caju do ano transacto. Estes valores foram anunciados pelo Ministro de Estado da Economia e Finanças, João Alage Mamadu Fadia à saída da primeira reunião trimestral do Conselho Nacional de Crédito (CNC), organizada esta quarta-feira, 22 de Março de 2017, pela Direcção Nacional do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO) na sua sede principal em Bissau.

Mesmo com o crescimento da riqueza nacional [Produto Interno Bruto] registado no país, os conselheiros do CNC, entidade presidida estatutariamente pelo Ministro da Economia e Finanças, apontaram a necessidade de diversificação da produção local, com vista a redução dos factores de riscos, tendo em conta que o fenómeno caju vem prejudicando as outras produções.

Conselho Nacional de Crédito vê com bons olhos as perspectivas para a campanha de comercialização e exportação da castanha de caju [“Ouro Guineense” que representa 93% das receitas de exportação] do presente ano 2017, cujo preço mínimo fixado pelo Governo guineense é de 500 (quinhentos) francos CFA junto ao produtor. O referido valor já está a ser praticado no sector de Bigene, segundo notícia a “Rádio Sol Mansi” na sua edição da última terça-feira, 21 de Março.

Durante o encontro, os conselheiros foram informados que a taxa de inflação, medida através do índice Harmonizado dos Preços ao Consumidor (IHPC), mantém-se em 1,5 por cento em 2016, o mesmo resultado registado no ano 2015.

“As exportações foram nas ordens de 196 mil milhões de francos CFA, as reservas cambiais reforçaram-se, saindo 196 mil milhões de francos para 238 mil milhões de francos CFA, portanto, isso tudo demostra que alguma coisa se passou de positivo! E a inflação foi contida dentro dos parâmetros de objectivos da estabilidade do preço”, disse João Alage Mamadu Fadia a saída da reunião do CNC.

A União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) projectou em Julho do ano passado que a Guiné-Bissau deveria registar em 2016 um crescimento 5,8 por cento da sua economia, após uma aceleração verificada em 2015.

Segundo a nota, na altura a UEMOA projectará em 2016 uma taxa do crescimento económico de 7,2% no seu espaço, contra 6,6% em 2015.

sábado, 18 de março de 2017

A água de Jesus sacia a nossa sede

Reflexão de Georgino Rocha

O encontro de Jesus com a samaritana contém uma riqueza admirável de ensinamentos. Pelo que mostra e pelo que simboliza. Para todos os tempos. Centrado nas sedes humanas, envolve outras dimensões pessoais e colectivas, conjugais e familiares, étnicas e religiosas, espirituais e transcendentes. Centrado em dois protagonistas – o judeu Jesus e a anónima samaritana – decorre em ambiente de diálogo pedagógico esclarecedor. Quem necessita passa a dar ajuda e quem dispõe de meios acolhe os que lhe são oferecidos. João, o evangelista encenador e narrador do episódio do poço de Jacob, em Sicar da Samaria, elabora uma excelente catequese que a Igreja integra na preparação dos candidatos ao baptismo, início da vida cristã. (Jn 4, 5-42).

Era cerca do meio-dia, hora avançada para quem madruga. Jesus anda em missão pelas terras áridas da Samaria. Sente-se cansado e aproxima-se de Sícar. Senta-se à beira do poço de Jacob. Fica só, pois os discípulos vão à procura de alimento à povoação. A paixão do anúncio da novidade de Deus “assalta-lhe” o coração. Ergue o olhar e vê uma mulher que vem com um cântaro vazio. O encontro pressentido e desejado vai acontecer, embora seja preciso cautela prudencial. “Dá-me de beber” é a saudação inicial que soa muito estranha ao ouvido daquela mulher. E a réplica tem algo de censura: Tu, judeu, atreves-te a fazer pedidos a uma samaritana? Jesus avança com uma proposta de sentido diferente e garante-lhe: “Se conhecesses o dom de Deus e quem é Aquele que que te diz: “Dá-me de beber, tu é que lhe pedirias e Ele te daria água viva”.

O diálogo prossegue e, de passo em passo, chega às sedes profundas da mulher samaritana, sedes de felicidade típicas de todo o ser humano. Sedes que vinham a ser saciadas em experiências várias. Aliciantes, mas passageiras e geradoras de um vazio amargo. A contra-luz, são denunciadas a superioridade do homem sobre a mulher, o apreço pela pureza étnica, a localização do culto religioso, a vida sexual instável, apesar de procurada com insistência. O diálogo faz-nos ver os cinco maridos, o monte de Garizim e o templo de Jerusalém, a rivalidade dos povos, as pautas sociais de comportamento de judeus e samaritanos. Tudo para visualizar uma mensagem com sentido mais profundo e horizontes mas amplos.

“O que em primeiro lugar fica claro neste relato, afirma J. M. Castillo, é o respeito, a aceitação e o acolhimento humano de Jesus a qualquer pessoa. Jesus encontra-se com uma estranha que, além disso, era desprezada por três razões: os homens desdenhavam como mulher; os judeus por ser samaritana; as outras mulheres pelo seu comportamento pouco exemplar. Pois bem, a esta mulher tão desconsiderada, Jesus garante que lhe vai dar uma água que sacia todas as suas carências e seus anelos”.

A relação com Jesus progride de forma clara, indiciada nos títulos com que ela o trata: judeu, senhor, profeta, messias. E faz ver que o cântaro vazio se converte em coração cheio; o cântaro abandonado junto ao velho poço dá lugar ao coração apaixonado e exultante de alegria que parte em “saída missionária”. De esmorecida e rotineira, a samaritana transforma-se em mensageira da novida encontrada, em testemunha qualificada e eficiente de Jesus junto dos seus conterrâneos. E destes recebe o maior elogio que o discípulo pode ouvir: “Sabemos que Ele é o Salvador do mundo”, não por causa das tuas palavras, mas “porque nós ouvimos”. A sede de Jesus ia-se saciando. A eficácia do encontro estava à vista. A água pedida transforma-se em oferta e quem a recebe converte-se em manancial de água viva que jorra abundantemente. Como em Sícar. Com a samaritana. Junto dos seus conterrâneos. E em tantas partes do mundo ao longo dos tempos, como, felizmente, a história honesta documenta.

Jesus é, agora, o novo templo onde se realiza o culto agradável a Deus, é a água viva que inunda e vitaliza todo o coração ressequido e esterilizado, é a palavra eficaz que desvenda a cada um/a a grandeza da sua dignidade, é o pão saboroso que alimenta e sacia as fomes de sentido e de esperança para o nosso peregrinar no tempo, rumo a um futuro feliz, definitivo, eterno.

“Quando ouvir alguém perguntar «onde estão os jovens?» diga-lhe que estamos aqui”, juntos, em Igreja, apesar de muitos. por razões várias, terem abandonado. “Hoje, acredito, afirma Sotelo Nicole, que muitos jovens católicos adultos estão a tentar, à sua pequena medida, fazer o que Jesus fez: ter a certeza de que o amor firma raízes e cresce nos nossos ensinamentos da Igreja, nas nossas políticas públicas. Talvez nunca antes na minha vida eu tenha sentido um desejo tão grande de permanecer unida ao legado de Cristo, trabalhando para uma sociedade e uma Igreja em que podemos acreditar”( National Catholic Register, SNPC 14.03.2017).


Belo testemunho que reforça a atitude da samaritana e atesta, a seu modo, que a água de Jesus sacia a nossa sede. Experimenta!

Transhumanismo e pós-humanismo (1)

Crónica de Anselmo Borges, no Diário de Notícias

"Não se pode compreender nada actualmente, passando ao lado das revoluções tecnológicas."

Embora pouco debatido, está em marcha todo um projecto para modificar o homem, no limite, pensando até na imortalidade, e cientistas trabalham nele, com o apoio financeiro de grandes grupos, como o Google, que tem em Raymond Kurzweil, um génio informático, autor de The Singularity Is Near: When Humans Transcend Biology, o seu mais afirmado profeta. É, pois, relevante que o filósofo Luc Ferry, que já foi ministro da Educação em França, venha, numa obra exigente e pedagógica, La Révolution Transhumaniste, alertar para a urgência da reflexão sobre tão complexa temática: "Não se pode compreender nada actualmente, passando ao lado das revoluções tecnológicas."

1. O transhumanismo, explica Ferry, é um filho da terceira revolução industrial, a do digital e das NBIC: nanotecnologias, biotecnologias, informática, ciências cognitivas, isto é, ciências do cérebro e inteligência artificial. Tem três características fundamentais: a passagem de uma medicina terapêutica a uma medicina de "aumento", concretamente através da engenharia genética e da hibridação (um exemplo: mediante um implante, ficar com uma visão de águia); passagem do acaso à escolha, "from chance to choice", da lotaria genética a um eugenismo; o aumento da vida humana, lutando contra o envelhecimento e a morte (a Universidade de Rochester já aumentou em 30% a vida de ratos transgénicos). Numa palavra: avançar para "homens aumentados".

2. No cruzamento da "convergência NBIC", em simbiose e mútua fecundação exponencial, resultará um avanço prodigioso na investigação e na técnica, de consequências imprevisíveis. Assim, por exemplo, na sua obra brilhante e desafiadora De Animais a Deuses, agora best-seller mundial com o título Sapiens, com mais de um milhão de exemplares vendidos, o historiador Yuval Harari não hesita em dar como título ao último capítulo "O fim do Homo sapiens", escrevendo: "Os futuros senhores da Terra serão, provavelmente, mais diferentes de nós do que nós somos dos neandertalenses. Isto atendendo a que nós e os neandertalenses somos, pelo menos, humanos e os nossos herdeiros serão semelhantes a deuses."

E dá exemplos do que está e pode vir a acontecer. Os laboratórios começam a superar as leis da selecção natural, e aí está o caso de um coelho verde e fluorescente. Já mudamos o género de um ser humano através da cirurgia e de tratamentos hormonais. Com a engenharia genética, produziremos porcos com gorduras boas e poderemos pensar em "ressuscitar" criaturas extintas, incluindo um neandertalense, conseguindo talvez desse modo, comparando o seu cérebro com o nosso, "identificar que alteração biológica resultou na consciência". Com ela e outras formas de engenharia biológica pode pensar-se em realizar alterações profundas na nossa fisiologia, no sistema imunitário, na esperança média de vida, nas nossas capacidades intelectuais e emocionais. Se é possível criar ratos superinteligentes, "porque não seres humanos superinteligentes e que se mantenham fiéis aos seus parceiros?" E poder-se-á pensar na criação de "um tipo de consciência completamente novo e transformar o Homo sapiens em algo diferente", parecendo inclusivamente "não existir uma barreira técnica intransponível que nos impeça de criar super-humanos". Existe uma outra tecnologia que poderia alterar as leis da vida: a engenharia cyborg: "Os cyborgs são seres que conjugam componentes orgânicos e inorgânicos, como um humano com mãos biónicas" - pense-se no ouvido biónico, em braços biónicos, controlados pelo pensamento, ou em invisuais obtendo uma visão parcial. Talvez possamos um dia "ler a mente de outra pessoa". "O mais revolucionário é a tentativa de inventar uma interface de duas vias, directa do cérebro para o computador, que permita ao aparelho ler os sinais eléctricos do cérebro humano, transmitindo, por outro lado, sinais que o cérebro, por sua vez, também possa ler. E se essas interfaces forem usadas para ligar directamente um cérebro à internet ou ligar directamente vários cérebros uns aos outros, criando desse modo uma espécie de internet cerebral? O que poderia acontecer à memória, à consciência e à identidade humanas, se o cérebro tivesse acesso directo a um banco de memória colectiva?" E há programadores que "sonham criar um programa que possa aprender e evoluir de forma absolutamente independente do seu criador". "Suponha que podia fazer um backup do seu cérebro para um disco rígido portátil e, depois, fazê-lo correr num computador. Seria o seu computador capaz de pensar e sentir como um sapiens? Se pudesse, seria o leitor uma outra pessoa?" E, se os programadores informáticos pudessem "criar uma mente inteiramente nova, mas digital, criada por código informático, integral, com sentido de si própria, consciência e memória", estaríamos perante uma pessoa? O director do Blue Brain Project afirmou que numa ou duas décadas poderemos ter "um cérebro humano artificial, dentro de um computador, que poderá falar e comportar-se como um humano".

3. Que fazer? Perante tamanhos desafios, embora alguns, segundo parece, não vão além da ciência ficção, não se pode ficar indiferente. E lá está Luc Ferry, exigindo "uma regulação que deve ser política". E reflexão ética.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Guiné-Bissau e Senegal debatem a revisão do Acordo sobre a Zona Marítima de Exploração Conjunta.

A Guiné-Bissau tem um acordo com o Senegal no domínio das pescas e sobre o qual a partilha é de 50 por cento para cada parte.

Em relação ao rendimento da exploração de petróleo, o Acordo prevê neste momento 20 por cento para a Guiné-Bissau e 80 para o Senegal.

O Chefe da Delegação da Guiné-Bissau, Apolinário de Carvalho, sem precisar os pontos em discussão, disse a imprensa que as sessões de trabalhos estão a “decorrer normalmente”, contudo, admite não esperar um Acordo durante esta ronda negocial entre Bissau e Dacar.

Enquanto Embaixador de Senegal em Bissau defende que o seu país devia obter 85 por ceno dos rendimentos contra 15% para Guiné-Bissau na futura exploração do petróleo na zona marítima comum, “dado ao investimento feito pelo Senegal”.

Estas declarações foram feitas pelo Embaixador Cheikh Tidiane Thiam no intervalo dos trabalhos entre as Comissões dos dois países relativa a revisão do Acordo sobre a Zona Marítima de Exploração Conjunta.

“Se não fosse o investimento feito pelo Senegal na zona em questão, estaríamos perante um Acordo de partilha de rendimentos, completamente desequilibrado”, disse Tidiane Thiam.

Contudo, assegurou que as autoridades de Dacar estão abertas para se alcançar um acordo que satisfaça os dois Estados e os respectivos povos.

Hoje, sexta-feira, é o último dia desta ronda relativa a Zona Marítima de Exploração Conjunta entre os dois Estados.

 O Acordo de Cooperação e Gestão da Zona Marítima Comum entre as Repúblicas da Guiné-Bissau e do Senegal foi assinado pelos chefes de Estado dos dois países em 1993 e dois anos depois foi criada a Agência para a Gestão e Exploração de recursos haliêuticos e minerais. Com Agencia Noticiosa da Guiné-Bissau

quinta-feira, 16 de março de 2017

A Guiné-Bissau deverá exportar cerca de 200 mil toneladas de caju em 2017, diz Directora do BCEAO

As projecções do Banco Central dos Estados da África Ocidental (BCEAO), apontam para um crescimento no volume de exportação da castanha de Caju este ano na ordem de quase 200 mil toneladas.

Essas projecções feitas quarta-feira pela Directora Nacional do Banco Central de Estados da África Ocidental (BCEAO), a margem da Jornada nacional de Difusão da Balança de Pagamento da Guiné-Bissau 2015 e do Comércio Externo da União Económica Monetária Oeste Africana (UEMOA) que reuniu os economistas na capital Bissau.

Helena Nosoline Embalo disse que por dois anos consecutivos, o saldo da balança das transacções corrente foi positivo devido a vitalidade da exportação da castanha de caju, e que também o saldo global foi positivo evidenciando assim um reforço das reservas cambias do país.

"Apesar das projecções positivas dos dois indicadores, o país deve estar atento e com tendências de diversificar a sua base produtiva e a exportação, de forma a fortalecer a economia nacional", disse Embalo.

Para colocar o país no caminho de crescimento forte e sustentável, o ministro do Estado da Economia e Finanças, Aladje Mamadu Fadia, defende que é necessário levar a cabo um conjunto de reformas, e adopção de medidas que permitem reforçar a produção e a produtividade, através do desenvolvimento do capital humano, da transparência governativa e do fortalecimento das instituições.

Fadia disse que, perante o facto, o governo está engajado a trabalhar para o aumento do stock do capital produtivo do país.


De acordo com o Banco Central dos Estados de África Ocidental, até final de Junho de 2017 todos os bancos do país deverão reforçar os seus capitais sociais para 10 milhões de francos CFA, para permitir aumento da produtividade da produção concorrente, e melhoria da conta externa do país no quadro das reformas estruturais necessária na economia nacional. Com Agencia de Noticias da Guiné-Bissau

quarta-feira, 15 de março de 2017

Acordo de Conacri: Uma Afronta Constitucional?

Por, Jornalista Umaro Djau

Na sua reunião de 1 de Março deste ano, o Conselho de Segurança das Nações Unidas endossou por unanimidade o "Acordo de Conacri" de 14 de Outubro de 2016 como o "principal guia para uma resolução pacífica da crise política" na Guiné-Bissau. E com esta decisão, toda a comunidade internacional, a CEDEAO incluída, relegou a Constituição da República da Guiné-Bissau para um segundo plano, apesar de o Supremo Tribunal do país (por três vezes) ter sido chamado para se pronunciar sobre diversas matérias constitucionais, nomeadamente a superposição de poderes no actual sistema "semipresidencialista" guineense.

Deve-se, todavia, reconhecer o facto de a nossa classe política -- como signatária do "Acordo de Conacri" -- ter sido também cúmplice no processo de alienação dos poderes constitucionais guineenses.

Se todos (incluindo a comunidade nacional, regional e internacional) tentassem resolver esta crise em base da nossa corrente Constituição -- interpretada de uma forma concisa e imparcial -- o problema já há muito que teria sido resolvido. Mas, tal como se falhou no cumprimento das últimas decisões do Supremo Tribunal de Justiça, agora há claras indicações de que falhar-se-á também no processo da implementação do "Acordo de Conacri".

Por estas razões, como já me manifestei por diversas vezes, os guineenses têm que insistir no respeito às leis e aos princípios nacionais como forma de resolver quaisquer disputas internas de carácter político-institucionais. Ou seja, com ou sem mais uma revisão, temos que saber aceitar a nossa Constituição como a forma mais justa de resolvermos os presentes diferendos com que o país se depara.

Qualquer outra postura ou posicionamento (mesmo que seja em boa fé), para além de abrir precedentes político-constitucionais imagináveis, seria um detrimento às leis fundamentais do país. E mais: alongar ainda mais a presente crise político-institucional.

Tal como se propalou no início da legislatura da ANP, os partidos políticos e os Deputados na nação deviam era investir de uma forma empenhada na revisão constitucional para que futuramente possam sustentar melhor as suas tendências e preferências políticas, sobretudo nos aspectos de superposição de poderes executivos e outros.

Mas, também quem poderá garantir que as mesmas (tendências e preferências) alinhar-se-ão com os seus "futuros" campos políticos?

Como podem reparar -- e contrariando a mim mesmo -- diria que o problema nem sempre é a Constituição. O fundo do problema é não saber respeitar (e fiscalizar seriamente) o que está presentemente escrito e promulgado.

Embora muitos tenham insistido (e justificadamente) para a necessidade da revisão constitucional, as leis não devem ser alteradas para se conformar apenas com as linhagens político-partidárias temporárias. E quando há uma profunda necessidade de emendar as mesmas leis, é bom que que não seja por razões meramente políticas com o objectivo de preservar apenas uma linha de pensamento.

Exemplo concreto: Quando Nino Vieira e o PAIGC mudaram a Constituição (revisões de 1991, 1993 e o Artigo 68º e as suas devidas alíneas) para dar mais poderes ao então Presidente da República antes das primeiras eleições multipartidárias, poucos imaginavam as repercussões dessa mesma medida. Ironicamente, o PAIGC, sendo a maior força político-partidária no país, tem sido também o maior propulsor das alterações constitucionais entre 1991 e 1996 [Lei Constitucional n.º 1/91, de 9 de Maio de 1991; Lei Constitucional n.º 2/91, de 4 de Dezembro de 1991; Lei Constitucional 1/93, de 21 de Fevereiro de 1993; Lei Constitucional n.º 1/95, de 1 de Dezembro de 1995; Lei Constitucional n.º 1/96, de 16 de Dezembro de 1996].

Em suma, a culpa não é da Constituição da República, mas sim dos homens que, com argumentos pouco constitucionais, rejeitam respeitar a sua presente forma e conteúdo.


Mas, por mais que muitos prefiram interpretar a nossa Constituição de uma forma futurística, nada nos garante que a sua alteração seja satisfatória aos políticos de amanhã que certamente farão tudo para continuar a sustentar as suas tendências e preferências políticas -- constitucional ou inconstitucionalmente.

Nota: Os artigos assinados por amigos, colaboradores ou outros não vinculam a IBD, necessariamente, às opiniões neles expressas.